domingo, março 14, 2004

Espanha: medo ou castigo?


Quando escrevo estas linhas ainda só há previsões para analisar. Mas o cenário parece estabilizado quanto ao essencial: o PP desce fortemente, com correspondente subida do PSOE.
Haverá, sem dúvida, um sem número de explicações, mas os últimos atentados, ocorridos na semana passada, foram determinantes. A pergunta que fica no ar, então, é se a mudança no sentido de voto da população se deveu a um castigo de Aznar e do PP, por ter estado na primeira linha do combate ao terrorismo internacional ou, antes, se tal se prende com o que se poderá considerar um castigo ao Governo, por ter ocultado, até ao limite do tolerável, as informações da "pista árabe". Ou, já agora, um cocktail letal das duas...
Aznar conduziu a Espanha a uma dimensão nunca vista nos últimos séculos, ombreando com economias tradicionalmente mais poderosas. Hoje, todo o planeta tem referências culturais, sociais, desportivas e políticas dos nossos vizinhos. O preço por esta visibilidade passou por uma maior responsabilidade. "Com mais poder vem mais responsabilidade", sintetizava um blockbuster do Verão passado. Os atentados serão, assim, um certo preço a pagar. Tal qual o foram os sete agentes secretos eliminados há uns meses.
Mas também é verdade que "não ficou bem na fotografia" a sensação que o Governo já sabia a quem pertencia a assinatura dos atentados. E que só não a quis relevar por mera jogada eleitoral, optando pela inóqua saída de atirar as culpas à ETA.
Seja como fôr, é pena que o partido que deu mais brilho ao amarelo e vermelho da bandeira espanhola e que fez com que uns quantos, cá em Portugal, sonhassem com uma fusão de estados, saia chumbado de um exame para o qual obteve sempre notas altas em todas as anteriores provas.
Dupont