sexta-feira, maio 28, 2004

Rock in Rio


Começa hoje "o maior festival de Rock do Mundo". Olho para o cartaz e o panorama é confrangedor. Boa parte das vedetas são perfeitas "has beens", se é que algum dia o foram...
Hoje, temos Paul McCartney. Desde que saiu dos Beatles, fez um carreira xaroposa, praticamente sem um composição meritória, tudo girando à volta da sua superior capacidade melódica, mas a que falta o espírito rebelde de Lennon. Isto para não falar que Macca não tem qualquer ligação ao público alvo deste tipo de concertos...
Isto leva-nos para uma outra perspectiva: que é que o Rui Veloso está lá a fazer? E o Luís Represas? E o Alejandro Sanz? E mesmo o Sting? Será que a organização optou por colocar em palco nomes que chamassem os quarentões endinheirados e os desesperantes VIPs lisboetas? E a provar isso, veja-se a chamada de Britney Spears, uma artista com um público alvo a rondar os 15 anos. Parece a estratégia T-Clube/Triginometria, no Algarve - os pais entram pela direita para a boite, enquanto os filhos avançam pela esquerda, para a discoteca...
As notas positivas vão para Alicia Keys, dona de uma voz negra, profunda, fabulosa, para Ben Harper e, obviamente, para a "consciência da música pop", Peter Gabriel, alguém que, apesar dos anos que já leva, sempre primou, em cada trabalho, por um abordagem inovadora e procura de sonoridades, sem meo de pisar terreno virgem, o que não se pode dizer da malta da sua idade, como Sting, que andam a fazer o mesmo disco há vinte anos... Aliás, o ex-líder dos Police, lidera o meu ranking dos "piores concertos". Foi em Alvalade, em 92 ou 93. Cinco estátuas em palcod despacharam friamente as músicas e foram-se embora. O momento alto foi quando o guitarrista se arrastou de junto do seu microfone para perto do baixista, dois metros à sua direita... Mas, mais uma vez, a culpa foi minha. No bilhete dizia Sting e eu li "The Police"...
Enfim, aí temos o primeiro dos grandes concertos de Verão, neste caso espalhado por seis dias. Talvez esteja a ficar velho, mas, por mim, tirando as excepções referidas, não punha lá os pés.
Dupont