segunda-feira, novembro 08, 2004

Roleta russa...


Por razões profissionais conheço um indivíduo, de Matosinhos, que há dois anos casou com uma cidadã russa de nome impronunciável. Pessoa tímida, bastante influenciável, acabou por ceder aos encantos dessa loira eslava. Viveram juntos cerca de ano e meio e, agora, ela fugiu. Não levou nada a não ser a ingénua esperança daquele pinga-amor lusitano.
O fenómeno das mulheres de Leste, disponíveis para casar ou simplesmente acasalar, vai de vento em popa. As agências na net multiplicam-se e o número de casamentos disparou. Pelo menos, em Espanha, é assim, segundo conta o El Pais de ontem. Tal como as brasileiras em Portugal, também as mulheres de leste têm de combater contra o estereótipo de serem imediatamente rotuladas de prostitutas. Na verdade, segundo refere aquele diário, as que chegam a Espanha com propósitos matrimoniais têm um nível educacional médio ou médio-elevado, algumas são divorciadas e procuram um desafogo económico superior aos 50 euros que a ‘Mãe Rússia’ lhes dá. O target são homens para lá dos 40, divorciados e bem instalados na vida. Afinal, só o negócio em si pode custar uns milhares de euros. O certo é que elas têm fama de carinhosas e submissas, o que é música para os ouvidos dos machos latinos.
Mas o negócio tem, obviamente, outros enquadramentos. Desde logo, já não são apenas russas mas também checas, húngaras, polacas, o que calhar, como se toda a antiga Europa de Leste tivesse uma qualquer homogeneidade sócio-cultural. Depois, os verdadeiros motivos nem sempre são revelados. Algumas aguentam um ano casadas, para obterem o visto de cinco anos, só então possível. Depois regressam ao seu país. Em terceiro lugar, nem sempre se encontra o tão desejado Romeu e acaba-se na “noite”… Só para se ter uma ideia, na pequena comunidade de El Ejido, província de Almeria, uma zona bastante atractiva para os russos, as casas de alterne já se cifram em mais de 90…
A Polícia não tem qualquer hipótese já que é impossível descobrir se um determinado casamento é de mera conveniência ou se há uma verdadeira ligação sentimental.
Aqui está uma dessas agência. Vão à galeria de fotos e olhem bem para as raparigas. Melhor, olhem bem para os olhos das raparigas. Está tudo lá. É incrível como o homem (com minúsculas…), depois de milhares de anos de evolução, ainda não aprendeu que amor e dinheiro misturam-se tão bem como água e azeite.
Dupont