Atestados de Menoridade

A Visão apresenta, na capa, a senhora Kerry. Mais exactamente Teresa Heinz Kerry, referenciada como "A Portuguesa que pode ser primeira-dama dos EUA". Nasceu, efectivamente, em Moçambique e lá passou uma boa parte da vida, mas esta senhora não é portuguesa. Já teve a nacionalidade lusa, mas abandonou-a em 1971. Aliás, ela nunca gostou de Portugal, tendo apenas passagens efémeras pelo nosso país. Se não acreditam, tentem encontrar uma referência a Portugal na sua biografia que consta do site oficial da campanha do marido... Na própria Visão se relata uma recente passagem pela comunidade portuguesa de Newark, que deixou todos estupefactos pelo seu comentário "sinto-me afro-americana". Claro que os portugueses não gostaram: " se ela não se sente portuguesa o que é que veio aqui fazer?". Mas nada disto releva. O que nós queremos poder dizer é que "ela é portuguesa", não o sendo.
Os brasileiros e o seu relacionamento connosco é outra prova da nossa mesquinhez. Nós adoramos "o país irmão": é "só beleza", um povo alegre e divertido, sem problemas, com "actores que sabem representar" e amigo como nenhum outro. Por cá, dança-se samba, come-se picanha e aprende-se a luta da capoeira. Eles gozam com os nossos imigrantes, riem-se do nosso carnaval pelado em pleno Inverno, divertem-se jocosamente com os nossos jogos de futebol e não dão qualquer relevo na comunicação social ao nosso país. Mas nada disto releva. O que nós queremos poder dizer é que "eles são nossos amigos", não o sendo.
Por falar em futebol, a nossa selecção, a nível europeu, ostenta dois terceiros lugares. É, não é? Na verdade, não. Temos é, simplesmente, duas presenças nas meias finais. Porquê? Pela simples razão de que, ao contrário do Campeonato do Mundo, no da Europa não há jogo para atribuição de terceiro e quarto lugares entre os semi-finalistas vencidos... Mas nada disto releva. O que nós queremos poder dizer é que "ficamos em terceiro", mesmo não sendo verdade.
Nós somos mesmo assim. Gostamos de inventar realidades e acreditar nelas. Ficamos felizes com a ilusão. Tenho pena de, por vezes, não partilhar desta portugalidade...
Dupont

por Alcazar, Dupond, Dupont e Haddock

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