Comemorações
Hoje fui ver assistir às comemorações do 25 de Abril no Auditório Municipal de Vila do Conde. Fiquei surpreendido por ver uma sala relativamente composta, pois, num dia solarengo, era suposto não haver tantos "tolos" como eu. Ou seja, pessoas que estivessem dispostas a trocar uma manhã de passeio, à beira mar ou a ler o jornal numa das esplanadas da cidade, por um conjunto de discursos políticos.
Apesar de tudo, dei o meu tempo por bem empregue. Acho que foi uma sessão muito elucidativa do ambiente político de Vila do Conde.
Como era de esperar, Mário Almeida presidiu à sessão e o seu filho falou em nome do PS. Lembrou os saudosos tempos da JS, quando era deputado da nação e fazia boletins com textos de importante figuras do país, exaltou a evolução (que raio de palavra que fui utilizar) de Portugal nestes 30 anos, seguindo à risca os números que o Governo publicou baseado nas estatísticas do INE e apresentou também dados sobre idênticas melhorias em Vila do Conde. Foi uma intervenção equilibrada, que acabou com uma citação do Dr. Sousa Pereira, essa personagem por quem todos temos muita consideração.
O PSD lançou para o discurso uma figura de peso: Albano Loureiro. Fez uma intervenção vigorosa, dita com convicção, mas carregada de críticas ao actual estado da democracia. Falou dos que enriquecem à conta da política, dos que prometem e não cumprem, dos problemas por resolver, da falta de renovação da classe política, da comunicação social seguidista, enfim, um fartote de lanças sem direcção aparente, mas com alvo evidente. É um discurso inteligente, pois falou de coisas sobre as quais toda a população se queixa,sem contudo indicar directamente este ou aquele culpado, conforme fica bem numa cerimónia deste tipo.
O CDS fez-se representar pelo jovem Alexandre Raposo, que lembrou o drama dos militares que fizeram a guerra colonial (parece que o Governo sempre lhes vai dar a talreformazita...), os retormados e o facto de o CDS ter sofrido muito nos primeiros tempos de democracia. Não conseguiu ser brilhante, pois leu um texto que às vezes parecia pouco ligado de umas ideias para as outras, mas acabou por estar a um nível razoável.
O incansável Fernando Reis da CDU esteve igual a si próprio. Chamando reaccionário ao actual Governo (o mais à direita desde o 25 de Abril), centrou-se em questões de âmbito nacional e internacional, esquecendo a componente local.
Antes de se passar para a parte cultural da festa, a apresentação do livro do Dr. A. do Carmo Reis, o Presidente da Câmara também fez um discurso. Falando de improviso, Mário Almeida surpreendeu todos ao responder directamente aquilo que tinha sido afirmado por Albano Loureiro e Alexandre Raposo. A forma veemente e dura com que o seu improviso fluiu mostra que o Presidente da Câmara estava visivelmente incomodado com o que tinha ouvido. Os cerca de 10 minutos que falou serviram para refutar todas as acusações de Albano Loureiro (ou seja, escorregou na casca de banana que o elemento do PSD lhe deixou, pois sentiu-se atingido nas críticas) e de Alexandre Raposo. Falou para a juventude, pedindo-lhes que não alinhem por quem tem esse tipo de ideias (as de Albano e Alexandre). Vociferou contra a proposta de limitação de mandatos. Atacou quem diz asneiras, pois "neste país pode-se fazê-lo sem ir para a cadeia".
Viu-se bem que Mário Almeida está bem activo e a lutar arduamente para continuar a governar Vila do Conde. No entanto, com actos destes, parece-nos um tanto atabalhoado, mostrando uma percipitação desnecessária e sujeitando-se a papeis que não condizem com a dignidade do cargo que ocupa. Mas não vale a pena dizer nada para o demover. É o seu estilo próprio. É a única forma que sabe fazer política.
Gostava de deixar uma palavra final para a parte cultural. A apresentação do livro de Carmo Reis esteve a cabo de José Luis Ferraz. Falou lindamente. Referiu-se ao autor com o carinho e o conhecimento profundo que só os amigos conseguem. Falou sobre Abril com convicção. Esteve em grande nível e conferiu uma extraordinária elevação à cerimónia.
A intervenção de Carmo Reis foi notável. Viu-se que é um humanista e um homem que vive intensamente o 25 de Abril. Fala com sentimento e segurança. Gostei muito.
E assim se passou o 25 de Abril em Vila do Conde...
Dupond

por Alcazar, Dupond, Dupont e Haddock

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