Na ante-estreia espanhola de ‘O Senhor dos Anéis-O Regresso do Rei” todos os 1400 convidados foram revistados um a um, para que não entrasse um ‘
hombre com cojones’ suficientes para gravar em vídeo o filme e o vendesse em DVD, uma horas depois. Aliás, os telemóveis com câmara não entraram e, durante a projecção, ‘inspectores’ circularam pela sala, com os olhos nos espectadores, à procura de algum mais atrevido. Que conta isto é o El Pais.
Efectivamente, o mercado pirata de produtos informáticos atinge níveis impensáveis. Em Espanha, adianta aquele diário, são vendidos 100.000 CDs e 30.000 DVDs (!), por dia (!!) e só em Madrid (!!!).
Isto deve ser uma sondagem ‘por baixo’. No Verão passado, em qualquer das cidades da Costa do Sol por onde passei, marroquinos e negros tinham à venda milhares de CDs , espalhados em lençóis, formando alamedas em praças e ruas. Tudo à vista das autoridades e oferecendo todo o tipo de música e de intérpretes, Dulce Pontes e Madredeus incluídos.
É óbvio que o problema dificilmente terá solução. Quem nunca o fez, que atire a primeira pedra... Até nós, durante a nossa juventude, já compilávamos em cassete os hits que mais gostávamos (as da BASF, dióxido de crómio, Position II, eram as melhores...). E, mesmo hoje, com banda larga, um filmezito “só para experimentar” ou umas músicas são sempre bem vindas...
Mas nunca, como hoje, se atingiu tal dimensão. É que tratando-se de produtos digitais, eles podem ser copiados
ad eternum, sem perda de qualidade. Os lucro obtidos pelas produtoras ‘oficiais’ são enormíssimos, mas o que faz empresários e profissionais liberais a terem CDs ripados no seu carro, quando podem perfeitamente comprar os originais? Será apenas o preço?
Julgo que não. Há sempre aquele condimento especial de estar a cometer uma ilegalidade e que faz com que exibam orgulhosamente o “corpus delictii” a qualquer distraído que deles aceite boleia... A facilidade de produção e de reprodução é, também uma das grandes atracções. Mas o preço, é efectivamente, a condicionante mais forte. E há quem lute: Mick Hucknall, vocalista e líder dessa banda menor que são os Simply Red, está à beira de facturar 4 milhões de libras com o último álbum que foi apenas vendido através do seu site. A ideia não é pioneira, porque o desaparecido Prince já havia tentado algo de semelhante, mas sem sucesso. Até porque quem quiser ouvir e gravar para si as faixas do disco dos Simply Red, só tem de dar um saltinho ao Kazaa e fazer o download das músicas. Nem mais...
Dupont