segunda-feira, maio 31, 2004

Má Educação



Ignacio/Angel, um jovem actor, à procura de emprego, resolve visitar um antigo colega do colégio, agora realizador de cinema. Durante a visita, deixa-lhe um conto que havia escrito, “A Visita”, onde relata a experiência por ambos vivida naquela escola. Enrique, o realizador, atravessa uma fase de bloqueio criativo, pelo que rapidamente mergulha na história que lhe havia sido entregue.
Assim começa “Má Educação”, o último de Pedro Almodôvar a chegar às salas de cinema. Semi-autobiográfico, o 15º filme do mais famoso realizador espanhol cruza uma série de temas e de sentimentos, não sendo fácil narrar o argumento sem correr o risco de deixar algo importante de fora. O tal conto é-nos narrado no que parece ser um flashback, mas que acaba por ser o filme realizado por Enrique com base no conto de Ignacio. E, nesse filme-dentro-do-filme, assistimos à vingança engendrada por Ignacio para fazer o Pe. Manolo pagar pelos seus pecados. E essas desvirtudes foram os continuados abusos sexuais perpetrados, por esse cura, contra um imberbe Ignacio e que começaram como tentativa desesperada deste de comprar a não expulsão do seu colega e grande amor, Enrique, o agora realizador. No conto, Ignacio é um travesti, enquanto na vida real é um actor desempregado. Mas, querendo desesperadamente um determinado papel no filme, Ignacio acaba por ceder sexualmente a Enrique que vem a descobrir que, afinal, Ignacio não é Ignacio, mas Juan, o seu irmão. O verdadeiro Ignacio morrera, ganhando a vida com travesti e prostituindo-se. E mais não conto mais, senão lá se vai o mistério...
Mas o filme é mais, muito mais do que isto.
O amor puro e sincero entre os dois miúdos acaba por ser a pedra de toque de toda a acção. A sua corrupção desencadeia uma série de tragédias que parece não terem fim, nem redenção. E digo redenção porque ao tão cristão sentimento de “culpa” está espalhado em todo o filme. Faz-se o “mal”, mas sabe-se qual é o “bem”. A confusão nasce, precisamente, da má educação que é inserida, entre os miúdos, pelo padre. Então era suposto, ou não, ele ser homem de bem e não provocar mal às crianças? O peso da educação cristã e o constrangimento que causa é determinante. A certo ponto, os miúdos conversam e Ignacio diz ter medo. Enrique, mais maduro, diz que não tem medo. Porquê? “Porque já não acredito em Deus”, responde.



Este quebrar de amarras, este assumir-se como realmente se é, o “coming out of the closet”, encaixa como uma luva na exclusiva temática homossexual em que todo o filme se insere (cenas sugeridas de sexo oral, anal e de masturbação mútua, mais o facto de não haver uma única actriz…), universo em que Almodovar se sente “como peixe na água”.
Neste sentido, “Má educação” é um duplo regresso ao passado. Por um lado, a vertente autobiográfica mas, por outro, há um retorno à temática e à estética tão queridas ao realizador: o ambiente maricón da movida madrilena e o gosto pelo kitsch. Se bem recordarmos, os seus três últimos filmes, ‘Carne Trémula’, ‘Tudo sobre Minha Mãe’ e ‘Fala com Ela’ eram melodramas puros, na onda do cinema americano, com histórias complexas, heterossexuais e passadas entre cidadãos comuns de classe média, apenas com um ou outro fugaz piscar de olhos a esse seu universo, como no final de ‘Tudo sobre minha mãe’. A complexidade das personagens mantém-se, a história é igualmente complexa, como o são as relações que se vão urdindo entre as personagens.
No entanto, há que ressalvar que não houve qualquer tentativa de retratar a Igreja como fonte de pecado e a homossexualidade como um ghetto de coitadinhos. Nada disso. Aqui fala-se de pessoas, com os seus erros, com as suas virtudes, de uma forma desapaixonada em relação aos estereótipos sociais, mas com enorme preocupação com a verdade que existe dentro de cada um de nós. Verdade essa que, umas vezes é expressa, mas, noutros casos, como o de Ignacio/Juan, é apenas aparente, como no final se confirmará...
A mestria de Pedro Almodovar nota-se, principalmente, no pulso com que gere a história, como nos vai fornecendo, aqui e ali, peças de um enorme puzzle, que só nos momentos finais fica completo. Uma técnica já brilhantemente usada em filmes como “Memento”, de Christopher Nolan, e “21 grams”, de Alejandro González Iñárritu. Os actores estão soberbos, especialmente o mexicano Gael García Bernal, que interpreta três personagens distintos, num trabalho igualmente magistral. Aliás, num registo estritamente pessoal, não deixo de anotar a curiosidade de o ver, aqui, num triplo papel homossexual, quando o recordo, essencialmente, pela sua participação em “Y tu mama tambien”, de Alfonso Cuarón, o filme mais erótico que vi nos últimos anos…
“Má educação” é, obviamente, um belo filme, como o são boa parte das obras de Almodovar. Mas, em relação à fasquia de excelência colocada com os seus dois últimos filmes, este representa um ligeiro passo atrás. O que significa que ainda é melhor do que 90% do que se pode ver nas nossas salas de cinema…
Dupont

A Terra vista do céu - 26


Honduras - Santa Rosa de Aguan - Efeitos do ciclone Mitch - II
por Yann Arthus-Bertrand

Dupont

domingo, maio 30, 2004

America not so blue... - Grant Wood e Norman Rockwell

Depois de ter escrito sobre Edward Hopper, no post anteiror, pensei que seria interessante fazer o contraponto com outros dois pintores: Grant Wood e Norman Rockwell.

American Gothic

Grant Wood está ligado à América profunda, a que o viu nascer. A sua temática é rural, mas mostrada através de uma opção estético-artística que vai buscar claras influências aos clássicos, especialmente aos grandes mestres flamengos, fruto de uma viagem pela Europa. Nos seus quadros, podemos ver enormes paisagens de campos de cultivo ou smalltowns rurais e antiquadas, além de retratos de gente ligada à agricultura. Quem já viu o encantador "Uma História Simples", de David Lynch, saberá do que estou a falar... Por vezes, parece que Wood queria preservar a identidade rural perante a inevitável invasão mecânica; noutras, dava a impressão de acreditar que a ponte entre essas dois mundos era, ainda, possível. Um dos seus quadros mais famosos, “Stone City, Iowa”, reproduz esta ideia na perfeição. Mas, o mais famoso, sem qualquer dúvida, é “American Gothic”, um quadro mil vezes glosado… Aí, um casal de agricultores personifica a “pureza” das gentes, a rectidão do seu estilo de vida e dos seus valores. Um apelo às origens como local onde se poderá encontrar a felicidade na vida. Aliás, se bem repararmos, os personagens quase fazem lembrar os “pioneers” que desembarcaram do Mayflower, em Plymouth Rock, ou os amish, que renegam todo o tipo de "civilização"...

Doctor and Doll

Norman Rockwell é um caso diferente. Não haverá ninguém que não tenha visto algo saído da pena deste ilustrador, mais do que pintor... O tema é, quase sempre, a vida do dia-a-dia, mas com uma pitada de humor: miúdos a brincar, uma menina que leva a boneca ao médico, um camião parado numa rua estreita por causa de um cão, um candidato derrotado, escuteiros, sapateiros, enfim, o “ordinary american” está profusamente retratado na prolífica obra de Norman Rockwell. Boa parte foi criada com um único propósito: ilustrar a capa do Saturday Evening Post, o que aconteceu durante quase meio século. As suas imagens são de um detalhe imenso, com uma cuidadosa escolha de cores e de situações. Os americanos passaram a ver-se retratados na obra de Rockwell, talvez por se identificarem, ou quererem identificar-se, com as cenas retratadas. Como ele próprio disse: “Eu mostrei a América que conhecia e dei a conhecê-la a outros que, porventura, ainda não tinham reparado”. É claro que os motivos são, quase sempre, idílicos e, muitas das situações, implausíveis. Mas isso apenas contribuiu para que a América e o Mundo construísse uma ideia de “Terra Prometida”, que ainda persiste…
Mais do que a arte em si, o que neste trio de artistas está em jogo é o facto de as suas representações da América serem iconográficas, já que representam um lugar como o imaginamos e não como ele realmente é, ou foi. E, recordemos, que o apogeu destes três pintores ocorreu na primeira metade do século XX, veremos o quão intemporal a sua obra é e quão seminal são as suas representações. Em Wood e Rockwell, a América já não tem a solidão e o silêncio dos quadros de Hopper, mas antes uma mensagem de ligação profunda entre a terra e o homem – a terra que retribui a quem trabalha e o calor humano que só gente cristã e boa consegue dar. No fundo, a “land of the free, home of the brave…”.
Dupont

sábado, maio 29, 2004

American Blues – Edward Hopper

Os jornais anunciam a abertura da exposição de Edward Hopper na Tate Modern. É uma daquela exposições pela qual vale a pena perder a cabeça, sair de casa e fazer um raid a Londres…
Hopper é o pintor da América que já não sonha porque acreditou nesse sonho e ele não se concretizou. Os seus quadros mostram homens e mulheres solitários, quais “vencidos da vida”. Parece terem vivido a juventude e esquecido que a vida continua. “Oh yeah life goes on/Long after the thrill of livin is gone”, já cantava John Mellencamp…
E, mesmo quando retrata um casal, ou um par de amigos, a sua disposição pictórica apenas acentua o silêncio. Nas suas telas vemos casas sozinhas que se erguem contra o horizonte. As suas pinturas exibem cantos tristes das cidades, onde a luz do sucesso não parece ter chegado…O silêncio é o som que mais nos parece ouvir quando contemplamos os seus quadros – na interpretação do observador, mas, principalmente, na mudez das próprias personagens. No fundo, o lado negro do american dream.
Mas, em Hopper, há esperança. A maioria das personagens é retratada junto a portas ou janelas, sinais óbvios de que há escapatória para aquela prisão. Mas, nas expressões dos retratados, parece não haver vontade de mudar. A vida terá passado e eles conformam-se. Esta tensão entre o ser e o dever ser é acentuada pela magistral escolha das cores, onde se regista um jogo entre zonas de luz e de sombra. Afinal, a eterna e omnipresente dualidade existencial…


Nighthawks


Veja-se “Nighthawks”, porventura uma das suas obras mais conhecidas. O tema é um cofee-bar duma qualquer esquina de uma qualquer cidade. O negrume da noite é cortado pela luz que emana do café-farol. Ali dentro, quatro pessoas procuram aconchego. Um empregado conformado, dois homens de negro e com chapéu, sendo que um deles procurar flirtar com uma mulher, que monstra indícios claros de disponibilidade. Ou seja, uma prostituta, daquelas que mais do que dinheiro, busca eternamente aquele alguém que lhe faça companhia. Dentro e fora. Luz e sombra. Homem e casal. Homem e mulher. A própria concepção dos espaços, em que a zona de sombra parece ser penetrada pela de luz, acentua toda a homogeneidade da obra.


House by the Railroad


A esta ideia de solidão e abandono não é estranha a integração temporal de boa parte dos trabalhos de Hopper, que os elaborou em plena Depressão. O cinema não lhe ficaria indiferente. Cineastas, como John Ford, darão eco ao sentimento nacional desses tempos. Mas, mais do que o tema da famosa crise económica dos anos 30, a mais genuína ideia hopperiana de solidão foi apreendida por Hitchcock, que se inspirou no quadro “House by the railroad” para a casa de Norman Bates, em Psico. Como todos sabemos, Bates é o solitário administrador do Bates Motel, um psicopática que não aceitou a morte da mãe e que através do desdobramento da sua personalidade conseguia fazer diálogos…consigo próprio.
No início de carreira, Edward Hopper começou por investir em algo próximo do impressionismo. Mas, com o evoluir da sua temática, tornou-se realista e, por vezes, chega a aproximar-se do surrealismo hiper-realista, como acontece nos quadros em que janelas quase fantásticas desafiam as personagens retratadas. Linhas rectas e cores frias, assentam como uma luva à melancolia que perpassa toda a sua obra.
Talvez seja este travo acre, que também encontro noutro grande intérprete da América, Bruce Springsteen, que mais me seduz em Edward Hopper. Há, na sua obra, aquele sentir muito português, do drama, da fatalidade…
A amargura da existência.
Dupont

American Blues - Asbury Park, New Jersey


"Beyond the Palace hemi-powered drones scream down the boulevard
The girls comb their hair in rearview mirrors
And the boys try to look so hard
The amusement park rises bold and stark
Kids are huddled on the beach on a mist
I wanna die with you Wendy on the streets tonight
In an everlasting kiss"


Quem gosta de Bruce Springsteen sabe de cor a letra de "Born to Run". Tal como em muitas das suas letras, o Boss recorda os sítios carismáticos de Asbury Park, New Jersey, onde passou a sua juventude. Era lá que ficava o Palace, onde se faziam corridas de carros, onde se começava a namorar e onde ficava o parque de diversões."An Asbury Park icon and legendary piece of American kitsch", referiu um jornal local. Era um dos lugares míticos da cidade. Construído em 1888, fazia parte da memória colectiva das gentes locais e Springsteen imortalizou-o nesse poderoso tema.
Acontece que, apesar da oposição dos locais e dos movimentos cívicos, o Palace veio mesmo abaixo, na passada quarta-feira. Larry Fishman, um dos responsáveis locais comentou assim: "não há precendetes neste Estado, de preseervação e restauro de locais históricos". Brilhante. Ainda vai chegar a Presidente, este génio...
Dupont

A Terra vista do céu - 25


Honduras - Santa Rosa de Aguan - Efeitos do ciclone Mitch - I
por Yann Arthus-Bertrand

Dupont

sexta-feira, maio 28, 2004

Viena


Para terminar estes "dias futebolísticos", nada como recordar que, ontem, 27 de Maio, passaram dezassete anos sobre a primeira Taça dos Campeões conquistada pelo F.C.Porto. O calcanhar de Madjer, a velocidade de Juary e a "magia" de Futre fizeram história.
Dupont

AG marcada

Já está marcada a Assembleia Geral do Rio Ave FC. De acordo com a convocatória assinada pelo Presidente da Assembleia Geral Mário Almeida, a dita cuja vai decorrer no próximo dia 5 de Junho (Sábado) às 10.30h.
A ordem de trabalhos inclui a eleição de uma Comissão Administrativa para dirigir o clube, face à recente demissão da equipa directiva e a discussão sobre a possibilidade de eleições antecipadas.
Sobre isto, gostava de dizer 3 coisas:
1.- Face à demissão da direcção, porque se parte logo para a escolha de uma Comissão Administrativa, em lugar de marcar as convenientes eleições?
2.- Sendo o primeiro ponto a escolha da Comissão Administrativa, que sentido faz estar a falar, logo a seguir, de eleições antecipadas? Não seria mais razoável saber se os sócios querem eleições antecipadas e, em consequência disso, decidir sobre eventuais Comissões Administrativas?
3.- A ideia de marcar uma AG, que se sabe ser importante para o futuro do clube, às 10.30h da manhã de Sábado parece ser brincadeira. No mínimo posso dizer que é um incentivo à falta de participação, pois sabe-se que há muita gente que trabalha ao Sábado de manhã.
Depois de uma época brilhante, o Rio Ave está a atravessar um período extremamente conturbado. Esperemos que as coisas possam tomar um rumo correcto, pois caso isso não aconteça, podemos temer o pior.
Que o bom senso prevaleça nas atitudes de todos os sócios e dirigentes.
Dupond

Rock in Rio


Começa hoje "o maior festival de Rock do Mundo". Olho para o cartaz e o panorama é confrangedor. Boa parte das vedetas são perfeitas "has beens", se é que algum dia o foram...
Hoje, temos Paul McCartney. Desde que saiu dos Beatles, fez um carreira xaroposa, praticamente sem um composição meritória, tudo girando à volta da sua superior capacidade melódica, mas a que falta o espírito rebelde de Lennon. Isto para não falar que Macca não tem qualquer ligação ao público alvo deste tipo de concertos...
Isto leva-nos para uma outra perspectiva: que é que o Rui Veloso está lá a fazer? E o Luís Represas? E o Alejandro Sanz? E mesmo o Sting? Será que a organização optou por colocar em palco nomes que chamassem os quarentões endinheirados e os desesperantes VIPs lisboetas? E a provar isso, veja-se a chamada de Britney Spears, uma artista com um público alvo a rondar os 15 anos. Parece a estratégia T-Clube/Triginometria, no Algarve - os pais entram pela direita para a boite, enquanto os filhos avançam pela esquerda, para a discoteca...
As notas positivas vão para Alicia Keys, dona de uma voz negra, profunda, fabulosa, para Ben Harper e, obviamente, para a "consciência da música pop", Peter Gabriel, alguém que, apesar dos anos que já leva, sempre primou, em cada trabalho, por um abordagem inovadora e procura de sonoridades, sem meo de pisar terreno virgem, o que não se pode dizer da malta da sua idade, como Sting, que andam a fazer o mesmo disco há vinte anos... Aliás, o ex-líder dos Police, lidera o meu ranking dos "piores concertos". Foi em Alvalade, em 92 ou 93. Cinco estátuas em palcod despacharam friamente as músicas e foram-se embora. O momento alto foi quando o guitarrista se arrastou de junto do seu microfone para perto do baixista, dois metros à sua direita... Mas, mais uma vez, a culpa foi minha. No bilhete dizia Sting e eu li "The Police"...
Enfim, aí temos o primeiro dos grandes concertos de Verão, neste caso espalhado por seis dias. Talvez esteja a ficar velho, mas, por mim, tirando as excepções referidas, não punha lá os pés.
Dupont

Revista da Opinião Vilacondense

No Suplemento de Vila do Conde d' O Primeiro de Janeiro temos.
- Arnaldo Fonseca, "Quem fala do que não sabe, diz o que não deve!"...
- Sérgio Vinagre,"Rio AVe F.C."
- Afonso Ferreira, "26 de Abril"
- António José Gonçalves, "Eleições para o Parlamento Europeu - II".
Um edição frouxa, em que algum destaque vai para o presidente da Junta de Modivas. Não pelo conteúdo, mas pela inovação que é ver um Presidente de Junta tomar a palavra, defender a sua posição, sem ficar à espera que sejam as "altas autoridades do partido" a dar voz ao seu descontentamento.
Dupont

quinta-feira, maio 27, 2004

Gelsenkirchen


A festa começou cedo, com as sardinhas do "Vasco da Gama"...


Alemanha no seu melhor!...


Portistas no seu melhor!...


Le fântome de Dupont..


Lá dentro, a loucura total!!!!


O grupo de Zés-Pereiras "alternativos"...


O presente faz-se com o passado...


Apresentação dos artistas


GOLO! GOLO! GOLO!


A Taça é nossa!!!


Campeões, campeões, campeões, nós somos campeões....


Deco, o homem do jogo


O bom filho a casa torna...Onde estão as sardinhas?

Dupont

José Mourinho


Muito se tem falado das atitudes de José Mourinho após a conquista do título de Campeão Europeu. Já ouvi dizer que ele é arrogante, que agiu com desprezo pelos adeptos pelo facto de não ter acompanhado a equipa aos festejos no estádio, que se isolou do grupo logo após a vitória. Em muitos desses comentários notou-se algum caracter crítico relativamente ao treinador do FC Porto.
Gostava de dizer que discordo em absoluto de quem critique Mourinho por estes aspectos. Há muita gente que parece ter estabelecido uma cartilha de comportamento perante vitórias, na qual Mourinho não cabe. Pensar assim é um absurdo. Evocar esses argumentos quando vivemos momentos únicos como os da última noite é um completo disparate.
O momento vivio ontem é perfeitamente invulgar. Dificilmente se repetirá. Por isso, falar deste tipo de coisas é fugir do essencial para perder tempo com o acessório. Infelizmente é uma prática muito vulgar no nosso país.
O essencial é que Mourinho foi o principal obreiro da conquista de duas taças europeias em anos consecutivos, coisa que só uma equipa havia conseguido em toda a história do futebol. O saber de Mourinho em termos técnicos, tácticos, psicológicos é absolutamente extraordinário. O facto de estas características fazerem parte de um homem que se senta só ou acompanhado, dá saltos junto aos jogadores ou longe deles, abre garrafas de champanhe no meio do campo ou em casa, vai de autocarro para o estádio ou de avião para casa é absolutamente irrelevente.
Mourinho é um predestinado. Nasceu para vencer.
Como portista, agradeço-lhe por ter passado pelo nosso clube.
Dupond

quarta-feira, maio 26, 2004

CAMPEÕES


SOMOS CAMPEÕES DA EUROPA!!!!!!
CAMPEÕES, CAMPEÕES, CAMPEÕES, CAMPEÕES....
O PORTO É O MAIOR CLUBE DO MUNDO!
Dupond

Debate mensal

O Primeiro Ministro esteve hoje na Assembleia da República, afim de participar no debate mensal com os Deputados. O tema escolhido foi o da Ciência e Inovação. Trata-se de uma matéria da maior relevância, pois o futuro do nosso país passa muito por conseguirmos ser bem sucedidos a este nível.
Infelizmente, pouco se falou de qualquer dos assuntos. Falou-se das greves dos agentes do SEF, da visita adiada ao México e outras "mixórdias e latarias", como diria o Six.
Isto mostra que o debate político sobre temas sérios é pouco estimulante para as oposições. E claro, é menos estimulante ainda para as televisões.
Dupond

Mónaco-F.C.Porto


Daqui a umas horas estarei a caminho de Gelsenkirchen. Como sempre disse nesta fabulosa campanha do FC Porto, "entrei em estágio" para o grande jogo. Não que seja supersticioso. Yo no creo en brujas, pero que las hay, las hay...
Dupont

Liftings vilacondenses

As duas passarolas do Nelson (sem segundos sentidos...), foram alvo de um lifting visual. Estão muito melhores. Ver Passarola Voadora e Passarola Voadora Media. Seria injusto não fazer referência ao Vila do Conde Quasi-Diário, igualmente alvo de uma reformulação estética recente.
Dupont

A Terra vista do céu - 24


Honduras - Ilhas da Baía - Ilha de Utila
por Yann Arthus-Bertrand

Dupont

terça-feira, maio 25, 2004

Royalty Disco


- Sim, sim, o loiro dos ABBA foi sempre o meu preferido...

Segundo a imprensa britânica, a rainha Isabel II é fã dos ABBA. O seu tema preferido é, obviamente, "Dancing Queen". Vem no Diário Digital, que assegura que "uma fonte interna do Palácio de Buckingham referiu que a rainha costuma «mexer-se ao som da música»".
Estamos todos a ver o quadro, não estamos? Isabel, com aquela cara de quem já não tem "alegrias" há umas décadas, vestida de lantejoulas, a deslizar pelo polido soalho de Buckingham, braço direito no ar, dedo indicador a apontar para o tecto, a menear as ancas, enquanto com a mão esquerda segura na vassourinha do pó, a fazer de micro, e a cantar uma versão adaptada do hit da banda sueca:
I am the Dancing Queen, old and nasty, only seventy
Dancing Queen, feel the beat from the tambourine
I can dance, I can jive, I'm having the time of my life
See this girl, watch this scene, I am the Dancing Queen...

Dupont

Camachada

José António Camacho chegou a Espanha e começou logo a debitar inteligências: "desejo a vitória do Mónaco na final da Liga dos Campeões".
Compreendo o espanhol: depois das humilhações que o F.C. Porto lhe fez passar e das lições que levou do Mourinho, seria incoerente da sua parte não apoiar qualquer equipa que defronte aquela que materializou o Bicho-Papão, o monstro que aterroriza, desde miúdo, as noites de Josesito Camacho...
Dupont

Jaquinzinhos


A imagem que podem ver é de Tavira. Porquê? Porque é de lá o autor do Jaquinzinhos, um dos melhores blogs da praça. Faz hoje um ano. Aqui ficam os nossos parabéns.
Dupond & Dupont

Bandeira Vermelha


Para além das que, amanhã, irão ondular em Gelsenkirchen, há outras bandeiras azuis: as que engalanam as nossas praias. Não todas, porque algumas não são merecedoras de tal mérito. Não em Vila do Conde e, muito menos, na nossa praia de Árvore. Segundo a DECO,"Os problemas relacionam-se, sobretudo, com a presença de fungos, que podem originar micoses, como pé de atleta e candidíase. Algumas amostras também apresentavam contaminação de origem fecal que pode provocar intoxicações, cujo principal sintoma é a diarreia.
(...) e era visível a falta de higiene da areia e dos acessos à praia. Embora nalguns casos fosse detectado "lixo natural" (trazido pelo mar), a maioria era plásticos e pontas de cigarros deixados pelos utentes. Nalgumas praias, como a Apúlia (Esposende) e a Árvore (Vila do Conde), a poluição pode estar relacionada com a falta de sacos de lixo nalguns suportes
".
Para quem não sabe, Vila do Conde não tem NENHUMA BANDEIRA AZUL. Zero. Não é pela cor clubistica do nosso presidente, que até é portista, mas pelo simples facto de Mário Almeida, pura e simplesmente, não concordar com o critério de atribuição das higiénicas bandeiras. Assim sendo, não candidata nenhuma praia à sua atribuição. A posição é mais do que discutível, e demonstra, até, algum desrespeito por normas que vigoram em toda a Europa. Será que Vila do Conde é superior aos ordenamentos jurídicos nacional e comunitário?
Se ficasse por aqui já era mau, mas Mário Almeida ainda consegue piorar as coisas: todos os anos realiza análises, a expensas da Câmara, sobre a qualidade da água. Nem é preciso dizer o resultado, pois não? Tudo 'cinco estrelas'. Entretanto, os ambientalistas e os locais que protestam contra este estado de coisas são rotulados de "inimigos de Vila do Conde " e a prova de que a Câmara está correcta é que "as nossas praias se enchem no Verão".
Bandeira Vermelha, senhor presidente.
Dupont

Pexeirada na SIC-Notícias


Estava eu a fazer um zapping, quando tropeço num daqueles momentos inesquecíveis que só a televisão portuguesa consegue dar. No programa "O Dia Seguinte", com óbvias ressonâncias apocaliptícas, ia acontecendo o fim do Mundo. Recorde-se que este programa é aquele que tem um painel composto por Guilherme Aguiar, Fernando Seara e Dias Ferreira, defendendo as cores, respectivamente, do FC Porto, do Benfica e do Sporting. Pelos vistos discutia-se esta notícia, em que se alude à eventual perda, por parte do SLB, do 2º lugar da Liga e da Taça de Portugal. Eis senão quando Luís Filipe Vieira entra por ali dentro, senta-se ao lado do locutor e nunca mais se calou até ir embora. "Estaão todos contra o Benfica"; "Ninguém repeita esta grande Instituição" e "já se sabe a quem é que isto interessa", foram alguma das frases construtivas... Se queria repor a verdade não o conseguiu e, pior, ainda ficou no ar a sensação de que não tem razão nenhuma. É que convidou Dias Ferreira a pronunciar-se, alegando que "você vai-me dar razão", e o sportinguista... não lha deu. Berros, passeios a pé pelo estúdio, esbrecejos violentos, Luís Filipe Vieira fez de tudo e em directo, chegando ao cúmulo de dizer que o Benfica não estava a ser bem defendido. Fernando Seara ficou enrascado, nem conseguiu levantar os olhos, mesmo depois de Vieira abandonar o estúdio, e teve que ser Dias Ferreira a vir em seu socorro, dizendo que o SLB estava a ser correctamente defendido pelo advogado casado com Judite de Sousa. Inacreditável.
Parece que, para este tipo de palhaçadas, já não há problemas de coração para Luís Filipe Vieira...
Dupont

segunda-feira, maio 24, 2004

A Terra vista do céu - 23


Guatemala - Cidade da Guatemala
por Yann Arthus-Bertrand

Dupont

Há dias assim...

No dia em que mudamos de template, verificamos que o Blasfémias colocou-nos no TopTen do Blasferas e o post sobre o Michael Moore recebeu o galardão de "Melhor Análise", no site do Jornal da Nova Democracia. Entretanto, no Weblog, rondamos o Top 50 nacional, embora já tenhamos estado em melhor posição.
A todos, o nosso muito obrigado. E, acreditem, tudo isto já ultrapassou as nossas perspectivas mais optimistas.
Dupond & Dupont

Countdown to Gelsenkirchen


Só boas notícias: o blog está a funcionar bem com a sua nova roupagem e tive, finalmente, a tão esperada confirmação - tenho bilhete e viagem para Gelsenkirchen. Yeeesssss!!! Se por lá houver um cibercafé, podem contar com um ou outro post. A ver vamos.
Entretanto, já se sabe quem é o árbitro: o dinamarquês Kim Nielsen. Tem cara de bom rapaz. O Jorge Costa tratará das apresentações...
Dupont

Novidade

Acabamos de saber, junto de fonte bem informada, que a recente remodelação ministerial vai ter efeitos em Vila do Conde. Podem acreditar, pois é mesmo verdade!
A saída do Minsitro Amilcar Theias e a subida de Arlindo Cunha à pasta do Planeamento, Cidades e Ambiente vai originar algumas alterações em vários organismos. Desde logo ao nível dos Secretários de Estado e Chefes de Gabinete. Depois, vai obrigar a que alguns dos organismos de onde são oriundos os novos membros dos gabinetes do Ministério se recomponham. É exactamente aí que entram as implicações Vilacondenses da remodelação.
Assim, aqui fica: O PRÓXIMO PRESIDENTE DA COMISSÃO DE COORDENAÇÃO E DESENVOLVIMENTO REGIONAL DO NORTE (cargo anteriormente exercido pelo agora Ministro Arlindo Cunha) VAI SER UM CIDADÃO VILACONDENSE.
Aqui ficam algumas pistas: é compadre do novo Ministro e está ligado à agricultura. Quem será?
Dupond

Nova imagem

Ora aqui está O Vilacondense rejuvenescido. Esteve em testes durante a passada semana e achamos que já era altura de o lançar. Cedemos à disponibilização das nossas fotos, ali, do lado esquerdo, o que fará a felicidade de muito curioso que por aqui anda...
Pedimos desculpa ao nossos leitores que haviam colocado comentários aos posts, uma vez que estes desapareceram todos. É que, agora, o alojamento dos mesmos está integrado no Blogger e já não no Haloscan, como acontecei na anterior versão.Aliás, o novo sistema de comentários necessita de alguma prática...
Esperemos que gostem.
Dupond & Dupont

domingo, maio 23, 2004

Está tudo louco

O Expresso traz uma sondagem sobre as Europeias. Se acreditarmos nas palavras da oposição, a coligação governamental terá sorte em eleger um só deputado, dos 24 em jogo.
Mas, surpreendentemente, a diferença entre o PS e o PSD-CDS é só de 3,3%!!! Três vírgula três por cento. Convertidas em deputados, as percentagens dão 11-12 mandatos para o PS e 10-11, para os partidos no Poder. Ou seja, quase um empate técnico. Quer isto dizer que, mais uma vez, a opinião pública e a publicada não estão em sintonia e que os líderes partidários da oposição não conseguem ludibriar o povo português, apesar de insistirem na falta de qualidade, e sabe Deus o que mais, do Governo.
Mas nem tudo está perdido: 4,5% dos eleitores fazem um favor à Nação e expulsam Miguel Portas para Estrasburgo. É uma pena que só 1,2% pensem o mesmo de Manuel Monteiro...
Dupont

Michael Moore


Gosto de Michael Moore. Mas gosto dele na mesma perspectiva em que gosto de ler "O Barnabé" - para me rir da Verdade com que esta gente quer tornar o Mundo mais feliz. É uma pena ninguém acreditar neles, mas o seu desmedido ego nem sequer lhes deixa pensar nisso...
Desde o primeiro filme-documentário, "Roger & Me", que sigo a carreira de Michael Moore. Como é óbvio, já aí não concordava nada com a maior parte das coisas que ele tentava injectar nos espectadores, mas deliciei-me com a sua obsessão e com a sua forma "totalitária" de reproduzir a verdade, a 'sua' verdade. Moore não mudou nada.
Começou por denunciar a General Motors, nesse filme inicial de 1989, avançou para umas comédias mainstream, voltou a atacar as grandes empresas em "The Big One" e em várias séries televisivas, para, há dois anos, atingir o jackpot com "Bowling for Columbine". Nesse filme-documentário, Moore expunha as contradições da América face à profusão de armas na sociedade e a violência própria do americano. Particularmente cruel foi o que fez com Charleton Heston, em que o confronta com a morte, a tiro, de uma adolescente, após o próprio Heston ter defendido a posse livre de armas no local onde ela haveria de ser assassinada. No plano final, vê-se um Heston velho, "entalado" com a pergunta de Moore, a afastar-se da câmara, comprometido e sem saber o que fazer. Venceu o Óscar por esse filme e, agora, a Palma de Ouro de Cannes, com "Fahrenheit 9-11", sobre George Bush.
É claro que, em Michael Moore, tudo é obsessivo e não há lugar a contra-argumentação. Era só o que faltava. Moore é daqueles que sabe perfeitamente que é dono da verdade. Por vezes, faz lembrar Oliver Stone, na fase 'JFK'... E é só nesta perspectiva que vale a pena olhar para o trabalho de Moore, sem nunca cair na tentação de o aplaudir verdadeiramente, porque no fundo, este democrata é um verdadeiro ditador.
Numa altura em que o Mundo inteiro parece estar contra a América e George W. Bush, nada melhor do que premiar um dos seus ódios de estimação. E foi precisamente isso que Cannes fez: atribuiu um prémio político, em vez do competente prémio artístico.
Dupont

Casamento Real

O casamento foi ontem e já estão à venda revistas com páginas e páginas de fotos sobre o enlace de Letizia com Filipe. Na net, basta procurar nos sites dos jornais espanhóis para se encontrar um rico portofolio de imagens, ilustrativo do casamento e de todas as festas e festinhas paralelas... É curioso que, ao contrário da ideia com que tinha ficado, ontem, ao ver partes da cerimónia, a presença da burguesia, política, das artes e, até, do desporto, foi significativa. Empresários e banqueiros foram muitos, mas também estilistas como Agatha Ruiz de la Prada, escritores como Mario Vargas Llosa ou o fantástico Arturo Perez Reverte, o presidente do Real- cada vez mais o clube do regime- Madrid, Florentino Perez, o astronauta Pedro Duque, o cantor Miguel Bosé, o tenista Juan Carlos Ferrero e o ciclista Miguel Indurain, entre muitos outros. Em suma, toda a gente que deu ou dá cartas, em Espanha, marcou presença.
Aqui, no Vilacondense, escolhemos três imagens: a dos nossos representantes monárquicos, a da rainha mais bonita, Raina, da Jordânia, e a do maior borracho que anda nestas coisas do social-real: Madalena, da Suécia.


D. Duarte e Isabel de Herédia


Raina da Jordânia


Madalena e Carlos Filipe, da Suécia

Dupont

A Terra vista do Céu

Não me canso de falar deste livro. Ontem, na Feira do Livro, vi, pela primeira vez, a edição portuguesa. É basicamente a mesma que tenho, em francês, apenas com algumas imagens diferentes e um grafismo aprimorado. A dimensão das fotos, próximo do tamanho A3, mantem-se, o que é essencial para a correcta apreciação de cada imagem.
O preço é uma agradável surpresa: 50 euros.
Dupont

A Terra vista do céu - 22


Guatemala - Paisagem agrícola
por Yann Arthus-Bertrand

Dupont

sábado, maio 22, 2004

Durão distraído

No Congresso do PSD, Durão Barroso acusou o Governo Regional dos Açores e o PS local de condicionarem a liberdade de expressão nas ilhas e de controlarem os meios de comunicação social. Não sei se é verdade. Se os socialistas açoreanos forem iguais à maior parte dos seus colegas vilacondense, é verdade na certa.
Mas, e aqui há um grande mas, Durão Barroso não pode atirar qualquer pedra, no que às Regiões Autónomas diz respeito, uma vez que tem um telhado do mais fino cristal: a Madeira. Não, não é 'o que se conta' - já lá estive e vi as emissões de televisão, como li os jornais insulares. E a preocupação do líder do PSD assenta, que nem uma luva, na vida democrática madeirense.
(ainda não tinha acabado de escrever esta posta e já recebia um email com o seguinte conteúdo: "CUBANO! COMUNA!", assinado por um misterioso AJJ...)
Dupont

Feira do Livro

Depois de uma overdose matrimonial-real, que durou toda a manhã e se estendeu pelo almoço, fui, numa de ‘desintox’, à Feira do Livro.
Não sei o que me leva a esta peregrinação anual. Durante o ano vou adquirindo os livros que me interessam, pelo que volto desta cíclica passagem pelo pavilhão Rosa Mota, quase sempre, com as mãos a abanar. O que se repetiu este ano… Comprei uns livros para as crianças, um sector que está em franco crescimento, a julgar pela quantidade de stands e de livros que encontrei. Um bom sinal, indiciador de que as próximas gerações poderão ter hábitos de leitura apreciáveis.
O problema da Feira do Livro, do meu ponto de vista, é a oferta. São livros a mais, sem outro critério de exposição que não seja o da editora-mãe. Daí, claro, a minha opção pelas livrarias tradicionais, onde a arrumação é temática.
Na verdade, quem é que consegue escolher o que quer que seja, quando milhares e milhares de livros nos parecem mirar, suplicando que os levem daquelas bibliofavelas, para estantes mais condignas? Ainda por cima, como se o manancial de escolha já não fosse grande, há livros que parecem omnipresentes. Por exemplo, a “Grande Enciclopédia Luso Brasileira de Cultura” está em vários distribuidores e algumas editoras, não presentes, acabam por, na verdade, o estar, através de stands generalistas, o que cria uma curiosa sensação de déja-vu.
Este ano, o ritual está cumprido. Para isto, não valerá a pena cá voltar. Pelo menos, até ao próximo ano…
Dupont

O lobby anti-portista

A perspectiva de o F.C. Porto conquistar a segunda Taça dos Campeões está a deixar os cabelos em pé dos seus adversários caseiros. À boa maneira portuguesa, em vez de imitar o percurso dos dragões, procuram obstruai-lo. A Bola e, especialmente, o Record, fazem manchetes vergonhosas “informando” que Mourinho vai para o Chelsea, sucessivamente por 2, 4, ou 6 milhões, consoante nos vamos aproximando de Geselkirchen. Agora, é o próprio Expresso, essa vaca sagrada do nosso jornalismo, a garantir que Mourinho e Pinto da Costa não se falam.
Realmente, o FC Porto é uma irritante e insuportável pedra no sapato de certos senhores…
Dupont

A Terra vista do céu - 21


Guatemala - Agricultura nas encostas dos montes
por Yann Arthus-Bertrand

Dupont

sexta-feira, maio 21, 2004

Congresso do PSD

É já hoje que começa o congresso do PSD, em Oliveira de Azeméis. Não sei porquê, mas sempre me pareceu uma toponímia pouco feliz... Vamos lá ver se não influencia negativamente…
A nível nacional, os congressos dos sociais-democratas só têm comparação com as Assembleias Gerais do Benfica, exceptuando os insultos – às vezes… Não se veja neste meu comentário algo de negativo, para ambas as instituições. Isso só prova que têm apoiantes empenhados e interessados e, por outro lado, que se trata de instituições abertas e democráticas, que nada têm a esconder de ninguém. Pelo contrário, os mesmos eventos no PCP ou no FC Porto, são perfeitamente entediantes.
É claro que o sucesso dos congressos do PSD se deve, em boa parte a dois factores: as bases e PSL, que não é um novo partido mas, apenas, as iniciais do enfant terrible Pedro Santana Lopes. As ‘bases’ saem do povo, são o militante popular, da fartura e do enchido, da festa da aldeia e da ‘profunda amizade’ ao senhor padre e ao senhor Presidente da Câmara. São aqueles a quem as televisões adoram perguntar sobre o que versa a moção A e quem é o cabeça de lista da moção B.
Depois, há Pedro-político–autarca-comentador-sportinguista- colunável-mulherengo-Santana Lopes. Uma pessoa que quer ser bom em tudo, normalmente não é bom em nada. Mas PSL é excelente numa coisa: no culto da superficialidade. Toda a gente sabe e ele ainda mais, que o nosso herói não aprofunda temas, nem domina dossiers. Tudo em PSL se baseia na gestão de imagem e na auto-confiança de que os seus excelentes dotes oratórios são capazes de o desenrascar de qualquer situação embaraçosa. Falar, falar, falar e muito pouco trabalhar. Um pouco como o meu amigo de aventuras, Oliveira de Figueira, que consegue vender frigiríficos no Ártico e aquecedores nos trópicos... Para tal, PSL conta com um staff primoroso e dedicado, que o vai abastecendo de informação, já espremida, porque, como qualquer prima-donna, PSL só gosta de essências…
Obviamente que o português, que tem na lendária arte do desenrasca o seu seguro de vida, venera o 'guru' da matéria. Podem até não votar nele, mas adoram escutá-lo, rezam para que “parta a louça” e acham que o PSD até deveria trocar o ‘D’ pelo ‘L’, em sua homenagem.
Neste congresso, Santa Lopes irá subir ao palanque e o Congresso suspenderá a respiração. Será que ele vai proclamar-se candidato às Presidenciais? Será que vai fazer críticas à política do Governo? Será que deixa de ser candidato à Câmara de Lisboa? Será que vai dizer o que já disse ou o contrário disso mesmo?
Pedro Santana Lopes é do PSD. Mas não é o PSD. Graças a Deus.
Dupont

Fora de tempo

O tempo é uma coisa terrível. De repente tudo muda.
Este é clamente o caso daquilo que aconteceu ao Público. Certamente fruto de uma séria e aturada pesquisa jornalística, ISABEL ARRIAGA E CUNHA, correspondente em Bruxelas do prestigiado jornal, escreveu uma notícia que aponta para a iminente indicação de Arlindo Cunha como Comissário Europeu com a pasta da Agricultura no futuro "Governo" da Europa.
Como é bom de ver, o Público teve azar. A notícia está completamente ultrapassada, já que o potativo Comissário foi investido esta manhã nas funções de Ministro das Cidades e Ambiente, sucedendo ao cinzento Amilcar Theias.
Hoje foi um dia de azar para o Público. Acontece...
Dupond

A matriz dos mistérios


O mistério correu ligeiro entre os frequentadores habituais da nossa Igreja Matriz: o que acontecera ao crucifixo que estava junto ao altar de S. José?
As 'senhoras da Igreja' atiravam as culpas para o novo Prior, que até é bem parecido e nada beato, mas que o tinha mandado retirar, sem explicações, muito menos a elas... Vozes culturalmente esclarecidas encontravam o móbil do crime na "malta dos monumentos nacionais", que zelando pela integridade estética do nosso templo manuelino, não teriam gostado de ali ver uma peça de valor artístico discutível... É claro que, nestes mistérios religiosos, surge sempre uma vidente: uma devota afirmava que tinha visto, "com estes olhos que a terra há-de comer", uma carrinha a parar em frente à Matriz, perto da meia-noite, de onde saíram quatro homens, que entraram no templo e, minutos depois, de lá sairam com... o crucifixo! Ó valha-me Deus!
Estes zun-zuns acabaram por chegar ao ouvido do prior, não se sabe se por segredo de confissão ou por carta anónima. O certo é que, na missa seguinte, o jovem sacerdote não esteve com meias medidas e, com um puxão de orelhas a algumas ovelhas do rebanho, desvendou o mistério: a cruz tinha ido para restauro!
Um enorme "ohhhhhhh!" ecoou pela Matriz...
Dupont

A Terra vista do céu - 20


Ilhas Grenadinas - Tobago cays - 3
por Yann Arthus-Bertrand

Dupont

Revista da Opinião Vilacondense

No suplemento de Vila do Conde d' O Primeiro de Janeiro temos
- Carlos Laranja, "Vamos votar!"
- Alexandre Raposo,"Uma alternativa inócua"
- Fernando Reis,"Parlamento Europeu"
- António José Gonçalves, "Eleições para o Parlamento Europeu (I)"
- Felicidade Ramos, "Diálogo Virtual".
- Abel Maia, "Ansiedade".
Os nossos políticos locais estão profundamente interessados nas próximas eleições europeias: três textos em seis, é muita preocupação... Assim, o destaque vai todo para o artigo de Alexandre Raposo, mais pelo conteúdo do que pela forma, verdade seja dita... E o deputado municipal do PP marca pontos: desde logo, porque foi o primeiro político vilacondense da oposição a pronunciar-se, abertamente, sobre o aparecimento da protocandidatura de Rogério Torres; em segundo lugar, porque as críticas que faz são pertinentes, algumas delas em natural sintonia com o que aqui escrevemos há uma semana.
Quanto ao artigo de Abel Maia, é o costume: insinuação daqui, remoque para ali, novidade em lado nenhum. O nosso amigo já percebeu que está como o treinador do seu clube do coração: de saída, mas só confirma quando a última competição em que a actual equipa participar estiver terminada. A diferença é que enquanto Mourinho sai porque quer e sobe na carreira, Abel sai porque não o querem, e desce. Se calhar, ainda vai para presidente da Assembleia Municipal. Para fazer paralelo com o que lhe aconteceu nos Bombeiros...
Dupont

quinta-feira, maio 20, 2004

A lei, essa incompreendida...

Vivemos numa país onde fazer cumprir a lei é notícia: "várias dezenas de peões que atravessaram a estrada fora da passadeira no parque de estacionamento de um centro comercial de Faro foram ontem multados".
Vivemos num país onde temos sempre desculpas para os nossos erros: "Vim às compras e estava distraído, por isso passei fora da passadeira (...) Há muitas irregularidades que são cometidas todos os dias por automobilistas e as autoridades fecham os olhos" e "não acho correcto que se passem multas a peões em vez de serem feitas acções de sensibilização".
Vivemos num país onde as autoridades pedem desculpas por cumprir a lei: "tratou-se de «uma acção pedagógica»" explicou José do Carmo, da PSP de Faro.
Vem tudo no JN, de hoje.
Dupont

Brilhante

O Público apresenta hoje um texto brilhante, da autoria de Ângelo Teixeira Marques, que retrata com particular perspicácia e alguma graça a forma como os Vilacondenses vivem neste concelho.
O autor ilustra o escrito com dois hipotéticos cidadãos, traçando uma linha de fronteira entre ambos, utilizando como critério diferenciador o facto de um deles viver na sede do concelho e do outro habitar uma das 29 freguesias que a circundam. Para ilustrar as diferenças entre a qualidade de vida de que ambos disfrutam, Teixeira Marques fala em aspectos que vão desde a existência (ou não) de espaços de lazer, de saneamento básico ou de segurança.
A aderência daquilo que diz à realidade é total. Infelizmente, fruto do modelo de desenvolvimento que o concelho tem seguido, Vila do Conde é hoje um concelho profundamente desarticulado, em que os cidadãos são tratados de forma completamente diversa, caso sejam habitantes da cidade ou de qualquer das freguesias.
É mau que assim seja, já que, salvaguardadas as características específicas de cada um dos territórios, a vida em Vila do Conde poderia ser igualmente agradável, digna e satisfatória, independentemente do local em que cada um habita. Mas não é...
Dupond

A Terra vista do céu - 19


Ilhas Grenadinas - Tobago cays - 2
por Yann Arthus-Bertrand

Dupont

quarta-feira, maio 19, 2004

Júdice

José Miguel Júdice aparece, hoje, em todos os meios de comunicação social a atacar o Governo, pela sua política de Justiça.
Hoje, ao almoço, conversava com duas pessoas "do foro". São ambas PSD. Simpatizantes. E o que me referiram foi que ele tem razão, mas não tem autoridade moral para falar. E porquê?
Em primeiro lugar porque prometeu combater a procuradoria ilícita e ainda nada fez, de concreto e com eficácia.
Depois, deixou-se ultrapassar na questão dos solicitadores de execução. Para quem não sabe, tudo o que seja serviço externo dos Tribunais (penhoras, citações, despejos, etc.) está entregue a essa nóvel figura. Que se cobra e bem. Acontece que o lugar está vedado a advogados, o que impossibilita, desde logo, o acesso a essa profisão judiciária de milhares de estagiários com graves problemas de inserção no mercado de trabalho.
Em terceiro lugar, não lutou para que todos os agentes judiciários tivessem adequada formação, especificamente no campo da informática. Um dos meus colegas contou que, na semana passada, se dirigiu a um Tribunal do Porto, solicitou guias para pagamento de uma multa e assistiu ao inacreditável espectáculo de quatro funcionários à volta de um computador a tentar resolver o problema, durante vinte minutos... Outro exemplo é o facto de os Tribunais exigerem um 'print' do corpo do mail de envio da peça processual para o Tribunal. Como se isso provasse alguma coisa...
Finalmente, em quarto lugar, a total anuência perante as quase diárias violações dos Estatuto Profissional dos Advogados, nos casos mediáticos que todos conhecemos.
Dupont (& amigos...)

Jorge Silva

Há um Vilacondense que é candidato ao Parlamento Europeu. O seu nome é Jorge Manuel Gomes da Silva, é apresentado como Gerente-Comercial e é o 17º candidato da Lista do partido da Nova Democracia.
Já falamos dele aqui, num post bem-humorado. Ficamos a aguardar com curiosidade as suas impressões e propostas sobre os caminhos de aprofundamento da construção europeia.
Dupond

Parabéns, Trenguices


O Trenguices-Impressões de um Boticário de Província é um dos nossos blogs preferidos. É muito bom. Tão bom que até merecia ser vilacondense… Faz hoje um ano e nós, aqui, no Vilacondense, resolvemos oferecer-lhe este presente:
OK, Mário: olhe fixamente para a imagem durante dez segundos. Imagine que aquela deusa está a olhar para si, olhos nos olhos, enquanto se bamboleia. E, depois, ouça-a miar:
Happy Birthday to you
Happy Birthday to you,
Happy Birthday dear Boticário,
Happy Birthday to you!
E depois vá medir a tensão…
Dupond & Dupont

Sevillha 2003


Hoje, joga-se a final da Taça UEFA, entre o Valência e o Marselha. Há um ano, estava a caminho de Sevilha, para um dia inesquecível. Derlei, Alenitchev e, novamente, Derlei, conseguiram abafar o Celtic e o terrívelmente eficaz Enrik Larsson. Uma noite de verdadeira GLÓRIA!
Daqui a uma semana, o impensável: Geselkirchen e a final da Liga dos Campeões.
Dupont

Obsessões coleccionistas


Estão a ver o automóvel que está na foto? Para mim, não passa de um monte de sucata, sem valor. Pois houve quem pagasse 544.000 euros pelo que resta deste Austro-Daimler 19/100. Ou seja, mais de cem mil contos!
A notícia vem na edição de Maio da ‘Turbo’, onde está explicado o mistério. Pelos vistos trata-se de uma viatura desenhada pelo mítico Ferdinand Porsche e que, nos anos 20, foram uma referência entre os automóveis desportivos. O da imagem, com o chasiss 11026, foi campeão do “Tourist Trophy”, mas acabou atirado para o fundo de um palheiro de uma quinta da Inglaterra, de onde saiu para este leilão da Christies. A raridade advém não só dos escassos exemplares da Austro_Daimler existentes, como também por só serem conhecidas duas viaturas sobreviventes da mencionada prova automobilística. A licitação começou em 110.000 euros e terminou, meia-hora depois, para lá do quíntuplo do montante inicial. O novo proprietário arrisca um número entre os 100.000 e os 130.000 euros para restauração.
É verdade que, nestas situações, nunca sei onde é que acaba a sanidade e começa a loucura. Por vezes, gastam-se quantias obscenas, rouba-se tempo à família e criam-se dependências psicológicas. Mas é um prazer estar com pessoas destas, que falam de cada peça como se de um filho se tratasse, que passam privações e trocam tudo pela sua paixão. Basta visitar a casa de algum e ver o carinho com que têm tudo arrumado, catalogado e arquivado, como se tudo aquilo fosse uma extensão da sua própria existência.
"Eu tenho a minha loucura!", cantava, a negro, o nosso Régio.
Dupont

A Terra vista do céu - 18


Ilhas Grenadinas - Tobago cays - 1
por Yann Arthus-Bertrand

Dupont

terça-feira, maio 18, 2004

“The right connection”

Ontem, a meio da tarde, recebi um telefonema da minha mulher. Andara indisposta todo o fim-de-semana, sentira-se mal e desmaiara. Em face disto, resolvera ir, não ao “seu” Centro de Saúde, mas a um outro, onde trabalha F., médica, sua comadre e amiga. Disse para não me preocupar e que fosse buscar as crianças. Escusado será dizer que saí imediatamente do trabalho, meti-me no carro, telefonei ao meu sogro para que fosse ele ao infantário. Dirigi-me, o mais rapidamente possível, para junto dela. Quando estou a tentar estacionar o carro, recebo uma chamada. Uma voz feminina intitula-se “Drª…” e pergunta-me:
- É o marido de ….
- Sou. Aconteceu alguma coisa?
- A sua esposa está aqui, com um problema cardíaco. Não temos possibilidade de fazer aqui uma série de exames, pelo que vai ser transferida para o Hospital … Já chamamos a ambulância. Mas não se preocupe que não é nada de muito grave. – procurou descansar-me a médica.
- …
- Estou?..
- …
- Esta lá? Está a ouvir?
- Ahnmmm. Estou, estou… Mas o que é que quer dizer com “não é de nada de muito grave"?
- Não se preocupe e vá para o hospital.
Inversão de marcha e lá arranco para o hospital. É perto. Nem cinco minutos de viagem. Aquele “muito” ecoa-me dentro da cabeça. Estaciono no exterior e dirijo-me à ‘Urgência’. Quando estou quase a chegar, uma ambulância pára. No interior está R.,a minha mulher, com ar de quem não se aguenta em pé. Um dos bombeiros aconselha calma e vai buscar uma cadeira de rodas. Amparada, R. consegue sentar-se nela. Entramos e dão-nos indicações para nos dirigirmos a ‘cardiologia’. Assim fizemos.
A porta estava aberta. Uma paciente e três médicos. Dois deles conversam. Aguardamos. A mais velha sai com a paciente e, quando volta, sozinha, dispara para R., num tom inquisitório:
- O que é que você está aqui a fazer?
- Bem, estava no escritório quando me senti desfalecer, pelo que…
- O que é que uma pessoa da sua idade está a fazer numa cadeira de rodas? Levante-se e vá-se sentar numa cadeira! – quase ordenou.
- Mas estão todas ocupadas, além de que … - tentou explicar R.
- Pois estão. Então fique aí. Estava a dizer… - disse a médica, procurando reatar a conversa.
- Que me senti mal, desmaiei, senti tonturas e..-
- Tonturas? Hoje mandam as tonturas todas para cardiologia!… Espere aí que já a atendemos – atirou, virando as costas.
A médica voltou para o interior do gabinete de cardiologia e continuou a conversa com os dois colegas. À nossa volta, filas de idosos aguardavam a sua vez, para as mais variadas especialidades. Uma atmosfera tensa pairava em toda aquela zona da ‘Urgência’, aqui e ali entrecortada por gemidos e um ou outro berro de um paciente mais exaltado. Os enfermeiros e demais pessoal entretinham-se, num vaivém constante, a entrar e a sair das diversas salas, com a ocasional resmungadela para um colega que não fazia “o que lhe competia”. O tempo ia passando…
“Burro velho já sabe o caminho”, pensei. Afastei-me dez passos, saquei do telemóvel e liguei para C., amigo de farras académicas e, talvez por isso, cardiologista... O seu serviço é precisamente naquele hospital mas, infelizmente, não se encontrava lá.
- Não te preocupes que eu ligo já para aí – informou-me.
Desligo o telemóvel e regresso para junto de R. Uma simples troca de olhares e ela percebeu, imediatamente, o que eu acabara de fazer. Lá dentro, toca o telefone. Meio minuto de conversa. A mesma médica regressa e num tom amigável diz:
- É a Drª R…?
- Sou – confirma a minha mulher.
- E o sr. deve ser o...
- Sou…Sou… - murmuro, como se tivesse visto aquele filme várias vezes e já adivinhasse o fim daquela história.
- Estive a falar com o Dr. C., e ele deu-me as melhores referências de vocês. Podem estar descansados que estão em óptimas mãos. Faz favor de entrar – indicou a médica, com um largo sorriso. R . entrou.
Respirei fundo. Preparava-me para me sentar quando a transfigurada senhora regressa e me diz:
- Se quiser entrar… Não é costume, mas como não está mais ninguém...
Dupont

segunda-feira, maio 17, 2004

Janela Indiscreta


Um dia, gostava de expôr aqui as minhas reflexões sobre um dos 'filmes da minha vida', mais precisamente "Janela Indiscreta", de Hitchcock. Mas, depois de ler esta magnífica posta, no Contra-a-Corrente, o projecto foi marinar. Até um dia...
Dupont

Kusturica


Quem diria... O grande Emir Kusturica, realizador de "O Tempo dos Ciganos", "Underground" e "Gato Preto, Gato Branco", confessou-se "adepto do Porto". Tudo porque o também baixista dos "No Smoking Orchestra" vê nos resultados da equipa portuguesa, face às milionárias equipas europeias, uma analogia com a sobrevivência do cinema independente perante os ataques dos tubarões de Hollywood. O que é pertinente, convenhamos...
Mais curioso ainda é que o jornalista do JN alertou-o para a o facto dos adversários do Porto pensarem que as suas vitórias se devem a um qualquer "sistema". Resposta de Justurica: "O quê, qualquer coisa como uma máfia? Então ainda gosto mais desse vosso Porto!". Assim se constrói uma lenda...
Dupont