sexta-feira, maio 21, 2004

A matriz dos mistérios


O mistério correu ligeiro entre os frequentadores habituais da nossa Igreja Matriz: o que acontecera ao crucifixo que estava junto ao altar de S. José?
As 'senhoras da Igreja' atiravam as culpas para o novo Prior, que até é bem parecido e nada beato, mas que o tinha mandado retirar, sem explicações, muito menos a elas... Vozes culturalmente esclarecidas encontravam o móbil do crime na "malta dos monumentos nacionais", que zelando pela integridade estética do nosso templo manuelino, não teriam gostado de ali ver uma peça de valor artístico discutível... É claro que, nestes mistérios religiosos, surge sempre uma vidente: uma devota afirmava que tinha visto, "com estes olhos que a terra há-de comer", uma carrinha a parar em frente à Matriz, perto da meia-noite, de onde saíram quatro homens, que entraram no templo e, minutos depois, de lá sairam com... o crucifixo! Ó valha-me Deus!
Estes zun-zuns acabaram por chegar ao ouvido do prior, não se sabe se por segredo de confissão ou por carta anónima. O certo é que, na missa seguinte, o jovem sacerdote não esteve com meias medidas e, com um puxão de orelhas a algumas ovelhas do rebanho, desvendou o mistério: a cruz tinha ido para restauro!
Um enorme "ohhhhhhh!" ecoou pela Matriz...
Dupont