domingo, outubro 31, 2004

Citações da Sétima Arte - 34 - Halloween


"Lynda, if this is a joke, I'll kill you!"

Dupont

Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora


Ontem, metemo-nos no jipe e lá fomos até ao…


…Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora.


Encontrámos muitas exposições, uma delas dedicada... às nossas pessoas.


Tivemos a sorte de ver o José Garcês e o Jorge Gonzalez em acção.


Também estivemos com o Corto Maltese…


…os amigos Blake & Mortimer…


…a louca da Krazy Kat…


…o genial Marsupilami…


…e até o Nikopol apareceu, entre dezenas de outros.

Nós gostamos sempre de ir à Amadora. Mas, este ano, a organização levou a exposição para a estação de metro da Falagueira. No geral, deixou muito a desejar. O espaço era algo claustrofóbico, a concepção das exposições não foi feliz, pois dava a impressão que estava tudo em obras, o calor era insuportável, não havia roupeiro apesar de estar a chover e toda gente estar munida de guarda-chuvas, gabardinas e parkas e, principalmente, a escandalosa inexistência de sanitários – quem estivesse “aflitinho” tinha de recorrer ao WC dos funcionários do Metro, do outro lado da estação. A Castafiore, que também andava por lá, ia-lhe dando uma coisa…
Gostámos muito da exposição “As 100 BDs do Século”. Uma floresta de cem colunas, cada uma dedicada a uma personagem, com uma pequena explicação, uma imagem alusiva (prancha, capa de revista, etc.) e um objecto característico ou representativo da personagem. O Tintim lá estava. Sozinho. Nós bem sabemos que ele é que é a estrela da companhia, mas sem nós ele nunca chegaria a lado nenhum. E diria mais, sem nós nunca chegaria a lado nenhum!
A exposição do André Carrilho estava um primor. Gostámos, também, do Gradimir Smudja (um fantástico uso da cor), as retrospectivas da BD argentina e da nova BD flamenga e achámos louvável a iniciativa BD - Serra da Estrela e constatámos que o Luís Louro continua com as suas loucuras pseudo-eróticas. Ehehehe.
O FIBDA está para a Amadora como a Feira do Artesanato está para Vila do Conde, com outra dimensão e impacto, até porque a BD ainda é vista como uma espécie de sub-cultura. Mas é sempre bom ir até lá, contactar com os desenhadores, saber as últimas novidades, conhecer as novas tendências, observar trabalhos originais e rever alguns amigos, como o Rui Cartaxo, uma das maiores autoridades nacionais sobre BD. Ele acha que não, mas nós é que sabemos. Afinal, fomos desenhados por um génio…
Então, até para o ano!
Dupond & Dupont

sábado, outubro 30, 2004

Um transmontano em Lisboa a ouvir Bach

Sou leitor fiel do DNa há muito anos. Talvez seja o melhor suplemento dos diários nacionais de referência, não sei. Gosto de ler o que o Pedro Rolo Duarte escreve, apesar das manias das marcas e dos lugares espectaculares “que-só-eu-é-que-sei” e aprecio o perfil editorial e, principalmente, o aspecto gráfico. Há sempre uma longa entrevista, com entrevistados criteriosamente escolhidos, quase todos figuras de referência nas suas áreas profissionais. Ultimamente, certamente por preguiça, têm apresentado trabalho alheio, limitando-se a trasncrever as brilhantes entrevistas conduzidas por Carlos Vaz Marques, na TSF, no excelente “Pessoal e Transmissível”. Bem sei que é tudo do mesmo grupo de media, mas, mesmo assim, nada como produtos originais…


Na edição de ontem, o “entrevistado” foi Duarte Lima. Tinha ouvido a entrevista, mas a leitura permite outro degustar da mensagem.
Sempre gostei de Duarte Lima. Um transmontano que vive em Lisboa, que adquire o ar de lisboeta “de há muitas gerações” e que se diz apreciador de Bach, fascina-me. Recordo-me de ler uma outra entrevista dele, creio que a’O Independente, onde se debruçava sobre as suas preferências melómanas e dava provas da sua vasta cultura musical. Por exemplo, afirmava que um dos grandes momentos desta sua paixão foi quando teve a honra de virar as páginas das pautas a um dos maiores intérpretes de órgão, creio que austríaco, aquando de uma visita a Portugal.
Numa outra faceta, a de político, sempre me pareceu determinado, conhecedor do que dizia, muito bem preparado. Aquele episódio de uma sua quinta que, afinal, estava em nome de uma sobrinha é já um clássico da vida política portuguesa recente. Quase parecia a queda de um outro anjo… Mas o certo é que ele sobreviveu, dando provas de uma tenacidade notável.
E foi precisamente essa sua característica que o ajudou a vencer uma doença que quase o eliminava. Na entrevista a Carlos Vaz Marques, Duarte Lima conta tudo: como soube, como lutou, como venceu a leucemia.
Estas histórias de gente que luta e sobrevive a uma doença potencialmente fatal sempre me fascinaram. Não sei se é o receio de que algo de semelhante me possa acontecer e eu não conseguir ter força suficiente ou se é o medo, mais prosaico, de abandonar este mundo quando ainda acho que tenho tanto para fazer. Ou, porventura, será tudo junto… Duarte Lima diz que a música ajudou: “Curiosamente, esse disco de Maria João Pires, que tem como título «A Viagem Magnífica» começou a fazer-me entender como é que eu, estando num momento de desespero, podia encontrar esperança, começar a ver a luz ao fundo do túnel”. Encontrar esperança é fantástico. Encontrá-la na música é extraordinário. Eu não sei que música escolheria para me acompanhar em semelhante viagem. Por vezes, dou por mim a pensar naquelas histórias de pessoas que saem do estado comatoso quando ouvem a sua melodia favorita. Não “decidi” qual era a minha. Talvez o “Forbidden Colors”, do David Sylvian. Talvez o “Jersey Girl”, do Tom Waits na voz do Springsteen. Ou, talvez, a voz una da minha mulher e das crianças, a cantarolarem “Os Filhos do Dragão”…
Duarte Lima já se aproximou da fronteira final muito mais do que a maior parte de nós e regressou. Como normalmente parece acontecer, fica-se com a sensação de que também aqui o entrevistado perdeu o medo de morrer e ganhou força para viver. Os valores da sua vida reequacionaram-se e tudo nele parece clarividente: “quando nascemos não temos consciência de que nascemos, porque a nossa consciência não se formou ainda. Estive cerca de um mês na fronteira da morte. Poder passar essa fronteira, renascer para a vida, com consciência do que se passou, é tudo”. É tudo.
Dupont

Citações da Sétima Arte - 33 - Há Lodo no Cais


«You don't understand. I coulda had class. I coulda been a contender. I coulda been somebody, instead of a bum, which is what I am, let's face it. It was you, Charley»

Dupont

sexta-feira, outubro 29, 2004

Jornais Regionais Vilacondenses


Quando se fala de jornais, em Vila do Conde, todos pensamos, imediatamente, nos dois principais títulos: "O Jornal de Vila do Conde"(JVC) e o "Terras do Ave" (TA). Já muitas vezes falámos destes periódicos, mas vamos, hoje, fazê-lo sob um prisma diferente.
O Vilacondense partiu para uma análise a todas as edições saídas desde a habitual suspensão para férias de Verão (a nossa paciência também tem limites...) e contabilizamos o número de aparições, em fotografias, dos protagonistas políticos vilacondenses. Apesar de isto não ter qualquer valor científico, nem era essa a ideia, levámos em conta alguns critérios:
  • restringímo-nos aos políticos com expressão local (e não os nacionais);
  • deixámos de fora as imagens que acompanham rubricas regulares: a dos colunistas no 'TA" e a de Mário Almeida nas respostas aos munícipes, no "JVC"; e
  • uma vez que a periodicidade destes jornais é diferente (JVC é semanal, TA é quinzenal) calculámos a média por edição.
Uma vez feito o apuramento, vejamos algumas das conclusões a que chegámos:
  1. Mário Almeida vence em toda a linha, em ambos os jornais. No TA aparece com uma média de 2,75 fotografias por edição e no JVC é de 6,1 fotos.
  2. Logo a seguir ao Presidente da Câmara, a segunda figura com mais exposição mediática é também do PS: António Caetano. Tem uma média de 3 fotos por edição no JVC e de 1 foto no TA. Santos Cruz virá em terceiro lugar.
  3. Mário Almeida é responsável por 42,3% do total de fotos do JVC e António Caetano por cerca de metade desse número, ou seja 20,8%. No TA Mário Almeida garante presença em 15% das fotos, seguido por Santos Cruz com 12,3%.
  4. As 5 figuras políticas que mais aparecem no JVC são todas do PS. No TA a lista dos 5 mais fotografados compõe-se de 3 figuras do PSD e 2 do PS.
  5. 70% das figuras políticas que aparecem no JVC são do PS, enquanto que apenas 20% são do PSD. Curiosamente, nenhuma das personalidades sociais-democratas desempenha qualquer cargo autárquico.
  6. No TA, 54% dos políticos fotografados são do PSD, enquanto que 35% são do PS. Este é ó único jornal que inclui fotos do elementos ligados ao CDS, reservando-lhes cerca de 8% das aparições.
  7. Elementos da CDU e do Bloco de Esquerda não aparecem em nenhum jornal.
  8. O total de personalidades políticas que apareceu no JVC , neste universo de 10 edições, foi de 20, enquanto que no TA, em quatro números, foi de 26.
  9. O Vice-Presidente da Câmara, Abel Maia, é quase um "fantasma" em termos de visibilidade pública, registando uma solitária aparição no JVC e nenhuma no TA.
  10. No TA já apareceram todos os vereadores. No JVC só os quatro do PS.
  11. No JVC não é feita qualquer referência a membros da Assembleia Municipal, de qualquer partido, para além do respectivo Presidente, mas que aparece na qualidade de dirigente associativo. O TA "mostra" deputados do PS, PSD e CDS.
  12. O único líder de uma juventude partidária que marca presença é o da JSD, no TA.
Os dados completos para o "Jornal de Vila do Conde" estão aqui.
Os dados completos para o "Terras do Ave" estão aqui.

NOTA - Para melhor orientação relativamente à representatividade de cada um dos partidos, aqui ficam os resultados das últimas eleições autárquicas:
PS - 53,64%
PSD/CDS - 39,75%
CDU - 2,96%
BE - 1,02%
Dupond & Dupont

Aniversário!!!!!


45 anos!!!

Por Toutatis!!! Parabéns, meu caro!

Dupont

Judiciária tenta encerrar blog

O autor do blog "Portugal Profundo", que vinha a fazer serviço público relativamente ao processo Casa Pia, viu a sua casa ser alvo de busca judicial.
Droga?
Pedofilia?
Contrafacção?
Homicídio?
Não, apenas o singelo crime de desobediência por desrespeito à ordem do Tribunal de não divulgar peças processuais daquele processo em que Paulo Pedroso viu ser dado despacho de não pronúncia quanto à matéria de que era acusado, algo contra o qual o autor do blog se manifestava abertamente.
Dupont

Revista da Opinião Vilacondense

No Terras do Ave temos:
- Romeu Cunha Reis, "As portagens estradais - regresso à Idade Média ?";
- Manuel Pereira Maia, "Os empatas";
- Rui Silva, "Inacreditável?"
- Eduardo A. Silva, "Doentes à força!";
- António Pedro Ribeiro/Sílvia Lopes, "Manifesto para um bloco revolucionário", e
- Pedro Brás Marques, "Um "nelo" exemplo".
No suplemento de Vila do Conde de O Primeiro de Janeiro:
- António José Gonçalves, "Eleições presidenciais nos EUA (I)";
- Sérgio Vinagre, "Bestiário";
- Miguel Paiva, "Comunicação social".
Eduardo Silva e António José Gonçalves falam sobre a América. Rui Silva e Miguel Paiva falam sobre o episódio que aqueceu a semana política em Vila do Conde: o jantar do PSD e a atitude da jornalista Céu Salazar. Manuel Pereira Maia compara os resultados do Rio Ave com os resultados da política municipal. Pedro Brás Marques disserta sobre a tradiconal mentalidade portuguesa e o exemplo contrário que é "Nelo", o construtor de kayaks. Sérgio Vinagre mergulha na essência do seu proprio ser, num belo artigo.
A surpresa: o artigo de António Pedro Ribeiro e Sílvia Lopes, militantes do Bloco de Esquerda, que estão revoltados contra "o discurso caviar" dos dirigentes do prórpio BE. Desculpe???
O melhor: sem dúvida, o de Romeu Cunha Reis. O ex-deputado municipal da CDU aborda a problemática das portagens, algo que nos pode bater à porta muito em breve. Mas não o faz de forma destutiva, antes com inteligência e humor, recorrendo à História para ironizar e não temendo tirar conclusões sobre o que será o nosso País, daqui a uns anos, coberto de auto-estradas com portagens. Leitura obrigatória.
Dupont

No comment


No Jornal de Vila do Conde, de 28 de Outubro.
Dupont

quinta-feira, outubro 28, 2004

O Quarto Poder ou "quem se mete connosco, leva"

Quando li esta posta do Dupond, nem queria acreditar. Fui ver e a coisa é bem mais grave do que à primeira vista possa parecer. A citação inteira é:
"Miguel Paiva devia reflectir nalguns exemplos que sucederam na Póvoa de Varzim (cujas rádios, de resto, elogiou pela diferença de tratamento dos assuntos do PSD), em que quem afronta directamente jornalistas e órgãos de comunicação social não se dá muito bem e, por vezes, até perde eleições por isso.".
Em português simples: "quem se mete connosco, perde" ou, como diria o inenarrável aparelhista Jorge Coelho, "quem se mete connosco, leva".
Porque, sob a capa de conselho, o que ali está escrito é uma ameaça. É um alerta para os políticos falarem sobre tudo e todos, EXCEPTO sobre jornalistas, senão a brincadeira vai sair-lhes cara.
A arrogância do Póvoa Semanário é inclassificável. Mais do que corporativista, é a expressão de que, hoje, a Comunicação Social está acima de qualquer poder. De "quarto poder" passou a "primeiro". É um mundo onde tudo se passa em tempo quase real e onde uma notícia, por errónea que seja, é lançada para o público, sem que, em tempo útil, haja possibilidade de o visado desmentir.
O Póvoa Semanário, com a sua ameaça velada de que se os políticos se meterem com os jornalistas saem a perder, tem uma atitude vergonhosa. Se a Comunicação Social de Vila do Conde é acusada de estar instrumentalizada pelos políticos, então, a julgar por este comportamento, a da Póvoa é ela própria a manipuladora.
Dupont

Já saiu!!!!


Dupont

Apoio aos pais

Os temas ligados à família são sempre pertinentes. Numa altura como a que vivemos, em que a sociedade se reinventa e que o conceito de família está em permanente evolução, é bom pararmos um pouco para pensar e refletir.
Hoje, vai decorrer um desses momentos, com a realização de uma conferência de imprensa conjunta entre a Secretária de Estado da Segurança Social e a responsável pela Política Social da OCDE, durante a qual serão apresentadas as recomendações daquela organização internacional quanto ao apoio que deverá ser prestado aos pais, nomeadamente nas famílias de baixos rendimentos. Vale a pena ver o resumo dessas recomendações aqui.
Dupond

Europazinha


Dando provas de manter intactas as suas extraordinárias qualidade de diplomata, Durão Barroso conseguiu evitar, in extremis, uma situação de impasse e crise nas instituições europeias. Sabendo que a votação do Parlamento Europeu dificilmente permitiria obter a aprovação da sua equipa de comissários, o nosso ex-Primeiro Ministro decidiu recuar no último minuto, ganhando assim algum tempo para recompor o elenco e conseguir o consenso necessário à respectiva aceitação pelos Deputados.
Durão agiu de forma exemplar. Ao levar o processo até ao último minuto, com uma posição de aparente intransigência, Durão Barroso mostrou que não é facilmente permeável a pressões e que é solidário com quem o acompanha. Por outro lado, ao recuar no último minuto, mostra que tem bom senso e que conhece os limites até onde a racionalidade permite ir.
O Presidente da Comissão Europeia fez aquilo que lhe competia e fê-lo de forma correcta. Ao contrário, julgo que a Europa esteve mal. Ao obrigar os seus líderes a viver neste tipo de equilibrios precários, a Europa não lhes dá a confiança e estabilidade necessárias para impor as soluções dificeis que o aumento de competitividade obriga, principalmente em relação aos Estados Unidos da América, os nossos principais concorrentes. Além disso, parece-me absolutamente patético que se tivesse criado todo este embróglio apenas pelo facto de uma determinada pessoa ter dito o que pensava em relação aos homosexuais. Confesso que até poderia compreender a crise, caso estivessemos perante um assunto determinante para o futuro da Europa e do seu desenvolvimento, mas nunca por uma insignificância destas...
Dupond

«o nosso reino», de valter hugo mãe


O poeta vilacondense valter hugo mãe (é mesmo assim, sem maiúsculas) acaba de se lançar na prosa com "o nosso reino" (sem maiúsculas...). A obra foi editada pela "Temas & Debates" o que não deixa de ser algo estranho uma vez que ele próprio é editor livreiro, através da Quasi Edições. tem uma dedicatória a Mário Azevedo.
O livro começa ( com minúsculas, claro...):"era o homem mais triste do mundo, como numa lenda, diziam dele as pessoas da terra, impressionadas com a sua expressão e com o modo como partia as pedras na cabeça e abria bichos com os dentes tão caninos de fome".
Ainda não li, mas vou ler.
Dupont

Citações da Sétima Arte - 32 - King Kong


«Don't be alarmed, ladies and gentlemen. Those chains are made of chrome steel.»

Dupont

«King Kong»


O Público apresenta, hoje, um dos maiores clássicos da história do cinema: King Kong. Realizado há setenta anos, numa altura em que apenas sete anos haviam passado desde que Al Jolson cantara em “The Jazz Singer”, marcando a chegada do som à Sétima Arte.
“King Kong” conta a história de um grupo de exploradores que se aventura na misteriosa Skull Island, em busca de um espécime que lhes proporcione fama e dinheiro. Acabam por encontrar um gorila gigante, que conseguem trazer para Nova Iorque, onde o animal acaba por se libertar e lançar o caos na cidade. Pelo meio, Kong desenvolve uma fixação pela loira que integra o grupo, papel imortalizado por Fay Wray, protegendo-a de tudo e todos.
Realizado por Mercian C. Cooper e Ernest Schoedsack, com o primeiro a co-assinar o argumento, o filme foi um sucesso em 1933, quando foi lançado. Muito desse êxito proveio das conquistas técnicas que possibilitaram criar um monstro minimamente credível. Hoje, os efeitos especiais são risíveis: o boneco mexe-se como um robot (devido à animação stop-motion ), a iluminação chega a produzir mais sombras do que personagens no écran e os cenários são quase de teatro.
Mas há magia. Magia do Cinema. E isso é o mais importante. A última vez que o vi foi já há alguns anos, em vídeo, na colecção “Clássicos da Sétima Arte”, da julgo que extinta Edivídeo. Apesar de o olho estar habituado a outras tecnologias de animação cinematográfica, o certo é que a visualização do filme faz-se sem contratempos de maior
O final, com Kong no topo do Empire State Building, a ser atacado por aviões, é mais uma metáfora da natureza que luta contra o homem e perde. Mil vezes glosada, essa cena granjeou ao filme um lugar na nossa memória cinematográfica, o que já quer dizer muito do alcance e impacto desta obra pioneira. Hoje, qualquer fita que aborde o tema de monstros versus homem tem sempre o fantasma de “King Kong” a atormentá-lo. Bem fez Spielberg em Jurassic Park, quando homenageou este filme, dele clonando as portas gigantes que dão acesso ao parque dos dinossauros.
Haveriam de surgir novas versões, como a de Dino de Laurentis que vale, essencialmente, pela presença de Jessica Lange que não só é mais bonita do que Fay Wray, como grita bem menos…
Dupont

Vitória de Guimarães-F.C.Porto

Valha-me Deus!!!
Dupont

Póvoa Semanário

O Póvoa Semanário vem, na sua edição de hoje, tomar posição na mais polémica questão de Vila do Conde nos últimos dias: o episódio Miguel Paiva/Céu Salazar. Distribuindo uma bandeirada amarela ao líder do PSD, aquele jornal poveiro parece-me que incorre em dois erros:
- Em primeiro lugar compara o incomparável, ou seja, a forma como as rádios de Vila do Conde e da Póvoa acompanham a política.
- Em segundo lugar, assume uma posição corporativista, ao dizer que quem "afronta directamente jornalistas e órgãos de comunicação social não se dá muito bem e, por vezes, até perde eleições por isso". É que falta saber o essencial, ou seja, se há ou não alguma coisa que mereça ser afrontada na comunicação social Vilacondense.
Não discutindo as palavras de Miguel Paiva ou a forma como as terá dito, a verdade é que em Vila do Conde há muita coisa errada e que merece ser afrontada na comunicação social. Muitas dessas coisas, não tenho dúvidas, teriam nos próprios jornalistas os principais apoiantes.
Dupond

quarta-feira, outubro 27, 2004

O Aprendiz e o Feiticeiro

Ontem, Miguel Paes do Amaral, o todo-poderoso do Grupo Media Capital, depôs perante a subcomissão de Direitos Fundamentais e Comunicação Social da Assembleia da República. Era sobre Marcelo, mas o empresário reduziu o assunto a "conversa estratégica". Aliás, nas suas palavras, "se a conversa fosse sobre o comentário político quem falaria com o professor seria o director de informação da TV". Assim sendo, o empresário optou por falar de si, negando "alguma vez ter sido alvo de pressões por parte deste Governo ou de anteriores(...)". Ou seja, a haver pressões, não foram por causa do Governo. E, para despistar, Paes do Amaral apresenta uma excepção que, julgava ele, ia ser mortal: "(...)à excepção do tempo de Cavaco Silva".
Só que, hoje, Marcelo Rebelo de Sousa não teve papas na língua: Pais do Amaral disse-lhe que era "inaceitável que houvesse uma informação e uma opinião sistematicamente anti-governamental na TVI".
A conclusão é óbvia: Paes do Amaral mentiu. Até se pode pôr a questão se não foi Marcelo quem mentiu, mas o boucquet que emana desta história apenas é coerente com a posição do professor. Aliás, a sua credibilidade aos olhos dos portugueses é tal que Paes do Amaral sai de rastos. E o Governo leva por tabela, não só pelo próprio conteúdo da revelação como pela sugestão de que o boss da Media Capital necessitava de obter ganho de causa, para sugeridas vantagens empresariais. Veja-se que, no fim da notícia, vem dito que : "Paes do Amaral terá justificado essa necessidade com o facto de a RTL ter acabado de tomar posição no capital social da TVI «e de ele ter que levar a cabo determinadas iniciativas e diligências para cujo êxito precisava de contar com essa garantia da minha parte»"
"Determinadas iniciativas e diligências"? Pois...
Dupont

Há momentos em que....


...dá vontade de mandar tudo pra'baixo de Braga! Hoje, no Público, noticia-se que o PSD se prepara para "deixar cair o princípio da limitação dos mandatos executivos". Quem deu a voz por esta idiotice foi o santo padroeiro delas, Rui Gomes da Silva, claro está.
Da leitura da notícia infere-se claramente a estratégia, concertada com o Partido Socialista: "ó pá, dizemos que não há entendimento entre nós, que a coisa não avança. Senão os nossos dinossauros autárquicos ficam cá com uma zebra que ninguém os atura!".
O facto de estar constitucionalmente prevista a limitação de mandatos executivos parece que não perturba em nada estes senhores, até porque, para eles, 'Constituição' será mais aquela rua do Porto onde ficam umas boites multifunções, do que o nosso texto fundamental...
E dizem vocês: "ouve lá, Dupont, não achas que estás a inventar?"
Não creio, até porque o final da notícia do Público é lapidar: "Verificam-se, no entanto, fortes pressões dos aparelhos autárquicos dos dois maiores partidos para que o princípio constitucional nunca seja regulamentado e, portanto, não entre em vigor. O "repensar" da questão agora defendido pelo ministro dos Assuntos Parlamentares parece ir ao encontro das suas pretensões".
Não é preciso explicar, pois não?
Dupont

Citações da Sétima Arte - 31 - O Grande Lebowski


Jesus Quintana: Let me tell you something, bandejo. You pull any of your crazy shit with us, you flash a piece out on the lanes, I'll take it away from you, stick it up your ass and pull the fucking trigger 'til it goes "click".
The Dude: Jesus!!
Jesus Quintana: You said it man. Nobody fucks with the Jesus.
Dupont

Parabéns


Ao Glosas, pelo seu primeiro aniversário. Para o Daniel Brás Marques, um grande abraço e votos de que continue entre nós.
Dupond & Dupont

Inacreditável

Em Espanha foi detida uma rede de falsificadores. E o que é que estes "artistas" faziam? Clonavam obras de arte? Aldrabavam matrículas? Imprimiam notas falsas? Nada disso! Entretinham-se a falsificar bilhetes de identidades portugueses. Isso mesmo, BIs deste jardim à beira-mas plantado.
Mas, como as coisas correm, quem é que quer passar por ser português hoje em dia? Só se for louco. Sessenta loucos, como foi este o caso...
Dupont

«Quando éramos órfãos», de Kazuo Ishiguro


Tinha este livro bem arrumadinho na biblioteca, à espera do tal dia em que me apeteceria lê-lo. Teve sorte, porque resolvi dar-lhe vida há pouco mais de uma semana, quando conversei com um amigo que o tinha começado a ler. Nada como uma boa conversa sobre livros…
“Quando éramos órfãos” conta-nos a história de um dos mais brilhantes detectives da Inglaterra, Christopher Banks. A sua reputação precede-o, como gostam os ingleses de dizer, para onde quer que vá, tornando-o uma figura pública em todo o País, nos anos que antecedem a II Guerra Mundial. A sua vida pessoal, no entanto, é um enorme vazio. Narrado na primeira pessoa, vamos acompanhando as memórias do detective, especialmente as da sua infância, quando vivia em Xangai, na selecta Zona Internacional, e passava as tardes a brincar com Akira, o seu amigo japonês. Contada em flashback, esta vivência pueril chega ao fim quando os seus pais desaparecem, possivelmente raptados. No presente narrativo, Christopher volta à China, mais propriamente a Xangai, para resolver este mistério. Irá descobrir a verdade, mas não a que ele pensa.
Kazuo Ishiguro dispensa apresentações. É ele o autor de “Os Despojos do Dia”, com que venceu o Booker Prize. É um dos meus livros de referência, com o qual encontrei alguns paralelismos em “Quando éramos órfãos”. Amos se passam na iminência da II Guerra Mundial e, em ambos, o protagonista é um profissional obsessivo e com um relacionamento difícil com o sexo feminino. É um dos mais conceituados autores de língua inglesa e merece todos os louvores que crítica e público lhe granjeiam. Aqui está a prova disso.
Esta é daquelas histórias que só um grande escritor conseguiria construir sem que o edifício narrativo desabasse em dois tempos. Como já referi, é narrada na primeira pessoa, o que faz com que o leitor apenas vá construindo a personalidade do narrador pelos comentários das restantes personagens. E, claro, assume que o que Christopher vai contando é verdade. Mas não é assim, como nos começámos a aperceber com o aproximar do fim do livro. E toda a mestria de Ishiguro se revela no equilíbrio entre o que nós/Christopher sabemos e o que os outros sabem.
O sentimento de orfandade está espalhado, de forma directa ou metafórica, por todo o livro. O próprio autor é a essência disso, mas há um sem número de situações que configuram essa siuação de desamparo. Desde logo, a localização da acção. A Inglaterra é a sua casa adoptiva, já que Xangai foi onde o detective nasceu. Mas, na cidade chinesa, ele também sente que não está numa terra que possa chamar sua. Mais tarde, Christopher irá tomar guarda de uma jovem, também ela órfã, provavelmente, o único ser feminino que ele pensa que gosta dele. E o que é um detective senão alguém que busca a verdade perdida?
Mesmo no final (pag 308, da edição da Gradiva), o narrador desabafa que “(…)para os que são como nós, o nosso destino é enfrentar o mundo como órfãos, perseguindo durante longos anos a sombra de pais desaparecidos”. Ou seja, o sentimento de perda que atormenta os que não têm pais, isto é, protectores, só pode ser eliminado pela descoberta da verdade. Só que a verdade não é só o que nos falta saber. É, também, aquilo que erradamente configurámos como verdadeiro. E o choque da descoberta pode ser libertador ou ainda mais castrador.
Pai, pai, porque me abandonaste?”, gritou, há 2000 anos, não Christopher com a sua cruz, mas Cristo na cruz…
Dupont

terça-feira, outubro 26, 2004

Fidelíssimo

Fidel Castro, Deus na Terra não fosse ele ateu, deu um tombo, mas quem paga a birra é o povo: agora proibiu a circulação de dólares em Cuba. Ou seja, bloqueou uma das poucas coisas que impediram a ilha de, literalmente, se afogar. E ainda vai cobrar uma taxa de 10% sobre os câmbios face aos "custos e riscos que advêm da manipulação de dólares para a economia nacional". É da idade. Ou melhor, da senilidade.
Dupont

Ainda o jantar do PSD...

O Nelson Silva, no Passarola Voadora Media, faz serviço público:
- Declarações de Miguel Paiva;
- Comentários de Mário Almeida; e
- Comentários do próprio Nelson Silva.
Esta questão da interrupção do discurso de Miguel Paiva por uma jornalista, está a levantar alguma polémica. Já ouvi algumas vozes e parece-me que há um ponto que ainda ninguém tocou. A jornalista, que não tenho o prazer de conhecer mas que nada me leva a pensar que tenha agido - agora ou em qualquer altura - de má fé, acusou Miguel Paiva de estar a mentir. Aqui chegados, há que saber uma coisa basilar: o líder do PSD mentiu ou enganou-se? As diferenças são enormes como se calcula. Mentir implica que ele conhecesse a verdade e optasse por dizer algo diferente. Enganar-se significa conceber a realidade de uma certa forma, só que esta não possui suporte factual.
Qual terá sido o pensamento de Miguel Paiva? Certamente que só ele poderá dizer e, parece, até agora ninguém lhe perguntou.
Mas Céu Salazar assumiu imediatamente que o social-democrata estava a mentir. Podia ter interrompido com qualquer coisa do género: "olhe que não é assim" ou "está enganado, senhor doutor" e até "o senhor não ouviu a rádio, pois não?". Qualquer destas formas, ou outras equivalentes, demonstravam mais polimento, independência e, até, consideração pela posição do interlocutor, que, recordo, podia desconhecer a tal divulgação radiofónica. Na verdade, Céu Salazar não lhe concedeu o benefício da dúvida e julgou a posição do político imediatamente, sem sequer o ouvir sobre o assunto. Mera precipitação da jornalista, ou algo mais? Também só ela poderá explicar...
Quanto às declarações de Mário Almeida, nada de novo. Infelizmente.
Dupont

Ponte D. Zameiro


A românica ponte D. Zameiro está no estado que a foto documenta. Ainda nem tinha secado a argamassa da anterior reparação e eis que, novamente, lá foi tudo por água abaixo... Parece que, desta vez, o culpado já se acusou. Trata-se da GALP, que andava para ali em trabalhos. Uma irresponsabilidade, é o que é...
Dupont

segunda-feira, outubro 25, 2004

O jogo do 'Mister'


Nós aqui a falar de videojogos e aparece-me isto no Blogame Mucho (este fim-de-semana, isso é que foi dar ao dedo no teclado, hem?). O "melhor treinador do Mundo" parece que tem faro para ver onde está o dinheiro e, vai daí, mais uma licençazinha para um jogo. Já tínhamos Mourinho em campo na DVDteca, Mourinho "romântico" por SMS, Mourinho autobiográfico na biblioteca e, agora, Mourinho gameboy no quarto dos brinquedos... Nada mau. Assim, 'Mister' essa casinha de dez milhões de euros que quer comprar em Londres vai ficar paga num intante...
Curiosidade: em Inglaterra, na capa deste jogo estiveram: em 2003, Bobby Robson; em 2004 Martin O'Neill, treinador do Celtic. Ou seja, tudo boas recordações para o F.C. Porto...
Dupont

Mário "Barrichello" Almeida



Ainda no jantar do PSD, parece que o senhor ministro Henrique Chaves já vinha com o discurso preparado e não terá conferenciado sobre o seu conteúdo com os responsáveis laranjas locais. Só assim se compreende que tenha vindo para Vila do Conde, terra onde os seus colegas de partido lutam pela limitação de mandatos, elogiar Alberto João Jardim e os seus 32 anos de poder. "Um recorde do mundo", terá dito. E, entusiasmado, avançou com qualquer coisa como: "É o Schumacher da política!". Bem, se assim é, Mário Almeida será, certamente, o Rubens Barrichello...
Dupont

Jantar do PSD

Realmente, todos os jornais falam do Jantar do PSD, realizado no Sábado à noite. Ontem não estive em Vila do Conde, pelo que só hoje soube das novidades. E que novidades...
Desde logo, foi muito notada a presença do Eng. Arlindo Maia, que nem militante é, conjuntamente com a sua família. Vê-se mesmo porquê...
Depois, o que terá sido o momento grande da noite, algo que nenhum jornal fala. Pelos vistos, estava Miguel Paiva a discursar sobre o controle da Comunicação Social local pela Câmara e pelo PS. Lembrou que o 'Jornal de Vila do Conde' era dobrado na sede do PS e terá exibido um documento de cobrança daquele semanário, onde um dos locais de colecta seria a própria sede do Partido Socialista. Continuando, terá lamentado que nenhuma das duas rádios locais o havia alguma vez entrevistado desde que assumira a presidência do PSD e que nenhuma tinha noticiado aquele mesmo jantar. Quando acaba de dizer isto ouve-se uma voz a dizer: "É mentira! É mentira!". Os olhares prendem-se, então, em Céu Salazar, jornalista da Rádio Foz do Ave e correspondente do Jornal de Notícias. Pelos vistos, a emissora tinha divulgado o evento, algo que escapara ao presidente da concelhia local do PSD. Como a jornalista continuasse a insistir, Miguel Paiva terá rematado com qualquer coisa do género "Estão a ver como são as coisas em Vila do Conde?".
Compreendo Miguel Paiva. Durante anos e anos, tudo o que não fosse PS não tinha airplay. Tudo o que dizia respeito à oposição era barrado, não fosse o povo ficar esperto… Mas os tempos estão mudados. O JVC já mostra Arlindo Maia na primeira página, Mário Almeida aparece várias vezes em cada "Terras do Ave", as coisas parecem estar no bom caminho. Agora, se a moda de jornalistas pega, isto vai tornar-se divertido. Qualquer dia, na Assembleia Municipal, ainda vamos ver Céu Salazar interromper Mário Almeida e perguntar-lhe "Ouça lá, senhor Presidente, mas essa jornalista que o senhor disse que lhe foi entregar um comunicado do PP, comentando que nada valia, afinal quem era? É que eu cá não gosto de confusões"...
Dupont

Arte com palhinhas


No blog brasileiro "Sou Tosco, e daí?".
Dupont

I Don't Like Mondays

Segunda-feira de manhã? 'Tá bem!... A mim é que não me tiram da cama!...
Dupont

Citações da Sétima Arte - 30- O Regresso de Jedi


«Luke help me take this mask off.
(...) Nothing can stop that now. Just for once let me look on you with my own eyes.»

Dupont

domingo, outubro 24, 2004

PIDDAC

Segundo o JN, as verbas consagradas no PIDDAC - Plano de Investimentos e Despesas de Desenvolvimento da Administração Central para Vila do Conde vão sofrer uma quebra.
No ano passado, o montante entregue foi de 3.800.000 euros, caindo, agora, para 2.514.000 euros. As obras mais beneficiadas serão a construção do Centro Educativo Santa Clara, com 1.750.000 euros, o Laboratório Veterinário de Vairão, com 392.000 euros, e uma verba de 100.000 euros para o parque escolar.
A PSP, entretanto, continuará sem a prometidíssima esquadra. Mário Almeida não consegue puxar nada de relevante para o concelho se o PS não estiver no Governo. E Santos Cruz, será que vai escrever outra carta ao Ministro?
Dupont

Amadora

Já aí está o Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora, edição 2004. Já lá fui em edições anteriores e a viagem sempre valeu a pena. Este ano está mais complicado, mas vamos lá ver o que é que se arranja, até porque está patente uma exposição que promete: "As 100 BDs do Século". Para mais informações, nada como ir ao especialista: Beco das Imagens.
Por falar em "os mais", o Expresso apresenta uma lista com as dez principais BDs do século XX. São elas:
  1. Tintim
  2. Batman
  3. Corto Maltese
  4. Astérix
  5. Little Nemo
  6. Maus
  7. Blueberry
  8. The Spirit
  9. Peanuts
  10. Krazy Kat
É uma lista razoável, abrangente, que dá atenção aos clássicos e aos contemporâneos. Mas tem duas falhas gravíssimas: "Blake & Mortimer" e qualquer um do Bilal - "A Caçada", por exemplo. E não digo mais nada...
Dupont

O Expresso e Michael Moore


O sacrossanto semanário do 'tio' Balsemão vai disponibilizar, em DVD, o filme "Fahrenheit 9/11", o tal filme documentário que Michael Moore construiu contra Bush. Quando passou pelas salas de cinema, não tive oportunidade de o ver, que a minha relação filmes/filhos anda pelas ruas da amargura...
O que me espanta no Expresso é a sua incoerência comercial. Pelo menos aparente. Então este é o jornal que faz serviço público divulgando, em precisos guias, o nosso país e as nossas mais-valias gastronómicas e turísticas, que concebe edições d'Os Lusíadas e da Peregrinação, tudo com material original e não meras traduções de obras já publicadas e, agora, no seu primeiro DVD, apresenta um filme estrangeiro, sobre uma situação "estrangeira", feita por e para estrangeiros?
Então qual é o critério, meus senhores? Mete-se a qualidade e a originalidade na gaveta e avança-se para o comercialismo puro e duro? Vocês estão assim tão mal de finanças? Ou será que sabendo da proximidade deste Governo, e da do anterior, ao Presidnte Bush, resolveram dar razão a Rui Gomes da Silva?
Um à aparte: aquele é que é o Daniel Oliveira, do barnabé? Sei lá porquê, mas imaginava-o com uma imagem próxima do Luís Osório ou do Evgueni Mouravitch. Vendo bem, se usasse barba, até passava pelo Morais Sarmento... Realmente, o que é que faz deixar a imaginação voar... Bem, deixe lá, eu sei que nem todos podem parecer tão bem como eu, com o meu porte distinto, de bigode e chapéu de côco... Assim, bem parecido com o Dupond, não sei se está a ver...
ADITAMENTO: Daniel Oliveira colocou o seu excelente texto no barnabé.
Dupont

sábado, outubro 23, 2004

Videojogos


Esta noite fui jantar a casa de uns amigos. Os miúdos entretinham-se a jogar numa Playstation. “Dois”, avisaram-me, quando dei início a um pequeno interrogatório.
Os jogos que pude ver deixaram-me atónito. Um era sobre os Jogos Olímpicos, dando a possibilidade de praticar várias modalidades. Os gráficos eram espectaculares. Um outro, que também não fixei o nome, era um misto de acção e condução, sendo certo que acertar nos peões e esmagar transeuntes dava pontos… Aquilo já nem são jogos. A mim, leigo, quase me pareceram filmes em que o jogador pode comandar a acção ou determinada personagem e onde tudo se parece mexer. O scrolling da imagem é impressionante, especialmente para quem, como eu, parou por alturas da Sega Megadrive e das corridas do Sonic…
Como muitos milhares de jovens, também comecei a minha aventura informática por aquele “electrodoméstico” que dava pelo nome de ZX Spectrum. Não há amor como o primeiro e, neste mesmo PC onde escrevo, tenho umas centenas de jogos dessa pequena maravilha e respectivo emulador. Efectivamente, aqueles jogos eram um prodígio de técnica: tanta acção, tanto jogo em apenas 7 ou 8 K, com bips e blops a fazer de música e que demoravam cinco minutos a "entrar"!... A imaginação era delirante e tinha de o ser, pois era a única forma de ultrapassar as limitações técnicas. E, pelo número de páginas na net consagradas aquele arqueológico computador, o fenómeno parece estar bem vivo… Até há quem se entretenha a fazer versões para “Windows” de clássicos como Manic Miner, Jet Set Willy e Chuckie Egg, por exemplo.


Depois “saltei” para o 128 K, que tinha melhor som, passei pelo Amiga, até chegar o NES, o Nintendo Entertainment System, com os joguinhos do Mário. Passei-me para a Sega e ainda tenho a Megadrive. Consegui chegar à Sega Saturn, mas quase nem conta. Hoje, quando recorro a estes prazeres lúdicos, volto sempre aos do passado. Não é só pelos jogos. É também para tentar voltar a saborear esses tempos "perfeitos" em que julgava que eu, a minha família e os meus amigos jamais enfrentaríamos um “Game Over” definitivo.
Dupont

Kill Bill 2


Quando saiu nas salas de cinema, falámos dele aqui. Agora, saiu em DVD. Imprescindível!
Dupont

sexta-feira, outubro 22, 2004

Uma lição

"Eles Não Sabem Dizer Liberdade", no Jaquinzinhos.
Dupont

Vasco Pulido Valente

É a mais recente contratação do melhor jornal português. Estão ambos de parabéns. Entretanto, o Diário de Notícias alterou, para melhor, a sua página web.
Dupont

Butt out Brits!

Há uns dias, o diário britânico Guardian convidou os seus leitores para endereçarem cartas aos habitantes do condado de Clark, no Ohio, expressando o seu ponto de vista sobre as eleições americanas. A ideia era que eles se inteirassem da visão que o mundo tem das eleições e dos candidatos à Presidência.
Como se deve imaginar, os anacletos britânicos agarraram a ideia com unhas e dentes e trataram de afogar a pequena comunidade com missivas anti-Bush! Foi pior a emenda que o soneto!... Só para se ter uma ideia, atente-se no exemplo de um dos residentes que recebeu uma carta endereçada ao filho, um soldado que aguarda uma eventual colocação no Iraque: "My son will have choice words to say about this that you can't print"...Ouch!!!
Dupont

Citações da Sétima Arte - 29 - O Império Contra-Ataca


«Luke, you can destroy the Emperor. He has foreseen this. Join me and together we will rule the galaxy as father and son»

Dupont

Homem prevenido


Anda por aí Miguel Paiva, presidente da concelhia local do PSD, a dizer que Mário Almeida já não é o que era, que está acabado, que não tem peso político. E, se calhar, até tem razão: veja-se esta notícia do Jornal de Vila do Conde que aqui reproduzimos, com a devida vénia, em especial o prognóstico contido no título, um brilhante e raro exercício de humor negro por parte do cinzento redactor daquele semanário.
Mário Almeida está “a trocar impressões” com um dos seus maiores inimigos, Arlindo Maia, e dentro do covil deste. Não haja dúvida, o nosso Presidente está numa demanda pela redenção ainda neste mundo. Talvez tenha ido à Misericórdia por causa do nome desta. Talvez tenha lá ido para fazer as pazes. Talvez tenha lá ido para apreciar a qualidade do Lar da Terceira Idade (ai se o Nelinho Pontes sabe!...)!
Ou será que talvez tenha ido selar apoios para a construção do novo Hospital?
Quem sabe? O Mundo dá tanta volta...
Dupont

Sem papas na língua


Já se sabe que Fidel está velho e que até já cai sozinho, como se pode ver na imagem. No entanto, sem dó nem piedade, a vice-presidente da Comissão Europeia, Loyola de Palacio, declarou à imprensa aquilo que a diplomacia e o bom-senso impedem que saia: “Todos esperamos que Fidel Castro morra quanto antes. Não digo que o matem, digo que morra, porque duvido que algo mude enquanto for vivo”. Nem mais. E continuou: “Eu não desejo a morte a ninguém, mas a única solução seria o desaparecimento de Fidel Castro”. Escusado será dizer que a sua opinião sobre Fidel Castro é, igualmente, lapidar: “um ditador sinistro responsável por muitos mortos e vítimas de tortura”.
A senhora deixa o seu lugar comunitário no próximo dia 31, quando a equipa de Durão Barroso entrar em funções. Até concordo com Loyola del Palácio, mas será que ela teria a mesma coragem e frontalidade caso o fim do seu desempenho ainda estivesse longe?
ADITAMENTO: apesar da tentativa de sabotagem por parte do Anacleto, aqui apresentamos uma imagem ilustrativa da queda de um verdadeiro anacleto!
Dupont

Revista da Opinião Vilacondense

- Fernando Reis, "A bem da Nação!"
- Abel Maia, "As asneiras de Santana";
- Carlos Laranja, "Prenúncio do fim";
- Alexandre Raposo "Ainda a Agenda XXI, Mindelo…".
Carlos Laranja analisa as eleições nas Regiões Autónomas, que têm um imenso impacto em Vila do Conde, como todos sabemos… Aliás, conseguiu descobrir uma subida “exponencial” do seu partido, o PS, na Madeira de João Jardim. Abel Maia também prefere outras paragens, investindo contra Santana Lopes, o mesmo fazendo Fernando Reis.
Por Vila do Conde só ficou Alexandre Raposo. O articulista e dirigente do PP lá terá as suas razões, mas parece-me estranho, no mínimo, que se use um jornal para responder a uma notícia de um outro. Isso acontece, por vezes, entre colunistas de opinião de diferentes periódicos, em polémicas que, normalmente, até são interessantes de seguir. Agora, o interessado responder noutro jornal que não o da notícia é que me parece discutível, até porque a resposta para este último tem cobertura legal. Assim sendo, a leitura do artigo do Alexandre Raposo fica prejudicada para todos aqueles que não leram o JVC…
Dupont

quinta-feira, outubro 21, 2004

O Juiz


Ainda não eram duas da tarde do passado dia 14, quando, em S. João da Madeira, o condutor de um autocarro escolar, em exercício de funções mas sem crianças dentro do veículo, foi controlado pela Polícia. Taxa de alcoolémia: 1,72 gm/litro.
Levado ao juiz, logo veio sentença: além da multa, o nosso homem ficava proibido de conduzir veículos automóveis pelo prazo de seis meses. Todos os veículos? Bem, quase todos... Na verdade, o senhor juiz entendeu ser benevolente e perdoar-lhe a proibição relativa a ... autocarros escolares.
Concerteza que aquele Ilustre Magistrado ou não tem filhos ou sabe que eles não andam de autocarro com aquele motorista...
Dupont

Moreira Maia

Faleceu esta manhã, estupidamente atropelado à saída do hotel em que estava instalado no Algarve, o Dr. Moreira Maia. Médico de enorme craveira, este ilustre Vilacondense, proprietário da conhecida Quinta do Alferes de Vairão, deixa-nos cedo demais e numa altura em que ainda tinha tantos sonhos e projectos por concretizar.
Hoje, Vila do Conde fica muito mais pobre.
Dupond

Descubra as diferenças


A oposição caiu em cima de Morais Sarmento por este ter dito que num momento inicial» deve ser o Governo a definir o modelo de programação da RTP, defendendo limites à independência dos operadores públicos. O que é que a inteligente oposição “leu”? Censura, claro está.
Não é nada disso, obviamente, mas não vale a pena explicar nada a quem não quer ouvir. Os meios de comunicação social rapidamente amplificaram “a verdade” e a esquerda veio alertar para o regresso ao passado. O Fórum TSF, já de si irritante pela enxurrada de burrices que por lá se diz, bateu, hoje, todos os recordes, tal a quantidade de afirmações, conjecturas e conclusões que apareceram, todas baseadas em premissas erradas. Este Governo tem muitos defeitos, tenho aqui falado de alguns, mas neste particular não merece as críticas que lhe têm sido feitas.
Para mim, é pacífico que tem de ser o Governo a modelar a programação da RTP. Reparem: escrevi “programação”, não escrevi “conteúdos da programação”. A emissora é uma empresa estatal e, como qualquer outra, tem de receber directivas, tem de saber o que é que faz. O Governo limita-se a ser gestor. Bom ou mau, veremos.
É claro que isto é daquelas coisas que só acontece em Portugal, onde ninguém lê jornais nacionais e, muito menos, estrangeiros. No edição de domingo passado, o El Pais trazia uma extensa entrevista com o socialista José Luiz Zapatero, Primeiro-Ministro, onde ele se diz preocupado com “la calidad de la información, de los programas, de los contenidos e de la pluralidad, el servicio a la democracia” na TVE. É claro que se as emissoras não agirem em conformidade, Zapatero já sabe o que fazer, basta ver a citação que dá título ao trabalho. Não consta que Rajoy y sus muchachos do PP tenham vindo dizer que era o regresso aos tempos de Franco…
Dupont

A espera


Praia da Torreira, 19 de Outubro de 2004 (Foto 'O Comércio do Porto')

Dupont

“Os Dominadores”


A colecção Público-Clássicos continua com “Os Dominadores/She Wore A Yellow Ribbon”. Trata-se de um western, dos muitos que John Ford realizou e, sem dúvida, um dos mais belos de sempre.
Nathan Britles (John Wayne) é um capitão da Cavalaria Americana, mesmo à beira da reforma. A sua última missão é conduzir duas senhoras até uma diligência, onde seguirão viagem, muito embora esteja “oficialmente” reformado. Mais tarde, irá recusar-se a abandonar o forte ao pressentir um ataque índio. O receio aumenta porque, pouco antes, Custer tinha sido chacinado em Little Big Horn…
Um filme de John Ford é sempre mais do que um mero filme. Nele trespassam valores tipicamente americanos e podemos encontrar metáforas para muitas situações da vida. A mais óbvia é a luta entre civilizados/não civilizados, entre brancos evoluídos e índios selvagens. Mas há também o contraste entre a aridez do deserto e o calor humano que se desenvolve apesar disso e talvez por isso mesmo. E há o confronto geracional entre o velho oficial e os galos mais novos, que não só querem mostrar serviço e coragem, como se pavoneiam perante a bela jovem que usa a tal fita amarela, sinal de compromisso sentimental. Há, ainda, a referência aos valores da obediência e do temor a Deus, sem esquecer as virtudes de camaradagem e de homem de família. Uma das cenas mais emblemáticas do filme é aquela em que Wayne conversa, com a sua esposa, no cemitério, contando-lhe os últimos acontecimentos no Forte. O sentimento de perda está aqui bem forte…
Muita da “gente de Ford”, o nome que o seu grupo mais habitual de trabalho recebeu no Catálogo da Cinemateca Portuguesa, aquando de um ciclo organizado entre 1983 e 84, está aqui presente. Desde logo, o sidekick Victor McLaglen, num dos seus melhores papéis, talvez melhor ainda do que n’ ‘O Informador’. Mas há, ainda, Bem Johnson, Joanne Dru, Harry Carey Jr., Mildred Natwick. Tudo gente que Ford imortalizou em mais do que um filme.
Na filmografia de Ford, o filme faz parte da denominada “Trilogia da Cavalaria” seguindo-se a ‘Forte Apache’ (1948) e antecipando ‘Rio Grande’ (1950). É um filme que homenageia o Oeste na sua imensidão cenográfica, tendo como fundo o deserto e as rochas de Monument Valley, imagens que valeram o Óscar para a Melhor Cinematografia. A dimensão é épica, tal qual foi a missão dos primeiros americanos que, nas terras de fronteira, procuraram alargar o território do país, lutando contra os elementos e, claro, contra os índios. Como referem Michael Parkinon e Clyde Jeavons, em “A Pictorial History of Westerns”, este filme de Ford “is his most lyrical and amog the most strking visually”.
Há quem defenda ser “Os Dominadores” o seu western preferido. É uma questão complicada, muito complicada. De Ford prefiro a composição do tremendo Ethan Edwards (sempre Wayne – “gosto tanto do raio desse republicano”, desabafou, uma vez, John Ford..) em “A Desaparecida”. É claro que o número de muito bons westerns realizado por este filho de irlandeses é esmagador: desde ‘A Cavalgada Heróica’, de 39, até ‘O Grande Combate’, de 64, há filmes inultrapassáveis como ‘A Paixão dos Fortes/My Darling Clementine’, ‘A Caravana Perdida/The Wagon Master’ e ‘O Homem que Matou Liberty Valence’. Por mim, não esqueço o fabuloso “Rio Bravo”, mas esse foi Howard Hawks quem o realizou…
No citado catálogo da Cinemateca, há uma deliciosa história contada pelo próprio Ford ao sacrossanto Cahiers du Cinema. Uma vez, o General McArthur pedira-lhe para o acompanhar a Tóquio, pois iam fazer a projecção de um dos seus filmes, precisamente “Os Dominadores”. E mais surpreendido ficou quando o general o informou que o filme passava todos os meses, pelo menos uma vez. “É uma honra”, exclamou Ford. O mesmo dizemos nós, sempre que assistimos a qualquer filme deste realizador. Vê-los e revê-los, mais do que puro entretenimento, é uma verdadeira lição de cinema, desde a montagem, aos enquadramentos ao trabalho dos actores.
Na edição “As Folhas da Cinemateca” dedicada ao realizador, João Bénard da Costa cita J.A. Place, que, na obra ‘The Westerns of John Ford’, diz que “Os Dominadores” são “uma sinfonia para os ouvidos, um deslumbramento para o olhar, mais do que uma narrativa para a inteligência”. Será preciso dizer mais?
Dupont

PSG-F.C.Porto

Adiante, adiante...
Dupont

quarta-feira, outubro 20, 2004

Estacionamento

Em Vila do Conde apenas existe um parque de estacionamento, por detrás das ruínas do Cine-Neiva. Foi anunciado como "provisório", mas espera-se que por lá fique décadas. Apesar de ter "preços de saldo", a clientela é reduzida, excepto à sexta-feira. Entretanto, está em fase de acabamento um outro, situado na Praça José Régio que, ou muito me engano, ou irá ser uma dor de cabeça para a autarquia... Prevê-se a sua abertura antes das eleições.
Entretanto, na vizinha Póvoa de Varzim, vai iniciar-se a construção de um mega-parque de estacionamento, para quase 600 viaturas. A sua construção irá demorar dois a três anos e começará em Setembro do próximo ano, a um mês das eleições... A Póvoa já tem alguns equipamentos do género, nomeadamente um na Praça do Almada, outro em frente ao Casino e, um terceiro, na Santa Casa da Misericórdia. Este será subterrâneo e estender-se-á por toda a Avenida Mouzinho de Albuquerque. À primeira vista, será uma solução idêntica à que existe em Viana do Castelo.
O estacionamento é, efectivamente, um dos grandes problemas destas duas cidades. Bastante mais acentuado na Póvoa de Varzim, é certo, mas ninguém se pode ficar a rir.
Se, quanto aos nossos vizinhos, não me parece que se justifique um investimento de doze milhões e meio de euros (mesmo sendo verbas da 'zona de jogo'), que bem poderia ser canalizado para outras coisas, em Vila do Conde urge disciplinar o estacionamento. Por exemplo, não percebo o problema de retirar o trânsito de algumas das ruas como a do Lidador e S. Bento e, até, na da Misericórdia, salvaguardando-se o acesso dos residentes e as "cargas e descargas". A cidade ficaria enobrecida e os peões certamente que agradeceriam.
É óbvio que uma política que priveligie as pessoas em detrimento dos automóveis é completamente incompatível com a tentativa de obtenção de receitas em parques de estacionamento, que devem ser usados para retirar carros das ruas. A Câmara de Vila do Conde tem tentado - basta ver os preços praticados - mas parece que sem uma política de educação das pessoas as coisas não irão a bom porto...
Dupont

Avé Lino


Avelino Ferreira Torres saiu da Quinta das Celebridades. parece que foi ontem, mas teve de ser O Comércio do Porto a informar-me.
Pelo que conta o diário portuense, o senhor Presidente da Câmara foi recebido "como deve de ser": "ao som dos tradicionais bombos, por dezenas de pessoas, algumas das quais de Amarante, que empunhavam cartazes de apoio. No local, onde se sentia um "cheiro" a campanha eleitoral, como atestam os guarda-chuvas com inscrições da candidatura e alguns slogans de apoio entoados por apoiantes, compareceram também outros membros da Câmara Municipal, nomeadamente os vereadores Norberto Soares e Lindorfo Costa, e vários deputados da Assembleia Municipal".
Nada se diz sobre a presença do Senhor Procurador-Adjunto e da Senhora Juiz do Tribunal de Marco de Canavezes...
Relativamente à comunicação Social, Avelino Ferreira Torres tem uma opinião melómana: "se a estupidez fosse música não há dúvida nenhuma que alguns jornalistas davam uma orquestra de categoria"
"E mai'nada", como diria o seu alter-ego Fernando Rocha....
Dupont

O jurista


Autor: Rui Gomes da Silva, advogado, ex-assistente universitário em quatro universidades de Direito.
Declaração nº1: "O que eu reconheci foi que objectivamente havia matéria publicada sábado no semanário Expresso, desenvolvida no domingo pelo jornal Público e depois retomada pelo professor Marcelo no domingo à noite".
Declaração nº2: "Não tenho quaisquer provas de que tenha havido uma concertação entre Marcelo Rebelo de Sousa e os jornal «Público» e «Expresso»."
Dupont

Citações da Sétima Arte - 28 - A Guerra das Estrelas


«The Force will be with you, always»

Dupont

Campeonato do Mundo de Rallyes



No passado fim-de-semana, Sebastien Loeb, ao volante de um Citröen Xsara, sagrou-se Campeão do Mundo de Rallyes, quando ainda faltam disputar duas provas, a Catalunha e a Austrália..
Há já algum tempo que sigo com atenção mínima o desenrolar do Mundial de Rallyes. Ainda me vou interessando por saber quem ganhou o quê, como é que se vão desenrolando a provas, quem é o campeão. Mas nada que se compare ao que foram os loucos anos 80 e boa parte dos 90, onde além de não perder qualquer edição do “Melhor Rally do Mundo”, acompanhava o desenrolar do campeonato desde o Monte-Carlo ao RAC. Sabia tudo sobre as provas: vencedores, marcas, estatísticas e, claro, da “nossa” prova. Gostava do Walter Rohl, mas também do Hannu Mikkola, do Bjorn Waldegaard, do Timo Salonen, do Ari Vatanen, do Toivonen, do Massimo Biasion e, claro, do Santinho Mendes, do Joaquim Santos, do Pêquêpê, e de tantos outros ases do volante. E as máquinas? O Lancia Stratos, o Fiat 131 Abarth, o Escort RS, o Porsche 911, o Alpine Renault, e depois os Lancia e, especialmente, a minha paixão, o Audi Quattro. Não descansei enquanto não tive um. Fui ao Bazar Crisano, no Porto, e comprei o da Revell. Um bom kit…. Estavam a pensar o quê?...
A paixão, realmente, batia forte… O Rally de Portugal, por exemplo, era acompanhado, a par e passo, logo desde Sintra com a mítica especial da ‘Lagoa Azul’. Depois, era a ansiedade da espera pelo percurso de ligação, que atravessava Vila do Conde. Julgo que todos nos lembrámos da autêntica romaria que era ir para a Nacional 13, para ver passar “as bombas”. Na rua 5 de Outubro até parecia o S. João em Março… Depois, ala para o parque fechado, em frente ao Casino da Póvoa, mais tarde transferido para junto das piscinas.
Para o dia seguinte já estava organizadíssimo o assalto ao Alto Minho. Havia duas frentes de ataque: uma, na zona de Viana, com as classificativas de ‘Orbacém’ e ‘S.Lourenço’; a outra, em Fafe, com destaque para a lendária 'Fafe-Lameirinha'.
Era um dia de gozo, tentando chegar com o carro o mais perto possível do troço, riscando-o nas silvas, atolando-a na lama, enfim, uma aventura anual. Por vezes, para nós, o rally começava ainda nos treinos, quando se ia espiar os pilotos nos reconhecimentos. E era mais perigosos do que a prova, pois não havia segurança alguma. Uma vez, em 81 ou 82, no Marão, à saída de uma curva, quase levámos com o Audi Quattro da Michéle Mouton em cima do nosso valioso ‘127’… Tempos depois os carros começaram a ficar demasiado potentes e o Quim Santos teve aquele despiste fatal, em Sintra. O Rally nunca mais foi o mesmo, até porque César Torres também já estava de saída.
Sempre defendi que os grandes pilotos eram os de rallyes e não os de Fórmula 1. Estes têm, efectivamente, de aguentar horas debaixo de uma pressão tremenda, física e psicológica. Mas os de rally vêm-se obrigados a ser bons em terra, asfalto, neve e, até, em areia, e fazem-no desde o frio da Suécia ao calor tropical do Quénia, da floresta ao deserto. Conduzem (conduziam…) de dia e de noite, por estradas lamacentas e manhosas. Quando havia nevoeiro só tinham as notas do navegador para se orientarem, como aconteceu, tantas vezes, em 'Arganil' e na 'Lousã'. Desculpem os amantes da Fórmula 1, onde também me incluo, mas estes é que são os verdadeiros super-pilotos.
Sinto pena por o Rally ter acabado. A falta de proximidade fez com que me afastasse dessa competição, tal qual aconteceu com os campeonatos nacionais de velocidade. Um dia destes não iremos ter mais automobilismo em Portugal. Não só implica uma grande despesa, como parece que não temos dimensão para organizar nada. É curioso que quanto mais o mundo avança, mais isolados parecemos estar.
Dupont

terça-feira, outubro 19, 2004

"O Capital"


Já tínhamos notado que o nome e logótipo havia mudado e que o destaque ia todo para a cor vermelha. Agora, deparamos com esta tomada de posição: "Não" a Bush.
Não sei se repararm bem na nuance: o jornal não está a favor de Kerry - está, sim, contra Bush. Como diz o Anacleto, este mundo divide-se entre os "Bush" e os "No-Bush"... Tudo malta inteligente, que sabe o que não quer... Quanto ao que quer, bem, isso dava uma longa conversa e não temos tempo...
Humildade também não é característico desta gente. Basta ver que o pasquim se auto-intitula de referência: "Um jornal referencial deve saber assumir, em situações-limite, uma posição clara e inequívoca em relação a assuntos que, pela sua importância, podem colocar em causa princípios básicos da civilização".
Com que então, jornal de referência? Presunção e água benta, meus caros, cada um toma a que quer...
Dupont

Olha, olha!...


O artigo não traz novidades, até porque é de cariz biográfico, mas é sempre um orgulho ver um português com a dimensão, impacto e projecção mundial de Durão Barroso. Afinal, quantos portugueses é que ocuparam, desde sempre, a capa da Newsweek?
Dupont

Tragédia

Mais uma vez, o drama abateu-se sobre a nossa comunidade piscatória. A traineira "Salgueirinha", de 17 metros e seis tripulantes, naufragou, esta noite, cerca da uma hora. Um tripulante morreu e os restantes cinco desapareceram. As buscas continuam. Em declarações à TSF, o comandante do Porto de Aveiro declarava não ter ainda elementos para explicar a tragédia, até porque outros barcos pescavam na mesma zona e não tiveram problemas.
Já não é como noutros tempos, felizmente, mas, com uma periodicidade macabra, a morte bate à porta dos pescadores das Caxinas. Quem os conhece, sabe que vivem com a certeza de que, um dia, as coisas podem correr mal. É esse respeito que faz deles homens de coragem.
Dupont

Pontos de Vista - III

- "Veiga, por muito que tente, não consegue articular quatro vocábulos sem dar um pontapé na gramática. Se a gramática fosse futebol, Veiga seria um Roberto Carlos. Aquele ar de incrível serenidade confere-lhe, porém, um estatuto quase doutoral, uma espécie de Mario Conde da bola", em A Niveleida, no Futeblog Total.
- "Da nossa parte, senhor presidente, muito obrigado. Apesar de o clube, que representou desportivamente o fascismo, o ter tentado calar e de a comunicação social não denunciar esse energúmeno Vieira, vulgarmente conhecido como o Khaddaffi dos Pneus, pela invasão de um estúdio de televisão da Sic Notícias ou pelas declarações próprias de um boçal saloio, sempre na bela companhia do inocente pistoleiro José Veiga,, o Avenida dos Aliados jamais se esquecerá do seu currículo, do amor que tem pelo clube e pela cidade e de como transformou um clube português num dos melhores da Europa, a milhas e milhas de distância de qualquer outra agremiação lusitana, contra todo um país autista e macrocéfalo." em 6 meses depois, no Avenida dos Aliados.
- "O Baía. O Baía, que é um excelente guarda-redes, mas que não é (globalmente) melhor que o Ricardo (está bem, lolita, tem melhor pernão, pronto!), o Baía deu ontem uma «pitarada monumental»", em Besugo tenta explicar mais coisas da bola, sem grandes expectativas, no Blogame Mucho.
- "As insinuações, os insultos e os ataques levados a cabo por Pinto da Costa, Luis Filipe Vieira e José Veiga, só diferem do grunhir de porcos numa pocilga pela modesta dignidade dos porcos, enquanto meros animais que a mais nada aspiram", em Porque deixei de me interessar sobre o nosso futebol, n'O Velho da Montanha.
Dupont

Citações da Sétima Arte - 27 - Tudo Bons Rapazes


«How am I funny, like a clown? What is so funny about me? What the fuck is so funny about me? Tell me. Tell me what's funny.»

Dupont

Eternização no Poder

Carlos Loureiro, um dos blasfemos, assina um artigo de opinião n'O Primeiro de Janeiro em que analisa as eleições nas Regiões Autónomas e procura uma explicação para o sucesso de Alberto João Jardim.
Permito-me retirar estas linhas, porque se aplicam, como uma luva, a Vila do Conde: "em eleições fortemente personalizadas, quem ocupa o poder apenas o perde se decidir abandoná-lo pelo seu próprio pé (como sucedeu com Mota Amaral) ou no caso de erros verdadeiramente clamorosos (casos dos poucos presidentes de Câmara que se recandidataram e perderam). Só assim se compreende a manutenção de Alberto João Jardim no poder, quase 30 anos depois da sua primeira eleição." e "começa a ser difícil compreender quais as razões que levam a que as limitações temporais ao exercício da função presidencial não sejam alargadas a todos os cargos políticos de natureza executiva". Uma das vantagens, para o articulista, era de que "pelo menos, os ciclos de inaugurações de obras públicas deixariam de andar tão ligados aos ciclos eleitorais".
Já estou cansado de o dizer: o poder não poder ser encarado como um emprego. Demasiado tempo junto dele e fica-se contaminado por tudo quanto é vírus: as coisas não funcionam, as ideias escasseiam, a força de vontade em fazer algo dá lugar à preguiça, as manhas tornam-se procedimentais e sei lá bem que mais. Por mim, limitação de mandatos, sempre. E, por favor, não me venham com o argumento de que "o povo é que decide", porque um povo que elege cinco, seis, sete ou oito vezes alguém para o mesmo cargo já não o faz por opção, mas por injecção.
Dupont

Já agora...

... alguém consegue explicar porque razão o Sr. José Veiga sabia tão bem a data do aniversário do Sr. Olegário Benquerença?
Mais: será que o Sr. José Veiga tem a lista completa dos aniversários de todos os árbitros da Super Liga? Com que intenção colecciona ele tais elementos "estatísticos"?
Dupond

Contagem

Começou, hoje, a maratona eleitoral americana. O site RealClear Politics entretém-se a fazer a contagem dos votos eleitorais. Para eleger o Presidente são necessários 270. Para já, os números são:
  • Bush: 254
  • Kerry: 220
  • Por decidir: 64
Como num bom filme de suspense "made in Hollywood", o relógio continua a descontar e nada está decidido.
Dupont

Happy Birthday


Está a gerar alguma polémica esta notícia de que uma firma chinesa conseguiu co-registar, em mais de 25 países, o tema Happy Birthday. Entre eles estão os EUA, o Japão e a Europa. O que causa estranheza é que essa música não caiu no domínio público, mas está devidamente registada, rendendo dois milhões de dólares aos seus detentores.
Será que alguém registou o "Malhão" ou o "Vira"?...
Dupont

Senhores da Guerra

Segundo a CNN, Vladimir Putin defendeu, indirectamente, que uma derrota de Bush seria uma vitória para o terrorismo. A mensagem é clara: votem Bush.
Penso que é previsível esta tomada de posição do gélido presidente da Rússia. Por um lado, porque partilham um problema comum, precisamente o de viverem sob o espectro do terrorismo. Por outro lado, é um piscar de olho a uma maior cooperação entre os dois países e não falo só ao nível da partilha de informação classificada. A Rússia está, hoje, enredada de problemas, em todas as áreas e só a ajuda de alguém com a sua dimensão e que tenha peso suficiente no xadrez mundial, conseguirá fazer com que o país obtenha as vantagens económicas que tanto anseia. EM terceiro e último lugar, é uma mensagem clara de que o terrorismo tem uma reposta inequívoca: a luta sem quartel.
Para disfarçar, Putin continua a declarar que é contra a invasão do Iraque...
Dupont

segunda-feira, outubro 18, 2004

Açores


O PS conseguiu vencer as eleições regionais nos Açores, o que permite ao seu líder assegurar a chefia do respectivo Governo Regional por mais 4 anos. O feito de Carlos César é merecedor de um grande aplauso, pois foi conseguido num contexto de forte ataque por parte da oposição que, pela primeira vez, se apresentou coligada. As conclusões do resultado eleioral são as seguintes:
- Carlos César é um bom político, pois tem conseguido fazer aumentar a sua votação de acto eleitoral para acto eleitoral, alcançando um score impensável há alguns anos atrás (57%).
- Apesar de ter feito uma boa campanha, Vitor Cruz não conseguiu unir os vários sectores do PSD Açoriano e estes com o CDS.
- O efeito coligação foi positivo no aspecto da distribuição de mandatos, mas foi negativo na soma de votos. Esta aparente contradição acontece por fruto do sistema de atribuição de mandatos, mas a verdade é que o PSD não ganhou nada por se ter coligado com o CDS.
Depois do desastre eleitoral ocorrido nas Europeias, em que a Coligação PSD/CDS subtraiu votos à soma dos dois partidos isoladamente;
depois do desastre dos Açores, em que a Coligação PSD/CDS subtraiu votos à soma dos dois partidos isoladamente;
depois do sucesso eleitoral na Madeira, em que o PSD sozinho aguentou o ataque de todas as oposições;
faz mais sentido do que nunca aquele título de primeira página do Expresso há cerca de 15 dias: PSD e CDS têm acordo secreto para concorrer separadamente às próximas eleições legislativas.
Dupond