Sábado, Janeiro 31, 2004

Hipocrisia


Depois de ler a notícia do Público e assistir, também, às loas e louvores de alguma blogosfera - com uma excepção - sobre a nobre recusa do Jorge Silva Melo, passei mais de meia-hora no Google e em vários sites, à procura, sem sucesso, da informação que Vasco Pulido Valente hoje apresenta, no Diário de Notícias. Para concluir que hipocrisia é a palavra certa para classificar a cena do encenador.
"O encenador e actor Jorge Silva Melo recusou um prémio de 25 mil euros que lhe fora atribuído por um organismo do Ministério da Cultura(...) O «artista » acrescentou, amavelmente, «desenvolve a sua actividade contra o Estado» e por isso só deve ser reconhecido pelos seus pares.(...) Até aqui tudo bem. Excepto por um pequeno pormenor: Silva Melo e a sua companhia vivem do Estado, de que receberam, em 2003, 450.000 euros. Por outras palavras, o artista «trai» o poder instituído om a espórtula do poder instituído"
Em suma: JSM é mais um subsídio-dependente, um intelectual que não consegue ganhar a vida com o seu trabalho e que, qual sanguessuga, vive do meu dinheiro e do dos outros contribuintes. Alguém para quem o acto de criar é um acto profundamente egoísta que apenas serve para o seu próprio bem e não para partilhar com os demais.
Ressuscita, César Monteiro! Há aqui um que te quer tirar o lugar!
Dupont

As Vinhas da Ira


Anteontem à noite, na “2:”, passou um dos melhores filmes de John Ford, “As Vinhas da Ira”, a versão cinematográfica da obra homónima de John Steinbeck. Tal como Casablanca, é um filme que se vê e revê com imenso prazer, porque o seu significado é intemporal.
Tom Joad é um condenado que volta a casa, “on parole”, após ter passado, na cadeia, quatro dos sete anos a que foi condenado por homicídio. Mas, em vez do ‘status quo’ que pensava encontrar, depara com a casa abandonada e a família desaparecida. Um antigo pregador, seu conhecido, juntamente com um outro agricultor, explicam-lhe o que se está a passar: eles, arrendatários rurais, estão a ser despejados pelos caterpillars dos proprietários das terras. Tom acaba por encontrar a numerosa família, quando estes estavam prestes a abandonar o Oklahoma e partir para a Califórnia, em busca de emprego e de uma nova vida. Revoltados, mas conformados com o seu destino, Tom e a família avançam em direcção ao Pacífico. Com eles, milhares de conterrâneos seguem na mesma direcção, numa onda de pobreza e miséria. A viagem acaba por tornar-se numa odisseia, face às dificuldades que se levantam: para além da viagem em si, atravessando paragens semidesérticas, têm de enfrentar revoltosos que não concordam com a migração, proprietários que se aproveitam das paupérrimas condições vida, para pagarem salários miseráveis, para além de outros escolhos. No fim, a Califórnia aparece, mas Tom tem de fugir porque, entretanto, matara um segundo homem que ameaçava trabalhadores em greve. A família, essa, pôde descansar.
Como se pode ver pelo resumo, que não faz jus a um filme rico em detalhes, trata-se de uma história poderosa, simbólica e com claras conotações políticas.
O personagem de Tom Joad é um portento de força, interior e exterior. Quando ele chega a casa, o que vê são destroços por todo o lado: o edifício, a família, a comunidade, onde o próprio pregador perdeu a fé. Mas ele. Por um lado e a sua mãe, por outro, acabam por dar sentido à viagem e força aos restantes membros. Tom sabe que está em liberdade condicional, mas a revolta perante a injustiça e a iniquidade falam mais alto do que ele e, por vezes, toma atitudes arriscadas. Mas ele é mesmo assim. No seu famoso discurso com que acaba . A força do seu personagem é tão grande que, ainda hoje, nos EUA, falar do livro sem falar do filme, especialmente, do Tom Joad que Henry Fonda compôs, é quase impossível. A prová-lo, veja-se que Bruce Springsteen (está sempre presente nestas divagações...) gravou um álbum denominado “The Ghost of Tom Joad”, expressamente baseado na personagem do filme e não na do livro, mais de meio século depois de Steinbeck, primeiro, e Ford, depois, lhe terem injectado vida. Como imortais são as palavras de Joad - pura personificação da luta contra as injustiças - quando se despede da mãe:
I'll be all around in the dark - I'll be everywhere. Wherever you can look - wherever there's a fight, so hungry people can eat, I'll be there. Wherever there's a cop beatin' up a guy, I'll be there. I'll be there in the way guys yell when they're mad. I'll be there in the way kids laugh when they're hungry and they know supper's ready, and when people are eatin' the stuff they raise and livin' in the houses they built - I'll be there, too”.
Outra personagem fundamental é o da mãe, como eixo de funcionamento e suporte de toda a família. É ela a boa consciência, a bóia a quem os outros recorrem, a goma que tenta unir todos os elementos numa altura em que a fome e a morte ameaçam tudo destruir.
O simbolismo está presente em força. Imagens de Tom Joad, sozinho, subindo uma colina ou um monte, aparecem várias vezes, mostrando como o homem consegue vencer as adversidades se lutar contra elas. Mas, a mais poderosa, talvez seja a analogia bíblica, bastante evidente, com a Terra Prometida. Também aqui os emigrantes saem de uma terra que não é sua, em busca de uma vida melhor, atravessando o deserto e sofrendo ataques, não dos soldados do faraó, mas de capatazes e polícias, a mando dos donos das terras. Uma terceira apreciação prende-se com o facto de a viagem ser feita através da Route 66, o que talvez não seja um acaso, dado tratar-se da estrada seminal da América, e que, muitas vezes, é apelidada de “America’s Mother Road”.
As conotações políticas são evidentes, o que é surpreendente por se tratar de um filme de John Ford, um realizador assumidamente de direita, e que repetiria a temática naquela que é, na minha opinião, o seu melhor filme: “O Vale era Verde”, sobre os problemas e lutas dos mineiros, nas minas de Gales (onde, felizmente, não estou sozinho, basta ver aqui e aqui). Em “As Vinhas da Ira”, a mensagem anti-capitalista é evidente, com a chegada das máquinas que empurram os pobres camponeses para fora da terra, como também é na exploração descarada que os proprietários dos pomares fazem em relação aos desesperados em busca de trabalho. Mas convém não esquecer que estamos em plena Grande Depressão, os valores sociais estão em efervescência e Roosevelt está na presidência... Aliás, basta ver que nos “campos de refugiados”, a que os protagonistas recorrem várias vezes, tudo é uma desgraça, até que chegam a um estadual, que mais parece o Paraíso na Terra...


Uma última palavra para a fotografia, num preto-e-branco fantástico (e que a edição restaurada em DVD, só poderá enobrecer), que se traduz num jogo sombra-luz que acentua o simbolismo do filme. No mesmo sentido, não poderão ser esquecidas as imortais imagens de Dorothea Lange, de que todos conhecemos, pelo menos, a que aqui reproduzimos (“Migrant Mother”, 1936).
O filme tem e terá sempre actualidade, porque haverá sempre alguém disposto a lutar contra o sistema, contra a injustiça, por mais difícil que isso seja. Não acreditam? Vejam aqui um Tom Joad português, nesta notícia do Público.
Dupont

Ai - Animal irracional - 14

21 de Julho de 2001 - Conduzindo uma carrinha, com oito passageiros, montanha abaixo, no Estado de Idaho, EUA, M. apercebeu-se que tinha ficado sem travões. Sem pensar duas vezes, abre a porta e salta para fora do veículo, sem avisar os companheiros de viagem do que é que se passava. Pouco depois, um deles conseguiu travar e parar a carrinha. Mas M. já não veria o problema solucionado: ao sair precipitadamente da carrinha, bateu com a cebeça no chão e teve morte imediata. Mas ninguém se feriu.
Dupont

O Vilacondense anda a ouvir....

Elvis Costello - North

Air - Talkie Walkie

John Cale - Hobo Sapiens

Josh Rouse - 1972

Dupont

Sexta-feira, Janeiro 30, 2004

Alfredo Castro

O nosso conterrâneo Alfredo Castro suspendeu a sua ligação contratual com o Boavista FC. As razões invocadas são de ordem pessoal, depreendendo-se do comunicado disponível no site do clube que fica limitada ao que resta da época em curso.
Em Vila do Conde ninguém esquece o Alfredo. Fazem parte da história do nosso Rio Ave memoráveis exibições suas, de entre as quais gostava de destacar um extraordinário de fim de tarde no velhinho Campo de Avenida, em que derrotamos, no desempate por grandes penalidades, o Vitória de Guimarães nas meias finais da Taça de Portugal (ganhando direito a participar na final contra o FC Porto). Nesse jogo, Alfredo foi uma pedra chave, tendo defendido o panalty que nos abriu as portas do Estádio do Jamor.
Por tudo isso, mas principalmente porque gostamos dele, fazemos votos para que o Alfredo consiga ultrapassar este momento difícil e regresse rapidamente.
Dupond

"Candidatos"


por Vasco Pulido Valente
in DN

"A esquerda europeia odeia Bush como nunca odiou um Presidente americano; e a esquerda americana também o odeia - talvez mais do que odiava Reagan. Há mesmo por aí muito português modesto que acha uma indecência não poder, com o seu voto, remover o homem. Quando apareceu Dean, vociferando contra a guerra, e com ele, alguns milhares de maníacos da Internet, a brigada anti-Bush julgou que a salvação chegara. Bastaram as «primárias» do Iowa (no fundo, uma reunião informal do partido) para desfazer esta consoladora esperança. Quem assistiu, até às quatro da manhã, ao frenesim do Iowa e do New Hampshire ficou a perceber porquê: a guerra no Iraque foi ignorada. Não se falou pura e simplesmente no assunto. O desinteresse do eleitorado não encorajava a especulação geoestratégica, e o próprio Dean reconheceu, já tarde, que tinha de inventar outra conversa. O programa «Democrático» é agora o programa populista clássico: contra o privilégio, contra os políticos, contra o Estado e contra o capitalismo (que «deslocaliza» emprego); e a favor dos «pequeninos», dos trabalhadores, do cidadão anónimo. À defesa disto, chamam os peritos lá da terra, «elegibilidade»; e a um ataque ao Presidente por causa do Iraque uma «catástrofe». De qualquer maneira, nenhum dos candidatos dá ideia de ser elegível. No Iowa, Dean gritou e saltou como um verdadeiro alucinado: precisa de uma camisa-de-forças, não precisa de Washington. Kerry saiu ontem de um filme de terror, com um sorrisinho de gelar o sangue e dentes de vampiro. John Edwards é um galã simpático com gel no cérebro. E Wesley Clark, como bom militar, oscila entre a gabarolice e a parlapatice. Se alguém espera deste belo grupo a humilhação de Bush, a paz no mundo e a ordem internacional dos «justos», tem muito que esperar."
Dupont

Bofetadas virtuais


Através do Dragão, conhecemos o Vítor Vitória - um blog dedicado ao melhor guarda-redes português de todos os tempos: Vítor Baía. O post que anuncia a renovação do contrato do Grande Baía, tem a enumeração dos seus inimigos, com linkagem para uma foto dos mesmos. O da execrável Leonor Pinhão está genial. Um mo(nu)mento de humor corrosivo.
Dupont

Gestão política é:


a) ganhar eleições em 2002 com o país em crise;
b) tomar medidas necessárias face à crise, mas impopulares durante 2002 e 2003;
c) aguentar em 2004, esperando que surjam resultados das decisões tomadas;
d) aproveitar a melhoria da economia para tomar medidas "populares" em 2005;
e) ganhar as eleições em 2006, ano em que a crise já fará parte da história.
Segundo li na Lusa, Durão Barroso anunciou hoje na Assembleia da República que em 2005 haverá aumentos para a função pública. Alguém tem dúvidas de que Durão Barroso se está a comportar como um verdadeiro "gestor político"?
Dupond

Cultura Municipal

Delirante, o post "no comments", no Grande Loja do Queijo Limiano.
Dupont

Fuga de Cérebros

"O Miguel Desistiu. Life is too short". Um post lapidar, no Jaquinzinhos.
Dupont

Feher - Efeitos colaterais

A morte do avançado húngaro do Benfica mexeu com a sensibilidade da blogosfera. Alguns casos:
1 - Uma recordação, pessoal, de Miklos Feher, no vilacondense 'O Pai Já Bai';
2 - Memórias fratenais do besugo, no Blogame Mucho;
3 - Irritações dos leitores do Abrupto;
4 - Uma certa autofagia, no Aviz;
Uma referência, também, a Miguel Sousa Tavares e a Rui Baptista, no Público, em rasgado elogio a Ricardo Espírito Santo, o realizador da Sport-TV que impediu a divulgação de imagens da cara de Fehér: "Quero Toda a Gente Fora da Cara"
Dupont

Ibéria - V

Um belo texto, cheio de fulgor patriótico, no Glosas.
Dupont

Ibéria IV


O Cataláxia, honrou-nos com uma resposta/comentário aos vários posts ‘Iberia’ que aqui colocamos nos últimos tempos. O Rui não concorda, em nada, com a existência de uma “identidade nacional” e, por isso, acha que é de “irrelevância cultural” estarmos a discutir o inevitável, como a nossa dissolução na Ibéria, na União comunitária ou noutro mega-projecto qualquer.
Pois, meu caro Rui, eu não acho.
Você alinhava uma série de exemplos históricos em como ‘portugueses’ enjeitaram o passado, desde o putativo pai ‘bastardo’ de D. Afonso Henriques até ao filho ‘bastardo’ deste nosso Portugal, D. Alberto João. Aqui nem vale a pena argumentar, pois acredito que você encontraria muitos mais exemplos de “habitantes de Portugal” que lutaram e morreram por este País.
Avança, depois, para uma apreciação da populaça, que o desencanta. Não é só a si. Recorde que Churchill já dizia, em relação à Inglaterra, que “temos a pior classe média do mundo”. Também eu gostaria de me mover num meio onde as pessoas fossem culturalmente estimulantes e intelectualmente esclarecidas. Mas, das voltas que por aí fora tenho dado, verifico que, mais bigode, menos bigode, mais barriga, menos barriga, há um enorme denominador comum na gente que se atropela a caminho de Benidorm, de Mikonos, de Varadero, de Phi-Phi ou de Acapulco. São, efectivamente, pessoas que, desde que a sua vida corra, nada mais lhes interessa. Será este, então, o caminho inevitável da globalização?
O Rui chama a isto ‘libertação do indivíduo face a uma opressora máquina de poder’ – o Estado. Mas será que esses leitores compulsivos da ‘Bola’ e da ‘Maria’, ‘gourmands’ da bifana e da ‘bejeca’, estão interessados ou saberão, sequer, que se está no caminho da sua libertação?
É óbvio que não. Continuo a acreditar que ainda há e sempre haverá algo que nos prende, que nos identifica e que nos faz sentir parte de um todo. Não é só a língua que irá sobrar. Porque a globalização não quererá dizer uniformização. E julgo, até, que haverá um crescente processo de protecção daquilo que constitui essa identidade. Alguém quererá ir a Paris, Londres e Tóquio e ver, comer e sentir o mesmo em qualquer uma das três? Concerteza que não. Além de que o desporto, esse último resquício tribal, tem vindo a demonstrar como as pessoas se conseguem congregar, por vezes cegamente, é certo, em torno de algo com que se identificam.
Continuo a defender que vale a pena lutar, mesmo que o que se aproxime tenha contornos inevitabilidade, como já referi aqui. Mas, se calhar, sou só eu. Um conservador nas várias acepções da palavra (excepto, claro, no sentido registral...).
Dupont

Ai – Animal irracional - 13


23 de Maio de 2003 - P. estava na sua casa, em Auckland, Nova Zelândia, quando precisou de fazer umas reparações por baixo da sua viatura. Como não tinha espaço, foi buscar o macaco, mas chegou à conclusão que ainda não era suficiente. Abriu o capot e retirou a bateria, em cima da qual colocou o macaco. Agora, sim, tinha espaço suficiente.
O azar de P. foi que as baterias automóveis não foram concebidas para esse fim e, esta, acabou por ceder com o peso do carro, prendendo-o debaixo da viatura. Como não conseguia respirar, acabou por morrer asfixiado.
Como se esta parvoíce não bastasse, ainda há dois factos que tornam tudo ainda mais patético: um - P. era o responsável pelo Departamento de Prevenção de Acidentes, de uma grande empresa alimentar; dois – dez anos antes, numa situação semelhante, P. tinha ficado preso de baixo de outro carro, quando o macaco se partiu, acabando com uma das pernas partida.
“Aprender com os seus erros” não seria, certamente, o seu aforismo de eleição….
Dupont

Póvoa de Varzim - Macedo Vieira


O Terras do Ave, neste artigo e no Editorial, cita o Voz da Póvoa, para relembrar os dez anos de mandato de Macedo Vieira. Ora qui está um belo tema que nos escapou.
Na verdade, em dez anos, Macedo Vieira fez quase tudo o que o PS de Vila do Conde não conseguiu em trinta. E Vila do Conde está cada vez mais longe da projecção que a Póvoa, actualmente, tem. Basta comparar o mais visível: as estradas, a marginal desde as piscinas ao Forte, a recuperação do Cine-Garret depois de se saber que não haveria fundos estaduais, etc. E o Presidente anuncia resultados muito elevados na água, no saneamento, na habitação social e no parque escolar.
Nós, por cá, o que é que tivemos em trinta anos, comparado com isto? Muito pouco. Conservamos a zona histórica e... temos umas estradas vergonhosas, falta saneamento e água em quase todo o concelho e o Cine-Neiva apodrece... E depois o Presidente vem queixar-se que o Governo não dá dinheiro para obras... Então para que é que serve aprovar Orçamentos Municipais se o que interessa é o dinheiro que vem 'por fora'?
Penso que a grande vantagen da Póvoa de Varzim foi a de ter mudado de força política à frente da autarquia. Isso espicaçou a vontade de mostrar obra e aí temos o resultado da alternância democrática: uma cidade moderna, em expansão, pronta a engolir Vila do Conde...
Como já escrevi noutro post, se calhar, cada um tem o que merece: eles o Macedo Vieira, nós o Mário Almeida...
O que é mais triste, é que fica no ar a sensação que não soubemos honrar a nossa história...
Dupont

Jornal de Vila do Conde

Os tempos mudam e a concorrência (leia-se "Terras do Ave") aperta. Parece ser este o lema do JVC. Agora temos entrevistas quase de página inteira e até fazem balanço do ano, com escolha de personalidades e acontecimentos. Qualquer dia o "Sr. Costa" até vai escrever um editorial...
Mas confesso que não consegui conter uma gargalhada quando vi os destaques de 2003.
1 - Só socialistas e independentes. Do PSD, CDS, BE e CDU nada! Devem pensar que os vilacondenses não alinhados são todos imbecis...
2 - Sete dirigentes associativos militantes ou simpatizantes do PS. Sem contar os padres, claro...
3 - Da Assembleia Municipal não está o mais brilhante tribuno socialista, Jorge Laranja. Será que o primo Carlos não gosta dele e não o põe no "seu" jornal? Ou foi castigo por Jorge Laranja ter apoiado Assis contra Narciso e Mário Almeida?
4 - De Vereadores assinala-se a ausência de António Caetano. Então o rapaz inaugura o primeiro parque de estacionamento da história de Vila do Conde e nem uma menção tem? Como o parque está a ser um fiasco, estacionaram-no...
5 - Abel Maia aparece. OK. Já percebemos quem é que vai ser o herdeiro de Mário Almeida...
6 - Está lá a vistosa e simpática comissária da PSP. E da GNR, ninguém? Pois, são os que andam pelos campos...
7 - A presidente da Junta de Fajozes tem um grande mérito. É mulher!
Sic Transit Gloria Mundi
Dupont

Revista da Opinião política vila-condense

Com o Terras do Ave e o suplemento d'O Primeiro de Janeiro online (o JVC não está online, mas também não tem coluna de opinião), temos no 'Terras':
- Pedro Brás Marques, sobre o Tempo (Séculos de VC, década da PV e o segundo de Fehér)
- Jorge Laranja, Albano Loureiro, Alexandre Raposo e Fernado Reis, a fazerem o balanço da actividade da Assembleia Municipal.
- Romeu Cunha Reis, sobre a sinistralidade Rodoviária
N' O Primeiro de Janeiro podemos ler:
- Alexandre Raposo, sobre a História e o potencial turístico de Vila do Conde;
- António José Gonçalves, sobre a nova (des)ordem mundial;
- Fernando Reis, sobre o papel dos partido de direita na oposição municipal;
- Abel Maia, sobre Miki Feher
Análise rápida: à primeira vista, a esquerda tomou de assalto as colunas de opinião cá do burgo. No Terras, se excluirmos o editorial, vence por 3-2, com duas presenças da CDU! No Janeiro fica 3-1! E Alexandre Raposo e Fernando Reis marcam presença nos dois jornais.
Isto está a aquecer...
Dupont

Quinta-feira, Janeiro 29, 2004

Novo Hospital

Na excelente entrevista dada ao Terras do Ave , Luis Filipe Pereira, Ministro da Saúde, abre o jogo quanto à construção do novo hospital de Vila do Conde/Póvoa. Segundo o governante, o processo andará ao ritmo dos respectivos terrenos. Ao dizer que é "óbvio que se tivermos o terreno disponível, o processo avançará mais rapidamente", o Ministro está a dar um sinal para os Presidentes da Câmara de que é chegada a hora de mostrar a vontade que têm de que se construa o hospital.
Segundo vamos sabendo, nem Mário Almeida, nem Macedo Vieira tem manifestado disponibilidade para abrir os cordões à bolsa e comprar os ditos terrenos. A consequência deste impasse é fácil de imaginar: o dossiê de Vila do Conde vai ficando para trás à medida que os restantes 9 novos hospitais vão avançando.
Enquanto isso, Vila do Conde e a Póvoa esperam. Ao mesmo tempo vamos ficando inteirados quanto à verdadeira importância que as Câmaras dão à construção do novo Hospital. Se mostrarem vontade em adquirir os terrenos, é porque consideram o assunto relevante. Se não o fizerem, mostram indiferença.
Dupond

O verdadeiro drama nacional

Neste país, onde não faltam razões para nos preocupar, eis que nos é revelada uma coisa que, não surpreendendo muito, causa uma tremenda preocupação: os alunos do 9º e do 6º ano obtiveram médias negativas nas provas de aferição de Matemática e Português efectuadas no último ano lectivo.
Este resultado desastroso significa só isto:
- O sistema começa a debitar maus alunos desde muito cedo.
- O país ameaça agudizar os seus problemas de competitividade, face à impreparação da "gente" que está a ser formada nas nossas escolas e a preparar-se para ingressar na vida activa.
Sabendo disto, Governo e oposição estão a esgrimir argumentos no sentido de afugentar culpas. Será que é isto que o país precisa?
Dupond

It works

No Reino Unido surgiu um problema há alguns meses. A BBC anunciava nos seus espaços informativos que o Governo de Blair estava a "apimentar" os relatórios sobre a existênciade armas de destruição maciça no Iraque com o objectivo de melhor justificar a guerra contra aquele país.
Na sequência dessa divulgação, a principal "fonte" dessas notícias, David Kelly, acabou por se suicidar, não aguentando a pressão pública que sobre ele se debateu. Ao mesmo tempo, Tony Blair foi acusado publicamente de estar a mentir aos ingleses, o que naquele país é ofensa grave para qualquer político.
Colocando a democracia a funcionar, foi criada uma comissão de inquérito, liderada por Lord Hutton, que estudou o assunto e veio ontem anunciar o seu veredito. Quem quiser, pode ver tudo aqui.
Tony Blair viu esclarecida a sua conduta, sendo ilibado das acusações que lhe estavam a fazer. O falecido Dr. Kelly acabou censurado por ter mantido contactos com a imprensa "não aconselháveis" a servidores públicos da sua categoria. Finalmente, a BBC foi literalmente arrasada pela forma como tratou o assunto.
Como consequência de tudo isto, o Presidente da BBC apresentou ontem a sua demissão.
Com transparência e de forma definitiva tudo foi esclarecido e as consequências pelos erros cometidos foram assumidas. Ontem a democracia funcionou no Reino Unido.
Dupond

Ibéria - III


A Newsweek dá capa a nuestros hermanos, “The Spanish Way”, dizem eles, e perguntam se a Espanah não será um modelo para o resto da Europa. Recordam que “forty years ago, Spain looked a lot like Mexico, only worse. The average worker earned just $443 a year, less than the average Mexican. In the countryside of Andalucia and Extremadura, women scrubbed laundry in riverbeds. Spaniards who could leave left; those who stayed behind faced bleak prospects. Between 1970 and 1995, not a single net new job was created; half the economy was agriculture.”
Mas, agora, deu-se um milagre económico, com a política de José Maria Aznar: “Spain under Aznar has been the fastest-growing big economy in Europe. During the bullish "matador years," as Spaniards took to calling Aznar's tenure of the late 1990s, Spain grew an average of 4 percent a year. Today, it's down slightly, to 2.4 percent, but that's still four times as fast as the rest of the EU.
OK. Felicitaciones para usteds. Mas o que é que se há-de fazer? Vocês tiveram o Aznar e nós o Eng. Guterres. Se calhar, cada um tem o que merece. …
Agora, o que me está a causar uma certa impressão é esta concentração temporal de artigos, reportagens e entrevistas a enaltecer Espanha…
Será coincidência ou estou para aqui a dar azo a mais uma teoria da conspiração?
Dupont

Ai – Animal irracional – 12


3 de Março de 2003 – À saída de um pub, em Sheffield, Inglaterra, K. e P. repararam que a lâmpada de um dos candeeiros da rua estava fundida, criando uma zona de escuridão no meio da estrada. Sem pensar duas vezes, o casal dirigiu-se para lá, deitou-se no chão, mesmo em cima da linha branca e deu início a uma cena tórrida de beijos e carícias…
Por três vezes foram avisados para saírem dali: pelo condutor de um automóvel, por outro de um autocarro e por um peão. Nada! O primeiro, um paramédico, buzinou e gritou, mas apenas obteve como resposta: “Cheers, mate!”…
Até que apareceu o condutor de uma carrinha de transporte de passageiros que os confundiu com um saco do lixo no meio da estrada e passou-lhes por cima. Tiveram morte imediata. Para o casal, este foi o fim da história.
Mas para o condutor é que não. Levado a julgamento, viu-se condenado porque “a sua condução ficou muito aquém do que um condutor prudente e competente faria”. Isto apesar de ter a compreensão e ajuda dos familiares das vítimas. E, como se não bastasse, ele, um condutor profissional, ficou sem a carta durante seis meses. O que vale é que o patrão era boa pessoa e transferiu-o, durante esse período, para um serviço administrativo.
Uma história onde nem todos são imbecis…
Dupont

Casablanca


Já sei que não sou nada original, mas tenho uma inexplicável fixação pelo filme ‘Casablanca’. No passado fim-de-semana comprei o DVD, ou melhor, voltei a comprar o DVD. Já tinha um, mas não vinha com um segundo disco cheio de “Extras”. Isto sem esquecer que, duas prateleiras acima, ainda lá está a versão VHS…
Mas esta edição vale bem a pena, confirmando que o DVD foi uma dádiva de Deus aos cinéfilos. No disco 1, além do filme temos a possibilidade de o visionar com os comentários de um dos melhores críticos de cinema, Roger Ebert. No 2, é um fartote de preciosidades: o documentário “Bacall on Bogart”, com depoimentos de inúmeras caras famosas da 7ª Arte; um outro cahamado “You must remember this”; um terceiro, apresentado pelos filhos dos protagonistas, intitulado “The Childre Remember”; o episódio piloto da série televisiva “Who Holds Tomorrow?”, decalcada do filme; a versão radiofónica do filme, com as vozes dos mesmos actores no écran, etc., etc. Há ainda espaço para um fabuloso pastiche dos Looney Tunes, com Bugs Bunny no papel de Rick, e com o tal final que, a cada visionamento, se deseja que Casablanca tenha…
O que faz alguém ver várias vezes o mesmo filme ou ler o mesmo livro? A pergunta já foi feita a muita gente e inúmeras respostas já foram dadas. Por mim, gosto de ver as coisas acontecer: repetir os diálogos com o personagem, como se lhe pudesse vestir a pele; reparar no background e descobrir cenários fajutos e figurantes trapalhões, ver a sombra de um microfone ou o reflexo da câmara de filmar. Em suma, é aquilo que alguém, julgo que o João Lopes, classificou de “o prazer de ver acontecer”, isto é, o prazer que nasce depois de se gastar “o prazer de ver”.
Dupont

Óscares


Um artigo interessante, com pontos de vista diferentes sobre a corrida à estaueta dourada, pode ser lida na Newsweek.
Dupont

Quarta-feira, Janeiro 28, 2004

Ibéria II - O Principezinho


António José Saraiva, director do Expresso, é outro dos arguentes no caso “Portugal já não vale a pena”. Mas a sua patologia necessita de um post único.
AJS recorda que o País sofreu “choques violentos”: a) perdeu o império; b) transitou da ditadura para a democracia; c) viu as suas fronteiras abertas; d) perdeu a sua moeda.
Isto são acontecimentos que nos tornam únicos: “nenhum país do mundo em situação semelhante à nossa sofreu abalos tão fortes. Por isso Portugal é hoje um país atordoado, perplexo, hesitante sobre o rumo a seguir”. Como se não bastasse, ainda houve umas ‘infecções’ colaterais a contribuírem para a doença de que padece este luso rectângulo: o fim do comunismo, a globalização, a revolução tecnológica, etc, etc.
O resultado é a falta de “amor próprio, de valores e de prioridades”. A conclusão de tudo isto é que “nós” hesitamos “sobre se valerá a pena continuar a existir – ou se não será melhor integrarmo-nos na Espanha, porque os espanhóis nos governariam melhor”.
Passando por cima da pergunta – depois disto, ainda vale a pena comprar o Expresso ou é melhor passar já para a prensa espanhola? - o que cabe aqui comentar é a arrogância de AJS de se julgador o termómetro da sensibilidade de 10 milhões de pessoas. Ele sabe o que “nós” queremos. Ele sabe o que “nos” dói. Ele sabe o que seria bom para “nós”.
Costuma dizer-se que é nas situações difíceis que se vê a têmpera de um homem. A de AJS é muito fraca. O que ele verteu no seu editorial é precisamente o mesmo que acontece a qualquer pessoa depois de lhe morrer alguém querido: vale a pena continuar? Que sentido tem isto tudo? Não será melhor desistir?
Esquece AJS que o sofrimento também é conhecimento. Porque quem passe por um choque destes, “violento”, fica com uma grande sabedoria: sabe que há vida depois dele. E como dizia a personagem interpretada por Juliette Binoche, em “Damage”, de Louis Malle: "as pessoas que sofreram tragédias são perigosas - porque sabem que conseguem sobreviver”.
Dupont

Ai - Animal irracional - 11


23 de Setembro de 2002 - Um capataz de uma quinta situada próxima da cidade de S.Paulo, no Brasil, decidiu eliminar uma colmeia que se tinha formado numa laranjeira do pomar. Não sabia lá muito bem como haveria de proceder, mas de duas coisas tinha a certeza: 1) tinha de ser queimada e 2) as abelhas ferram. Decidiu, então, proteger-se dos insectos com roupa que tapasse o corpo e colocou um saco de plástico na cabeça, que tratou de enfiar na camisola, para que nenhum animal entrasse.
Umas horas depois, a mulher foi à sua procura e encontrou-o morto. Mas a culpa não foi das abelhas... É que o saco impediu a entrada de fumo, abelhas e ... de oxigéneo, asfixiando-o.
Dupont

Democracia sem Democratas


Ralf Dahrendorf assina aqui um belíssimo texto. Um excerto:
"...os cidadãos activos que defendem a ordem liberal devem ser os seus guardiães. Mas há outro, e mais importante, elemento a salvaguardar, que é a administração da lei.
A administração da lei não é o mesmo que democracia, nem uma coisa garante necessariamente a outra. A administração da lei é a aceitação de que são as leis regulamentadas não por uma autoridade suprema, mas pelos cidadãos, que governam todos - os que estão no poder, os que estão na oposição e os que estão fora do jogo do poder.
A administração da lei é o elemento mais forte na Turquia contemporânea. Tem sido, e bem, o principal objectivo do alto-representante para a Bósnia, Paddy Ashdown. É algo que deve ser defendido. As chamadas "leis permitidas" que suspendem a administração da lei são a principal arma dos ditadores. Contudo, é mais difícil usar a administração da lei para minar a própria lei do que usar a votação do povo contra a democracia.
Por conseguinte, o significado de "eleições mais" deve ser democracia mais administração da lei. Correndo o risco de ofender muitos defensores da persuasão democrática, cheguei à conclusão de que a administração da lei deveria vir em primeiro lugar quando o constitucionalismo é trazido para uma ex-ditadura, secundado pela democracia. Os juízes independentes e incorruptos têm ainda mais influência do que os políticos eleitos por maiorias esmagadoras. Felizes os países que têm ambas, e que as fomentam e protegem!
".
Numa altura em que, por cá, se vais debatendo o poder dos juizes, os limites da lei e da liberdade individual e de imprensa, Dahrendorf opta por dar um passo em frente: onerá-los como guardiães da própria democracia. Interessante...
Dupont

Terça-feira, Janeiro 27, 2004

Iberia


Há uns dias, a comunidade blogueira de Vila do Conde e Póvoa de Varzim discutiu a possibilidade de, no futuro, os dois concelhos se unirem, criando aquilo que o Trenguices chamou “Póvoa do Ave”.
Neste último fim de semana, duas entrevistas apresentaram uma ideia análoga, mas de proporções nacionais: a Ibéria. O Cataláxia já abordou a questão aqui e aqui.
O primeiro a avançar foi José Manuel de Mello, ao defender que “o que devíamos fazer era juntarmo-nos rapidamente a Espanha”. A sua visão da nossa sociedade não é das melhores: “não acredito na nossa capacidade. Na dos políticos, de todo. E os empresários gerem a dívida”. Não percebe as reticências de Silva Lopes em abrir a EDP a Espanha e ao falar do ‘Grupo dos 40’ recorda que “um dos subscritores, Américo Amorim, vendeu a sua posição no Banco” aos espanhóis. Situação análoga teve outro dos subscritores, Diogo Vaz Guedes, da Somague.
Por fim, o futuro que o velho milionário nos augura não é nada bom, pois vamos todos para “arrumadores de carros, criados de mesa, etc.”. Daí a mencionada junção a Espanha, rapidamente: “devíamos começar a fazer a Ibéria, dividir Portugal em duas ou três regiões, deixando o Algarve de fora”.
No dia seguinte, na Notícias Magazine, era a vez de Vasco Pulido Valente. “Esses medos da anexação [por Espanha] são absurdos, porque a dura verdade é que a Espanha não nos quer anexar. Era o que faltava! Espanha está muito bem assim, porque pode explorar o mercado português – e explorá-lo-á cada vez mais – no que tem de vantajoso para ela, sem nenhuma responsabilidade pela sociedade portuguesa, porque desejaria mudar este maravilhoso estado de coisas? É muito diferente da Catalunha e do País Basco, porque são regiões ricas e os impostos que lá se colhem beneficiam o resto do País. A unidade espanhola faz sentido para os castelhanos e para as regiões mais pobres de Espanha, mas mesmo para esses não faz qualquer sentido ter qualquer influência política em Portugal. Para quê? A única coisa que poderia suceder se fossemos anexados pela Espanha – o que se calhar não era má ideia – é que talvez viéssemos a beneficiar dos impostos espanhóis”.
Aqui chegados, o primeiro comentário é intuitivo: para estes senhores, novecentos anos de história são letra morta. Mas, depois, atentei em quem são estes dois personagens: o primeiro é um milionário, à portuguesa, que já ganhou muito em tempos suspeitos, perdeu, e já voltou a ganhar, mas que vê o ocaso de vida aproximar-se – “estou é preocupado com os meus netos”, desabafa ele; o outro é um historiador e jornalista que nunca há-de perdoar a Deus o facto de ter nascido e que há muito procura um ‘delete’ etílico para esse facto.
É fácil rendermo-nos, deixarmo-nos subjugar e abrir mão de tudo, esquecendo a nossa identidade. Advogar uma anexação, uma ideia de Ibéria, é desistir de acreditar que Portugal vale por si e pelos seus. Serão os portugueses incultos e ‘iletrados’? Muitos serão, certamente. Mas, num jogo de cartas, o génio está em jogar com o naipe que nos saiu. Realmente, era tudo mais fácil se todas as nossas cartas fossem trunfos. Melhor: se todas as nossas cartas fossem espanholas.
PS – Vasco Pulido Valente acha que os blogs são feitos por políticos falhados, jornalistas frustrados e tanta outra gente completamente iletrada que não conhece os assuntos e podiam dizer aquilo ou o contrário. Tenho pena que ele não apareça por cá, para nos iluminar o caminho. Assim sendo, temos de nos contentar com o seu discípulo, João Pereira Coutinho…
Dupont

Ai - Animal irracional - 10


Fevereiro de 1998 - M. e os seus amigos resolveram escorregar pela pista de neve, montanha abaixo, às três da manhã, montados no que parecia ser um tapete de esponja. Acabaram por chocar contra uma das torres de telesky e M. morreu. Acontece que o seu trenó de esponja não era trenó nenhum. Era a protecção colocada à volta das torres de telesky para proteger os esquiadores em caso de embate. E a torre, desprotegida, era precisamente aquela de onde ele e os amigos haviam retirado a esponja...
Moral: o deus dos esquiadores não dorme! E é vingativo!
Dupont

O exemplo

Foi divulgado hoje pela imprensa que o Ministério da Justiça reteve, durante o ano de 2003, as constribuições para a segurança social de 580 trabalhadores, sem que as tivesse entregue, conforme era sua obrigação.
Se este facto não tivesse sido confimado por uma fonte oficial, não seria de acreditar. Mas como parece ser mesmo verdade, faz-nos pensar e com isso leva-nos a conclusões terríveis:
1.- O Estado é desorganizado.
2.- O Estado é irresponsável.
3.- O Estado dá maus exemplos.
Os montantes envolvidos nesta situação são insignificantes no total do Orçamento do Ministério da Justiça. Com toda a certeza, o "esquecimento" não se ficou a dever a falta de dinheiro. Mas, quer se queira, quer não queira, fica uma imagem terrível para a população a quem se exige, tantas vezes de forma cega e injusta, o cumprimento de obrigações fiscais. As pessoas perguntam: "Se nem o Estado paga à segurança social, porque haveremos nós de pagar?".
Dupond

Segunda-feira, Janeiro 26, 2004

Casa Nostra


A edição de ontem do Jornal de Notícias trazia uma deliciosa notícia que, infelizmente, não está na edição online. Vá lá saber-se porquê...
O título anunciava, relativamente a Matosinhos, que “Câmara emprega amigos e familiares do Presidente”. Ficamos a saber que na CM “trabalham cinco sobrinhos de Narciso Miranda e poderiam ser sete se duas não tivessem sido requisitadas” pela Administração do Porto de Leixões. Um dos motoristas é “irmão do namorado da sua filha mais velha e que, por sua vez, tem como colega de trabalho a sua esposa” Outro dos motoristas, recentemente reformado, vem todos os dias aos Paços do Concelho, “talvez para acompanhar a mulher, a filha e a sobrinha”, todas funcionárias camarárias. Um ex-motorista de um vereador também se reformou cedo, aos 49 anos, passando para avençado da empresa municipal Matosinhos Sport e não sem que antes tenha assegurado o futuro da mulher e da filha, ambas funcionárias da edilidade. Um outro adjunto, também reformado, conseguiu ter, na Câmara, o irmão, a irmã, dois sobrinhas e uma sobrinha do irmão.
Mas quem pensa que isto é a versão matosinhense de “zangam-se as comadres, descobrem-se as verdades” está enganado. O JN dispara também contra Manuel Seabra que recorde-se, quando entrou para a Câmara tinha o pai como colega vereador. E, tanto a primeira como a actual mulher, são funcionárias da autarquia. Nada de mais diz, hoje, o autarca "conheci ambas na autarquia. ( E, digo eu, a actual mulher de Seabra é filha do arquitecto responsável pelo belo edifício dos Paços do Concelho...)
O diário portuense ainda arrola um sem número de outros exemplos, ligados a rádio local e à própria Juventude Socialista de Matosinhos que não vale a pena indicar, por serem redundantes.
Narciso Miranda defende-se dizendo que só tem uma sobrinha na Câmara e que “todos os funcionários que entraram para a Câmara de Matosinhos foram submetidos a concurso público. E todos os concursos são apreciados por júris insuspeitos, dos quais eu nunca faço parte”.
Ora aqui temos, em todo o seu esplendor, um exemplo de Câmara Municipal – Agência de Emprego, S.R (Sem Responsabilidade), uma das empresas municipais que cada autarquia nacional tem e que, a par da Câmara Municipal – Agência de Viagens, S.R - para pagar viagens a velhinhos e donas de casa - são as principais garantias eleitorais dos dinossauros autárquicos deste país.
Os concursos são isentos? Não faço ideia: o que fiquei é com a certeza de que há famílias geneticamente posicionadas para o exercício de cargos em autarquias e outras instituições públicas.
E só agora é que andam a discutir a clonagem...
Dupont

Leite marado

A novela Parmalat não pára de surpreender. Agora foi divulgado que o passivo é oito vezes superior ao previsto: "Um comunicado da gigante italiana do agro-alimentar adianta, segunda-feira, dados da auditoria a cargo da PwC (PriceWaterhouseCoopers), indicando um passivo de cerca de 14,3 mil M€, ao invés dos 1,8 mil M€ anunciados pela empresa para os primeiros nove meses de 2003.
Além do passivo, oito vezes superior ao anteriormente estimado, a PwC conclui que o ebitda (resultado bruto operacional) da Parmalat totalizou apenas 121 M€, entre Janeiro e Setembro de 2003, mais de cinco vezes menos quando comparado com os 651 milhões anunciados pela empresa.
Também do lado das receitas, a direcção da Parmalat tinha anunciado 5,38 mil milhões para o mesmo período, mas o valor obtido pela PwC totaliza cerca de 4.000 M€, ou seja menos 25%
".
Entretanto, continua a caça aos milhões escondidos em off-shores...
Dupont

Feher

A morte de Feher chocou-me. De entre tantas pessoas que perecem todos os dias, este caso afecta-nos de forma mais intensa. Feher era um jovem com 24 anos. Feher era um atleta conhecido. Feher era um lutador, seja na prática do seu desporto, seja como homem. Feher era uma pessoa de extrema simpatia. Feher morreu em circunstâncias dramáticas, perante o olhar de milhares de portugueses.
De entre todas as suas características humanas, ficaremos, para sempre, com a recordação do seu último sorriso. Aquele que antecedeu a forma brutal como caiu pela última vez no relvado de Guimarães. Foi um sorriso simples, despretencioso e de fair play, como poucas vezes vemos no futebol. O sorriso do Feher.
Dupond
ADITAMENTO: o website de Feher é aqui.

Ai - Animal irracional - zero

Hoje, a série "animal irracional" sofre a primeira interrupção. Sinceramente, após a notícia da estúpida morte de Feher, não tenho pachorra para escrever uma linha, muito menos com a temática que esta série aborda....
Apenas uma memória: quando veio para Portugal, 'O Jogo' foi à Hungria para entrevistar colegas e treinadores magiares. Feher era rotulado de 'a maior esperança do futebol húngaro". Talvez por isso, foi dos pouco jogadores, de qualquer clube, cuja carreira acompanhei com um mínimo de interesse. E recordo bons jogos que ele fez, nas Antas, sem esquecer o brilharete ao serviço do Braga. O certo é que, se fosse um dos outros jogadores do Benfica, com excepção de Zahovic e Simão Sabrosa, não tinha "material" para, sequer, escrever uma linha...
Dupont

Domingo, Janeiro 25, 2004

1ª Vitória fora

O Rio Ave conseguiu há momentos a primeira vitória fora de casa. Segundo pude ler aqui, ganhamos ao Gil Vicente por 2-1, num jogo disputado em Barcelos. Mais uma vez Evando marcou um golo, sendo que o da vitória ficou a cargo de Junas.
Esta vitória serve para compensar os 4 pontos perdidos em casa nas duas últimas jornadas, levantando assim o moral das tropas, que ameaçava voltar a quebrar.
Depois deste resultado, o Rio Ave fica com 25 pontos, ou seja, a 5 do Maritimo, adversário que receberemos em Vila do Conde na próxima jornada. Se quisermos ver as coisas por outro prisma, estamos a 4 vitórias de garantir a permanência.
Dupond

Felgueiras

Fátima Felgueiras voltou a abrir telejornais. Aproveitando a vitória de causa num recurso feito para o Tribunal Constitucional que lhe restitui o cargo de Presidente da Câmara, Fátima Felgueiras aproveitou para voltar a clamar a sua inocência.
Pela combatividade e forma hábil como utiliza os meus de comunicação social, torna-se evidente que esta mulher de armas irá continuar a ser uma enorme "dor de cabeça" para o nosso lento sistema judicial. Aos meus olhos, que sei pouco do processo, Fátima só não consegue conquistar sentimentos de simpatia porque cometeu um pecado mortal: fugiu.
De qualquer forma, seria bom que todos (os que tem o processo a seu cargo) percebessem que cada dia que passa é mais uma preciosa contribuição para a criação de uma martir. E que Fátima tem jeito para esses papeis, julgo que ninguém tem dúvidas nenhumas.
Dupond

Helmut Newton


Helmut Newton morreu na passada sexta-feira. Não tenho qualquer dúvida: foi um dos melhores fotógrafos do Sec. XX. Capa, Cartier-Bresson, Elliot Erwitt, Bruce Davidson, S.Salgado, Leibovitz, entre muitos outros, são, sem margem para dúvidas, fantásticos. Mas nenhum conseguiu dar mais beleza ao corpo femino do que o que este já tinha. Isso, só Helmut Newton o conseguiu. As suas imagens fazem parte da cultura popular e do nosso imaginário, especialmente o masculino (e heterossexual...). Infelizmente, de muitas delas, nem sequer as ligamos ao autor,como a "They Are Coming", que ilustra este post (atente-se no trocadilho...)
Se o Cinema foi a arte do Século XX, Newton foi dos que lutou para que a fotografia não ficasse atrás.
Pode ver-se alguma coisa aqui, aqui e aqui.
Dupont

Ai - Animal irracional - 9


3 de Dezembro de 2000 - Nesse dia, à noite, nos subúrbios de Brisbane, Austrália, dois homens dirigiram-se a um parque de caravanas automóveis, com a intenção de linchar um terceiro que habitava num dos veículos. Os dois, de 21 e 28 anos, entraram de rompante pelo trailer dentro e atiraram-se ao homem. Aproveitando-se da escuridão a vítima fugiu incólume mas, na confusão que se gerou, os dois atacantes acabaram por se esfaquear um ao outro. O mais novo morreu, enquanto o outro foi para o hospital em estado grave.
Dupont

Cavaco já ganhou!!!

Depois de ler isto, se fosse a Cavaco Silva já dormia descansado, sonhando com a coroa de louros. É que com esta monumental e significativa ajuda, a vitória nas presidenciais já não lhe escapa!!!
Dupont

Sábado, Janeiro 24, 2004

Greve

Conforme é habitual, os números de adesão à greve são muitos diferentes. Segundo a Direcção Geral da Administração Pública, aderiram à paralização cerca de 25% dos funcionários públicos. De acordo com os dados da CGTP, esse número foi de 85%.
Este folclore de números é perfeitamente ridículo. Nunca me esqueço que na anterior greve geral da CGTP, um estudo elaborado pelo Público provou que a adesão não havia sido na ordem dos 90% como dizia a central sindical, mas sim de pouco mais de 10%.
Outro aspecto negativo deste surto grevista, é a enorme insistência no recurso ao direito à greve. Os sindicatos não percebem que de cada greve que fazem, ou que repetem, pelo mesmo motivo, estão a tornar o mecanismo menos eficaz.
É por isso que hoje uma greve já é uma coisa... normal!
Dupond

Nouvelle Cuisine já era…


No Diário de Notícias degustei esta notícia sobre a atribuição da terceira estrela Michelin ao restaurante inglês 'The Fat Duck', cujo chef é Heston Blumenthal. Recorde-se que, em toda a Europa, apenas existem 47 eleitos a exibirem o elitista trio de estrelas do guia gastronómico francês. Como se sabe, a disputa por uma estrelinha no Michelin é muito mais do que uma honra, chegando a ser uma questão de vida ou de morte, como aconteceu recentemente em França, com o suicídio de um chef que baixara de três para duas estrelas... Pelos vistos, a notícia não terá caído lá muito bem no seio dos chefs franceses, pois Heston é seguidor da nova cozinha catalã, que desponta em restaurantes como El Racó de Can Fabes, em San Celoni, e o famoso El Bulli, em Cala Montjoi, onde está o guru desta nova onda, Ferran Adrià. O The Fat Duck está aqui. Uma consulta rápida e ficamos a saber que tem, na sua carta de vinhos, alguns exemplares nacionais, como um Barca Velha de 1991.
Atente-se nesta descrição: “Para se ter uma ideia do tipo de cozinha que pratica no seu restaurante The Fat Duck («O Pato Gordo»), em Bray-on-Thames, Maidenhead, basta dizer que o seu menu-degustação começa com uma mistura de clara de ovo, lima, chá verde e vodka, que é projectada no prato através de uma bomba estilo aerossol num banho de azoto líquido a 196 ºC negativos que forma uma bola crepitante, tipo merengue. A seguir uma ostra envolta numa gelatina de maracujá é perfumada, já no prato, com um spray de essência de alfazema. As «loucuras» prosseguem por mais 20 pratos, que podem incluir uma tosta com trufa impregnada com concentrado de carvalho, risotto de couve-flor polvilhado com chocolate e terminar com uma sobremesa constituída por um gelado de bacon e ovos com compota de tomate e gelatina de chá...
E, para quem pensa que já provou de tudo, poderá ainda saborear, como sobremesa, um sorvete de sardinha… À primeira vista, é preciso tirar um curso de arquitectura para ser cozinheiro desta ‘escola’. Daqui a uns tempos, em vez de estrelas no Guia Michelin, estes visionários gastronómicos ainda se candidatam ao Prémio Pritzker ou mesmo ao Nobel da Química…
Já fui a alguns destes restaurantes com “estrelas”. Uns são excepcionais – o Tony Vicente, em Santiago de Compostela, por exemplo – mas outros recordam a história do “rei vai nú”… Não é à toa que o José Quitério, do Expresso, chama a este guia “O Miquelino”… A quem lá for, não gostar e tiver receio de emitir opinião, com medo de ser trucidado por algum intelectual do ramo, recomendo as sábias palavras do imortal George Bernard Shaw: “não é preciso ser cozinheiro para saber se a comida está boa…
Dupont

Ai - Animal irracional - 8


1996 – A Polícia de Toronto noticiou que um advogado, querendo demonstrar a resistência do vidro de uma janela de um dos arranha-céus do centro da cidade, acabou por partir o vidro e cair de uma altura de vinte e quatro andares. O causídico estava a fazer força, usando o ombro, quando o vidro se partiu. Na altura, o advogado demonstrava a resistência do material a um grupo de estudantes de Direito, em visita àquele gabinete de advogados, algo que ele já fizera inúmeras vezes. Segundo um colega de escritório, o falecido era um dos melhores e mais brilhantes membros daquela sociedade de advogados, com cerca de 200 elementos. Podia ser, mas nós duvidamos.
Dupont

Revista de Opinião vila-condense

Hoje, dois artigos merecem destaque no suplemento de Vila do Conde de O Primeiro de Janeiro:
- Sérgio Vinagre escreve sobre a Greve da Função Pública.
- Carlos Laranja – sobre o PSD local.
O artigo de Carlos Laranja merece alguma reflexão. Contrariamente ao estilo monótono, panfletário e de seguidismo político que é seu timbre, o assessor de imprensa da Câmara Municipal de Vila do Conde assina, aqui, um texto equilibrado e bem construído, usando inteligentemente argumentação estritamente política. Esperemos que esta excepção se torne regra. Ganhava ele e, especialmente, todos nós.
Dupont

Sexta-feira, Janeiro 23, 2004

Return of the MEC!!!


Miguel Esteves Cardoso está de volta às suas origens. Cerca de 20 anos após as suas crónicas "Escrítica Pop", MEC volta a escrever regularmente sobre música que é onde ele realmente se excede. Como escritor, por exemplo, é confrangedor...Para já, pousou no Blitz, com uma coluna (quase duas páginas...) intitulada "Rescrítica Pop".
Sempre gostei do personagem MEC. Era leitor assíduo das suas crónicas, fossem elas no Se7e, na Música & Som, no Expresso, n'O Independente, na KAPA, e noutros pedaços de papel que tiveram o seu momento de glória quando viram, em si, impressas as linhas mais corrosivas, certeiras e divertidas da imprensa portuguesa.
Com ele descobri bandas como os Joy Division/New Order, os Durutti Column, os Echo & The Bummymen e uma infinidade de outras, algumas sepultadas para sempre na 'vala comum' do vinil, mas outras ressuscitadas para o maravilhoso mundo digital. Com MEC, Manchester entrou para as referências de uma juventude que sonhava muito mais em ir lá para entrar, dançar e consumir, sabe-se lá bem o quê, na Factory, do que propriamente para ir a Old Trafford ver o United jogar... Bons tempos estes, em que o Rock Alternativo é que estava 'a dar', embora arrastasse algum elitismo, nomeadamente em projectos do tipo "4AD".
A este propósito, bem divertida a história que MEC narra nesta sua primeira crónica, quando foi enviado pelo Expresso para almoçar com Chico Buarque. Mal se senta avisa: "Eu desprezo a música brasileira. (...) Eu só gosto dos Joy Division e tenho vergonha de estar aqui. Sugiro que almocemos sem trocar palavra". E assim foi, durante um par de horas... Dois anos depois, MEC descobriria a obra do intérprete e autor que tão preconceituosamente desdenhara e render-se-ia ao génio do brasileiro.
Este primeiro artigo soa muito a acto de contrição. MEC revela que gostaria de alterar algumas das classificações que atribuiu a discos e bandas, no início dos anos 80, revelando que, às vezes, ainda se engana. Recorda o erro que foi, então, aplaudir Kid Creole & The Coconuts, como agora foi deixar-se enredar pelos Tindersticks.
Por tudo isto é que certamente intitulou este seu primeiro artig: "o momento da música nunca é este".
Welcome back, MEC.
Dupont

Ai - Animal irracional - 7


16 de Março de 2003 - Ignorando avisos da Guarda Costeira, D.M. aventurou-se pela superfície gelada da baía Saginaw, no Michigan, EUA, com a sua pick-up, numa manhã que começara igualmente gélida. Previsivelmente, o veículo acabou por partir o gelo, mas D.M., de 41 anos, conseguiu evitar a tragédia, saindo antes da pick-up se afundar, conseguindo nadar e chegando, enregelado, à margem.
Apesar desta experiência traumática, e não ligando ao dia que se apresentava cálido e soalheiro, D.M. voltou ao mesmo lago, nesse mesmo dia, mas à noite. Desta vez, guiava um jipe e estava acompanhado por um amigo. Pouco depois, também o 4x4 se afundava nas águas do lago. O pendura sobreviveu. D.M. é que não. Tinha gasto toda a sua sorte nessa manhã.
Dupont

Angoulême 2004


O mais importante salão de Banda Desenhada, que anualmente faz reunir em Angoulême a nata da BD europeia, já atribuiu os prémios deste ano, que poderão ser vistos aqui. O vencedor foi o álbum "Le Combat ordinaire", de Manu Larcenet, ainda sem edição nacional.
Dupont

Quinta-feira, Janeiro 22, 2004

Sentimentos cor-de-rosa


A blogosfera está efervescente com o mais genialmente patético blog dos últimos tempos: Possibilidade do Sentir, da intelectual Anabela Mota Ribeiro. O MataMouros rebola-se de riso, a lolita e o paco do Blogame Mucho não param de escrever, o Glória Fácil ficou sem fala, o 'para mim tanto faz' delira, enfim, um fartote de riso...
A melhor tirada talvez seja esta: "Passei a noite a ler a "Odisseia" de Homero na versão original em grego. Apesar de ser uma língua que desconheço de todo, foi uma experiência emocionante. Os traços retorcidos do alfabeto helénico são testemunho de milénios de história da civilização de que somos filhos. Dá que pensar". Tão boa que até parece invenção...
Piada, mesmo, era se isto fosse mais uma brincadeira inventada pelo brilhante gabinete de advogados que conseguiu fazer com que José Maria Martins e o Expresso acreditassem que o primeiro iria ser advogado de Saddam...
Dupont

Recursos

O Presidente da República Portuguesa, Jorge Sampaio, propôs a criação de uma nova instância de recurso judicial. Em concreto, o mais alto magistrado da nação pretende que os cidadãos possam recorrer directamente para o Tribunal Constitucional em determinadas circunstâncias.
Eu, que não percebo nada disto, pergunto: "Oh pá, mais um recurso, pá? Não temos já artificios suficientes, pá, para emperrar o sistema, pá?".
Dupond

Greve

Amanhã há greve nacional da função pública. Com grande probabilidade, esta será a maior greve desde que este Governo iniciou funções. As razões são várias:
1.- A greve surge poucos dias após ter sido confirmada pelo Governo a decisão de congelar, pelo segundo ano consecutivo, os salários de grande parte dos funcionários.
2.- Os portugueses continuam sem sentir melhorias na situação económica geral.
3.- Uma greve à Sexta-feira é uma tentação.
Já se percebeu que o Governo não é muito sensível a greves. Por isso mesmo, o que interessa aqui avaliar é como irá o executivo de Durão Barroso resistir nos próximos tempos. Ou seja, é preciso estarmos atentos e ver se o Governo mantem a firmeza das suas posições até chegar a anunciada retoma. Se conseguir, terá o caminho facilitado para as legislativas de 2006. Se não aguentar nesta fase difícil, tudo pode acontecer!
Dupond

Comboio feliz


A notícia não é nova, pois já saiu no Público, na sua edição do dia 17: as automotoras da Linha da Póvoa continuam ao serviço. Só que na República dos Camarões. Como se pode ver na notícia, as automotoras são usadas para ligar as duas principais cidades do país, Douala e Yaoundé, percorrendo 290 Km em quatro horas.
Ah, como me lembro destas composições... Amplas e confortáveis, seguras e discretas e quase sempre pontuais, foram incontáveis as vezes que nelas viajei. Primeiro com bilhete, sempre de ida-e-volta (tenho alergia a filas...), depois com passe simples e, finalmente, com o must dos passes sociais: um único cartão a combinar os serviços da CP e dos STCP. Quantas vezes não madruguei, ainda noite cerrada, para ‘apanhar o comboio’... De manhã, a viagem fazia-se, invariavelmente, de pé, por falta de lugar ou por educação. A fauna era incrivelmente diversa: trolhas, estudantes, magalas, costureiras, mangas de alpaca, enfim, havia de tudo. O importante era ninguém enjoar, o que acontecia com alguma frequência, especialmente com os miúdos, chorando sobre o leite com Cola Cao derramado... No regresso, tudo se repetia, excepto se fosse logo ao início da tarde, quando tudo era mais calmo e sempre se estudava alguma coisa, ou se lia o jornal relaxadamente. Outra vantagem era a de não ter que se parar nos três apeadeiros entre as estações de ‘Avenida de França’ e ‘Senhora da Hora’.
É bom ver que estas carruagens-automotoras não morreram e que ainda há quem lhes dê vida. Uma vida nova, com pessoas diferentes e com paisagens novas, certamente mais coloridas do que as que ladeavam a Linha da Póvoa. Bem merecem este novo fôlego.
Dupont

Mystic River


Já vi “Mystic River” há algum tempo, mas só agora assentei ideias sobre um dos melhores filmes que vi nos últimos tempos. Se não é o melhor Eastwood, andará, certamente, muito lá perto.
O filme conta a história de três amigos, separados pelas contingências da vida e que se reúnem, vinte e cinco anos depois, por força de um acontecimento dramático. Mas a história inicia-se com um flashback, quando três miúdos estão a jogar hóquei numa rua de um zona suburbana de Boston, sendo abordados por desconhecidos, acabando um deles por ser vítima de abusos sexuais. Fast forward para a actualidade, onde todos os três já estão casados e com filhos. Um é polícia (Kevin Bacon) e está com problemas matrimoniais, outro – o abusado - está desempregado (Tim Robbins) e um terceiro é comerciante e gangster local (Sean Penn). A filha deste último aparece morta. O primeiro é o polícia-investigador, o segundo é o principal suspeito e o terceiro anseia por vingança.
O trabalho dos actores é soberbo, com destaque para a raiva de Sean Penn, oscilando entre a contenção e a explosão. Inesquecível o momento em que ele coloca o vestido, muito lentamente, por cima do corpo morto da sua filha, como se fosse o último presente do seu pai... Eastwood está seguríssimo e garante a solidez no desenvolvimento da história. Registe-se um recurso abundante à montagem paralela que, por duas vezes, atinge momentos de pura genialidade: quando evoca a cena final d’O Padrinho, em que a acção alterna entre a perturbação de Sean Penn, na igreja e a procura do cadáver da filha por parte da polícia; e no crescendo para o desenlace final, em que os planos variam entre a história do verdadeiro e a do falso culpado.
À primeira vista, o enredo até pode parecer linear. Mas as interpretações e o inter-relacionamento entre as personagens dão-lhe uma profundidade pouco vista no actual cinema, especialmente no americano. São vários os temas que se cruzam mas o destaque vai, por um lado, para a pedofilia e os seus efeitos na personalidade das vítimas e, por outro, os perigos da justiça pelas feita pelas próprias mãos.
A pedofilia é vista, aqui, sob o prisma da vítima. Os seus fantasmas, os seus medos, os seus pesadelos, que acabam, tragicamente, por influenciar o destino do personagem, alguém eternamente vítima. Uma outra questão é o problema de fazer justiça pelas próprias mãos, ou seja, a falta de fiabilidade do julgamento sumário e precipitado. Vejo aqui alguns registos auto-biográficos do realizador Clint Eastwood, alguém que fez carreira interpretando personagens de legalidade e méritos duvidosos como o inspector Dirty Harry e os inúmeros lonesome cowboys em incontáveis westerns. Aliás, Eastwood já tinha ido pelo caminho do arrependimento, nesse filme maior que dá pelo nome de ‘Imperdoável’
Mas, por “Mystic River”, perpassa um sem número de outras referências, a começar na fluvial, do título. O rio é, quase sempre, uma metáfora da vida. Tal como cada dia passa e não volta, também “a água de um rio não passa duas vezes no mesmo sítio”, como referiu Platão, sem esquecer que segue, de forma inexorável, um caminho irreversível. Veja-se que Sean Penn elimina as suas vítimas, mesmo à beira-rio, como se o local expiasse os pecados, qual re-baptismo...
São várias as referências ao ‘rio’ na mitologia e na arte, mas permite-me citar, mais uma vez, o herdeiro da ‘Voz da América’ e companheiro de muitas noites solitárias, Bruce Springsteen, naquele que é uma das suas melhores composições, precisamente “The River”.
É claro que a presença do elemento ‘água’ poderá ter, ainda, uma outra leitura, basta atentar na literalidade do título. Como é sabido, o debaixo de água e o acima de água são usados, muitas vezes, para expressar, respectivamente, o inconsciente e o consciente. Talvez por isso, no plano final, voemos por cima do rio e o écran escureça, definitivamente, no preciso momento em que mergulhamos, como que a dizer-nos o quão escura pode ser a mente humana. Nisso, Eastwood só fica a perder para David Lynch.
Dupont

Ai - Animal irracional - 6


31 de Agosto de 1995 - Seis pessoas morreram numa cidade do sudoeste do Egipto, quando tentavam salvar uma galinha que havia caído a um poço. Um agricultor de 18 anos foi o primeiro a descer ao poço, com 60 pés de profundidade. Afogou-se, depois de, aparentemente, ter sido apanhado numa corrente subterrânea. A irmã e dois irmãos foram em seu socorro, mas acabaram levados pela mesma corrente, segundo informou a polícia. Apareceram, então, mais dois agricultores, já de certa idade, que tentaram ajudar mas tiveram o mesmo destino. Quando retiraram os corpos dos seis infelizes também trouxeram a galinha. Que estava viva e de boa saúde...
Dupont

Quarta-feira, Janeiro 21, 2004

Os outros que decidam…


Vital Moreira e Teresa de Sousa apresentaram dois artigos, no Público, com uma estrutura de raciocínio similar. Tão similar que, na versão impressa, está um nas costas do outro...
Vital Moreira aborda a questão da liberdade de imprensa versus segredo de justiça. O articulista é sensível às duas posições: “Por um lado, parece evidente que segredo de justiça não tem a mínima eficácia se não obrigar os jornalistas. Por outro lado, o segredo de justiça só pode vincular os jornalistas se isso não implicar uma limitação desmesurada da liberdade de informação. Estamos perante um típico conflito de valores constitucionalmente protegidos. Na verdade, a Constituição protege tanto o segredo de justiça como a liberdade de informação em geral e a liberdade de imprensa em especial. Torna-se por isso necessário compatibilizar ambos os valores, em termos de saber se e em que termos é que um deles prevalece, no todo ou em parte, sobre o outro”. A solução apresentada pelo constitucionalista assenta em dois pontos: “Primeiro, proceder a uma redução drástica do âmbito temporal e processual do segredo de justiça, de modo a limitá-lo ao mínimo necessário. Depois, admitir uma margem de apreciação judicial em cada caso”. Em suma, altera-se a lei, reduzindo a sua amplitude e deixa-se ao juiz definir o que é e o que não é legal.
Teresa de Sousa está preocupada com as recentes proibições francesas da exibição e uso de símbolos religiosos nas escolas. A articulista é sensível às duas posições: “a mistura de culturas e de religiões que é hoje a realidade das democracias ocidentais, aceitando a não integração das comunidades de imigrantes e respeitando a regra segundo a qual cada um vive como quer, desde que a sua liberdade não colida com a liberdade dos outros” e “Mas há certamente um limite para a liberdade religiosa, que é o respeito pelo conjunto de regras gerais estabelecidas por um Estado de direito democrático - a "partitura democrática" que todas as religiões têm a obrigação de tocar, como escrevia há dias Fernando Savater -, que devem garantir muitas outras liberdades fundamentais igualmente sagradas. Isso implica, em primeiro lugar, que não pode haver complacência para com aqueles que, a coberto da liberdade religiosa, tentam subverter outros direitos igualmente fundamentais”. A solução apresentada por Teresa de Sousa não é da sua lavra, mas ela subscreve-a: “Como defendem algumas vozes ponderadas, a melhor solução talvez fosse deixar às escolas ou às comunidades onde se inserem a escolha do melhor caminho a seguir”. Em suma, as bases que decidam.
Ambos identificam problemas, delimitam as posições antagónicas e o que é que propõe? Nada! Rigorosamente nada. Limitam-se a remeter para o sistema (judicial e escolar, respectivamente) que tratará de digerir as questões. Ora, nós tivemos em Portugal um exemplo, longo de seis anos, em como isto só traz desvantagens. O Eng. Guterres rotulava de “diálogo” esta técnica. Eu chamo-lhe “sacudir a água do capote”. O que está em causa é a resolução de problemas fundamentais, umbilicalmente ligados a princípios básicos. A definição do que está correcto, ou incorrecto, tem de vir de cima e nunca de baixo. Sob pena de se estar a inverter a ordem de valores. Afinal, a Constituição e os seus princípios são, ou não, a lei primeira de cada Estado?
Dupont

Ai – Animal irracional – 5


Março de 2001 – No Gana, as lutas tribais são muito comuns, especialmente na parte norte do País. Muitos guerreiros recorrem à feitiçaria na esperança de se tornarem invulneráveis às balas inimigas. Foi esta a ideia que A., de 23 anos, e mais quinze amigos tiveram: compraram uma “poção mágica” a um feiticeiro e, durante quinze dias, banharam-se no dito encantamento.
Chegou então a altura de tirar a limpo a eficácia do produto que haviam adquirido. A. prontificou-se imediatamente. Colocou-se sozinho a uma distância razoável e os amigos apontaram e dispararam.
Hoje, A. vagueia pela Grande Savana do Céu. Quanto ao feiticeiro, foi espancado pelos quinze atiradores.
É coisa que não se faz, vender uma poção que não funciona…
Dupont

Cyberfutebol


Esta notícia do Público online deixou-me perplexo. Na Bélgica, o guarda-redes do Genk (ou Gant) usou auscultadores para receber instruções do treinador. A Federação Belga e a UEFA estão a estudar o assunto.
Acho execrável esta ideia. E não tem nada a ver com purismos… O que se passa é que o futebol é um jogo que se desenrola dentro de quatro linhas brancas. Durante aqueles 90 minutos, os 22 protagonistas têm o mundo espacialmente delimitado. Ali lutam, jogam, tropeçam, sofrem desaires e exultam com as vitórias. Ali dentro e em mais lugar nenhum. A introdução de elementos exteriores ao jogo, vicia completamente o espírito do mesmo. Aliás, quem já se deu ao trabalho de ver um jogo de futebol ao nível do relvado, verá que é complicado perceber a colocação dos jogadores e a estratégia das movimentações. Há toda uma dificuldade que faz parte e enobrece o jogo. Retirá-la, é matar o futebol.
O que teremos a seguir? Um treinador a dar instruções à defesa, outro ao meio campo e, ainda outro, ao ataque? E será isto futebol?
Dupont

Terça-feira, Janeiro 20, 2004

5000 !!!


Hoje, um visitante proveniente deste enderço - "http://blo.gs/2097/favorites.html - teve a honra de ver o seu passaporte carimbado com o nº5000 de "O Vilacondense". As pageviews é que parecem o F.C. Porto na Superliga: vão quase em 14.000. Temos leitores muito fiéis, não haja dúvida.
Dupond & Dupont

David Seaman


Após lesionar-se com alguma gravidade, o eterno guarda-redes da selecção inglesa anunciou que se irá retirar, não participando no Euro-2004.
Com o seu bigode pouco british, a lembrar vagamente Freddie Mercury, Seaman foi daqueles jogadores que o público se habituou a ver como símbolo e imagem do guarda-redes britânico. Actualmente, com 40 anos, estava no Manchester City, depois de treze anos a defender as redes do Arsenal. E, claro, foi ele quem sofreu os três golos de Portugal no último europeu...
Menos uma estrela a brilhar em Portugal…
Dupont

Ai – Animal irracional – 4


13 de Julho de 1997 – Um jovem de 22 anos, da cidade de Reston, na Virgínia, EUA, resolveu saltar de uma ponte de caminho de ferro usando cordas de bungee-jumping. Mediu a distância até ao solo e colocou uma corda com alguns metros menos do que a distância total entre o cimo da ponte e o chão. Prendeu uma extremidade a um pé e a outra à ‘railway bridge’. Atirou-se de cabeça e segundos depois esborrachava-se no chão. “O problema”, comentou a polícia de Fairfax, "é que ele esqueceu-se de prever que, com o peso do seu corpo, a corda esticaria muito mais do que a distância entre o cimo da ponte e o chão”.
Dupont

Júlio Iglesias Sr.


Júlio Iglesias, o pai do latin lover com o mesmo nome e avô da pop-star Enrique Iglesias, anunciou ao Mundo que irá ser novamente pai. Não seria notícia se o futuro papá não tivesse 87 anos! A senhora Iglésias, essa nem metade da idade ostenta no BI: apenas 40. O mais curioso é que o Dr. Iglésias, médico de profissão, afirma que não precisou de tratamento nenhum, mas Ronna, a sua esposa, é que sim.
Apesar disso, um jornalista do Sunday-Times, mauzinho, já propôs o nome para o bebé, no caso de ser menina: “Viagra!”
Dupont

Cultura geral…


Esta quase podia ir para a “Ai-Animal irracional”... A menina da esquerda, a segurar a flauta, chama-se Alyson Hannigan e é uma das protagonistas de uma das séries de filmes mais idiotas que Hollywood regurgitou nos últimos tempos: American Pie. Pelos vistos, os actores estão ao nível. Em Londres, para promover a terceira fornada de ‘tortas americanas’, foi-lhe perguntado o que achava da cidade: “É como um livro de História, com muitos edifícios construídos antes de 1980”.
Dupont

Segunda-feira, Janeiro 19, 2004

Ai - Animal irracional - 3


25 de Maio de 1999 - Em Kiev, um pescador morreu electrocutado enquanto pescava no rio Tereblya, pois a técnica por si escolhida para apanhar peixe foi-lhe fatal. Este ucraniano resolveu trazer de sua casa cabos de energia eléctrica, que enfiou no rio. Depois de ligar a energia, verificou que os peixes realmente estavam mortos. Abaixou-se para os apanhar, mas esqueceu-se de, previamente, desligar a corrente... Uma ideia electrizante.
Em 9 de Janeiro desse ano, registou-se uma história semelhante, na cidade chinesa de Pingtung, onde um pescador morreu intoxicado após ingerir peixe contaminado com produtos tóxicos que o próprio havia lançado à água para matar... os peixes.
Dupont

Cary Grant – 100 anos


Fez ontem cem anos que nasceu ‘the perfect gentleman’. São raros os actores que entusiasmam tanto ambos os sexos. Eles, porque gostavam de ter o look 'cool' e sofisticado do actor; elas, porque sim...
Casou cinco vezes, embora se fala de um sexto matrimónio, com um actor por quem nutriria mais do que amizade. Como foi coisa que não passou dos mexericos, não merecerá a credibilidade que têm os seus penta-matrimónios e as plurímas infidelidades, todas elas públicas...
Protagonizou dezenas de filmes, foi nomeado duas vezes para o Óscar de melhor actor principal, mas não venceu. Em 1970 ser-lhe-i atribuído um, mas honorário.
Quando me falam de Cary Grant, vejo-o sempre na pele de Roger Thornhill, a correr sozinho por um descampado, em plano frontal, perseguido por uma avioneta assassina, nesse genial momento de “Intriga Internacional/North by Northwest”, de Alfred Hitchcock. Aliás, o realizador britânico foi quem melhor partido dele tirou, em filmes como ‘Ladrão de Casaca/To Catch a Thief’ ou ‘Notorious’ ... Fundamentais foram, ainda, ‘Only Angels Have Wings’ e “O Grande Escândalo/His Girl Friday” de Howard Hawks, outro dos mestres que ajudaram a que Cary Grant também fosse personagem, sem esquecer a comédia “O Mundo é um Manicómio/Arsenic & Old Lace”, de Frank Capra. Já no fim de carreira ainda interpretou ‘Charada’, de Stanley Donen, ao lado do seu contraponto feminino em elegência, Audrey Hepburn.
Como ele gostava de dizer: “Limito-me a interpretar a mim mesmo”.
Dupont

Robinson-Selkirk


No Pacífico, por alturas do Chile e do Peru, há uma ilha chilena conhecida por ‘Juan Fernandez’. Em Outubro de 1704, o escocês Alexander Selkirk foi ali abandonado pelo capitão Stradling, comandante do barco ‘Cinque Ports Galley’, cansado das suas amotinações. Era uma ilha perdida no imenso oceano, propícia a ser esconderijo e refúgio de piratas. Ali viveu quatro anos. Alimentou-se do único vertebrado da ilha, as cabras, e do que o mar lhe dava: crustáceos e peixe. Haveria de ser recolhido pelo navio 'Duke', comandado por Woodes Roger, que o trouxe de volta a Inglaterra. Ali, tratou de recuperar o tempo perdido e começou a contar a sua história, que rapidamente correu o reino, entretanto misturada com outras, nomeadamente a de Henry Pitman, um médico deportado para as ilhas Barbados. Até que, em 1719, Daniel Defoe escreve “Vida e estranhas e surpreendentes aventuras de Robinson Crusoe”. E Alexander Selkirk tornou-se imortal. A ilha, essa, continua presa ao passada, fruto do desinteresse político e da falta de capacidade dos locais.
Foi neste pedaço de terra que, sozinho, Selkirk aprendeu o valor da vida. Foi lendo a sua história que milhões de jovens, como eu, atravessaram a adolescência e mergulharam na vida adulta. Se fosse crente, poderia dizer que “são insondáveis os caminhos do Senhor”.
Dupont

Mais um empate

O Rio Ave empatou o jogo de ontem com o Moreirense. Quem lá esteve, como eu, ficou a sensação de que a nossa equipa está tímida demais. Não se compreende o porquê de uma equipa como a nossa, que sabe trocar bem a bola, não seja mais atrevida no ataque.
O empate é um resultado perfeitamente aceitável perante aquilo que ambas as equipas fizeram. O Rio Ave poderia ter marcado mais um golo perto do final da partida, quando estava a fazer uma grande pressão sobre a defesa do Moreirense. Do outro lado, o Moreirense também teve uma ou duas situações de grande perigo junto da nossa baliza, que só por sorte não resultaram em golo.
Por tudo isso, o empate é justo. Mas não é bom para nós, já que o Rio Ave tem de conseguir vencer em casa os jogos com as equipas do seu campeonato. Os empates de ontem e da jornada anterior com o Nacional são muito comprometedores. Não nos podemos esquecer que estamos numa posição confortável na classificação porque ganhamos muitos jogos em casa na primeira volta. Se não os ganharmos, a coisa complica-se.
Dupond

Domingo, Janeiro 18, 2004

Hélder Postiga


O nosso conterrâneo Hélder Postiga marcou o seu primeiro golo ao serviço do Totenham, para a Premier League. No encontro que opôs os Hotspurs ao Liverpool, os londrinos venceram por 2-1, com Postiga a marcar o segundo. Para o Sunday Times "Postiga simply looked like the most relieved man in north London". Aliás, o ex-avançado do FC Porto é que "faz" o título da notícia, enquadrada por uma enorme foto sua: "Postiga off mark to lift Spurs"
Dupont

Ai - Animal irracional - 2


23 de Janeiro de 2003 - M.C. era o reponsável pela lavagem dos auto-tanques, numa empresa de transportes brasileira. Nesse dia, ele tinha que lavar os reservatórios de gás. O processo até era simples: tinha de se encher o tanque com água, ficando garantida a expulsão dos vapores residuais de gás. Como um dos depósitos demorava a encher, M.C. subiu ao camião e foi espreitar. Como não via nada, e esquecendo o porquê de ter de seguir com aquele procedimento, resolveu acender um isqueiro. E concluiu imediatamente que ainda não havia água suficiente, pois a explosão atirou-o pelo ar, a cem metros de distância.
Dupont

Eles andam por aí...


Quem pensava que, com a queda do Império Soviético, todos os símbolos do regime também caíriam, desengane-se. A foice e o martelo já eram, mas o "Pravda" continua. Mais: está online. E, agora, repare-se neste pormenor: tem apenas duas edições internacionais - em inglês e em...português. Isso mesmo, em português.
E perguntarão: "Ó Dupont, conta lá quem são os dinossauros do PCP que aguentam o projecto?" Ora, meus caros leitores, aí é que está o mais interessante. Não são do PCP. São do Bloco de Esquerda!!! As notícias de Portugal quase parecem um boletim propagandístico na melhor tradição da URSS. Por exemplo: "CASA PIA -Segue intervenção que Francisco Louçã fez hoje no Parlamento... " e os adversários (ou inimigos?) são conhecidos por nomes estranhos:"Apresentação ao José Barroso um cabaz de Natal com os nomes das empresas que faliram durante o seu termo como Primeiro-Ministro"...
É verdade. A "cassete", as ideias sobre um mundo sem classes, o inimigo capitalismo, enfim tudo serve para atacar, ao melhor estilo propagandístico da velha URSS: "". Fica assim explicado porque é que o BE tem vindo a sugar votos ao PCP. É que os verdadeiros comunistas não estão para aturar Carvalhas de fato e fravata. Preferem o blaser/camisa de Louçã e Rosas...
Só uma curiosidade final: da sanha anti-capitalista nem o Pai Natal escapa - "pai Noel, Pai Natal, Santa Claus se baseiam no Santo Padroeiro da Rússia..."
Dupont

Rebuçados do Dr. Bayard

A 'Grande Reportagem' de ontem trazia um artigo sobre os "rebuçados dr. Bayard". Quem é que não os conhece? A história é curiosa. O fundador da empresa Álvaro Justino Matias, tornou-se amigo de um 'doutor' francês, refugiado em Lisboa durante a II Guerra Mundial. Na hora da partida, o doutor ofereceu-lhe umas caixas com a imagem de um senhor a tossir e um pedaço de papel com a receita de uns rebuçados que o francês fazia, lá na terra, e que eram bons para gripes e constipações. A receita repousou durante quatro anos no fundo de uma gaveta, até que, em 1949, Álvaro Matias decide produzir os ditos reuçados. Pouco depois já vendia seis quilos diários. Hoje, são quatro toneladas todos os dias, com a produção a reduzir-se a metade por alturas do Verão.
No início do mês falávamos da marca espanhola Chupa-Chups. Agora, é a vez da doçaria nacional. Mas, "os rebuçados peitorais do Dr. Bayard" são muito mais do que simples guloseimas. São uma referência na memória, ao lado de marcas como a pasta medicinal Couto, a Maizena, os rebuçados S.Brás, entre outros.
Dupont

Sábado, Janeiro 17, 2004

Ai - Animal irracional - 1

27 de Outubro de 2000 - Um grupo religioso, dissidente das Testemunhas de Jeová, que tem por hábito testar a Fé dos seus membros colocando-os, imóveis, no meio de estradas e autoestradas, perdeu um dos seus acólitos, na Interestadual 55, no Estado de Illinois, EUA. Enquanto este tentava evangelizar os motoristas que ali circulavam, foi atropelado por um camião. Não era a primeira vez que ele ali pregava, mas foi, com toda a certeza, a última...
Dupont

Novos links

Adicionamos alguns links novos. Nos caseiros já lá estão 'O Burro do Bolas', 'Ouriço Cacheiro', 'Passarola Voadora Média' e 'Rio Ave Futebol Clube'. Nos genéricos, as novas "aquisições" são: o 'Alandroal', 'Aliança Nacional', 'Blogacha Maria', 'Cabo Raso', 'Causa Nossa', 'Descrédito', 'El Coronel', 'Encapuzado Extraordinário', 'A Forma do Jazz a Vir', 'Murmúrios do Silêncio', 'Nortadas', 'Paz na Estrada', 'Pick Pocket' e 'Viva Espanha'.
Dupond & Dupont

Feito inédito

O Jornal de Vila do Conde conseguiu na sua edição de Quinta-feira passada um feito inédito: apresenta uma "reportagem" sobre todas as 30 Assembleias de Freguesia realizadas ao longo do concelho no mês de Dezembro.
Não comentando o conteúdo, este simples facto merece ser realçado e valorisado. Por um lado pela concorrência jornalistica (Terras do Ave) e por outro lado pela implicação política. Sabendo-se da ligação do JVC ao PS (numa das últimas edições confirmou que parte do trabalho de execução é feito dentro da sede do PS, no Largo dos Artistas), este facto mostra a forma como a máquina socialista está a trabalhar.
Dupond

Blogueiros erráticos

Amanhã completa-se um mês desde o último post escrito pelo Fer n'O Burro do Bolas'. Como já o dissemos aqui, aquele blog conseguiu, com os seus únicos 6 posts, conquistar a nossa simpatia e apreço pela forma mordaz e divertida com que o autor redigia as prosas.
Infelizmente, está parado desde 18 de Dezembro. Já ouvi dizer que alguns "estudos" indicam que o tempo médio de vida de um blog são 3 meses. Não sei se é verdade, mas acredito que sim.
Fazer um blog é um impulso comunicacional que pode dar a qualquer um, muito especialmente aqueles que tem bom relacionamento com as tecnologias de informação. Não faltam ideias para os primeiros textos. No entanto, com o andar do tempo a vontade vai esmorecendo e pode dar-se o risco de o autor sentir o peso do "compromisso" de actualizar conteúdos, o que mata muitos dos blogues.
Não sei se foi isso que aconteceu com o Fer. Acredito que os compromissos profissionais em que está envolvido lhe impeçam uma vinda mais regular. Mas se ele nos vir, deixamos-lhe um apelo para que volte.
Fer, a blogosfera Vilacondense precisa de ti!
Dupond

A racionalidade de António Costa

António Costa, tido por muitos como um possível sucessor de Ferro Rodrigues, está de malas aviadas para Estrasburgo. Segundo disse à Lusa, Costa apontou a "racionalidade do debate" existente no Parlamento Europeu em contraponto com o que acontece na Assembleia da República para justificar a sua decisão.
Expliquem-me uma coisa: Este Costa é o líder da Bancada do PS, e por essa via um dos que mais condicionam a "racionalidade" dos debates na Assembleia da República, não é?
Dupond

Sexta-feira, Janeiro 16, 2004

Teoria da Conspiração


Estão a ver este popó? É um VW Phaeton W12, com 4291 cc e 313 cavalos. É a viatura oficial do nosso Primeiro-Ministro. Segundo a revista 'Turbo', custa €145.475. Quase 30.000 contos. OK, trata-se do chefe do Governo e há que dar dignidade a estas coisas...
Mas quem é o Primeiro-Ministro? Durão Barroso. E quem é o representante da VW em Portugal? A SIVA. E quem é o dono da SIVA? O Pereira Coutinho. Espera lá, onde é que o Durão foi passar o reveillon no ano passado? Ao Brasil, à ilha do... Como era mesmo o nome dele?
Dupont

Vender sonhos


Gosto da revista ‘Turbo’. Até tem lá o Adriano Cerqueira que, quando comecei a prestar atenção a estas coisas dos carros, já lá vai um quarto de século (ai!...) era o director da extinta Auto-Mundo, que comprava e coleccionava, religiosamente... A 'Turbo' não será tão volumosa, nem terá tanta informação como as que nos chegam via importação, mas é um magazine com excelentes imagens e artigos nada tendenciosos. Mas nós também não somos fabricantes. Digo isto porque, há uns anos, juntamente com mais dois colegas apaixonados por automóveis, fazíamos a contabilidade dos carros franceses que ganhavam os testes comparativos na ‘L’Automobille’. Claro que era raro uma viatura gaulesa perder...
O que sempre me fascinou nas revistas de automóveis é o jogo que se estabelece com o apaixonado por carros. Esta edição da ‘Turbo’ é um soberbo exemplo. Na capa alerta-se para “O melhor desportivo do ano”. Como se pode ver, a imagem mostra o cortejo dos concorrentes, com um enorme destaque ao Ferrari 360 CS, o Stradale. Ou seja, “compre a Turbo, compre um sonho”. Avançando, temos a reportagem sobre o ‘Salão Automóvel de Detroit’, com destaque tremendo às caríssimas novidades das marcas europeias Mercedes, BMW, SAAB e Range Rover. Segue-se o novo Ferrari 612 Scaglietti. Depois, o tal teste, com Porsches, BMWs, Ferraris, q.b. ( o vencedor foi o Opel Speedster...).
A partir daqui é quase sempre a descer degraus: Honda Accord 2.2 i-ctdi sport, BMW X3, VW Touareg R5, VW Paheton tdi, Hyundai Getz 1.5 e Nissan Micra 1.5, Fiat Ideia 1.3, Peugeot 307 1.4, Daihatsu Cuore 1.0...
A ideia não é exclusiva das revistas de automóveis. Nas de viagens, por exemplo, a capa e as primeiras reportagens vão para “as viagens de sonho” e só depois aparecem as viagens económicas, os fins-de-semana e as ‘escapadelas’.
Isto faz-me lembrar uma piada, que vi na saudosa série ‘Pickett Fences’. Dizia um dos personagens, um impagável advogado, bastante idoso mas extremamente sagaz, que só assinava duas revistas: a National Gegraphic e a Playboy. E explicava: “é para poder ver os sítios onde nunca irei...
Dupont

"Póvoa da Vila"

A sugestão do Trenguices mereceu vários posts (além dos 'comentários'). Vale a pena dar uma vista de olhos. Para já, além de nós, pronunciaram-se o Lápis de Cor, o Vila do Conde Quasi-Diário e o rioave. Se soubermos de outros, aditaremos aqui e não em novo post.
Um destaque muito especial para esta brilhante posta do besugo, no Blogame Mucho.
Dupont

Revista da Opinião vila-condense

Em Vila do Conde, opinião publicada não falta (além da nossa e da dos colegas blogueiros, claro...). No Terras do Ave, temos:
- Pedro Brás Marques, sobre arqueologia e o Ano Jacobeu em Santiago de Compostela;
- Eduardo Lemos, sobre Guilhabreu
- Francisco Freitas, sobre a Fé
- Manuel Pereira Maia, a sonhar...
- Albano Loureiro, sobre a Assembleia Municipal
- Nelson Silva, sobre a Junqueira
- Rui Silva, também sobre a AM
- Romeu Cunha Reis, sobre a sinistralidade rodoviária
N'O Primeiro de Janeiro, além do já destacado artigo de António José Gonçalves, temos
- Abel Maia, contra Miguel Paiva e Santos Cruz
- Maria Martins, sobre Marte
- Jorge Laranja, sobre a Ministra da Economia
- Alexandre Raposo, sobre Descentralização
- Fernando Reis, sobre a segurança nas pontes.
Tirando o facto de, no primeiro, não haver socialistas a escrever e, no segundo, faltar sociais-democratas, julgo ser de assinalar tanta variedade de artigos e temas. E, de um modo geral, com boa qualidade.
Dupont

As terríveis perguntas


Em época de previsões para 2004, chamo a atenção para dois "adivinhos": o 'Terras do Ave', através de uma listagem, não assinada, e ' António José Gonçalves'.
A opção de fazer 'previsões' através de perguntas é assustadora... Parece que fica tudo aterrador... Que só vêm aí desgraças. Mas descansem os dois que o problema, com toda a certeza, é meu.
Curioso é que algumas são comuns: se a coligação PSD-PP se irá manter, se a distribuição de água e o sanemento irão avançar e se o Rio Ave se irá manter na Superliga.
Dupont
PS- Ó Tó-Zé, essa de 'quem será o Campeão da Superliga' só pode ser piada...

Quinta-feira, Janeiro 15, 2004

Novo blog vilacondense

Acabamos de tomar conhecimento de mais uma entrada na blogosfera vilacondense. Não, não é sobre o Rio Ave...É generalista e chama-se "O Pai Já Bai". Então venha, que é bem-vindo.
Gostei desta: "A cidade do meu coração é VILA DO CONDE".
Dupont

Fuga de cérebros


A última edição da revista semanal norte-americana TIME dá a capa a um assunto que preocupará os governos da Europa: a fuga de cérebros para os EUA.
Segundo o artigo, são três as razões que levam os jovens investigadores a abandonarem o seu país e atravessar o Atlântico: falta de recursos; peso da burocracia e melhores oportunidades de carreira.
Nas palavras da investigadora italiana a trabalhar nos E.U., Sandra Savaglio, um dos grandes problemas é o ‘sistema’: “se você estiver no sistema, tem de fazer o que for preciso para sobreviver. A cultura é o problema principal”. Igualmente citado é o ex-Ministro da Educação francês, Claude Allègre, que rotula de “soviético” o sistema de investigação e desenvolvimento francês, em que “os investigadores têm de disputar uma corrida burocrática de obstáculos, quer seja para comprar material sofisticado ou simples equipamento de escritório”. Nas palavras de Luciano Maiaini, director do CERN, “ A Europa é mais fraca porque investe menos. Só a Finlândia e a Suécia atingiram os níveis dos EUA, ao chegarem à percentagem de 3% do PIB consagrado à investigação”.
Mas as coisas estão a mudar: a Comunidade Europeia já entrou em campo com um programa onde pretende gastar 17,5 milhões de euros até 2006. Por outro lado, vai tentar implementar-se o que a revista intitula de “meritocracia”, por contraponto ao sistema tradicional de hierarquias. Uma terceira medida passa por incrementar as redes pan-europeias de comunicação, potenciando a troca de informação.
Esperemos que resulte. É que a fuga de cérebros sempre foi sinónimo de pouco desenvolvimento. Até porque queremos o Lápis de Cor a ajudar Portugal e não a América.
Dupont

The sky’s the limit


Bush arrancou a campanha eleitoral com uma entrada directa no anedotário dos “cúmulos”:
P - Qual é o cúmulo de uma promessa política?
R - Prometer a Lua! Mas, se for George W. Bush, promete a Lua e Marte...
Dupont

Tintin


Quem gostar de banda-desenhada e da série Tintin, não deve perder o ‘hors-série’ do Le Figaro. São 114 páginas, sem publicidade, dedicadas ao repórter mais famoso do Mundo. Análise aos álbuns, aos personagens, às referências científicas e artísticas, enfim, um tesouro... quase tão bom como o de Rackham, o Terrível.
Dupont

Borges


O 'Le Monde Diplomatique' é um jornal que leio assiduamente – tenho a edição portuguesa toda – com o mesmo prazer masoquista com que ficava, pela noite dentro, a ver os Donos da Bola, assistindo aos insultos com que o F.C Porto era brindado. Bons anos esses, os do Penta, embora não haja actualmente razões de queixa...
Mas voltando à "Bíblia da esquerda-caviar", na edição de Janeiro há uma artigo que me chamou particularmente à atenção, provavelmente por ser politicamente ‘abstracto’. Trata-se de “Retrato de Genebra” e tem o subtítulo de "Em busca de Jorge Luís Borges". (Já sei que é “bem” citar Borges e “O Vilacondense” ainda não o tinha feito, por isso, aí está, ainda que indirectamente...)
O autor é John Berger, um pintor e editor, com obra dispersa na Europa e que disserta sobre o acaso (não há acasos, em Borges...) de Borges ter optado por ser enterrado em Genebra. A cidade onde teve o seu primeiro orgasmo. A cidade onde morreu.
Não é qualquer um que morre duas vezes no mesmo sítio.
Dupont

Peixeirada


É o que se passa no PS de Matosinhos. Narciso Miranda e Manuel Seabra não se coíbem de vir para a praça pública degladiar-se, emulando as lutas na pequena aldeia gaulesa de Astérix, com o cheiro a peixe presente em ambas...
Francisco Assis anda a tentar pôr água na fervura, avisando que “ainda não é tempo de escolher candidatos”, mas o certo é que já se fala em ter de ser a concelhia a impor um candidato, caso ambos decidam avançar.
É incrível como o PS não aprendeu nada com o que aconteceu em Vila Nova de Famalicão...
Dupont

Arqueologia em Vila do Conde


Hoje, ao almoço, estive a ler a entrevista de Paulo Costa Pinto ao “Terras do Ave”. É o arqueólogo que dirige o Gabinete de Arqueologia municipal. Ora aqui está alguém de quem só tangencialmente ouvira falar. E que diz coisas como “temos 56 sítios arqueológicos para ir gerindo” e que em Vilar existe “um monumento com mais de 5000 anos, um dos mais antigos de Portugal e do Mundo”.
Cinquenta e seis sítios arqueológicos? Não haverá gralha? É que dá uma média de quase dois por freguesia... E ainda por cima temos um monumento com importância mundial?
Ou eu ando distraído, ou temos em Vila do Conde um espólio arqueológico verdadeiramente extraordinário. Se calhar era de pensar em investir forte nesta área, tornar Vila do Conde uma espécie de “silicon valley da arqueologia”, criando grupos de trabalho, harmonizando esforços com as universidades, criando um roteiro arqueológico sério que potenciasse todos estes tesouros. Não é meu costume dizer isto mas, por acaso, este era um tema que gostava de ver comentado pelos nossos leitores.
Dupont
ADITAMENTO: Ver post no Passarola Voadora.

Ainda Miguel Paiva

A nossa principal fonte de ‘comentários’ dá uma entrevista ao ‘Terras do Ave’. Perguntam-lhe directamente se ele ia protagonizar a próxima candidatura à Câmara. M.P. esquiva-se, mas sempre vai dizendo que a tarefa de escolha do candidato será mais fácil do que em 2001... E quanto ao facto de Santos Cruz ser candidato... M.P. opta por lhe fazer um rasgado elogio.
Isto está a aquecer...
Dupont
ADITAMENTO - Descobri, agora, que também deu uma entrevista ao Primeiro de Janeiro. Está aqui.

Jornal de Vila do Conde

Também chegou hoje o ‘Jornal de Vila do Conde’. Na última página vem uma ‘caixa’ onde se diz que o JVC é o jornal mais lido no distrito do Porto. Leram bem? Não é em Vila do Conde! É em todo o distrito do Porto!!!
Só pode ser engano! Apenas para comparação, qualquer jornal da Pòvoa de Varzim tem uma tiragem muito superior e nenhum está no ‘pódium’. Isto para não falar nos de Matosinhos e da Maia, com redacções enormes e tiragens de largos milhares de exemplares, por número.
Dupont

Casino

O Casino da Póvoa (estão a ver como não deixo de falar da Póvoa?) tem em exibição um espectáculo interessante. "Puro Cubano" é um show que conta a história da ilha de Fidel de uma forma agradável, com bailarinos razoáveis e uma boa sequência musical. Algumas das rábulas estão muito conseguidas, com destaque para a do uso de charutos cubanos na Sala Oval...
Apesar destes predicados, há um senão. É que o espéctaculo permanece em cena há mais de dois anos. Como devem imaginar, neste momento o "Puro Cubano" não serve para atrair ninguém ao casino. Serve é para gozarmos com a situação e duvidar da gestão que é feita pela Estoril-Sol.
Porque é que não investem mais no Casino? Porque é que não substituem o "Puro Cubano" por um novo show? Porque é que deixamos ver alguns nomes sonantes da cena musical vir até cá, fazer actuações?
Depois não se queixem que há quebras na procura...
Dupond

Oposição fraca?


Durão Barroso, Primeiro Ministro de Portugal, disse ontem que a oposição do PS é fraca. Segundo ele, esse facto é impeditivo de se conseguir um consenso alargado quanto a aspectos fundamentais para o país, como o famoso "equilíbrio orçamental".
Este discurso do Primeiro Ministro é tradicional nos líderes governativos. Durão Barroso gostava que o PS estivesse solidário com o Governo na implementação das reformas mais difíceis: reforma da administração pública, controlo orçamental, reforma do Serviço Nacional de Saúde, só para citar os exemplos com mais implicações nas contas públicas.
Se verificarmos aquilo que ambos os partidos pensam sobre os vários assuntos, chegamos à conclusão que as estratégias de ambos não divergem muito. Correia de Campos estava a tomar muitas das medidas que Luis Filipe Pereira está agora a implementar na saúde. Pina Moura tinha definido pouco antes de sair um conjunto de medidas de combate ao défice, que convergem com muito daquilo que Manuela Ferreira Leite veio a fazer posteriormente. No PS há muita gente que concorda com as medidas previstas na reforma da administração pública.
Perante isto, porque se queixa o Primeiro Ministro? Em primeiro lugar queixa-se porque pretende condicionar o PS. Depois queixa-se para atirar culpas para o PS de algo que possa correr menos bem. Finalmente queixa-se porque acha, efectivamente, que era bom que existisse um consenso mais amplo nas matérias em causa.
E o PS? Bom, o PS não vem apoiar as propostas do Governo porque não pode. Com o ciclo económico claramente a favor de Governo (na altura das legislativas de 2006, Portugal estará a crescer), seria fatal para os socialistas apoiar o Governo na altura mais difícil. Até porque os socialistas bem sabem que na altura de colher os frutos destas medidas impopulares, ou seja, na ante-vespera das eleições, Durão Barroso nunca dirá: "A economia está acrescer porque o PS nos ajudou".
Por isso, não estamos a assistir a nada mais do que... política.
Dupond

Vila do Conde/Póvoa de Varzim

O nosso boticário de serviço lançou uma discussão onde pede a intervenção d'O Vilacondense. De forma tardia, mas gostosa, cá estamos para nos pronunciarmos sobre a polémica criação de um super-Municipio formado por Vila do Conde e pela Póvoa de Varzim.
Vila do Conde e Póvoa de Varzim são "independentes" há muitos anos. Os habitantes de Vila do Conde e da Póvoa tem uma identidade muito própria. Se verificarmos bem, é muito fácil descobrir, ao fim de poucos minutos de conversa, se uma pessoa é Vilacondense ou Poveira.
Todo o percurso histórico das duas localidades foi construído nestas condições. Além disso, vivemos tempos em que as identidades das pessoas, ou mesmo dos lugares devem ser preservadas. Na era da globalização, é fundamental a autonomia e a diferença.
Tudo isto serve para dizer que sou contra um projecto de fusão entre Vila do Conde e a Póvoa de Varzim. Não aceito perder a autonomia administrativa da minha terra de ânimo leve.
Apesar disso, não deixo de dizer que há muitas coisas que devem ser partilhadas. Já temos um estabelecimento de ensino superior comum (que substitutiu 2 unidades exactamente iguais que se situavam, uma em Vila do Conde, e outra na Póvoa). Está previsto que venhamos a ter um único hospital que resulta da fusão entre os dois actualmente existentes. Já temos um Centro de Emprego comum para os dois municípios. Ou seja, já há vários exemplos que demonstram que tem havido a capacidade dos dois municípios em perceber que o futuro passa por esta união. Tudo isso é bom para a gestão e para a economia.
Mas essas coisas boas tem um limite: a economia não pode nunca sobrepor-se à história e à política (política deve aqui ser entendida no seu sentido lato e não na vertente político-partidária). Veja-se que já em 1893 houve quem levasse à Assembleia Nacional uma proposta para alargar os limites da Póvoa até Portas-Fronhas, anexando assim as Caxinas e Poça da Barca. Como é evidente, essa proposta do então Deputado Alberto Pimentel não passou disso mesmo e as coisas continuaram como ainda hoje existem.
Considero que é bom que possamos partilhar estratégias, mas sendo Vilacondenses e Poveiros.
Dupond

Quarta-feira, Janeiro 14, 2004

Jantar de amigos

Neste preciso momento, no Rámon, Miguel Paiva janta com Santos Cruz, talvez a esclarecerem as notícias dos últimos dias... Numa mesa próxima está um habitué da casa, o íncrível porta-voz do Sport (pausa) Lisboa (pausa) e Benfica, João Malheiro
Dupont

Já estamos nos Quartos!

O Rio Ave ganhou a eliminatória da Taça de Portugal com a aquipa de Portimão. Além de termos vingado a eliminação da época passada, conseguimos um feito importante: estamos nos Quartos de final da competição! Ou seja, somos uma das 8 melhores equipas portuguesas da Taça.
Esperamos encontrar na próxima eliminatória uma equipa que esteja ao nosso nível. E claro, já sonhamos com a reedição de final de 1983.
Dupond

Reflexões - III


Agradecendo, desde já, à lolita, pela divulgação da imagem, "O Vilacondense" dedica este genial momento a todos aqueles que estão envolvidos nas recentes discussões que apimentam a blogosfera "bileira".
Dupont

Reflexões - II

Outra confusão na blogosfera vilacondense ocorre entre o "rioave" e o 'Rio Ave Futebol Clube". São ambos blogs direccionados ao Rio Ave FC, único clube da Superiga que não tem página na net. O seu trabalho, dizemo-lo objectivamente, é fantástico, especialmente no caso do sócio 2259 cuja actividade profissional nem sequer é exercida em Vila do Conde...
Os seus esforços são, portanto, louváveis, bem como o de um terceiro blog, o Rio Ave FC. Mas a chegada do segundo irritou o primeiro e, agora, trocam acusações, em vez de trocarem opiniões sobre o clube - que é o que os sócios e adeptos estariam à espera.
E, tal como no PSD, ainda ninguém está no poder...
Dupont

Reflexão


De uma maneira completamente imprevista, dois simples posts sobre Miguel Paiva conquistaram os dois primeiros lugares do pódium dos comentários.
Infelizmente, o que ali se assistiu foi um espectáculo lamentável. Nem eu, nem o Dupond, interviemos, embora, por mais do que uma vez, quase o fizéssemos para serenar os ânimos.
Pelos vistos, o PSD local é um partido com forte dose de partidarite. A cisão Miguel Paiva/Pedro Soares permanece e está viva. A diferença de opinião é algo de extremamente saudável, mas a julgar por aquilo que se viu, ambas as partes estão no domínio do irracional. Cada um veste a sua camisola e “ ‘bora, vamos lá desancar nos outros”, numa atitude tribal, quais hooligans para quem o jogo de futebol é o que menos interessa…
Para quem tem pretensões de poder, os laranjas vilacondenses ainda têm muito que aprender... Desde logo, que estes assuntos debatem-se a nível interno, em Assembleias Gerais. Já viram o Tó-Zé Gonçalves, de camarote, a rir-se? Ainda por cima, cheio de razão!
Depois, têm de aprender a construir e não só a destruir. E, finalmente, têm que aprender as regras do jogo democrático: quem perde sai, quem ganha fica. E isto é verdade para todos, inclusivé para os que ontem ganharam e que, amanhã, poderão perder.
A triste conclusão de todo este imbróglio é muito simples: se estes comentários representam o PSD local, então há falta de cultura democrática no PSD de Vila do Conde.
Dupont

O Último Samurai


‘O Último Samurai’. é um filme surpreendentemente interessante. Confesso que entrei com receio de ir assistir a um ‘Karate Kid’ para adultos, assente em frases esotéricas à la Paulo Coelho… Nada disso. Uma história escorreita, sem excessos e, apesar de Tom Cruise estar presente em todas, mas mesmo todas, as cenas, não cai no cabotinismo, o que seria fatal para o filme.
A história conta-se rapidamente: um capitão do exército americano, depois de muitas matanças de índios, é recrutado pelo Governo nipónico para que treine o exército do Imperador, que nunca viu uma espingarda, na luta contra os samurais. Aliás, todo o Japão vive, ainda, em estado semi-feudal, e os seus governantes querem ocidentalizá-lo à força. O personagem interpretado por Tom Cruise aceita e, no primeiro confronto com os samurais, é feito prisioneiro, acabando por conviver com estes guerreiros durante largos meses.
Os actores estão brilhantes, incluindo Tom Cruise, em interpretações firmes, dando aos personagens a necessária profundidade para que todo o desenvolvimento narrativo seja credível. Mas o destaque vai todo para as cenas de acção, desde as lutas de espadas (não, os sabres não são laser, mas parece….) até às lutas entre exércitos, onde Edward Zwick não tem qualquer problema em abrir os ângulos, pois tem sempre algo para preencher a imagem. Quem se recordar de “Tempo de Glória/Glory” ou das cenas iniciais de “Lendas de Paixão/Legends of the Fall” verá que Zwick é exímio na orquestração de cenas de confronto bélico. Aliás, muita da inspiração foi buscá-la ao próprio cinema japonês, a Kurosawa e o seu famoso “Os sete samurais”. Há quem fale em ‘homenagem’, mas fico sempre na dúvida. Até porque só se fala em homenagem se o filme for bom; se fosse mau é plágio…
Como se está mesmo a ver, o choque cultural é a principal alavanca do argumento. Os samurais são, então, apresentados como homens de honra, com uma cultura campesina, adversa à mecanização e à modernidade, algo que hoje poderíamos facilmente chamar de ‘fundamentalistas’…
Uma primeira leitura poderá levar-nos para o campo dos valores em oposição. A vida moderna, com a sua ciência e a sua técnica, tentando impor valores materiais, às vezes pela força; do outro lado, um povo humilde, cheio de valores espirituais, próximo da natureza e convivendo em comunidades fraternais. A ponte é feita pelo personagem principal da história, que acaba, invariavelmente, por se converter aos valores “bons”. Já não é a primeira vez que Hollywood se lembra do tema, basta recordar “Danças com Lobos”, “O Pequeno Grande Homem” e “Lawrence da Arábia”. Também me veio à memória o Jacinto de ‘A Cidade e as Serras’, um parisiense que se haveria de apaixonar pela ruralidade portuguesa e pelo arroz de favas… Regressando ao filme, registe-se que o previsível fascínio que aquela cultura estranha e “primitiva” exerce no americano não o faz renegar a sua, mas apenas adicioná-la à que já tem, o que é um ponto inteligente do argumento.
Mas há uma outra leitura. A mensagem subliminar é clara: em todas as culturas há valores extraordinários e a América é um país que sempre os soube respeitar. Aliás, a miscigenação faz parte da própria essência da América, o tantas vezes mencionado ‘melting pot’. Iraque, Afeganistão, árabes, ring a bell? Mais uma vez, os EUA usam o cinema como arma de propaganda…Adiante.
‘O Último Samurai’ constitui, também, o mais recente ‘cruise missile’ direccionado aos Óscares para que o actual companheiro da espanhola Penélope Cruz consiga o tão almejado galardão da Academia de Artes e Ciências de Hollywood. Tom Cruise já foi candidato por três vezes, sendo que duas foi para a Categoria de Actor Principal (‘Nascido a 4 de Julho’ e ‘Jerry Maguire’) e uma para secundário, no fabuloso ‘Magnólia’.
O actor tem gerido a sua carreira de uma forma inteligente, alternando filmes de pendor mais popular, os chamados ‘blockbusters’, com outros onde explora uma vertente mais séria. Nesta última faceta, já trabalhou com alguns dos mais consagrados realizadores de cinema contemporâneos como Steven Spielberg, Oliver Stone, Barry Levinson, ou com estrelas emergentes como Paul Thomas Anderson e Cameron Crowe, tendo mesmo sido dirigido por esse génio que dava pelo nome Stanley Kubrick.
Ainda é cedo para vaticínios, até porque não são conhecidos os candidatos, mas Tom Cruise tem aqui o veículo ideal para a conquista: um filme épico, politicamente correcto e promovendo valores intemporais como a honra, a dignidade e o respeito por outras culturas.
Dupont

Terça-feira, Janeiro 13, 2004

José Mourinho

Os adeptos europeus de futebol, através de votação electrónica, escolheram José Mourinho como o melhor treinador da Europa. É uma distinção honrosa para o futebol português e surpreendente, dado tratar-se de um técnico que iniciou a sua carreira há relativamente pouco tempo.
Muitos dizem que é arrogante. Os resultados mostram que é eficaz. Dizem que é vaidoso. A motivação que tem e transmite mostram que é confiante.
José Mourinho é um homem de sucesso. Na sua actividade, como em todas as outras, quem alcança o sucesso é sempre amado e odiado. Em todo o caso, é um motivo de orgulho para o país.
Dupond

Uma lista para pensar

O Jaquinzinhos publica o Índice de Liberdade Económica para 2004. É uma lista da qual constam os 30 países onde há mais liberdade económica. Vale a pena ver e tirar conclusões quanto ao nível de intervenção do estado na economia. Ah, nós estamos em 31º...
Dupond

Segunda-feira, Janeiro 12, 2004

Mau exemplo

O país viu através dos telejornais o Major Valentim Loureiro surpreender o Primeiro Ministro, inaugurando um bairro social como o nome de Durão Barroso. Este, como homem sensato que é, não gostou e pediu para Valentim Loureiro alterar a designação.
Esta ideia que os autarcas têm de pretender ver o seu nome, ou dos seus amigos nas coisas que inauguram é terceiro mundista. Faz lembrar os velhos caudillos de lugares longínquos e que não são exemplo para ninguém.
Aqui em Vila do Conde temos, infelizmente, exemplos desses. É o caso do Estádio de Futebol Eng. Mário Almeida em Arcos, da Praceta Eng. Mário Almeida em Retorta ou da Rua Dr. Fernando Gomes em Aveleda. Quer estes exemplos de Vila do Conde quer o de Gondomar são péssimos.
Os políticos deveriam saber que se os homens são mesmo grandes, a sua obra perdurará na lembrança dos vindouros de forma natural, sem que seja preciso forçar-lhes a memória desta forma.
Dupond

Leiria/Benfica

Aqui n'O Vilacondense' não temos por hábito falar do Benfica. Não somos muito apreciadores desse tipo de tonalidades, mas hoje vamos abrir uma excepção. O jogo desta noite com a equipa de Leiria foi excelente. Foi super emotivo, teve muitos golos e foi bem jogado.
Hugo Almeida foi fantástico (linguagem à Mourinho, já se vê), assim como o rapaz que veio do Sporting. Num Benfica que sofreu 3 golos, é de saudar a exibição do guarda-redes, o que mostra a forma como está a sua defesa.
Num campeonato em que há muitos jogos onde é futebol jogado é péssimo, é de saudar a existência de jogos assim.
Dupond

Domingo, Janeiro 11, 2004

Miguel Paiva candidato à Câmara Municipal?

Quando colocamos o post "Vila do Conde - 02 - Miguel Paiva", jamais suspeitavamos que iria ter tantos "comentários". Parece que o líder do PSD local levanta ódios e paixões...
Se, com uma posta inócua, já foi o que foi, como serão os comentários a este título de "O Comércio do Porto", de hoje: "Miguel Paiva pondera candidatura às autárquicas em Vila do Conde"? No texto, referindo-se a Santos Cruz, o líder laranja diz "poderá continuar a ser útil e capaz de desempenhar as funções de próximo candidato, mas há que aguardar, ainda, as pelas eleições internas do partido", em Setembro.
Ficamos a aguardar uma tomada de posição se Santos Cruz. Ah! Recorde-se que quem escolhe o candidato é a Comissão Política, onde está Paiva, mas NÃO está Cruz...
Isto promete...
Dupont

Debate na Onda Viva

Ouvi ontem o debate na Rádio Onda Viva entre os representantes dos partidos Vilacondenses, em que o tema era a análise ao ano 2003. O PS fez-se representar por Abel Maia, pelo PSD esteve Miguel Paiva, Afonso Ferreira falou pelo CDS e Fernando Reis foi a voz da CDU.
É estranho que não haja destes debates nas rádios de Vila do Conde. Será que as duas rádios locais não percebem que é por coisas destas que estão ambas atrás da Rádio Onda Viva em termos de audiências?
Dupond

Quem é...

o Vereador da Câmara Municipal que é conhecido entre os seus comandados como "O Rotweiller"?
Dupond

Jogo insosso

O jogo de Sábado à tarde com o Nacional da Madeira não correu bem à nossa equipa. Bastante desfalcada (não jogaram Junas, Jaime e Vandinho), a equipa não soube jogar de molde a construir oportunidades de golo. Além disso, chegou a dar a impressão durante o jogo que a equipa parecia ter esquecido que o futebol deve ser jogado junto à relva e não aos repelões e atirando a bola para o ar de qualquer forma.
O Nacional também não fez nada que justificasse um resultado mais feliz. Pareceu mesmo que estavam satisfeitos com o empate desde o primeiro minuto.
Com estes ingredientes, temos de considerar que pelo equilibrio existente, o empate é justo. Além disso, atendendo à falta de qualidade do jogo, também é justo que o empate tenha sido a zero.
Esperamos que o jogo contra o Moreirense seja diferente. É que ainda nos faltam 16 pontos para garantir a traquilidade.
Dupond

Análise lúcida

O Passarola Voadora faz uma análise lúcida sobre a evolução política na freguesia da Junqueira durante o ano de 2003 . Se quisermos, podemos dizer sem faltar à verdade que se enquadra na linha daquilo que havíamos dito aqui.
Dupond

Quadro Negro


"Uma menina de 16 anos, com deficiências mentais profundas e residente na freguesia de Malta, em Vila do Conde, foi várias vezes violada por um grupo de rapazes seus vizinhos(...)Os suspeitos, quatro residentes na freguesia de Malta e três em Guilhabreu...".
Às vezes, Vila do Conde também é notícia pelos piores motivos. Para que recordemos que não vivemos numa redoma de vidro.
Dupont

Sábado, Janeiro 10, 2004

Carrilho candidato à Câmara de Lisboa


Manuel Maria Carrilho anunciou a sua disponibilidade para ser candidato à Câmara Municipal de Lisboa.
Não sei bem porquê mas, quando li a notícia, fiquei com a ligeira impressão que a conquista da Câmara Municipal de Lisboa se está a transformar numa luta de galos. Daqueles que gostam de contabilizar a qualidade e quantidade das conquistas...
Dupont

Tintin


O nosso grande amigo Tintin celebra hoje 75 primaveras. Nada mau, meu rapaz. E que bem que ficamos todos na foto. Mmmmm, nós também não estamos nada mal...
Dupond & Dupont

João Pereira Coutinho...

...está no Expresso, numa coluna chamada 'Estado Crítico'. O nosso vizinho matosinhense, depois do Independente, da Coluna Infame, da Maxim e do seu site, aterra no "saco de plástico". Pelo menos é assim que o "Indy" ainda trata o "Expresso"...
Só espero que JPM não se 'institucionalize'... Para já, o estilo mantem-se intocável.
Dupont

Nova Catedral


Não, não é um novo estádio para o clube dos 759.994.876 milhões de adeptos. É mesmo na verdadeira acepção da palavra: um templo. Segundo o Expresso, será desenhada por Oscar Niemeyer, o arquitecto brasileiro que nos deu Brasília e o Hotel Casino Park, no Funchal, entre variadíssimas outras obras.
Casinos e catedrais: Pedro Santana Lopes é perito em agradar a Deus e ao Diabo.
Dupont

Sexta-feira, Janeiro 09, 2004

Novo blog

O apelo em torno da presença do Rio Ave Futebol Clube na net chegou bem longe. Enquanto não chega a página oficial do clube, eis que nos chega ao conhecimento a criação de mais um blog. Com excelente qualidade gráfica e bastante informação sobre o clube, este tornar-se-à mais um ponto de interesse permanente, a merecer visita regular.
Dupond

Vila do Conde - 01 - Nova Democracia/Velhos Hábitos

Jorge Silva, a "super"-aquisição de Manuel Monteiro para o Partido da Nova Democracia, como já aqui o referimos, dá a sua primeira entrevista. Vem n' O Primeiro de Janeiro.
Em vez de criar um estilo próprio, resolveu copiar o de Abel Maia, avançando para o insulto e o ataque pessoal, especialmente contra o líder do PSD, partido de que Jorge Silva fazia parte até há bem pouco tempo.
E, na melhor tradição da velha direita conservadora de Vila do Conde, a segunda coisa que faz após atacar o PSD, é unir-se ao PS. Referindo-se ao presidente da Junta de Freguesia de Mindelo, o socialista Joaquim Cardoso, comenta que "nota poucos defeitos" à sua gestão e que ele "está a fazer obra e isso não passa despercebido aos mindelenses".
Ó Jorge, então se o homem está a "fazer obra" porque é que os mindelenses hão-de mudar e votar em si? Como é que eles vão acreditar nas suas palavras de que : "Mindelo está parado há muitos anos. Estou aqui há vinte e não vejo progressão".
Nasceste para isto, rapaz!
Dupont

Vila do Conde - 02 - Miguel Paiva

O líder do PSD de Vila do Conde sopra velas: quatro anos a dirigir os destinos do partido. Em artigo de opinião n'O Primeiro de Janeiro, faz o balanço do tempo decorrido e avança com propostas, até porque a conquista da Câmara nunca esteve tão perto: "ficamos a cerca de 5.400 votos de ganhar a Câmara Municipal, ou seja, faltou-nos conseguir convencer 2.700 vilacondenses (num universo de 60.000 eleitores) a mudar o seu sentido de voto."
Dupont

Vila do Conde - 03 - Assembleia Municipal

Os deputados municipais do PSD não desarmam. Depois do PS ter vindo com respostas aqui, os laranjas, em bloco, contra-atacam por aqui, n' O Primeiro de Janeiro.
Gostei desta: "(...) nada interessa ao PS que até entende ser perda de tempo avaliar a democraticidade do funcionamento da AM. Naturalmente que quem se vai enraizando no poder, procurando controlar tudo em Vila do Conde, desde a cadeirinha das associações ao cadeirão da Câmara Municipal, terá mais com que se preocupar."
Dupont

A quem interessa esta polémica?

Ontem, o País acordou com a notícia de que há "hospitais SA" a criar serviços específicos para atender clientes dos Seguros de Saúde. De imediato apareceu imensa gente a levantar problemas, dizendo que tal significa que esses hospitais estão a "deixar de lado" os doentes cujo tratamento é financiado pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS), priviligiando aqueles.
Se assim fosse, seria motivo para estarmos preocupados. Mas, como é sabido que os "hospitais SA" são hoje financiados mediante a produção que efectuam na sequência de um contrato assinado com o Ministério da Saúde, não parece que haja esse perigo. É que se os hospitais "deixarem de lado" os doentes do SNS, não cumprem o contrato que assinaram, e portanto, não recebem o respectivo pagamento.
Por outro lado, se forem capazes de criar esquemas para atrair os clientes cujos tratamentos são pagos pelas seguradoras, conseguem uma melhor rentabilização da capacidade instalada que dispõe, o que representa uma medida de boa gestão em qualquer parte do mundo.
O que parece interessante avaliar nesta polémica é o seguinte:
- Se os doentes das seguradores passarem a ser tratados nos hospitais SA, isso significa que deixam de ser tratados nos locais onde habitualmente isso acontecia. Ou seja, há algumas clínicas privadas onde esses doentes deixam de entrar, e que portanto, deixam de facturar serviços com essa importante clientela.
Sabendo isto, julgo que todos compreendemos melhor a razão de tanta polémica. Não acham?
Dupond

Quinta-feira, Janeiro 08, 2004

Rui Rio na Câmara do Porto - 2 anos


Passam, hoje, dois anos sobre a eleição de Rui Rio para o cargo de Presidente da Câmara Municipal do Porto. Os dois principais diários fazem uma retrospectiva, sendo que o JN vai mais longe, apresentando uma entrevista. O Público, apresenta um balanço, pois dado o seu aberto conflito com o autarca, nem deve ter arriscado o pedido...
E que dizer destes dois anos? É certo que os conflitos foram vários, algumas vezes ultrapassando o razoável, como no caso F.C. Porto, que muito do prometido ainda é devido (arrumadores, reabilitação da baixa...), que esqueceu quase por completo a vertente cultural e que usou a teimosia como arma política – aqui, o lamentável episódio do El Corte Inglés é paradigmático.
Mas também é verdade que o Porto voltou a ter Câmara Municipal e, principalmente, voltou a ter um Presidente de Câmara. Depois dos consulados socialistas, o patético de Fernando Gomes e o desajuizado de Nuno Cardoso, onde se chegou a pensarque quem mandava na Câmara era Pinto da Costa, eis que Rui Rio clarifica as águas e coloca as coisas no seu devido lugar. É claro que a permissividade em que funcionários e munícipes viviam imergidos, dificulta, e de que maneira, o regresso à tona dos mesmos, já que daquele enganador “estar bem” ninguém quer sair...
Julgo que ainda será cedo para saber se o barco é veloz, certeiro e se o rumo é correcto. É que Rui Rio, ao contrário de outras Câmaras, antes de o pôr a velejar, teve de o reparar, de o deitar ao mar, rumar contra a maré e só agora começa verdadeiramente a poder disputar o objectivo almejado e prometido nos tempos da campanha eleitoral.
Mas uma coisa é certa: daqui a um ano já poderemos concluir, com fiabilidade, se Rio é timoneiro capaz de levar a nau Porto à doca que ele prometeu.
Dupont

Processo Casa Pia


Já enjoa, não é? Para recuperar alguma sanidade e clareza sobre o assunto, atente-se neste brilhante artigo de Pacheco Pereira, no Público, completado no seu blog, o Abrupto e aplaudido por Francisco José Viegas, no Aviz. Também n'A Grande Loja do Queijo Limiano,
Dupont

O último luxo em Miranda do Douro...


... é alugar um carro antigo para transportar as jovens e radiantes noivas nos seus casamentos. Se forem ao local certo, conseguem um carro fantástico (um Bentley que já pertenceu a Stanley Ho, por exemplo), com o bónus de ver o belo automóvel conduzido pelo antigo Presidente da Câmara do concelho, o célebre Júlio Meirinhos.
É um casamento de sonho, nao acham?
Dupond

Vou perder...


É com imensa pena que vou perder, esta noite, o concerto de Maria Rita, no Coliseu do Porto. É difícil a sua missão, pois sabemos que não escapa à comparação com a mãe, Elis Regina... De qualquer forma, a amostra que nos deu com o seu primeiro disco faz-nos esperar o melhor.
Dupond

O Caçador


“O Caçador/The Deer Hunter” é a proposta, de hoje, da Série ‘Y’ do Público. Trata-se de um dos ‘filmes da minha vida’, como muitos diriam, nomeadamente o Bénard da Costa...
Michael Cimino realizou a sua obra-prima em 1978, tendo sido galardoada com inúmeros prémios, entre os quais os Óscares de melhor filme, realizador, cinematografia e actor secundário, galardão entregue a Christopher Walken. Devia ter recebido o de melhor argumento, mas esse foi para o irritante e panfletário “Regresso a Casa/Coming Home”, de Hal Ashby, com a insuportável Jane Fonda.
O mais cativante em “O Caçador” são as inúmeras metáforas que percorrem o filme, os contrastes cromáticos e luminosos e o retrato profundo que o realizador e actores conseguem transmitir de cada personagem.
A história começa com um pequeno grupo de amigos, de uma ordinária "industrial town", trabalhadores numa metalurgia. Desde logo, há uma primeira indicação de que iremos assistir a um mergulho nos infernos, com a evidente metáfora dos altos-fornos industriais. Aliás, o nome francês para o filme é “Voyage au Bout de L’Enfer”... Muitos anos depois, Bruce Springsteen, cuja obra se debruça igualmente sobre a vida e paixões do americano médio, haveria de retratar na perfeição esta imagem, no álbum “The Ghost of Tom Joad”, parcialmente inspirado em Steinbeck e em “As Vinhas da Ira”. Na canção “Youngstown”, o “Boss” canta:

Well my daddy worked the furnaces
Kept 'em hotter than Hell
I come home from 'Nam worked my way to Scarfer
A job that'd suit the devil as well
(…)
When I die I don't want no part of heaven
I would not do heaven's work well,
I pray the devil comes and takes me
To stand in the fiery furnaces of hell


Mais tarde, Michael, Steven e Nick, os três "working-class heroes", iriam conhecer outros ‘infernos’: o da guerra, o da perda e o da selva. A nível cromático, há um claro contraste entre as cenas iniciais do casamento e da caçada, por um lado, com as da guerra e, mesmo no final, com as do complexo e violento desfecho. Melhor do que isto, só o início d’ “O Padrinho”, com a montagem em paralelo, primeiro entre o luminoso casamento da filha do ‘Don’ e a escuridão dos seus negócios e, no final, o baptizado do filho de Michael e o assassinato dos outros chefes ‘mobsters’.
Voltando a “O Caçador”, extraordinária é, ainda, a ideia que perpassa o filme, de que, na vida, só se tem uma oportunidade. Começa logo com o ‘picanço’ entre o automóvel onde eles se encontram e um camião, para decidir uma ultrapassagem impossível, e continua com a própria caça ao veado, na qual se tem apenas um tiro para abater o animal ("You have to think about one shot. One shot is what it's all about. A deer's gotta be taken with one shot. "), passando pela mais óbvia, a do próprio conflito bélico, onde se morre ou se é morto. A tão comentada cena da roleta russa, mais não é do que isso mesmo, uma metáfora: uma só bala, para cinco câmaras vazias. Só que, perversamente, agarrar a oportunidade significa morrer... Como nas obras-primas, o cenário mais não é do que o catalisador da acção. A Guerra do Vietnam, aqui, tem precisamente essa função.
Um comentário para a cena final, onde após o funeral do amigo, todos se reúnem, cantando o ‘God Bless America”. Recordo que, na altura, este pormenor valeu da previsível “inteligência de esquerda” o epíteto de “filme reaccionário”. À distância percebe-se porquê: a esquerda de então nunca conseguira, como nunca haveria de conseguir, fazer aquilo em que a América obtivesse sucesso – os cidadãos amarem o seu país e não serem obrigados a dizer que gostavam dos seus dirigentes. Agora, é vê-los dando caça à América, sem outra razão que não seja a existência de cicatrizes mal curadas.
Finalmente, os actores, liderados por Robert de Niro, na segunda melhor interpretação da sua carreira, depois de “O Touro Enraivecido”, que aparceria dois anos depois e, ainda, por Meryl Streep, John Savage, John Cazale e, muito especialmente, pelo desequilibrado Christopher Walken. Cimino atinge o seu estrelato, para depois quase desaparecer num outro inferno, curiosamente chamado “As Portas do Céu”, que ficaria recordado como um dos maiores “flops” da história da 7ª Arte.
Dupont

Quarta-feira, Janeiro 07, 2004

"Cartilha Ativa"


Ontem à noite assisti ao debate do programa "Prós e Contras" da RTP1. Esquecendo o mau feitio do Eng. Sócrates, ontem particularmente mal disposto sempre que Dias Loureiro e Miguel Beleza falavam, gostava de partilhar convosco argumentos que ouvi e que ilustram uma verdadeira cartilha de intervenção política à portuguesa.
Para o político da oposição:
Recessão - A recessão económica é um fenómeno que resulta da incapacidade do Governo em promover as políticas adequadas que criem as condições para que os agentes económicos prosperem.
Retoma económica - O retoma ecomómica é algo que acontece no país porque a conjuntura internacional é altamente favorável. Infelizmente, as erradas políticas económicas do Governo impedem que os efeitos dessa conjuntura sejam transpostos para o país mais rapidamente e de forma mais sensível.
Para o político do Governo:
Recessão - O país, sendo pequeno e económicamente vulnerável à influência internacional, sofre com os problemas dos nossos principais parceiros comerciais. Felizmente o Governo soube impor medidas que atenuaram os efeitos indesejáveis, pois se assim não fosse, estariamos, provavelmente, na bancarrota.
Retoma económica - O Governo, fruto de sua acção determinada e eficaz conseguiu criar as condições para que a actividade económica do país tenha bons indices de crescimento. As políticas emanadas do Ministério das Finanças permitem que a retoma aconteça já e com consistência suficiente para perdurar.
Peço desculpa, mas omiti os pormenores relativos às "pesadas" ou "preciosas" "heranças", porque me parecem já demasiado estafados.
Dupond

Arquitectura

A sensualíssima revista ARENA (não, por enquanto não há mais imagens de raparigas a apelar ao pecado...) elaborou uma lista com que um grupo de 'entendidos' resolveu rotular "The 45 greatest buildings in the World" - faltou intercalar 'modern' entre as palavras 'the' e 'world', claro está....
Os cinco primeiros são:


1 - Terminal da TWA, no Aeroporto JFK, Nova Iorque - de Eero Saarinen (1961)


2 - Reichstag, Berlim - Foster and partners (1999)


3 - Hotel SAS Royal, Copenhaga - Arne Jacobsen (1960)


4 - Museu de Arte Moderna de Fort Worth, Texas - Tadao Ando (2002)


5 - Biblioteca Peckam, Londres - Will Alsop (1999).

No rol, destaque para alguns edifícios imortais: a Ópera de Sidney (15º), de Jorn Utzon (1973); o Centro Getty (21º), em Los Angeles, de Richard Meier (1997); Edifico Chrysler (27º), Nova Iorque, William Van Alen (1930); Casa Farnsworth (28º), Illinois (1951); Centro Pompidou (31º), Paris, Renzo Piano e Richard Rogers (1977); Torre Pirelli (32º), Milão, Gio Ponti (1956); Pirâmide do Louvre (34º), de Im Pei (1989); Notre-Dame du Haut (36), Ronchamp, Le Corbusier, (1955); Museu Guggenheim (37º), Frank Lloyd Wright, (1959); Edifício Seagram (39º), Nova Iorque, Mies van der Rohe and Philip Johnson (1958).
É uma lista mais do que discutível. Assinalam-se, desde já, três ausências de peso: a Casa Savoye, de Le Corbusier, a Basílica da Sagrada Família, de Antoni Gaudi, em Barcelona, e da minha casa de sonho: "FallingWater/Casa da cascata" de F.L. Wright, em Ohiopyle, Pennsylvania, na imagem que se segue e com informações aqui.


Frank Lloyd Wright foi o mais brilhante arquitecto do séc. XX. O seu conceito de habitação, por exemplo, era pensado com base na lareira, o que é fascinante para qualquer português que ainda se recorde de que a fogueira que aquecia a casa e onde se cozinhava a comida era conhecida por "lar"... E foi ele, também, a preconizar que os dois grandes vectores da arquitectura do séc. XX estariam ligados ao automóvel e ao elevedor (as linhas horizontais e verticais). "Eu prefiro o automóvel", disse. E daí as desmesuradas varandas das suas moradias citadinas, precisamente para abafar os ruídos urbanos. Na "FalligWater", o ribeiro que já ali existia, corre por dentro da casa, levando ao extremo a integração no meio ambiente, ideia que presidiu à sua concepção.
Siza, Ghery, Koolhas e outros arquitectos que enchem os jornais e a boca a presidentes de Câmara... não aparecem. Nem são referenciados. Mas não tem importância. São as estrelas pop do mundo da arquitectura.
Dupont

Não alinha? Em quê?

O Junqueira, abrindo uma excepção para postar mais do que uma vez por quinzena, respondeu ao post que aqui colocamos.
A resposta foi... uma não resposta. Se isso é o melhor que consegue, por nós tudo bem.
Dupond

Terça-feira, Janeiro 06, 2004

E nós é que temos culpa????


Agora que até temos presença feminina vila-condense na net, eis que nós, homens, somos notificados de que o fim da Humanidade está próximo. Segundo um estudo, referido pelo Diário Digital, os "Homens estão com menos 30% de espermatozóides".
A culpa disto, evidentemente, não é nossa.
Hoje em dia, as mulheres andam de umbigo à mostra durante o Inverno, usam fio dental para não se notarem as cuequinhas no redondo traseiro, usam micro fatos de banho em que há dificuldade em descobrir onde está o tecido, saem à noite em qualquer dia da semana e já não só ao fim-de-semana e usam wonderbra para levantar as formas que a gravidade insiste em puxar para baixo. Por outro lado, as capas das revistas mostram-nos deusas de todas as cores e feitios, munidas de minúsculas t-shirts (onde só falta a inscrição " Disponível! "...), todas elas constantemente bronzeadas e desalmadamente perfeitas. A própria televisão só passa filmes com bolinha e o cabo...enfim, dá-nos aqueles documentários sobre educação sexual que só passavam, há uns anos, nas "escolas" Sá da Bandeira ou Júlio Dinis...
Eu só pergunto: como é que um homem pode aumentar a produção se as notas de encomenda não param de chegar?
Dupont

Perdemos

O Rio Ave perdeu o jogo de ontem com o Futebol Clube do Porto. É natural que isso tenha acontecido, pois defrontamos a 5ª melhor equipa do mundo. Apesar disso, do jogo de ontem ficaram algumas coisas bem claras:
1.- O Rio Ave joga bem. Temos uma equipa equilibrada, com jogadores que trocam bem a bola e que sabe posicionar-se tacticamente de uma forma eficaz.
2.- O Rio Ave não tem estrelas. Somos uma equipa que vale essencialmente pelo conuunto, não havendo jogadores que sobressaiam muito da médida geral.
3.- O Rio Ave tem tudo para não descer de divisão. Sendo cedo para dizer explicitamente que não vamos descer, tudo leva a crer que, mantendo-se as coisas conforme as vemos acontecer, o Rio Ave deverá garantir a continuidade na I Liga. Ou seja, conseguiremos atingir os objectivos previamente fixados.
Dupond

Blogosfera vilacondense

Há novidades na nossa pequena mas valiosa e importante blogosfera. O six, do Vila do Conde Quasi-Diáro, o Daniel, do Glosas e o Eduardo, do Lápis de Cor, voltaram, aparentemente em força. E o Burro do Bolas, por onde anda?
E apareceu um novo blog, que tem o nome mais bonito de todos quanto por cá chegaram: prosas e rosas. Eu e o Dupond sentimos logo um maravilhoso aroma feminino e já nos estamos a degladiar para conhecer, pessoalmente, a 'maria'... Seja bem-vinda.
Dupont

Jorge Sampaio


Depois de se cobrir de ridículo com o indulto à enfermeira e que abordamos aqui, eis que o nosso PR, pressentindo o lamber das chamas junto às calças, salta para a praça pública clamando "Heresia! Heresia!" e "Fogueira" contra as cartas anónimas e o desgraçado do Magistrado que as juntou ao processo...
Mais uma vez, tudo estaria bem, se não estivesse a falar de uma opção do cidadão Sampaio, em vez de ser a do PR. Ou seja, vendo-se visado numa carta anónima junta a um processo "delicado", de forma, aparentemente, ilegal, o Presidente de todos os Portugueses embrulha a coisa como se de uma tragédia nacional de tratasse e dirige-se ao País, franzindo o sobrolho, mimetizando o "seu" treinador Fernando Santos...
Pelos vistos, não há erros, perseguições, injustiças cometidas pelo sistema judicário mais relevantes do que esta e a merecerem do PR uma comunicação ao País...
Mais uma vez, qual é o critério, senhor Presidente?
Dupont

Adivinhos


Os jornalistas do diário espanhol La Razon fizeram um daqueles trabalhos que dá vontade de ser jornalista para o fazer e publicar: foram ver o que os principais videntes e adivinhos haviam predito há um ano...
Uma desgraça. A taxa de sucesso rondou uns miseráveis 15%, com erros gritantes, especialmente no campo dos afectos: espalhanço completo quanto ao Príncipe Filipe, onde cinco dos seis predisse que iria continuar com a norueguesa Eva Sannum e apenas uma afirmou que não, mas que iria casar com uma nobre. Pois...
Outras separações que não aconteceram, apesar dos astros indicarem: Enrique Iglésias e Anna Kournikova, Tom Cruise e Penelope Cruz. Depois, há uma lista infindável de vedetas televisivas cujas vidas se atreveram a não seguir as indicações celestes...E, claro, não faltaram as habilidades, do género "o Papa verá a sua saúde debilitada", ou "Real Madrid tem chances de ser campeão"....
Loreto Velazquez ironiza de forma brilhante: os jornalistas estão obrigados à verdade nas notícias, tal qual as empresas relativamente às suas contas; os bruxos e adivinhos parece que não e nada os faz perder a sua aparente credibilidade. Se os videntes adoptassem o lema de El Corte Inglés "se não ficar satisfeito, devolvemos o dinheiro", de que é que viveriam? E lança um desafio aos leitores: que cada um escreva dez previsões, de carácter geral, para 2004. Daqui a um ano verá que a percentagem de acertos é idêntica à dos profissionais.
Já Alex Rosal, recorda que "é uma tentação dos homens de todas as épocas. Substitui-se Deus por um baralho de cartas, uma bola de cristal ou uma sessão de espiritismo".
Digo eu: mas porque é que nunca ninguém faz isto por cá? E, para apimentar, porque é que não se inclui os políticos no rol? Não seria muito mais divertido?
Dupont

Segunda-feira, Janeiro 05, 2004

Há consciência cívica?


O Junqueira escreveu hoje um post que me interessa analisar sob o prisma da existência (ou ausência) de consciência cí­vica nos cidadãos. No texto, o autor percorre o ano de 2003, avaliando a actuação das duas principais forças políticas da freguesia da Junqueira.
Relativamente à actuação da oposição, o autor tece algumas críticas, dando-nos a conhecer uma avaliação negativa relativamente à denúncia efectuada no início do presente mandato autárquico do famoso caso das facturas de bacalhau pagas pela Junta de Freguesia. A certa altura, chega mesmo a dizer que "a população não pactua com esta forma de fazer política". A questão da consciência cívica entra aqui. Pergunta-se: Quando há uma situação em que se suspeita que os dinheiros públicos são usados para comprar favores, qual é o dever de quem é detentor dessa informação? Neste caso, os autarcas da oposição na Junqueira souberam que a Junta de Freguesia pagava facturas de bacalhau e garrafas de vinho do Porto e Whisky Velho, oferecendo depois esses produtos a guardas da GNR como recompensa por "serviços prestados". Sabendo disto, um cidadão com consciência cívica o que deve fazer? Denunciar os factos ou calar-se?
Segundo o Junqueira, fiquei a saber que deve calar-se, pois o povo não gosta de delatores. Em vez disso prefere que o dinheiro de todos nós seja gasto de qualquer forma. Já agora, deixo duas perguntas finais: Ao que consta o assunto foi denunciado ao Tribunal? Como não se soube nada, o que quererá isso dizer?
Continuando a sua análise, o Junqueira vem dizer-nos que a oposição não tem acertado no alvo. Passa o tempo a falar do "campo de futebol, piscinas, água e saneamento", quando se sabe que essas são obras da competência da Câmara e não da Junta de Freguesia. Este entendimento é do mais redutor que pode haver. Ou seja, considera o autor que aos autarcas da freguesia cabe falar apenas dos assuntos cuja capacidade de resolução se esgota nas justas e exactas fronteiras desta. É errado ver as coisas assim, já que os orgãos autárquicos de freguesia tem uma obrigação fundamental: dar voz aos anseios da sua comunidade, conseguindo para ela os investimentos necessários à respectiva satisfação. Por isso, julgo que se os membros da oposição o fizeram, estiveram muito bem, substituindo mesmo a Junta de Freguesia da Junqueira, que nesse aspecto foi, como a generalidade das Juntas Vilacondenses, uma perfeita nulidade. Voltando à questão da consciência cívica: os temas falados (criação de infraestruturas desportivas, saneamento, água) não serão suficientemente importantes que mereçam da parte dos cidadãos outra atitude mais activa na sua reivindicação? Não seria compreensível, e talvez até desejável que os cidadãos se indignassem quando sabem que vivemos num concelho em que não há uma única Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR)? Não seria normal que a população da Junqueira que ouve a Câmara e a Junta de Freguesia falar de um campo de futebol há quase 10 anos e não vê nada, fizesse ouvir esta sua insatisfação? Para o Junqueira, parece que não.
Termino com uma nota de alguma concordância. Julgo que no ano 2003 a Junta de Freguesia da Junqueira, à parte da crítica que acima referi, teve um desempenho razoável. Conseguiu concretizar alguns alargamentos de ruas, garantir a realização de uma obra importante na ponte que liga a Rio Mau e melhorar a funcionalidade do edifício da Junta de Freguesia, por exemplo. Mas aqui, cabe também perguntar: Será que os apoios que conseguiu angariar por parte da Câmara Municipal para fazer estas obras tem alguma coisa que ver coma turbulência política que se criou a propósito das situaçõeses levantadas pela oposição? Não será esta súbita vontade de mostrar obra uma reacção de receio quanto às movimentações da oposição e a um eventual eco junto da população relativamente dos problemas lançados?
Dupond

Uma boa notícia


Vem no Diário Digital: "Portugal é actualmente o 6º melhor país para as crianças, num total de 80 países analisados pela Population Connection, uma organização norte-americana". Ligação ao site original, aqui.
Nos tempos que correm é fantástico ler uma coisa destas. Ainda bem!
Dupont

Ana Gomes

Ao ler este post, e com o falatório que abaixo vai sobre o Pedro Brás Marques, lembrei-me de um escrito dele sobre Ana Gomes, aquando da usa passagem por Vila do Conde. O director do Terras do Ave comentava que tinha gostado da senhora, mas que não sabia se aquela era a verdadeira Ana Gomes ou uma versão controlada.
Veja-se então o que a senhora diz sobre um silêncio pesado que vai no PS, relativo as acusações a Gama e Vitorino: "É possível que os próximos dias me tragam respostas. Entretanto, calar-me-ei enquanto aquela orientação do PS perdurar. Ou até ao momento em que a minha consciência impuser que fale".
Ou seja, a doce Ana Gomes que tanto encantou o Pedro, afinal não passa mesmo de uma versão controlada... Por outras palavras: a senhora não tem falado porque o PS a mandou calar!
Dupont

Alguém sabe?


2004 é o Ano Europeu da Educação pelo Desporto. O objectivo desta iniciativa do Parlamento e do Conselho Europeus é "Promover o desporto enquanto ferramenta educativa e revalorizar a imagem do desporto na sociedade".
Não posso concordar mais com a iniciativa. A minha única dúvida é a seguinte: será que algum português sabe disto? Já notaram por parte das mais diversas entidades com responsabilidade no sector, a começar pelo Estado, alguma iniciativa tendente a divulgar e promover os objectivos em apreço na sociedade portuguesa?
EU NÃO.
Dupond

Sete Palmos de Terra


Hoje, no "a dois" (para os mais distraídos, é a nova designação do canal 2...) volta uma das mlhoes séries televisivas dos últimos tempos: Sete Palmos de Terra/Six Feet Under. O dia-a-dia dos vários elementos de uma família de cangalheiros: uma mãe viúva em crise existencial, um filho gay a tentar "sair do armário", um outro a tentar casar (embora sofra de uma doença fatal) e uma miúda a abandonar a adolescência. Há ainda uma namorada sexualmente perturbada.
E, claro, há sempre a morte, presente por todo o lado, dos cadáveres às memórias.
Dupont

Arriva continua a apostar em Portugal


Há alguns anos, a maior parte das empresas de transportes rodoviárias de passageiros da nossa região foram adquiridas pelo gigante Inglês Arriva. Esse fenómeno também chegou a Vila do Conde, não constando que as repercussões tenham sido muito negativas. À parte de algumas críticas que se vão fazendo sentir quando um ou outro percurso é abolido, não se sente contestação à  forma como os ingleses estão a gerir as empresas. É verdade que também não se escutam reacções de grande satisfação, o que será motivado pelo facto de não haver um investimento muito sensível em novos veículos, investido-se, isso sim, na recauchutagem de autocarros importados.
De qualquer forma, julgo que era importante aprofundar a avaliação quanto à presença da Arriva no mercado nacional, até porque a empresa anuncia já a vontade de intensificar a sua presença entre nós. No Financial Times, a Administração da empresa dá a conhecer a sua vontade de investir na entrada no transporte ferroviário na Alemanha e em Portugal.
Será que estão interessados no TGV?
Dupond

Marte


Ora aí estão as imagens da sonda 'Spirit", americana de fabrico (a europeia, por esta altura, deve ser um espírito...fantasma!). Como Pacheco Pereira referiu na SIC, antes que lhe cortassem a palavra, a dimensão destas viagens tem perfeita comparação com a dos Descobrimentos. É verdade, muito embora o ""break-even" seja dilatado de décadas para milénios... Além de que, neste caso, não haja tripulação e até se saiba em que ponto é que o 'mars rover' iria cair, ao contrário de então, em que se navegava às apalpadelas, sem saber o que se ia encontrar, num típico exercício português da arte do desenrasca.
Fotos aqui e aqui.
Continuo sem ver os marcianos, mas só porque se trata de uma tramóia da NASA, para ficar com os conhecimentos avançadíssimos que os locais dispõe. Tal qual fizeram com os selenitas, em 1969... A mim ninguém me engana. Sou amigo do Mulder e já consultei os "The Lone Gunmen". Oh, Yeah!
Dupont

Mucho Mentiroso


Em Espanha está criada uma verdadeira moda: conhecer o passado da candidata a Rainha. Lá, como cá, também correm informações "não confirmadas" e de "fonte segura" que asseguram que: "Letizia Ortiz ha compartido hogar con un mínimo de tres hombres además de su primer esposo; que es una devora-machos que ha yacido con un capitán de fragata español, con un militar norteamericano en Iraq, con un director de periódico americano y con un sinfín de colegas. Que se ha corrido juergas incalificables, que abortó en México y que es anoréxica. Esto sin entrar en detalles sobre su carácter y su personalidad, siempre negativos y minuciosamente descritos". Veio no La Razon.
Como se vê, a curiosidade sórdida e voyeurista não é exclusiva de uma certa 'natureza portuguesa' ou 'espanhola'.
É, pura e simplesmente, a natureza humana.
No seu pior.
Dupont

Domingo, Janeiro 04, 2004

SLB-SCP: Um "espert" na matéria


"Os benfiquistas é que andam todos contentes porque a relba deles é melhor que a do estádio do Dragão. Ó meus amigos, é natural que seja. O que se põe na relba é que a faz crescer. E a bossa equipa, realmente, é um rico adubo, não sei se me faço entender bem_ É que isto é como diz o pobão: «quem tem a relba melhor, qualquer jardineiro assume: é quem tem a equipa mais parecida com estrume_» Eh, eh, eh!"
José Estebes, comentador desportivo, in Diário de Notícias, 2004/01/03
Dupont

Cartas anónimas etc. e tal...


Rio-me com este País escandilazado com um MºPº que introduz cartas anónimas, irrelevantes, num processo que irá a julgamento. Na verdade, o País desconhece o que se passa nos tribunais, em foro criminal. E ignora, por completo, as técnicas usadas pelo MºPº para alterar o equilíbrio de forças.
Por exemplo: qualquer inqueritozinho que receba despacho de acusação vai inteirinho para julgamento. Isto é: tudo o que foi apurado desde a primeira folha de papel está ao dispôr do juiz, muito embora sejam meios de prova ilegais. Recorde-se que a tomada de declarações perante orgão de polícia ou funcionário judicial só têm valor probatório em circunstâncias rebuscadíssimas. Algumas há que tem de ser o próprio arguido a autorizá-las...Pois...! No entanto, estão à disposição do julgador que, mesmo durante o julgamento, as consulta serenamente, para confrontar - mas apenas para seu proveito - o que a testemunha diz com o que está lá escrito no seu depoimento tomado na fase de inquérito. E assim forma a sua convicção, com elementos que lhe estão vedados, mas que o magistrado - até por simples curiosidade...- vai ver e que, indubitavelmente entram em linha de conta no momento de formar a sacrossante "convicção".
Isto é perverter todo o sistema, toda a legalidade e toda a Justiça. E é apenas um exemplo... Outro: as partes têm 'x' dias para a prática de um acto. Findo este prazo ainda o podem fazer nos três dias seguintes, mas com multa. O MºPº pode praticar o seu acto no fim do prazo+três dias sem qualquer multa, que delas está isento e sem responsabilidade alguma para o Magis(a)tra(sa)do...
Há demasiadas coisas erradas no nosso processo penal a exigirem pronta modificação. Mais uma: também me irrita a solenidade do MºPº decorrente da disposição física dos actuantes em julgamento, onde os Procuradores estão colocados em posição idêntica e mesmo "ao lado" do juiz, numa clara violação do princípio da igualdade das partes.
E assim vai a nossa Justiça, preocupada com as taxas de justiça e com o envio de peças por disquete, CD-ROm ou email. Para quem não sabe, se um advogado tiver de entregar 20 peças para um mesmo tribunal, e se optar pela entrega do 'suporte magnético' em disquete, terá de entregar, não uma com todos os documentos, mas ... 20 disquetes! E nunca mais as vê!
Dupont

Aborto

Enquanto me divertia com o SLB-SCP, lá fui fazendo a revista da imprensa da última semana, pois estive semi-ausente. Tropecei em várias notícias que davam posts interessantes, mas registei aquela que revela o facto de Jorge Sampaio ter indultado a enfermeira que havia sido condenada por praticar abortos.
Adianto que não está em causa o meu juizo sobre a problemática relacionada com a interrupção voluntária da gravidez e desconheço se a blogosfera já abordou a questão, mas cumpre notar que, até hoje, nunca havia visto um Orgão de Soberania a fazer campanha por determinada solução para um problema, ultrapassando a lei e, claro, o bom senso. Como é que é possível que um Presidente da República use um seu poder - o do indulto - em claro favor de uma solução que não é a preconizada legalmente? Como é que é possível usar o seu cargo para enviar mensagens ao País e, mais importante, ao Governo e à Assembleia? Pior, pelo que me apercebi, nem sequer houve uma explicação sobre o critério que levou à aplicação de tal diminuição de pena...
Um momento negro de um P.R. cinzento.
Dupont

Ena, ena....


Nada como o Ano Novo. Depois da atitude superior do Matamouros, e do Dupond andar entretido a 'dar corda' ao besugo, eis que, roídos de inveja pela atitude superior do Príncipe dos Blogs, os simpáticos bloggers do Blogame mucho se viram obrigados, sob pena de pública humilhação, a receitar 'O Vilacondense' aos seus pacientes. Nós fomos muito mais simpáticos e já os tínhamos arrolado há muito tempo - mais vale tarde do que nunca....
De realçar o tremendo esforço intelectual que deve ter sido inventar um nome alternativo e personalizado para nós, como foi "Tipos de Vila do Conde". Um prodígio de imaginação, claro está, para ser gravado a letras de ouro na futura História da Blogosfera Nacional...
- Pronto, Srs. Drs. muito obrigado. E, como de costume, sem recibo, não é?
Dupont

O Vilacondense n' A Voz da Póvoa

A nossa amiga Cláudia Valente fez, para o Voz da Póvoa, um belo trabalho sobre os blogs vilacondenses. Em relação a nós foi muito generosa: "O Vilacondense é um caso de sucesso na “blogosfera” de Vila do Conde. Criado há cerca de três meses, recebe uma média de 200 visitas diárias. Para além de texto, os posts (mensagens) contêm imagens e um link que permite ao internauta fazer comentários ao que está escrito. Ninguém sabe quem é o verdadeiro autor de O Vilacondense. Fazem-se apostas, trocam-se impressões, mas a verdadeira identidade está guardada a sete chaves".
E vai continuar assim... De qualquer modo, muito obrigado pela simpática referência.
Os outros colegas referenciados são o 'Blogouve-se', o 'rioave' e o 'Lápis de Côr'.
Dupont

Sábado, Janeiro 03, 2004

Mata-Mouros


Mata-Mouros, o príncipe da blogosfera, brindou-nos com a inserção do link d' "O Vilacondense" na sua listagem de eleitos. Digam lá se isto não é começar o ano em beleza?
Dupond & Dupont

Leite mais-do-que-azedo


A novela Parmalat ameaça tornar-se num folhetim que ultrapassa qualquer realidade. Os números apontam para um buraco próximo dos 13.000 milhões de euros, qualquer coisa como cinco a seis vezes o escândalo Enron nos EUA. O presidente cessante e fundador da empresa. Calisto Tanzi (na imagem, com o filho, presidente do Parma FC), já confessou haver desviado, para uma empresa da filha, cerca de 500 milhões de euros. Entretanto, um pouco por todo o lado, o grupo desmorona-se: a equipa de futebol ‘Parma’ está na bancarrota e, em Espanha, a ‘Clesa’, face do grupo italiano no nosso parceiro ibérico, perde fornecedores a uma velocidade alucinante, especialmente para a ‘Pacual’. Por outro lado, gigantes alimentares como a Nestlé, a Coca-Cola e a Kraft Foods, entre outros, estudam uma eventual aquisição.
Mas o mais delicioso são os pormenores. Por exemplo, a ‘Grant Thornton’, uma firma auditora, tratava de aldrabar a contabilidade com uma periodicidade certa: a cada três meses. Outra jogada prendia-se com as exigências da “Webholdings”, uma empresa do grupo sedeada no estado norte-americano do Delaware, que cobrava milhões às outras empresas do grupo por assessoramentos, royalties e um sem fim de serviços - tudo inexistente claro…O ex-director financeiro, Fauto Tonna, confessou que os resultados contabilísticos eram ‘acertados’ com recurso a off-shores nas Antilhas Holandesas e ‘transferiam’ dinheiro recorrendo a falsas ordens de pagamento, pois “tínhamos o logotipo do Bank of América no computador…” A melhor de todas as operações inventadas foi a venda a Cuba, através de Singapura, de 300.000 toneladas de leite em pó. “Ninguém reparou que tal quantidade dava para cobrir a ilha toda com leite em pó…”, comentou o mesmo 'artista'.
As trapaças, aquando do seu desvendar, têm sempre algo de inexplicavelmente patético…
Dupont

Chupa-Chups


Trata-se de uma firma espanhola. Sabiam? Por mim, desde já confesso que não. Pelo tipo de produto, pela agressividade comercial e pelo cuidado na imagem, não me passou pela cabeça outra coisa que não fosse “made in USA”. É para aprender a não ser preconceituoso…
Isto vem a propósito do que li aqui. O fundador da empresa, Enric Bernat, faleceu, com 80 anos, em Barcelona. Para além do que a BBC-Brasil diz, soube ainda que era filho e neto de ‘confiteros’, sendo que o seu avô foi o primeiro, em Espanha, a fabricar caramelos. Criou a empresa em 1957 e nunca mais parou. Aliás, segundo fonte sindical, o crescimento, nos anos 90 foi tão grande que a gestão da empresa não aguentou e acabou em recessão!!! Em 2001 facturou 414,2 milhões de euros e tem uma dívida que ascende a 110 milhões. É das marcas espanholas mais conhecidas em todo o Mundo. Aliás, entre nós, até caiu no domínio da marca genérica, tal como aconteceu à ‘kispo’ e à ‘aspirina’, que mais do que a marca, se referem a um tipo de produto – no caso, o ‘chupa-chupa’.
Às vezes somos surpreendidos por notícias como esta, que fazem alterar a percepção algo superficial e a pré-noção que temos das coisas. Até mesmo de um simples rebuçado enfiado num pauzinho…
Dupont

Lego


Por falar em empresas viradas para o mundo infantil, o diário ABC referia que a LEGO iria, pela terceira vez na sua história, apresentar resultados negativos. Enfim, nada de surpreendente, a não ser a causa revelada para o ‘sinal vermelho’: os franchisings da ‘Guerra das Estrelas’ e do ‘Harry Potter’. Extraordinário, não é?
Parece que os miúdos, especialmente os americanos que representam 40% das exportações do “Brinquedo do Século”, não querem misturas entre mundos virtuais e a realidade dos pequenos tijolos multicolores.
Numa altura em que se fala da má formação dos jovens, que não ligam aos valores, que a juventude está corrompida, blá, blá, blá, aqui está um exemplo em como a verdadeira magia de construir algo unindo pequenos tijolos de plástico vence a magia virtual de magos e viagens espaciais. Pelos vistos, no território 'Lego', são os próprios utilizadores que querem criar o seu mundo. Compreendo perfeitamente: quando era miúdo, preferia que me oferecessem uma caixa de peças ‘Basic’ para dar largas à veia arquitectónica, em vez de ter de estar a construir o que me era ‘imposto’.
(Pergunta freudiana: será que ter gostado de brincar com legos faz de mim potencial candidato a uma qualquer autarquia? Benza'Deus....)
Dupont

AM, a vez do PS

Ainda sobre a saída da Assembleia Municipal por parte dos Deputados Municipais do PSD, vem agora o PS à carga, no suplemento de Vila do Conde d' O Primeiro de Janeiro. A avançada inicia-se com o vice-presidente da Câmara e possível número um, Abel Maia, continua com o desconhecido presidente da JS, José Aurélio Baptista e termina com o jornalista-que-não assina-nada-no-seu-jornal (JVC) mas anda a 'tapar buracos' no Primeiro de Janeiro, o inenarrável Carlos Laranja.
Curioso: já que, mais coisa, menos coisa, dizem todos o mesmo, bastava ter sido um a fazê-lo que sempre se poupava em papel e paciência...
Sobre o mesmo assunto, ver, ainda, este bocejo de Alexandre Raposo, do CDS-PP.
Destaque para Abel Maia, que aproveitou para mandar uma bicada em Santos Cruz, o seu possível opositor nas próximas autárquicas. Força, rapaz, nada como mostrar que se está atento a todos os pormenores. E o 'chefe' sempre irá tirando notas. Para a semana teremos artigo de António Caetano?
Dupont

Sexta-feira, Janeiro 02, 2004

Se a moda pega...

O Público informa-nos que um suinicultor espanhol foi condenado a um ano de cadeia por ter poluído os lençois freáticos da sua zona. Se a moda pega por cá, ainda vamos ver muitos suinicultores, agricultores e até Presidentes de Câmara presos. Basta ver onde são descarregadas muitas das fossas domésticas recolhidas pelas autarquias...
Dupond

Estamos no jornal

Ao receber a edição de papel do "Terras do Ave", vi que, conforme já aconteceu no último número, o Director transcreveu na rúbrica "Ex-citações" partes de algumas postas dos blogues vilacondenses entre os quais o nosso. Da parte d"O Vilacondense", agradeço a publicidade que nos faz. Mas como leitor do jornal, sugeria que a coluna fosse mantida com uma recolha de frases dos jornais (especialmente locais), podendo, se assim o entender e o material continuar a existir, criar uma nova coluna para relatar a agenda blogosférica vilacondense.
Dupond

Informação desportiva

O último poll que o Rio Ave lançou pergunta qual a melhor fonte de informação sobre o nosso Rio Ave FC. De entre as várias opções estão os 3 diários desportivos do país e as rádios locais. Não sou leitor dos primeiros nem ouvinte das segundas.
Sendo apreciador de desporto (não só, nem sequer principalmente de futebol), julgo que os jornais desportivos que temos são do pior que existe em termos de comunicação social em Portugal. Obviamente que nesta avaliação estão incluídos todos os orgãos de comunicação social genéricos e/ou especializados. Esta opinião prende-se com a tipo de abordagem aos assuntos: são sectários, não mostram a mínima profundidade na análise dos temas, são futebol-cêntricos, são especuladores e instigam a conflitualidade, enfim, não consigo encontrar uma única virtude na sua existência. Aliás, se fosse por mim, não existia nenhum, pois desde há mais de uma década que não compro um único exemplar.
Quanto às rádios locais, sem ser ouvinte, julgo que estão de tal forma amordaçadas e adormecidas que não conseguem ter a mínima expressão na capacidade de criar opinião acerca do que quer que seja.
Por isso, meu caro sócio 2259, a minha opção vai mesmo para "Outro", ou seja, para ti.
Continua!
Dupond

Vamos às Antas

Correndo o risco de ver o seu novo estádio inaugurado oficialmente com uma derrota (como aconteceu com os vermelhos de Lisboa ao abrir com o Beira Mar), o F. C. Porto não descansou enquanto não arranjou uma boa desculpa para alterar o local do encontro, fugindo assim à vergonha certa.
Depois de alguns dias a preparar a encenação, eis que a Liga confirmou hoje, em comunicado oficial, que o desafio se realizará no Estádio das Antas. A desculpa (esfarrapada) é a relva...
Dupond
PS - Dupont, desculpa lá este texto, mas confesso que não resisti!

Haja respeito!

O besugo anda chateado. Lá no hospital SA em que trabalha, deixaram de lhe estender a passadeira vermelha nos corredores sempre que pressentem os seus ilutres passos e de se curvar veneradamente perante si a cada encontro. Além disso, também consta terem acabado com o tom temeroso com que todos lhe dirigiam a palavra, quando começavam a acabavam cada interpelação com um respeitoso "Senhor Doutor".
Em vez disso, tratam-no agora como «Colaborador». A ele e ao porteiro, como se fosse possível dois seres de constituição totalmente diversa serem tratados de forma idêntica.
Realmente besugo... Já não há respeitinho como antigamente!
Dupond

Revisão constitucional

Há dias, o Público abordava a questão da revisão constitucional, trazendo para a discussão a alegada vontade dos partidos da maioria governamental em substituir o preceito da igualdade pelo da equidade.
Esta é uma discussão verdadeiramente interessante e necessária. É bom que o país pare para pensar e decida sobre estas matérias. É bom que tenhamos consciência de que está neste tipo de questões a chave para podermos identificar o tipo de sociedade que queremos e na qual vamos viver.
Nesta discussão há dois caminhos. O primeiro será o de nada fazer. A Constituição consagra a igualdade de todos os cidadãos no acesso à saúde ou à educação, por exemplo. O Estado fica, assim, obrigado a pagar integralmente os serviços de saúde e educação. Os cidadãos terão todos o acesso a esses bens garantido, não se fazendo distinção em função da situação patrimonial ou nível de rendimentos de cada um. Será isto que verdadeiramente queremos? Será que o país consegue pagar isto? Será que isto é o mais justo, quando sabemos da evolução económica do nosso país, quando o comparamos com aquele que existia na altura da elaboração da constituição?
O outro caminho é o de postular a garantia de equidade no acesso aqueles bens por parte de todos os cidadãos. Se for este o caminho, o Estado fica com a obrigação de garantir, a todos, os meios para beneficiar de saúde e educação, mas reserva o direito de poder exigir dos cidadãos a devida comparticipação. Ou seja, aqueles que não tem possibilidades económicas de aceder aqueles bens, terão no Estado a entidade que fica obrigada a garantir-lhes o acesso. Os outros, terão acesso a eles, suportando, na proporção do respectivo rendimento, uma parte ou inclusivamente o total do custo desses bens.
Esta será, certamente, uma discussão que vai durar algum tempo, e trazer à praça pública a clivagem esquerda-direita. É legítimo que assim seja. Mas é bom que se diga que deveremos fazer um debate sem hipocrisias. Todos sabemos que o actual caminho está a levar-nos a um resultado pouco animador. No campo da educação, por exemplo, temos assistido nos últimos anos a uma situação interessante: o proliferar de escolas privadas em todos os níveis de ensino. Há hoje muitos pais que preferem pagar a escola básica dos seus filhos, quando poderiam usufruir do ensino público gratuito e à porta de casa. Apesar deste fenómeno, que aliado à baixa natalidade tem levado à diminuição dos alunos, o Estado, todos os anos, aumenta a sua despesa com a educação. Será que isto é justo? Será que a sociedade está a ganhar com a forma como os recursos estão a ser alocados?
Parece-me que não e por isso defendo a proposta de revisão que se anuncia.
Dupond

Voz da Póvoa off-line

Com a curiosidade espicaçada pelo Rio Ave, fomos "a correr" olhar para a página do "Voz da Póvoa" para ler a anunciada reportagem sobre blogues de Vila do Conde e Póvoa.
Infelizmente, a página está off-line, o que nos impede, desde já, de ler a dita reportagem. Assim sendo, só nos resta esperar que o carteiro chegue a casa e nos traga a edição de papel. Será que esta situação é já um reflexo da mudança de administração daquele simpático jornal? Meu caro Artur Queírós, muda o que quiseres, mas não nos tires a página web!
Dupond

Quinta-feira, Janeiro 01, 2004

CTT

De acordo com uma notícia do jornal "Caxinas Actual" que o Terras do Ave revisita nesta edição, os CTT decidiram desfazer-se do posto que instalaram nas Cixinas, preparando-se para entregar a respectiva gestão à Mundial Confiança.
Acredito que esta notícia seja verdadeira, até porque é uma medida que se enquadra na estratégia global da empresa, conforme tem sido divulgado em vários orgãos de comunicação social de âmbito nacional. Se apelarmos ao espírito bairrista, teremos a tendência de ver nesta medida uma afronta à nossa terra, muito especialmente às Caxinas. Apesar disso, a racionalidade manda fazer algo diferente. Ou seja, se os CTT estão a pretender desfazer-se do posto das Caxinas, é porque este, nas actuais condições não apresenta um desempenho que lhe permita tornar-se numa unidade suficientemente interessante. Assim sendo, e desde que esteja garantida a prestação dos serviços postais com níveis de eficiência, pelo menos idênticos aos actuais, não me parece que estejam em causa grandes riscos. Aliás, a entrada de uma empresa forte, como é a Mundial Confiança, ainda pode permitir que haja mais investimento naquela loja, bem como a ampliação do tipo de serviços que presta.
Dupont

Excelente entrevista

A edição de hoje do «Terras do Ave» já está on-line. Dando sequência a uma série de interessantes entrevistas, Pedro Brás Marques apresenta no seu jornal o Ministro da Educação, David Justino, onde este fala um pouco de tudo: do seu percurso político, pessoal e profissional, bem como de alguns dos traços mais marcantes da actual política que está a ser desenvolvida pelo Ministério da Educação.
Esta é uma entrevista a não perder.
Dupont

Bem vindo 2004!


A todos os leitores, «O Vilacondense» deseja um grande Ano 2004. Esperamos sinceramente que consigam concretizar os vossos desejos e aspirações pessoais e profissionais.
Dupond & Dupont