O Gourmet e a Democracia

O irritante Fernando "Façonnable" Rosas pronuncia-se, hoje, no Diário de Notícias, sobre hábitos alimentares e gastronomia. O dirigente do Bloco de Esquerda considera-se "um bom garfo" e confessa-se "muito guloso", concluindo com uma invocação religiosa surpreendente: "se esse é um pecado mortal, estou feito...".
Um dos restaurantes que mais aprecia é "A Charcutaria": "É, sem dúvida, um dos melhores restaurantes de Lisboa. Serve uma comida alentejana sofisticada. Quando faço jantares lá em casa, costumo encomendar a comida aqui. Tem excelentes pratos de arroz e de caça". Recomendções à beira-rio são poucas: "Há a Bica do Sapato, que é caríssima, e pouco mais".
Fast-food é que não: "Por princípio, nunca entro em sítios desses. Sem dúvida, são muito maus. Os grandes interesses económicos condicionam o que comemos e a fast food é um desastre alimentar".
Passando ao lado da incoerênia de nunca entrar nesses sítios, mas saber opinar sobre o assunto, fico perplexo quando um destas defensores do povo vem para a praça pública pavonear-se com as suas requintadas escolhas e olha, com desdém, para os 3 ou 4 euros que se paga por uma refeição, num McDonalds. É que, goste-se ou não, as cadeias de fast food oferecem comida a preços módicos. E respeitando a lei do mercado. Fernando Rosas, em coerência, deveria ser o primeiro a apaludir a MCDonalds e quejandos. Afinal, eles conseguiram, na prática, o igualitarismo que ele apenas prega em palavras e que só deseja no campo das intenções.

por Alcazar, Dupond, Dupont e Haddock

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