terça-feira, agosto 10, 2004

Ciclismo


O Lápis de Côr e o Ouriço Cacheiro indignaram-se com o programa de cobertura da Volta a Portugal. Lá tive que ver o último, o de Sintra, para ver razões para tanto alarido.
Confesso que não vi nada que me indignasse, tirando os apresentadores, o Paco Bandeira, a música pimba, o Paco Bandeira, as ciclistas, o Paco Bandeira, os directores da corrida e o Paco Bandeira. É que, verdade seja dita, detesto o ciclismo na Lusitânia. É daqueles desportos onde tudo parece uma actualização de um filme neo-realista italiano dos anos 50. A apreciação onomástica até é das mais animadas, com Quintinos, Terebentinos, Chagas, Lavarinhas, Venceslaus e sei lá que mais. Os patrocinadores, esses, provêm de sub-áreas económicas curiosas: empresas de congelados, de tintas, de massas alimentícias, de sapatos, de conservas, com nomes misteriosos, como “LA Pecol”, que parece nome de gang da “Cidade dos Anjos”… E, depois, há aquelas noitadas na Senhora da Graça ou na ‘Torre’, onde homens de meia idade, com a camisa aberta para deixar ver a camisola interior de alças, com furinhos para os pelos se enfiarem, todos em alegre cavaqueira pela noite dentro, coadjuvados pelo indispensável tintol e bifana, com o Toy e o Clemente na banda-sonora, com as passagens entre as músicas a serem brindadas com uma sinfonia de arrotos… Portugal no seu melhor!
Mas é do programa que os dois colegas vilacondenses se indignam. Na verdade, aquilo não me chocou nada. Não me pareceu que quisessem fazer jornalismo, nem entretenimento. Era um daqueles programas híbridos para “o menino e para a menina”, que a única coisa que pretende é ocupar o tempo até à chegada dos corredores.
Caros colegas, isto é só, e apenas, ciclismo. Por alguma coisa a UCI ordenou que a prova sofresse um corte de metade do percurso. Vamos lá todos enviar um email à União Ciclista Internacional e pode ser que, para o ano, tudo se resuma à clássica Porto-Lisboa. A malta agradecia.
Dupont