sexta-feira, junho 18, 2004

Médicos

Nos últimos meses temo-nos fartado de ouvir falar de greves de médicos alegando a falta de pagamento das horas extraordinárias. Na verdade, o que alegam não é a falta de pagamento das horas, mas sim o tipo de tabela que se deve aplicar a esse pagamento, pois como sabe, as horas extraordinárias efectuadas, bem como os respectivos salários, são sempre pagos no final de cada mês.
Hoje ficamos a saber que a Inspecção Geral da Saúde critica a falta de controlo sobre a forma como as horas extraordinárias são registadas. O responsável pela Associação dos Administradores Hospitalares (um feroz adversário deste Ministro da Saúde, e portanto, insuspeito de estar a fazer fretes ao Governo) confirma a situação, afirmando que há directores de serviço a "assinar de cruz" as horas extraordinárias dos profissionais de saúde nos hospitais.
Em 2002 os gastos com estas horas extraordinárias foram de 257 milhões de euros (cerca de 51,5 milhões de contos) o que é uma verba astronómica. No entanto, como cidadão e constribuinte, o que me deixa preocupado é que este brutal dispêndio de dinheiro aconteceu sem que houvessem quaisquer acrescentos de produtividade ao trabalho dos médicos.
Agora que sabemos disto, temos elementos para compreender melhor as verdadeiras motivações das greves que vem acontecendo. Compreendemos e revoltamo-nos...
Dupond