quarta-feira, fevereiro 11, 2004

Resposta a Vital Moreira


O nosso boticário de estimação já se deu ao trabalho de responder a Vital Moreira sobre a questão das farmácias. A resposta está excelente, chegando ao ponto de acusar o professor coimbrão de estar a proteger interesses capitalistas.
"(...) A restrição da propriedade das Farmácias aos Farmacêuticos assenta num princípio simples que está no espírito da lei de 1965: Não há Farmácias há Farmacêuticos; aquelas são o lugar onde estes exercem a sua profissão. (...) Enganem-se os que pensam que este princípio a ser alterado iria permitir o acesso ao "negócio" a investidores avulsos; quem espreita atento é o capitalismo - sim capitalismo, Profº Vital Moreira - sob a forma de cadeias de distribuição e "retalho" das multinacionais farmacêuticas, aliás já instaladas, algumas, em Portugal, tais como a Boots ou a Unichem ou a OCP, num processo de forte verticalização.
(...) A restrição da instalação das Farmácias tem como objectivo exactamente o contrário daquilo que à primeira vista se pode concluir: se fosse livre a instalação, o que aconteceria é que eu, (modéstia à parte) profissional cuja competência técnica é reconhecido pelos doentes, fortemente competitivo portanto, não iria abrir botica em Boticas, antes o faria mesmo em frente ao H.S. João ou, se na Póvoa, junto da consulta de paramiloidose. Em Boticas será difcil encontrar um Médico, ou um Enfermeiro, mas encontra de certeza um Farmacêutico, seja neste preciso momento ou na véspera de Natal.
Além disso a Farmácia é o único "negócio" em que sistematicamente se recusam vendas. Muitas. Todos os dias. A toda a hora. Saúde pública, tem que ser... Expliquemos isso a um patrão, ou ao senhorio!
"
Dupont