quinta-feira, novembro 11, 2004

Sylvia Scarlett


A entrega desta semana da colecção Público-Clássicos contempla a obra de George Cukor “Sylvia Scarlett”. É um filme de 1938, tendo nos “leading roles” a dupla Katherine Hepburn/Cary Grante que, dois anos depois, protagonizariam “As Duas Feras”, de Howard Hawks, já apresentado na mesma colecção.
O argumento anda à volta de um pai que é obrigado a fugir de França, após ter cometido um crime, forçando a filha (Hepburn) a mascarar-se de rapaz para enganar as autoridades. Em Londres, cruzam-se com um aldrabãozinho, interpretado por Cary Grant. Sacarlett envolve-se com Michael Fane, interpretado por Brian Aherne, e vê-se obrigada a recuperar a sua feminilidade para não perder Grant, que anda enrolado com uma jovem russa…
George Cukor ficou famoso por ser um “realizador de mulheres”. Efectivamente, ao longo de uma carreira de meio século, os seus filmes sempre deram protagonismo ao elemento feminino. Além desde “Sylvia Scarlett”, ainda fez mais oito filmes com Katherine Hepburn. Aliás, há muito boa gente a defender que se a actriz é hoje considerada “a melhor de sempre” deve-o, em boa parte, à química especial que sempre teve com Cukor. No filme que hoje apresentamos, por exemplo, os diálogos, quase poéticos, proferidos por Hepburn, somados aos belos planos do seu rosto, não deixam grandes dúvidas quanto à faísca de genialidade que brotava quando estes dois se juntavam.
Aquando do lançamento, a crítica americana dividiu-se entre o aplauso e a crítica cerrada, chegando a acusar o realizador de ser “demasiado teatral”. Mas, como refere Homer Dickens, em “The Films of Katherine Hepburn”, trata-se de um filme “ahead of its time” que “should be seen and studied by those interested in acting art”. Em menos palavras: uma lição de interpretação.
É curioso Hepburn interpretar um rapaz, pois a androgenia funciona na perfeição. Sou daqueles que sempre a achou uma extraordinária actriz que tudo devia ao talento. Porque, quanto a beleza, deixava muito a desejar… Cary Grant, pelo contrário, já mostra, aqui, muito do charme que sempre trouxe para os filmes que interpretava.
Mais uma excelente proposta. E, com o que vai passando nos écrans, é bem melhor ficar em casa e ver filmes como este.
Dupont