sábado, janeiro 31, 2004

Hipocrisia


Depois de ler a notícia do Público e assistir, também, às loas e louvores de alguma blogosfera - com uma excepção - sobre a nobre recusa do Jorge Silva Melo, passei mais de meia-hora no Google e em vários sites, à procura, sem sucesso, da informação que Vasco Pulido Valente hoje apresenta, no Diário de Notícias. Para concluir que hipocrisia é a palavra certa para classificar a cena do encenador.
"O encenador e actor Jorge Silva Melo recusou um prémio de 25 mil euros que lhe fora atribuído por um organismo do Ministério da Cultura(...) O «artista » acrescentou, amavelmente, «desenvolve a sua actividade contra o Estado» e por isso só deve ser reconhecido pelos seus pares.(...) Até aqui tudo bem. Excepto por um pequeno pormenor: Silva Melo e a sua companhia vivem do Estado, de que receberam, em 2003, 450.000 euros. Por outras palavras, o artista «trai» o poder instituído om a espórtula do poder instituído"
Em suma: JSM é mais um subsídio-dependente, um intelectual que não consegue ganhar a vida com o seu trabalho e que, qual sanguessuga, vive do meu dinheiro e do dos outros contribuintes. Alguém para quem o acto de criar é um acto profundamente egoísta que apenas serve para o seu próprio bem e não para partilhar com os demais.
Ressuscita, César Monteiro! Há aqui um que te quer tirar o lugar!
Dupont

As Vinhas da Ira


Anteontem à noite, na “2:”, passou um dos melhores filmes de John Ford, “As Vinhas da Ira”, a versão cinematográfica da obra homónima de John Steinbeck. Tal como Casablanca, é um filme que se vê e revê com imenso prazer, porque o seu significado é intemporal.
Tom Joad é um condenado que volta a casa, “on parole”, após ter passado, na cadeia, quatro dos sete anos a que foi condenado por homicídio. Mas, em vez do ‘status quo’ que pensava encontrar, depara com a casa abandonada e a família desaparecida. Um antigo pregador, seu conhecido, juntamente com um outro agricultor, explicam-lhe o que se está a passar: eles, arrendatários rurais, estão a ser despejados pelos caterpillars dos proprietários das terras. Tom acaba por encontrar a numerosa família, quando estes estavam prestes a abandonar o Oklahoma e partir para a Califórnia, em busca de emprego e de uma nova vida. Revoltados, mas conformados com o seu destino, Tom e a família avançam em direcção ao Pacífico. Com eles, milhares de conterrâneos seguem na mesma direcção, numa onda de pobreza e miséria. A viagem acaba por tornar-se numa odisseia, face às dificuldades que se levantam: para além da viagem em si, atravessando paragens semidesérticas, têm de enfrentar revoltosos que não concordam com a migração, proprietários que se aproveitam das paupérrimas condições vida, para pagarem salários miseráveis, para além de outros escolhos. No fim, a Califórnia aparece, mas Tom tem de fugir porque, entretanto, matara um segundo homem que ameaçava trabalhadores em greve. A família, essa, pôde descansar.
Como se pode ver pelo resumo, que não faz jus a um filme rico em detalhes, trata-se de uma história poderosa, simbólica e com claras conotações políticas.
O personagem de Tom Joad é um portento de força, interior e exterior. Quando ele chega a casa, o que vê são destroços por todo o lado: o edifício, a família, a comunidade, onde o próprio pregador perdeu a fé. Mas ele. Por um lado e a sua mãe, por outro, acabam por dar sentido à viagem e força aos restantes membros. Tom sabe que está em liberdade condicional, mas a revolta perante a injustiça e a iniquidade falam mais alto do que ele e, por vezes, toma atitudes arriscadas. Mas ele é mesmo assim. No seu famoso discurso com que acaba . A força do seu personagem é tão grande que, ainda hoje, nos EUA, falar do livro sem falar do filme, especialmente, do Tom Joad que Henry Fonda compôs, é quase impossível. A prová-lo, veja-se que Bruce Springsteen (está sempre presente nestas divagações...) gravou um álbum denominado “The Ghost of Tom Joad”, expressamente baseado na personagem do filme e não na do livro, mais de meio século depois de Steinbeck, primeiro, e Ford, depois, lhe terem injectado vida. Como imortais são as palavras de Joad - pura personificação da luta contra as injustiças - quando se despede da mãe:
I'll be all around in the dark - I'll be everywhere. Wherever you can look - wherever there's a fight, so hungry people can eat, I'll be there. Wherever there's a cop beatin' up a guy, I'll be there. I'll be there in the way guys yell when they're mad. I'll be there in the way kids laugh when they're hungry and they know supper's ready, and when people are eatin' the stuff they raise and livin' in the houses they built - I'll be there, too”.
Outra personagem fundamental é o da mãe, como eixo de funcionamento e suporte de toda a família. É ela a boa consciência, a bóia a quem os outros recorrem, a goma que tenta unir todos os elementos numa altura em que a fome e a morte ameaçam tudo destruir.
O simbolismo está presente em força. Imagens de Tom Joad, sozinho, subindo uma colina ou um monte, aparecem várias vezes, mostrando como o homem consegue vencer as adversidades se lutar contra elas. Mas, a mais poderosa, talvez seja a analogia bíblica, bastante evidente, com a Terra Prometida. Também aqui os emigrantes saem de uma terra que não é sua, em busca de uma vida melhor, atravessando o deserto e sofrendo ataques, não dos soldados do faraó, mas de capatazes e polícias, a mando dos donos das terras. Uma terceira apreciação prende-se com o facto de a viagem ser feita através da Route 66, o que talvez não seja um acaso, dado tratar-se da estrada seminal da América, e que, muitas vezes, é apelidada de “America’s Mother Road”.
As conotações políticas são evidentes, o que é surpreendente por se tratar de um filme de John Ford, um realizador assumidamente de direita, e que repetiria a temática naquela que é, na minha opinião, o seu melhor filme: “O Vale era Verde”, sobre os problemas e lutas dos mineiros, nas minas de Gales (onde, felizmente, não estou sozinho, basta ver aqui e aqui). Em “As Vinhas da Ira”, a mensagem anti-capitalista é evidente, com a chegada das máquinas que empurram os pobres camponeses para fora da terra, como também é na exploração descarada que os proprietários dos pomares fazem em relação aos desesperados em busca de trabalho. Mas convém não esquecer que estamos em plena Grande Depressão, os valores sociais estão em efervescência e Roosevelt está na presidência... Aliás, basta ver que nos “campos de refugiados”, a que os protagonistas recorrem várias vezes, tudo é uma desgraça, até que chegam a um estadual, que mais parece o Paraíso na Terra...


Uma última palavra para a fotografia, num preto-e-branco fantástico (e que a edição restaurada em DVD, só poderá enobrecer), que se traduz num jogo sombra-luz que acentua o simbolismo do filme. No mesmo sentido, não poderão ser esquecidas as imortais imagens de Dorothea Lange, de que todos conhecemos, pelo menos, a que aqui reproduzimos (“Migrant Mother”, 1936).
O filme tem e terá sempre actualidade, porque haverá sempre alguém disposto a lutar contra o sistema, contra a injustiça, por mais difícil que isso seja. Não acreditam? Vejam aqui um Tom Joad português, nesta notícia do Público.
Dupont

Ai - Animal irracional - 14

21 de Julho de 2001 - Conduzindo uma carrinha, com oito passageiros, montanha abaixo, no Estado de Idaho, EUA, M. apercebeu-se que tinha ficado sem travões. Sem pensar duas vezes, abre a porta e salta para fora do veículo, sem avisar os companheiros de viagem do que é que se passava. Pouco depois, um deles conseguiu travar e parar a carrinha. Mas M. já não veria o problema solucionado: ao sair precipitadamente da carrinha, bateu com a cebeça no chão e teve morte imediata. Mas ninguém se feriu.
Dupont

O Vilacondense anda a ouvir....

Elvis Costello - North

Air - Talkie Walkie

John Cale - Hobo Sapiens

Josh Rouse - 1972

Dupont

sexta-feira, janeiro 30, 2004

Alfredo Castro

O nosso conterrâneo Alfredo Castro suspendeu a sua ligação contratual com o Boavista FC. As razões invocadas são de ordem pessoal, depreendendo-se do comunicado disponível no site do clube que fica limitada ao que resta da época em curso.
Em Vila do Conde ninguém esquece o Alfredo. Fazem parte da história do nosso Rio Ave memoráveis exibições suas, de entre as quais gostava de destacar um extraordinário de fim de tarde no velhinho Campo de Avenida, em que derrotamos, no desempate por grandes penalidades, o Vitória de Guimarães nas meias finais da Taça de Portugal (ganhando direito a participar na final contra o FC Porto). Nesse jogo, Alfredo foi uma pedra chave, tendo defendido o panalty que nos abriu as portas do Estádio do Jamor.
Por tudo isso, mas principalmente porque gostamos dele, fazemos votos para que o Alfredo consiga ultrapassar este momento difícil e regresse rapidamente.
Dupond

"Candidatos"


por Vasco Pulido Valente
in DN

"A esquerda europeia odeia Bush como nunca odiou um Presidente americano; e a esquerda americana também o odeia - talvez mais do que odiava Reagan. Há mesmo por aí muito português modesto que acha uma indecência não poder, com o seu voto, remover o homem. Quando apareceu Dean, vociferando contra a guerra, e com ele, alguns milhares de maníacos da Internet, a brigada anti-Bush julgou que a salvação chegara. Bastaram as «primárias» do Iowa (no fundo, uma reunião informal do partido) para desfazer esta consoladora esperança. Quem assistiu, até às quatro da manhã, ao frenesim do Iowa e do New Hampshire ficou a perceber porquê: a guerra no Iraque foi ignorada. Não se falou pura e simplesmente no assunto. O desinteresse do eleitorado não encorajava a especulação geoestratégica, e o próprio Dean reconheceu, já tarde, que tinha de inventar outra conversa. O programa «Democrático» é agora o programa populista clássico: contra o privilégio, contra os políticos, contra o Estado e contra o capitalismo (que «deslocaliza» emprego); e a favor dos «pequeninos», dos trabalhadores, do cidadão anónimo. À defesa disto, chamam os peritos lá da terra, «elegibilidade»; e a um ataque ao Presidente por causa do Iraque uma «catástrofe». De qualquer maneira, nenhum dos candidatos dá ideia de ser elegível. No Iowa, Dean gritou e saltou como um verdadeiro alucinado: precisa de uma camisa-de-forças, não precisa de Washington. Kerry saiu ontem de um filme de terror, com um sorrisinho de gelar o sangue e dentes de vampiro. John Edwards é um galã simpático com gel no cérebro. E Wesley Clark, como bom militar, oscila entre a gabarolice e a parlapatice. Se alguém espera deste belo grupo a humilhação de Bush, a paz no mundo e a ordem internacional dos «justos», tem muito que esperar."
Dupont

Bofetadas virtuais


Através do Dragão, conhecemos o Vítor Vitória - um blog dedicado ao melhor guarda-redes português de todos os tempos: Vítor Baía. O post que anuncia a renovação do contrato do Grande Baía, tem a enumeração dos seus inimigos, com linkagem para uma foto dos mesmos. O da execrável Leonor Pinhão está genial. Um mo(nu)mento de humor corrosivo.
Dupont

Gestão política é:


a) ganhar eleições em 2002 com o país em crise;
b) tomar medidas necessárias face à crise, mas impopulares durante 2002 e 2003;
c) aguentar em 2004, esperando que surjam resultados das decisões tomadas;
d) aproveitar a melhoria da economia para tomar medidas "populares" em 2005;
e) ganhar as eleições em 2006, ano em que a crise já fará parte da história.
Segundo li na Lusa, Durão Barroso anunciou hoje na Assembleia da República que em 2005 haverá aumentos para a função pública. Alguém tem dúvidas de que Durão Barroso se está a comportar como um verdadeiro "gestor político"?
Dupond

Cultura Municipal

Delirante, o post "no comments", no Grande Loja do Queijo Limiano.
Dupont

Fuga de Cérebros

"O Miguel Desistiu. Life is too short". Um post lapidar, no Jaquinzinhos.
Dupont

Feher - Efeitos colaterais

A morte do avançado húngaro do Benfica mexeu com a sensibilidade da blogosfera. Alguns casos:
1 - Uma recordação, pessoal, de Miklos Feher, no vilacondense 'O Pai Já Bai';
2 - Memórias fratenais do besugo, no Blogame Mucho;
3 - Irritações dos leitores do Abrupto;
4 - Uma certa autofagia, no Aviz;
Uma referência, também, a Miguel Sousa Tavares e a Rui Baptista, no Público, em rasgado elogio a Ricardo Espírito Santo, o realizador da Sport-TV que impediu a divulgação de imagens da cara de Fehér: "Quero Toda a Gente Fora da Cara"
Dupont

Ibéria - V

Um belo texto, cheio de fulgor patriótico, no Glosas.
Dupont

Ibéria IV


O Cataláxia, honrou-nos com uma resposta/comentário aos vários posts ‘Iberia’ que aqui colocamos nos últimos tempos. O Rui não concorda, em nada, com a existência de uma “identidade nacional” e, por isso, acha que é de “irrelevância cultural” estarmos a discutir o inevitável, como a nossa dissolução na Ibéria, na União comunitária ou noutro mega-projecto qualquer.
Pois, meu caro Rui, eu não acho.
Você alinhava uma série de exemplos históricos em como ‘portugueses’ enjeitaram o passado, desde o putativo pai ‘bastardo’ de D. Afonso Henriques até ao filho ‘bastardo’ deste nosso Portugal, D. Alberto João. Aqui nem vale a pena argumentar, pois acredito que você encontraria muitos mais exemplos de “habitantes de Portugal” que lutaram e morreram por este País.
Avança, depois, para uma apreciação da populaça, que o desencanta. Não é só a si. Recorde que Churchill já dizia, em relação à Inglaterra, que “temos a pior classe média do mundo”. Também eu gostaria de me mover num meio onde as pessoas fossem culturalmente estimulantes e intelectualmente esclarecidas. Mas, das voltas que por aí fora tenho dado, verifico que, mais bigode, menos bigode, mais barriga, menos barriga, há um enorme denominador comum na gente que se atropela a caminho de Benidorm, de Mikonos, de Varadero, de Phi-Phi ou de Acapulco. São, efectivamente, pessoas que, desde que a sua vida corra, nada mais lhes interessa. Será este, então, o caminho inevitável da globalização?
O Rui chama a isto ‘libertação do indivíduo face a uma opressora máquina de poder’ – o Estado. Mas será que esses leitores compulsivos da ‘Bola’ e da ‘Maria’, ‘gourmands’ da bifana e da ‘bejeca’, estão interessados ou saberão, sequer, que se está no caminho da sua libertação?
É óbvio que não. Continuo a acreditar que ainda há e sempre haverá algo que nos prende, que nos identifica e que nos faz sentir parte de um todo. Não é só a língua que irá sobrar. Porque a globalização não quererá dizer uniformização. E julgo, até, que haverá um crescente processo de protecção daquilo que constitui essa identidade. Alguém quererá ir a Paris, Londres e Tóquio e ver, comer e sentir o mesmo em qualquer uma das três? Concerteza que não. Além de que o desporto, esse último resquício tribal, tem vindo a demonstrar como as pessoas se conseguem congregar, por vezes cegamente, é certo, em torno de algo com que se identificam.
Continuo a defender que vale a pena lutar, mesmo que o que se aproxime tenha contornos inevitabilidade, como já referi aqui. Mas, se calhar, sou só eu. Um conservador nas várias acepções da palavra (excepto, claro, no sentido registral...).
Dupont

Ai – Animal irracional - 13


23 de Maio de 2003 - P. estava na sua casa, em Auckland, Nova Zelândia, quando precisou de fazer umas reparações por baixo da sua viatura. Como não tinha espaço, foi buscar o macaco, mas chegou à conclusão que ainda não era suficiente. Abriu o capot e retirou a bateria, em cima da qual colocou o macaco. Agora, sim, tinha espaço suficiente.
O azar de P. foi que as baterias automóveis não foram concebidas para esse fim e, esta, acabou por ceder com o peso do carro, prendendo-o debaixo da viatura. Como não conseguia respirar, acabou por morrer asfixiado.
Como se esta parvoíce não bastasse, ainda há dois factos que tornam tudo ainda mais patético: um - P. era o responsável pelo Departamento de Prevenção de Acidentes, de uma grande empresa alimentar; dois – dez anos antes, numa situação semelhante, P. tinha ficado preso de baixo de outro carro, quando o macaco se partiu, acabando com uma das pernas partida.
“Aprender com os seus erros” não seria, certamente, o seu aforismo de eleição….
Dupont

Póvoa de Varzim - Macedo Vieira


O Terras do Ave, neste artigo e no Editorial, cita o Voz da Póvoa, para relembrar os dez anos de mandato de Macedo Vieira. Ora qui está um belo tema que nos escapou.
Na verdade, em dez anos, Macedo Vieira fez quase tudo o que o PS de Vila do Conde não conseguiu em trinta. E Vila do Conde está cada vez mais longe da projecção que a Póvoa, actualmente, tem. Basta comparar o mais visível: as estradas, a marginal desde as piscinas ao Forte, a recuperação do Cine-Garret depois de se saber que não haveria fundos estaduais, etc. E o Presidente anuncia resultados muito elevados na água, no saneamento, na habitação social e no parque escolar.
Nós, por cá, o que é que tivemos em trinta anos, comparado com isto? Muito pouco. Conservamos a zona histórica e... temos umas estradas vergonhosas, falta saneamento e água em quase todo o concelho e o Cine-Neiva apodrece... E depois o Presidente vem queixar-se que o Governo não dá dinheiro para obras... Então para que é que serve aprovar Orçamentos Municipais se o que interessa é o dinheiro que vem 'por fora'?
Penso que a grande vantagen da Póvoa de Varzim foi a de ter mudado de força política à frente da autarquia. Isso espicaçou a vontade de mostrar obra e aí temos o resultado da alternância democrática: uma cidade moderna, em expansão, pronta a engolir Vila do Conde...
Como já escrevi noutro post, se calhar, cada um tem o que merece: eles o Macedo Vieira, nós o Mário Almeida...
O que é mais triste, é que fica no ar a sensação que não soubemos honrar a nossa história...
Dupont

Jornal de Vila do Conde

Os tempos mudam e a concorrência (leia-se "Terras do Ave") aperta. Parece ser este o lema do JVC. Agora temos entrevistas quase de página inteira e até fazem balanço do ano, com escolha de personalidades e acontecimentos. Qualquer dia o "Sr. Costa" até vai escrever um editorial...
Mas confesso que não consegui conter uma gargalhada quando vi os destaques de 2003.
1 - Só socialistas e independentes. Do PSD, CDS, BE e CDU nada! Devem pensar que os vilacondenses não alinhados são todos imbecis...
2 - Sete dirigentes associativos militantes ou simpatizantes do PS. Sem contar os padres, claro...
3 - Da Assembleia Municipal não está o mais brilhante tribuno socialista, Jorge Laranja. Será que o primo Carlos não gosta dele e não o põe no "seu" jornal? Ou foi castigo por Jorge Laranja ter apoiado Assis contra Narciso e Mário Almeida?
4 - De Vereadores assinala-se a ausência de António Caetano. Então o rapaz inaugura o primeiro parque de estacionamento da história de Vila do Conde e nem uma menção tem? Como o parque está a ser um fiasco, estacionaram-no...
5 - Abel Maia aparece. OK. Já percebemos quem é que vai ser o herdeiro de Mário Almeida...
6 - Está lá a vistosa e simpática comissária da PSP. E da GNR, ninguém? Pois, são os que andam pelos campos...
7 - A presidente da Junta de Fajozes tem um grande mérito. É mulher!
Sic Transit Gloria Mundi
Dupont

Revista da Opinião política vila-condense

Com o Terras do Ave e o suplemento d'O Primeiro de Janeiro online (o JVC não está online, mas também não tem coluna de opinião), temos no 'Terras':
- Pedro Brás Marques, sobre o Tempo (Séculos de VC, década da PV e o segundo de Fehér)
- Jorge Laranja, Albano Loureiro, Alexandre Raposo e Fernado Reis, a fazerem o balanço da actividade da Assembleia Municipal.
- Romeu Cunha Reis, sobre a sinistralidade Rodoviária
N' O Primeiro de Janeiro podemos ler:
- Alexandre Raposo, sobre a História e o potencial turístico de Vila do Conde;
- António José Gonçalves, sobre a nova (des)ordem mundial;
- Fernando Reis, sobre o papel dos partido de direita na oposição municipal;
- Abel Maia, sobre Miki Feher
Análise rápida: à primeira vista, a esquerda tomou de assalto as colunas de opinião cá do burgo. No Terras, se excluirmos o editorial, vence por 3-2, com duas presenças da CDU! No Janeiro fica 3-1! E Alexandre Raposo e Fernando Reis marcam presença nos dois jornais.
Isto está a aquecer...
Dupont

quinta-feira, janeiro 29, 2004

Novo Hospital

Na excelente entrevista dada ao Terras do Ave , Luis Filipe Pereira, Ministro da Saúde, abre o jogo quanto à construção do novo hospital de Vila do Conde/Póvoa. Segundo o governante, o processo andará ao ritmo dos respectivos terrenos. Ao dizer que é "óbvio que se tivermos o terreno disponível, o processo avançará mais rapidamente", o Ministro está a dar um sinal para os Presidentes da Câmara de que é chegada a hora de mostrar a vontade que têm de que se construa o hospital.
Segundo vamos sabendo, nem Mário Almeida, nem Macedo Vieira tem manifestado disponibilidade para abrir os cordões à bolsa e comprar os ditos terrenos. A consequência deste impasse é fácil de imaginar: o dossiê de Vila do Conde vai ficando para trás à medida que os restantes 9 novos hospitais vão avançando.
Enquanto isso, Vila do Conde e a Póvoa esperam. Ao mesmo tempo vamos ficando inteirados quanto à verdadeira importância que as Câmaras dão à construção do novo Hospital. Se mostrarem vontade em adquirir os terrenos, é porque consideram o assunto relevante. Se não o fizerem, mostram indiferença.
Dupond

O verdadeiro drama nacional

Neste país, onde não faltam razões para nos preocupar, eis que nos é revelada uma coisa que, não surpreendendo muito, causa uma tremenda preocupação: os alunos do 9º e do 6º ano obtiveram médias negativas nas provas de aferição de Matemática e Português efectuadas no último ano lectivo.
Este resultado desastroso significa só isto:
- O sistema começa a debitar maus alunos desde muito cedo.
- O país ameaça agudizar os seus problemas de competitividade, face à impreparação da "gente" que está a ser formada nas nossas escolas e a preparar-se para ingressar na vida activa.
Sabendo disto, Governo e oposição estão a esgrimir argumentos no sentido de afugentar culpas. Será que é isto que o país precisa?
Dupond

It works

No Reino Unido surgiu um problema há alguns meses. A BBC anunciava nos seus espaços informativos que o Governo de Blair estava a "apimentar" os relatórios sobre a existênciade armas de destruição maciça no Iraque com o objectivo de melhor justificar a guerra contra aquele país.
Na sequência dessa divulgação, a principal "fonte" dessas notícias, David Kelly, acabou por se suicidar, não aguentando a pressão pública que sobre ele se debateu. Ao mesmo tempo, Tony Blair foi acusado publicamente de estar a mentir aos ingleses, o que naquele país é ofensa grave para qualquer político.
Colocando a democracia a funcionar, foi criada uma comissão de inquérito, liderada por Lord Hutton, que estudou o assunto e veio ontem anunciar o seu veredito. Quem quiser, pode ver tudo aqui.
Tony Blair viu esclarecida a sua conduta, sendo ilibado das acusações que lhe estavam a fazer. O falecido Dr. Kelly acabou censurado por ter mantido contactos com a imprensa "não aconselháveis" a servidores públicos da sua categoria. Finalmente, a BBC foi literalmente arrasada pela forma como tratou o assunto.
Como consequência de tudo isto, o Presidente da BBC apresentou ontem a sua demissão.
Com transparência e de forma definitiva tudo foi esclarecido e as consequências pelos erros cometidos foram assumidas. Ontem a democracia funcionou no Reino Unido.
Dupond

Ibéria - III


A Newsweek dá capa a nuestros hermanos, “The Spanish Way”, dizem eles, e perguntam se a Espanah não será um modelo para o resto da Europa. Recordam que “forty years ago, Spain looked a lot like Mexico, only worse. The average worker earned just $443 a year, less than the average Mexican. In the countryside of Andalucia and Extremadura, women scrubbed laundry in riverbeds. Spaniards who could leave left; those who stayed behind faced bleak prospects. Between 1970 and 1995, not a single net new job was created; half the economy was agriculture.”
Mas, agora, deu-se um milagre económico, com a política de José Maria Aznar: “Spain under Aznar has been the fastest-growing big economy in Europe. During the bullish "matador years," as Spaniards took to calling Aznar's tenure of the late 1990s, Spain grew an average of 4 percent a year. Today, it's down slightly, to 2.4 percent, but that's still four times as fast as the rest of the EU.
OK. Felicitaciones para usteds. Mas o que é que se há-de fazer? Vocês tiveram o Aznar e nós o Eng. Guterres. Se calhar, cada um tem o que merece. …
Agora, o que me está a causar uma certa impressão é esta concentração temporal de artigos, reportagens e entrevistas a enaltecer Espanha…
Será coincidência ou estou para aqui a dar azo a mais uma teoria da conspiração?
Dupont

Ai – Animal irracional – 12


3 de Março de 2003 – À saída de um pub, em Sheffield, Inglaterra, K. e P. repararam que a lâmpada de um dos candeeiros da rua estava fundida, criando uma zona de escuridão no meio da estrada. Sem pensar duas vezes, o casal dirigiu-se para lá, deitou-se no chão, mesmo em cima da linha branca e deu início a uma cena tórrida de beijos e carícias…
Por três vezes foram avisados para saírem dali: pelo condutor de um automóvel, por outro de um autocarro e por um peão. Nada! O primeiro, um paramédico, buzinou e gritou, mas apenas obteve como resposta: “Cheers, mate!”…
Até que apareceu o condutor de uma carrinha de transporte de passageiros que os confundiu com um saco do lixo no meio da estrada e passou-lhes por cima. Tiveram morte imediata. Para o casal, este foi o fim da história.
Mas para o condutor é que não. Levado a julgamento, viu-se condenado porque “a sua condução ficou muito aquém do que um condutor prudente e competente faria”. Isto apesar de ter a compreensão e ajuda dos familiares das vítimas. E, como se não bastasse, ele, um condutor profissional, ficou sem a carta durante seis meses. O que vale é que o patrão era boa pessoa e transferiu-o, durante esse período, para um serviço administrativo.
Uma história onde nem todos são imbecis…
Dupont

Casablanca


Já sei que não sou nada original, mas tenho uma inexplicável fixação pelo filme ‘Casablanca’. No passado fim-de-semana comprei o DVD, ou melhor, voltei a comprar o DVD. Já tinha um, mas não vinha com um segundo disco cheio de “Extras”. Isto sem esquecer que, duas prateleiras acima, ainda lá está a versão VHS…
Mas esta edição vale bem a pena, confirmando que o DVD foi uma dádiva de Deus aos cinéfilos. No disco 1, além do filme temos a possibilidade de o visionar com os comentários de um dos melhores críticos de cinema, Roger Ebert. No 2, é um fartote de preciosidades: o documentário “Bacall on Bogart”, com depoimentos de inúmeras caras famosas da 7ª Arte; um outro cahamado “You must remember this”; um terceiro, apresentado pelos filhos dos protagonistas, intitulado “The Childre Remember”; o episódio piloto da série televisiva “Who Holds Tomorrow?”, decalcada do filme; a versão radiofónica do filme, com as vozes dos mesmos actores no écran, etc., etc. Há ainda espaço para um fabuloso pastiche dos Looney Tunes, com Bugs Bunny no papel de Rick, e com o tal final que, a cada visionamento, se deseja que Casablanca tenha…
O que faz alguém ver várias vezes o mesmo filme ou ler o mesmo livro? A pergunta já foi feita a muita gente e inúmeras respostas já foram dadas. Por mim, gosto de ver as coisas acontecer: repetir os diálogos com o personagem, como se lhe pudesse vestir a pele; reparar no background e descobrir cenários fajutos e figurantes trapalhões, ver a sombra de um microfone ou o reflexo da câmara de filmar. Em suma, é aquilo que alguém, julgo que o João Lopes, classificou de “o prazer de ver acontecer”, isto é, o prazer que nasce depois de se gastar “o prazer de ver”.
Dupont

Óscares


Um artigo interessante, com pontos de vista diferentes sobre a corrida à estaueta dourada, pode ser lida na Newsweek.
Dupont

quarta-feira, janeiro 28, 2004

Ibéria II - O Principezinho


António José Saraiva, director do Expresso, é outro dos arguentes no caso “Portugal já não vale a pena”. Mas a sua patologia necessita de um post único.
AJS recorda que o País sofreu “choques violentos”: a) perdeu o império; b) transitou da ditadura para a democracia; c) viu as suas fronteiras abertas; d) perdeu a sua moeda.
Isto são acontecimentos que nos tornam únicos: “nenhum país do mundo em situação semelhante à nossa sofreu abalos tão fortes. Por isso Portugal é hoje um país atordoado, perplexo, hesitante sobre o rumo a seguir”. Como se não bastasse, ainda houve umas ‘infecções’ colaterais a contribuírem para a doença de que padece este luso rectângulo: o fim do comunismo, a globalização, a revolução tecnológica, etc, etc.
O resultado é a falta de “amor próprio, de valores e de prioridades”. A conclusão de tudo isto é que “nós” hesitamos “sobre se valerá a pena continuar a existir – ou se não será melhor integrarmo-nos na Espanha, porque os espanhóis nos governariam melhor”.
Passando por cima da pergunta – depois disto, ainda vale a pena comprar o Expresso ou é melhor passar já para a prensa espanhola? - o que cabe aqui comentar é a arrogância de AJS de se julgador o termómetro da sensibilidade de 10 milhões de pessoas. Ele sabe o que “nós” queremos. Ele sabe o que “nos” dói. Ele sabe o que seria bom para “nós”.
Costuma dizer-se que é nas situações difíceis que se vê a têmpera de um homem. A de AJS é muito fraca. O que ele verteu no seu editorial é precisamente o mesmo que acontece a qualquer pessoa depois de lhe morrer alguém querido: vale a pena continuar? Que sentido tem isto tudo? Não será melhor desistir?
Esquece AJS que o sofrimento também é conhecimento. Porque quem passe por um choque destes, “violento”, fica com uma grande sabedoria: sabe que há vida depois dele. E como dizia a personagem interpretada por Juliette Binoche, em “Damage”, de Louis Malle: "as pessoas que sofreram tragédias são perigosas - porque sabem que conseguem sobreviver”.
Dupont

Ai - Animal irracional - 11


23 de Setembro de 2002 - Um capataz de uma quinta situada próxima da cidade de S.Paulo, no Brasil, decidiu eliminar uma colmeia que se tinha formado numa laranjeira do pomar. Não sabia lá muito bem como haveria de proceder, mas de duas coisas tinha a certeza: 1) tinha de ser queimada e 2) as abelhas ferram. Decidiu, então, proteger-se dos insectos com roupa que tapasse o corpo e colocou um saco de plástico na cabeça, que tratou de enfiar na camisola, para que nenhum animal entrasse.
Umas horas depois, a mulher foi à sua procura e encontrou-o morto. Mas a culpa não foi das abelhas... É que o saco impediu a entrada de fumo, abelhas e ... de oxigéneo, asfixiando-o.
Dupont

Democracia sem Democratas


Ralf Dahrendorf assina aqui um belíssimo texto. Um excerto:
"...os cidadãos activos que defendem a ordem liberal devem ser os seus guardiães. Mas há outro, e mais importante, elemento a salvaguardar, que é a administração da lei.
A administração da lei não é o mesmo que democracia, nem uma coisa garante necessariamente a outra. A administração da lei é a aceitação de que são as leis regulamentadas não por uma autoridade suprema, mas pelos cidadãos, que governam todos - os que estão no poder, os que estão na oposição e os que estão fora do jogo do poder.
A administração da lei é o elemento mais forte na Turquia contemporânea. Tem sido, e bem, o principal objectivo do alto-representante para a Bósnia, Paddy Ashdown. É algo que deve ser defendido. As chamadas "leis permitidas" que suspendem a administração da lei são a principal arma dos ditadores. Contudo, é mais difícil usar a administração da lei para minar a própria lei do que usar a votação do povo contra a democracia.
Por conseguinte, o significado de "eleições mais" deve ser democracia mais administração da lei. Correndo o risco de ofender muitos defensores da persuasão democrática, cheguei à conclusão de que a administração da lei deveria vir em primeiro lugar quando o constitucionalismo é trazido para uma ex-ditadura, secundado pela democracia. Os juízes independentes e incorruptos têm ainda mais influência do que os políticos eleitos por maiorias esmagadoras. Felizes os países que têm ambas, e que as fomentam e protegem!
".
Numa altura em que, por cá, se vais debatendo o poder dos juizes, os limites da lei e da liberdade individual e de imprensa, Dahrendorf opta por dar um passo em frente: onerá-los como guardiães da própria democracia. Interessante...
Dupont

terça-feira, janeiro 27, 2004

Iberia


Há uns dias, a comunidade blogueira de Vila do Conde e Póvoa de Varzim discutiu a possibilidade de, no futuro, os dois concelhos se unirem, criando aquilo que o Trenguices chamou “Póvoa do Ave”.
Neste último fim de semana, duas entrevistas apresentaram uma ideia análoga, mas de proporções nacionais: a Ibéria. O Cataláxia já abordou a questão aqui e aqui.
O primeiro a avançar foi José Manuel de Mello, ao defender que “o que devíamos fazer era juntarmo-nos rapidamente a Espanha”. A sua visão da nossa sociedade não é das melhores: “não acredito na nossa capacidade. Na dos políticos, de todo. E os empresários gerem a dívida”. Não percebe as reticências de Silva Lopes em abrir a EDP a Espanha e ao falar do ‘Grupo dos 40’ recorda que “um dos subscritores, Américo Amorim, vendeu a sua posição no Banco” aos espanhóis. Situação análoga teve outro dos subscritores, Diogo Vaz Guedes, da Somague.
Por fim, o futuro que o velho milionário nos augura não é nada bom, pois vamos todos para “arrumadores de carros, criados de mesa, etc.”. Daí a mencionada junção a Espanha, rapidamente: “devíamos começar a fazer a Ibéria, dividir Portugal em duas ou três regiões, deixando o Algarve de fora”.
No dia seguinte, na Notícias Magazine, era a vez de Vasco Pulido Valente. “Esses medos da anexação [por Espanha] são absurdos, porque a dura verdade é que a Espanha não nos quer anexar. Era o que faltava! Espanha está muito bem assim, porque pode explorar o mercado português – e explorá-lo-á cada vez mais – no que tem de vantajoso para ela, sem nenhuma responsabilidade pela sociedade portuguesa, porque desejaria mudar este maravilhoso estado de coisas? É muito diferente da Catalunha e do País Basco, porque são regiões ricas e os impostos que lá se colhem beneficiam o resto do País. A unidade espanhola faz sentido para os castelhanos e para as regiões mais pobres de Espanha, mas mesmo para esses não faz qualquer sentido ter qualquer influência política em Portugal. Para quê? A única coisa que poderia suceder se fossemos anexados pela Espanha – o que se calhar não era má ideia – é que talvez viéssemos a beneficiar dos impostos espanhóis”.
Aqui chegados, o primeiro comentário é intuitivo: para estes senhores, novecentos anos de história são letra morta. Mas, depois, atentei em quem são estes dois personagens: o primeiro é um milionário, à portuguesa, que já ganhou muito em tempos suspeitos, perdeu, e já voltou a ganhar, mas que vê o ocaso de vida aproximar-se – “estou é preocupado com os meus netos”, desabafa ele; o outro é um historiador e jornalista que nunca há-de perdoar a Deus o facto de ter nascido e que há muito procura um ‘delete’ etílico para esse facto.
É fácil rendermo-nos, deixarmo-nos subjugar e abrir mão de tudo, esquecendo a nossa identidade. Advogar uma anexação, uma ideia de Ibéria, é desistir de acreditar que Portugal vale por si e pelos seus. Serão os portugueses incultos e ‘iletrados’? Muitos serão, certamente. Mas, num jogo de cartas, o génio está em jogar com o naipe que nos saiu. Realmente, era tudo mais fácil se todas as nossas cartas fossem trunfos. Melhor: se todas as nossas cartas fossem espanholas.
PS – Vasco Pulido Valente acha que os blogs são feitos por políticos falhados, jornalistas frustrados e tanta outra gente completamente iletrada que não conhece os assuntos e podiam dizer aquilo ou o contrário. Tenho pena que ele não apareça por cá, para nos iluminar o caminho. Assim sendo, temos de nos contentar com o seu discípulo, João Pereira Coutinho…
Dupont

Ai - Animal irracional - 10


Fevereiro de 1998 - M. e os seus amigos resolveram escorregar pela pista de neve, montanha abaixo, às três da manhã, montados no que parecia ser um tapete de esponja. Acabaram por chocar contra uma das torres de telesky e M. morreu. Acontece que o seu trenó de esponja não era trenó nenhum. Era a protecção colocada à volta das torres de telesky para proteger os esquiadores em caso de embate. E a torre, desprotegida, era precisamente aquela de onde ele e os amigos haviam retirado a esponja...
Moral: o deus dos esquiadores não dorme! E é vingativo!
Dupont

O exemplo

Foi divulgado hoje pela imprensa que o Ministério da Justiça reteve, durante o ano de 2003, as constribuições para a segurança social de 580 trabalhadores, sem que as tivesse entregue, conforme era sua obrigação.
Se este facto não tivesse sido confimado por uma fonte oficial, não seria de acreditar. Mas como parece ser mesmo verdade, faz-nos pensar e com isso leva-nos a conclusões terríveis:
1.- O Estado é desorganizado.
2.- O Estado é irresponsável.
3.- O Estado dá maus exemplos.
Os montantes envolvidos nesta situação são insignificantes no total do Orçamento do Ministério da Justiça. Com toda a certeza, o "esquecimento" não se ficou a dever a falta de dinheiro. Mas, quer se queira, quer não queira, fica uma imagem terrível para a população a quem se exige, tantas vezes de forma cega e injusta, o cumprimento de obrigações fiscais. As pessoas perguntam: "Se nem o Estado paga à segurança social, porque haveremos nós de pagar?".
Dupond

segunda-feira, janeiro 26, 2004

Casa Nostra


A edição de ontem do Jornal de Notícias trazia uma deliciosa notícia que, infelizmente, não está na edição online. Vá lá saber-se porquê...
O título anunciava, relativamente a Matosinhos, que “Câmara emprega amigos e familiares do Presidente”. Ficamos a saber que na CM “trabalham cinco sobrinhos de Narciso Miranda e poderiam ser sete se duas não tivessem sido requisitadas” pela Administração do Porto de Leixões. Um dos motoristas é “irmão do namorado da sua filha mais velha e que, por sua vez, tem como colega de trabalho a sua esposa” Outro dos motoristas, recentemente reformado, vem todos os dias aos Paços do Concelho, “talvez para acompanhar a mulher, a filha e a sobrinha”, todas funcionárias camarárias. Um ex-motorista de um vereador também se reformou cedo, aos 49 anos, passando para avençado da empresa municipal Matosinhos Sport e não sem que antes tenha assegurado o futuro da mulher e da filha, ambas funcionárias da edilidade. Um outro adjunto, também reformado, conseguiu ter, na Câmara, o irmão, a irmã, dois sobrinhas e uma sobrinha do irmão.
Mas quem pensa que isto é a versão matosinhense de “zangam-se as comadres, descobrem-se as verdades” está enganado. O JN dispara também contra Manuel Seabra que recorde-se, quando entrou para a Câmara tinha o pai como colega vereador. E, tanto a primeira como a actual mulher, são funcionárias da autarquia. Nada de mais diz, hoje, o autarca "conheci ambas na autarquia. ( E, digo eu, a actual mulher de Seabra é filha do arquitecto responsável pelo belo edifício dos Paços do Concelho...)
O diário portuense ainda arrola um sem número de outros exemplos, ligados a rádio local e à própria Juventude Socialista de Matosinhos que não vale a pena indicar, por serem redundantes.
Narciso Miranda defende-se dizendo que só tem uma sobrinha na Câmara e que “todos os funcionários que entraram para a Câmara de Matosinhos foram submetidos a concurso público. E todos os concursos são apreciados por júris insuspeitos, dos quais eu nunca faço parte”.
Ora aqui temos, em todo o seu esplendor, um exemplo de Câmara Municipal – Agência de Emprego, S.R (Sem Responsabilidade), uma das empresas municipais que cada autarquia nacional tem e que, a par da Câmara Municipal – Agência de Viagens, S.R - para pagar viagens a velhinhos e donas de casa - são as principais garantias eleitorais dos dinossauros autárquicos deste país.
Os concursos são isentos? Não faço ideia: o que fiquei é com a certeza de que há famílias geneticamente posicionadas para o exercício de cargos em autarquias e outras instituições públicas.
E só agora é que andam a discutir a clonagem...
Dupont

Leite marado

A novela Parmalat não pára de surpreender. Agora foi divulgado que o passivo é oito vezes superior ao previsto: "Um comunicado da gigante italiana do agro-alimentar adianta, segunda-feira, dados da auditoria a cargo da PwC (PriceWaterhouseCoopers), indicando um passivo de cerca de 14,3 mil M€, ao invés dos 1,8 mil M€ anunciados pela empresa para os primeiros nove meses de 2003.
Além do passivo, oito vezes superior ao anteriormente estimado, a PwC conclui que o ebitda (resultado bruto operacional) da Parmalat totalizou apenas 121 M€, entre Janeiro e Setembro de 2003, mais de cinco vezes menos quando comparado com os 651 milhões anunciados pela empresa.
Também do lado das receitas, a direcção da Parmalat tinha anunciado 5,38 mil milhões para o mesmo período, mas o valor obtido pela PwC totaliza cerca de 4.000 M€, ou seja menos 25%
".
Entretanto, continua a caça aos milhões escondidos em off-shores...
Dupont

Feher

A morte de Feher chocou-me. De entre tantas pessoas que perecem todos os dias, este caso afecta-nos de forma mais intensa. Feher era um jovem com 24 anos. Feher era um atleta conhecido. Feher era um lutador, seja na prática do seu desporto, seja como homem. Feher era uma pessoa de extrema simpatia. Feher morreu em circunstâncias dramáticas, perante o olhar de milhares de portugueses.
De entre todas as suas características humanas, ficaremos, para sempre, com a recordação do seu último sorriso. Aquele que antecedeu a forma brutal como caiu pela última vez no relvado de Guimarães. Foi um sorriso simples, despretencioso e de fair play, como poucas vezes vemos no futebol. O sorriso do Feher.
Dupond
ADITAMENTO: o website de Feher é aqui.

Ai - Animal irracional - zero

Hoje, a série "animal irracional" sofre a primeira interrupção. Sinceramente, após a notícia da estúpida morte de Feher, não tenho pachorra para escrever uma linha, muito menos com a temática que esta série aborda....
Apenas uma memória: quando veio para Portugal, 'O Jogo' foi à Hungria para entrevistar colegas e treinadores magiares. Feher era rotulado de 'a maior esperança do futebol húngaro". Talvez por isso, foi dos pouco jogadores, de qualquer clube, cuja carreira acompanhei com um mínimo de interesse. E recordo bons jogos que ele fez, nas Antas, sem esquecer o brilharete ao serviço do Braga. O certo é que, se fosse um dos outros jogadores do Benfica, com excepção de Zahovic e Simão Sabrosa, não tinha "material" para, sequer, escrever uma linha...
Dupont

domingo, janeiro 25, 2004

1ª Vitória fora

O Rio Ave conseguiu há momentos a primeira vitória fora de casa. Segundo pude ler aqui, ganhamos ao Gil Vicente por 2-1, num jogo disputado em Barcelos. Mais uma vez Evando marcou um golo, sendo que o da vitória ficou a cargo de Junas.
Esta vitória serve para compensar os 4 pontos perdidos em casa nas duas últimas jornadas, levantando assim o moral das tropas, que ameaçava voltar a quebrar.
Depois deste resultado, o Rio Ave fica com 25 pontos, ou seja, a 5 do Maritimo, adversário que receberemos em Vila do Conde na próxima jornada. Se quisermos ver as coisas por outro prisma, estamos a 4 vitórias de garantir a permanência.
Dupond

Felgueiras

Fátima Felgueiras voltou a abrir telejornais. Aproveitando a vitória de causa num recurso feito para o Tribunal Constitucional que lhe restitui o cargo de Presidente da Câmara, Fátima Felgueiras aproveitou para voltar a clamar a sua inocência.
Pela combatividade e forma hábil como utiliza os meus de comunicação social, torna-se evidente que esta mulher de armas irá continuar a ser uma enorme "dor de cabeça" para o nosso lento sistema judicial. Aos meus olhos, que sei pouco do processo, Fátima só não consegue conquistar sentimentos de simpatia porque cometeu um pecado mortal: fugiu.
De qualquer forma, seria bom que todos (os que tem o processo a seu cargo) percebessem que cada dia que passa é mais uma preciosa contribuição para a criação de uma martir. E que Fátima tem jeito para esses papeis, julgo que ninguém tem dúvidas nenhumas.
Dupond

Helmut Newton


Helmut Newton morreu na passada sexta-feira. Não tenho qualquer dúvida: foi um dos melhores fotógrafos do Sec. XX. Capa, Cartier-Bresson, Elliot Erwitt, Bruce Davidson, S.Salgado, Leibovitz, entre muitos outros, são, sem margem para dúvidas, fantásticos. Mas nenhum conseguiu dar mais beleza ao corpo femino do que o que este já tinha. Isso, só Helmut Newton o conseguiu. As suas imagens fazem parte da cultura popular e do nosso imaginário, especialmente o masculino (e heterossexual...). Infelizmente, de muitas delas, nem sequer as ligamos ao autor,como a "They Are Coming", que ilustra este post (atente-se no trocadilho...)
Se o Cinema foi a arte do Século XX, Newton foi dos que lutou para que a fotografia não ficasse atrás.
Pode ver-se alguma coisa aqui, aqui e aqui.
Dupont

Ai - Animal irracional - 9


3 de Dezembro de 2000 - Nesse dia, à noite, nos subúrbios de Brisbane, Austrália, dois homens dirigiram-se a um parque de caravanas automóveis, com a intenção de linchar um terceiro que habitava num dos veículos. Os dois, de 21 e 28 anos, entraram de rompante pelo trailer dentro e atiraram-se ao homem. Aproveitando-se da escuridão a vítima fugiu incólume mas, na confusão que se gerou, os dois atacantes acabaram por se esfaquear um ao outro. O mais novo morreu, enquanto o outro foi para o hospital em estado grave.
Dupont

Cavaco já ganhou!!!

Depois de ler isto, se fosse a Cavaco Silva já dormia descansado, sonhando com a coroa de louros. É que com esta monumental e significativa ajuda, a vitória nas presidenciais já não lhe escapa!!!
Dupont

sábado, janeiro 24, 2004

Greve

Conforme é habitual, os números de adesão à greve são muitos diferentes. Segundo a Direcção Geral da Administração Pública, aderiram à paralização cerca de 25% dos funcionários públicos. De acordo com os dados da CGTP, esse número foi de 85%.
Este folclore de números é perfeitamente ridículo. Nunca me esqueço que na anterior greve geral da CGTP, um estudo elaborado pelo Público provou que a adesão não havia sido na ordem dos 90% como dizia a central sindical, mas sim de pouco mais de 10%.
Outro aspecto negativo deste surto grevista, é a enorme insistência no recurso ao direito à greve. Os sindicatos não percebem que de cada greve que fazem, ou que repetem, pelo mesmo motivo, estão a tornar o mecanismo menos eficaz.
É por isso que hoje uma greve já é uma coisa... normal!
Dupond

Nouvelle Cuisine já era…


No Diário de Notícias degustei esta notícia sobre a atribuição da terceira estrela Michelin ao restaurante inglês 'The Fat Duck', cujo chef é Heston Blumenthal. Recorde-se que, em toda a Europa, apenas existem 47 eleitos a exibirem o elitista trio de estrelas do guia gastronómico francês. Como se sabe, a disputa por uma estrelinha no Michelin é muito mais do que uma honra, chegando a ser uma questão de vida ou de morte, como aconteceu recentemente em França, com o suicídio de um chef que baixara de três para duas estrelas... Pelos vistos, a notícia não terá caído lá muito bem no seio dos chefs franceses, pois Heston é seguidor da nova cozinha catalã, que desponta em restaurantes como El Racó de Can Fabes, em San Celoni, e o famoso El Bulli, em Cala Montjoi, onde está o guru desta nova onda, Ferran Adrià. O The Fat Duck está aqui. Uma consulta rápida e ficamos a saber que tem, na sua carta de vinhos, alguns exemplares nacionais, como um Barca Velha de 1991.
Atente-se nesta descrição: “Para se ter uma ideia do tipo de cozinha que pratica no seu restaurante The Fat Duck («O Pato Gordo»), em Bray-on-Thames, Maidenhead, basta dizer que o seu menu-degustação começa com uma mistura de clara de ovo, lima, chá verde e vodka, que é projectada no prato através de uma bomba estilo aerossol num banho de azoto líquido a 196 ºC negativos que forma uma bola crepitante, tipo merengue. A seguir uma ostra envolta numa gelatina de maracujá é perfumada, já no prato, com um spray de essência de alfazema. As «loucuras» prosseguem por mais 20 pratos, que podem incluir uma tosta com trufa impregnada com concentrado de carvalho, risotto de couve-flor polvilhado com chocolate e terminar com uma sobremesa constituída por um gelado de bacon e ovos com compota de tomate e gelatina de chá...
E, para quem pensa que já provou de tudo, poderá ainda saborear, como sobremesa, um sorvete de sardinha… À primeira vista, é preciso tirar um curso de arquitectura para ser cozinheiro desta ‘escola’. Daqui a uns tempos, em vez de estrelas no Guia Michelin, estes visionários gastronómicos ainda se candidatam ao Prémio Pritzker ou mesmo ao Nobel da Química…
Já fui a alguns destes restaurantes com “estrelas”. Uns são excepcionais – o Tony Vicente, em Santiago de Compostela, por exemplo – mas outros recordam a história do “rei vai nú”… Não é à toa que o José Quitério, do Expresso, chama a este guia “O Miquelino”… A quem lá for, não gostar e tiver receio de emitir opinião, com medo de ser trucidado por algum intelectual do ramo, recomendo as sábias palavras do imortal George Bernard Shaw: “não é preciso ser cozinheiro para saber se a comida está boa…
Dupont

Ai - Animal irracional - 8


1996 – A Polícia de Toronto noticiou que um advogado, querendo demonstrar a resistência do vidro de uma janela de um dos arranha-céus do centro da cidade, acabou por partir o vidro e cair de uma altura de vinte e quatro andares. O causídico estava a fazer força, usando o ombro, quando o vidro se partiu. Na altura, o advogado demonstrava a resistência do material a um grupo de estudantes de Direito, em visita àquele gabinete de advogados, algo que ele já fizera inúmeras vezes. Segundo um colega de escritório, o falecido era um dos melhores e mais brilhantes membros daquela sociedade de advogados, com cerca de 200 elementos. Podia ser, mas nós duvidamos.
Dupont

Revista de Opinião vila-condense

Hoje, dois artigos merecem destaque no suplemento de Vila do Conde de O Primeiro de Janeiro:
- Sérgio Vinagre escreve sobre a Greve da Função Pública.
- Carlos Laranja – sobre o PSD local.
O artigo de Carlos Laranja merece alguma reflexão. Contrariamente ao estilo monótono, panfletário e de seguidismo político que é seu timbre, o assessor de imprensa da Câmara Municipal de Vila do Conde assina, aqui, um texto equilibrado e bem construído, usando inteligentemente argumentação estritamente política. Esperemos que esta excepção se torne regra. Ganhava ele e, especialmente, todos nós.
Dupont

sexta-feira, janeiro 23, 2004

Return of the MEC!!!


Miguel Esteves Cardoso está de volta às suas origens. Cerca de 20 anos após as suas crónicas "Escrítica Pop", MEC volta a escrever regularmente sobre música que é onde ele realmente se excede. Como escritor, por exemplo, é confrangedor...Para já, pousou no Blitz, com uma coluna (quase duas páginas...) intitulada "Rescrítica Pop".
Sempre gostei do personagem MEC. Era leitor assíduo das suas crónicas, fossem elas no Se7e, na Música & Som, no Expresso, n'O Independente, na KAPA, e noutros pedaços de papel que tiveram o seu momento de glória quando viram, em si, impressas as linhas mais corrosivas, certeiras e divertidas da imprensa portuguesa.
Com ele descobri bandas como os Joy Division/New Order, os Durutti Column, os Echo & The Bummymen e uma infinidade de outras, algumas sepultadas para sempre na 'vala comum' do vinil, mas outras ressuscitadas para o maravilhoso mundo digital. Com MEC, Manchester entrou para as referências de uma juventude que sonhava muito mais em ir lá para entrar, dançar e consumir, sabe-se lá bem o quê, na Factory, do que propriamente para ir a Old Trafford ver o United jogar... Bons tempos estes, em que o Rock Alternativo é que estava 'a dar', embora arrastasse algum elitismo, nomeadamente em projectos do tipo "4AD".
A este propósito, bem divertida a história que MEC narra nesta sua primeira crónica, quando foi enviado pelo Expresso para almoçar com Chico Buarque. Mal se senta avisa: "Eu desprezo a música brasileira. (...) Eu só gosto dos Joy Division e tenho vergonha de estar aqui. Sugiro que almocemos sem trocar palavra". E assim foi, durante um par de horas... Dois anos depois, MEC descobriria a obra do intérprete e autor que tão preconceituosamente desdenhara e render-se-ia ao génio do brasileiro.
Este primeiro artigo soa muito a acto de contrição. MEC revela que gostaria de alterar algumas das classificações que atribuiu a discos e bandas, no início dos anos 80, revelando que, às vezes, ainda se engana. Recorda o erro que foi, então, aplaudir Kid Creole & The Coconuts, como agora foi deixar-se enredar pelos Tindersticks.
Por tudo isto é que certamente intitulou este seu primeiro artig: "o momento da música nunca é este".
Welcome back, MEC.
Dupont

Ai - Animal irracional - 7


16 de Março de 2003 - Ignorando avisos da Guarda Costeira, D.M. aventurou-se pela superfície gelada da baía Saginaw, no Michigan, EUA, com a sua pick-up, numa manhã que começara igualmente gélida. Previsivelmente, o veículo acabou por partir o gelo, mas D.M., de 41 anos, conseguiu evitar a tragédia, saindo antes da pick-up se afundar, conseguindo nadar e chegando, enregelado, à margem.
Apesar desta experiência traumática, e não ligando ao dia que se apresentava cálido e soalheiro, D.M. voltou ao mesmo lago, nesse mesmo dia, mas à noite. Desta vez, guiava um jipe e estava acompanhado por um amigo. Pouco depois, também o 4x4 se afundava nas águas do lago. O pendura sobreviveu. D.M. é que não. Tinha gasto toda a sua sorte nessa manhã.
Dupont

Angoulême 2004


O mais importante salão de Banda Desenhada, que anualmente faz reunir em Angoulême a nata da BD europeia, já atribuiu os prémios deste ano, que poderão ser vistos aqui. O vencedor foi o álbum "Le Combat ordinaire", de Manu Larcenet, ainda sem edição nacional.
Dupont

quinta-feira, janeiro 22, 2004

Sentimentos cor-de-rosa


A blogosfera está efervescente com o mais genialmente patético blog dos últimos tempos: Possibilidade do Sentir, da intelectual Anabela Mota Ribeiro. O MataMouros rebola-se de riso, a lolita e o paco do Blogame Mucho não param de escrever, o Glória Fácil ficou sem fala, o 'para mim tanto faz' delira, enfim, um fartote de riso...
A melhor tirada talvez seja esta: "Passei a noite a ler a "Odisseia" de Homero na versão original em grego. Apesar de ser uma língua que desconheço de todo, foi uma experiência emocionante. Os traços retorcidos do alfabeto helénico são testemunho de milénios de história da civilização de que somos filhos. Dá que pensar". Tão boa que até parece invenção...
Piada, mesmo, era se isto fosse mais uma brincadeira inventada pelo brilhante gabinete de advogados que conseguiu fazer com que José Maria Martins e o Expresso acreditassem que o primeiro iria ser advogado de Saddam...
Dupont

Recursos

O Presidente da República Portuguesa, Jorge Sampaio, propôs a criação de uma nova instância de recurso judicial. Em concreto, o mais alto magistrado da nação pretende que os cidadãos possam recorrer directamente para o Tribunal Constitucional em determinadas circunstâncias.
Eu, que não percebo nada disto, pergunto: "Oh pá, mais um recurso, pá? Não temos já artificios suficientes, pá, para emperrar o sistema, pá?".
Dupond

Greve

Amanhã há greve nacional da função pública. Com grande probabilidade, esta será a maior greve desde que este Governo iniciou funções. As razões são várias:
1.- A greve surge poucos dias após ter sido confirmada pelo Governo a decisão de congelar, pelo segundo ano consecutivo, os salários de grande parte dos funcionários.
2.- Os portugueses continuam sem sentir melhorias na situação económica geral.
3.- Uma greve à Sexta-feira é uma tentação.
Já se percebeu que o Governo não é muito sensível a greves. Por isso mesmo, o que interessa aqui avaliar é como irá o executivo de Durão Barroso resistir nos próximos tempos. Ou seja, é preciso estarmos atentos e ver se o Governo mantem a firmeza das suas posições até chegar a anunciada retoma. Se conseguir, terá o caminho facilitado para as legislativas de 2006. Se não aguentar nesta fase difícil, tudo pode acontecer!
Dupond

Comboio feliz


A notícia não é nova, pois já saiu no Público, na sua edição do dia 17: as automotoras da Linha da Póvoa continuam ao serviço. Só que na República dos Camarões. Como se pode ver na notícia, as automotoras são usadas para ligar as duas principais cidades do país, Douala e Yaoundé, percorrendo 290 Km em quatro horas.
Ah, como me lembro destas composições... Amplas e confortáveis, seguras e discretas e quase sempre pontuais, foram incontáveis as vezes que nelas viajei. Primeiro com bilhete, sempre de ida-e-volta (tenho alergia a filas...), depois com passe simples e, finalmente, com o must dos passes sociais: um único cartão a combinar os serviços da CP e dos STCP. Quantas vezes não madruguei, ainda noite cerrada, para ‘apanhar o comboio’... De manhã, a viagem fazia-se, invariavelmente, de pé, por falta de lugar ou por educação. A fauna era incrivelmente diversa: trolhas, estudantes, magalas, costureiras, mangas de alpaca, enfim, havia de tudo. O importante era ninguém enjoar, o que acontecia com alguma frequência, especialmente com os miúdos, chorando sobre o leite com Cola Cao derramado... No regresso, tudo se repetia, excepto se fosse logo ao início da tarde, quando tudo era mais calmo e sempre se estudava alguma coisa, ou se lia o jornal relaxadamente. Outra vantagem era a de não ter que se parar nos três apeadeiros entre as estações de ‘Avenida de França’ e ‘Senhora da Hora’.
É bom ver que estas carruagens-automotoras não morreram e que ainda há quem lhes dê vida. Uma vida nova, com pessoas diferentes e com paisagens novas, certamente mais coloridas do que as que ladeavam a Linha da Póvoa. Bem merecem este novo fôlego.
Dupont

Mystic River


Já vi “Mystic River” há algum tempo, mas só agora assentei ideias sobre um dos melhores filmes que vi nos últimos tempos. Se não é o melhor Eastwood, andará, certamente, muito lá perto.
O filme conta a história de três amigos, separados pelas contingências da vida e que se reúnem, vinte e cinco anos depois, por força de um acontecimento dramático. Mas a história inicia-se com um flashback, quando três miúdos estão a jogar hóquei numa rua de um zona suburbana de Boston, sendo abordados por desconhecidos, acabando um deles por ser vítima de abusos sexuais. Fast forward para a actualidade, onde todos os três já estão casados e com filhos. Um é polícia (Kevin Bacon) e está com problemas matrimoniais, outro – o abusado - está desempregado (Tim Robbins) e um terceiro é comerciante e gangster local (Sean Penn). A filha deste último aparece morta. O primeiro é o polícia-investigador, o segundo é o principal suspeito e o terceiro anseia por vingança.
O trabalho dos actores é soberbo, com destaque para a raiva de Sean Penn, oscilando entre a contenção e a explosão. Inesquecível o momento em que ele coloca o vestido, muito lentamente, por cima do corpo morto da sua filha, como se fosse o último presente do seu pai... Eastwood está seguríssimo e garante a solidez no desenvolvimento da história. Registe-se um recurso abundante à montagem paralela que, por duas vezes, atinge momentos de pura genialidade: quando evoca a cena final d’O Padrinho, em que a acção alterna entre a perturbação de Sean Penn, na igreja e a procura do cadáver da filha por parte da polícia; e no crescendo para o desenlace final, em que os planos variam entre a história do verdadeiro e a do falso culpado.
À primeira vista, o enredo até pode parecer linear. Mas as interpretações e o inter-relacionamento entre as personagens dão-lhe uma profundidade pouco vista no actual cinema, especialmente no americano. São vários os temas que se cruzam mas o destaque vai, por um lado, para a pedofilia e os seus efeitos na personalidade das vítimas e, por outro, os perigos da justiça pelas feita pelas próprias mãos.
A pedofilia é vista, aqui, sob o prisma da vítima. Os seus fantasmas, os seus medos, os seus pesadelos, que acabam, tragicamente, por influenciar o destino do personagem, alguém eternamente vítima. Uma outra questão é o problema de fazer justiça pelas próprias mãos, ou seja, a falta de fiabilidade do julgamento sumário e precipitado. Vejo aqui alguns registos auto-biográficos do realizador Clint Eastwood, alguém que fez carreira interpretando personagens de legalidade e méritos duvidosos como o inspector Dirty Harry e os inúmeros lonesome cowboys em incontáveis westerns. Aliás, Eastwood já tinha ido pelo caminho do arrependimento, nesse filme maior que dá pelo nome de ‘Imperdoável’
Mas, por “Mystic River”, perpassa um sem número de outras referências, a começar na fluvial, do título. O rio é, quase sempre, uma metáfora da vida. Tal como cada dia passa e não volta, também “a água de um rio não passa duas vezes no mesmo sítio”, como referiu Platão, sem esquecer que segue, de forma inexorável, um caminho irreversível. Veja-se que Sean Penn elimina as suas vítimas, mesmo à beira-rio, como se o local expiasse os pecados, qual re-baptismo...
São várias as referências ao ‘rio’ na mitologia e na arte, mas permite-me citar, mais uma vez, o herdeiro da ‘Voz da América’ e companheiro de muitas noites solitárias, Bruce Springsteen, naquele que é uma das suas melhores composições, precisamente “The River”.
É claro que a presença do elemento ‘água’ poderá ter, ainda, uma outra leitura, basta atentar na literalidade do título. Como é sabido, o debaixo de água e o acima de água são usados, muitas vezes, para expressar, respectivamente, o inconsciente e o consciente. Talvez por isso, no plano final, voemos por cima do rio e o écran escureça, definitivamente, no preciso momento em que mergulhamos, como que a dizer-nos o quão escura pode ser a mente humana. Nisso, Eastwood só fica a perder para David Lynch.
Dupont

Ai - Animal irracional - 6


31 de Agosto de 1995 - Seis pessoas morreram numa cidade do sudoeste do Egipto, quando tentavam salvar uma galinha que havia caído a um poço. Um agricultor de 18 anos foi o primeiro a descer ao poço, com 60 pés de profundidade. Afogou-se, depois de, aparentemente, ter sido apanhado numa corrente subterrânea. A irmã e dois irmãos foram em seu socorro, mas acabaram levados pela mesma corrente, segundo informou a polícia. Apareceram, então, mais dois agricultores, já de certa idade, que tentaram ajudar mas tiveram o mesmo destino. Quando retiraram os corpos dos seis infelizes também trouxeram a galinha. Que estava viva e de boa saúde...
Dupont

quarta-feira, janeiro 21, 2004

Os outros que decidam…


Vital Moreira e Teresa de Sousa apresentaram dois artigos, no Público, com uma estrutura de raciocínio similar. Tão similar que, na versão impressa, está um nas costas do outro...
Vital Moreira aborda a questão da liberdade de imprensa versus segredo de justiça. O articulista é sensível às duas posições: “Por um lado, parece evidente que segredo de justiça não tem a mínima eficácia se não obrigar os jornalistas. Por outro lado, o segredo de justiça só pode vincular os jornalistas se isso não implicar uma limitação desmesurada da liberdade de informação. Estamos perante um típico conflito de valores constitucionalmente protegidos. Na verdade, a Constituição protege tanto o segredo de justiça como a liberdade de informação em geral e a liberdade de imprensa em especial. Torna-se por isso necessário compatibilizar ambos os valores, em termos de saber se e em que termos é que um deles prevalece, no todo ou em parte, sobre o outro”. A solução apresentada pelo constitucionalista assenta em dois pontos: “Primeiro, proceder a uma redução drástica do âmbito temporal e processual do segredo de justiça, de modo a limitá-lo ao mínimo necessário. Depois, admitir uma margem de apreciação judicial em cada caso”. Em suma, altera-se a lei, reduzindo a sua amplitude e deixa-se ao juiz definir o que é e o que não é legal.
Teresa de Sousa está preocupada com as recentes proibições francesas da exibição e uso de símbolos religiosos nas escolas. A articulista é sensível às duas posições: “a mistura de culturas e de religiões que é hoje a realidade das democracias ocidentais, aceitando a não integração das comunidades de imigrantes e respeitando a regra segundo a qual cada um vive como quer, desde que a sua liberdade não colida com a liberdade dos outros” e “Mas há certamente um limite para a liberdade religiosa, que é o respeito pelo conjunto de regras gerais estabelecidas por um Estado de direito democrático - a "partitura democrática" que todas as religiões têm a obrigação de tocar, como escrevia há dias Fernando Savater -, que devem garantir muitas outras liberdades fundamentais igualmente sagradas. Isso implica, em primeiro lugar, que não pode haver complacência para com aqueles que, a coberto da liberdade religiosa, tentam subverter outros direitos igualmente fundamentais”. A solução apresentada por Teresa de Sousa não é da sua lavra, mas ela subscreve-a: “Como defendem algumas vozes ponderadas, a melhor solução talvez fosse deixar às escolas ou às comunidades onde se inserem a escolha do melhor caminho a seguir”. Em suma, as bases que decidam.
Ambos identificam problemas, delimitam as posições antagónicas e o que é que propõe? Nada! Rigorosamente nada. Limitam-se a remeter para o sistema (judicial e escolar, respectivamente) que tratará de digerir as questões. Ora, nós tivemos em Portugal um exemplo, longo de seis anos, em como isto só traz desvantagens. O Eng. Guterres rotulava de “diálogo” esta técnica. Eu chamo-lhe “sacudir a água do capote”. O que está em causa é a resolução de problemas fundamentais, umbilicalmente ligados a princípios básicos. A definição do que está correcto, ou incorrecto, tem de vir de cima e nunca de baixo. Sob pena de se estar a inverter a ordem de valores. Afinal, a Constituição e os seus princípios são, ou não, a lei primeira de cada Estado?
Dupont

Ai – Animal irracional – 5


Março de 2001 – No Gana, as lutas tribais são muito comuns, especialmente na parte norte do País. Muitos guerreiros recorrem à feitiçaria na esperança de se tornarem invulneráveis às balas inimigas. Foi esta a ideia que A., de 23 anos, e mais quinze amigos tiveram: compraram uma “poção mágica” a um feiticeiro e, durante quinze dias, banharam-se no dito encantamento.
Chegou então a altura de tirar a limpo a eficácia do produto que haviam adquirido. A. prontificou-se imediatamente. Colocou-se sozinho a uma distância razoável e os amigos apontaram e dispararam.
Hoje, A. vagueia pela Grande Savana do Céu. Quanto ao feiticeiro, foi espancado pelos quinze atiradores.
É coisa que não se faz, vender uma poção que não funciona…
Dupont

Cyberfutebol


Esta notícia do Público online deixou-me perplexo. Na Bélgica, o guarda-redes do Genk (ou Gant) usou auscultadores para receber instruções do treinador. A Federação Belga e a UEFA estão a estudar o assunto.
Acho execrável esta ideia. E não tem nada a ver com purismos… O que se passa é que o futebol é um jogo que se desenrola dentro de quatro linhas brancas. Durante aqueles 90 minutos, os 22 protagonistas têm o mundo espacialmente delimitado. Ali lutam, jogam, tropeçam, sofrem desaires e exultam com as vitórias. Ali dentro e em mais lugar nenhum. A introdução de elementos exteriores ao jogo, vicia completamente o espírito do mesmo. Aliás, quem já se deu ao trabalho de ver um jogo de futebol ao nível do relvado, verá que é complicado perceber a colocação dos jogadores e a estratégia das movimentações. Há toda uma dificuldade que faz parte e enobrece o jogo. Retirá-la, é matar o futebol.
O que teremos a seguir? Um treinador a dar instruções à defesa, outro ao meio campo e, ainda outro, ao ataque? E será isto futebol?
Dupont

terça-feira, janeiro 20, 2004

5000 !!!


Hoje, um visitante proveniente deste enderço - "http://blo.gs/2097/favorites.html - teve a honra de ver o seu passaporte carimbado com o nº5000 de "O Vilacondense". As pageviews é que parecem o F.C. Porto na Superliga: vão quase em 14.000. Temos leitores muito fiéis, não haja dúvida.
Dupond & Dupont

David Seaman


Após lesionar-se com alguma gravidade, o eterno guarda-redes da selecção inglesa anunciou que se irá retirar, não participando no Euro-2004.
Com o seu bigode pouco british, a lembrar vagamente Freddie Mercury, Seaman foi daqueles jogadores que o público se habituou a ver como símbolo e imagem do guarda-redes britânico. Actualmente, com 40 anos, estava no Manchester City, depois de treze anos a defender as redes do Arsenal. E, claro, foi ele quem sofreu os três golos de Portugal no último europeu...
Menos uma estrela a brilhar em Portugal…
Dupont

Ai – Animal irracional – 4


13 de Julho de 1997 – Um jovem de 22 anos, da cidade de Reston, na Virgínia, EUA, resolveu saltar de uma ponte de caminho de ferro usando cordas de bungee-jumping. Mediu a distância até ao solo e colocou uma corda com alguns metros menos do que a distância total entre o cimo da ponte e o chão. Prendeu uma extremidade a um pé e a outra à ‘railway bridge’. Atirou-se de cabeça e segundos depois esborrachava-se no chão. “O problema”, comentou a polícia de Fairfax, "é que ele esqueceu-se de prever que, com o peso do seu corpo, a corda esticaria muito mais do que a distância entre o cimo da ponte e o chão”.
Dupont

Júlio Iglesias Sr.


Júlio Iglesias, o pai do latin lover com o mesmo nome e avô da pop-star Enrique Iglesias, anunciou ao Mundo que irá ser novamente pai. Não seria notícia se o futuro papá não tivesse 87 anos! A senhora Iglésias, essa nem metade da idade ostenta no BI: apenas 40. O mais curioso é que o Dr. Iglésias, médico de profissão, afirma que não precisou de tratamento nenhum, mas Ronna, a sua esposa, é que sim.
Apesar disso, um jornalista do Sunday-Times, mauzinho, já propôs o nome para o bebé, no caso de ser menina: “Viagra!”
Dupont

Cultura geral…


Esta quase podia ir para a “Ai-Animal irracional”... A menina da esquerda, a segurar a flauta, chama-se Alyson Hannigan e é uma das protagonistas de uma das séries de filmes mais idiotas que Hollywood regurgitou nos últimos tempos: American Pie. Pelos vistos, os actores estão ao nível. Em Londres, para promover a terceira fornada de ‘tortas americanas’, foi-lhe perguntado o que achava da cidade: “É como um livro de História, com muitos edifícios construídos antes de 1980”.
Dupont

segunda-feira, janeiro 19, 2004

Ai - Animal irracional - 3


25 de Maio de 1999 - Em Kiev, um pescador morreu electrocutado enquanto pescava no rio Tereblya, pois a técnica por si escolhida para apanhar peixe foi-lhe fatal. Este ucraniano resolveu trazer de sua casa cabos de energia eléctrica, que enfiou no rio. Depois de ligar a energia, verificou que os peixes realmente estavam mortos. Abaixou-se para os apanhar, mas esqueceu-se de, previamente, desligar a corrente... Uma ideia electrizante.
Em 9 de Janeiro desse ano, registou-se uma história semelhante, na cidade chinesa de Pingtung, onde um pescador morreu intoxicado após ingerir peixe contaminado com produtos tóxicos que o próprio havia lançado à água para matar... os peixes.
Dupont

Cary Grant – 100 anos


Fez ontem cem anos que nasceu ‘the perfect gentleman’. São raros os actores que entusiasmam tanto ambos os sexos. Eles, porque gostavam de ter o look 'cool' e sofisticado do actor; elas, porque sim...
Casou cinco vezes, embora se fala de um sexto matrimónio, com um actor por quem nutriria mais do que amizade. Como foi coisa que não passou dos mexericos, não merecerá a credibilidade que têm os seus penta-matrimónios e as plurímas infidelidades, todas elas públicas...
Protagonizou dezenas de filmes, foi nomeado duas vezes para o Óscar de melhor actor principal, mas não venceu. Em 1970 ser-lhe-i atribuído um, mas honorário.
Quando me falam de Cary Grant, vejo-o sempre na pele de Roger Thornhill, a correr sozinho por um descampado, em plano frontal, perseguido por uma avioneta assassina, nesse genial momento de “Intriga Internacional/North by Northwest”, de Alfred Hitchcock. Aliás, o realizador britânico foi quem melhor partido dele tirou, em filmes como ‘Ladrão de Casaca/To Catch a Thief’ ou ‘Notorious’ ... Fundamentais foram, ainda, ‘Only Angels Have Wings’ e “O Grande Escândalo/His Girl Friday” de Howard Hawks, outro dos mestres que ajudaram a que Cary Grant também fosse personagem, sem esquecer a comédia “O Mundo é um Manicómio/Arsenic & Old Lace”, de Frank Capra. Já no fim de carreira ainda interpretou ‘Charada’, de Stanley Donen, ao lado do seu contraponto feminino em elegência, Audrey Hepburn.
Como ele gostava de dizer: “Limito-me a interpretar a mim mesmo”.
Dupont

Robinson-Selkirk


No Pacífico, por alturas do Chile e do Peru, há uma ilha chilena conhecida por ‘Juan Fernandez’. Em Outubro de 1704, o escocês Alexander Selkirk foi ali abandonado pelo capitão Stradling, comandante do barco ‘Cinque Ports Galley’, cansado das suas amotinações. Era uma ilha perdida no imenso oceano, propícia a ser esconderijo e refúgio de piratas. Ali viveu quatro anos. Alimentou-se do único vertebrado da ilha, as cabras, e do que o mar lhe dava: crustáceos e peixe. Haveria de ser recolhido pelo navio 'Duke', comandado por Woodes Roger, que o trouxe de volta a Inglaterra. Ali, tratou de recuperar o tempo perdido e começou a contar a sua história, que rapidamente correu o reino, entretanto misturada com outras, nomeadamente a de Henry Pitman, um médico deportado para as ilhas Barbados. Até que, em 1719, Daniel Defoe escreve “Vida e estranhas e surpreendentes aventuras de Robinson Crusoe”. E Alexander Selkirk tornou-se imortal. A ilha, essa, continua presa ao passada, fruto do desinteresse político e da falta de capacidade dos locais.
Foi neste pedaço de terra que, sozinho, Selkirk aprendeu o valor da vida. Foi lendo a sua história que milhões de jovens, como eu, atravessaram a adolescência e mergulharam na vida adulta. Se fosse crente, poderia dizer que “são insondáveis os caminhos do Senhor”.
Dupont

Mais um empate

O Rio Ave empatou o jogo de ontem com o Moreirense. Quem lá esteve, como eu, ficou a sensação de que a nossa equipa está tímida demais. Não se compreende o porquê de uma equipa como a nossa, que sabe trocar bem a bola, não seja mais atrevida no ataque.
O empate é um resultado perfeitamente aceitável perante aquilo que ambas as equipas fizeram. O Rio Ave poderia ter marcado mais um golo perto do final da partida, quando estava a fazer uma grande pressão sobre a defesa do Moreirense. Do outro lado, o Moreirense também teve uma ou duas situações de grande perigo junto da nossa baliza, que só por sorte não resultaram em golo.
Por tudo isso, o empate é justo. Mas não é bom para nós, já que o Rio Ave tem de conseguir vencer em casa os jogos com as equipas do seu campeonato. Os empates de ontem e da jornada anterior com o Nacional são muito comprometedores. Não nos podemos esquecer que estamos numa posição confortável na classificação porque ganhamos muitos jogos em casa na primeira volta. Se não os ganharmos, a coisa complica-se.
Dupond

domingo, janeiro 18, 2004

Hélder Postiga


O nosso conterrâneo Hélder Postiga marcou o seu primeiro golo ao serviço do Totenham, para a Premier League. No encontro que opôs os Hotspurs ao Liverpool, os londrinos venceram por 2-1, com Postiga a marcar o segundo. Para o Sunday Times "Postiga simply looked like the most relieved man in north London". Aliás, o ex-avançado do FC Porto é que "faz" o título da notícia, enquadrada por uma enorme foto sua: "Postiga off mark to lift Spurs"
Dupont

Ai - Animal irracional - 2


23 de Janeiro de 2003 - M.C. era o reponsável pela lavagem dos auto-tanques, numa empresa de transportes brasileira. Nesse dia, ele tinha que lavar os reservatórios de gás. O processo até era simples: tinha de se encher o tanque com água, ficando garantida a expulsão dos vapores residuais de gás. Como um dos depósitos demorava a encher, M.C. subiu ao camião e foi espreitar. Como não via nada, e esquecendo o porquê de ter de seguir com aquele procedimento, resolveu acender um isqueiro. E concluiu imediatamente que ainda não havia água suficiente, pois a explosão atirou-o pelo ar, a cem metros de distância.
Dupont

Eles andam por aí...


Quem pensava que, com a queda do Império Soviético, todos os símbolos do regime também caíriam, desengane-se. A foice e o martelo já eram, mas o "Pravda" continua. Mais: está online. E, agora, repare-se neste pormenor: tem apenas duas edições internacionais - em inglês e em...português. Isso mesmo, em português.
E perguntarão: "Ó Dupont, conta lá quem são os dinossauros do PCP que aguentam o projecto?" Ora, meus caros leitores, aí é que está o mais interessante. Não são do PCP. São do Bloco de Esquerda!!! As notícias de Portugal quase parecem um boletim propagandístico na melhor tradição da URSS. Por exemplo: "CASA PIA -Segue intervenção que Francisco Louçã fez hoje no Parlamento... " e os adversários (ou inimigos?) são conhecidos por nomes estranhos:"Apresentação ao José Barroso um cabaz de Natal com os nomes das empresas que faliram durante o seu termo como Primeiro-Ministro"...
É verdade. A "cassete", as ideias sobre um mundo sem classes, o inimigo capitalismo, enfim tudo serve para atacar, ao melhor estilo propagandístico da velha URSS: "". Fica assim explicado porque é que o BE tem vindo a sugar votos ao PCP. É que os verdadeiros comunistas não estão para aturar Carvalhas de fato e fravata. Preferem o blaser/camisa de Louçã e Rosas...
Só uma curiosidade final: da sanha anti-capitalista nem o Pai Natal escapa - "pai Noel, Pai Natal, Santa Claus se baseiam no Santo Padroeiro da Rússia..."
Dupont

Rebuçados do Dr. Bayard

A 'Grande Reportagem' de ontem trazia um artigo sobre os "rebuçados dr. Bayard". Quem é que não os conhece? A história é curiosa. O fundador da empresa Álvaro Justino Matias, tornou-se amigo de um 'doutor' francês, refugiado em Lisboa durante a II Guerra Mundial. Na hora da partida, o doutor ofereceu-lhe umas caixas com a imagem de um senhor a tossir e um pedaço de papel com a receita de uns rebuçados que o francês fazia, lá na terra, e que eram bons para gripes e constipações. A receita repousou durante quatro anos no fundo de uma gaveta, até que, em 1949, Álvaro Matias decide produzir os ditos reuçados. Pouco depois já vendia seis quilos diários. Hoje, são quatro toneladas todos os dias, com a produção a reduzir-se a metade por alturas do Verão.
No início do mês falávamos da marca espanhola Chupa-Chups. Agora, é a vez da doçaria nacional. Mas, "os rebuçados peitorais do Dr. Bayard" são muito mais do que simples guloseimas. São uma referência na memória, ao lado de marcas como a pasta medicinal Couto, a Maizena, os rebuçados S.Brás, entre outros.
Dupont

sábado, janeiro 17, 2004

Ai - Animal irracional - 1

27 de Outubro de 2000 - Um grupo religioso, dissidente das Testemunhas de Jeová, que tem por hábito testar a Fé dos seus membros colocando-os, imóveis, no meio de estradas e autoestradas, perdeu um dos seus acólitos, na Interestadual 55, no Estado de Illinois, EUA. Enquanto este tentava evangelizar os motoristas que ali circulavam, foi atropelado por um camião. Não era a primeira vez que ele ali pregava, mas foi, com toda a certeza, a última...
Dupont

Novos links

Adicionamos alguns links novos. Nos caseiros já lá estão 'O Burro do Bolas', 'Ouriço Cacheiro', 'Passarola Voadora Média' e 'Rio Ave Futebol Clube'. Nos genéricos, as novas "aquisições" são: o 'Alandroal', 'Aliança Nacional', 'Blogacha Maria', 'Cabo Raso', 'Causa Nossa', 'Descrédito', 'El Coronel', 'Encapuzado Extraordinário', 'A Forma do Jazz a Vir', 'Murmúrios do Silêncio', 'Nortadas', 'Paz na Estrada', 'Pick Pocket' e 'Viva Espanha'.
Dupond & Dupont

Feito inédito

O Jornal de Vila do Conde conseguiu na sua edição de Quinta-feira passada um feito inédito: apresenta uma "reportagem" sobre todas as 30 Assembleias de Freguesia realizadas ao longo do concelho no mês de Dezembro.
Não comentando o conteúdo, este simples facto merece ser realçado e valorisado. Por um lado pela concorrência jornalistica (Terras do Ave) e por outro lado pela implicação política. Sabendo-se da ligação do JVC ao PS (numa das últimas edições confirmou que parte do trabalho de execução é feito dentro da sede do PS, no Largo dos Artistas), este facto mostra a forma como a máquina socialista está a trabalhar.
Dupond

Blogueiros erráticos

Amanhã completa-se um mês desde o último post escrito pelo Fer n'O Burro do Bolas'. Como já o dissemos aqui, aquele blog conseguiu, com os seus únicos 6 posts, conquistar a nossa simpatia e apreço pela forma mordaz e divertida com que o autor redigia as prosas.
Infelizmente, está parado desde 18 de Dezembro. Já ouvi dizer que alguns "estudos" indicam que o tempo médio de vida de um blog são 3 meses. Não sei se é verdade, mas acredito que sim.
Fazer um blog é um impulso comunicacional que pode dar a qualquer um, muito especialmente aqueles que tem bom relacionamento com as tecnologias de informação. Não faltam ideias para os primeiros textos. No entanto, com o andar do tempo a vontade vai esmorecendo e pode dar-se o risco de o autor sentir o peso do "compromisso" de actualizar conteúdos, o que mata muitos dos blogues.
Não sei se foi isso que aconteceu com o Fer. Acredito que os compromissos profissionais em que está envolvido lhe impeçam uma vinda mais regular. Mas se ele nos vir, deixamos-lhe um apelo para que volte.
Fer, a blogosfera Vilacondense precisa de ti!
Dupond

A racionalidade de António Costa

António Costa, tido por muitos como um possível sucessor de Ferro Rodrigues, está de malas aviadas para Estrasburgo. Segundo disse à Lusa, Costa apontou a "racionalidade do debate" existente no Parlamento Europeu em contraponto com o que acontece na Assembleia da República para justificar a sua decisão.
Expliquem-me uma coisa: Este Costa é o líder da Bancada do PS, e por essa via um dos que mais condicionam a "racionalidade" dos debates na Assembleia da República, não é?
Dupond

sexta-feira, janeiro 16, 2004

Teoria da Conspiração


Estão a ver este popó? É um VW Phaeton W12, com 4291 cc e 313 cavalos. É a viatura oficial do nosso Primeiro-Ministro. Segundo a revista 'Turbo', custa €145.475. Quase 30.000 contos. OK, trata-se do chefe do Governo e há que dar dignidade a estas coisas...
Mas quem é o Primeiro-Ministro? Durão Barroso. E quem é o representante da VW em Portugal? A SIVA. E quem é o dono da SIVA? O Pereira Coutinho. Espera lá, onde é que o Durão foi passar o reveillon no ano passado? Ao Brasil, à ilha do... Como era mesmo o nome dele?
Dupont

Vender sonhos


Gosto da revista ‘Turbo’. Até tem lá o Adriano Cerqueira que, quando comecei a prestar atenção a estas coisas dos carros, já lá vai um quarto de século (ai!...) era o director da extinta Auto-Mundo, que comprava e coleccionava, religiosamente... A 'Turbo' não será tão volumosa, nem terá tanta informação como as que nos chegam via importação, mas é um magazine com excelentes imagens e artigos nada tendenciosos. Mas nós também não somos fabricantes. Digo isto porque, há uns anos, juntamente com mais dois colegas apaixonados por automóveis, fazíamos a contabilidade dos carros franceses que ganhavam os testes comparativos na ‘L’Automobille’. Claro que era raro uma viatura gaulesa perder...
O que sempre me fascinou nas revistas de automóveis é o jogo que se estabelece com o apaixonado por carros. Esta edição da ‘Turbo’ é um soberbo exemplo. Na capa alerta-se para “O melhor desportivo do ano”. Como se pode ver, a imagem mostra o cortejo dos concorrentes, com um enorme destaque ao Ferrari 360 CS, o Stradale. Ou seja, “compre a Turbo, compre um sonho”. Avançando, temos a reportagem sobre o ‘Salão Automóvel de Detroit’, com destaque tremendo às caríssimas novidades das marcas europeias Mercedes, BMW, SAAB e Range Rover. Segue-se o novo Ferrari 612 Scaglietti. Depois, o tal teste, com Porsches, BMWs, Ferraris, q.b. ( o vencedor foi o Opel Speedster...).
A partir daqui é quase sempre a descer degraus: Honda Accord 2.2 i-ctdi sport, BMW X3, VW Touareg R5, VW Paheton tdi, Hyundai Getz 1.5 e Nissan Micra 1.5, Fiat Ideia 1.3, Peugeot 307 1.4, Daihatsu Cuore 1.0...
A ideia não é exclusiva das revistas de automóveis. Nas de viagens, por exemplo, a capa e as primeiras reportagens vão para “as viagens de sonho” e só depois aparecem as viagens económicas, os fins-de-semana e as ‘escapadelas’.
Isto faz-me lembrar uma piada, que vi na saudosa série ‘Pickett Fences’. Dizia um dos personagens, um impagável advogado, bastante idoso mas extremamente sagaz, que só assinava duas revistas: a National Gegraphic e a Playboy. E explicava: “é para poder ver os sítios onde nunca irei...
Dupont

"Póvoa da Vila"

A sugestão do Trenguices mereceu vários posts (além dos 'comentários'). Vale a pena dar uma vista de olhos. Para já, além de nós, pronunciaram-se o Lápis de Cor, o Vila do Conde Quasi-Diário e o rioave. Se soubermos de outros, aditaremos aqui e não em novo post.
Um destaque muito especial para esta brilhante posta do besugo, no Blogame Mucho.
Dupont

Revista da Opinião vila-condense

Em Vila do Conde, opinião publicada não falta (além da nossa e da dos colegas blogueiros, claro...). No Terras do Ave, temos:
- Pedro Brás Marques, sobre arqueologia e o Ano Jacobeu em Santiago de Compostela;
- Eduardo Lemos, sobre Guilhabreu
- Francisco Freitas, sobre a Fé
- Manuel Pereira Maia, a sonhar...
- Albano Loureiro, sobre a Assembleia Municipal
- Nelson Silva, sobre a Junqueira
- Rui Silva, também sobre a AM
- Romeu Cunha Reis, sobre a sinistralidade rodoviária
N'O Primeiro de Janeiro, além do já destacado artigo de António José Gonçalves, temos
- Abel Maia, contra Miguel Paiva e Santos Cruz
- Maria Martins, sobre Marte
- Jorge Laranja, sobre a Ministra da Economia
- Alexandre Raposo, sobre Descentralização
- Fernando Reis, sobre a segurança nas pontes.
Tirando o facto de, no primeiro, não haver socialistas a escrever e, no segundo, faltar sociais-democratas, julgo ser de assinalar tanta variedade de artigos e temas. E, de um modo geral, com boa qualidade.
Dupont