terça-feira, agosto 31, 2004

Sondagem

A um ano das eleições autárquicas, o Vila do Conde Quasi-Diário apresenta os resultados da sua sondagem quanto aos presidenciáveis à nossa Câmara Municipal. Santos Cruz cilindrou a concorrência. (Concorrência? Qual concorrência?)
Dupont

Game(s) Over


Terminaram os Jogos Olímpicos de 2004. Acabado de chegar de Atenas, o enviado especial d'O Vilacondense ainda está contagiado pela emoção de ter assistido à Cerimónia de Encerramento. Foi uma festa muito bonita, que serviu para homenagear não só os gregos, pela forma como conseguiram organizar os Jogos Olímpicos da XXVIII Olimpiada, como os valores associados a este movimento ímpar no Mundo.



Da cerimónia ficaram várias imagens: a multidão que encheu por completo o Estádio Olímpico, a alegria dos atletas ao desfilar no estádio, o espéctaculo de cor, de luz e de som que foi delineado pela equipa criativa. Mas a nota mais marcante retive-a ao ver os olhos emocionados dos gregos, enquanto assistiam ao extinguir do fogo olímpico.
Os jogos de Atenas terminaram. Já estamos à espera de Pequim!


Dupond

Cenas de Atenas - 1


Em todos os Jogos Olímpicos há sempre locais extra competição que lhes ficam associados. Em Atenas, esse local era a praça defronte da saida de Metro de Monastiraki. Naquele local, todos os dias se juntavam adeptos de vários países para as habituais trocas de pins, para a compra e venda de bilhetes ou, simplesmente, para conviver. O movimento iniciava-se logo de manhã cedo, só terminando a altas horas da madrugada. O ambiente era excelente, com a vista da Acropole a criar um enquadramento perfeitamente espectacular.
Dupond

Cenas de Atenas - 2


Os brasileiros destacam-se sempre. Em Atenas isso não fugiu à regra. Sempre que se juntavam, lá havia sempre um batuque e era festa pela certa. Mas não se pense que, na capital grega, estavam desorganizados. Muito pelo contrário, criaram um espaço próprio para todos os seus compatriotas acreditados nos Jogos Olímpicos (atletas, membros da comitiva, jornalistas, voluntários, etc.) que se situava bem próximo do "velho" Estádio Panathinaiko.
Dupond

Cenas de Atenas - 3


A segurança era uma das principais apostas do Gregos para garantir o sucesso do evento. Sem serem excessivos, conseguiram alcançar os objectivos, tendo mobilizado 33.000 efectivos, incluindo a presença do exército.
O problema é que, inicialmente, estavam previstos apenas 18.000 efectivos, o que criou um problema financeiro grave, já que muito do trabalho efectuado foi em regime "extra". Vai daí, o Governo grego foi obrigado a "repartir o mal pelas aldeias". Por decisão dos Ministérios da Economia e da Defesa, 11.700 efectivos receberão um bonús extra de €2.300,00, enquanto que os restantes 21.600 se ficarão pelos €700,00.
Dupond

Cenas de Atenas - 4


O doping é, actualmente, uma das principais sombras do desporto de alta competição. Nestes jogos, foram vários os atletas que tiveram de devolver medalhas. Isto para já não falar da triste história dos heróis gregos Kenteris e Thanou, que nem chegaram a competir, pois furtaram-se aos exames anti-doping, algumas semanas antes dos Jogos.
Por isso mesmo, este era um local que assustava muitos...
Dupond

Cenas de Atenas - 5


O Estádio Olímpico encheu em todas as sessões nocturnas de atletismo. Como se sabe, esta modalidade é uma das "raínhas" dos Jogos, competindo com a natação e a ginástica, em termos de procura de bilhetes. A forma civilizada como a assistência se comporta durante as provas, vibrando nos momentos decisivos, exaltando os seus nacionalismos sempre que um dos seus ganha, são absolutamente notáveis. Além disso, é uma assistência que participa e ajuda a fazer a festa durante os intervalos das provas. A esse nível, a música que ficou destes jogos foi a do Mikis Theodorakis que, para nós, portugueses, fica associada ao bailado do Obikwelu, poucos minutos antes de ganhar a medalha dos 100m.
Para quem gosta de desporto, a sensação de ter constatado esta paixão pelo atletismo e verificar, ao mesmo tempo, que a final do torneio de futebol, que também se jogou no mesmo estádio, não conseguiu mais de 2/3 da lotação é excelente. Bem feito!
Dupond

Cenas de Atenas - 6


Uma prova bastante emocionante foi a do salto à vara masculino. O duelo de americanos, entre o espectacular Toby Stevensson (o que salta com capacete) e o seu compatriota Tim Mack, durou até às tantas. A reviravolta final, com o salto em que Mack conseguiu ultrapassar os 5,95 metros, fez "estremecer" o estádio. Quem não gostou muito foi um simpático casal de americanos que estava na bancada, num stress permanente. Quando Mack saltou, o elemento masculino ficou particularmente irritado, parecendo duvidar da capacidade de Stevenson em chegar também aos 5,95 mt. E tinha razão, já que Stevenson teve de contentar-se com o segundo lugar. A explicação para o nervosismo patenteado pelo casal tinha uma explicação bem simples: eram o pai e a mãe de Stevenson.


Dupond

Cenas de Atenas - 7


Uma coisa que podia acontecer a qualquer um, em Atenas, era tropeçar num medalhado. Claro que difícil era ser um português...
Dupond

Cenas de Atenas - 8


Estes jogos apresentaram alguns heróis novos. Obviamente que Michael Phelps foi o maior de todos, mas é justo destacar o marroquino El Guerroj que, depois de ganhar os 1.500 mt (com Rui Silva em 3º), conseguiu o feito histórico de acrescentar o título dos 5.000 mt, vencendo o excelente Bekele (que também já havia ganho os 10.000 mt).
El Guerroj é um atleta elegante a correr e que conseguiu, nestes jogos, demonstrar na pista os mesmo resultados que consegue nos meetings (onde há muito dinheiro em jogo...). Furtar-se a todos os imponderáveis que o deporto contém, este marroquino juntou duas vitórias que ninguém conseguia desde que Paavo Nurmi, o mítico atleta finlandês, as ganhou nos Jogos Olímicos de 1924.
Dupond

segunda-feira, agosto 30, 2004

Trappatoni surreal

Vejam esta história deliciosa no Terceiro Anel: 1 e 2.
Dupont

Excelência – 1 - Futebol

Qual é a dimensão e importância do “fenómeno futebolístico” nos cinco países mais medalhados com ouro?
Dupont

Excelência – 2 – Jogos Olímpicos

Uns choram de emoção quando vencem uma medalha de ouro,
os portugueses fazem festa por ficarem em sétimo…


Os Jogos Olímpicos terminaram e Portugal ficou na 61ª posição, no que a medalha diz respeito. O Expresso, no sábado vendia a ideia de que “foi a melhor representação de sempre”, o que é repetido, despudoradamente, pelos responsáveis olímpicos nacionais.
Eu acho sofrível o nosso resultado final.
Duas medalhas de prata, uma delas que nem sabe bem a Portugal, como bem refere o Mário, não só pelas origens nigerianas do atleta como pelo local onde treina, Madrid. A outra pareceu mais sorte do que outra coisa e só o tempo confirmará se foi, ou não, isso mesmo. Já a de bronze, foi o corolário de um dos melhores atletas europeus, o que ele confirmou em pista. Depois, claro, há os resultados do “quem quer, até promete, mas não pode”. A lista é tão grande que nem vale a pena ilustrar. Apenas uma citação, de um energúmeno varrido logo no início, participante no triplo salto, que na entrevista (!!) à RTP repetiu o lugar comum de que veio para “ganhar experiência”, mas quis terminar com uma frase histórica: “nesse sentido, foi bom perder”. Mandasse eu nestas coisas e este artista ou vinha de lá a pé ou repunha o dinheiro que foi gasto com a sua participação.
Desde logo, no que a vitória diz respeito, zero. Assim mesmo, redondinho. Zero. Quero lá saber das vitórias morais, da prata e do bronze – por alguma coisa se organizam as tabelas de medalhas com referência ao ouro… Pois é, a vitória, a glória olímpica: zero. 54 países conseguiram, nós não. Eles cantam louvores aos seus campeões e nós…também, a qualquer um que termine a sua prova, saboreando a costumada vitória moral. Já diz o povo, sempre sabiamente, que “quem não tem cão, caça com gato”…
Os Jogos Olímpicos são, cada vez mais, o espelho do triste país que somos: agarrado a sonhos, a momentos em que os astros se conjugam e dali sai alguma coisa, a vitórias morais. Vai-se lá para participar, para "ganhar experiência, para fazer figura de corpo presente, pois basta atingir os mínimos olímpicos antes de lá ir, porque depois já não é preciso, a golpada está dada.
A glória, sempre como corolário de trabalho e esforço, isso não. É muito mais confortável uma vitória moral, que os parolos lá da terra, secundados pelos inenarráveis comentadores desportivos, aplaudem. Vivemos num país onde o nível de exigência, esse sim, nem sequer se aproxima dos mínimos olímpicos…
Dupont

Excelência – 3 – Michael Schumacher



Michael Shumacher conquistou o seu sétimo campeonato do Mundo de Condutores de Fórmula 1 e o 12º da sua carreira. Confesso que o único vermelho que gosto é o da Ferrari, apesar de preferir a Porsche… Mas o que é extraordinário no heptacampeão germânico é o facto de ele, ano após ano, corrida após corrida, continuar com o mesmo ritmo, a mesma vontade de vencer, o mesmo profissionalismo.
O “portuguesinho” acha que isto é tudo inspiração e nada tem de transpiração. “O gajo nasceu para aquilo” é um comentário comum quando se vê, no meio de um grupo de pessoas, mais um corrida de Schumacher.
Claro que as qualidades “naturais” de piloto ajudam. Mas seriam talento desperdiçado, como muitos, se por trás não estivessem sessões infindáveis de treino físico, de organização da vida pessoal e profissional e, finalmente, auto-confiança. Quem acompanha a Fórmula 1, e eu faço-o, com regularidade, desde que Alan Jones foi campeão do Mundo, já lá vai um quarto de século, sabe bem as histórias por detrás dos pilotos. Ao contrário de ontem, onde havia pilotos de treino específicos, em que os corredores eram apelidados de “gentlemen drivers”, em que tudo era feito de forma algo romântica, hoje já nada é assim. Piloto e máquina são um só, onde o homem tem de transmitir todo o seu saber não só ao carro como aos engenheiros mecânicos.
Quando a harmonia entre quem trabalha e quem conduz é boa, há 90% de se obter bons resultados. Os restantes 10% são deixados ao génio, à inspiração.
Michael Schunacher é alguém que pensa, vive e respira a sua profissão. E só depois é que vai para a pista. É um exemplo maior de excelência, de alguém que quer vencer, não porque os outros desistem ou por golpes de sorte, mas sim através do trabalho e do mérito.
Dupont

domingo, agosto 29, 2004

Intelectualidade e pragmatismo


O que estão a ver na imagem parece um saco com lixo. É um saco com lixo. Só que, pelos vistos, também é arte. Na verdade, trata-se de uma peça de uma exposição de Gustav Metzger, presentemente na Tate Gallery, em Londres. A ideia é mostrar como a arte é "finita".
Acontece que um dos empregados de limpeza do museu olhou para aquilo e pensou o que qualquer pessoa não iniciada em arte moderníssima pensaria: "alguém se esqueceu aqui de um saco com lixo e vou já tratar disso". E, se assim pensou, melhor o fez: atirou o saco para o contentor.
Atrapalhada, a Tate pediu desculpas ao autor e o septuagenário génio lá fez novo saco com lixo.
Com arte, espera-se...
Dupont

sábado, agosto 28, 2004

Women on Waves


Que grande confusão para aí vai. Só gostaria que me explicassem umas coisinhas:
  1. Qual é a diferença entre ir fazer um aborto a um barco holandês em águas internacionais e deslocar-se a Badajoz para fazer o mesmo?
  2. Vamos atacar clínicas em Espanha?
  3. E o jornal Público, que aceita anúncios diários de clínicas abortivas espanholas, também ficará impune?
Dupont

Supertaça Europeia


Nada de preocupações... Sempre que o F.C. Porto perdeu a Supertaça Europeia foi campeão nacional e europeu no ano seguinte. Just wait and see...
Dupont

sexta-feira, agosto 27, 2004

Nojo


Hoje, um clube português vai disputar a supertaça europeia, o terceiro mais importante troféu da UEFA. Ontem, três jogadores portugueses foram considerados os melhores da Europa na sua posição. Um deles foiconsiderado, até, o jogador mais valioso da Europa. E o que faz o Record? Dá-lhes aquele cantinho do lado esquerdo.
Sinceramente, esta deve ser a última vez que O Vilacondense perde tempo com este papel higiénico tamanho XXL.
Dupont

Os Melhores


Bem sei que, em Portugal, a atribuição do título de “melhor” fere muitas consciências. Porque ainda não estamos curados de certos princípios ditos revolucionários e continuamos a achar que o mérito é algo de negativo. Fantástico é ser mais um no rebanho ou, então, o que é mais patético, achar-se melhor recorrendo a critérios subjectivos ou de memória histórica.
Acontece que, no resto do Mundo, com óbvio destaque para aquele que é considerado ‘civilizado’, ninguém pensa desta forma. Uma entidade independente, que dá pelo nome de UEFA e que está acima da mesquinhez de bairro do futebol português, fez o que havia de mais natural: premiou aqueles que foram os melhores no campo do futebol, durante a época passada.
E eles são: Vítor Baía, como guarda-redes; Ricardo Carvalho, como defesa; Deco, como médio e melhor jogador europeu; e Fernando Morientes, como avançado. José Mourinho já era o melhor treinador. Do meu ponto de vista, estas considerações são indiscutíveis. Mas pode haver quem discorde, o que é bom e saudável. Infelizmente, em Portugal, não há ninguém com autoridade moral para o fazer, pelo que nem sequer se pode começar a conversa….
Aproveito ainda para dar os parabéns àqueles três magos portugueses, bem como a toda a equipa do F. C. Porto.
E agradecer-lhes…
Agradecer-lhes pelos inesquecíveis momento de pura felicidade que me deram, ao vivo, em Gelsenkirchen e, especialmente, em Sevilha.
Agradecer-lhes pelos incontáveis momentos de maravilhoso futebol a que pude assistir, nas Antas e no Dragão.
Agradecer-lhes, finalmente, por me terem oferecido o “jogo de futebol perfeito”: o F.C. Porto-Lazio (4-1).
Apenas lamento que a UEFA ainda não tenha criado o prémio de ‘melhor dirigente desportivo’, para aquele que gere o meu clube com mão de mestre, Jorge Nuno Pinto da Costa.
Dupont

quinta-feira, agosto 26, 2004

Santana no seu melhor


A entrevista de Pedro Santana Lopes à Visão é um prodígio de gestão de imagem. Começa logo na capa: em camisa (mostrando trabalho), lê um jornal (Le Monde, conservador) e exibe a famosa pulseirinha (modernidade).
Ao longo da sessão, pelo menos da fotográfica, mudou de camisa e gravata, e fez-se fotografar em locais emblemáticos: no seu escritório, rodeado de papéis (homem de trabalho); a ler um livro, em camisa, (ares de intelectual); e no cimo das escadas do jardim, em S. Bento, com o fato abotoado, mãos nos bolsos, pernas abertas, olhar no infinito, com a fotografia a ser tirada em plano inferior ao retratado (o que lhe dá importância e dimensão majestática). Também há uma foto algo misteriosa, com PSL a caminhar, de frente para a câmara fotográfica, com a mão esquerda no bolso e a direita a segurar o queixo… Ou será a fechar-lhe a boca?...
Como não podia deixar de ser, Santana Lopes vive em S. Bento, ao contrário de alguns dos antecessores. A sua obsessão pela imagem vai ao ponto de alterar a própria decoração do palácio. Quando questionado sobre os jornais que lê, o nosso Primeiro-Ministro cita os principais títulos de Espanha, França e Inglaterra, a que soma algumas revistas internacionais.
Mas o homem é inteligente q.b. Relativamente às mudanças decorativas, não vai alterar o gabinete, porque “o conheci assim: com o Dr. Sá Carneiro, com o Prof. Cavaco Silva e com o Dr. Durão Barroso”. Apelo claro à herança partidária e deixando no ar uma “evolução na continuidade”. Confrontado com o comentário de Vasco Pulido Valente de que este Governo era “uma agência de publicidade”, Santana opta por um lacónico e desarmante “li, mas não tenho nada a dizer”. E, claro, recorre vezes sem conta à desresponsabilização e ao desconhecimento como estratégia de fuga: à questão sobre os três assessores de imprensa por ministério, a entrevistadora pergunta se deu autorização: “Não. Eu? Eu não. Li hoje isso(…)”; quanto ao número de seguranças enquanto Presidente da Câmara Municipal de Lisboa “não fui eu quem pediu”; a assessora de imagem vinda da Lux: “não fui eu que a contratei”... Quanto ao resto, a nível político, nada de significativo é revelado.
E assim se dá a primeira entrevista de fundo de um Primeiro-Ministro, não a um jornal, mas à revista que os veraneantes preferem para ler na praia…
Dupont
Aditamento: sobre o mesmo assunto ver Blasfémias, Terras do Nunca, Abrupto (O Problema é que é mesmo assim).

Mourinho de volta ao Dragão


Os sorteios têm destas coisas: o Chelsea, de José Mourinho, é um dos clubes que integra o Grupo H da 1ª Fase da Liga dos Campeões. Um jogo mais do que apimentado. Pesar da saída controversa de Mourinho, eu vou ser daqueles que o vai aplaudir quando o vir sair do túnel dos balneários. Os restantes são o Paris Saint-Germain e o CSKA de Moscovo. Pinto da Costa, no Público, hoje, não exige a Fernandez nova conquista da Liga dos Campeões, mas sempre lhe disse que "a prioridade era o campeonato e depois passar a primeira fase da Liga dos Campeões"...
Todos estes clubes têm algo em comum: são ou foram dirigidos por treinadores campeões europeus pelo FC Porto.Assim, o PSG e o CSKA, foram treinados por Artur Jorge, e o Chelsea, por Mourinho. E nunca mais conseguiram grande coisa depois de abandonarem o clube portuense...
A título de curiosidade, o Anderlecht vai jogar com o Weder Bremen, o Valência e o Inter de Milão.
Dupont

Portugal Profundo

O blog Portugal Profundo fez serviço público, denunciando as ligações socialistas do juiz que apreciou o recurso do MºPº relativamente a Paulo Pedroso. Aliás, o mesmo blog publica, na íntegra, as alegações apresentadas pelos Procuradores da República. Há ainda transcrições de um depoimento incriminador de Jorge Ritto, Ferro Rodrigues e Jaime Gama.
Curioso é que o Público faz manchete da revelação do Portugal Profundo, sem indicar a fonte, como lembra o Blasfémias. E também o Abrupto e o Bloguítica.
Dupont

Elogio a Carlos Duarte

Não é nos grandes momentos, onde os elogios estão ensaiados, que se vê o mérito de alguém. Isso regista-se nos pequenos comentários despretensiosos e nas afirmações desinteressadas.
Na edição de hoje da Visão, na secção 'Correio do Leitor', vem uma carta assinada por João António Sampaio Mariz, que desconheço em absoluto. O autor evoca a imagem típica dos políticos para contrapor: "(...)há pessoas muito competentes, trabalhadoras, discretas e humildes. (...) Estou aqui para homenagear o sr. Eng. Carlos Duarte, actual secretário de Estado-adjunto do ministro da Agricultura Pescas. Um exemplo que deve ser seguido por todos. A sua carreira profissional, ao serviço de causas públicas, tem nota máxima, Se o País fosse govenado por muitos Carlos Duartes com certeza que tínhamos menos razões de queixa. A bem da nação".
É por estas e por outras que Carlos Duarte é, hoje, o político vilacondense com maior prestígio e reconhecimento a nível nacional.
Dupond

Curiosidades "médico-legais"...

Costuma olhar-se para médicos e advogados como ofícios dotados de grande estabilidade profissional, apenas evoluindo com o avançar da respectiva ciência. Mas, por vezes, surgem novidades.
Mohamed Taranissi

Na Inglaterra, segundo o Sunday Times de Domingo passado, há um ramo da medicina que está a fabricar verdadeiros milionários: a ginecologia, aliada à reprodução assistida. São vários os médicos que vêem crescer o seu pecúlio, mas, em primeiro lugar está Mohamed Taranissi, dono da Assisted Reproduction and Gynaecology Centre, situado em Londres, que obtém £ 3.000.000 de lucro anual. Assim, este amigo e associado de Mohamed Al-Fayed, o proprietário dos armazéns Harrods e quase sogro da princesa Diana, encabeça a lista dos médicos mais ricos da Grã-Bretanha, com um património estimado em mais de 20 milhões de libras. Não estranha, por isso, que o número de jovens licenciados a escolherem esta área de especialização não pare de crescer…
Recordo aqui a problemática levantada pelo Dupond, a propósito do filme “John Q.” e do facto de que quem quer ter bons profissionais e boas condições de saúde, aqui como lá fora, sabe muito bem o que fazer: pagar! É que se fica à espera do Estado, arrisca-se a ficar em mau estado.


Em Espanha, as coisas estão pretas para as grandes sociedades de advogados. Estou a referir-me àquelas com centenas ou milhares de causídicos, e não os tradicionais escritórios de advogados que todos conhecemos. Segundo o El Pais, uma sentença do Tribunal Supremo acaba de reconhecer como relação laboral a que tem como partes uma advogado e um escritório de advogados em que o causídico vê ser-lhe pago subsídio de férias, Segurança Social, pensões, seguro profissional e acções de formação. Assim, entendeu o Tribunal, não há diferença entre uma empresa com empregados e um escritório com advogados sem a tradicional independência da classe.
Curioso é que os comentários às eventuais consequências da decisão são opostos: para empresas como a Ernest & Young que vivem quase sempre em relações pouco claras com advogados, o efeito é nulo, porque a maior parte dos causídicos preferirá manter a relação mercantil que os une à sociedade de advogados. Outro reconhece que vai haver problemas, pois alguns quererão o “melhor dos dois mundos”: independência, por um lado, e segurança laboral e protecção, por outro. Já o Consejo General de Abogacia acha que a solução é criar a “Ley de Servicios Profissionales”, criando uma figura semelhante à dos futebolistas (!!) ou dos toureiros (!!!!) que estão a meio caminho entre os assalariados e os independentes, assim definindo a posição dos 108.500 advogados espanhóis.
Mas, na opinião do redactor, isto vai trazer uma verdadeira avalanche de processos e não só de advogados. É que os arquitectos, economistas e engenheiros estão organizados da mesma forma. Uma fiesta para as profissões liberais em Espanha.
Conheço uma pessoa que trabalhou numa destas sociedades de advogados, no Porto. Nas suas palavras, aquilo era quase escravatura: salário fixo, não tinha horários e nem sequer sonhava em ver remuneradas as horas de trabalho extra, havia um colega sénior que entrava nos gabinetes para ver se estavam ou não a trabalhar e quase os obrigavam a levar trabalho para casa. As horas para refeições eram apertadas e o grau de sucesso exigido era verdadeiramente leonino. Esteve lá cerca de um ano. Foi para a Magistratura e, na sua opinião, nunca esteve tão bem.
É óbvio que legislar sobre estas situações pode ser uma solução. Mas quem é que se arrisca a pôr em Tribunal uma sociedade de advogados, se não tiver possibilidade de se estabelecer sozinho?
Dupont

Mealheiro com contador


Que saudades do meu porquinho...
(Quem quiser comprar pode ir ao Discovery).
Dupont

Casas espaciais


Deixem-se de Taveiras, Sizas, Soutos-Moura, Calatravas, Gherys e mais uns quantos. Olhem para a casa do futuro, proposta da Agência Espacial Europeia que, como não vai à Lua ou faz aquilo que as congéneres americana e russa lá vão fazendo, se dedica a tentar ganhar um dinheirito, arquitectando habitações "espaciais" para serem construídas... na Terra.
Dupont

quarta-feira, agosto 25, 2004

Comentários n'O Vilacondense

Devido a um qualquer problema que desconhecemos, os comentários não estão a ser contabilizados, apesar de estarem devidamente inseridos. Esperemos que a Haloscan corrija o problema, senão deixamos de pagar a fortuna mensal que nos está a ser cobrada...
Dupont

Super-mulher


Vanessa Fernandes, filha de Venceslau "eu-parto-isto-tudo" Fernandes, classificou-se em oitavo lugar na prova de triatlo. Uma super-mulher!
Dupont

Cerveira

A Ponte da Amizade, que une Vila Nova de Cerveira e Goyan, já abriu em Junho. Parece é que muita gente não sabe disso e continua a perder tempo na velhinha nacional 13...
Dupont

Record de humor


O 'Record' continua a rivalizar com o 'Inimigo Público', suplemento humorístico do 'Público'. No dia do Anderlecht-Benfica resolveu, em desespero de causa, invocar as lições de Mestre Mourinho. Esqueceu-se é que o treinador da Luz não era o actual campeão europeu, mas um ex-campeão europeu que resolveu vingar a costumada derrota com o F.C.Porto jogando à defesa...
Depois, consumado o previsível, em vez de destacar a derrota, deslocou a questão do campo desportivo para o económico. Afinal, o Benfica não é um clube de futebol, mas uma instituição financeira que viu "arder" milhões de euros. Ora bolas para as bolas...
E já repararam no espaço consagrado a Rui Silva, o melhor europeu nos 1500 metros das Olimpíadas? Até acho que foi demais. Deviam lá ter posto o melhor guarda-redes do jogo, o Argel...
Dupont

Azeiteiro's culture


A banda mais azeiteira da história do Rock, os "Queen", tiveram a honra de ser a primeira banda ocidental a ter a edição de um seu álbum oficialmente avalizada pelo regime iraniano. Parece que está relacionado com o facto de o cabotino Freddie Mercury ter as suas raízes familiares no Irão.
Só encontro duas explicações para semelhante parvoíce: isto não passa de uma tentativa desesperada dos ayatollahs para se manterem no poder, assim fazendo com que o seu povo permaneça na escuridão. Se possível, ainda mais.
Ou, segunda hipótese, querem divertir os iraquianos, dando-lhes um hino que os unifique. Até parece que já os estou a ver, aos saltos, a bater na cabeça com uma mão e a disparar tiros de espingarda para o ar com a outra, enquanto urram:
Mama,just killed a man,
Put a gun against his head,
Pulled my trigger,now he’s dead
(...)
Dupont

Bush, presidente mimado


Quando se visita alguém, é costume levar uma oferta de cortesia. Entre Chefes de Estado acontece o mesmo. Pelo protocolo, sempre que há um encontro, é de bom-tom oferecer algo, normalmente relacionado com o país de origem e os seus costumes. Confesso que este assunto deixou-me, sempre, alguma curiosidade, até pela “neura” que tal obrigação me causa… Por isso, foi com algum gozo que li, no “The Times” um artigo sobre o assunto.
Assim, eram analisadas algumas das 15.000 oferendas destinadas a George W. Bush - “the president that has everything”. Como se calcula, há presentes para todos os gostos e feitios. Aquando da despedida do presidente norte-americano de solo britânico, Isabel II ofereceu-lhe uma régua em prata, no valor de £ 244. A sua mulher teve mais sorte: os monarcas britânicos presentearam-na com uma mesa para café, no valor de £650.
Já Tony Blair, na última reunião que precedeu a Guerra ao Iraque, ofereceu algo de bastante simbólico: uma caixa com várias oferendas de W. Churchill, que iam desde uma caneta até um livro de citações, no valor de £ 204. Outros presentes dos Blair para os Bush foram uma maleta de cerimónia, em seda, (£220) para Laura e um serviço de chá Royal Derby.


Já Jacques Chirac, Presidente da República francesa, brindou Bush com um conjunto de produtos de higiene masculinos Dior, com um estojo Longchamp. O italiano Berlusconi ofereceu jóias e estatuetas no valor de £14.000.
Mas há presentes bem mais originais. Atente-se na estátua de fertilidade representando uma mulher grávida, oferecida pelo Presidente do Senegal, no valor de £ 230 ou o tapete de rato de computador, em prata, da parte do rei e rainha da Jordânia, no valor de £135; ou, ainda, um relógio em prata decorado com gnus, da parte do Emir do Qatar, no valor de £1.600. Absolutamente original foi a oferenda do presidente da Argentina, Nestor Kirchner: 300 libras de carne orgânica de cordeiro da Patagónia… Putin também inventou: um centro de mesa em croché…
Fantástica foi a do príncipe Abdullah, da Arábia Saudita: diamantes e safiras no valor de £ 50.000, mais outros presentes variados, no mesmo montante. Inacreditável foi a do riquíssimo Sultão do Brunei: um CD de canções de Natal e 25 McDuffies de creme de limão…
O que é que eu, ilustre cidadão desconhecido, lhe daria? Sinceramente? Um caldo verde, um cozido à portuguesa e uns ovos moles de Aveiro, tudo regado por um Barca Velha, de 81. Kerry nunca mais o apanhava!
Dupont

terça-feira, agosto 24, 2004

Bronze para Rui Silva

Mais um que tem fibra e não foi lá para "ganhar experiência"...
Dupont

Anderlecht-Benfica


Estavam à espera de quê? A competição não se chama "Liga dos Campeões" por acaso...
Dupont (imagem Terceiro Anel)
Aditamento: à mesma hora, o renegado Tiago ( “He comes from Portugal, he hates the Arsenal: Tiago, wo-oh, Tiago, wo-oh-oh-oh.”) marcava pelo Chelsea...

Tintin e o Alph-Art

Finalmente, o álbum inacabado de Tintin, vai ter edição portuguesa. Até agora, o que tínhamos era a edição em língua francesa, de 1986, com os esboços de Hergé apresentado em forma de bloco, sem os diálogos, que estavam numa separata. Nesta nova versão, imagem e texto estão sobrepostos, o que permite uma melhor compreensão por parte do leitor.


“Tintin e o Alph-Art” seria o 24º álbum da saga e era nele que Hergé estava a trabalhar quando morreu, em 1983. Desta vez, o ambiente era o do mercado de arte contemporânea. Sucedia a “Tintin e os Pícaros”, um trabalho envolto em polémica, havendo até quem diga que nele não há uma única linha desenhada por Hergé. Tudo teria ficado a cargo dos seus colaboradores, especialmente Bob de Moor, Roger Leloup e Jacques Martin. Este nunca deixa de falar na amargura que, para o final, lhe causava trabalhar nos Estúdios Hergé (como por mero exemplo, nesta entrevista)
Como é sabido, o pai de Tintin deixou uma estipulação testamentária, segundo a qual a personagem “morreria” com ele. É essa a razão que leva a que não haja mais álbuns com novas aventuras do repórter belga do “Le Petit Vingtiéme”. No entanto, e como seria de calcular, há versões completas deste álbum e de muitos outros, alguns com uma fidelidade fantástica ao traço original. Em Bruxelas, é fácil obtê-las. Mas, uma procura cuidadosa pela net, será suficiente… Por exemplo, veja-se aqui, “Tintin en Irak”, partindo de pranchas originais. O grande problema é que a “Fondation Moulinsart” leva o seu papel muito a sério e persegue judicialmente todos os que se aproximam do “Universo Hergé”. Qualquer dia incomodam-nos, como já fizeram a este… Alguém se oferece para nos defender?...
Dupont

Blogame mucho, mucho más....


A acreditar no post inicial, a 'lolita' deu vida ao Blogame Mucho no dia 24 de Agosto de 2003. Não sei se há festa e, sequer, se seríamos convidados... Mas não queremos deixar de lhes dar os parabéns, em dupla forma: pela passagem da data e pelo excelente blog que nos oferecem.
Tchim-tchim para vocês!
Dupond & Dupont

segunda-feira, agosto 23, 2004

Vela


Alguns dos melhores resultados que Portugal tem conseguido nos Jogos Olímpicos de Atenas tem vindo da modalidade de Vela. Aconselho por isso a visita à página da Federação Portuguesa de Vela, na qual poderemos conhecer o que está por detrás deste desempenho.
Além de termos bons atletas, nota-se a procura de acrescentar total transparência ao processo de selecção e de outorga de apoios, aliados de uma forte exigência na obtenção de resultados compatíveis com o investimento efectuado. Este trabalho que tem vindo a ser efectuado, apesar de só ter produzido uma medalha de bronze (em Atlanta 96), tem de continuar.
O romantismo que existe em todos nós quando lembramos a gesta dos nossos navegadores de 500 merece este investimento. Aliás, quando comparado com os milhões dispendidos noutras modalidades, chegamos à conclusão que apresenta uma relação Resultados/Custos muito vantajosa.
Dupond

Aditamento: Acaba de ser divulgada a notícia de que o Campeonato do Mundo de Vela de 2007 vai realizar-se em Portugal. Trata-se de uma excelente novidade e que pode contribuir para que se criem ainda melhores condições para a preparação das nossas equipas para os Jogos Olímpicos de Pequim, que se realizam um ano depois.

Campanha?


No Sábado à noite, quando passeava na Feira da Gastronomia, reparei numa sessão de fogo de artifício, para os lados da Alameda. Pensei que fosse algo relacionado com a Feira, mas, depois de ter passado esta manhã no Café Bompastor para o matinal café, descobri que não.
Afinal, o foguetório ficou a dever-se a uma sardinhada organizada pelo PSD local, na sede do Rancho da Praça, onde, além dos ingredientes gastronómicos, ainda foram servidas intervenções políticas de Santos Cruz e Carlos Duarte, o novel Secretário de Estado da Agricultura. Ao que me contaram, a casa estava cheia e a animação foi muita. Os "mentideros" falaram da presença de muita gente das Caxinas e até de conhecidos militantes de outros partidos de esquerda. Estariam em sinal de apoio ou em acção de espionagem?
Já agora, será que isto quer dizer que Santos Cruz já está em campanha?
Dupond

John Q.


A RTP transmitiu ontem o filme Jonh Q., uma longa metragem de Nick Cassavetes que aborda a questão da iniquidade do sistema de saúde americano no acesso à mesma.
A partir da história de uma família humilde que tem de enfrentar um problema de saúde do seu único filho, sem que possua meios financeiros para suportar o tratamento necessário (seja por via directa ou por via do Estado), o enredo mostra-nos uma faceta da sociedade americana muito discutida e controversa.
O pai do jovem doente, numa bela interpretação de Denzel Washington, sofre na pele uma situação dramática quando a Directora do hospital onde está internado o filho lhe diz que a operação que ele necessita custa US$ 250.000,00 e que a cobertura do seguro de saúde, de que é beneficiário, apenas garante US$ 20.000,00. O diálogo é particularmente duro:
- A operação do seu filho custa US$ 250.000,00. O Sr. não tem casa própria e o seu seguro de saúde não cobre esse montante.
- O meu filho precisa de uma operação urgente para sobreviver e a Sra. fala de dinheiro?
- A saúde custa dinheiro Sr, Archibald. Custa-lhe a si e custa-nos a nós (hospital).

Um diálogo destes nunca aconteceria em Portugal. De acordo com a nossa Constituição, "Todos têm direito à protecção da saúde e o dever de a defender e promover". Além disso, diz-se ainda que, para assegurar esse direito, incumbe ao Estado "Garantir o acesso de todos os cidadãos, independentemente da sua condição económica, aos cuidados da medicina preventiva, curativa e de reabilitação".
Os valores que a nossa constituição postula marcam uma diferença importante em relação a outras sociedades, nomeadamente a americana, onde os seguros de saúde individuais desempenham um papel determinante. Do ponto de vista dos valores, não há dúvida que a organização da nossa sociedade é mais humana. No entanto, enfrenta, a este nível, um dramático problema de financiamento, pois a concretização desse objectivo custa cada vez mais caro. O défice do Serviço Nacional de Saúde Português, bem como dos congéneres francês e alemão, apenas para dar dois exemplos bem gritantes, obriga-nos a pensar sobre este assunto e a tomar decisões.
Se queremos continuar a manter as garantias de que a nossa Constituição fala, temos de pagar mais impostos. Se queremos pagar menos impostos, temos de cortar nas garantias assistenciais do Estado.
É difícil escolher, não é?
Dupond

Zangam-se as comadres....

Hélder saiu do Benfica e Sérgio Conceição do FC Porto. Mas não gostaram. E falaram...
Dupont

Blog de futebol


No início, o Terceiro Anel fazia parte da nossa lista de blogs. Depois, após umas mudanças na página, desapareceram. Agora são um blog cheio de força, de que sou visita assídua, mas a que acedia através da listagem weblog. Agora, é tempo de corrigir uma tremenda injustiça, porque é feito por excelentes bloggers, alguns já nossos conhecidos, e porque é um manancial fantástico de informação futebolística, sempre actualizado e com excelentes imagens. Daí que o confortável lugar no Top 10 nacional que actualmente ocupam seja inteiramente merecido...
Dupont

domingo, agosto 22, 2004

Mais prata


Francis Obikwelu obteve a medalha de prata nos 100 metros. Estão de parabéns o atleta, o treinador, Portugal, a Nigéria, o empreiteiro que o contratou e tanta gente mais que, se calhar, não sobra nada para ele...
Dupont

Mamilogate...


A sacrossanta BBC não deixa o seu bom nome ser beliscado. Tendo contratado a ex-nadadora Sharron Davies para fazer a cobertura das provas olímpicas de natação, a emissora viu-se surpreendida pelo... à-vontade da locutora. Como se pode verificar, parece que o facto da senhora, de 41 anos, não usar soutien, é uma prática que a BBC não quer ver difundida. Sim, porque estamos a falar da Grã-Bretanha, um país que não sabe o que é o topless, como se vê pela quantidade de púdicas inglesas que povoam as praias algarvias, e cuja imprensa é do mais sério que conhecemos - basta olhar para as páginas 3 do "The Sun" ou do "Mirror"...
Então, a loira apresentadora passou a ser filmada apenas em close-up...
Dupont

«Mar Adentro»


Recordam-se de Ramón Sampedro, o tetraplégico que, preso na sua cama durante três décadas, lutou por "uma morte digna", isto é, que o autorizassem a pôr fim à vida? Agora, Alejandro Amenábar, o realizador que nos trouxe "Abre os Olhos" e "Os Outros", resolveu levar a história deste galego e da sua luta pela eutanásia. O filme chama-se "Mar Adentro" (site )e estreará em Espanha já em Setembro. A película já foi adquirida por uma distribuidora americana e participará no Festival de Veneza. O papel principal está entregue a Javier Bardem, que já foi candidato ao Óscar de Melhor Actor, pelo seu desempenho em "Antes que anoiteça", o biopic do escritor cubano Reinaldo Arenas.
O filme tem impressionado quem já o viu. Veja-se este relato, do mexicano 'Universal': "Mar adentro , esa carga de profundidad que revienta en emociones, está hecha de fragilidades, pero es una película poderosísima. Tan poderosa que alcanza nuestro centro y nos abate y nos abre dentro el manantial de las emociones, pero nunca abusando de nuestra dignidad como espectadores, nunca anulando la capacidad de discernir las razones de un personaje u otro"
Hoje, a El Pais Semanal, apresenta uma reportagem "behind the scenes", com entrevista simultânea ao actor principal e ao realizador. Este último acha que se tratou de uma experiência que o ajudou a preparar "cuando me enfrente a la muerte". Pelo seu lado, Bardem realça a cena da morte de Rámon: "Después de haberla rodado, no ha podedo ver esa escena".... Ao longo da peça, torna-se claro que a história deste galego tetraplégico tocou fundo em toda a equipa, até pela obsessão demonstrada por Aménabar em ser o mais objectivo possível, o que levou Bardem, natural das Canárias, a aprender galego...
Aguardo com especial expectativa este filme. É que não só a Galiza é, para mim, uma terra bem mais próxima do que boa parte de Portugal, acompanhei a história de Ramón com particular atenção.
Dupont

De gritos!!!


O quadro "O Grito", de Edvard Munch, com o valor estimado de €62 milhões, foi roubado do Museu Munch, em Oslo, Noruega. São ladrões, mas têm bom gosto!
Dupont

sábado, agosto 21, 2004

Aurelino Costa

Vi, na RTP1, o programa "Tributo", dedicado a António Vitorino d' Almeida. Um dos convidados foi Aurelino Costa. Não deve haver ninguém, entre Vila do Conde e a Póvoa de Varzim, que não tenha assistido a uma sessão de declamação de poesia pelo pequeno-grande poeta e advogado poveiro. Já aqui falamos dele.
No programa, Aurelino contou a sua vivência com o maestro e como funciona a simbiose voz/piano que ambos construíram. Para provar, o nosso vizinho declamou "Poema da Pedra Lioz", de António Gedeão, ilustrado sonoramente ao piano por António Vitorino d'Almeida.
Um belo momento de televisão. E raro, nos tempos que correm...
Dupont

«Spartan»


Spartan é o último filme de David Mamet. O realizador ainda não goza do privilégio de ser um “the name above the title”, mas, quem gosta de cinema, associa-o imediatamente a filmes com argumentos sólidos e originais.
Desta vez o cenário é o dos filmes de acção e conspiração. Val Kilmer é uma espécie de super-agente, dotado das habituais capacidades inatas para a função. Numa série de asneiras dos serviços secretos, a filha do presidente dos EUA acaba raptada, muito embora esse facto seja desconhecido dos criminosos, pertencentes a um bando de tráfico de jovens para o Médio Oriente. Há que a resgatar antes da imprensa descobrir. No decorrer da operação e depois de várias pistas, a televisão revela que a jovem aparecera morta, num barco, juntamente com um professor que estava enamorado dela. É tudo cancelado, mas a insistência de um colega de Kilmer, convicto de que tudo não passava de um enorme embuste, reanima a acção.
É um dos melhores filmes em exibição neste Verão, apesar da péssima interpretação de Val Kilmer, que debita frases com a emoção de uma estátua de mármore… O enredo é o habitual labirinto por onde o espectador tenta descortinar onde é que está a verdade, os diálogos são precisos e sem nada de supérfluo, as personagens apenas têm os habituais papéis funcionais, reservando-se ao actor principal alguma profundidade. E, claro, há que contar com o costumado “twist”… Desta vez, o cenário muda um pouco relativamente ao que é tradicional em Mamet, que se aventura pelos caminhos do filme de acção e espionagem, mas a “imagem de marca” permanece, sempre com a certeza de agarrar o espectador mesmo até ao fim.
As obras de Mamet provocam, sempre, uma reserva por parte do espectador, já que este já vai com um preconceito: analisar a capacidade de surpreender do realizador-argumentista. Passa-se o mesmo, por exemplo, com os de M. Night Shyamalan. Tudo porque Mamet começou com um filme fabuloso: “Jogo Fatal/House of Games”. Nessa obra seminal, Mamet expunha todo o seu virtuosismo argumentativo, elaborando uma história fantástica sobre o poder de enganar. O filme era protagonizado pela sua ex-mulher, Lindsay Crouse, e contava com a participação de Joe Mantegna, um dos seus actores fetiche, ao lado do seu amigo William H. Macy, que também entra em “Spartan”. É que em quase toda a sua obra, desde então e passando por “Homicídio/Homicide”, “O Prisioneiro Espanhol/The Spanish Prisioner” ou “O Golpe/The Heist”, está presente o jogo de enganos, a golpada e o volte-face final, quase gozando com o espectador por ter acreditado em tudo o que lhe foi mostrado.
Como já referi, esta característica mantém-se aqui e, confesso, quando terminou, nem sabia bem se era o “game over” ou só um “continue” tal era o meu envolvimento…
Há quem goste de ver uma vez e ache que é suficiente e há quem não se canse de ver este belíssimo exercício argumentativo e cinematográfico. Encontro-me entre estes últimos. Por isso, nem preciso explicar que sou um devoto fã de David Mamet.
Dupont

sexta-feira, agosto 20, 2004

Gastronomia


Nos últimos dois anos habituei-me a comida fina, degustando especialidades de todo o mundo: musakás gregas, 'haggis' escocês, pasta italiana, rosbife à inglesa, três pratos de nouvelle cuisine, e só não experimentei a especialidade do Mónaco, 'stéphanie', porque sou casado e respeitador... Isto para dizer, sinceramente, que estou um bocadinho farto dos pratos típicos portugueses...
Dupont

Victor Vitória


Dupont

O Independente

Hoje, somos brindados com oito páginas consagradas ao "cassetegate". Blá, blá, blá, tracinhos azuis no lugar do que está judicialmente impedido de publicar e a única coisa de interesse é a denúncia da falta de coerência de João Marcelino, director do Correio da Manhã, face à divulgação de informações obtidas em off, recordando o caso da revelação das declarações de António Oliveira, pelo jornal Record, que o mesmo, à altura, dirigia.
Regressa a entrevista anual a José Castelo Branco, que continua com a sua lendária humildade: "As pessoas apontam[-me]o dedo, tal qual fizeram há dois mil anos com a Maria Madalena" e, por ele, Fernando-anedotas-Rocha deveria ser guilhotinado...
O suplemento "Indígena" continua com a sua patética obsessão pelo "Expresso", cognominado "saco de plástico". Salva-se um artigo de fundo sobre Count Basie e uma entrevista a Neil Hannon, dos Divine Comedy.
Não sei porque é que ainda vou comprar o Indy. Talvez ainda persista na vaga e ilusória esperança de voltar a encontrar o prazer que era ler esse semanário quando Paulo Portas e MEC por lá reinavam.
Dupont

Feira da Gastronomia


Começa, hoje, cá em Vila do Conde, a Feira da Gastronomia, que se prolonga até ao dia 29.
Dupont

(In)Fidel Castro


Depois de ter sido substituído por Michael Moore como guru cultural dos democratas americanos, Oliver Stone quase abandonou o cinema, uma arte onde, convenhamos, o homem é mestre. À falta de ideias para propagandear, Stone resolveu entrevistar um político da stone-age, Fidel Castro. Primeiro com “Comandante!”, em 2002 e, depois, com “Looking for Fidel”, de que a Visão apresenta, na sua mais recente edição, uma longa transcrição.
A pobre criatura já está senil, auto-intitulando-se “líder espiritual” e nem lhe passa pela cabeça o favor que faria a Cuba, se desaparecesse de uma vez. É certo, dirão alguns, que o país terá sempre para com ele uma dívida de gratidão, por o ter libertado do ditador “de direita” Fulgêncio Baptista. Estarão certos, obviamente. Mas, digo eu, essa dívida já está paga com a ditadura “de esquerda” que há décadas continua a oprimir o povo cubano.
A certa altura, Stone pergunta-lhe quem são as pessoas que querem sair de Cuba. Fidel responde que “para 95% dessas pessoas, as razões são económicas. (…) Sonham ter um carro e bens materiais. Não querem saber da saúde, nem da educação, querem um carro e pronto”. E quanto às remessas provenientes de Miami, “os exilados ficarão muito tristes por não poderem ajudar as suas famílias na ilha”. Ou seja, apesar de haver tantos a querer sair e os dólares serem bem-vindos “a revolução é uma ideia grandiosa”. Extraordinária é a resposta dada a Stone, quando este aventa a hipótese de um realizador cubano levar a cabo um filme sobre os guerrilheiros da Sierra Maestra, mas sob o ponto de vista dos conflitos internos entre eles. Poderia fazer? “Não, porque não encontraria ninguém para trabalhar com ele”…
Castro nega o culto à sua pessoa, renega que esteja no poder há quarenta anos (“quem está são as pessoas”) e nem lhe passa pela cabeça deixar de estar à frente dos destinos “das pessoas” enquanto for vivo, pois “estou perfeitamente preparado para a ideia de morte”. Direitos Humanos? À pergunta “por que ordenou tão rapidamente a execução dos sequestradores do ferry-boat [que tentou fugir para os EUA]?”, Fidel Castro responde “para parar a vaga de acções terroristas, o demónio tinha que ser arrancado pela raiz… o nosso primeiro dever é defender o povo”. Matar pelo povo, para o povo…


Quem já visitou Cuba, como o fiz há uns tempos, não pode deixar de ficar impressionado com a pobreza e a miséria que constituem uma constante por onde quer que se vá. A mendicidade, oculta, prolifera, bem como o mercado negro, especialmente o relacionado com tabaco. A agricultura lá vai aguentando o país pelas pontas, mas é quase tudo para exportação, já que o racionamento apenas permite o seu consumo a cada 45 dias. A história do bloqueio norte-americano é um embuste político, não só porque Cuba mantém relações económicas com o Mundo inteiro, menos a América e, pior do que tudo, tem no dólar americano a sua moeda oficiosa. A educação é boa? Não faço ideia, mas fiquei a saber que as raparigas perdem a virgindade, em média, aos 12 anos, pela simples razão de que é com esta idade que vão para os “colégios”, internos, onde convivem com rapazes, estabelecimentos esses que encarregam os jovens de formar o seu carácter, trabalhando na agricultura, a favor do Estado. Uma outra coisa que impressiona é a completa ausência de jornais e revistas – não há as tradicionais bancas ou quisoques que se encontram em qualquer parte do mundo. Quem quiser ler só tem uma hipótese: recorrer ao “Granma”, o órgão oficial do Partido Comunista Cubano, sempre vendido por velhinhos.
Na altura em que lá fui, ainda não havia propriamente auto-estradas, excepto uma que atravessava a ilha de lés a lés e de que me lembro o guia dizer que eram tão poucos os carros que, no asfalto, até se podiam organizar jogos de futebol, e as estradas eram uma desgraça. Informações mais recentes dizem-me que está melhor, pois demora-se duas horas e meia a fazer os 140 quilómetros entre Havana e Varadero e eu demorei quase quatro horas… Mas se não há dinheiro para vias rodoviárias, parece não faltar nenhum para cartazes políticos ao longo das mesmas, na melhor tradição dos regimes totalitários.
Um dia, quando o regime cair, nem sei o que vai acontecer a este povo que, na prática, nunca viveu em liberdade. Diz Fidel que não se erguem estátuas aos líderes vivos. Nem lhe ocorre que, quando morrer, ninguém vai querer ver mais a sua imagem. Nem mesmo na TV, onde ele está omnipresente. Porque se houve mérito e valor na Revolução, quem traiu a sua mensagem foi, precisamente, Fidel Castro.
Dupont