Consequências da saída de Durão – II
Para a coligação do Governo e para o PSD em particular, esta alteração drástica parece vir na melhor altura. Santana Lopes, pelo seu carisma e sentido político, parece ser o homem certo para conseguir “levantar o moral às tropas”, invertendo o clima de degradação da imagem do Governo junto da população.
As suas características pessoais, nomeadamente o forte carisma, mas também a conjuntura favorável decorrente dos resultados das difíceis medidas tomadas nos últimos dois anos, fazem antever um futuro promissor na sua afirmação no novo cargo.
Para o PS esta alteração é péssima. Como se sabe, o PS está a poucos meses de um Congresso onde a liderança de Ferro Rodrigues será fortemente contestada. Perante isso, o que se pode esperar da posição dos socialistas? Obviamente que só se pode esperar que eleve a sua voz e peça "sangue". Ou seja, que insista no pedido de eleições antecipadas. É que se a direcção do PS fizesse aquilo que o interesse nacional pede, ou seja, apelasse à salvaguarda da estabilidade política e afirmasse o apoio à chegada de um português ao cargo de Presidente da Comissão Europeia, correria fortes riscos de perder o apoio de muitos delegados ao próximo Congresso socialista. Ao tomar essa posição Ferro comete ainda o pecado da incoerência, pois passou os últimos meses a pedir a Durão para apoiar António Vitorino para o cargo (ao qual sabia que era impossível Vitorino chegar), alegando com o interesse nacional, facto que o deveria obrigar a colocar-se na primeira linha dos apoiantes de Durão.
Como é óbvio, os votinhos no próximo Congresso do PS impedem-no disso. Como é óbvio, a sua credibilidade perante o país ressentir-se-à disso.
Dupond

por Alcazar, Dupond, Dupont e Haddock

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