Orgãos de quê?!?!
O nosso Presidente falou ao País. Não disse muito, é verdade, mas cumpriu com aquilo para que foi eleito: assegurar o seu papel de garante do "regular funcionamento das instituições democráticas" (art. 120º da Constituição). É que há quem se esqueça do fundamental: ele é um orgão de soberania, a par do Governo, da Assembleia da República e dos Tribunais.

Neste momento, há revelações que abalam a própria essência do sistema democrático: deputados a serem escutados sem se saber bem se isso é justificado; o Presidente da República, membros do Governo e do principal partido que o compõe são referenciados nas conversas escutadas; há indícios de tentativa de manipulação de titulares de orgãos de soberania uns pelos outros, etc., etc. Muita atenção: não é do Processo Casa Pia que se fala! O que está em causa é a divulgação de matéria em segredo de justiça, do conteúdo dessas declarações e dos comportamentos dos visados - tudo feito ao arrepio de qualquer legalidade. Tudo com fortíssimas implicações políticas, pois trata-se de pessoas legitimamente belitas e, algumas delas, bem que podiam ser os governantes deste País.
Perante isto, dizem alguns que o Presidente da República e o Chefe de Governo deviam enterrar a cabeça na areia, como a avestruz, ou assobiar para o lado, como se nada fosse, esperando pelo funcionamento das "entidades competentes". Era só o que faltava! Esses pobres de espírito ainda não perceberam que é o próprio funcionamento dessas "entidades competentes" que está em causa?
O momento é de crise séria e grave. Há uma legitimidade democrática que os obriga a pronunciarem-se. Não é para "parecer bem"! É para que todos os portugueses saibam que ainda há alguém para quem os valores significam alguma coisa e que, quem nos dirige, sabe o rumo a tomar.
Sob pena de naufrágio colectivo!
Dupont

por Alcazar, Dupond, Dupont e Haddock

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