quarta-feira, março 31, 2004

Desesperos


Através do Trenguices, do amigo Peliteiro, cheguei a este post de João Tilly. Imediatamente me recordei deste outro post, que reproduz uma crónica de José Vítor Malheiros, colunista do Público.
São duas histórias dramáticas, da experiência de dois filhos que acompanharam os momentos terminais da vida do pai, no primeiro caso, e da mãe, no segundo. Em ambos, o desfecho é o pior possível. Mas, mesmo assim, os filhos conseguem oferecer um relato objectivo daquilo que foram as últimas horas e vida dos progenitores e de como foi o contacto com o mundo da Saúde português. Num relato frio e sem grandes adjectivações, até porque os factos falam por si, ambos ficaram com o sabor amargo de que a vida dos seus entes queridos terminou um pouco antes do que aquilo que deveria.
Se, no caso do Vítor Malheiros, o problema centra-se no ‘sistema’, já no caso do João tudo muda de figura. Na verdade, ao pai deste blogger de Seia procedeu-se a exames e elaborou-se um diagnóstico: pneumonia e co. Mas, mesmo na presença no filho, nenhum dos médicos presentes nos hospitais por ele mencionados actuou. Ninguém se importou em impedir que a ténue linha que ligava o pai do João à vida se quebrasse. Juramento de Hipócrates ou de hipócritas?
Uma tal desumanidade só pode, evidentemente, rimar com monstruosidade. O pai do João e a mãe do Vítor foram observados como se de uma mercadoria se tratasse, por médicos e enfermeiros… Nem me passa pela cabeça acontecer semelhante coisa a um dos meus, porque a coisa acaba mal para eles, garanto, como certamente acabará, no caso do João! Aliás, basta começar a perguntar nomes e a assentá-los à frente dos inquiridos, que a coisa muda logo de figura...
Sinal dos tempos, em que se assobia para o lado quando se vê alguém em necessidade, em que se exige emprego mas não se quer trabalhar, em que se defendem os direitos mas não se cumprem os deveres.
Portugal, 31 de Março de 2004
Dupont
Aditamento: Ver este post, no sempre excelente Médico Explica Medicina a Intelectuais.

Rio Ave

Ainda me custa acreditar na burrice que poderá tirar o Rio Ave da sua primeira participação nas competições uefeiras. Até porque nem percebo essa história das candidaturas - sempre pensei que era a classificação final que, de forma automática, atribuía as classificações. Parece que não... A partir de agora, malta, é candidatra-se a tudo, até às regionais. You never know...
Acontece que, como sócio e adepto portista, estou vacinado contra o óbvio em futebol. Por isso, convém não esquecer que o Rio Ave, no próximo fim-de-semana, irá defrontar o Sport Lisboa e Benfica, que ainda sonha com a entrada directa na Liga dos Campeões (terceiro lugar numa liga chamada de "campeões", também tem a sua piada...). Ora, sabendo nós que o benfiquista Cunha Leal é o director executivo da comissão e o seu presidente é Valentim Loureiro, basta somar dois mais dois para ver quem são os beneficiados com a denúncia desta situação:
- O Benfica, porque encontrará um Rio Ave desmotivado (já não levarão os 4-0, da tabela, pensam eles...); e
- O Boavista, porque tem menos um para chegar a um lugar europeu, depois de uma época medíocre.
Como diria o palmelão Octávio Machado, "não me façam falar..."
Dupont

terça-feira, março 30, 2004

Voto em branco

José Saramago, o escritor português que recebeu o cheque correspondente ao único prémio Nobel da Literatura entregue à língua portuguesa, está em avançado estado de decomposição intelectual. Ele, que vai ser candidato na lista de um dos partidos que concorrerá às eleições europeias, apresenta uma sugestão aos portugueses como forma de mostrar revolta pelo estado da democracia: votar em branco! É verdade, José Saramago não considera que o voto certo seja na sua lista. Para ele, a melhor forma de intervir nas próximas eleições é mesmo votar em branco.
Atendendo à idade do dito cujo, não faço mais comentários...
Dupond

Delirante...

Para desanuviar do choque causado pelo post anterior, recomenda-se a leitura desta delirante posta do "blasfemo" Gabriel...
Dupont

Ó valha-me Deus!....

Não! Não!.... "Rio Ave sem UEFA - O Rio Ave não se candidatou à participação nas competições da UEFA de 2004/2005, ao não apresentar o competente pedido, até 31 de Janeiro passado. Assim, se a equipa lograr, dentro das quatro linhas, um dos lugares de acesso através da Superliga (o que, neste momento, acontece), deverá dar a vaga, na Taça UEFA, ao clube que se classificar na sétima posição".
Não! Não acredito! (Apesar de saber que o objectivo principal era a manutenção...)
Dupont

Soap Opera


Conhecida a nossa paixão pelos pecadilhos do Poder Autárquico, hoje ficamos particularmente felizes.
Em Matosinhos, Narciso Miranda abandonou a reunião de Câmara profundamente comovido, em lágrimas, mesmo. Tudo porque iria estar em votação o assumir, ou não, das despesas com os anúncios de falecimento do pai do Presidente, que encheram páginas de jornais. Como todos devem estar recordados, o folhetim começou quando Honório Novo e alguma imprensa levantaram dúvidas sobre a oportunidade da publicação de tantos e tão grandes participações de falecimento. Para acabar com a polémica, Narciso chamou a si o pagamento dos mesmos, mas, na última reunião do executivo matosinhense, um vereador do PSD propôs que fosse aprovado pagamento dos mesmos pela autarquia, o que teve apoio unânime. Foi então que, comovido, Narciso teve de abandonar a sala. Mas quem julga que isso o fez perder a lucidez, engana-se: é que antes de abandonar fisicamente a reunião, ainda teve tempo de entregar os trabalhos, não ao nº dois, Manuel Seabra, com quem está incompatibilizado, mas ao seu número quatro. Como diria um ex-político vila-condense: “Experiência, muita experiência…”.
A segunda notícia vem de longe, de Vila Real de Santo António, onde o Presidente da Câmara, António Murta e a arquitecta responsável pelo urbanismo local estão a ser alvo de inquérito judicial. Os motivos são os nossos conhecidos: corrupção e financiamentos ilegais a um clube de futebol. Pelo meio estão aprovações de imóveis pertencentes à arquitecta, violações do PDM anuladas pela Inspecção Geral do território, etc, etc.. Portugal no seu melhor…
Dupont

Edgar Pierre Jacobs


É raro comprar o Jornal de Notícias. Para quê? Basta ir a qualquer café que o “jornal da casa” é, invariavelmente, o JN. Mas, hoje, enquanto adquiria a concorrência (mas o JN tem concorrência?...) reparei que tinha uma imagem do Professor Mortimer na capa. Em termos de assunto, isso está para o matutino portuense como Sophia de Mello Breyner ser capa da ‘Exame’ ou Marco Paulo do ‘Jornal de Letras’… Bem, desde que Pinto da Costa foi capa da VIP… Adiante… Estava a dizer que vi na capa do JN a mais fantástica personagem de BD alguma vez criada. É claro que saquei de mais umas moeditas e lá trouxe o “maior diário português”. Então não é que eles se lembraram de que Edgar Pierre Jacobs, o genial criador da dupla “Blake & Mortimer” faria cem anos se estivesse vivo? Eu, um convicto fã da série que já por várias vezes incomodei os pacientes leitores deste blog com o assunto, nem me lembrei, nem fui alertado pelas várias newsletters de BD que recebo, de tão importante e significativa data?… Um dia que tinha começado tão bem, já está estragado… Não pelo esquecimento, mas pela recordação que um fã não pode falhar estas coisas…
Dupont

segunda-feira, março 29, 2004

Amigos de Espinho


Ao Jornal de Notícias, o presidente da Câmara de Espinho dá uma entrevista onde o prato forte são as suas viagens ao Brasil. Sim, porque, para quem não sabe, a autarquia está transformada numa Agência de Viagens, tendo feito com que milhares de cidadãos ficassem a conhecer aquele país "irmão". José Mota argumenta que não vê qualquer mal nisso e que o faz por "amor a Espinho e aos espinhenses que estão no Rio", acompanhando os idosos porque é "obrigação do presidente da Câmara", negando, contudo, que tais viagens sirvam para negócios pessoais. Last but not the least, o presidente justifica o seu empenho total na autarquia com o facto de nem tirar férias...: “Tenho direito a 30 dias de férias por ano e nunca os gozo. E ninguém se preocupa com isso. Se saio, faço um trabalho útil a Espinho”.
Ora bem, eu gosto muito de Espinho. Sou frequentador assíduo do ‘Cabana’ e do ‘Aquário Marisqueira’. Vou aos shows do Casino, deambulo pelas festas da Senhora da Ajuda, passeio pela Rua 19, tenho lá bastante gente amiga e gosto do que fizeram naquela marginal. Em Espinho há luz e cor. O que é bom. E há aquele vento norte que só os do litoral apreciam….
Ora, sendo eu tão amigo de Espinho, será que preencho as prerrogativas de José Mota para ir ao Brasil? É que eu gostava mesmo de ir lá...
Para adorar Espinho, concerteza....Dupont

Morreu Peter Ustinov


Era um grande actor e um actor grande. Recordo-me perfeitamente do primeiro filme que vi com ele, "O fantasma do Barba Ruiva", uma produção menor da Disney, naquelas delirantes sessões infantis, de Quinta-feira, no agora defunto Cine Garrett, na Póvoa de Varzim.
Mais tarde e na mesma sala, haveria de ficar deslumbrado com a sua interpretação em "Crime no Expresso do Oriente" - “e, de repente, o número doze começou a tilintar na minha cabeça…”, dizia ele enquanto ia batendo com o indicador na cabeça...
“Um crime no Nilo”, ao lado desse outro enorme actor que foi David Niven, consolidou a sua interpretação de Hércule Poirot como a mais carismática de sempre do personagem. “Morte no Tejo”, de Luís Galvão Telles foi um dos seus muitos contactos com Portugal. Teve uma carreira longa, recebeu inúmeros prémios, entre os quais dois Óscares para melhor actor secundário e, nos últimos anos, vivendo na Suiça, esteve ligado à UNICEF.
Mas o que ficará dele será sempre aquele ar de bonomia e de quem passou por cá sabendo naturalmente escolher o que de melhor tem a vida para oferecer.
Dupont

Um alerta….

Daqui a alguns meses, em Vila do Conde, irá nascer o Parque Nassica, anunciado como o maior parque empresarial e de lazer do País. A promotora, Neinver, é espanhola e o projecto inclui uma zona outlet, “a maior do Norte”, com uma área de influência que, segundo dizem, vai de Aveiro à Galiza(!).
Esperemos que corra bem. É que o seu mais sério concorrente, o ‘Outlet de Grijó', está a ser um completo fiasco, segundo refere o JN. Seria absolutamente lamentável que um empreendimento desta dimensão corresse mal, ainda por cima quando está a mexer não só com a freguesia onde está instalado, Modivas, como outras, nomeadamente as limítrofes de Vila Chã e Mindelo, que se vêm rasgadas por gigantescas condutas de esgotos. Um assunto a seguir, com redobrado interesse…
Dupont

Motivações políticas...

Afonso Ferreira é o simpático e trabalhador líder do CDS-PP de Vila do Conde. No sábado, tinha organizado uma conferência com a presença do líder partidário distrital, Álvaro Castelo Branco, sobre o papel da família.
Anúnciando a realização do evento, o partido tinha espalhado uns quantos cartazes pela cidade, mas alguém lhes deu sumiço. Perante a ocorrência, Afonso Dias Ferreira irritou-se perante os presentes e “anunciou a sua recandidatura ao cargo para responder "a mais um ataque feito ao CDS".
Nada como uma boa causa para motivar um líder.
Dupont

domingo, março 28, 2004

Rio Ave

Continuando a cavalgada para a Europa, o nosso Rio Ave conseguiu hoje mais um resultado positivo, ao empatar a 1 golo em Leiria. Lembre-se que a União de Leiria jogou esta época nas competições europeias, razão pela qual se poderia considerar este jogo como uma passagem de testemunho: os de Leiria entregando a "Europa" aos nossos...
Vamos a isso, que para a semana é o Benfica!
Dupond

Charada para Nabokov

Se é verdade que, em Auschwitz-Birkenau, se era saudado assim...


...e se a lei diz que...

Artigo 307.º
(do Código de Processo Penal)
Decisão instrutória

1 — Encerrado o debate instrutório, o juiz profere despacho de pronúncia ou de não pronúncia, que é logo ditado para a acta, considerando-se notificado aos presentes, podendo fundamentar por remissão para as razões de facto e de direito enunciadas na acusação ou no requerimento de abertura da instrução. (...)

...então é porque alguém gosta de nadar em águas de...


...restando à sua mamã que...


...e, a mim, colocar um...

FINAL!

Dupont

sábado, março 27, 2004

Imortais


A Rolling Stone elegeu "Os Imortais", isto é, the greatest rock & roll artists of all time. Os dez primeiros são The Beatles, Bob Dylan, Elvis Presley, Rolling Stones, Chuck Berry, Jimi Hendrix, James Brown, Little Richard, Aretha Franklin e Ray Charles. Os Imortais têm direito a texto assinado por nomes grandes do panorama musical, desde Elvis Costello a Bono, passando por Paul Simon, Moby, Iggy Pop e ...Britney Spears. Online só estão disponíveis os dez primeiros.
É uma lista como tanta outras, discutível, mas que demonstra como a América trata bem os seus: nos dez primeiros só dois não são 'born in the USA" e, dos restantes quarenta, três quartos nasceram nas terras do Tio Sam. O domínio anglo-saxónico é, portanto, total - EUA, UK e Canadá, além da Irlanda, a marcar presença com duas entradas: U2 e Van Morrison. Nota-se, igualmente, uma certa resistência a nomes mais recentes e sons altternativos, como os Radiohead ou os The Smiths. A presença das décadas iniciais e iniciáticas é esmagadora, mas é algo que acontece, quase sempre, em qualquer listagem. Basta recordar as dos 'melhores filmes de sempre', todos das primeiras décadas de existência da sétima arte.
Prazeres: Em 22º os U2, em 23º Bruce Springsteen, em 28º Prince, em 30º os The Clash, em 34º Neil Young e, em 42º, Van Morrison.
Ódios: em 33º os The Everly Brothers e, em 49º, Elton John.
Dupont

Bomba à sec...


A Câmara Municipal de Vila do Conde apresentou o plano de pormenor para a zona da "seca do bacalhau". Tal como alguma imprensa local já havia anunciado, dando voz aos deputados da coligação PSD-PP, na oposição, está previsto um posto de abastecimento de combustíveis para o local.
Confesso que não vi plano algum, mas há uma coisa para que não é necessária grande informação: a existência de uma bomba de gasolina dentro de uma zona urbana. Porque é obviamente insegura, de oportunidade duvidosa e esteticamente feia. Na verdade, um posto de abastecimento de combustíveis é um local onde, à noite, se reunem bêbados, onde se juntam street-racers ( e a pista ali mesmo ao lado...), além de criar alguma insegurança psicológica nos residentes próximos. Depois, porque Vila do Conde tem, dentro do perímetro urbano, vários postos, a uma distância relativamente curta. Finalmente, porque cria poluição visual, já que tem uma presença que choca claramente com a luminosidade serena que sempre caracterizou a nossa cidade.
Os apoiantes da ideia ancoram-se no facto de, mesmo ali ao lado, estar uma marina, que vai necessitar de um posto de combustíveis. Argumento ridículo, este, pois uma coisa não implica a outra. Até porque, para barcos, basta uma máquina com mangueiras...
Mário Almeida não abdica da sua construção. A oposição não desiste de impedir que tal intenção vá em frente. Com as posições a extremarem-se e sem consensos no horizonte, o desfecho é imprevisível e será, com toda a certeza, arma de campanha nas próximas autárquicas.
Dupont

Acordãos do Processo Casa Pia

Com uma dedicatória à lolita, aqui ficam alguns dos acordãos proferidos pelo Tribunal Constitucional relativos ao processo "Casa Pia" e que já estão online. São eles: 416/03; 417/03; 418/03, 607/03 (Diários); 614/03 (juiz natural)
Dupont

Apelação ou Revista?

Num texto bem humorado, posto no megafone lá de casa, porque mais uma vez não teve coragem de o dizer nos nossos comentários, a nossa querida e incorrigível lolita ficou com azia depois de ser corrigida, ainda por cima com a letra da lei.... Pelo menos, nós aceitamos logo o erro. A lolita não. Porque a lolita acha que tem sempre razão, o que, porventura, até é verdade. É esforçada e altruísta: gosta tanto dos outros que até os motiva com a frase que os alemães saudavam os condenados que entravam nos campos de concentração...
Os nossos comentários, querida lolita, eram carícias, lisonjas, meros exercícios de humor. Não resultaram. Como estou perante uma senhora, não me resta outra coisa senão assumir as culpas. Esta é uma das regras comportamentais absolutamente imperativas quando se aborda uma senhora. Outra é nunca perguntar a idade. Por isso, não posso usar o ditado "gato velho não gosta de festas"...
Dupont

sexta-feira, março 26, 2004

Radio Televisão Tribunal, SA

A lolita corrigiu-me e com razão. Teve vergonha de escrever um cometário e refugiou-se num post do Blogame Mucho. Entusiasmada, lembrou-se de dizer que o juiz "emite despacho de pronúncia ou de não pronúncia". Minha querida (podemos tratar-nos assim?), diga lá qual é a emissora em que o Magistrado dá a conhecer ao Mundo essas decisões? Ou será num canal televisivo "perto de si"?
Agora, se ele proferisse essas decisões, outro galo cantaria, não era jornalista lolita?
Dupont

Hormonas


A imagem mostra o cartaz da Moda Lisboa. Sofia Loren. Moreníssima e vestida com uma côr enebriante. Um decote convidativo. Uns lábios carnudos e sensuais. Um olhar inocentemente perverso. Tudo misturado, temos uma mulher de fogo, a personificação da tentação para um honesto tipo casado...
Esta foto está na página 28 do DNa. Na 30 está uma reportagem de moda, com as modelos Angela e Isabel Ribeiro. Esquálidas, brancas, sem formas, rostos andróginos e angulosos, sensualidade zero. Como uma desgraça não vem só, ainda por cima estão vestidas por Ana Salazar, uma estilista que faz tudo para que quem vista a sua roupa fique como ela: feia e desinteressante.
Os gostos não se discutem. Os desgostos, sim.
Dupont

DN:musica

O DN deu início a um novo suplemento, sobre música. Na capa, uma compra obrigatória: "Absent Friends", a última obra dos fabulosos Divine Comedy. O aspecto gráfico está bem melhor do que no seu predecessor, o DNmais, mais sóbrio e arrumado.
Fisicamente, o suplemento está inserido no caderno do DNa, o que é uma boa notícia para mim, já que me poupa espaço de arrumação...
Hoje, comemorando o lançamento, oferecem um DVD musical. Calhou-me Roy Orbinson, o que foi óptimo.
Dupont

Heil, Miguel Sousa Tavares!

Então não é que Miguel Sousa Tavares aplaude a posição 'colaboracionista' de Mário Soares? Não acreditam? É só ler o seu artigo semanal, hoje, no Público.
Mais, MST vai desenterrar uma série de exemplos de antigos terroristas que, mais tarde,se corrigiram e foram elevados ao altar da honra. Entre eles, claro, o nome de Kadhafi não podia faltar.
MST esquece que o terrorismo actual não luta por um território, mas sim para impôr uma mundividência - dos citados, apenas Kadahfi se assemelha. E, já agora, convinha recordar o porquê da conversão do líder da Líbia. É que, para quem não tem a memória curta, a casa de Kadahfi foi bombardeada por F-14s norte americanos, numa operação cirurgicamente delineada e da qual resultou a morte da sua filha e ferimentos em si próprio. Depois disso "só" aconteceu Lockerbie que o Estado líbio haveria de reconhecer culpas, uma história com contornos incertos e mais do que suspeita...
Ou seja, Kadhafi assustou-se com a possibilidade de, na próxima vez, a América não falhar. E mudou...O invencível Saddam também se refugiou numa toca de rato... Bin Laden já sentiu mais longe o cheiro da pólvora...
Mas, para Miguel Sousa Tavares, não se resolve o problema atacando os seus autores. Nada disso. Resolve-se através de Israel: "Dando passos concretos para ir ao encontro das legítimas reivindicações dos palestinianos. Fazer-lhes justiça e exigir depois a contrapartida. Israel é a chave do problema. Desde sempre. Se isso tivesse sido feito há dez, há vinte anos atrás, muitas tragédias teriam sido evitadas e não teríamos chegado a este ponto. Mas mais vale tentar agora do que nunca. Porque a alternativa é continuarmos reféns do terrorismo islâmico porque os Estados Unidos são reféns de Israel."
Há 70 anos, um senhor de bigodinho ridículo, com cara de poucos amigos, teve uma ideia semelhante...
Dupont

O fim de uma era


A Disney foi sempre o nome máximo quando se falava de cinema de animação. Os seus estúdios fizeram história, lançando o conceito de longa-metragem animada, com Branca de Neve e os Sete Anões, a quem foi atribuído um Óscar honorário pela grande inovação que o filme havia trazido. Ficou famoso o estratagema que a Academia engendrou para oferecer o prémio a Walt Disney: um óscar normal e mais sete pequeninos...
Ao longo dos anos, com alguma regularidade, lá foram saindo maravilhosos filmes daqueles estúdios. E também desenhadores, que criaram galerias de personagens inesquecíveis, como os Looney Toons, entre outros. Enfim é aquilo a que se chama "escola". Mas, nos finais dos anos 70 e durante os 80, a crise de público bateu à porta, quando até já tinha entrado a da imaginação... E foi com a introdução da animação computorizada que as longas-metragens animadas voltaram em força, com "A Bela e o Monstro" a ser candidato ao Óscar de melhor filme e a Academia a ver-se forçada a criar uma nova cateforia para enquadrar este tipo de produções. E, da mera 'ajuda' informática passou-se rapidamente a filmes exclusivamente elaborados no computador. O primeiro, como se sabe foi "Toy Story", dos estúdios Pixar, de Steve Jobs, o homem que criou a Apple... A animação tradicional parecia condenada...
E, efectivamente, foi o que veio a verificar-se com a decisão da Disney de encerrar os seus estúdios e dedicar-se exclusivamente à nova forma de dar vida aos desenhos. O último filme feito pelo método antigo foi precisamente "Kenai e Koda", agora estreado em Portugal.
Last, but not the least: o último filme digital da Disney, "À procura de Nemo", rendeu 340 milhões de dólares nos EUA. Este, dos ursinhos, fez um quarto desse montante... Follow the money...
Dupont

Revista de Opinião Vilacondense

No suplemento de Vila do Conde d'O Primeiro de Janeiro temos:
-Felicidade Ramos, "Hoje ainda há tempo", uma reflexão sobre o uso que damos ao tempo.
-Carlos Laranja, "Seria uma benção", pugnando pela queda do Governo de Durão Barroso
-Abel Maia, "PSP de Caxinas/Poça da Barca", sobre o encerramento/não encerramento do posto PSP das Caxinas.
-Fernando Reis, "Terrorismos", sobre isso mesmo.
- Alexandre Raposo, "Verdade", sobre os resultados eleitorais espanhóis,
GOSTEI/NÃO GOSTEI de todos.
Dupont

Pedro Eça Santana Queirós Lopes II

No Diário de Notícias, Pedro Santana Lopes responde a Maria Filomena Mónica, em artigo feito a pressa e não suficientemente revisto:"Por vezes, tenho tido problemas ao longo da vida por escolher a pessoa que julgo que ser a certa e outras acharem que elas seriam melhores" (sic).
Mas isso nem sequer é o pior. O lamentável é que ao irónico e bem construído artigo de Maria Filomena Mónica, PSL vem com uma resposta sem pitada de humor, sem graça nenhuma. Um objecto seco e estéril. Nem sei se vai ter réplica... PSL procura enquadrar o artigo de MFM numa base de 'inveja' e avança com argumentos ridículos: "Considero uma injustiça haver uma Casa Fernando Pessoa em Lisboa e não haver uma casa dedicada a Eça de Queirós.". A ser assim, quantos e quantos autores portugueses não se sentirão injustiçados?
Finalmente, Santana Lopes revela que tem uma política cultural bem estruturada e com objectivos definidos: "Também concordo que será bonito haver uma casa dedicada a Cesário Verde. Se está disposta a indicar-nos a localização do prédio (...)"
Dupont
ADITAMENTO: Vasco Pulido Valente, também no DN, avança com perspectiva idêntica: "Esta posição lógica e sensata bastou para o dr. Lopes perder a cabeça. Primeiro, e na boa tradição portuguesa, acusou Filomena Mónica de inveja: ela queria aparentemente ser directora da putativa «Casa» e ele escolhera outra pessoa. Por aqui se vê como o dr. Lopes julga o próximo e também a sua ideia de ambição: não lhe ocorre que nem toda a gente, e menos Filomena Mónica, espera de si a mísera façanha de chegar a uma sinecura. Muito esclarecedor. A seguir, o dr. Lopes lamenta que Filomena Mónica se ache superior (uma descoberta dele) e censura a sua «prosápia» e «arrogância», sem perceber que esta opinião revela, e só revela, a sua própria prosápia e arrogância. E, por fim, afasta a argumentação de Filomena Mónica como simples maneira de encher papel de quem escreve semanalmente «em jornais» (uma falsidade: não escreve). No meio desta tristeza, o dr. Lopes passeia a sua ignorância: gostava, por exemplo, de saber se existe um poeta ou um escritor com uma «Casa» no «exacto sítio» onde viveu e trabalhou (se gostava, pergunte). E acaba como de costume a gemer que «batem» nele. Presidente da República? Por favor..."

Pegar em armas ou baixar os braços? - IV

A opção do "não negociamos" parece estar a esmagar a contrária, defendida por Mário Soares. José Manuel Fernandes acha mesmo que Soares errou: "O erro das palavras de Mário Soares, mesmo depois de todas as explicações, é não destacar claramente a natureza distinta das ameaças e criar a ideia de que as dificuldades actuais na luta antiterrorista são insuperáveis sem abrir portas à negociação. Ora se nos lembrarmos que nos anos 30 as democracias também pareciam enfrentar dificuldades insuperáveis face aos totalitarismos em ascensão, e por isso muitos foram tentados a ceder e a negociar, lembrar-nos-emos também que esses inimigos eram pelo menos tão mortais como o novo megaterrorismo mas acabaram por ser derrotados. E não foi pelos que negociaram.".
Pacheco Pereira, pelo seu lado, foi buscar o niilismo, para defender que "Se o terrorismo da Al-Qaeda nos interpela como niilismo, não é possível "falar com ele", "explicá-lo", "justificá-lo", sem corroermos os fundamentos do nosso próprio modo de pensar. O terrorismo é para nós o absoluto Outro, a antimatéria. Se o acolhermos no nosso seio, pensando-o como qualquer outra coisa que não seja o puro niilismo, ele destrói-nos o pensamento como nos destrói o corpo. Não se fala com a Morte, ponto final".
Dupont

Família? Que chatice!

José Saramago dá uma longa entrevista à 'Visão'. A entrevista é interessante, como quase todas as do Nobel, apesar de José Carlos de Vasconcelos, o entrevistador, ter optado por manter o tratamento quase familiar de "tu", quando reduziu a escrito a conversa, o que dá a estranha sensação ao leitor de se estar a mexer onde não é chamado...
Saramago fala do novo livro, de política, do Mundo e da família. Quanto esta diz: "nota que eu tenho netos mas não sou avô e se amanhã tiver bisnetos não serei bisavô". Até se podia pensar que o escritor estaria a lamentar o facto de não estar, fisicamente, próximo deles e, por isso, não gostar de ostentar um "título" para o qual não sentia contribuir. Pura ilusão. "Eu não sou destituído de sentimentos, mas falta-me a "vocação para isso".
Como já vimos aqui, com Lucien Freud, parece que o génio e a fama são incompatíveis com o mais básico que considero numa sociedade: a família. Tenho pena que assim seja com José Saramago.
Dupont

quinta-feira, março 25, 2004

Entre-os-Rios

O juiz de instrução do processo que averiguava a existência de indícios criminais na queda da ponte Hintze Ribeiro, em Entre-os-Rios, não deu provimento à acusação, por considerar que aquela fatalidade se deveu a causas naturais.
Duas questões: primeiro, a eterna falta de cultura jurídica dos nossos jornalistas. Na sofreguidão de opinarem sobre o que não sabem, em vez de se limitarem a relatar o que vêm e ouvem, saiem-se com pérolas como a do Diário Digital que, no texto da página de abertura do site, diz que "o julgamento fica suspenso"... Pois, só se for no ar... Aliás, basta ver este outro exemplo de hino à ignorância, neste post e nos comentários, no Barnabé, também sobre assunto jurídico.
Depois, o facto de se ter dado despacho de não pronúncia, isso não quer dizer que tenha acabado a responsabilidade de quem de direito. Há que distinguir a esfera das mesmas. O que aqui estava em causa era o assacar de responsabilidades do foro criminal a uma determinado número de pessoas. Caso se provasse a sua culpa (negligência ou dolo) ser-lhes-ia, então, aplicada uma pena criminal e estariam (quase...) automaticamente civilmente obrigadas a indemnizar. Como assim não aconteceu, fica em aberto a possibilidade do Estado - leia-se "todos nós" - virmos a indemnizar as vítimas. Porquê? Pela simples razão de que, mesmo com causas naturais, o Estado tinha a obrigação de vigilância do estado de conservação dos seus equipamentos.
Dupont

Novo Saramago


Aí está "Ensaio sobre a Lucidez", o novo livro do Nobel poruguês, José Saramago. Como desde o "Ensaio sobre a Cegueira" que não escreve coisa que se recomende, espera-se um regresso ao seu melhor, até pela similitude dos nomes. Se não, é preferível que volte a Lanzarote e aos seus Cadernos.
Dupont

Vermeer


Com a passagem pelos ecrans de cinema do livro de Tracy Chevalier, "Rapariga com brinco de pérola", de Peter Webber, muita gente descobriu e outra reviu a obra de Vermeer. Há quem o considere o maior pintor de todos os tempos e outros que não. É o caso d' O Observador.
A propósito de 'listas', veja-se a que Salvador Dali fez, relativamente a onze colegas de profissão: dez, mais ele próprio... A classificação é repartida em: técnica, inspiração, côr, design, génio, composição, originalidade, mistério e autenticidade. Como não sei fazer tabelas no blog, limito-me a apresentar a média final de cada um, numa escala 0-20. (Fonte: L'Aventure de L'Art au XXeme Siécle, 1989, Editions du Chêne)
- Leonardo da Vinci - 18,4;
- Meissonier - 5,2;
- Ingres - 10,5;
- Velasquez - 19,2;
- Bouguereau - 3,2;
- Dali - 16,4;
- Picasso - 11,9;
- Raphael - 19,6;
- Manet - 4,1;
- Vermeer - 19,9;
- Mondrian - 0,7.
Como se pode ver, o mestre catalão achava Vermeer próximo da perfeição. Aliás, só não obteve vinte a cada categoria porque, em originalidade, ficou-se pelos 19...
Dupont

B

Só agora reparei: parte significativa dos nossos blogs favoritos começa por 'B'. Ora vejam: Barnabé, Bisturi, Blasfémias, Blogame Mucho, Blogouve-se, Bloguítica, Bomba Inteligente, Belho da Montanha e Bila do Conde-Quasi Diário. É extraordinário, não é?
Dupont

Conversão

O Blogame Mucho andou à deriva durante uns tempos. Dáva-se lá um saltinho e aquilo parecia uma sessão de psicoterapia em público. Saía logo, de fininho, para não perturbar ninguém...
Agora, parece dar sinais de melhorias. Diria mais, de francas e saudadas melhorias. O besugo, que já não lhe chegava ter ligações poveiras, como ainda por cima é lagarto, está à beira da conversão. Basta ver que deu por si a festejar os golos do mágico Porto e a ver-se obrigado a dar explicações à perplexa descendência. Já aqui o tínhamos dito: Santo Mourinho faz milagres!
Dupont

quarta-feira, março 24, 2004

A coisa pega-se?

Depois das eleições espanholas, está a criar-se a impressão de que a convivência com cidadãos como Blair e Bush aumenta drasticamente a possibilidade de derrotas eleitorais para aqueles que se aproximem de tais políticos.
Cá para mim, daqui a alguns meses, vai suceder o contrário: como me dizia há dias um espanhol, vai é haver muitas saudades de dirigentes como Aznar...
Dupond

Novo blog VIP

É o Fora do Mundo, de Pedro Lomba, Pedro Mexia e Francisco José Viegas.
Dupont

Pedro Eça Santana Queirós Lopes


Infelizmente não está online o superior artigo de Maria Filomena Mónica, no Público de hoje. Chama-se "Uma casa vazia para Eça de Queirós" e glosa com a intenção de Pedro Santana Lopes em criar uma casa para "reconstituições da memória queiroziana". Ora, segundo esta autora e estudiosa da obra daquele nome maior da literatura lusa, não há espólio de Eça de Queirós. Ou seja, não ha conteúdo para "encher" a moradia adquirida por PSL. E porquê? Porque os móveis e o arquivo que a viúva enviou de Londres estão no fundo do mar, pois o barco que os transportava afundou-se. Depois, porque a biblioteca do escritor alegadamente nascido na Póvoa de Varzim foi roubada pelo genro de uma das criadas da casa. Restam, sim, algumas edições de obras de autores estrangeiros, sem grande relevo.
Conclui Maria Filomena Mónica que "a ideia de que a futura Casa pudesse vir a albergar o espólio do escritor é um absurdo", pelo que "a Câmara de Lisboa gastou dinheiro (e tem de nos dizer quanto) com a aquisição de um prédio onde apenas poderá exibir" a já escolhida directora, Ana Nascimento Piedade.
Depois dos sempre recordados concertos para violino de Chopin, parece que o nosso PSL ainda não se apercebeu que o ditado "quem te manda a ti, sapateiro, tocar rabecão?" lhe assenta que nem uma luva...
Dupont

Pegar em armas ou baixar os braços? - III

Mr. Bloguítica, Paulo Gorjão, tem, hoje, um artigo no Público, em que procura demonstrar o erro da argumentação "colaboracionista" de Mário Soares: "por muito que nos custe, a guerra contra o terrorismo internacional terá de prosseguir até que a Al-Qaeda seja eliminada. Um político com a experiência de Mário Soares deveria saber que o diálogo é uma ilusão"
No mesmo jornal, Manuel Queiró avança para um "não, mas", ao elogiar Mário Soares: "Talvez Soares tenha sido mais certeiro no seu instinto sobre a mudança na opinião pública. Nem por isso a sua posição se torna menos inaceitável, mas provavelmente ele traçou, sem o querer, um retrato mais verdadeiro do que se passou naquele domingo".
Dupont

Dinheiro angolano

No Público: "Presidente de Angola Acusado de Desviar "Dezenas de Milhões de Dólares" para Contas Privadas no Estrangeiro". Ainda bem que ele o fez, não fosse um qualquer político local, sem escrúpulos, aproveitar-se do dinheiro em proveito próprio...
Dupont

Novo Site de Pedro Santana Lopes

Apresentamos aqui, em primeiríssima mão, o novo site de Pedro Santana Lopes. É metafórico, pelo que o cursor no écran deverá ser entendido como "eleitorado"...
Dupont

Enciclopédias


Além de outras que estão online, descobri que a Verbo também está, numa versão "Dicionário-Enciclopédico". Está aqui. Confrontei algumas das entradas com as do 1º volume d'A Enciclopédia, a que está a ser distribuída com o Público, e são quase iguais, com excepção dos nomes próprios.
Curiosidade - na edição online, Vila do Conde vem apresentada como: " VILA DO CONDE, Cidade, sede de concelho e comarca, do distrito do Porto, arquidiocese de Braga (paróquias na margem direita do rio Ave) e diocese do Porto (paróquias na margem esquerda do rio Ave, e que constituem a grande maioria), com 19 990 h. O concelho é constituído por 30 freguesias, com 64 836 h.: além de produtos agrícolas tem indústria têxtil, de conservas, óleo de peixe, construção naval e as rendas de bilros. A vila fica na foz do Ave e já em 953 era chamada Vila do Conde. Entre os seus monumentos sobressai a imponente mole do Convento de Santa Clara com o aqueduto anexo ". O que não será completamente exacto, já que o primeiro nome da povoação terá sido "Villa de Comite".
Mas, mais importante, é que há hipertexto para quase todas as palavras ali empregues...
Dupont

Benjamin Netanyahu, Shimon Peres e Francis Fukuyama - e o Islão


Um interessante artigo na Weekly Standard, regista uma conferância, em Israel, onde estiveram presentes três pesos pesados: Benjamin Netanyahu, Shimon Peres e esse 'old favourite', Francis Fukuyama. O tema foi, precisamente, o de abordar o "fim da história" relativamente ao estado judaico.
O tão comentado "fim da história" é, recorde-se, "history displays a broad pattern of human progress; bourgeois civilization will not be transcended; history will terminate not in a socialist utopia but in liberal democracy and market capitalism; this conclusion is fortified by the empirical evidence of people around the world who have voted with their feet for freedom, democracy, and modernization; and it is further fortified by theoretical reflection on human nature which discloses the rationality of economic and political systems based on individual rights and the consent of the governed".
Fukuyama tem, igualmente, a sua opinião sobre o Islão: "the real democracy deficit is not in Muslim or predominantly Muslim countries but in Muslim Arab countries of the Middle East. And there the problem, he suggested, was not Islam, though he indicated it still awaits its Luther, but bad government and dismal economic prospects that produce an angry alienation on which purveyors of radical Islam prey"
Ou seja, para o pensador americano, o problema árabe não está tanto tanto na questão religiosa, mas antes nos maus governos que por ali habitam. Ora, já neste post se inidicava que o grande medo de organziações como o Al-Qaeda é, precisamente, a democracia, ou seja, a possibilidade de sindicar o exercício governativo dos líderes. Algo que, como sabemos, não é feito no Mundo Árabe. Por acaso, ou talvez não, Israel é um país democrático...
Dupont

terça-feira, março 23, 2004

Allez les bleus et blanches!!!!


Os "leões de vermelho" saíram vergados por 2-0. Penso que será suficiente. Já vejo Milão no horizonte. Il Duomo, a Galeria Vittorio Emmanuel, o alla Scala, o castelo Sforzesco, il Duomo, a igreja de Santa Maria delle Grazie, a Via Montenapoleone... Ah! E o Milan também...
Dupont

FCPorto-Olympique de Lyon


Entrei em estágio (da última vez que escrevi isto, as coisas correram bem- graças a Deus, não sou supersticioso...). Daqui a meia hora largo tudo e ala para o Dragão!
Dupont

Pedro Soares

O candidato a candidato à Presidência do Rio Ave, Pedro Soares, andou a enviar emails a este e a este vilacondense. Vá lá saber-se porquê mas, a nós, nada.
Cada um que tire as suas conclusões sobre o grau de democraticidade de certas pessoas...
Dupont

Rostos

Pelo excelente 'O Bisturi' fiquei a conhecer a cara de algumas dezenas de vítimas do 11-M. São iguais àquela que, todas as manhãs, encontro ao olhar-me no espelho, para iniciar a descontagem de mais um dia na caminhada para o fim. A eles, simplesmente, foi-lhes roubada a esperança de que esse fim ainda estava longe.
Dupont

Pegar em armas ou baixar os braços? - II


Mais achas para a fogueira. No Público, um exemplo maior de experiência e sensatez, Adriano Moreira, alerta para que "a retirada do Iraque não é, a meu ver, o mais indicado para um governo responsável. O futuro primeiro-ministro Zapatero, talvez por falta de experiência de governo, constituiu-se prisioneiro das suas palavras. Espero que tenha sido apenas o entusiasmo da vitória.". E quanto à negociação, estamos conversados: "A negociação é o valor, o método, da nossa cultura ocidental. É mesmo um dos valores fundamentais da atitude europeia. Nós devemos, pelo diálogo, resolver os problemas mas não é por cedências, é por evidências. Neste caso, não sabemos quem é a outra parte, não temos conhecimento do adversário, conhecemos mal a sua estrutura e funcionamento"
No Jornal de Notícias, Rui Diogo, doutor em Ciências (Universidade de Liège) e mestre em Globalização e Desenvolvimento Económico (Madrid) escreve "a meu ver, o povo espanhol, um povo relativamente imaturo em matéria democrática (em relação à maioria dos países da Europa Ocidental, tem uma democracia realmente bastante jovem), e também as suas entidades políticas, terão caído demasiado facilmente no jogo dos terroristas". Na sua opinião, perante as manifestações pacifistas, o que há a fazer é "deixar os terroristas desenhar o seu mundo, deixar que eles, por exemplo, dominem totalmente países como o Afeganistão, um bom exemplo do que os terroristas querem para o Mundo, arrastando a dignidade da mulher, e mesmo a liberdade do homem, para níveis abaixo de 0, e que nós obedeçamos, não os "provocando", deixando-os lá com as suas mortes e barbaridades nos 'seus países', e ao menos assim não sofremos as consequências aqui nos nossos queridos lugares. Que egoísmo, que hipocrisia, que estupidez.". E termina perguntando "Bali, por que foi feito o massacre de Bali? Foi a política externa dessa poderosa região? Participou Bali nas guerras ao Iraque e ao Afeganistão? Proibiu Bali o uso do véu? Será que já todos se esqueceram deste e de outros ataques, e da falta de lógica e coerência relativamente ao contexto que tanto defendem os 'entendedores do terrorismo'?"
Veja-se, igualmente, no mesmo sentido, este brilhante post do Liberdade de Expressão:
"A Al Qaeda atacou a Indonésia e a Indonésia nem sequer participou na guerra do Iraque ... Só que o ataque foi contra um bar cheio de australianos ... e a Austália participou na guerra do Iraque.
A Al Qaeda atacou em Marrocos, e Marrocos não participou na guerra do Iraque ... Só que um dos alvos era espanhol ...
A Al Qaeda atacou na Turquia e a Turquia até impediu que os EUA entrassem no Iraque pelo Norte ... Só que atacou interesses britânicos ...
"
Dupont

Lucien Freud


Gosto imenso da obra deste pintor britânico, cujo auto-retrato se pode ver na imagem. Em alguns aspectos, especialmente na estética utilizada para mostrar o corpo humano, recorda-me Paula Rego, uma eterna favorita minha.
Pelo Sunday Times fiquei a saber que muitos dos quadros de nu que Freud pintou represetam as filhas, que posaram para ele. Não teria grande relevo se elas não divulgassem que faziam questão de posar como modelos. Porquê? Pela simples razão de que era a única forma de estarem junto dele e de chegarem à conversa com o pai. E quem o diz são as filhas que praticamente não puderam dar-se com ele, em virtude dos divórcios e do facto de o pai não lhe ligar. Rose, por exemplo, nem sequer falava, apenas ouvia o pai a falar sobre um sem número de assuntos. E fazia tudo para que aqueles momentos acontecessem. Hoje, o mestre tem 81 anos e todas as filhas dizem que o adoram. O outro Freud teria aqui um excelente campo de investigação...
Há pessoas que passam pela vida à procura do amor. Outras. têm-no mesmo à sua frente e não o conseguem ver.
Dupont

Ai - Animal irracional - 57

Novembro de 1999 - Em Singapura, no Shanghai World Animals Park. existem 13 "comboios" que permitem aos visitantes desfrutar da visão de animais selvagens em liberdade. Nem será preciso dizer que é estritamente proibido sair dos veículos.
X., de 41 anos, motorista, não pensou assim. Quando um dos atrelados se soltou, porque a corda que unia os vagões se desamarrou, não esteve com meias medidas: abriu a porta e foi atar o nó. Por azar, o tour encontrava-se nas imediações do habitat dos tigres. Mal os felinos viram X., nem hesitaram e atacaram-no, perante o horror das 40 crianças que assistiam, impotentes, ao drama.
Num parque natural, estupidez natural...
Dupont

Eu, pecador, me confesso


Este fim de semana comprei "A Gula". Uma revista que é um pecado. Pratos fabulosos, sobremesas majestosas e, claro, calorias por todo o lado. Que mal fiz eu a Deus para me sentar à mesa com o colesterol, os triglicerídeos e o ácido úrico, todos unidos e sempre omnipresentes?
Dupont

segunda-feira, março 22, 2004

Pegar em armas ou baixar os braços?


No Sunday Times, um belíssimo e extensíssimo artigo de Andrew Sullivan, “Europe’s Appeasers”, mostra surpresa e preocupação pelo resultado eleitoral espanhol. “Perante um assassinato em massa, o eleitorado espanhol votou para dar à jihad o que eles reclamavam: a retirada das tropas espanholas do Iraque. O 11 de Março foi uma reprise do 11 de Setembro. Mas desta vez funcionou. Em vez de se levantarem em raiva contra os assassinos do novo movimento fascista do Mundo islâmico, como o fez os Estados Unidos, a Espanha fez o contrário: desistiu. Na esperança de evitar futura violência, o vitorioso Partido Socialista reiterou a sua decisão de abandonar o Iraque ao caos e à revolução islamita. É raro terroristas conseguiram uma vitória tão clara”. O problema agora é que “a Al-Qaeda aprendeu uma coisa importante em Madrid: se resultou uma vez, porque não tentar de novo? Tony Blair é um alvo bem mais tentador do que José Maria Aznar”…
Evoluindo o seu raciocínio, o autor defende que os terroristas cometeram um erro ao menosprezarem a América, imaginando que a amedrontavam. A prova desse erro encontra-a em quatro factos: a perda do estado-amigo Afeganistão pela Al-Qaeda, a queda do aliado anti-americano Saddam Hussein, a regeneração da Líbia e, “o pior do ponto de vista dessa organização”, a possibilidade de surgirem dois estados muçulmanos democráticos: o Iraque o Afeganistão.
Andrew Sullivan irrita-se como facto do The Guardian não conseguir chamar aos terroristas “bad guys” e defender a realização de uma “conferência internacional”, ou seja, um certo diálogo, para se obter a paz. “O que temos aqui é um completo niilismo moral na presença de uma violência inqualificável”.
E deixa o alerta de que a grande vítima do terrorismo será sempre a Europa. Pela proximidade geográfica, pela diminuição demográfica e “invasão” de imigrantes e pela ilusão de que as ameaças que sobre ela pairam são culpa da América. Porque os verdadeiros objectivos destes terroristas são claros: “expulsão dos infiéis de todas as terras islâmicas, subjugação do pluralismo político pelo teocracia fascista, a eliminação de todos os judeus independentemente de onde estejam, a escravidão para as mulheres, o assassínio dos homossexuais e a expansão do Islão para lá das fronteiras a que está confinado”.
Já aqui o dissemos: a negociação com os terroristas é uma coisa de doidos. Não é viável, não traz resultados positivos e, pior de tudo, viola a nossa tradição político-jurídica. Na verdade, ao contrário do que se passa em países com outras tradições jurídicas, nós não prevemos a possibilidade de dialogar com o criminoso, propondo acordos. Por exemplo, um assassino pode ser libertado por uma qualquer asneira processual, saindo em liberdade, mas jamais poderá negociar a extensão da usa pena ou até a desistência do procedimento criminal contra si instaurado. Parece impossível que um jurista como Mário Soares possa admitir algo que nem sequer tem suporte nas nossas raízes jurídicas.
É claro que, no meio de tudo isto, há ainda um inimigo suplementar: a comunicação social. Educada em escolas de jornalismo onde pontificam pensadores e filósofos de esquerda, a nossa classe jornalística exulta sempre que a esquerda vence. Basta recordar aquela jornalista da SIC que, na noite eleitoral que deu a segunda vitória a Guterres lhe perguntou: “Senhor Primeiro-Ministro, como viu esta nossa vitória?”. Ou então, na última ‘Visão’, que tinha como entre-título “O dia da vingança”, referindo-se ao Domingo das eleições, em Espanha…



Mas uma coisa é certa. A Espanha parece decidida a retirar as tropas. No El Pais de ontem, José Luís Zapatero dá uma entrevista, longa e densa, com quatro páginas. E, claro, alinha com os socialistas europeus: “a melhor resposta é a comunidade mundial da informação. Tem que haver muito mais cooperação entre os serviços de informação. E, sem dúvida alguma, devemos reduzir, ao máximo, os focos que produzem fanatismo e violência. Isto é dizer que solucionar o problema entre Israel e a Palestina é politicamente imprescindível dentro da estratégia geral de segurança no Mundo e perdemos demasiados anos sem conseguir resultados”. Aqui, bastam-me as palavras do colunista do “Sunday Times: “Desculpe, senhor Zapatero, mas a libertação de milhões de pessoas de dois dos mais brutais estados-polícia da história jamais poderá ser considerada um desastre. Só revelar esse sentimento significa haver perdido todo e qualquer significado do que é moral”.
Mas o novo chefe do executivo espanhol é contra a guerra ao terrorismo: “Ao terrorismo não se ganha, nem se derrota com guerras. A guerra é o último recurso e, em todo o caso, é apenas um instrumento de luta entre países que nunca pode ser um meio de luta eficaz para reduzir ou combater grupos fanáticos, radicais ou criminais”. E, tal como Andrew Sullivan já alertava, também Zapatero vai pelo diálogo: “É necessário abrir um grande debate internacional cobre como se devem fazer as coisas para que nunca se volte a repetir uma intervenção militar como a do Iraque”.
Ou muito me engano, ou Espanha já tem o seu Guterres… Mas o mais significativo de tudo isto é o facto de se notar, claramente, que há nos socialistas um sentimento de capitulação. De que é preferível uma paz podre e a ideia de segurança em tempo curto, a um conflito aberto, caro e eventualmente sangrento, mas que, a longo prazo se traduziria numa segurança bem mais alicerçada.



Curiosamente, o dossier do Sunday Times abre com uma foto de Neville Chamberlain recortada com a silhueta da Península Ibérica. Nessa imagem, que é feita a partir daquela que mostramos, o primeiro-Ministro britânico exibe, orgulhoso, um pedaço de papel, que assegurava à Inglaterra que Hitler jamais entraria em conflito com ela. O tempo, como se sabe, encarregar-se-ia de revelar o engodo em que o governo britânico havia caído.
Nem de propósito, no dia anterior, nas páginas do Expresso, João Pereira Coutinho alinhava pelo mesmo diapasão: “Há 60 anos, num quadro de horror sem paralelo, a recusa de rendição salvou a Europa e o mundo. Sessenta anos depois, a Espanha trocou uma luta necessária por uma ilusão de segurança – uma mensagem de cobardia e capitulação que o terrorismo não esquecerá. Cuidado, Europa, este é o caminho para a servidão”. E o nosso irreverente cronista continua: “O appeasement – a ideia de que é possível «negociar» com o ódio – nunca poupou o Ocidente. Foi emergindo em momentos críticos da História – e a Inglaterra, depois do episódio Chamberlain, voltou a conhecê-la em plena guerra, corria Maio de 1940. (…) Entre 24 e 28 de Maio o destino da Europa oscilou entre a «negociação» com Hitler (proposta de Halifax) e a vontade de o destruir (única opção para Churchill). A coragem de Winston prevaleceu”.
Recordo, aqui, algumas famosas palavras:
I have myself full confidence that if all do their duty, if nothing is neglected, and if the best arrangements are made, as they are being made, we shall prove ourselves once again able to defend our island home, to ride out the storm of war, and to outlive the menace of tyranny, if necessary for years if necessary alone.
(…)
We shall go on to the end;
We shall fight in France, we shall fight on the seas and oceans;
We shall fight with growing confidence and growing strength in the air;
We shall defend our island, whatever the cost may be;
We shall fight on the beaches, we shall fight on the landing grounds;
We shall fight in the fields, and in the streets;
We shall fight in the hills;
We shall never surrender,
(…)

A História será justificação suficiente? Ou precisamos de bater com a cabeça contra a parede para saber se ela é dura?
Dupont

Fome …de qualidade e critérios


No velho Oeste, num forte de cow-boys, ouviu-se ao longe uma enorme cavalgada. Diz o comandante:
-“Cabo, suba lá cima e veja o que é!”.
Cumprindo a ordem, o homem chega lá cima e informa:
-“São índios, meu comandante!”
- “E são muitos, cabo?”
- “Mil e um”.
- “Como é que sabes?” – inquiriu, espantado, o comandante.
- “À frente vem um e atrás para aí uns mil…”
- “E são amigos ou inimigos?” - insistiu o comandante.
- “Devem ser amigos. Vêm todos juntos…”
Recordei-me desta história quando li, ontem, no Público, a leviana reportagem sobre a fome em Portugal. O Abrupto, o Blasfémias, o Barnabé, o Causa-Nossa, já falaram nisso, (dos obrigatórios, faltou o Bloguítica) sob vários pontos de vista, mas convém esmiuçar mais um pouco.
Leonor Vasconcelos Ferreira diz “não haver dados fidedignos” sobre as questões alimentares. Alfredo Bruto da Costa “admite que não há consenso quanto ao método científico para qualificar a pobreza”. Depois, há dois estudos pormenorizados. Um, de Sofia Guiomar, nutricionista do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, que “em 2002 fez uma investigação com 102 agregados familiares de Évora, Beja, Baião, Setúbal e Porto” que recorriam a formas de apoio alimentar. Finalmente, e para não nos alongarmos com mais exemplos, o “Observatório Nacional de Saúde estudou 647 unidades de alojamento com telefone fixo em Portugal continental”.
Todos estes senhores e entidades têm mais dúvidas do que certezas e a amostragem é ridícula – 102 famílias? Quem não tem dinheiro para comer tem dinheiro para telefone? Mesmo assim, aquele jornal, as televisões e os políticos não hesitaram em avançar com números redondos para “esclarecer” a opinião pública.
Ninguém teve a honestidade de esclarecer que havia dúvidas nos investigadores quanto aos métodos e quanto às amostras. Como ninguém se lembrou de fazer uma coisa simples: comparar estes dados com os que existiam de há dez, vinte ou trinta anos atrás. Ou a fome é um fenómeno do século XXI?
Nesta sociedade, não interessa informar. O que interessa é escandalizar.
Ainda há quinze dias, o Expresso revelava que havia 1,5 casas por cada português. E, se bem me recordo, cerca de 70% vivia em casa própria. E, nas conclusões, afirmava-se que isto era a prova de que os números sócio-económicos do nosso País não estavam certos e que havia uma realidade escondida que escapava às contas oficiais. Dizia o artigo que a conclusão era de que não seríamos assim tão pobres como fazemos crer.
Como harmonizar estes dois “estudos”? E porque é que o estudo “positivo” teve muito menos impacto do que este “negativo”?
Bem, isso até eu sei a resposta: “There’s no news like bad news
Dupont

domingo, março 21, 2004

UB40


Esta noite, no Coliseu do Porto. Não vou lá estar, mas vou brindar com

Red red wine goes to my head
Makes me forget that I still need you so

Red red wine
It's up to you
All I can do I've done
Memories won't go
Memories won't go

(...)

Dupont

Enciclopédias…


O Público lançou hoje uma enciclopédia. Acho bem. Nada como popularizar a cultura, nem que seja a 9,20 euros por semana, o que dá 174,8 euros, um bom preço para se ter uma fila de vinte volumes na estante. Porque como enciclopédia é muito fraquinha. Encontra-se mais quantidade e melhores conteúdos na net, e a melhor preço… A moda está a pegar, pois o Correio da Manhã teve a mesma ideia e até começou primeiro e o Diário de Notícias já avança com outra, mas em CD-ROM.
Confesso que gosto muito de livros de referência: dicionários e enciclopédias, com a descendência de enciclopédias especializadas e dicionários temáticos. Tenho vários exemplares atrás de mim, o que deve ser interpretado no sentido literal e figurado…Já Aldous Huxley dizia que ler a Enciclopédia Britânica diariamente era a coisa mais estimulante do seu dia-a-dia. Nunca me deu para tal, mas tenho um prazer enorme em ir procurar informação a uma enciclopédia. Até tenho histórias com enciclopédias: ainda me lembro do dia em que, com um sorriso malandro, perguntei ao meu pai como é que os bebés se formavam – fartinho de saber estava eu… E o que é que ele fez? Visivelmente atrapalhado, mas sem perder a compostura, levantou-se e sacou do volume da Enciclopédia Verbo referente a ‘reprodução’. Uma sorte incrível fez com que aquela entrada estivesse acompanhada de desenhos esquematizados, o que, definitivamente, o salvou.
Na verdade, as enciclopédias procuram condensar muito do saber humano. O sonho é condensá-lo todo. Tarefa impossível, sem dúvida, muito embora já se estivesse mais longe pois, com o advento da net, nunca tanta informação ficou ao alcance de um clic. Uma internet onde cada um tivesse um login, onde partilhasse o seu saber, onde tivesse acesso a toda a informação disponível seria, sem dúvida, a corporização do conhecimento humano. Nessa altura, Deus começaria finalmente a materializar-se…
Dupont

Dia da Poesia



Romance de Vila do Conde
de José Régio

Vila do Conde, espraiada
Entre pinhais, rio e mar!
- Lembra-me Vila do Conde,
Já me ponho a suspirar.

Vento Norte, ai vento norte,
Ventinho da beira mar,
Vento de Vila do Conde,
Que é a minha terra natal!
Nenhum remédio me vale
se me não vens cá buscar,
Vento norte, ai vento norte,
Que em sonhos sinto assoprar...

Bom cheirinho dos pinheiros,
A que não sei outro igual,
Do pinheiral de Mindelo,
Que é um belo pinheiral
Que em Azurara começa
E ao Porto vai acabar...
Se me não vens cá buscar,
Nenhum remédio me vale
Nenhum remédio me vale,
Se te não posso cheirar...

Vila do Conde espraiada
Entre pinhais, rio e mar!
- Lembra-me Vila do Conde,
Mais nada posso lembrar.
Bom cheirinho dos pinheiros...
Sei de um que quase te vale:
É o cheiro da maresia,
- Sargaços, névoas e sal -
A que cheira toda a vila
Nas manhãs de temporal.
Ai mar de Vila do Conde,
Ai mar dos mares, meu mar!
Se me não vens cá buscar,
Nenhum remédio me vale,
Nenhum remédio me vale,
Nem chega a remediar

Abria de manhãzinha,
As vidraças par em par.
Entrava o mar no meu quarto
Só pelo cheiro do ar.
Ia à praia e via a espuma
Rolando pelo areal,
Espuma verde e amarela
Da noite de temporal!
Empurrada pelo vento,
Que em sonhos ouço ventar,
Ia à praia e via a espuma
Pelo areal a rolar...

Vila do Conde espraiada
entre pinhais rio e mar...
Dupont

Salas de Cinema

No Público: "O Porto perdeu salas ao longo dos últimos anos? Basta fazer as contas. Dentro do perímetro da cidade, já só restam cinco - cinco salas de cinema para 260 mil habitantes. A comparação com Lisboa é esmagadora: 94 salas para 560 mil habitantes. Pouco mais do dobro dos habitantes, dezoito vezes mais salas".
Para que conste, em Vila do Conde não há salas de cinema vai para quê? 10 anos, 15 anos? 20 anos? Alguém se preocupa?
Manuel Pereira Maia, no Terras do Ave, já alertara para a diferença de atitude entre Póvoa de Varzim e Vila do Conde. Segundo conta, foi atacado noutro jornal porque "ousei comparar o comportamento da "santíssima" Câmara Municipal de Vila do Conde com a "desprezível" Câmara Municipal da Póvoa de Varzim. Enquanto esta, perdido que foi o subsídio para recuperar o Cine-Teatro Garrett, arregaçou as mangas e se pôs ao trabalho de recuperação daquele edifício histórico (como a foto ilustra), a de Vila do Conde continuou sentada, a tomar café, de mão estendida, à espera que chova o habitual dinheirinho estatal."
Dupont

Os maiores!


Boa, Ricardo! Boa, Beto!
Uma noite de gala!
Vocês são os maiores, pá!
Nem o Baía, com o seu nome de ressonâncias geográfico-aquáticas, consegue meter tanta água!
O Ricardo Carvalho? Isso lá é nome de homem, Beto?
Agora se percebe que porque é que o Scolari aposta tanto em vocês!.
Os maiores, pá!
Vejam lá, continuem a ajudar o Sporting na luta pela Taça de Portugal, o Campeonato Nacional e naquela competição europeia que não me recordo...
Se a bola entrar não tem importância - qualidade de exibição acima de tudo.
Os maiores, pá!
Ainda vão longe!
Na Selecção façam o mesmo, pá! Não se esqueçam! Por todos nós!
Acreditem na vossa luz interior! Daqui a pouco, sereis titulares do Real Madrid ou do Bayern. Do Manchester não, que esses gajos não percebem nada de bola e só vos desqualificavas.
No mínimo, pá!
Qual Baía, qual Ricardo Carvalho, qual carapuça, pá, Portugal inteiro adora-vos!
Os maiores, pá!
Dupont

Ainda o jogo desta noite


Os golos da nossa equipa foram excelentes. No entanto, gostava de realçar o último (na imagem), no qual sobressaiu a qualidade técnica dos nossos bravos atletas, com especial destaque para o Miguelito (brilhante a sentar Tinga) e Evandro, que foi soberbo no remate.
Estamos com 40 pontos à 28ª jornada. Jogamos com enorme qualidade. Em Vila do Conde pratica-se futebol de nível europeu.
(imagem do blog rioave.blogs.sapo.pt)
Dupond

Rio Ave - Sporting


Acabado de chegar do Estádio dos Arcos, confesso que estou ainda a viver com imensa intensidade a enorme alegria surgida com o jogo desta noite. Foi simplesmente FABULOSO!
O Rio Ave controlou o jogo desde o primeiro até ao último minuto, conseguindo transformar o Sporting numa equipa perfeitamente vulgar. Marcamos 4 golos, mas poderíamos ter marcado pelo menos outros 4, isto considerando apenas as oportunidades de golo flagrante de que os nossos jogadores disfrutaram.
Muitos parabéns a toda a equipa e ao Carlos Brito, que de uma forma emocionada dedicou o momento desta noite à sua esposa, recentemente falecida.
Numa linguagem à Mourinho somos forçados a classificar esta vitória com uma simples palavra: FANTÁSTICO!
(imagem do blog rioave.blogs.sapo.pt)
Dupond

sábado, março 20, 2004

Mário Soares II


As recentes declarações de Mário Soares em que convém negociar com a Al-Qaeda, não podem ser vistas como estapafúrdias, mas apenas como hilariantes... A primeira página do Expresso, por exemplo, traz duas notas sobre isso: "PS perplexo com Soares", referindo que o partido se demarca da proposta do seu fundador, e uma nota editorial, em que se recorda as palavras de Alan Minc, de que os intelectuais europeus perderam a vitalidade.
Por vezes, na faculdade, ficava estupefacto como, sobre uma qualquer questão, se me apresentava um rol infindável de oposições. Um dia perguntei a um dos professores se algumas dessas questões eram, realmente, assim tão controversas. Cheio de bonomia, sorriu e comentou qualquer coisa como: "sabe, por vezes, tomam-se posições apenas para ficar na história. Assim, quando alguém se debruçar sobre o tema, vai ter de referenciar todas as posições já tomadas sobre a matéria. Por isso, mesmo que seja disparatada, conquistou a imortalidade".
Mário Soares está na mesma onda. Dizendo o maior dos disparates, tem cobertura assegurada. Qualquer dia ainda o vamos ver defender uma ponte de cristal sobre o Tejo ou a mudança da língua nacional para o "seu" francês... Ficará para a história.
Dupont

Edward Said e Joe Sacco (e Mário Soares I...)


Grande destaque no suplemento "Mil Folhas", do Público, para a produção cultural emergente da questão israelo-palestiniana. Edward Said, falecido em Setembro passado, é alvo de vários artigos e de uma recensão bibliográfica. Recorde-se que aquele professor universitário, crítico literário e músico, destacou-se sempre por uma certa ambiguidade, fruto de uma vivênncia peculiar, pois nasceu "cristão numa sociedade muçulmana" e foi "árabe em escolas inglesas, palestiniano de cidadania americana". Esta sua situação levou-o a defender quer as posições palestinianas, quer as judias, o que lhe valeu o ódio de ambos os lados...
Agora, 25 anos depois, é finalmente lançada a sua obra-prima: "Orientalismo", onde "defende que há uma relação profunda entre cultura e poder, de tal maneira que as representações culturais entre grupos sociais ou entre países reflectem as relações de poder que há entre eles. Quanto mais desigual é essa relação mais enviesada é a representação do mais poderoso a respeito do menos poderoso. Foi assim, segundo ele, que se criou no Ocidente a imagem dos orientais, e nomeadamente dos árabes, como sensuais, corruptos, preguiçosos, atrasados, violentos, em suma, perigosos. Nos dois últimos séculos esta imagem legitimou o poder do Ocidente sobre o Oriente, sobreviveu ao fim do colonialismo e continua hoje a ser o fundamento da política internacional sempre que estão em causa estas duas regiões geopolíticas e geoculturais. O exemplo mais dramático da sua vigência é o tratamento internacional do conflito israelo-palestiniano" (Boaventura Sousa Santos, in Visão). O seu contributo para o estudo do pós-colonialismo foi fundamental e, ainda hoje, é impossível racionalizar sobre o tema sem referir Said.


O segundo destaque vai para Joe Sacco, que vê publicado, em português, o seu díptico "Palestina", com os subtítulos: "Uma Nação Ocupada" e "Na Faixa de Gaza". Sacco é jornalista, mas é também autor de BD, o que faz com que certos críticos a apelidem de jornalismo... O seu estilo faz lembrar, algumas vezes, o do mestre Robert Crumb, e inclui-se, claramente, na estética indie norte-americana, onde mais do que a forma, o conteúdo é que é importante. Para o prefaciar o primeiro volume um infeliz qualquer convidou Mário Soares. Escreve o ex-Presidente da República: "habituei-me, desde muito cedo, ao gosto da leitura e os desenhos, por melhores e mais impressivos que sejam, perturbam-me a leitura.". Por amor de Deus, senhor Doutor, não percebeu que era uma obra em banda desenhada?
De qualquer forma, penso que a obra está sobrevalorizada. Apesar de ter recebido o Amercican Book Award e de ser incidentalmente panfletária, o certo é que falta-lhe a arte e a inteligência de, por exemplo, Art Spiegelman, no seu fantástico "Maus", sobre o Holocausto.
Dupont

Mercedes McCambridge


Morreu a actriz Mercedes McCambridge. Nunca chegou ao estrelato principal de Hollywood, mas era um portentosa actriz. Fiquei a conhecê-la através das referências insitentes de João Bénard da Costa, ainda na primeira fase d'O Independente, nos seus sempre brilhantes artigos sobre o Mundo do Cinema em especial no "filme da sua vida", "Johnny Guitar", em que se degladiava com a fabulosa Joan Crawford..
Curiosamente, o filme que nunca mais me fez esquecê-la foi "All The King's Men/A Corrupção do Poder", uma história intemporal sobre um jovem advogado a quem o poder irá corromper e tornar num ditador brutal e prepotente. Como se depreende, o filme é uma acusação ao todos aqueles que usam o poder de forma arrogante e anti-democrática, como os iatdores fascistas. Não por acaso, o filme, datado de 1949, apenas foi visto, pela primeira vez em Portugal, trinta anos depois, em 1978, na RTP. McCambridge interpreta a sua jovem assitente e amante, com quem faz uma parelha inseparável e entre quem tudo é discutido. No final, quando o mundo parece desabar, ela questiona toda a sua vida. Ganhou o Óscar neste seu papel de estreia.
Em "Johnny Guitar" tem mais um papel de mulher explosiva, ou de "pêlo na venta" como por aqui se diz... Outras referências foram "O Gigante", "O Adeus às Armas" e "O Exorcista", onde deu voz a Pazuzu, o demónio.
Dupont

Mário Almeida I

O Presidente da Câmara acabou de dar uma entrevista à Rádio Onda Viva. Confirmou que vai ser candidato à Presidência da Autarquia em 2005 e que vai alterar a equipa. Apesar de estar “extraordinariamente” satisfeito com o trabalho dos seus colegas, Almeida disse que “estão criadas condições para que haja uma ou outra alteração”. Quem será convidado a sair? Ou de outra forma, quem não aceitará continuar?
Será Abel Maia, que se tem mostrado agastado com o protagonismo de António Caetano e algo cansado de tanto esperar pela possibilidade de substituir Mário Almeida?
Será António Caetano, devido à sua forma de ser demasiado arrogante no contacto com os funcionários camarários e às quezílias internas com Abel Maia?
Será José Manuel Laranja, o Vereador do ambiente, aspecto que é hoje em Vila do Conde, um dos que mais se tem agravado, sendo uma nódoa negra da gestão socialista?
Será Elisa Ferraz, que sendo a menos politizada é por isso a mais dispensável, já que é autónoma face à máquina partidária e desapegada dos interesses e do ao poder que se sente cada dia de forma mais intensa no PS Vilacondense?
Dupond

Mário Almeida III

Ao melhor estilo de Jorge Sampaio, Mário Almeida insiste num irritante “pá” no fim de cada frase. Este seu tique é particularmente evidente quando fala de assuntos que não lhe interessam ou quando se refere à oposição.
Fica-lhe mal e arranha o nosso ouvido.
Dupond

Mário Almeida II

Um dos temas mais abordados durante a entrevista foi a sondagem que a Câmara (ou o PS) mandou fazer e que Miguel Paiva revelou esta semana. Mário Almeida diz que não compreende o porquê da oposição falar disso, pois os resultados indicam que 80% da população aprova a sua acção na liderança do município.
Quando o entrevistador pretendeu aprofundar outros dados da sondagem, Mário Almeida disse que não podia responder, pois ainda não tinha recebido todos os resultados da mesma.
Em que ficamos? A sondagem já está entregue ou não? Se não está, como são transmitidos dados “simpáticos”, não se divulgando outros?
O tom geral de Mário Almeida quando este tema foi abordado foi de algum incómodo. Sentia-se que não era o que ele gostaria de falar, pois tentou várias vezes fugir deste assunto e mudar a conversa.
Dupond

Mário Almeida IV

Foi revelada uma boa notícia. Há uma empresa que está interessada em instalar-se em Portugal, tendo a API sondado a Câmara Municipal quanto à disponibilidade de um terreno de 80 hectares (800.000 m2) para esse efeito. Não foi dito qual o grupo, nem o sector. O Vilacondense vai investigar.
Dupond

Mário Almeida V

Na qualidade de Presidente da Assembleia Geral do Rio Ave, Mário Almeida confirmou que os estatutos prevêem o mês de Outubro para a realização das eleições para os orgãos sociais do clube. Como Presidente da Assembleia Geral “muito interventivo”, confirmou que já pediu a Carlos Costa para continuar mais um mandato.
Sobre outros possíveis candidatos, disse que "não leva a sério" a possível candidatura de Pedro Soares, pois “apesar de ter boa impressão dele”, não lhe vê características para ser Presidente do Rio Ave.
Dupond

Banda Sonora dos tempos que correm...


Armageddon Days (Are Here Again)

Are you ready for Jesus?
Uh huh
Buddha?
Yeah
Muhammad?
Ok
Well, I like this
Let's Go

They're 5 miles high as the crow flies
Leaving vapour trails against a blood red sky
Moving in from the East towards the West
With Balaclava helmets over their heads, yes

But if you think that Jesus Christ is coming
Honey you've got another thing coming
If he ever finds out who's hi-jacked his name
He'll cut out his heart and turn in his grave

Islam is rising
The Christians mobilising
The world is on its elbows and knees
It's forgotten the message and worships the creeds


It's war, she cried
It's war, she cried
This is war
Drop your possessions all you simple folk
You'll fight them on the beaches in your underclothes
You'll thank the good Lord for raising the Union Jack
You'll watch the ships sail out of harbour
And the bodies come floating back
Watch the ships sail out of harbour
And the bodies come floating back

But if you think that Jesus Christ is coming
Honey you've got another thing coming
If he ever finds out who's hi-jacked his name
He'll cut out his heart and turn in his grave

Islam is rising
The Christians mobilising
The world is on its elbows and knees
It's forgotten the message and worships the creeds


"Get the gun, get the gun, get the gun"
"Stay away from the gun, stay away from the gun"

If the real Jesus Christ were to stand up today
He'd be gunned down cold by the CIA
Oh, the lights that now burn brightest behind stained glass
Will cast the darkest shadows upon the human heart
But God didn't build himself that throne
God doesn't live in Israel or Rome
God doesn't belong to the yankee dollar
God doesn't plant the bombs for Hezbollah
God doesn't even go to church
And God won't send us down to Allah to burn
God will remind us what we already know
That the human race is about to reap what it's sown

Islam is rising
The Christians mobilising
The world is on its elbows and knees
It's forgotten the message and worships the creeds


The world is on its elbows and knees
It's forgotten the message and worships the creeds
The world is on its elbows and knees
It's forgotten the message and worships the creeds
The world is on its elbows and knees
It's forgotten the message and worships the creeds

Armageddon days are here again
Armageddon days are here again
Armageddon days are here again
Armageddon days are here

Matt Johnson/The The, 1989
Dupont

Informação, desinformação, manipulação e opinião

No Abrupto, JPP alerta para a forma como a informção nos é fornecida pelos meios de comunicação social. Na sua opinião, a filtragem é evidente, manipulando a opinião pública.
No Blogouve-se, na posta "Factos e opinião - a separação", João Paulo Meneses disserta sobre o momento em que os jornalista passam a comentadores.
Dois textos a ler. E a reflectir.
Dupont

Mais uma invenção portuguesa


Alunos da Universidade de Coimbra, em ligação com os da Universidade de S. Paulo, Brasil, acabam de divulgar a criação da primeira árvore cervejeira. Segundo disse o chefe da equipa de proto-cientistas, Vaiuma Bejeca, todo o trabalho teve um fim altruísta: contribuir para a diminuição da despesa estudantil anual em cerveja.
Fontes anónimas garantem que os conselhos de administração da Unicer e da Centralcer estão reunidos de emergência, face à divulgação desta extraordinária conquista científica. Até, porque, entretanto, os investigadores já solicitaram a Carlos Encarnação, Presidente da Câmara Municipal de Coimbra, uma reunião onde irão propôr ceder a sua invenção à autarquia, a título gracioso, mas com a contrapartida de substituir todas as árvores, em todos os jardins da cidade, pelos exemplares da árvore cervejeira.
Entretanto, presidentes das Associações Académicas, deste e doutros países, rumam à "Cidade dos Estudantes"...
Dupont

Susto!


Até nos caíram os pés quando lemos isto, no Bloguítica!!! Obviamente que não concordamos com a utilização do nosso nome para engrandecer essas duas mais-do-que-discutíveis personagens !...
Dupond & Dupont

sexta-feira, março 19, 2004

Bancada Central


... é o nome de um popular programa de Rádio, que todas as noites anima os serões da TSF. Para quem não conhece, pode dizer-se que é uma espécie de Forum TSF dedicado ao desporto, o que em 95% dos casos significa ao futebol. Apresentado pelo simpático Fernando Correia, um jornalista que apesar de simpatizante do Sporting consegue ser isento e "arbitar" com imensa paciência as intervenções dos ouvintes.
Quando me encontro em viagem à hora do programa ouço-o. Os clientes são sempre os mesmos e alguns até já se tornaram gente importante. As intervenções são também sempre do mesmo estilo, com picardias constantes entre os adeptos dos 3 grandes (Porto, Benfica e Sporting), pulvilhadas amiude com uma rudeza nada consentânea com a elevação que o apresentador cultiva.
Apesar de tudo isto, julgo que o programa tem bastante audiência e, da minha parte, confesso que gosto de o ouvir. Ao fazê-lo, sinto que estou a ser levado pelo mesmo tipo de curiosidade que me leva a folhear a Caras quando estou numa sala de espera. É uma espécie de "voyerismo" futebolístico misturado com a componente lúdica que envolve estarmos a ouvir indivíduos a mandar bocas uns aos outros a propósito das declarações do Mourinho ou da "rasteira fora da área que o árbitro do Porto-Benfica de 1985 transformou em penalty, porque na noite anterior tinha sido visto na boite de um senhor muito conhecido acompanhado por duas sobrinhas do dito cujo, percebe o que eu quero dizer, não é Sr. Fernando Correia?".
Por vezes o "dono" do programa tenta remar contra esta maré. Ontem foi um desses dias. Para tal, convidou para estar em estúdio a atleta Naide Gomes, Campeão do Mundo de Atletismo em Pista Cobrta na disciplina de Pentatlo e Rui Silva, Vice Campeão em 3.000 metros. Depois de uma conversa inicial, Fernando Correia deu a voz aos ouvintes para estes se pronunciarem. Foi uma desgraça.
O primeiro ouvinte começou logo saudar a atleta em 10 segundos, falando os restantes 3 minutos dos arbitros e coisas do género. O segundo fez o mesmo, tendo tentado responder a "um ouvinte que veio para aí falar de tomates e hortaliças". Fernando Correia com a sua infinita paciência conseguiu demovê-lo. Enquanto isto, a Naide permanecia calada. O terceiro, mais atendo ao atletismo deu os parabéns a Naide Gomes pela medalha, enaltecendo o facto de o pentátlo ser "uma prova muito dificil, pois inclui 8 disciplinas, não é Sr. Fernando Correia?" "Não, o pentatlo tem só 5..." lá disse o locutor. "Ah... pois é isso mesmo..." lá disse o entendido para fugir imediatamente do atletismo e entrar futebol adentro.
Como já disse há alguns dias, o desporto em Portugal resume-se ao futebol. O povo não quer mais nada nem sabe apreciar mais nada. O exemplo daquilo que ouvi ontem é a confirmação disto mesmo. Com uma agravante: demonstraram todas uma enorme falta de respeito com uma extraordinária atleta.
Respeito? Que raio é isso?
Dupond

As vontades da esquerda

Absolutamente obrigatóra a leitura da coluna de Vasco Pulido Valente, hoje, no Diário de Notícias. Uma análise sobre a esquerda, o seu comportamento e, principalmente, a denúncia dos seus objectivos e métodos. Não costumamos recorrer ao copy+paste de artigos mas, neste caso, impõe-se.
"O programa
O PSOE ganhou. Sobre isso, um comentário. Quando chegou a Paris, depois de ter entregue a Checoslováquia a Hitler e garantido a guerra a troco de um papel e de um ano de paz, Daladier, o primeiro-ministro da França, encontrou uma enorme multidão no aeroporto. Supôs que o iam matar. Não iam: foi um triunfo. «Idiotas», disse ele. De facto. Seja pelo que for, e sabendo ou não o que fazia (o sentimento e a virtude aqui não contam), o eleitorado espanhol escolheu uma política, a da Esquerda. E o que é essa política? Na ordem externa, isolar a América e reduzir a influência americana no mundo; transformar a UE num Estado federal (com uma Constituição e uma polícia própria); negociar com todo o terrorismo (como Soares já recomendou); e só abandonar uma neutralidade de princípio por um interesse evidente da «Europa». Na ordem interna, ceder a qualquer espécie de separatismo (a benefício de Bruxelas); impor uma tutela pública às multinacionais (porque se trata de uma «gigantesca Máfia»); e persistir num inviável «modelo social». Este programa, também defendido por Soares e, com nuances, pela Esquerda portuguesa inteira, não passa do clássico programa do apaziguamento e da trincheira com que sempre se espera resistir à mudança e ao perigo. Mas reflecte com exactidão a vontade da «Europa». Como aconselhava Salazar, a «Europa» quer que a deixem viver «habitualmente». Em segurança, sem incerteza, sem complicações. O programa da Esquerda parece responder a este deplorável desejo. Infelizmente, é a receita para a decadência e a catástrofe. Sem a América a «Europa» fica desarmada e o Islão (o «bom» ou o «mau», como preferirem), mesmo se lhe derem Israel, nunca aceitará o mais ligeiro compromisso
".
Dupont

Já agora...

Gilberto Madaíl vem dizer que a final da Taça poderá ser, não no Jamor, mas no Alvalade XXI.
Compreendo perfeitamente, senhor presidente. Escolher o Estádio da Luz era muito óbvio, não era? Já agora, porque não o Bessa?
Dupont

Vergonha...

...é o que não têm os advogados de Carlos Cruz, ao assinarem um artigo de opinião onde clamam a inocência do seu cliente - que lhes paga principescamente. Esquecem, estes senhores doutores, que a vitória alcança-se na sala de audiências e não nas páginas dos jornais.
Por acaso, alguém está à espera que eles escrevam outra coisa que não isto?
Dupont

Revista da Opinião Politica Vilacondense - II

Nós bem que desconfiávamos que havia pouca coisa no suplemento de Vila do Conde do Primeiro de Janeiro... Parece que está corrigida a edição online, com mais três textos, um deles bem importante:
- Miguel Paiva, "A Câmara mundou", sobre a alteração de atitude da nossa autarquia;
- Afonso Ferreira, "11 de Março", sobre os atentados em Madrid
- António José Gonçalves, "Terrorismo, uma incerteza", reflectindo sobre as consequências e medidas a tomar àcerca do terrorismo.
GOSTEI, e muito, desta inspirada argumentação de Miguel Paiva, por uma razão simples: é exactamente assim que entendo que se deve pôr a inteligência em campo, no que toca ao discurso político - com argumentação e não com maldicência: "enquanto nós andamos a ver o saneamento básico que teremos de fazer se formos eleitos, Mário Almeida vê os esgotos a escorrer a céu aberto, que a sua gestão ineficaz criou. Enquanto nós apercebemo-nos da insatisfação de quem não tem água canalizada em casa, Mário Almeida constata o problema de abastecimento de água que a sua gestão incompetente proporcionou ao concelho. Enquanto nós vamos constatar e estudar soluções para a falta de equipamentos desportivos e de cultura um pouco por todo o concelho, Mário Almeida anda a prometer coisas que já prometeu muitas vezes e nunca cumpriu"
Dupont

21 anos


No Tribunal de Anadia, foi julgado Manuel Marques Simões, um empresário luso-francês, de 54 anos, por ter assaltado 29 agências bancárias em Portugal, entre 4 de Junho de 1998 e 11 de Agosto de 2000. A sentença chegou hoje: 21 anos anos de prisão.
A história da vida deste homem, nos anos em que se dedicou a libertar o dinheiro aprisionado nas instituições bancárias, tem contornos trágico-cómicos. O nosso homem vinha, de propósito, de França, da região de Nice, onde vivia, para perpetrar os assaltos. Nessa carreira longa de dois anos, conseguiu reunir cem mil contos. Mas este dinheiro, pelo que diz Manuel Simões, até tinha um destino honroso: pagar as suas dívidas. Espera-se que o senhor Procurador junto do Tribunal de Anadia lhe tenha perguntado o que é que ele iria fazer para pagar as “dívidas” aos bancos assaltados...
Na verdade, o senhor Manuel devia ser um ladrão com consciência, pois só assim se percebe que dispare contra a GNR, embora não tendo querido “matar ninguém”, e que telefone a uma aterrada funcionária bancária e desate a chorar, explicando que fizera o assalto a pensar na mulher e nos filhos...
Como é bom de ver, um tipo destes não merece misericórdia... Se tivesse o mínimo de honra e de vergonha assumia o seu destino e não se importava com as consequências. Pediu perdão e confessou a maior parte, se não a totalidade dos assaltos. Julga, assim, que a sua honra permanecerá intacta. Puro engano. Honra teve o seu colega de profissão que, no metro de Paris, roubou um PC portátil a um jornalista parisiense e lhe devolveu, sem qualquer pedido da vítima, os seus ficheiros do trabalho – mas não o computador. Quem acha que a actividade de subtrair, à força, dinheiro a um banco, vale bem 29 tentativas, não pode vir depois pedir desculpa e dizer que foi pela mulher e os filhos. É triste, trágico e patético o destino deste Manuel Simões, o homem que devia milhões, assaltou balcões e vai passar o resto da vida nas prisões.
Dupont

Revista da Opinião Politica Vilacondense

Muito fraquinha, desta vez... No suplemento d'O Primeiro de Janeiro de Vila do Conde, temos:
- José Aurélio Baptista, "Há retoma?"
- Sérgio Vinagre, "A Espanha e os seus "imberbes" socialistas".
Pergunta José Aurélio Baptista: "Há retoma quando se regista um aumento do desemprego em cerca de cem mil pessoas por ano, já existindo cerca de meio milhão de desempregados, e o número de falências não deixa de aumentar?".
Respondo eu: "Não há, nem haverá, retoma enquanto as pessoas não forem escolhidas para trabalhar apenas pelo seu mérito e não por questões laterais como pertencer ao partido da entidade empregadora"...
Dupont

Ai - Animal irracional - 56

Março de 1998 - Um jovem de Knoxville, EUA, leu numa revista para adultos que se ligassem um coração de vaca a uma fonte de eneregia, como uma bateria eçléctrica, isso criaria uma máquina de prazer extraordinária. Ele assim fez, mas, para aumentar o prazer, ligou directamente à corrente electrica. Conclusão: em vez de subir aos céu com um orgasmo, subiu ao céu electrocutado - e ainda pegou fogo à casa.
Parece mentira, mas é verdade. História idêntica ocorreu no ano anterior, em Itália, com um jovem de 22 anos.
Dupont

quinta-feira, março 18, 2004

À atenção do SIS!!!!

Carta recebida na redação d'O Vilacondense e que dado o seu evidente interesse nos apressamos a divulgar.

Por Alá

Aconselhamos todos os filhos de Maomé a não tentarem qualquer atentado em Portugal. É um país complicado. Uma acção nossa dificilmente traria algum proveito para a nossa Sagrada Causa:

1 - Nenhum atentado por nós tentado teria resultados mais espectaculares no congestionamento do tráfego ferroviário do que aquele conseguido pela própria CP.
2 - É difícil planear um atentado em comboios e autocarros. Nunca se consegue saber a que horas passam nem sequer os dias em que circulam, devido às greves constantes.
3 - A reivindicação do atentado seria de uma inutilidade extrema. A oposição portuguesa iria imediatamente culpar o ministro da Administração Interna, o secretário de Estado dos Transportes e as empresas transportadoras. Qualquer alegação da nossa parte seria recebida com desdém pelo Bloco de Esquerda: "Al-Qaeda? 'Teja calado, carago. 'Tá-se me'mo a ver c'a culpa é dos cabrões das empresas capitalistas e do governo que lhes apara o jogo. Fazem tudo para poupar uns trocos. Isto é de certeza uns motores mal amanhados que compraram na Coreia do Sul, de uma fábrica que deixou aqui centenas no desemprego. É o que lhe digo, amigo, a globalização fornica isto tudo. Al-Qaeda... Tenha juízo, pazinho."
4 - Alertamos também para a dificuldade de organizar uma acção como a de
Madrid. Em Portugal, mal um de vocês deixasse uma mochila no comboio, logo um simpático português correria atrás de vocês a gritar "Ó chefe, chefe, esqueceu-se do seu saco, amigo." E depois pensaria para si mesmo: "Sacana do monhé ainda faz má cara. Vem um gajo aqui de manhãzinha, descansadinho da vida e ainda tem de ser criado desta estrangeirada toda."
5 - Não será fácil mobilizar o povo contra a presença de tropas portuguesas no Iraque. Os portugueses, pelas informações que obtivemos, gostariam que TODA a GNR - principalmente uma tal BT - estivesse destacada no Iraque ou em qualquer lugar bem longe do país.
6 - A detonação por telemóvel é também bastante desaconselhável. Devido à quantidade de telemóveis em território português, existe o perigo real dos explosivos rebentarem em alturas menos próprias com algum dos constantes toques que se fazem ouvir a toda a hora e em qualquer lugar.
7 - Também gostaríamos de alertar para o perigo real da presença de jornalistas da televisão no local dos atentados a perguntar às pessoas o que sentem depois de terem ficado sem uma perna, com a cara desfeita ou partidos em dois. Ao pé dessa gente, a Al Qaeda é um bando de organizadores de festas de salão. Procurem mas é outro sítio, que esse já está suficientemente rebentado.

Vosso, Binbin

Dupont