quinta-feira, setembro 30, 2004

Campeões Olímpicos em Vila do Conde


Cerca de quatro dezenas de atletas, de várias nacionalidades, muitos deles medalhados nas últimas olimpíadas, encontram-se presentemente em Vila do Conde. A razão de ser desta concentração é a visita à Mar-Kayaks, onde são fabricadas as embarcações 'Nelo', que todos eles usam na sua actividade desportiva. O convite foi endereçado pelo empresário Manuel "Nelo" Ramos, como forma de homenagear este grupo de campeões pela confiança depositada nos seus produtos.
Dupont

E para o Sporting, não vai nada, nada, nada?

Em Vila Nova de Gaia: "A Câmara pagou a obra do centro de estágios [do F.C. Porto] no valor de 16 milhões de euros. Os azuis e brancos receberam os direitos de superfície durante 50 anos, sem qualquer custo. Já os lucros de exploração se os houver vão parar aos cofres do «dragão»".

Em Lisboa: "a EPUL, a empresa cujo único accionista é a Câmara de Lisboa, teve um prejuízo de dois milhões e meio de euros com a compra de terrenos destinados à Urbanização Benfica Stadium (...) a EPUL pagou obras que não estavam previstas no acordo. É o caso dos ramais de ligação ao novo Estádio da Luz que custaram oito milhões de euros." (TSF)


- E agora? Eu é que sou o maluquinho? É? É?

Bem, ainda não vi os habituais sportinguistas comentarem esta indelicadeza para com o seu clube...
Dupont

Relatório já "se abriu"..

O famoso relatório do PS sobre os acontecimentos na lota de Matosinhos que precederam o momento fatal do Prof. Sousa Franco está aqui, na íntegra, graças a' "O Comércio do Porto".
Infelizmente, pouco há ali que surpreenda. Manuel Seabra sai de rastos, mas Narciso também não fica lá muito bem. O caciquismo e a baixeza de processos em todo o seu esplendor.
Dupont

Santa ingenuidade...

"Queixas por burla de taróloga da Póvoa multiplicam-se".Isto só podia acontecer mesmo na Polónia Póvoa de Varzim.
Dupont

O Mundo de pernas para o ar!

"Duo assalta banco na Póvoa e rouba armas aos guardas da GNR". Isto só podia acontecer mesmo na Polónia Póvoa de Varzim.
Dupont

Citações da Sétima Arte - 15 - A Ponte sobre o Rio Kwai


"I hate the British! You are defeated but you have no shame. You are stubborn but you have no pride. You endure but you have no courage. I hate the British!"

Dupont

Estou lixado!

Há uns dias, a DECO revelava que "metade dos portugueses dorme mal e sofre de sonolência". Ontem, um estudo da autoria de Isabel do Carmo afirmava que "em cada 10 portugueses com mais de 30 anos, seis têm excesso de peso".
Com notícias destas como é que um tipo há-de conseguir dormir? O melhor é ir à cozinha comer qualquer coisa para ver se esquece...
Dupont

Chelsea-FC Porto


É verdade, o meu Porto estampou-se. Afinal, estava a jogar contra a equipa treinada pelo "melhor treinador do Mundo", o tal que "acima de mim só Deus". E quem somos nós para o desmentir?
De qualquer forma, gostei do que vi. A equipa melhora de jogo para jogo e a reacção após ter sofrido o segundo golo mostra que começa a haver "raça", algo inexistente desde a saída de José-Allmighty-Mourinho. Ao contrário do empate com o CSKA, a possibilidade de uma derrota em Londres era bastante previsível.
No fim de semana vêm mais azuis, os do Belenenses. Será a altura ideal para confirmar se Guimarães foi uma certeza ou um mero acidente de percurso.
Ah, com pesadelos como o Pepa e o Areias, foi tão bom rever o Paulo Ferreira e o Ricardo Carvalho...
Dupont

quarta-feira, setembro 29, 2004

A carta

Durante a discussão da proposta do CDS sobre o Metro do Porto e a polémica anulação do concurso para aquisição do meterial circulante da linha da Póvoa, Mário Almeida e o PS acusaram o Ministro António Mexia de se "intrometer nos assuntos da empresa do Metro". Parece que alguém lhe terá lembrado as palavras de Oliveira Marques, desmentindo tal facto, mas Mário Almeida atacou de forma mortal, lendo uma carta escrita pelo Ministro em que este apontava uma série de factos que deveriam levar a empresa a anular o concurso. Realmente, Mário Almeida foi certeiro e desfez a argumentação da oposição.
Assim sendo, fica aqui uma pergunta: Oliveira Marques diz uma coisa e o Ministro faz outra? Neste contexto, será que as coisas podem continuar como estão? Ninguém assume consequências?
Segundo soubemos, a carta que Mário Almeida leu era "confidencial". Bom, era confidencial até ontem, pois agora já é uma carta pública. E disto, haverá consequências?
Dupond

Quem é "a jornalista"?

Durante a discussão da proposta do PSD sobre a poluição do ar, Mário Almeida, respondendo a Afonso Ferreira, que lhe tinha lembrado o comunicado que o seu partido emitiu a propósito do Dia Europeu Sem Carros, que aqui mencionámos, disse ao líder do CDS que este escusava de lhe enviar cópia do mesmo. É que elem próprio já o tinha recebido das mãos de "uma jornalista" que o comentou assim:
- "Sr. Presidente, o CDS emitiu um comunicado sobre o Dia sem Carros, mas o Sr. não deve querer comentar, pois é tão fraco...".
Ao que parece, Mário Almeida não disse quem foi "a" tal jornalista. Quando passei no Bompastor, já se estava a montar uma banca de apostas para saber quem seria "ela". Circulavam nomes, alguns bem conhecidos...
E você, caro leitor, imagina quem poderá ser?
Dupond

Assembleia Municipal

Tendo já recebido reclamações por parte dos nossos leitores pelo facto de ainda nada termos dito sobre a Assembleia Municipal de ontem, cá estamos para relatar aquilo que conseguimos apurar junto das nossas fontes habituais. Sim, em Vila do Conde nada pode ser dito com o mínimo rigor sem se passar no eixo Bompastor-Nacional, o que só conseguimos fazer há pouquinho.
A Assembleia de ontem anunciava-se pouco interessante. A ordem de trabalhos tinha pouca matéria de relevo, pelo que bastava saber o que a oposição traria no período de antes da ordem do dia para ver o "sumo". Devo dizer-vos que apesar da baixa expectativa a assembleia foi muito interessante. Falou-se do ar poluído em Azurara e do Metro. Foram discussões bem animadas, com a oposição a causar incómodos a Mário Almeida e este a causar incómodos ao Governo.
Dupond

TIME


Dupont

Mafaldinha


Mafalda, a irreverente personagem de banda desenhada sopra, hoje, quarenta velas. Esta miúda que detesta sopa, nascida do génio de Quino, cativou leitores por todo o lado, especialmente nos países latinos.
Criada nos anos 60, acompanhou o desabrochar de uma nova geração em que os valores da paz e do "brotherly love", por um lado, e da crítica cerrada ao materialismo e ao belicismo, por outro, faziam escola. Aliás, o grupo de personagens que acompanha Mafalda replica os maneirismos daqueles que vêem o mundo de forma "errada". O capitalismo, ironizado através do bronco Manelinho, será o melhor exemplo.
Sempre tive preferência pelo Gui, o irmãozinho da Mafalda, que aparece já numa segunda fase do desenvolvimento da série. Talvez por não representar nada e ser uma personagem que deu liberdade criativa ao autor.
Os anos passam, mas tirando um outro pormenor datado, a "Mafaldinha" permanece viva e bastante actual, proporcionando uma leitura divertida e, ao mesmo tempo, reflexiva.
Quanto a Quino, todos sabemos que se fatou da personagem e abandonou-a. Dedicou-se aos cartoons onde, realmente, é genial. A editora D. Quixote tem editada quase toda a sua obra que, muito embora reflicta alguns tiques de esquerda, é verdadeiramente genial, não só na concepção das ideias, mas especialmente na arte de transmitir a mensagem através de um simples desenho.
Dupont

As multinacionais são tramadas!...

"Vaticano quer assumir gestão directa do Santuário de Fátima". Aqui.
Dupont

Citações da Sétima Arte - 14 - Quem Tramou Roger Rabbit?


"I'm not bad. I'm just drawn that way."

Dupont

Entrevista de Mário Almeida

O nosso Presidente da Câmara dá uma entrevista a' "O Comércio do Porto". Tão inóqua que até aflige. José Sócrates acabou de chegar, é um sujeito meio imprevisível e "cautela e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém", não é senhor Presidente?
Dupont

Espertezas...


A publicação das listas dos professores mostra, mais uma vez, a habilidade de Santana Lopes em gerir timings.
Reparem: as listas já deviam ter saído há mais de uma semana; houve um erro, se informático ou humano é irrelevante; a situação fez cair uma enorme sombra de descrédito sobre o Ministério e, por arrasto, sobre o Governo. Solução de emergência: afasta-se o digital e volta-se ao manual. Prazo: até ao fim do mês.
Chegamos ao dia 28 e encontramos as listas publicadas, mas com dois pormenores saborosos. Em primeiro lugar aparecem três dias antes do deadline. Ou seja, parece que o Governo ate cumpriu a promessa antes do tempo. Depois, revela-se que, afinal, o tal problema informático foi reparado. Ou seja: passou-se para o plano B, mas parece que não deixou de se trabalhar na resolução do A, estratégia que veio a resultar.
Com tudo isto, o Governo tenta claramente branquear a situação embaraçosa, confiando que "a última música é a que fica no ouvido".
Esperteza saloia ou genialidade política?
Dupont

Aniversário


O nosso colega "Vila do Conde Quasi-Diário" celebra, hoje, o seu primeiro aniversário. Recebe a nossa visita todos os dias, a várias horas, e isto já diz tudo sobre a estima que dele temos.
Podíamos andar por aí a googlear, em busca de uma foto para ilustar este post. No entanto, achamos que a melhor homenagem era reproduzir a que os bloggers aniversariantes lá puseram. Porquê? Porque six!..
Dupond & Dupont

terça-feira, setembro 28, 2004

Triste país este...

... em que cresce a circulação paga de jornais como o Correio da Manhã, Jornal de Notícias e 24 Horas, enquanto que desce a do Diário de Notícias e do Público.
Como já se disse aqui, somos um país que tem aquilo que merece.
Dupond

Sem treinador

O Varsóvia Varzim F.C., a equipa mais representativa da Polónia Póvoa de Varzim, está sem treinador.
Dupont

«Cerejeira»? São é como as cerejas...

O Daniel Oliveira, no Barnabé, ironiza com a homilia do Bispo do Funchal, por este ter feito público agradecimento à acção de Alberto João Jardim.
Pois vem tarde... Cá, em Vila do Conde, a situação é análoga, até porque, tal como na Madeira, também aqui o poder é ocupado pelas mesmas pessoas, vai para três décadas... Senão, veja-se o que aconteceu numa missa celebrada na freguesia da Junqueira, em Maio último, assunto sobre que já nos debruçámos aqui.
Dupont

Citações da Sétima Arte - 11 - Fúria Sanguinária


"Made it, Ma! Top of the world!"

Dupont

Racing in the Streets…


…cantava, no início da carreira, Bruce Springsteen. Hoje, em Portugal, é moda.
Enquanto o país assiste, entre o compreensivelmente chocado e o mais vergonhoso voyeurismo, aos horrores do resultado das corridas ilegais de automóveis, o canal Premium da TV Cabo passou, esta noite, o filme “The Fast and The Furious-II”, uma fita que retrata, em tons de heroicidade, a sub-cultura dos streetracers e do tuning. Jogos vídeo sobre o tema é coisa que, igaulmente, não falta.
Para quem não sabe, o streetracing é bem mais do que os meros “picanços”. São verdadeiras corridas na via pública, muitas vezes apimentadas por apostas em dinheiro. Há duas variantes, a corrida simples e as loucuras. Estas últimas envolvem condução em contra-mão (como se suspeita que aconteceu aqui, em Vila do Conde, no IC1, com aquele jipe que matou cinco pessoas), saltos tripulantes de um carro para outro, desafios directos à polícia, entre outras preciosidades. As viaturas são, normalmente, as japonesas, pelo imagem e pela facilidade de transformação. O tuning está mais ligado à afinação do carro, seja ela a nível da motorização ou de extras. É fácil topar um adepto desta modalidade: é aquele que azeitou o carro e passa, de janela aberta, com a música aos berros. Há por aí gente a gastar milhares de euros para estragar o carro…
Estas duas tribos cruzam-se. E fazem corridas loucas, põe em perigo a integridade das pessoas e a sua própria. E quando lhes perguntam porque é que não vão para um autódromo, a resposta é imediata: “porque não dá pica!...”. Na verdade, o fruto proibido é o mais apetecido…
O jovem, de 22 anos, que causou a morte de três pessoas em mais uma sessão de streetracing, em Palmela, ficou em prisão preventiva. Tudo bem. Mas estou com o Pacheco Pereira: “Como é que é possível haver muitas centenas de pessoas a assistir às corridas ilegais, em estradas que toda a gente sabe quais são, sem a polícia o impedir, prender os condutores, tirar-lhes a carta e os carros? Expliquem-me.” Não sei. Mas recordo-me de ler, na Visão, em despudorada entrevista, que um dos artistas que anda envolvido nisto é um agente da PSP que, nas horas vagas, não tem mais nada que fazer senão desonrar a farda…
Dupont

PS de Vila do Conde

Porque é que será que vários militantes socialistas de Vila do Conde ainda não sabiam, ontem, ao fim do dia, os resultados concelhios das eleições internas do partido? Segundo desabafaram, apenas duas pessoas estão na posse de tais elementos: Carlos Laranja e Mário Almeida.
Aliás, na mesma onda, veja-se que o site do PS nada diz. Nem mesmo as percentagens que os jornais publicaram…
Dupond

segunda-feira, setembro 27, 2004

Férias

Atenção rapazes solteiros e maridos destravados: é aqui que devem marcar as vossas próximas férias. The adventure of a lifetime...
Dupont

Citações da Sétima Arte - 12 - Wall Street


"The point is ladies and gentlemen that greed, for lack of a better word, is good. Greed is right. Greed works. Greed clarifies, cuts through and captures the essence of the evolutionary spirit. Greed, in all of it's forms - greed for life, for money, knowledge - has marked the upward surge of mankind(...)"
Dupont

Só lembra ao Diabo...

Segundo a Única, do Expresso, a Igreja Católica da Holanda acha que o abuso sexual de um padre a uma menor deve ser considerado "acidente de trabalho". Porquê? Para que seja o seguro, e não a instituição, a pagar a indemnização reclamada pelos pais da miúda: 56.800 euros.
Parece-me que não é só o padre a ser abusador. Os superiores também abusam... da Palavra de Deus.
Dupont

Rio Ave-Sporting

Mostrando que pretende fazer uma época desportiva substancialmente melhor do que no ano passado, o Sporting Clube de Portugal conseguiu esta noite um excelente resultado em Vila do Conde. Efectivamente, a equipa liderada por José Peseiro leva um precioso ponto do nosso estádio, fazendo assim esquecer os 4-0 com que os havíamos "despachado" na última época.
Na opinião do enviado especial d"O Vilacondense" ao jogo, o resultado é justo já que as duas equipas se equivaleram. Apesar disso, talvez ficasse melhor ilustrado se fosse construido com um ou dois golos para cada lado. Houve oportunidades suficientes para isso e o empenho dos jogadores merecia esse prémio.
Não resisto a deixar uma notinha final para o inigualável Dias da Cunha. Na verdade, e depois de ver o Sporting a jogar, as suas constantes declarações no sentido de atirar para cima do "sistema" as responsabilidades pelo insussesso desportivo da sua equipa são totalmente ridículas. Seria mais proveitoso que Dias da Cunha concentrasse as suas energias na gestão da casa e deixasse de perder tempo com o "sistema". A não ser que o "sistema" seja o "Freitas", como dizia hoje uma faixa erguida por membros de uma claque do Sporting.
Dupond

domingo, setembro 26, 2004

A Polónia



A Polónia é um belo país à beira-mar plantado cuja capital é Varsóvia. Os seus habitantes, um bocado trengos, são os polacos. Viveram sob uma ditadura durante muitos anos, e talvez por isso tenham comportamentos muito peculiares.
Os polacos são pessoas que não gostam de convidar os vizinhos para jantar, preferem viver no seu mundinho, acreditando em coisas que já ninguém acredita. São por isso muito fechados e pouco sociáveis, também por estarem cientes que as suas conversas não têm o nível das conversas dos outros. Mas eles, coitados, não têm culpa. O Pacto de Varsóvia e os tempos da ditadura comunista são álibis bastante fortes para os contrariarmos. Temos que os respeitar, não foram momentos fáceis. Devido à má governação do seu antigo regime, ainda há muitas coisas na Polónia em péssimo estado, que chegam a ter um cheiro defecante. O mar da Polónia, situado a norte, não é como o nosso, a água é gelada e não nos diz nada. Além disso os seus edifícios são demasiado altos e volumosos, feitos à pressa e com uma arquitectura horrível.
Mas também não podemos criticar este país por tudo e por nada, até há polacos com obras interessantes, como Karol Wojtila ou Chopin, mas todos eles só tiveram sucesso porque fugiram a sete pés da sua terra natal.

ABV – Associação de Blogues Vileiros

Dupond & Dupont
Eduardo A. Silva
João Paulo Menezes
Miguel Torres
siX

Comentário ao jogo do Porto

Dando folga ao Dupont, que fruto dos últimos resultados estava com elevados índices de ansiedade (esta foi à Gabriel Alves!), coube hoje ao Dupond a responsabilidade de se deslocar a Guimarães para assistir ao desafio que a melhor equipa da Europa teve de disputar no campeonato caseiro. O adversário era o garboso Vitória de Guimarães, equipa que tem uma das mais entusiásticas massas associativas deste país. Não só por isso, mas também, era um jogo bastante difícil e que se anunciava de prognóstico reservado.
Correspondendo ao dever informativo que O Vilacondense tem para com os seus fieis leitores, vamos deixar aqui a nossa leitura ao jogo, fazendo-o de uma forma inovadora. Pela primeira vez na história do comentarismo desportivo (esta fez lembrar o finado Alves dos Santos...), vamos descrever o jogo de Guimarães em dois cenários: o real e um hipotético. Esperemos que apreciem.
Dupond

Guimarães-Porto – Cenário real

O jogo de Guimarães era de crucial importância para a equipa de Vitor Fernandez. Depois de 3 empates consecutivos, e provavelmente do pior início de campeonato dos últimos 20 ou 30 anos, o FC Porto não podia correr o risco de perder mais pontos, sob pena de entrar numa espiral depressiva com as inerentes consequências junto da massa dos adeptos e do próprio balneário.
Acusando essa instabilidade, a equipa do Porto entrou tímida, falhando alguns passes e não conseguindo chegar quase nunca com perigo à baliza do Vitória. A partir dos 20 minutos da primeira parte a equipa começou a melhorar ligeiramente, tendo conseguido tornar-se mais ofensiva, com algumas jogadas que causaram verdadeiro perigo na baliza do Guimarães. Apesar dessa produção ofensiva, o nervosismo da equipa não deixava que houvesse o discernimento suficiente para que tal predomínio se materializasse em golos. Mesmo quando isso aconteceu, o árbitro encarregou-se de os anular.
Na segunda parte a história não foi muito diferente. A única aconteceu a cerca de 15 minutos do fim, quando Costinha conseguiu aquilo que a equipa tanto ansiava: marcar um golo válido. Depois disso o Porto ainda teve mais duas excelentes oportunidades, que nem assim soube concretizar.
O resultado é justo e extremamente positivo espelhando o domínio territorial do FC Porto. Apesar disso, nota-se que a equipa ainda não consegue a exuberância exibicional dos dois últimos anos. Fernandez ainda tem muito trabalho à sua frente para conseguir voltar a ter um Porto a jogar à campeão, seja nas provas caseiras, mas muito especialmente na defesa do titulo europeu. Vejamos o que consegue a equipa fazer já na próxima quarta-feira em Londres, onde defrontará o moralizado Chelsea...
Dupond

Guimarães-Porto – Cenário hipotético

Imaginemos que os últimos 3 jogos tinham decorrido de forma diferente. Imaginemos que em Braga o árbitro não tinha inventado um penalty contra o Porto, que o Derlei tinha marcado o penalty contra o Estoril e que tinhamos conseguido a sorte de marcar mais um golito contra o Leiria. Neste cenário os Dragões deslocavam-se a Guimarães com 9 pontos, liderando o campeonato em igualdade com o Benfica. Se assim fosse, a crónica do jogo desta noite teria sido a seguinte:
O FC Porto fez hoje em Guimarães uma exibição excelente. Dominando o jogo desde o primeiro até ao último minuto, os Dragões não permitiram que a equipa da casa construísse uma única oportunidade de golo juntos das redes de Vitor Baía.
Com vários elementos a realizar exibições de bom nível, como foram os casos de Bosingwa na direita, Diego no meio campo e mesmo Quaresma no ataque, o FC Porto conseguiu criar inúmeras oportunidades de golo que só não permitiram um resultado mais robusto porque, nem o árbitro nem a barra da baliza do Vitóra deixaram.
O desempenho da equipa mostra já que Vitor Fernandez está a conseguir incutir as suas ideias à equipa, aliando a sua filosofia à velha tradição raçuda e lutadora que tem distinguido os Dragões no mundo do futebol.
Esta foi uma exibição e um resultado altamente motivadores para o próximo jogo da Liga dos Campões. Por isso, Mourinho que se cuide, pois este Dragão mostra que tem a classe e a capacidade para continuar a mostrar que não foi Campeão da Europa por acaso.
Dupond

sábado, setembro 25, 2004

Citações da Sétima Arte - 11 - Era uma vez no México

"Are you a Mexican or a Mexican't? "
Dupont

A Ferreirinha


Estive a ver o primeiro episódio de "A Ferreirinha", um drama de época baseado na vida de Dª Antónia Ferreira, senhora do Douro na segunda metade do Sec. XIX.
Gostei de tudo menos dos diálogos. A reconstituição da época parece-me bem conseguida, os cenários estão um primor, mas os actores e a direcção dos mesmos é sofrível. Boa parte deles nem se mexe... Depois, os diálogos rasam o patético: falo eu/pausa/falas tu/pausa/falo eu/pausa... Não há vivacidade, não há energia nas interpretações, é tudo tão académico, tão teatral que dá pena. Os meios parecem existir, os fins é que não são atingidos.
Isto para não falar daquelas coincidências à portuguesa: o argumentista e a actriz principal são casados... Acaso ou foi "imposição"?
Dupont

Vai acontecer em Vila do Conde

Dupont

sexta-feira, setembro 24, 2004

Agência de viagens

Já há muito alguém tinha informado O Vilacondense do facto de a Junta de Freguesia de Vila do Conde estar transformada numa autêntica Agência de Viagens. Ao que consta, grande parte do respectivo orçamento é dedicado a "Passeios", seja os já conhecidos da "Terceira Idade" ou outros "temáticos", geralmente organizados a pensar nos habitantes das Caxinas.
Esta forma de fazer política é perfeitamente explicável e tem razão de ser. Há muita gente que infelizmente ainda não tem acesso a viajar com frequência e que aproveita estes momentos proporcionados pela autarquia para passar bons momentos de convívio. Até aqui, tudo bem.
No entanto, O Vilacondense acabou de saber que está a ser organizado um passeio da categoria dos "temáticos", destinado exclusivamente para os "Habitantes do Bairro do Farol". Este passeio, que segundo conseguimos apurar, seguirá por rotas nortenhas, passando por locais de grande beleza, como por exemplo Amarante, será totalmente gratuito (como todos os outros) para aqueles que se pretendam inscrever.
O que leva a Junta de Freguesia a fazer um passeio deste género? Será que a Junta de Freguesia vai depois organizar também um passeio para os habitantes da Urbanização da Rua das Dálias, do Bairro dos Pescadores, do Bairro das Pedreiras, do Bairro Rio Ave, da Zona Ribeirinha? Enfim, por este caminho, onde irá a Junta de Freguesia conseguir financiar todo este frenesim festivo?
Outros, certamente mal intensionados, já estão a dizer que tudo isto não passa de uma forma habilidosa de "ir dando bolos para tentar enganar tolos", procurando através da aferta de passeios e almoços esconder verdadeiros problemas. No caso do Bairro do Farol, todos sabemos a grande embrulhada em que a Câmara se meteu com as respectivas obras, que mesmo estando a ser concluídas, parece que não resolvem o principal problema: as ligações do respectivo saneamento e a situação desastrosa em que se encontra a respectiva cave, transformada em repositório de toda essa porcaria...
Não queremos fazer processos de intenção, mas deixamos as pistas para cada um tirar as suas conclusões. Claro, e ficamos à espera da viagem do nosso bairro...
Dupond

Next blog, please!

Ando entretido com aquela opçãozinha que podem ver no topo do écran, do lado direito, onde diz "next blog". Se clicarem lá vão para um outro blog...qualquer. À sorte. Experimentem e verão como é divertido entrar em mundos dos quais não se tem qualquer referência.
É claro que também acontece em sentido inverso. Hoje, por exemplo, apareceram cá "The Great Singapore Duck Race", "SundayMorning's AutoTalk" e este que nem dá para escrever o nome...
A blogosfera não pára de surpreender.
Dupont

Anacleto

Nasceu um novo blog. Tenho lá ido todos os dias e já deu para reparar que meia blogosfera anda deliciada com a chegada do Anacleto. Como se poderá ver, trata-se de um blog sério-satírico (um pouco como o suplemento 'Inimigo Público'), que mimetiza os tiques da linguagem de esquerda, mais exactamente do BE. A piada é que eles afirmam que são para ser levados a sério...
O barnabé, o blog líder nacional tentou "encaixar" mas não se saiu lá muito bem, ao contrário do Blogue de Esquerda. A ala direita, liderada pelo Jaquinzinhos e prontamente seguida pelo Blasfémias anda deliciada, com sucessivas referências diárias. O Proletário Vermelho também "não" gostou...
Por mim, já sou leitor assíduo.
Dupont

Aniversário

O "Inimigo Público", aquela publicação que "traz o «Público» como suplemento", como os seus autores gostam de dizer, celebra o seu primeiro aniversário. Para comemorar, editou um livrinho, compilando as melhores "notícias". Dei uma vista de olhos, no quiosque, e não me parece que valha a pena. A edição é óptima, só que aquele humor está intimamente ligado à actualidade. Ora, ler humor relacionado com acontecimentos que ocorreram há um ano, revela-se um passatempo algo anacrónico...
Eu acho piada a este jornal satírico. Nem sempre acertam, mas, também quem é que o faz? Para celebrar, permitam-me citar esta pérola, de hoje:
"Manuel Alegre promete levar Mário Jardel para o PS - Sócrates garante Eriksson e João Soares acena com Rui Costa"
Dupont

Depois queixem-se...

No encerramento da campanha para a liderança do PS, Manuel Alegre disse que "há camaradas que estão a ser pressionados e a sofrer ameaças de represálias que põe em perigo as suas vidas pessoais". Alegre referia-se mais uma vez a alegadas manobras de apoiantes de Sócrates no sentido de influenciar elementos ligados às “clientelas” do poder simbolizado por grande parte da máquina socialista que vive, como se sabe, à volta das autarquias.
Este aviso do candidato-poeta mostra bem a forma como a política é exercida nos partidos com vocação de poder, explicando de forma perfeita a razão daquilo que já é um chavão: “o afastamento das pessoas em relação à política”.
Quem está de fora (dos partidos) faz a seguinte pergunta: Se os tipos são assim nas lutas internas pelo poder, o que não farão quando lutam pelos lugares de governação (administração central ou local)? Se eles usam a “chantagem” para conquistar votos nas eleições internas, o que não farão quando está em causa a eleição de um Governo ou de uma Câmara Municipal?
Será que isto muda? Talvez. Cá por mim, vai mudar no mesmo dia em que for feito um up grade geral na população portuguesa, ou não tivéssemos nós a política ao mesmo nível do resto do país.
Dupond

Citações da Sétima Arte - 10 - Pulp Fiction


"The way your dad looked at it, this watch was your birthright. He'd be damned if any of the slopes were gonna get their greasy yellow hands on his boy's birthright. So he hid it in the one place he knew he could hide something: his ass. Five long years, he wore this watch up his ass. Then when he died of dysentery, he gave me the watch. I hid this uncomfortable piece of metal up my ass for two years. Then, after seven years, I was sent home to my family. And now, little man, I give the watch to you."
Dupont

Pump it up!!!!


Cathy Barry é uma actriz inglesa. Talvez o nome não diga nada, porque não trabalha em Holywood mas sim na indústria porno. A concorrência deve ser terrível, pelo que a senhora decidiu que era altura de arrasar com o restante mulherio e, ao mesmo tempo, ter todos os homens a babarem-se aos seus joelhos. Assim, decidiu que estava na altura de ter “os maiores seios do Mundo”.
Mas a nossa heroína não é burra e logo arranjou maneira de realizar, de graça, o seu sonho. Foi ter com os produtores do programa “Cosmetic Surgery Live”, que aceitaram a sua proposta. Foi então marcado o segundo sábado de Setembro para a grande mudança de visual de Cathy e escolhido o médico, o conhecido Shiva Singh.
A bronca que isto deu em terras de Sua Majestade!
Primeiro, o Bulletin of Medical Ethics achou que o uso de determinadas acções médicas era “unethical” e este era um desses casos. Logo a seguir apareceu o General Medical Council anunciando que iria processar a emissora.
Depois, o cirurgião demorou o triplo do tempo que é normal para colocar uns implantes de silicone. É certo que as próteses eram “the size of rugby balls”, mas isso não explica porque é que só à terceira tentativa é que conseguiu enfiá-las lá dentro…
Finalmente, para completar a tragédia, veio a descobrir-se que o famoso Shiva Singh não tem qualificações suficientes para exercer cirurgia plástica. As acusações partiram da British Association of Aesthetic Plastic Surgeons e do Royal College of Surgeons, entidades que Singh acusa de monopolistas e de actuarem concertadamente contra quem não está registado em algumas daquelas instituições. O “sistema” portanto…
Quanto à Cathy Barry (na foto, ainda antes da cirurgia…) parece que tudo corre bem e supõe-se que está a ter um sucesso desmedido nas cenas filmadas em piscinas…
Dupont

Revista da Imprensa Vilacondense

No Suplemento de Vila do Conde d'O Primeiro de Janeiro temos:
- Abel Maia, "Silêncios"
- António José Gonçalves, "PS: passado, presente e futuro"
- Felicidade Ramos, "As reticências"
- Fenando Reis, "Reflexões..."; e
- Alexandre Raposo, "A tômbola gigante".
Abel Maia tem um artigo que merece redobrada atenção. Não me refiro à primeira parte, um auto-elogio próximo do patético, mas à segunda, em que responde ao "número dois" do PSD, Miguel Paiva, que deu uma entrevista, na semana passada, a este mesmo suplemento. Isto revela o tremendo incómodo que a estratégia do PSD-PP em proteger Santos Cruz causa nos socialistas, que procuram descredibilizá-lo tentando o choque Paiva/Cruz e procurando repisar o mesmo argumento de sempre: a oposição não tem propostas para Vila do Conde. Estamos a um ano das eleições e os socialistas já saem a terreiro desta forma? A coisa promete...
A Felicidade Ramos defende que "todos deviam escrever diários, onde figurassem os aspectos positivos e negativos do dia, e partilhá-los com os que lhes são mais próximos" e que "é por isso, que defendo a terapia dos diários, como forma de estimular a troca de experiências e fomentar o diálogo". Ó Felicidade, o que é que você acha que nós fazemos nos blogs? Crie um e venha dialogar connosco! Um toque feminino na masculina blogosfera vilacondense era formidável.
Dupont

quinta-feira, setembro 23, 2004

Back to the Future - 2004

Diz o Diário Digital que a NASA e a BOEING anunciaram que o "carro voador deve chegar ao mercado dentro de 25 anos".
Gand'a novidade! Há quanto tempo eles já circulam em Portugal!...
Dupont

Back to The Future - 2029


Runway IC1 - À saída do Porto, aeroautomobilistas aguardam vez para descolar em direcção a Vila do Conde

Dupont

Recompensa celestial

Celeste Cardona, depois de ter ajudado a enterrar, ainda mais, o Ministério da Justiça, recebeu uma recompensa de ouro: vai para o Conselho de Administração da Caixa Geral de Depósitos.
Ainda bem que não tenho lá conta...
Dupont

Pediatras

A notícia de que há falta de pediatras parece-me inacreditável. Os pais modernos vivem absolutamente subjugados à tirania das crianças e correm para as urgências se o miúdo bate com a cabeça na bola a jogar futebol... As do Grande Porto, onde conheço três por razões que não vêm ao caso, estão sempre atulhadas de gente.
Além disso, em conversas com outros pais, todos se queixam que as clínicas (sim, dantes é que os médicos tinham consultórios...) privadas também estão sobrecarregadas.
Das duas uma: ou os médicos relacionam mal as especialidades com a lei da oferta e da procura, ou não têm queda para aturar miúdos ranhosos a berrar e a partir tudo - o que é compreensível, digo eu...
Dupont

Pequeno-almoço

Hoje de manhã, na TSF, o repórter foi à tasca "Ginginha", em Lisboa, salvo erro, nos Restauradores. E pergunta ao proprietário:
- Então, este negócio tem futuro?
- Tem... Tem... Tem no sentido em que não irá desaparecer...
Por aqueles lados, a "produtividade" começa logo ao pequeno-almoço...
Dupont

Citações da Sétima Arte – 09 – 2001, Odisseia no Espaço


"I'm afraid. I'm afraid, Dave. Dave, my mind is going. I can feel it. I can feel it. My mind is going. There is no question about it. I can feel it. I can feel it. I can feel it. I'm a... fraid. "
Dupont

F.C.Porto-U. Leiria

Só me apetece praguejar!... Saí do Dragão a deitar labaredas!
Pronto, já passou…
No meio do semi-naufrágio surgiram algumas indicações positivas em relação aos espalhanços perante o Estoril e o CSKA. Desde logo, começa a ver-se o esboço de uma equipa, que consegue construir jogadas, muito embora não as finalize em golo. O do Quaresma, uma jogada de inciativa individual, é a prova disso. Depois, aqui e ali, já se nota a nota que custou Fabiano e assistiu-se a alguma, ainda incipiente, pressão. Diego ainda se arrasta e não dá indícios de comandar o meio campo. A defesa continua insegura, acusando a falta de Nuno Valente e de alguém que cubra os passos em falso de Jorge Costa.
Como me dizia, esta semana, um responsável técnico portista: “a fruta está verde, é preciso amadurecer”. Também acho. Tenho medo é que ela passe logo para o estado de podre...
Dupont

«Último Acto em Lisboa» e «A Companhia de Estranhos»

Tenho este post escrito desde o final de Agosto. Saiu muito grande. Já levou umas tesouradas, mas continuo a achar que é extenso para um blog. O que me acabou com a hesitação foi este post, no Bloguítica, em que se alude ao facto de José Sócrates possuir uma fortuna avantajada, uma vez que é neto de alguém que enriqueceu com o volfrâmio, na II Guerra Mundial. É que este negócio está na base da teia que Robert Wilson urdiu em “Último Acto de Lisboa”. Então aqui vai…

Como já aqui referi, fiquei colado à escrita de Robert Wilson, com “O Cego de Sevilha”. Mal acabei a leitura, imediatamente cancelei os livros que aguardavam a sua vez na fila do Verão e dirigi-me avidamente à FNAC para adquirir outras obras do mesmo autor. Quando me dá para paixões, nem hesito (ainda me lembro de quando descobri os Yes – no dia seguinte meti-me no comboio para o Porto, de onde regressei com toda a discografia disponível...). E foi assim que me propus derrubar as torres de quase meio milhar de páginas que constitui cada um dos livros com que o autor precedeu “O Cego de Sevilha”.


O “Último Acto em Lisboa” é mais um clássico policial, do género “whoddunit”, em que nos deparámos, novamente, com uma narrativa temporalmente repartida. Por um lado, acompanhamos Klaus Felsen, um industrial alemão, jogador e mulherengo, que é obrigado pelas SS a vir para Portugal, em 1941, com o fito de controlar o negócio do volfrâmio, material indispensável à indústria de guerra germânica. Por aqui conhecerá Manuel Abrantes, um beirão sem escrúpulos, com quem realizará proveitosos negócios, incluindo um banco que se tornanrá um dos mais importantes do País, à custa do “ouro nazi”. A vida de ambos separar-se-á quando Felsen vai para a cadeia e Abrantes fica dono e senhor da instituição bancária. Mais tarde, dois filhos seus, um deles inspector da PIDE, encarregar-se-ão de continuar a história até perto do fim do século. A acção inicia-se em 1941 e atravessa toda a nossa história, antes e depois do 25 de Abril, apresentada, quase sempre, pelos olhos de um estrangeiro, Felsen.
Alternado capítulos com aquele trama, temos um outro em que emparceiramos com Zé Coelho, da Polícia Judiciária, na investigação do homicídio de uma adolescente. O inspector é viúvo, vive com uma filha da idade da vítima, está algo inseguro emocionalmente e ainda tem de aturar um novo colega, jovem e algo intempestivo. No desenvolvimento da acção, narrada na primeira pessoa, acompanhamos o crescimento interior do pai, o seu poder de dedução e a forma como contorna os obstáculos que se lhe colocam. Na parte final do livro, as duas histórias fundem-se num desfecho completamente imprevisível que abana com toda a estrutura da sociedade portuguesa.


“A Companhia de Estranhos” é um thriller de espionagem, com uma forte componente romântica. Também aqui começamos com uma narrativa repartida entre a Inglaterra e a Alemanha, a pátria dos dois protagonistas, Andreia e Voss. Escolhidos pelos serviços secretos para se integrarem nas respectivas delegações diplomáticas em Lisboa, acabam por se conhecer e apaixonar-se no Estoril e consumar a relação na capital portuguesa. E assim permanecem até ao dia em que falha o golpe para eliminar Hitler, estratégia de que Voss era cúmplice. O alemão tenta fugir, é capturado e Andreia acaba por receber a notícia de que ele havia sido morto. Grávida, casa com um oficial português, e estabelece-se por cá, pactuando com o Partido Comunista na clandestinidade. Com a morte da mãe, por doença, e do marido e do filho na Guerra do Ultramar, Andreia regressa a Londres. Volta a envolver-se emocionalmente e integra-se nos Serviços Secretos, onde a sua mãe trabalhara, descobrindo que ela fora uma espia a favor da URSS, acabando, ela própria por também o ser. Já próximo do fim da Guerra Fria, é destacada para Berlim, para se encontrar com um misterioso agente duplo, que acaba por descobrir ser Voss. A partir daqui, a história acelera, culminando num final dramático, em Londres. Com este livro, o autor conquistou o “Golden Dagger Award”.


A mestria de Robert Wilson no controlo do fluir da narrativa, algo que já me tinha impressionado em “O Cego de Sevilha”, confirma-se, no que já será uma brilhante técnica de escrita, uma vez que os três livros, estruturalmente, exibem enormes semelhanças.
A primeira, óbvia, é a necessidade de começar todos os capítulos precisando, no tempo e no espaço, a localização da acção. Mais do que ajudar o leitor a guiar-se no meio de constantes analepses, a opção por esta fórmula demonstra a enorme racionalidade que o autor incute na obra, quer na sua concepção, quer no próprio desenvolvimento da intriga .
Depois, o recurso a duas narrativas que, durante boa parte da obra, correm em paralelo, sem aparente conexão, cria um efeito de montagem que não só cativa o leitor como gera uma dinâmica adicional à do próprio trama.
A nível de concepção da narrativa, há elementos comuns aos três livros. Desde logo, o facto de a acção se passar entre Portugal, Inglaterra e Alemanha, em «Último Acto em Lisboa» e «A Companhia de Estranhos». Por outro lado, aqui e também em “O Cego de Sevilha”, há personagens com uma pátria, mas “a verdade” está sempre relacionada com um terceiro país: Portugal, nos dois que hoje abordamos, Marrocos no outro.
Outra característica comum é a quase obsessão do autor em recorrer a falsas paternidades como forma de causar no leitor um forte impacto de surpresa. Nos três livros há personagens em que a paternidade biológica não é a que está plasmada no Bilhete de Identidade, o que justifica algumas das motivações das personagens. É claro que, por vezes, o desconhecimento da existência de consanguinidade conduz a situações macabras, como a sodomização de uma filha por um pai, em “Último Acto em Lisboa” . Parece-me algo repetitivo o recurso a este artifício, embora Robert Wilson o vá melhorando, atingindo a quase perfeição em “O Cego de Sevilha”.
Ao contrário do que muitas vezes encontrámos em livros policiais e de espionagem, onde se privilegia a personagem principal ou a acção, com Robert Wilson vamos encontrar um trabalho sério de caracterização dos vários intervenientes. As personagens são profundamente desenvolvidas, possibilitando ao leitor a apreciação do carácter de cada uma. Aqui não há super-heróis ou agentes secretos do género 007. São seres humanos que tentam fazer mais e melhor, dentro das suas capacidades físicas e emocionais.
Wilson descreve ao pormenor os cenários, arriscando o grotesco nos locais dos crimes. Não sendo português, a pintura que faz de Portugal, quer no tempo da II Guerra, quer nos dias de hoje, é pormenorizada e bastante factual, o que indicia que um grande trabalho de investigação foi feito para alicerçar a narrativa, serviço que foi da responsabilidade da sua mulher.
Qualquer dos três livros proporciona uma agradabilíssima leitura. No entanto, não recomendaria a sua leitura sucessiva, pois acaba por emergir um certo padrão criativo do autor, condicionando quer a apreciação autónoma de cada obra, quer o desejado efeito-surpresa final.
Dupont

quarta-feira, setembro 22, 2004

Trocadilho ou...

"Atletas portugueses com dificuldades devido ao elevado nível dos adversários". No Público. Sobre os Jogos Paralímpicos.
Dupont

... pré-anúncio de vitória moral?

"Atletas portugueses com dificuldades devido ao elevado nível dos adversários". No Público. Sobre os Jogos Paralímpicos.
Dupont

Dia Europeu Sem Carros


Uma das iniciativas mais idiotas que conheço tem hoje o seu dia de glória. O Mundo actual existe COM carros e já não funciona sem eles. Retirá-los da equação não é política, é demagogia barata.
Porque é que ainda ninguém se lembrou do "Dia Europeu Sem Meios de Transporte"? Ou do "Dia Sem Indústria Poluente"? Era só por coerência...
ADITAMENTO: Afonso Ferreira, presidente da Comissão Política concelhia do PP, teve a amabilidade de nos enviar um comunicado em que o seu partido aborda várias questões ligadas ao ambiente, à data de hoje, e não só. Está aqui. Nem será preciso explicar que se qualquer força política ou organização vilacondense quiser divulgar alguma coisa aqui, no blog, pode contar com a nossa disponibilidade.
Dupont

Frank Carlucci


Frank Carlucci vai receber a grã-cruz da Ordem do Infante D. Henrique das mãos de Santana Lopes. Há quem não goste da personagem que, de facto, é algo sinistra. Até o nome parece tirado dos "Sopranos"... O PCP e, certamente, o BE estrebucham por todos os lados com esta iniciativa do actual Governo. Segundo o partido da foice-e-do-martelo, isto é um "vergonhoso gesto de afrontamento aos valores de Abril" pois aquele senhor teve "um claro papel de ingerência, conspiração e desestabilização em aliança com os círculos mais activos do processo contra-revolucionário em Portugal".
Se calhar até é verdade. Mas foi também graças a Carlucci que "os valores de Abril" sobreviveram e que por parte da União Soviética não se registou "um claro papel de ingerência, conspiração e desestabilização em aliança com os círculos mais activos do" PCP.
"Sim, eu sei, que tudo são recordações..."
Dupont

Blogs


Os blogs são notícia. Primeiro, nos EUA, foram responsáveis pela denúncia de utilização de documentos falsos, injuriosos para George W. Bush, pelo sacrossanto programa '60 Minutes', da CBS, apresentado pelo, até então, imaculado Dan Rather. A TIME analisa e elogia, atrvés de Andrew Sullivan. Aliás, os responsáveis pelo programa, entretanto demitidos, parece que ainda não digeriram a afronta: "Bloggers have no checks and balances. [It's] a guy sitting in his living room in his pajamas".
Por cá, a Marktest informa que "no primeiro semestre de 2004, 391 mil portugueses com 15 e mais anos visitaram blogs a partir de suas casas". O alojamento mais utlizado é o do blogger, enquanto o barnabé é apontado como o blog mais visitado.
Dupont

Citações da Sétima Arte - 08 - Tubarão


" Japanese submarine slammed two torpedoes into our side, Chief. We was comin' back from the island of Tinian t'Leyte, we'd just delivered the bomb. The Hiroshima bomb. Eleven hundred men went into the water. Vessel went down in twelve minutes. Didn't see the first shark for about a half hour. Tiger. Thirteen footer. You know how you know that in the water, Chief? You can tell by lookin' from the dorsal to the tail. What we didn't know, was that our bomb mission was so secret, no distress signal had been sent. They didn't even list us overdue for a week. Very first light, Chief, sharks come cruisin', so we formed ourselves into tight groups. It was sorta like you see in the calendars, you know the squares in the old calendars like the Battle o' Waterloo and the idea was the shark come to the nearest man, that man he starts poundin' and hollerin' and sometimes that shark he go away... but sometimes he wouldn't go away. Sometimes that shark looks right at ya. Right into your eyes. And the thing about a shark is he's got lifeless eyes. Black eyes. Like a doll's eyes. When he comes at ya, he doesn't even seem to be livin'... 'til he bites ya, and those black eyes roll over white and then... ah then you hear that terrible high-pitched screamin'. The ocean turns red, and despite all your poundin' and your hollerin' those sharks come in and... they rip you to pieces. You know by the end of that first dawn, lost a hundred men. I don't know how many sharks, maybe a thousand. I do know how many men, they averaged six an hour. Thursday mornin', Chief, I bumped into a friend of mine, Herbie Robinson from Cleveland. Baseball player. Boson's mate. I thought he was asleep, Reached over to wake him up. He bobbed up, down in the water, he was like a kinda top. Upended. Well, he'd been bitten in half below the waist. Noon the fifth day a Lockheed Ventura swung in low and he spotted us, a young pilot, lot younger than Mr. Hooper here, anyway he spotted us and a few hours later a big ol' fat PBY come down and start to pick us up. You know that was the time I was most frightened? Waitin' for my turn. I'll never put on a lifejacket again. So, eleven hundred men went into the water. Three hundred and sixteen men come out, the sharks took the rest, June the twenty-ninth, nineteen-forty five. Anyway, we delivered the bomb."

Dupont

Eleição Global


Simon Robinson, director do escritório da TIME em Joanesburgo, num artigo saído na última edição da revista, pergunta: “se as políticas dos EUA têm impacto em todo o mundo, porque é que não podemos todos votar na eleição para Presidente [dos EUA]?”
Equilibrando-se entre o irónico e o sério, o autor sustenta a sua ideia com exemplos da história (a Guiana Francesa vota nas eleições presidenciais francesas...) e com exemplos práticos: já somos todos uma colónia americana e a CIA tem fama de influenciar eleições um pouco por todo o lado.
Os benefícios seriam grandes, porque poderíamos influenciar quem nos vai realmente governar e, por outro lado, os candidatos teriam mais fundos, estariam mais atentos às necessidades de quem consome produtos americanos em todo o globo e, em países de regime ditatorial, os déspotas teriam os dias contados... A noite eleitoral seria fantástica, qual festival da Eurovisão, com os votos a choverem das mais distantes latitudes e paragens.
Costuma dizer-se que “a brincar se vão dizendo as verdades”. É o caso de Simon Robinson. Na verdade, dada a importância e influência dos EUA sobre todo o Mundo quase devíamos ter direito de voto na escolha do líder da primeira potência planetária. No entanto, tal como refere o autor, já seria bom que o candidato escolhido não se esquecesse que as suas opções e decisões não influenciam só a América, mas todos nós.
Dupont

Pastor! (continuação)

No primeiro dia de julgamento, o nosso herói da semana, Diamantino Curtinhas, desmaiou em plena sala de audiências. Por agora, o MºPº quer que ele responda como arguido, pelo facto de ter usado arma ilegal e alterado a ordem pública (!!). Estava nervoso, tomou uns compridos e eis que deu entrada no Hospital de Vila Real.
Desculpem, mas não é aqui que o besugo exerce o seu mester?
Dupont

terça-feira, setembro 21, 2004

Momentos de felicidade

A blogosfera é uma grande família: um avô babado com a neta Isabel e uma família feliz celebrando o aniversário do João. Parabéns a todos.
Dupont

Irritação!

Na próxima quinta-feira passarão quinze dias desde que comecei a ir à FNAC perguntar pelo "High", dos Blue Nile. Já lá fui sete vezes. "Não chegou, lamento", "estão previstos sete para esta loja, mas ainda não chegaram" e "amanhã, talvez" são a minha recompensa. Pois, "o amanhã é sempre longe demais" e já anda malta a escrever sobre ele. Ainda ontem, dia do último adiamento e data de saída do novo álbum do Nick Cave, me deram a mesma resposta: "amanhã!". Para os dois discos! Anda o país inteiro a deixar tudo para... amanhã!
Em compensação, a minha última encomenda à Amazon inglesa chegou hoje. Foi feita na passada quarta-feira... Estupidamente, confiei na FNAC e não encomendei o diabo do disco! Toma lá, Dupont, que é para aprenderes!
Dupont

Citações da Sétima Arte - 08 - Taxi Driver


"You talkin' to me? You talkin' to me? You talkin' to me? Then who the hell else are you talkin' to? You talkin' to me? Well I'm the only one here. Who do you think you're talking to? Oh yeah?"

Dupont

«Campeões, carago!»


Um grande amigo meu passeava pelo Centro Comercial Parque Nascente quando se deparou com um grande burburinho em frente a uma conhecida livraria. Foi investigar e descobriu Júlio Magalhães - esse mesmo, o jornalista da TVI - a dar autógrafos, numa acção de divulgação do seu livro "Campeões, carago!".
Esta pessoa, que tem por mim uma consideração que, se calhar, nem sou merecedor, lá se pôs na fila munida de uns livrinhos, solicitando àquele grande portista que neles apusesse as desejadas dedicatórias. Podem ver a minha, muito embora o scanner não tenha apanhado o meu nome com clareza...
Esta grande obra de Júlio Magalhães passa a ser uma referência para qualquer portista que se preze. São perto de duzentas páginas dedicadas às duas Taças dos Campeões conquistadas pelo F.C. Porto: Viena e Gelsenkirchen.
Além da opinião do autor, entrelaçada com episódios inesquecíveis relacionados com os dois eventos, poderemos deliciar-nos com os relatos de alguns jogadores, técnicos, jornalistas e muita gente famosa, que não quis deixar de imortalizar a vivência da dupla conquista de um troféu desta dimensão e importância. Há depoimentos enternecedores, como os de Diogo Baía e de David Costa, filhos do grande Vítor e do enorme Jorge Costa. E, claro, também lá está Hernâni "Bitaites" Gonçalves: "eu vi o valoroso «capitão» João Pinto agarrado à Taça que não dava a ninguém, como se fosse o Santo Graal", sobre Viena e "o FC Porto era (...) a personificação da Pátria, uma oração balbuciada baixinho no altar azul e branco", sobre Gelsenkirchen.
Numa altura em que nem tudo está a correr bem, é revigorante ler "Campeões, carago!"
Dupont

O Código Luso...

As notícias sobre "O Código Da Vinci" são piores do que coelhos a procriar: aparecem por todo o lado. Por cá, não deve haver blog que não se tenha referido à obra de Dan Brown, incluindo O Vilacondense, aqui. Aliás, todos os dias nos chegam vários visitantes com condições de procura relacionados com o famoso livro.
Pensava eu que já estava tudo dito, mas deparei-me com dois posts dignos de nota. O primeiro, do Paulo Gorjão, no Bloguítica, gozando com Agustina Bessa-Luís. Partindo daí, encontraremos o segundo, no Almocreve das Petas, recordando que para mistérios deste tipo não é preciso ir ao Louvre - nós também os temos.
Dupont

Metro a passo de lesma

N'O Comércio do Porto: os utentes da Linha da Póvoa não vão ter carruagens novas quando for reatado o tráfego ferroviário, em 2005. Tudo porque o concurso para aquisição de novas composições foi anulado.
Em três dias ficámos a saber que o ar que respirámos e os comboios que estão para chegar têm muito em comum: são todos uma grande merda.
Dupont

AGROS

Parece inacreditável, mas a AGROS, a maior empresa de Vila do Conde e uma das mais importantes do País no seu sector, só em Setembro de 2004 abriu a sua página na Internet.
Dupont

segunda-feira, setembro 20, 2004

Pastor!


Alertaram-me, hoje, para esta história fantástica que o JN trouxe ontem. Passa-se em Mesão Frio e custa a acreditar que possa ser verdade.
Pelos vistos, um pastor, de 49 anos, foi enganado por dois malandros, que lhe venderam uma mulher bem mais nova, com apenas 22 primaveras. O preço já tinha sido pago: 15 cabras e cabritos e 2500 euros. A rapariga, aparentemente não sabia de nada. Mas ficou a saber, quando o pastor lhe apareceu, à porta de casa, montado numa burra, a reclamar os seus direitos. Diamantino Curtinhas, assim se chama aquele profissional da pastorícia, mal se apercebeu que tinha sido enrolado e que já não se iria enrolar com a fresca Marisa, rapidamente se muniu de uma caçadeira e tratou de reclamar pelo bem adquirido. A GNR resolveu o assunto...
Esta história, um enxerto do século XIX em pleno século XXI, tem pormenores deliciosos, como a desculpa de Diamantino para pedir a burra emprestada: queria ir ao "compõe ossos"... E não deixa de ser curioso o facto da população estar toda ao seu lado, num misto de gozo e condescendência, uma vez que o pastor era casado e com filhos...
Diamantino Curtinhas, o artista desta semana.
Dupont

Citações da Sétima Arte - 07 - À Procura de Nemo


"[Dory]I suffer from short term memory loss. It runs in my family... At least I think it does... Where are they?"
Dupont

O “Público” está de parabéns - 1

Já há algum tempo que os jornais resolveram semi-presentear os seus leitores com a edição de livros, discos, DVDs e, até, faqueiros, serviços de louça, jóias e mais uma panóplia inacreditável de objectos. Analisar estes brindes será uma das formas para aquilatar a qualidade do periódico que a propõe. Neste aspecto, tal como em muitos outros, o Público esmaga a concorrência. E parece que “the sky’s the limit”… É que, agora, no regresso ao trabalho, propõe duas colecções absolutamente imprescindíveis. Uma sobre cinema clássico, que analisaremos em post autónomo, e a colecção das aventuras de Corto Maltese.


Quem nunca viajou com Corto Maltese não faz ideia do que perdeu. Saído da pena do italiano Hugo Pratt, ele é um dos mais extraordinários heróis da Banda Desenhada. O autor italiano deu-lhe o sopro da vida em 1970, em “A Balada do Mar Salgado”. Foi tal o sucesso que ele chamou a personagem ao título e desenvolveu-a para a revista belga “Pif”. Quatro anos depois entraria na “Tintin”, para se torna imortal.
Corto Maltese é um destemido e romântico marinheiro, de nacionalidade maltesa, mas cuja viagens e aventuras fazem dele, tal qual Rick, em Casablanca, “a citizen of the world”. E esta citação não é inocente, já que por ambos perpassa um grande individualismo e um seco cinismo que levam a que a personagem tenha um modo aparentemente distante de olhar para a vida. Nas suas viagens, Corto Maltese percorre os quatro cantos do Mundo, mas nunca em paragens inocentes: desde a mágica Veneza até à lendária Samarcanda, o nosso herói conta, sempre, com magníficos cenários para adensar, ainda mais, as suas incríveis aventuras.
E, se as paisagens são variadas, o mesmo se dirá das suas paixões. Ao longo dos vários episódios em que Hugo Pratt deu a conhecer Corto Maltese, sempre o fez acompanhar por mulheres belíssimas, de personalidade vincada, sedutoras e perigosas, de todas as cores e raças. Aliás, a Méribérica-Liber, que detém os direitos para Portugal da obra de Hugo Pratt, já editou uma obra, precisamente “As Mulheres de Corto Maltese”, onde se aborda a personagem, analisando-a, precisamente, a partir das mulheres que lograram conquistar um lugar no seu coração.
Conheço pessoas que têm dificuldade em entrar no mundo de Hugo Pratt, porque não acham que não tem uma “linha clara”. Efectivamente, não. Mas, se o tivesse, nunca teria a aura de mistério e encanto que levam milhões de pessoas a referir-se a Corto Maltese como “o herói que gostava de ser”. Pratt desenhou tudo a preto e branco, num jogo de luzes e sombras que repercute a dualidade da alma humana. Daí que, por vezes, nos surjam ambientes surreais, com atmosferas densas e pesadas, mesmo que a acção decorra numa praia, a meio do dia.
Nos últimos tempos, a Meribérica tem procedido à reedição de toda a colecção, mas numa versão “tintada”, que em pouco, ou nada, altera a dimensão da obra. Aliás, esta edição vinha sempre acompanhada de extras, com textos de apoio, mapas e reproduções de esquissos.
Para quem conhece, é tempo de redescobrir. Para quem nunca travou conhecimento com Corto Maltese aqui está uma oportunidade de ouro para entrar num dos mais fantásticos mundos da banda desenhada. E já a partir de hoje!
Dupont

O "Público" está de parabéns – 2

A partir de 7 de Outubro, o “Público” disponibilizará duas dezenas de filmes do Período Clássico de Hollywood. A nata dos realizadores está presente, com John Ford e Howard Hawks à cabeça, mas também Orson Welles, Alfred Hitchcock, Jacques Tourneur, entre muitos outros. Qualquer destes realizador merecia uma colecção própria, mas isso seria uma aposta comercialmente demasiado arriscado.
O Vilacondense irá acompanhar, semanalmente, cada um destes lançamentos.
Dupont

domingo, setembro 19, 2004

«Terminal de Aeroporto»


Um homem “preso” na zona de trânsito do terminal internacional do Aeroporto JFK, em Nova Iorque, não podendo dali sair para a cidade, porque não tem visto, mas também não podendo embarcar para outro destino, porque o seu país já não existe, é o argumento de “Terminal de Aeroporto”, a última obra do wünderkid, Steven Spielberg.
Um filme híbrido, saído do cruzamento entre o drama e a comédia romântica, que proporciona duas horas de agradável entretenimento, acima da média, mas nada mais do que isso…
A fita baseia-se numa história original, de um cidadão iraniano que há mais de uma década vive no terminal do Aeroporto Charles De Gaulle, em Paris. Há uns anos lembro-me de ler a história deste homem, na ‘Paris-Match’ e, na altura, ter desabafado que era uma história que, certamente, daria um bom filme.
Spielberg terá pensado o mesmo e pôs mãos à obra, literalmente, já que uma réplica do verdadeiro terminal foi erigida, em estúdio, pela óbvia impossibilidade de filmar no verdadeiro local. Aliás, é fácil perceber o que fascinou o realizador na história do iraniano. Como todos sabemos, Spielberg é um cinquentão que nunca conseguiu digerir o divórcio dos pais, que aconteceu ainda jovem. Aliás, ele só se reuniu com o pai já na década de 90, o eu até deu capa na extinta “LIFE”. Este acontecimento revelou-se traumático para o jovem Steven, que nem sequer o esconde ao longo da sua obra, especialmente nos filmes mais recentes. Recordemos ‘ET’, o alien perdido em busca da nave-mãe, “O Império do Sol”, o miúdo separado dos pais por força da guerra, “Sempre”, onde a personagem feminina perde o marido, “Hook”, uma versão do eterno rapaz Peter Pan, “Indiana Jones e a Úlima Cruzada”, com Indy a encontrar-se com o pai, “A Lista de Schindler”, com a ameaça letal à grande família judaica, “Saving Private Ryan”, a busca do último filho, “A.I. Inteligência Artificial”, com a história do “menino-pinóquio-robot” que é abandonado pelos pais e “Apanha-me se Puderes”, a eterna fuga de um jovem em busca de uma família. É claro eu muitos outros episódios circunstâncias podiam ser referidos mas, creio que, estes, serão mais do que suficientes. Em “Terminal”, Tom Hanks está perdido e sem família, num aeroporto e numa terra cuja língua não domina. Mas, mais relevante, é o porquê de ele se deslocar à América. É que a sua motivação prende-se com uma promessa que ele quer cumprir, feita… ao seu pai. Aliás, se bem olharmos para a palavra “Terminal” rapidamente nos apercebemos do seu duplo sentido: como o local onde decorre a história mas, também, o fim da gesta da personagem no cumprimento da promessa paterna. É claro que o inteligente luso que acrescentou "de Aeroporto" estragou a riqueza do título.
Tom Hanks está igual a si próprio, num registo que evoca algo de "Forrest Gump" e, também, de "O Náufrago". Como por vezes acontece, o actor carega todo o filme, pouco espaço deixando para os actores secundários, como a sempre bela Catherine Zeta-Jones.
Pisada e repisada a sua obsessão, vamos lá ver o que Steven Spielberg tira da cartola com “A Guerra dos Mundos” e a quarta aventura de “Indiana Jones”.
Dupont

Citações da Sétima Arte - 06 - The Shawshank Redemption


"I have no idea to this day what those two Italian ladies were singing about. Truth is, I don't want to know. Some things are best left unsaid. I'd like to think they were singing about something so beautiful, it can't be expressed in words, and makes your heart ache because of it. I tell you, those voices soared higher and farther than anybody in a gray place dares to dream. It was like some beautiful bird flapped into our drab little cage and made those walls dissolve away, and for the briefest of moments, every last man in Shawshank felt free."
Dupont

sábado, setembro 18, 2004

O Poveiro

O Trenguices já tem companhia: nasceu O Poveiro! (Fonte:Arcabuz)
Dupont

Citações da Sétima Arte - 05 - Patton


"Now I want you to remember that no bastard ever won a war by dying for his country. He won it by making the other poor dumb bastard die for his country(...) Now there's another thing I want you to remember. I don't want to get any messages saying that we are holding our position. We're not holding anything. Let the Hun do that. We are advancing constantly and we're not interested in holding onto anything except the enemy. We're going to hold onto him by the nose and we're going to kick him in the ass. We're going to kick the hell out of him all the time and we're going to go through him like crap through a goose."
Dupont

O verdadeiro portista!!!

Se isto não é auto-confiança, por favor, digam-me então o que é!!!
Dupont

sexta-feira, setembro 17, 2004

Poluição - Medalha de Prata para Vila do Conde


Segundo a Lusa, "A Avenida da Liberdade, em Lisboa, continua a ser a zona mais poluída do país, ultrapassando os níveis de emissões de partículas inaláveis (poluente prejudicial à saúde) 131 dias num ano, quando a lei permite apenas 35. (...)Depois da Avenida da Liberdade - que já em 2002 era a pior artéria do país - a estação de medição da qualidade do ar de Vila do Conde é a que apresenta piores valores, com 111 dias de ultrapassagem em relação aos valores permitidos.. A Quercus diz o mesmo no seu site.
Já estou a ver o nosso presidente da Câmara a resolver esta questão como fez com o problema das Bandeiras Azuis: "não concordo com o critério seguido e até tenho aqui umas análises que dizem que temos o melhor ar de todo o País. Isso é gente que não gosta de Vila do Conde e não quer ver a qualidade do nosso ar. São os mesmo de sempre... Já nem ligo..."
Dupont

Hilariante

Há um blog diferente sobre futebol. Chama-se "Futblog Total". Se querem textos com humor, cuidados, recheados de referências inteligentes, vão lá e deliciem-se com belos nacos de prosa. O subtítulo diz quase tudo "Blog reflexivo sobre o Pós Modernismo no Futebol"...
O post mais recente, "De volta como o Outono", é genial. A não perder, igualmente, "Breve Tratado sobre João Vieira Pinto", onde se analisa a evolução dos traços faciais do jogador, pelo efeito dos contactos com o nosso conterrâneo Paulinho Santos...
Parabéns ao Augusto Justo, ao Aurárcio Mércio e ao Dr. Quarlos Eirós (nomes assim, nem o Goscinny!)
Dupont

Entrevista de Miguel Paiva

O PSD está em grande, este fim de semana, no que a exposição diz respeito. O Dupond já invocou a entrevista de Albano Loureiro, mas Miguel Paiva, o líder da concelhia também é alvo de uma outra, n'O Primeiro de Janeiro.
Mais institucional e relacionada com a sua recente reeleição, o líder vilacondense do PSD apresenta três ingredientes para conquistar a autarquia: formar uma equipa credível, ter um projecto credível e a mobilização e participação das pessoas que formam a oposição.
A aposta é conquistar a Câmara Municipal. Miguel Paiva anuncia essa intenção, algo que os seus antecessores também faziam. Só que, face aos últimos resultados eleitorais autárquicos, formou-se a convicção, no PSD e não só, de que esse objectivo é alcançável. Se conseguirem, muito bem; mas, se falharem, vai ser um estrondo dos diabos. Um pouco como o Mourinho no Chelsea...
Dupont

Uma entrevista original

Albano Loureiro, líder parlamentar do PSD na Assembleia Municipal dá uma entrevista ao 'Terras do Ave'. Estatística:
- Número de vezes que refere "Mário Almeida", do PS: zero.
- Número de vezes que refere "Miguel Paiva", do PSD: zero.
- Número de vezes que refere "Afonso Ferreira", do PP: zero.
- Número de vezes que refere "Fernando Reis", da CDU: zero.
- Número de vezes que refere, por iniciativa própria, qualquer dos Vereadores, Deputados Municipais ou Presidentes de Junta de Freguesia: zero.
- Número de políticos locais citados, por iniciativa própria: zero (fala em Santos Cruz, mas o nome já está na pergunta)
- Número de políticos nacionais citados: dois (Sá Carneiro e António Guterres).
Já aqui dissemos, a propósito de um outro outsider, Rogério Torres, que é um erro fazer política à base de indirectas e sub-entendidos. Então, em política local, isso ainda é mais clamoroso. Torna o discurso confuso e pouco objectivo. Quem quer ser líder tem de falar sobre o seu Nemesis. Vem nos livros de História...
Dupond

Citações da Sétima Arte - 04 - Apocalypse Now


"You smell that? Do you smell that?... Napalm, son. Nothing else in the world smells like that. I love the smell of napalm in the morning. You know, one time we had a hill bombed, for twelve hours. When it was all over I walked up. We didn't find one of 'em, not one stinkin' dink body. The smell, you know that gasoline smell, the whole hill. Smelled like... victory."
Dupont

Revista da Opinião Vilacondense

No Terras do Ave temos:
- Romeu Cunha Reis, "Até dizer chega!";
- Eduardo Silva, "M(o)ore Anti-Americano";
- Manuel Pereira Maia, "A gralha na entrevista";
- Rui Silva, "De volta"; e
- Pedro Brás Marques, "Uma terra que podia ser um paraíso"
No suplemento de Vila do Conde d''O Primeiro de Janeiro temos:
- António José Gonçalves, " Ainda o 11 de Setembro";
- Jorge Laranja, "11 de Setembro de 2004"; e
- Sérgio Vinagre, "«Remédio Santo»"
O artigo de Cunha Reis está soberbo, analisando a publicidade sob o ponto de vista de ela constituir uma fonte de poluição. A descrição de como um dia de praia se pode transformar num dia de inferno é aterradora... Pedro Brás Marques tem um artigo curioso, à lá M.N. Shyamalan: vai-se lendo, o discurso parece ir numa certa direcção e, mesmo no último parágrafo, aparece o volt-face, obrigando o leitor a re-equacionar tudo o que acabara de ler. Sérgio Vinagre aborda uma questão delicada: a forma de publicação, pelo "Jornal de Vila do Conde", de um direito de resposta de uma força política, que aquele jornal só publicou depois de condenado a fazê-lo pela Alta Autoridade para a Comunicação Social, e a que nós já fizemos referência aqui.
Atenção especial merecem os artigos de Jorge Laranja e Eduardo Silva, ambos à volta da "América". O economista e líder parlamentar do PS na Assembleia Municipal, tem uma perspectiva muito equilibrada sobre os EUA e o 11 de Setembro, procurando fazer a ponte entre o que está certo e o que está errado dos dois lados da barricada. O nosso amigo Eduardo Lápis de Côr Silva assina, provavelmente, um dos seus melhores textos, analisando a problemática América vs. Europa e a moda do anti-americanismo. Aliás, este é daqueles artigos que tem matéria para mais três ou quatro, tal a variedade de argumentos utilizada.
Dupont

The Great Pretender


Desculpem, mas não é este senhor que faz carreira chamando-nos "cubanos"?
Dupont

O "sistema" aproxima-se da perfeição


Segundo A Capital, os responsáveis pelo futebol profissional dos três grandes têm em comum o facto de todos serem adeptos do... F.C. Porto!!!!
Pinto da Costa é óbvio, mas José Veiga (Benfica) e Carlos Freitas (Sporting) também têm coração azul e branco.
Desculpem, mas este post fica por aqui... Não consigo parar de rir....
Dupont

quinta-feira, setembro 16, 2004

Women on Waves

Assim, sim!
Dupont

Ainda a lota de Matosinhos


Na sequência deste post, convém atentar no que o JN esclarece sobre o que se passou no momento da votação das moções, em separado, a Narciso Miranda e Manuel Seabra: "Alguns dos presentes, como Mário de Almeida (...) contestaram a aplicação da mesma sanção a Narciso, que, segundo o relatório, não provocou os desacatos (ao contrário de Seabra) mas também não os evitou. Segundo o relatório, Narciso não deveria ter acompanhado Sousa Franco e a sua presença agravou o clima."
Folgo em saber que Mário Almeida, apesar de apoiar os "modernos" Francisco Assis e José Sócrates, não esquece os velhos amigos. É que o nosso conterrâneo deve a Narciso Miranda o facto de ter sido presidente da Associação Nacional de Municípios. Fica-lhe bem esta solidariedade, embora seja reveladora de alguma indefinição de estratégia...
Dupont

Lost in Translation

O Diário Digital anuncia, aqui, que "um grupo de investigadores norte-americano concluiu a descoberta do quinto cromossoma e alcança metade do genoma humano, noticia o site da BBC citando a revista Nature".
Como os cromossomas há muito estão descobertos, nada como ir à fonte, para ver o que por lá escreveram. Claro que o equivalente inglês à palavra portuguesa "descoberta" nem sequer é usado... Se repararmos, o site emprega "sequenced", "finalised" e "cracking" entre outras expressões, para traduzir a acção tomada pelos cientistas.
Traduzir é complicado, especialmente para quem está mais interessado em obter títulos chamativos. Ou para quem acha que a tradução de "research" é "descoberta" e não "investigação".
Haveria tanto a dizer sobre a especialização técnica de jornalistas, mas não temos tempo...
Dupont

Blogosfera

José Pacheco Pereira, alma-mater do Abrupto, debruça-se, hoje, no Público, sobre a blogosfera, analisando o impacto e influência deste nosso mundo virtual em vários sectores, nomeadamente na comunicação social de âmbito nacional.
Sem qualquer tipo de arrogância ou orgulho, posso acrescentar mais um exemplo: o d'O Vilacondense. Desde que aqui chegámos temos vindo a analisar as notícias veiculadas pela comunicação social local e pela nacional sobre temas locais. Denunciámos faltas de isenção, descuidos no contraditório e, até, algumas subtilezas suspeitas. Nunca o fizemos com o intuito de achincalhar, mas de contribuir para uma melhoria do estado das coisas.
E resultou. Hoje, exceptuando "aquilo" que todos nós conhecemos, podemos afirmar que o panorama está incomparavelmente melhor, o que vem provar que Vila do Conde é uma privilegiada: tem jornalistas inteligentes.
Em relação ao Abrupto, folgo em notar que, cada vez mais, JPP dá atenção aos blogs circundantes. Está a ficar "humano" ou terá sido operação de charme para suportar o artigo de hoje? "I love the smell of conspiracy in the morning..."
Dupond

Citações da Sétima Arte - 03 - As Vinhas da Ira


"I'll be all around in the dark - I'll be everywhere. Wherever you can look - wherever there's a fight, so hungry people can eat, I'll be there. Wherever there's a cop beatin' up a guy, I'll be there. I'll be there in the way guys yell when they're mad. I'll be there in the way kids laugh when they're hungry and they know supper's ready, and when people are eatin' the stuff they raise and livin' in the houses they built - I'll be there, too."

Dupont

“Porno é bom! Porno é bom! Porno é bom!”


Quem o diz é Salman Rushdie. Basicamente, o que o autor de “Os Versículos Satânicos” vem dizer é que uma sociedade livre e civilizada deverá ser julgada pela sua vontade em aceitar a pornografia. Fê-lo através de um pequeno ensaio incluído no livro “XXX:30 Porn Star Portraits”, de Timothy Greenfield-Sanders, que conta com outras colaborações como as de John Malkovich, Lou Reed e John Waters. Para Rushdie, a pornografia está em toda a parte, mas quando estamos perante sociedades onde o contacto homem-mulher é difícil, ela vem satisfazer uma necessidade mais geral. O escritor baseia a sua tese nos números de tráfego de sites porno em países árabes, como o Paquistão.
Este artigo vem na sequência de sucessivas tomadas de posição de Rushdie, em que ele analisa o Islão e defende que “o fundamentalismo procura derrubar muitas mais coisas do que edifícios”.
Os seus detractores são, obviamente, os visados pela tese. Ziauddin Sardar, um professor universitário árabe, resume tudo ao facto de Rushdie usar o sexo como tema omnipresente na sua obra, recordando a caracterização que fez de Maomé como um sex-addict. É claro que o Irão já recordou que há um prémio pela sua cabeça…
Mas o escritor britânico tem apoiantes de peso. Gore Vidal, talvez o nome mais sonante da literatura contemporânea norte-americana, aplaude a tomada de posição de Rushdie, dizendo que a Humanidade nunca levou o sexo muito a sério porque tinha mais com que se preocupar, nomeadamente com a própria sobrevivência.
Não faço ideia se é verdade que “o porno é bom”, pois apenas posso atestar que desenvolver boa parte das actividades que se exibem num filme porno, isso sim, é bom. Agora, se difundir imagens e filmes porno em países “fechados”, como os árabes, os faz acalmar e relaxar, então do que é que os americanos estão à espera? Toca a transformar aqueles países num gigantesco bordel. Ou melhor, em três: um para homens, outro para mulheres e um terceiro para homossexuais - sim, que O Vilacondense não é preconceituoso e não se importava que os gays fossem todos para lá…
Dupont

«Medúlla» – Björk


Nem sei o que dizer. Apetece-me desabafar que não vale nada, mas não é verdade. Vale, certamente, alguma coisa, mas eu confesso-me desiludido. Acompanho religiosamente a carreira de Björk bem antes do estrelato e dos prémios de cinema, na altura em que uma banda, os Sugarcubes, puseram a Islândia no mapa musical. Então, eles eram apelidados de “génios” e rotulados com outros epítetos estratosféricos. Eram, efectivamente, bons, mas havia gente a fazer coisas melhores. Desde logo, os The Smiths. No entanto, a imprensa rendia-se a este novo som e a islandesa era presença assídua na capa da 'The Face' e sucedâneas.
A carreira a solo foi bem mais interessante, até porque a personagem Björk desmultiplicou-se em aparições várias, vestindo trajos inacreditáveis e assumindo poses controversas. Quanto à vertente musical, ela tem sido claramente acima da média, pelo menos até agora. Digo isto porque este último álbum intriga-me. Desde logo, um alerta: quem vier à procura de sonoridades reconhecíveis que fique de sobreaviso. Aqui há sons, há vozes e, por vezes, fica a dúvida se Björk não faz confusão entre som e música. Há quem adore e até veja aqui “paisagens sonoras”. Eu não vejo, por muito esforço que faça. Nota-se cuidado e inovação, numa atitude destemida e de desprezo pela vertente comercial. Certamente que a pequena islandesa, de ar infantil e perverso, já não necessita de engordar mais a carteira. Mas também é verdade que escusava de inventar tanto, porque é disso que parece que se trata.
Quando os Pink Floyd editaram “The Dark Side of the Moon”, muita gente intrigou-se sobre o que era “aquilo”. Hoje, é um clássico. Talvez "Medúlla" o venha a ser daqui a uns anos. Por agora, este disco faz-me lembrar a relação que João César Monteiro tinha para com o público…
Dupont

quarta-feira, setembro 15, 2004

Pedofutebolismo

O Real Madrid contratou um miúdo de sete anos. Para jogar futebol. E depois há quem se admire do facto dos jogadores de futebol serem broncos...
Dupont

A queda de uns anjinhos...


Os resultados da Comissão de Inquérito do Partido Socialista aos acontecimentos ocorridos na lota de Matosinhos, indissociáveis da morte de Sousa Franco, aconselham o partido a não permitir as candidaturas de Narciso Miranda e Manuel Seabra à autarquia matosinhense.
Gostei da conclusão, que só peca por escassa. Aquelas duas nódoas mancham a política porque nada têm a haver com ela. Indicar-lhes a porta da rua teria sido bem profilático e mostraria, definitivamente, que o PS não pactuava com dinossauros locais e suas crias tresmalhadas. Mesmo assim, o resultado da votação foi de 21 votos a favor e 14 contra, com algumas abstenções pelo meio...
Há, no entanto, notas a reter. A primeira é que o conteúdo da notícia se refere à "proibição de integrar quaisquer listas de candidatura à câmara local nas próximas autárquicas". Ou seja, ambos os artistas podem ir tentar a sua sorte num dos circos vizinhos.
Depois, a reacção de Francisco Assis, considerando "que o PS tomou a decisão certa quanto a este caso". Ora, se a Comissão concluiu que o Presidente da Federação do Porto do PS tinha procedido, neste caso, de forma negligente, como é que Assis anuncia já a recandidatura ao mesmo cargo? A apresentação de uma demissão é um acto de redenção partidária?
Por fim, convém não esquecer o assédio que o PSD tem feito a Manuel Seabra para ser o candidato laranja à autarquia de Matosinhos. O jovem socialista não desmente os contactos mas nega a intenção pessoal de tal vir a acontecer. Será que, agora, vai ter uma súbita mudança de convicções e dizer algo como "sempre me senti social-democrata"? É que esta gente, como se vê pela imagem, é capaz de tudo!
Dupont

Citações da Sétima Arte - 02 - Dr. Estranho Amor


"Gentlemen, you can't fight in here! This is the War Room.."

Dupont

F.C. Porto – CSKA Moscovo


Esta noite, nem as castanhas quentes que comprei à saída do Dragão conseguiram aquecer-me da triste frieza de um resultado desolador…
É que pior do que ver uma equipa ainda “verde” é vê-la praticar o tipo de jogo que estou acostumado a observar nos “verdes” e “vermelhos” que lutam, em Portugal, pelo segundo lugar do campeonato… Hoje, safaram-se Baía, Maniche, Diego e algum Postiga (mais um falhanço desses e passas a ser poveiro, desgraçado!). Tudo o resto foi uma sombra do prometido. A defesa tremeu, com as pernas preguiçosas do Jorge Costa e a indisciplina táctica do Areias. Do meio campo foram poucas jogadas dignas desse nome que dali saíram. Os extremos vagueavam pela relva, com medo de a pisar, esperando que algo acontecesse… O próprio treinador, sei lá se pela sua formação filosófica, parece agir de menos e pensar de mais.
Fernandez chegou há pouco e a equipa é quase toda nova. Mas onde é que está o espírito portista do jogador que parte na recuperação da bola, logo após a ter perdido? Onde é que está a criação de espaços para receber e trabalhar a bola? Onde é que estão a pressão e a vontade férrea de vencer? É que não vi nada disso.
Victor Fernandez comentou à comunicação social que “o resultado foi positivo” e que estava “satisfeito pela evolução da equipa”. Pois eu não estou nada. Estarei, certamente, mal habituado, com dois anos de obesos resultados, mas esta fome de jogo começa a irritar-me. Oxalá venham aí tempos mais fartos…
Dupont