Congresso do PSD
É já hoje que começa o congresso do PSD, em Oliveira de Azeméis. Não sei porquê, mas sempre me pareceu uma toponímia pouco feliz... Vamos lá ver se não influencia negativamente…
A nível nacional, os congressos dos sociais-democratas só têm comparação com as Assembleias Gerais do Benfica, exceptuando os insultos – às vezes… Não se veja neste meu comentário algo de negativo, para ambas as instituições. Isso só prova que têm apoiantes empenhados e interessados e, por outro lado, que se trata de instituições abertas e democráticas, que nada têm a esconder de ninguém. Pelo contrário, os mesmos eventos no PCP ou no FC Porto, são perfeitamente entediantes.
É claro que o sucesso dos congressos do PSD se deve, em boa parte a dois factores: as bases e PSL, que não é um novo partido mas, apenas, as iniciais do enfant terrible Pedro Santana Lopes. As ‘bases’ saem do povo, são o militante popular, da fartura e do enchido, da festa da aldeia e da ‘profunda amizade’ ao senhor padre e ao senhor Presidente da Câmara. São aqueles a quem as televisões adoram perguntar sobre o que versa a moção A e quem é o cabeça de lista da moção B.
Depois, há Pedro-político–autarca-comentador-sportinguista- colunável-mulherengo-Santana Lopes. Uma pessoa que quer ser bom em tudo, normalmente não é bom em nada. Mas PSL é excelente numa coisa: no culto da superficialidade. Toda a gente sabe e ele ainda mais, que o nosso herói não aprofunda temas, nem domina dossiers. Tudo em PSL se baseia na gestão de imagem e na auto-confiança de que os seus excelentes dotes oratórios são capazes de o desenrascar de qualquer situação embaraçosa. Falar, falar, falar e muito pouco trabalhar. Um pouco como o meu amigo de aventuras, Oliveira de Figueira, que consegue vender frigiríficos no Ártico e aquecedores nos trópicos... Para tal, PSL conta com um staff primoroso e dedicado, que o vai abastecendo de informação, já espremida, porque, como qualquer prima-donna, PSL só gosta de essências…
Obviamente que o português, que tem na lendária arte do desenrasca o seu seguro de vida, venera o 'guru' da matéria. Podem até não votar nele, mas adoram escutá-lo, rezam para que “parta a louça” e acham que o PSD até deveria trocar o ‘D’ pelo ‘L’, em sua homenagem.
Neste congresso, Santa Lopes irá subir ao palanque e o Congresso suspenderá a respiração. Será que ele vai proclamar-se candidato às Presidenciais? Será que vai fazer críticas à política do Governo? Será que deixa de ser candidato à Câmara de Lisboa? Será que vai dizer o que já disse ou o contrário disso mesmo?
Pedro Santana Lopes é do PSD. Mas não é o PSD. Graças a Deus.
Dupont

por Alcazar, Dupond, Dupont e Haddock

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