As faces da moeda
A disputa que está a desenhar-se à volta do Rio Ave deixa-me algo inquieto. Na verdade, acho que anda toda a gente distraída, não dando a mínima importância àquilo que acontece, neste momento, no País e, muito menos, tirando ilações dos graves acontecimentos que, recentemente, abalaram o "Portugal do Futebol"...
Do lado de Mário Almeida, o que vemos é a confirmação de um estilo de liderança em perfeita promiscuidade com o futebol. Ele é o Presidente da autarquia, do Partido que lidera a Câmara, acumulando esse poder político com a liderança do clube de futebol. Fá-lo, sempre, por interposta pessoa, mas toda a gente conhece a sua influência nas principais decisões do clube e até mesmo no financiamento da actividade corrente do mesmo.
Por outro lado, começa a despontar no horizonte a possibilidade de uma candidatura alternativa. E quem é que aparece? Pedro Soares. Os que o conhecem sabem que as suas ambições estão, também, ao nível político. Já foi candidato à lideranca do PSD local e perdeu duas vezes. Candidatou-se à Junta de Freguesia de Vila do Conde e perdeu contra José Maria Postiga. Ou seja, trata-se de alguém que tem procurado afirmar-se, na politica local, de forma evidente.
Perante este cenário, será que Mário Almeida e Pedro Soares não poderão ser entendidos como faces de uma mesma moeda? Ou seja, não estaremos a assistir, seja da parte de Mário Almeida, seja na de Pedro Soares, a uma tentativa de utilização do futebol para alcançar idênticos fins no campo político? Será que, um e outro, não buscam senão a exposição pública que o controlo do principal clube desportivo do concelho pode permitir?
Não tenho a certeza das respostas, mas confesso-me inquieto. Parece-me que seria muito mais interessante que houvesse uma mais clara separação das águas: ao futebol o que é do futebol; à politica o que é da política.
Dupond

por Alcazar, Dupond, Dupont e Haddock

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