O Vilacondense anda a ouvir
Anos 80: The Smiths. Anos 90: James. 2004: Morrissey e Tim Booth.

Após o fim de uma banda, é normal que o seu leading man prossiga com a carreira, iniciando um projecto a solo. A pop dos anos 80 ficará, para sempre, marcada por essa banda fabulosa que dava pelo prosaico nome de “The Smiths”. À semelhança dos Beatles, com McCartney/Lennon, ou dos Stones, com Jaeger/Richards, aqui também houve uma parceria fantástica: Morrissey e Johnny Marr. Com o fim do projecto, Morrissey iniciou uma carreira a solo, com meia dúzia de álbuns publicados, alguns de inegável qualidade. Agora, saiu “You are the quarry”, provavelmente o melhor de sempre. Voltaram as melodias harmoniosas, como em “Come Back to Camden” em contraponto à energia das guitarras, em músicas como “Irish Blood, English Heart” ou o pop dançável de “I’m not sorry”. A temática continua a mesmas de há vinte anos, como a luta contra o sistema social e político ingles, nomeadamente, nessa mesma composição, quando canta : “I’ve been dreamning of a time when/the English are sick to death of Labour and Tories/ and spit upon the name of Oliver Cromwell/and denounce the royal line that still salute him/and will salute him forever”.
Mas o autor/intérprete está atento a outras realidades, como a crescente importância dos EUA, “América/your head’s too big/because america/you’re belly’s too big” ou memórias em fuga de uma juventude cada vez mais distante: “I have forgiven Jesus – I was a good kid” ou “First of the Gang to Die”.
Morrissey está em forma. Enterrada a rebeldia, o seu novo look, cool, não lhe retirou a arte de produzir um belo disco. Ainda bem.

O caso de Tim Booth é completamente diferente. Ele era a alma dos James e a prova disso é que a maior parte das canções de ‘Bone’ poderiam passar, perfeitamente, por composições da banda. O som é quase igual, melhor produzido, sem dúvida, mas a “sonoridade James” está sempre presente. Mais importante, é o facto de as letras continuarem a expressar os fantasmas de Tim Booth, como os dramas existenciais. Veja-se ‘Monkey God’, quando canta "we co create our own fate/everythings connected/God in Man/Man from ape/everythings connected” ou então, em ‘Bone’, quando conclui que “One man lives/One man dies/One forgives/One gets crucified”. Booth também não esquece a insegurança pessoal, visível na recuperação de “Please, fall in love with me”. Este é a segunda aventura do ex-líder dos James fora da banda que lhe deu fama. A primeira foi “Booth and the Bad Angel”, uma parceria com Angelo Badalamenti, o compositor que a série de David Lynch, Twin Peaks, tornou famoso. É um bom álbum, que passou quase despercebido. Aliás, o autor foi lá recuperar “Please, fall in love with me”, num registo diferente.
Não é um mau trabalho, longe disso, mas falta-lhe chama e, principalmente, inovação. Aliás, para meu desgosto, parece que os James eram a banda de apresentação do sr. Tim Booth…
Dupont

por Alcazar, Dupond, Dupont e Haddock

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