Harry Potter vs. Adelina Piloto
Adelina Piloto, no último número do Correio da Junqueira, resolveu dizer de Harry Potter o que Maomé não conseguiu dizer do toucinho....
Segundo esta docente, as histórias do pequeno mago são “literatura maleficamente sedutora, analgésica, inebriante, mágica e exuberantemente anti-pedagógica”, pois as crianças julgam que a vida pode ser ganha sem esforço e que a luta entre o Bem e o Mal em que o primeiro ganhava “é cada vez mais uma ilusão”. Para sustentar a tese cita dois depoimentos de crianças: uma a dizer “ai quem me dera” ser como o Harry Potter que resolve os problemas sem esforço recorrendo à magia; e, outra, que diz “estudar é chato (...) para ganhar dinheiro é preciso tanto esforço”.
Para a autora, os livros atraem os jovens, pasme-se, para mundo imaginários, mágicos, sonhadores.. Perigosa mesmo é a aterragem no mundo real. Mas não se assuste, caro leitor! O que vale é que podemos contar com Adelina Piloto para salvar os jovens portugueses: “há que encaminhar a juventude para os verdadeiros problemas do seu tempo, para que possam construir um futuro auspicioso e, mais do que isso, saibam contornar os problemas inerentes ao viver em sociedade. Não podemos divorciá-los da vida, dos problemas, da luta por um mundo melhor, mais sadio, mais risonho(..)”. Extraordinário! Cá por mim, com esta receita, vão acabar todos na droga...
Mas ainda não terminou, porque se queremos coisas extraordinárias, temos um bom exemplo nos monges do Tibete, que “conseguem levitar por um enorme e contínuo esforço de meditação, recolhimento, sacrifício e alheamento do mundo exterior e não por mágicas fórmulas”. Adelina Piloto desconhece que isto não passa de uma lenda, pois nunca ninguém viu nenhum a fazer semelhante coisa, mas isso não interessa. O importante mesmo é a mensagem: alheia-te do Mundo e verás que até levantas voo...
Minha cara Adelina: a magia sempre maravilhou o ser humano, sempre foi fonte de sonhos e ambições, quer na alegria, quer na tristeza. “Muito gostava de ser mágico para ganhar o Totoloto?” e “Muito gostava de ser mágico para curar a doença do meu amigo?” Quem é que já não pensou assim?
Deixe lá as crianças entrar no mundo do Harry Potter, tal qual eu entrei em Sherwood com o Robin dos Bosques, desci ao fundo do mar à procura do capitão Nemo, fui à Lua com o Tintim, desanquei romanos com o Astérix, abati aviões nazis com o major Alvega, matei leões com o Tarzan e, mais recentemente, sentei-me em Ferraris e Porsches, com top-models a meu lado, enquanto salvava o Mundo de mais um louco...
Que eu saiba, não me deixei de preocupar com os problemas da vida e nem deixei de querer transformar este Mundo num lugar melhor. Muito pelo contrário.
Dupont

por Alcazar, Dupond, Dupont e Haddock

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