Desporto
Este ano vamos ter em Portugal o Campeonato da Europa de Futebol. Trata-se de uma prova com grande impacto internacional, mas em que Portugal nunca provou o sabor da vitória.
Pelo que temos visto, as possibilidades de conseguirmos um sucesso desportivo são relativamente remotas. A nossa equipa não tem dado provas de estar ao melhor nível, pelo que o resultado final é uma completa incógnita.
Como cidadão português, espero conseguir vibrar com a mesma intensidade com que, em 1991, vibrei com a vitória dos pupilos de Carlos Queirós no Campeonato Mundial de Sub-20. No derradeiro jogo contra o Brasil, a que tive a felicidade de assistir no Estádio da Luz (o único da minha vida naquele palco),senti o amor à bandeira nacional e a Portugal em doses profundamente intensas. Foi um momento só superado pelo que pude viver num outro estádio, testemunhando a vitória Olímpica de uma atleta Portuguesa, que roubou o ouro a uma chinesa nos metros finais de uma empolgante corrida de 25 voltas a uma pista de atletismo, no estádio em que estavam centrados os olhos de todo o mundo.
Como devem compreender, sinto-me profundamente dividido este ano. Por um lado gostava de ver Portugal ganhar o Campeonato da Europa de Futebol. Por outro, gostava de ver os nossos atletas conseguirem ganhar medalhas nos Jogos Olímpicos de Atenas.
Se me pedissem para escolher entre uma vitória no Europeu de Futebol ou uma medalha de ouro olímpica (para a Naide Gomes, o Rui Silva, o Gustavo Lima na Vela, o Nuno Delgado no Judo ou outro), não tinha dúvidas absolutamente algumas na minha escolha. Escolheria a medalha olímpica. É que vejo nos Jogos Olimpicos o espelho da glória máxima a que um atleta se pode propor, aspecto que no futebol só é equiparável ao podium num Campeonato do Mundo.
Por isso lamento que o esforço feito pelo país na organização de um Campeonato Europeu de Futebol não tenha sido direccionado para o desporto. Se assim fosse, os 125 milhões de euros dispendidos directamente com os Estádios seriam canalizados para uma política de prospecção e apoio à formação de campeões noutras modalidades, certamente mais rentáveis em resultados internacionais do que no futebol.
Infelizmente não foi esse o caminho. No entanto, há Ruis Silvas, Naides Gomes e Gustavos Limas que o contrariam. E claro, há algumas pessoas que lutam contra a maré e que estão sempre com eles. Eu sou um deles.
Dupond

por Alcazar, Dupond, Dupont e Haddock

<< Home