sexta-feira, setembro 03, 2004

Alandroal

Rais m’a partam se este ano não for a Alandroal”, escrevi num mail ao Luís Tata, o webmaster do blog “Alandroal”, quando não pude aceitar o convite que endereçou a’O Vilacondense para um encontro de blogs. Como não sou político, cumpri a promessa.

Antes, há que apresentar este sereno concelho. Alandroal pertence ao distrito de Évora, estende-se por uma área de 545 km2, onde habitam quase 8.000 almas, divididas por seis freguesias: Alandroal, Capelins, Terena, Juromenha, Santiago Maior e São Brãs dos Matos. Teve foral em 1486, com D. João II, para D. Manuel lhe dar foral novo em 1514. A origem está intimamente ligada à Ordem de Avis, tendo o castelo sido erigido no reinado de D. Dinis, por D. Lourenço Afonso, Mestre de Avis. Alguns factos relevantes da sua história: a duquesa de Bragança, D. Brites de Lencastre viveu ali; em 1659 uma explosão no paiol de pólvora matou uma centena de estudantes da Universidade de Évora; e o duplo casamento entre D. Afonso IV com D. Beatriz de Castela e de D. Afonso XI de Castela com D. Maria de Portugal, realizou-se no Paço da Vila. A freguesia de Juromenha apresenta vestígios de que remonta à Pré-História, com os árabes a referirem-se a ela como Julumania. Já Terena chegou a ser concelho, com foral novo de D. Manuel, mas seria extinto em 1836.
O concelho, cujo presidente da Câmara Municipal é João José Nabais, vive da agricultura (oliveira, sobreiro e cereais) e do artesanato. Os monumentos principais da vila são o Castelo, a Igreja Matriz (Sec. XVI), as Ermidas de N. S. da Consolação (Sec. XVI) e das Neves (Sec. XVIII); a Igreja da Misericórdia (Sec. XVIII); a Fonte Monumental (Sec. XVII e XVIII). Em Juromenha há uma anta e a Igreja Matriz. Em Terena há o castelo, a Igreja Matriz e o castro de Castelo Velho.

Eis então que, num fim-de-semana deste Verão, comuniquei à família que, em vez de praia, íamos ao Alentejo profundo. Uma confusão, protestos, ameaças de choro, enfim, o costume, mas nada que a minha confortável quota familiar de 51 % não resolvesse num instante…


E lá partimos, à descoberta de Alandroal, uma terra com imagens algo familiares, já que as visitas net-voyeuristicas assim o permitem. Saímos cedo, para dar tempo de ir almoçar.


Infelizmente, a Maria, referência gastronómica da terra, estava encerrada. Aconselharam-nos “A Adega dos Ramalhos” que serviu muito bem. Uma soberba sopa de tomate e uns saborosos secretos de porco preto, com sericaia a rematar. Infelizmente, tive de contentar-me com cerveja sem álcool, por razões óbvias…


Gostei dos conselhos da casa…


Após o almoço fomos visitar a zona histórica, começando pelo Castelo.


Tentei entrar de carro por aqui. A viatura subiu mal, a parte de trás raspou toda no chão, as pedras rolaram, como se pode ver, e para tirar de lá o diabo do carro até suei, porque não conseguia recuar sem repetir a tragédia…


Passado o nervoso, fomos visitar o interior do castelo, muito bem conservado e de onde se obtém uma vista magnífica sobre a vila.


O eco dos passos, especialmente a subir as escadarias, é fantástico. Dentro das muralhas fica a Igreja Matriz.


Curiosamente, não encontrámos nenhuma igreja aberta. Esta é a da Misericórdia.


A Fonte Monumental


Havia pouca gente na rua, mas as piscinas municipais estavam cheias.


Outdors a anunciar obras estavam por todo o lado. Oxalá se realizem.

E assim se passou um dia fantástico, numa terra linda, simpática e acolhedora. Na rua, com quem falámos, todos foram de excepcional cortesia, perguntando donde éramos e aconselhando esta ou aquela visita. De um modo geral, a vila está muito bem preservada, com algumas belas mansões, especialmente uma que me ficou no olho, em frente aos bombeiros. O Centro de Saúde, bastante colorido, destoa.
No final, toda a gente adorou o passeio e prometemos lá voltar. E nós cumprimos!
Dupont