segunda-feira, janeiro 31, 2005

Desculpe???

"Jerónimo de Sousa apela ao voto na coligação". No DD.
Dupont

Freitas, o Tratante

"Aquele malandro, aquele tratante, tanto fiz por ele, tanto o apoiei, um vez até aluguei uma caminete de carreira, atasquei-a com a minha gente e lá fomos pra Lisboa, a um comício, com as bandeiras a apanhar vento - e nós tamém, estava um frio do camano - a berrar todo o caminho: Freitas, Freitas, Freitas..."
"Tanto dinheirinho dei para as campanhas, tantos cartazes dei a fazer na tipografia, e quantas tichârtes eu fiz aqui na fábrica pra ele, nem tem conta!"
"O Tratante". A não perder. No Trenguices.
Dupont

«Big Fish»

É um belíssimo filme, o último de Tim Burton a passar nas salas de cinema. Ou na televisão de minha casa, que foi onde o vi, ontem. É um filme sobre um homem que, enquanto viveu, soube encontrar magia em tudo o que o rodeava. Mas não a guardava para si, antes encantava todos com histórias maravilhosas de acontecimentos fantásticos que lhe tinham acontecido. O filho, racional, quase tinha vergonha do seu pai. (In)felizmente, apenas apreendeu o dom paternal no momento da morte do progenitor.
Celebrando o aniversário do pai, o Nuno Guerreiro, também ontem, colocou este post onde mimetiza, na perfeição, a mensagem do filme de Burton, com uma enorme vantagem: o Nuno há muito descobriu a magia do seu pai. Parabéns. Aos dois.
Dupont

Aquecimento global



Há algum tempo demos conhecimento do site do United States Geological Survey que disponibilizava fotos antigas relacionadas com geologia.
Agora propomos este, o SF Gate, que faz a comparação entre imagens de glaciares obtidas há algumas décadas, com outras tiradas recentemente. Para onde é que foram os rios de gelo?
Dupont

Estou «chocado»!


Portas diz que o programa do PP é um «choque de valores», que «a sociedade portuguesa precisa de valorizar referências, há uma espécie de relativismo ético que não abona ao estado do país», que demonstra «lealdade a Portugal» e promove a «valorização da classe média como alavanca do país».
Ah, Portas, como eu te compreendo. Queres ver?
«A resolução dos problemas de que Portugal padece passa pelo incremento dos valores que a sociedade anseia por ver restaurados, o que só se obtem através da sublimação dos princípios. Estes, por seu lado, conseguem-se com uma profunda reflexão que unirá as forças vivas e pensantes da sociedade. A massa crítica daqui resultante, posta ao serviço da Pátria, levará a que as sinergias provenientes das diversas áreas se conjuguem, erguendo o emprego, os salários e a alegria dos portugueses, ao mesmo tempo que esmaga a inflação, o descrédito e os problemas sociais».
Prontos'!
«O que me custa, pá, é ver estes gajos que falam, falam, falam e não fazem nada... Ahmm», Gato Fedorento.
Dupont (Foto: A Capital)

E os que estão a partir do 300.001º lugar o que é que fazem?

"Sócrates promete retirar 300 mil idosos da pobreza". TSF.
Dupont

Onda de violência


O inclassificável ser que está no centro desta imagem confessou ter morto e, depois, degolado um casal de idosos em Canidelo, Vila do Conde. Confirmou, ainda, que foi o responsável por um outro homicídio, em Malta, e por vários assaltos nas redondezas.
Fica uma pergunta: será que a tão falada onda de violência só era cavalgada por este surfista?
Dupont (Foto: O Comércio do Porto)

Trapalhada

Será que Victor Fernandez e Santana Lopes andaram na mesma escola?
Dupont

Porto-Braga

O que é que se há-de dizer do Porto-Braga?
Que tudo correu a favor do Braga a começar pela equipa do Porto que não correu?
Que os jogadores estão completamente desinspirados e muito pouco transpirados?
Que o Fernandez não os tem no sítio para os pôr no sítio?
Que há indisciplina que decorre da falta de disciplina?
Que há jogadores acabados de chegar que jogam no lugar de outros que nunca deveriam sair?
Que o Presidente anda a ouvir outros apitos que não o do árbitro?
Que perdemos 15 pontos em casa, estamos a jogar com 5 brasileiros, o que dá tudo 0 de futebol?
Dupont

domingo, janeiro 30, 2005

A história do elefante na loja de cristais

"O outro candidato [Sócrates] tem outros colos. Estes colos [femininos] sabem bem". Pedro Santana Lopes, Público.
Dupont

A história do elefante na loja de porcelanas...

"Santana Desafia Sócrates a Pronunciar-se Sobre Casamentos Homossexuais". No Público.
Dupont

Presidente do STJ

O Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, ontem falecido, tinha alguma ligação a Vila do Conde, uma vez que foi Juiz no nosso Tribunal.
Dupont

sábado, janeiro 29, 2005

«Estávamos só a conversar sobre a reforma do poder autárquico...»


"Os Presidentes das câmaras de Gondomar e Leiria, Valentim Loureiro e Isabel Damasceno - ambos arguidos no processo «Apito Dourado» - encontraram-se terça-feira numa reunião nacional de autarcas do PSD". No Expresso.
Dupont

Agora perdi-me: vamos votar nas Legislativas ou nas Presidenciais?


No Expresso.
Dupont

«Não é isso que o País quer ver revelado, pá!»

"PSD desafia Sócrates a revelar rendimentos".TSF.
Dupont

«Cá se fazem, cá se pagam»

"Visivelmente irritado, o ministro das Finanças voltou a dizer, esta tarde, aos jornalistas que Freitas do Amaral não tem condições «éticas» para continuar na assembleia-geral da CGD. Freitas diz que não tem motivos para abandonar o cargo". TSF.
Dupont

Lázaro

"O avançado brasileiro Mário Jardel chegou esta sexta-feira a Vitória para representar o Alavés até ao final da presente temporada". No DD.
Dupont

sexta-feira, janeiro 28, 2005

Artigos a não perder

No DN, Vicente Jorge Silva analisa o comportamento do PP, ao ver "Paulo Portas corre[r] já a oferecer os seus serviços a um PS vitorioso (mas não o suficiente) a 20 de Fevereiro".
Por outro lado, Vasco Pulido Valente, no Público, arrasa Francisco Louçã: "Uma pessoa treme de pensar e ninguém deseja que o dr. Louçã se incomode e sofra. Só convinha talvez que se coibisse de examinar a virtude do próximo e que não falasse tanto em "hipocrisia". Por razões de gosto e de higiene política".
Não poderia estar mais de acordo, especialmente com VPV. Aliás, depois do artigo de Pedro Oliveira, no barnabé, a que já nos referímos, o mito Louçã começa a revelar os seus pés de barro.
Entretanto, José Pacheco Pereira procura encontrar-se: "Já tive mais certezas do que as que tenho hoje. Há quem pense que é muito simples: critica Santana Lopes, não pode votar no PSD. (...) Mas eu estou em oposição a Santana Lopes e não ao PSD, cujo papel na democracia portuguesa continuo a considerar vital. Seria mau para Portugal que Santana Lopes voltasse a ser Primeiro-ministro, mas seria péssimo que o PSD perdesse o seu papel único no sistema político português"
Dupont

Angoulême


O maior e mais emblemático festival de banda desenhada da Europa, a decorrer em Angoulême, já anunciou os premiados deste ano. O álbum vencedor foi "Poulet aux prunes", da iraniana Marjane Satrapi. Já aqui falámos dela, a propósito da edição nacional de "Persépolis", a sua obra inicial, que já vai no 4º volume, tendo como pano de fundo a revolução iraniana. Agora, a autora retrata os últimos dias de vida do seu tio, um músico. A acção decorre igualmente no Irão, no final dos anos 50.


O vencedor do prémio "desenho" foi para a dupla Jirô Taniguchi/Yumemakura Baku, pela obra "Le sommet des dieux", Vol 2. Um apaixonado pelo alpinismo procura informação sobre o que terá acontecido a um misterioso alpinista japonês, acabado por descobrir um personagem que se identifica de corpo e alma com a alta montanha. Em França já vai no número 4.
O resto dos vencedores aqui.
Dupont

Jogos Olímpicos


Sendo um dos que consideram o olímpismo como a mais sublime manifestação do desporto, sigo sempre com a atenção que me é possível a preparação dos ciclos olímpicos. Ao longo do tempo, a participação do nosso país nos Jogos Olímpicos tem-se revestido de alguma irregularidade nos resultados, fazendo suceder boas participações (Los Angeles/84 e Seul/88) a péssimas presenças (Barcelona/92).
Portugal é um país pequeno e em que a prática desportiva é algo que não entusiasma o povo. Vivemos para o "todo-poderoso" futebol, ao qual dispensamos todas as atenções, mas do qual pouco retiramos enquanto prática desportiva saudável. O desporto escolar é uma realidade quase invisível que teima em não florescer, não se criando assim os hábitos de prática desportiva generalizada nas idades em que tal deveria acontecer.
O reflexo dessa falta de bases acontece depois na alta competição, com a consequente escassez de atletas com a capacidade para conseguir resultados de nível mundial. Há algumas excepções, mas a verdade é que estão circunscritos a duas ou três modalidades.
Por isso mesmo, é de aplaudir que, pela primeira vez, o Governo tenha assinado um Contrato-Programa com o Comite Olimpico Português, no qual estão definidos os objectivos para a participação nacional nos Jogos Olímpicos de Pequim, bem como o pacote de apoios financeiros disponível. Interessante e inovador é o facto de, ao contrário das anteriores olimpiadas, o dinheiro disponível ser gerido directamente pelo COP e não pelo Governo. Trata-se de uma prática excelente, já que acaba de vez com quaisquer hipóteses de acusações de favorecimentos ou outras, remetendo para o movimento olímpico os meios, mas também a responsabilidade pelo resultado final.
Dupond

Chamem o Darth Vader!


O último filme da saga "A Guerra das Estrelas" só estreia daqui a cinco meses. Mas já há fila para os bilhetes: o indivíduo da foto quer ser o primeiro e já lá está. Pode seguir as aventuras deste... enfim, maluco, no seu próprio blog.
Dupont

Revista de Opinião Vilacondense

No suplemento de Vila do Conde do Primeiro de Janeiro temos:
- Abel Maia, "Novo primeiro-ministro"
- Afonso Ferreira, "Utilidades-I"
- Fernando Reis, "Trabalho(s)... para os mais velhos!"
- Felicidade Ramos, "Infidelidades"
- Sérgio Vinagre, " O «deslizamento de terras»"
Sobre Vila do Conde... nada! (Excepto pequenos textos de Afonso Ferreira)
Abel Maia e Fernando Reis profetizam sobre as legislativas, repetindo ideias e argumentos já ouvidos até à exaustão. O primeiro vê maravilhas no PS, o segundo na CDU. Afonso Ferreira discorda dos dois: é no CDS-PP que está a solução... O líder dos populares apresenta vários "telegramas", num estilo que contrasta com os textos longos que já constituíam a sua imagem de marca. Uma mudança que me parece de aplaudir. Sérgio Vinagre, surpreendentemente, acaba por ter a posição mais equidistante, apontando erros a Santana e Sócrates.
Felicidade Ramos apresenta um belo texto, mas a deixar transparecer alguma descrença face às opções "clássicas" da vida. É bom partilhar as nossas tristezas. Muitas vezes é um processo de expiação. Mas das suas palavras denota-se uma certa amargura, polvilhada com alguma necessidade de justificação. Julgo que não valerá a pena ir por aí. A chave da felicidade não se encontra nos bolsos dos outros, mas bem fechada na nossa mão. E só nós sabemos que portas queremos abrir.
ADITAMENTO: por lapso, não foi incluído "Contra a Ditadura dos Adultos", de Pedro Macedo, em que o nosso mais famoso ambientalista partilha com os leitores o registo de uma sua viagem à América do Sul, onde esteve em contacto com projectos ambientais pioneiros.
Dupont

«Jornal de Vila do Conde» já tem rival!

Maré Alta- A Câmara Municipal e a Junta de Freguesia de Vila do Conde foram inexcedíveis no apoio às famílias dos pescadores de Caxinas resgatados ao largo da Escócia. Enquanto uns falam e mandam comunicados, o PS de Vila do Conde continua a somar cada vez mais votos junto da comunidade piscatória do concelho. Mário de Almeida e o seu executivo têm um projecto para Vila do Conde que dá grande destaque à parte social e humanitária. Mário de Almeida e a sua equipa têm feito um trabalho de mão cheia. Só não vê quem não quer!
in Voz da Póvoa
Carlos Laranja que se ponha a pau. Com um lambe-botas poveiro desta dimensão, ainda fica sem emprego. Só não vê quem não quer...
Dupont

quinta-feira, janeiro 27, 2005

Debates

Ainda não abordamos a questão dos debates entre Santana Lopes e José Sócrates aqui n'O Vilacondense. Analisando a questão, há dois aspectos de base que enquandram toda esta discussão:
- Geralmente, quem pede debates é o candidatro que parte atrás. Foi assim quando Sampaio pedia para debater com Cavaco Silva em 1991 e este não queria, e é agora com Santana a pedir os debates e Sócrates a fugir.
- Os candidatos tem noção de que os debates podem ter uma influência forte na determinação do sentido de voto dos indecisos.
Perante este quadro, Pedro Santana Lopes, que é um excelente tribuno e possuidor de características pessoais que o tornam capaz de vencer qualquer discussão, aposta tudo nos debates com o seu adversário. Para José Sócrates a situação é inversa. Sendo uma pessoa mais fria na forma de se exprimir e não tendo propostas muito diferentes das de Santana Lopes, não se vislumbra que possa tirar a mínima vantagem em debater directamente com o candidato do PSD.
A questão que se deve colocar é a de saber até que ponto é expectável que o sentido de voto das pessoas possa ser alterado. Havendo, como parece, uma vantagem do PS superior a 10%, será possível que tal diferença seja suplantada, mesmo com uma boa prestação de Santana Lopes nos debates e na campanha?
Ninguém pode ter certezas, principalmente se olharmos para aquilo que tem acontecido noutros países e para algumas surpresas de última hora que ninguém pode antecipar. Apesar disso, há, nesta campanha, ao contrário do que aconteceu noutras em que Santana Lopes foi bem sucedido, uma questão que lhe será mais difícil de ultrapassar. É que Santana Lopes vem "agarrado" a uma ideia transmitida pela comunicação social e uma boa parte dos comentadores e fazedores de opinião deste país, de não ter apetência para o desempenho do lugar a que se candidata. Por isso mesmo, o seu desafio é o de conseguir ultrapassar essa imagem. Será que o consegue?
Por outro lado, José Sócrates tem-se valido da vantagem de "ser o outro". Ou seja, há um candidato que tem a tal "má" imagem, sendo que a única alternativa é José Sócrates. Como se tem visto, reduzindo a sua intervenção à exploração dessa vantagem o PS corre riscos, pois começa a constatar-se uma tendência de descida nas intenções de voto por parte do PS, à medida que o tempo avança. Parece estar a acontecer que os eleitores não gostam especialmente de quem lá está, mas não sentem nenhuma motivação concreta para escolher "o outro", neste caso, José Sócrates.
Conseguirá Santana? Aguentará Sócrates?
Dupond

A ler

«A Natureza do Bloco», no barnabé.
Dupont

«Pode ser outra vez um lugarzinho na ONU ou então na UNESCO...»


«... Considero, assim, que o voto necessário no dia 20 de Fevereiro, é no PS. E vou mais longe: acho indispensável que ao PS seja concedida uma maioria absoluta – não como benesse, mas como responsabilidade. ...»
«... O Engº Sócrates merece um crédito de confiança da parte do eleitorado – e, até, um duplo crédito, porque já provou ser bom e porque concorre contra quem já provou ser mau. ...»
«... Não tenho dúvida em afirmar publicamente que, no meu entender, o voto necessário é no PS. ...»
na Visão.
Dupont

Bloguítica

Hoje de manhã, na primeira "ronda dos blogs",deparei-me com esta frase num dos mais lúcidos e inteligentes blogs portugueses: "ESTE BLOGUE......termina aqui."
Um abraço, Paulo. E volta depressa.
Dupont

O Inferno na Terra


27 de Janeiro de 1945. As tropas russas libertavam os cerca de 8.000 prisioneiros que ainda se encontravam em Auschwitz. Relatos posteriores deram conta que os soviéticos, habituados a condições e tratamentos espartanos, ficaram estupefactos com o que lá viram e, pior ainda, com o que ouviram da boca dos prisioneiros: torturas, fuzilamentos, mutilações, envenenamentos colectivo, numa orgia macabra organizada pelas forças alemãs.
O que lá se passou, e também em Dachau e Birkenau, entre outros teatros de morte, é praticamente inconcebível. Pierre de Montaigne, há quatro séculos, escrevia que “nada do que é humano me é estranho”, mas ele não visitou estes campos de extermínio.
As imagens de que hoje dispomos, os documentários que procuram reconstruir e imortalizar essa memória, bem como os filmes que o cinema nos oferece, apenas dão uma pálida dimensão do quão negra pode ser a alma humana.
Porque não há justificação plausível para que se exterminem crianças, mulheres e crianças apenas por terem uma determinada religião. A magnitude da monstruosidade da “solução final” é a prova em como somos imperfeitos e como temos um longo caminho a percorrer em direcção àquilo que muitos chamam de Deus.
Os judeus já foram expulsos de inúmeros países ao longo da história, já sofreram humilhações e roubos sem justificação. Estarão a pagar um preço? Não faço ideia. Mas faz parte da melhor natureza humana lutar contra a adversidade. E o povo judeu, espalhado pelo planeta, sabe bem o anátema que é ser o “Povo Escolhido”. Um grande “bem haja” com a certeza que têm de mim a mais profunda admiração. E que o que terminou há 60 anos seja recordado: como lembrança dos milhões impedidos de viver e aviso para as gerações futuras.
ADITAMENTO: sobre o 'Holocausto', ver "Genocide under the Nazis", na secção "History" do BBC Online, destacando-se o artigo sobre as teses revisionistas... Na secção "Religion", outro dossier indispensável.
Dupont

Oliveiromundo

"A Olivedesportos está interessada na aquisição da Lusomundo Media". No Público.
Estamos a falar do Jornal de Notícias, do Diário de Notícias, da TSF, entre outras miudezas... Nem é bom pensar...
Dupont

A7

A Auto-Estrada entre Vila Nova de Famalicão e o litoral é inaugurada no Sábado, com a presença de Santana Lopes. O Comércio do Porto diz que é "Famalicão-Póvoa", até porque o nó do IC1 fica, efectivamente, em terras poveiras. Mas toda a gente pensa que ali é Vila do Conde e a Póvoa fica só no nó seguinte. Até eu penso assim, muito embora saiba que ali é Argivai...
Dupont

Apalpar terreno

"Confrontos entre meia centena de alunos na Escola Infante D. Henrique. Conselho executivo foi obrigado a chamar a Polícia. Cinco jovens identificados. Tudo por causa de um aluno que apalpou uma colega." No Comércio do Porto.
No meu tempo, o tipo era um herói e a miúda ficava orgulhosa por ter sido escolhida. Agora parece que é crime...
Dupont

«O Arrependido»


Um magnífico film noir é a proposta desta semana da colecção Clássicos-Público. Muito boa gente considera “Out of the Past” uma obra-prima, uma referência para o filme negro, com uma influência que se estende desde então e que, ainda hoje, é notória.
Jeff (Robert Mitchum) é um ex-detective, retirado para uma pacata smalltown, longe do bulício da cidade, gerindo o seu pequeno negócio e procurando gozar os pequenos prazeres de uma existência pacata e tranquila. Mas, um dia, ao seu posto de abastecimento de combustível chega alguém que pergunta por ele. Esse alguém, vindo do passado, fá-lo recordar acontecimentos passados que ele julgava enterrados. À actual namorada, Jeff conta como era detective-privado e havia sido contratado por um gangstrer (Kirk Douglas) para encontrar a sua namorada que havia fugido com uma considerável soma de dinheiro. “Quero lá saber. Traz-me é a miúda”, cito de memória. E Jeff lá vai e encontra-a. Antes não o tivesse feito, pois o poder de sedução de Kathie (Jane Greer) acaba por atraí-lo de tal forma que acaba por virar as costas ao seu “empregador”. Nem será preciso dizer que, a partir daqui, se instala um jogo de gato-e-rato, onde a traição encontra terreno fértil para crescer.
A parte fulcral da acção, isto é, o passado, é-nos mostrada toda em flashback. Daí, o título original: algo que sai do passado. E o que sai são memórias, pessoas e acontecimentos que Jeff gostaria de ver enterrados, pois deles está “arrependido”. Ao abandono da sua anterior vivência não é apenas espiritual, mas também físico, já que se mudou de terra, de amizades e de modo de vida. Um pouco como o Jacinto de “A Cidade e as Serras”, mas com dimensão trágica e com o renegar do passado. Mas será que alguém pode fugir do seu passado?
Jacques Tourneur assina, aqui, a sua segunda obra nesta colecção do Público depois de “A Pantera”. E, se nesse institui alguma imagens que se tornariam referência do terror, também aqui constrói o cenário perfeito para o filme noir, com uma fabulosa fotografia a preto-e-branco realçando a dicotomia psicológica da personagem interpretada por Robert Mitchum. Os ambientes soturnos, carregados de fumo, as personagens cínicas, com diálogos acutilantes, são a essência de quase todos os filmes policias desde então.
É certo que “O Arrependido” não tem a dimensão de outros filmes noir como “Relíquia Macabra”, por exemplo, mas é um filme admirável, uma das maiores jóias desta colecção de clássicos.
Dupont

quarta-feira, janeiro 26, 2005

O que parece não é


Já recebi vários emails com esta imagem de George Bush e o comentário de que se trataria de uma saudação satânica. "Obviamente"...
Confesso que a primeira vez que a vi foi na televisão e, como as filhas o imitaram, até pensei que estavam numa de "hang loose"...
Mas a explicação, simples e desarmante, é dada pelo irrepreensível Nuno Guerreiro, do extraordinário Rua da Judiaria. Assim:
"As aparências iludem mesmo e a linguagem dos gestos está longe de ter uma interpretação universal. Na foto, a mão erguida do presidente americano representa a tradicional saudação texana conhecida como “Hook 'em, 'horns!”, o “grito de guerra” da equipa de futebol americano da Universidade do Texas, os Longhorns (que traduzido dá qualquer coisa como “cornos longos”). Bush usou a saudação em Washington enquanto assistia ao desfile da banda de música da universidade texana – um gesto que seria repetido igualmente pela sua mulher e pelas filhas. Em Portugal, onde é usado com frequência como “saudação” automobilística, tem o significado que todos sabemos. Na Noruega, o jornal Verdens Gang sentiu-se na obrigação de explicar aos seus leitores que Bush não estava a fazer uma saudação satânica, ao contrário do que os costumes locais fariam prever".

Dupont

A importância da palavra "mesmo"


Outdoor, com imagem disponível no site da JSD.
Dupont

Um país de empresários


in TIME, edição de 31 de Janeiro de 2005.
Dupont

Um vilacondense

"Porque não chove?

Assistimos actualmente a uma enorme falta de chuva. Porque será? Acho que tal situação se deve ao seguinte fenómeno: a massa líquida da Terra, isto é os oceanso e rios, encontram-se em grave estado de poluição. Não havendo por causa disso evaporação para a atmosfera, consequentemente não poderá haver depois precipitação. Impõe-se por isso que a Humanidade, nomeadamente os seus líderes políticos, tomem medidas para combater tal estado de coisas sob pena de a vida da espécie humana correr riscos de extinção dentro de não muito longo prazo"
Estava eu a tomar café no Bompastor, quando entra alguém e começa a distribuir papéis com este texto.
- Então, Armando, este já saiu no JN?
- Ainda não, mas vai sair! Olha, dás-me mas é um euro para um sumol?
Armando Leite de Sá é uma daquelas personagens que qualquer terrinha que se preze se orgulha de possuir. Simpático, conversador, passa a vida a escrever para os jornais, para os Chefes de Estado e até para o Papa. A Rainha de Inglaterra, Jacques Chirac e até George Bush já lhe escreveram. É mesmo verdade, basta pedir-lhe as cartas para confirmar. É claro que estão assinadas pelos Secretários, mas o facto de ter trocado correspondência com os grandes deste Mundo enche-o de orgulho, a ele, Armando, uma alma simples e boa que, de vez em quando, se cruza no meu caminho, oferecendo-me o seu último contributo para tornar este Mundo um lugar melhor.
Dupont

Paulo Teixeira Pinto


20 anos depois de fundar o Banco Comercial Português, aquele que é hoje o maior grupo financeiro nacional, o Eng. Jorge Jardim Gonçalves vai deixar as funções de Presidente do grupo. Sem que ninguém esperasse, anunciou hoje que antecipará o final do seu mandato em cerca de um ano, sendo substituido por Paulo Teixeira Pinto.
A indicação do jurista que actualmente desempenha as funções de Secretário Geral do grupo, é uma completa surpresa. Confesso que não esperava que fosse esse o nome escolhido por várias razões: Teixeira Pinto não é fundador do BCP, é jovem (tem 44 anos), tem um percurso na banca ainda relativamente recente, não é um financeiro puro (é licenciado em Direito e Doutorado em História do Direito) e nunca o seu nome constou na praça como potencial sucessor.
Apesar disso, sei que Paulo Teixeira Pinto é um homem de enormes qualidades. É um humanista, um homem com uma cultura extraordinária, sóbrio, tem um discurso cativante, é sério e determinado. Além disso, é um homem de valores e um patriota. Não tenho dúvidas que estas características terão pesado fortemente na sua escolha.
A missão que agora terá de enfrentar é bem difícil. No entanto, por aquilo que dele conheço, acredito que será capaz de levar a "nau a bom porto". Portugal precisa de homens com as suas convições na direcção de organizações como o BCP, que para além do papel fundamental que desempenha na economia nacional, está espalhado pelo mundo, investindo, criando riqueza e difundindo o nome de Portugal.
Dupond

terça-feira, janeiro 25, 2005

Terras de Ciberjustiça

Na simpática mensagem de agradecimento que nos enviou, Pedro Brás Marques, o cessante director do Terras do Ave, convidou-nos para uma visita ao blog colectivo em que está integrado. É o Ciberjus. O tema do blog parece ser o mundo do Direito, mas há espaço para uma história curiosa passada em Vila do Conde.
Dupond

Óscares 2004

A lista dos nomeados da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood já foi anunciada. Nas categorias principais temos:

Melhor filme
  • The Aviator
  • Million Dollar Baby
  • Finding Neverland
  • Ray
  • Sideways
Melhor actor
  • Clint Eastwood - Million Dollar Baby
  • Jamie Foxx - Ray
  • Don Cheadle - Hotel Rwanda
  • Johnny Depp - Finding Neverland
  • Leonardo DiCaprio - The Aviator
Melhor Actriz
  • Hilary Swank - Million Dollar Baby
  • Imelda Staunton - Vera Drake
  • Kate Winslet - Eternal Sunshine of the Spotless Mind
  • Annette Bening - Being Julia
  • Catalina Sandino Moreno - Maria Full of Grace
Melhor realizador
  • Martin Scorsese - The Aviator
  • Clint Eastwood - Million Dollar Baby
  • Alexander Payne - Sideways
  • Taylor Hackford - Ray
  • Mike Leigh - Vera Drake
Vamos lá ver se este será o ano da consagração de Martin Scorsese.
Dupont

«Oooppss.... meti o pé na poça»


Depois de ter dito no debate com Paulo Portas que este não tinha legitimidade para defender o direito à vida pois "nunca tinha gerado uma vida", Francisco Louçã vem hoje, num artigo que escreve no Público, dizer que "a escolha de modo de vida de cada pessoa, é, como sempre foi, estritamente do domínio do privado e não faz parte, em nenhuma circunstância, do debate político". Quem viu o debate reparou que Louçã, de tão enervado que estava, perdeu o controlo sobre si próprio e acabou por entrar no ataque pessoal a Portas, de uma forma estúpida e absurda.
O caso de Louçã é a prova de que, por melhor que seja o actor e por melhor que sejam as suas qualidades dramáticas, a carga genética totalitarista acaba inevitavelmente por falar mais alto. Como diz alguém que eu conheço, a verdade é como o azeite, vem sempre ao de cima...
Dupond

Toma lá... Dá cá...


A Sra. Dra. Matilde Sousa Franco aceitou encabeçar a lista de candidatos a Deputados pelo Circulo de Coimbra do Partido Socialista. Sabe-se agora que este seu gesto de coragem e entrega à causa socialista tem uma contrapartida bem menos prosaica: vir a ser nomeada Provedora da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa caso o PS venha a ganhar as eleições.
Parabéns pelo negócio Dra. Matilde.
Dupond

TSF no seu melhor

Uma notícia sobre os efeitos nafastos de um anti-inflamatório nos EUA. Veja-se como, num mesmo texto, as coisas vão evoluindo na edição online da TSF:
Introdução: "O anti-inflamatório Vioxx poderá ter causado 140.000 mortos nos Estados Unidos";
1º Parágrafo: "[o perito] sugere que 139.000 norte-americanos morreram ou ficaram afectados pelo medicamento";
Citação directa do perito: "Pode-se calcular que entre 88.000 e 140.000 casos adicionais de doenças cardíacas graves surgiram nos Estado Unidos durante o período em que o rofecoxib (nome científico do Vioxx) foi comercializado".
Os sublinhados, evidentemente, são nossos. Sei quem vai achar piada a isto...
Dupont

Subsídio! Subsído! Subsídio!

"Faculdade de Medicina do Porto sem cadáveres para alunos dissecarem". No Público, não disponível online.
Dupont

«Também tu, Bugs?!?!?!?!?!?!»


O blog Robot Johnny anda indignado com as alegações de fundametalistas cristãos, acusando algumas personagens de cartoons de terem comportamentos e conotações homossexuais. Há uns anos, se bem me lembro, foi com os Teletubbies. Na altura, a produtora da série, a BBC, achou por bem nem responder, confirmando que ainda é uma Grande Senhora da televisão.
Desta vez, há blogs, e o Robot Johnny goza, superiormente, com a situação. Não concorda, Gabriel?
Dupont

«Ó p'ra nós aqui prontos para uma coligaçãozinha....»

Bernadino Soares, do PCP: "Para que é que o PS precisa de uma maioria absoluta?".
Dupont

«Só tenho dúvidas sobre qual das duas é que eu sou...»

José Sócrates: "Portugal tem de escolher entre a continuidade e a mudança".
Dupont

Velhos são os trapos!!

PCP promove fórum digital sobre programa eleitoral.
Dupont

As coisas melhoram para Santana


António Guterres apareceu, em campanha, ao lado de José Sócrates.
Dupont

Burton is Back


Depois do delirante "The Bif Fish", Tim Burton volta a mergulhar na animação "stop-motion" de horror gótico, uma área onde se torna difícil adjectivar a sua genialidade. Basta recordar "The Nightmare Before Christmas", o também filme animado que produziu, e onde a fabulosa música de Danny Elfman marca presença incontornável .
Agora, pelo sempre atento Cineblog, fiquei a saber que vem aí "The Corpse Bride", igualmente uma longa metragem de animação. As vozes das personagens serão as de Emily Watson, Helena Bonham Carter, Albert Finney, Richard E. Grant, Christopher Lee entre outros. A "Gente de Burton" também marca presença: Elfmann com a partitura e o indispensável Johnny Depp a dar voz à personagem principal. Aposta nossa: esre será um dos grandes acontecimentos cinematográficos de 2005!
Dupont

Sempre a subir

A 'nossa' Manuela Azevedo, dos Clã, vai ser a convidada especial de Arnaldo Antunes, um dos 'Tribalistas', nos espectáculos que este irá dar no final do mês.
Dupont

segunda-feira, janeiro 24, 2005

Momento de génio

Foi o de Santana Lopes, talvez imbuído do famoso espírito coimbrão, quando comentou a não presença de José Sócrates em debates televisivos.
"Não se faz. Os meninos na escola, quando um não quer ir brincar, tem medo de um brinquedo, chamam-lhe um nome..."
Ou a arte de pôr Portugal a pensar no boato (?) sobre a vida sentimental do líder socialista.
Dupont

Galiza

Aproveitei este fim-de-semana e fui dar mais uma volta pela Galiza. Não fui ver nada que já não tivesse visto, mas, ao prazer da descoberta, sucede um outro: o de apreciar com serenidade uma das regiões que mais gosto.
Não sei se é da proximidade geográfica ou da amabilidade dos galegos, o certo é que me sinto completamente em casa, muito mais do que em certas regiões de Portugal. Adoro passear junto à costa, percorrer todas aquelas povoações com nomes estranhos como Noia ou Cee, ficar a olhar para o mar na Costa da Morte, a Galiza é um daqueles sítios que nos confirma que este mundo há muito foi criado. E Deus deve ter começado por aqui. O granito, frio e duro, testemunha isso, até nas caras dos idosos, que não se dão por vencidos, arranjando forças nos bares de tapas e nas cafetarias.


Santiago de Compostela, então, é uma homenagem à pedra, apesar de edificada em honra de Tiago e não daquele que foi pedra e sobre a qual Cristo declarou ir construir a sua igreja… Ficar parado na Praça do Obradoiro mirando a fachada da Catedral pela enésima vez, mas ainda descobrindo este ou aquele detalhe; entrar no templo e passar sob o Pórtico da Glória, fundindo-me com os milhões que por aquele mesmo sítio já passaram, alcançando a última casa dessa variante do “Jogo da Glória” cuja inicial fica em França; deambular pela Rua do Franco, por onde não passam apenas franceses, mas peregrinos-turistas de todo o mundo; ou, então, ver as novidades editoriais na Rua do Vilar ou as lojas que por ali abundam, mas que estão a séculos dos vendilhões que poluem outros templos igualmente famosos, nomeadamente os de consagração mariana. Enfim, Santiago me encanta.
Quando se fotografa monumentos, nunca se consegue aquelas fotos “limpas” de gente. Então em monumentos concorridos, é impossível. Pois desta vez, como podem ver, não havia praticamente ninguém, apesar de o tempo estar excelente. Tirei as que pude, com a certeza que uma tal conjugação dos elementos dificilmente se repetirá…
Mas já deve ter acontecido… Eu é que não tive coragem de perguntar aquelas pedras velhas, testemunhas silenciosas de milhares de caras e de outras tantas histórias. Até porque tudo ali convida à reflexão e ao silêncio, sem necessidade de placas ou polícias de costumes, porque o respeito conquista-se, não se impõe.
Dupont

Revistas espanholas



Adoro revistas e Espanha é um paraíso para um aficionado. Há de tudo, desde a prensa rosa e suas exclusivas, até às de análise política e económica. Quando lá vou trago sempre uma resma delas, sendo certo que de algumas já sou consumidor há bastante tempo. Entre outras, trouxe a edição espanhola da "Rolling Stone", com os melhores do ano (Franz Ferdinand…) e a lista das 500 melhores canções de sempre, revistas de História, de Política e Viagens. Destaco as edições especiais dos jornais: o anuário do "El Pais"; os dossiers do "Vanguardia", números mono-temáticos e já disponíveis em Portugal, este sob o tema “Quién manda en el mundo?” ou, ainda, a “Siete Léguas”, do "El Mundo", uma belíssima revista sobre viagens.
Em Espanha, revistas são revistas, não são textos eruditos sob a forma de revista. Passo a explicar: lá, ao contrário de cá, a revista é um meio de informação, que se quer moderno, apelativo e leve. O melhor exemplo disto são as revistas de História. Veja-se o caso de “Historia Y Vida” ou “La Aventura de la Historia” e compare-se com a lusa “História”. Não é só a cor, é tudo: os textos são completos e informativos, há esquemas sobre monumentos e edifícios de interesse, há dossiers sobre personagens universais, tudo servido com óptimo grafismo, numa revista que desperta o interesse por ainda explorar mais os temas abordados. A “História” portuguesa é uma tragédia: os textos parecem resumos de teses de licenciatura, o grafismo é inexistente e, piro do que tudo, parece que Portugal só tem interesse histórico no período do Estado Novo. Bem sei que esta publicação está infestada de historiadores de esquerda mas isso não pode explicar tudo. Em Espanha têm orgulho pelo passado, gostam de falar das suas riquezas históricas e não têm medo de enfrentar o passado, seja ele glorioso ou não.
Um outro exemplo é as revistas sobre livros. Por cá, a “Ler”, que já foi bem melhor quando lá andava o Francisco, é um perfeito aborrecimento. Elitista, sobranceira, nota-se a quilómetros que é feita por e para os amiguinhos do clube, onde apenas os livros “bem” merecem referência. Em contraponto, a “Qué leer” fala de tudo, desde a literatura pop à menos conhecida, dos novos autores aos clássicos, sempre numa linguagem que cultiva a proximidade com o leitor comum e o procura motivar para a leitura. Livros apresentados (em Janeiro!...) são mais de uma centena, cobrindo todas a áreas e todo o tipo de autores. E também há espaço para a crítica. Veja-se o comentário à nossa Margarida Rebelo-Pinto, presente numa festa literária em Guadalajara:
(…) en el hotel Villa Real tuve la oportuinidad de comocer la escritora portuguesa Margarida rebelo Pinto que (…) aseguró que, gracias a su novela Alma de pájaro, Portugal se había puesto a leer, porque el mercado había crecido un vientecienco por ciento, y que ella se habia convertido en un fenómeno cultural más importante que los próprios libros.
Por favor, pido a quin corresponda que alguien cree una Policia literária que detenga y juzge estos indivíduos.
Até a pôr certas pessoas no seu lugar eles são bons…
Dupont

ROM

Já alguns blogs se referiram ao assunto: Mário Almeida criou um grupo de trabalho sobre a Reserva Ornitológica de Mindelo.
O grupo é formado pelos seguintes elementos:
  • Câmara Municipal de Vila do Conde (Mário de Almeida, Saraiva Dias, Luis Oliveira)
  • Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional Norte (Guedes Marques)
  • Junta de Freguesia de Mindelo (Joaquim Cardoso)
  • Junta de Freguesia de Árvore (Carlos da Silva Quintans)
  • Movimento PROMindelo / Associação dos Amigos do Mindelo para a Defesa do Ambiente (Pedro Macedo)
  • Universidade do Porto (Paulo Célio)
Lê-se e não se acredita...
Então constitui-se um grupo de trabalho com oito pessoas, onde, pelo menos, cinco são identificados com o Partido Socialista? Será que o PS de Vila do Conde é alguma concentrado de sobredotados e a oposição um bando de mentecaptos?
E, já agora, por muito que não se goste deles mas, até ver, vivemos em Democracia, onde é que estão os representantes dos proprietários? Será que eles são todos da "oposição"? Ou serão, também, um grupo de alienados?
Dupont

domingo, janeiro 23, 2005

Programa Eleitoral

Já linkamos o do PSD. Agora, é a vez do programa do PS (em PDF), que está aqui.
Dupond

sábado, janeiro 22, 2005

Caderno eleitoral

Consulte os cadernos eleitorais e verifique se está devidamente inscrito.
Dupond

Choque de Gestão

O Programa Eleitoral do PSD já está disponível on-line. Quem quiser saber o que significa o "Choque de Gestão", deve vir aqui.
Dupond

sexta-feira, janeiro 21, 2005

Revista de opinião Vilacondense

No suplemento de Vila do Conde d'O Primeiro de Janeiro temos:
- António José Gonçalves, "Vale a pena votar?".
- Jorge Laranja, "Produtividade e competência"
- Alexandre Raposo, "Ideias para o futuro"
No Terras do Ave temos:
- Pedro Brás Marques, ""Adeus"? Prefiro "até um dia"..."
- Romeu Cunha Reis, "O mundo de hoje e os homens de amanhã"
- Miguel Torres, "internet@viladoconde"
- Manuel Pereira Maia, "Deputado Maia"
- Rui Silva, "O preço da água"
No que se refere aos textos d'O Primeiro de Janeiro, fica uma nota curiosa para a dúvida do socialista António José Gonçalves quanto à utilidade do voto no dia 20. Seria de esperar outro entusiasmo de um socialista militante. Além disso, será que a frase "A existência de vários candidatos a deputados do PS e PSD escolhidos por razões familiares..." poderá conter alguma indirecta para anteriores escolhas socialistas Vilacondenses de candidatos a deputados?
Jorge Laranja faz uma interessante dissertação sobre o conceito de produtividade, enquanto Alexandre Raposo complementa uma entrevista que deu recentemente a "Terras do Ave", aprofundando a sua ideia sobre a futura marina de Vila do Conde.
Nesta edição de Terras do Ave surge um texto marcante: a despedida de Pedro Brás Marques das funções de Director daquele periódico. Pedro Brás Marques pode estar orgulhoso do trabalho que fez. Pegou numa publicação moribunda, antiquada e totalmente desacreditada enquanto orgão de informação e transformou-a num "Jornal". Deve realçar-se que, mesmo tendo um Director que era militante assumido de um partido político, o "Terras do Ave" tornou-se no único jornal (com alguma expressão) de Vila do Conde que produz notícias isentas e que dá voz a todos os quadrantes políticos e sociais. Mais do que isso, o "Terras do Ave" produziu reportagens muito interessantes e conseguiu entrevistas notáveis e com enorme qualidade. A sua saída deixa, por esse mesmo motivo, uma enorme responsabilidade sobre os ombros do seu sucessor. Já agora, pela leitura do jornal não ficámos a saber quem será...
Romeu Cunha Reis faz, como de costume, uma excelente dissertação sobre o futuro da humanidade, alicerçando a sua tese em dados estatísticos impressionantes.
Rui Silva publica um texto em que apresenta alguns dados que já abordámos em alguns posts a propósito da concessão de água e saneamento de Vila do Conde, concluindo que o recurso a privados por parte da Câmara Municipal prova a incapacidade da autarquia em resolver, por si mesma, o problema.
O blogger Miguel Torres apresenta-nos um texto sobre a internet. Finalmente, Manuel Pereira Maia escreveu mais um hilariante texto, desta vez manifestando a sua disponibilidade para ser Deputado da Nação.
Dupond

quinta-feira, janeiro 20, 2005

Cantiga do bandido



As declarações de Nuno Cardoso, a propósito do caso do favorecimento ao Futebol Clube do Porto são absolutamente ridículas. Primeiro disse que tinha sido "convidado" para prestar declarações na Polícia Judiciária, como se esta polícia fosse alguma secção de festas de uma agência de protocolo. Depois foi o chorrilho de disparates a propósito de pretensas ligações entre este processo e a amizade de Rui Rio e Aguiar Branco.
Este caso é tão triste, tão miserável, tão ridículo que nem vale a pena fazer mais comentários. Será que Nuno Cardoso acha que as pessoas ainda são estúpidas a ponto de caírem em cantigas de bandidos de 5ª categoria?
Dupond

Entre a Rua da Picaria e a Linha de Cascais


Para o Partido Social Democrata aproximam-se tempos de mudança. A previsível derrota no dia 20 de Fevereiro poderá acarretar uma limpeza de quadros como nunca se viu naquele entre os sociais-democratas.
Desde o seu início, o PSD tem sabido gerir e digerir duas correntes que nunca verdadeiramente se entenderam: a do sul e a do norte, Sá Carneiro era do Porto, Balsemão era de Lisboa. O certo é que a convivência sempre foi apresentada como facto consumado, apenas destoando, aqui e ali, um arrufo como o “sulista, elitista e liberal” de Luís Filipe Meneses.
Mas os tempos são outros e o Norte começa a invocar a prática de Sá Carneiro e não só o seu nome, como faz Santana Lopes. Basta atentar nas recentes entrevistas de Rui Rio e José Pedro Aguiar Branco que, notícias recentes, nos confidenciam terem deixado o ainda Primeiro-Ministro com os cabelos em pé.
Ao Diário de Notícias, o Presidente da Câmara Municipal do Porto afirmou que “a qualidade dos políticos baixou a pique” e que a regeneração é imperiosa, embora, sagazmente, inclua o PS: “Não basta que o PSD, por exemplo, tenha um conjunto de personalidade influentes que queiram fazer isso, porque, mesmo que as haja, se não houver a mesma correspondência no PS, não vale de nada”. E quanto ao futuro imediato, Rio não tem dúvidas: “se o PSD não ganhar, pode colocar-se” a questão da liderança, para a qual ele não faz a “mínima ideia”. E sobre a lista de deputados laranjas pelo Porto, o autarca nem hesita “o cabeça de lista é muito bom”.
Já agora, o que é que pensa “o cabeça de lista” sobre o Presidente da Câmara da Invicta? Ao Expresso, Aguiar Branco diz que conta com ele “absolutamente” e que vê nele, além de si próprio, “um potencial candidato à liderança”. E cita Sá Carneiro: “Primeiro o país, depois as pessoas e depois o partido”.
Neste momento há três políticos com uma imagem de grande credibilidade: os dois citados e António Borges. Dois do Porto e um ligado a Lisboa, lá está…
Aguiar Branco, coadjuvado por outro nome emergente, Paulo Rangel, imprimiu uma dinâmica inusitada para apenas cinco meses de prática governativa. Rui Rio granjeou a admiração do país inteiro ao aguentar firme o embate contra o todo-poderoso Pinto da Costa, habituado a frequentar os Paços do Concelho sem pedir autorização a ninguém.
Os valores que estes dois nomes transmitem são herança directa do quasi-endeusado líder que pereceu em Camarate, vai para um quarto de século. Santana Lopes, o menino bem, o playboy da “Linha”, irrita-se porque vê neles uma solução de futuro, enquanto o seu espelho apenas lhe devolve a imagem de um PSD já ultrapassado.
Um deles, Rio ou Aguiar Branco, ou até mesmo os dois, poderão ser o tal D. Sebastião que terá forçosamente de surgir do meio do nevoeiro que hoje tolda a visão a um partido que, tal qual a mítica Fénix, irá renascer das suas cinzas.
Dupont

«Serenata à Chuva»



A entrega semanal do Público-Clássicos contempla um daqueles filmes que ajudou a enriquecer o próprio termo “clássico”. Trata-se de “Serenata à Chuva/Singin’in the Rain”, de Stanley Donan, de 1952.
A acção decorre nos anos 20, em Hollywood, na passagem dos silent movies para os talkies. É claro que nem tudo corre bem. Um famoso par do cinema, Don e Lina (Gene Kelly e Jean Hagen), ensaia os primeiro passos na era do sonoro. Acontece que ela tem uma voz detestável e um comportamento digno de uma dumb blonde. Tanto assim é que se auto-confunde com as personagens que interpreta. A realização do filme-dentro-do-filme começa a dar para o torto, até porque nos primeiros testes de audiência, esta desata à gargalhada com as vozes dos actores… Surge, então, a ideia de transformar a fita num musical. E, para dar voz à personagem feminina, surge Kathy (Debbie Reynolds), uma rapariga inteligente e alegre. E a paixão entre Don e Kathy surge naturalmente…
“Serenata à Chuva” é, com toda a certeza, o mais famoso musical da história do cinema, apesar de não ter ganho qualquer prémio e de ter saído no ano a seguir a outro grande filme do género, “Um Americano em Paris”, onde a dupla Donan/Kelly granjeara sucesso e prémios. E a aposta até nem foi grande. Basta recordar que o tema-título já tinha mais de duas décadas… Como por vezes acontece, só alguns anos depois da estreia é que o mito começou a tomar forma, até se tornar na fita imortal que todos adoramos.
O filme está recheado de momentos inesquecíveis. O mais famoso será, certamente, aquele em que Gene Kelly sapateia nas poças de água, enquanto chove, cantarolando o tema que deu título ao filme. (Já agora, sabiam que adicionaram leite à “chuva” para que ela fosse visível na tela?...) Ao contrário do que se possa pensar, muitos dos gags que dão vida à fita são baseados em factos verídicos que ocorreram no período de transição do cinema mudo para o sonoro: os actores esqueciam-se do lugar dos microfones, não mantinham o mesmo tom de voz, afastavam-se dos microfones e não eram ouvidos, enfim, um sem número de peripécias próprios de quem dá os primeiros passos numa nova tecnologia.
A música é fantástica (ironicamente, Debbie Reynolds foi dobrada, ela que interpretava uma cantora que dobrava a voz de uma actriz…) e a coreografia atinge píncaros de genialidade. Gene Kelly conquistou, aqui, a sua imortalidade, numa altura em que era rei e senhor do musical, uma vez que mais ninguém conciliava de forma tão perfeita a dança e o canto.
Quem é que, num dia de chuva, não cantarolou
Singin' in the rain
Just singin' in the rain.
What a glorious feelin'.
I'm happy again.
I'm laughin' at clouds
So dark up above.
The sun's in my heart
And I'm ready for love.

Let the stormy clouds chase
Everyone from the place.
Come on with the rain.
I've a smile on my face.
I'll walk down the lane
With a happy refrain,
And singin', just singin' in the rain.
Pá-pará-pá-pará-pá….

Dupont

quarta-feira, janeiro 19, 2005

No papo!!!


Mourinho já tratou de encomendar as faixas...
O seu inglês é que continua um pouco enferrujado: "Of course 10 points is 10 points..."
Dupont

ROM - ou vai ou racha!...

O Presidente da Junta de Freguesia de Mindelo entrou em rota de colisão com Mário Almeida. É que, embora sendo ambos socialistas, têm visões diferentes sobre o futuro da Reserva Ornitológica de Mindelo.
Para o presidente mindelense, "se a Câmara de Vila do Conde não avançar com o pedido de classificação, a Junta irá fazê-lo ainda durante este mandato". Já Mário Almeida defende que o pedido de classificação para reserva é da competência da Administração Central e não municipal.
Curiosamente, a posição do socialista Joaquim Cardoso é próxima da defendida pelo CDS-PP na última Assembleia Municipal. Na altura, a posição dos populares foi alvo de fortíssimas críticas por parte de Mário Almeida e da bancada do PS. Afonso Ferreira, do PP, deve estar a rebolar-se riso...
Dupont

Oposição

A oposição à Câmara de Vila do Conde veio a terreiro mostrar-se "altamente preocupada" com o processo de entrega da concessão do saneamento básico e da água à Indáqua, processo que já abordámos aqui, aqui e aqui.
A acreditar nos argumentos apresentados, é realmente difícil de compreender a razão pela qual uma empresa apresenta uma proposta de realização das mesmas obras superior à outra em 37,3 milhões de euros. Será que, uns, vão usar tubos de ouro e, outros, tubos de latão?
Este processo começa a cheirar cada vez pior...
Dupond

Este gajo não é Dragão!!!!!!!

"José Sócrates afirmou esta terça-feira que, caso vença as legislativas, um dos seus objectivos será o de tirar Portugal da cauda dos 25 países da União Europeia na área da prática desportiva". José Sócrates, na TSF.
Dupont

Realmente, o sol continua a levantar-se a nascente e a deitar-se a poente...

"A SEDES - Associação para o Desenvolvimento Económico e Social, voltou a analisar a situação política e económica de Portugal, e concluiu que, em dois anos, nada mudou", João Salgueiro, da Sedes, na TSF.
Dupont

Se tu o dizes, pá!...

"A dívida pública está controlada e os principais indicadores da economia são positivos. Estamos a dar passos seguros em relação à recuperação". Santana Lopes, segundo o Diário Digital.
Dupont

'Diário Digital' no seu melhor


Ontem, dia 18 de Janeiro, por volta das 23.40 horas.
Dupont

Virginia Mayo


A actriz Virginia Mayo morreu, com 84 anos, vítima de uma pneumonia associada a problemas cardíacos.
Foi das actrizes mais belas de Hollywood nos anos 40 e 50. Participou em inúmeros filmes, de onde vale a pena destacar o dramático "The Best Years of Our Lives", "Captain Horatio Hornblower" onde contracenou com Gregory Peck e o rip-off de Robin dos Bosques, "The Flame and the Arrow" com Burt Lancaster". Teve, ainda, uma ligação profissional duradoura com o cómico Danny Kaye, em filmes como "Up in Arms", "The Kid From Brooklyn", "A Song Is Born" e "The Secret Life of Walter Mitty".
No entanto, sempre a recordarei como o protótipo da mulher que não consegue fazer com que o marido deixe a mãe e se entregue à esposa. Foi em "White Heat/Fúria Sanguinária", de Raoul Walsh, 1949, e a sua expressão de desencanto é inesquecível.
Dupont

terça-feira, janeiro 18, 2005

Águas turvas

Nós já tínhamos referido aqui que a Indáqua havia ganho o concurso para a concessão de de água e saneamento em Matosinhos, depois de Vila do Conde.
Agora, pelo JN, ficamos a saber que por terras de Narciso Miranda a coisa está preta. ENtão não é que a Indáqua vence com
  1. "a tarifa média (a pagar pelo consumidor) mais alta 1,35 euros"
  2. "a menor verba anual como pagamento da concessão à Câmara de Matosinhos"
  3. "o segundo maior investimento."
O júri achou que isto merecia a vitória e assim fez. Os concorrentes, claro está, é que não gostaram e vão recorrer. Curiosamente, o contraditório não agrada ao vice-presidente da Câmara, Guilherme Pinto, membro da comissão de avaliação, que vê neles uma "forma de pressão" por parte de quem torna público estes protestos.
A Indáqua é formada pelas maiores empresas de construção civil do País: Mota e Engil, Soares da Costa, Teixeira Duarte, Monte e Monte e Construções Adriano.
Dupont

«O Cemitério dos Barcos sem Nome»

Lançado há cerca de dois anos em Portugal, “O Cemitério dos Barcos sem Nome” é o último livro de Arturo Pérez-Reverte, o “autor espanhol contemporâneo mais lido em todo o mundo”.
O argumento é bastante simples de contar, até porque gira à volta de meia-dúzia de personagens. Tudo começa num leilão, onde um experiente marinheiro, Coy, assiste a uma dramática licitação por um antigo atlas do século XVIII, entre uma atraente mulher e um homem mal encarado. A mulher, Tânger Soto, vence a parada, Coy acaba por segui-la e, claro está, por se interessar por ela. A história evolui, entre cenas de pancadaria e relatos históricos, até que ficámos a saber que a tal femme-fatale está decidida a encontrar um barco naufragado há dois séculos e meio, o Dei Gloria, proveniente de Habana, transportando uma carga misteriosa, com ligações aos Jesuítas, precisamente na altura em que estes iam ser expulsos de Espanha.


Pérez-Reverte inicia a acção em Barcelona, mas fá-la atravessar Espanha, prosseguindo em Madrid, Cádiz, Múrcia e na costa mediterrânica de Cartagena, sua terra natal. Tal como uma viagem marítima, também o livro acaba por poder dividir-se em duas partes: os preparativos em terra e a vida no mar. Na primeira há o estudo, a descoberta, o crescendo em direcção ao ‘grande momento’ da partida; na segunda, o fascínio do mar, o mergulho, a realização do desejo.
E, se há coisa que este livro faz, é homenagear o Mar. Coy conta-nos a vida de marinheiro, as técnicas de navegação, os medos das tempestades, o terror do afundamento, o respeito pelo oceano, a solidão, os navios, os capitães, as tripulações, as viagens, os portos. As suas histórias são, quase sempre monólogos, a fazerem recordar aquele outro, soberbo, de Robert Shaw, no “Tubarão”, relatando os marinheiros americanos a serem devorados por tubarões. Mas não é só a vida real que nos é contada. Todos aqueles que, um dia, escreveram sobre o Mar, têm a sua referência: Conrad, Melville, Stevenson, Homero, Patrick O’Brien, ninguém foi esquecido, nem mesmo Hergé, com o seu Tintin, que serviu até mais do que de mera inspiração, como adiante se comentará…
A magia das aventuras marítimas esfumou-se, os homens valentes e destemidos eclipsaram-se, os romances de verdaeira aventura desapareceram. Com efeito, os tempos são outros. Coy queixa-se que até os barcos já não são comandados por homens, mas por máquinas:
- (…) depressa as estrelas brilharão inutilmente sobre o mar, porque os homens já não precisam delas para procurar o seu caminho.
- Isso é mau?
- Não sei se é mau. Sei que é triste.
Se há mestria em Pérez-Reverte ela está na arte de contar a história. A acção vai evoluindo de forma consistente, as personagens são credíveis, há mistério cujo desvendar nos vai sendo inteligente e doseadamente revelado e a narrativa não perde força. É-nos dito que Tânger Soto condensa, em si, o saber e experiência das mulheres mediterrânicas que, durante séculos, deram vida às inúmeras civilizações que povoaram as margens desse mar. Se é assim, também Coy é a síntese de tantos e tantos heróis de romances, do deslumbramento de Ismael ao cinismo de Corto Maltese. E a acção de todo o livro assenta nos desejos de ambos: o dela, na busca obsessiva pelo Dei Gloria e, o dele, na busca apaixonada por ela. É claro que um tal desentendimento prenuncia tragédia, até porque, como qualquer marinheiro garantirá, “mulher a bordo dá azar”…
Este foi o segundo livro que li deste autor espanhol. O outro foi “O Clube Dumas”, que Polanski transpôs para o cinema como “A Nona Porta”. Também aí a personagem feminina, fonte do mal, consegue manipular a masculina…


Um bom livro. Excepto no final! O final é simplesmente desastroso. Não o vou revelar, mas posso dizer que a fantástica viagem que nos levou rio abaixo, desde a primeira página até perto da foz, não merecia desaguar num mar tão patético, mais próprio de filmes americanos de série B…
Merece, igualmente, algumas reticências a “homenagem” a Hergé, especialmente aos álbuns “O Segredo do Licorne” e “O Tesouro de Rackham, O Terrível” – e não “O Segredo do Unicórnio” e “O Tesouro de Rackham, o Vermelho”, sem dúvida traduções literais, mas não as oficias portuguesas. Quem conhece as aventuras de Tintin ficará espantado com a solução engendrada por Pérez-Reverte para dificultar a descoberta do Dei Gloria: estavam a usar o meridiano errado como referência. É um estratagema que Hergé usa no “Tesouro…” e a que o escritor espanhol recorre com algum despudor. Bem sei que, páginas antes, ele explica o episódio da série de banda desenhada, pela boca de Tânger Soto, mas ficou-me a impressão que isso é mais desculpa para não virem, mais tarde, com comentários de plágio do que outra coisa… Aliás, já a perseguição do corsário Chergui ao Dei Gloria faz lembrar o relato do afundamento do Licorne, no “Segredo…”. Enfim, como sabemos, se a citação é boa trata-se de uma homenagem; se for má, é plágio…
Um outro ponto que, sinceramente, me intrigou foi a mudança do tipo de narração quando a história já ia “no mar alto”… Com efeito, acompanhámos o desenrolar do trama em terceira pessoa, sempre acompanhando Coy, mas, já relativamente perto do final, o narrador apresenta-se, confessando que conhece toda a história do princípio ao fim. Não vi a mais-valia do recurso a este artifício.
Finalmente, no original, o livro chama-se “La Carta Esférica”, referência ao tal atlas com que a história se inicia e fulcral para o seu desenvolvimento. Por cá, chamaram-lhe “O Cemitério dos Barcos sem Nome”, que até soa bem, mas é apenas uma zona da costa sem grande significado no livro, pois refere-se a um ferro-velho de barcos desmantelados. Opções do tradutor…
Se recomendaria este livro? Sem qualquer dúvida, especialmente para aqueles que gostam do mar, que gostam de livros, sejam romances ou banda desenhada, enfim, para quem gosta de aventuras, mesmo que seja apenas a viajar no seu quarto, como Garrett iniciava “As Viagens da Minha Terra”…
Dupont

Time warp - Huygens


Capa da TIME de 8 de Dezembro de 1952 - Uma sonda terrestre aterra num satélite de Saturno.(via Boing Boing)
Dupont

Um site histórico ou com histórias?


"1ªs páginas do pasquim-mete-nojo-ao-nojo". Bem sei que são dezenas e dezenas de imagens, demora bastante a carregar, mas vale a pena o esforço. Hilariante. (Via O Cafageste)
Dupont

segunda-feira, janeiro 17, 2005

Empresários, Presidente e Sindicatos

A visita de Jorge Sampaio à China está a dar que falar. O Dupont já abordou o assunto com alguma profundidade e tocando uma parte da questão. A outra parte, e que me parece também muito importante e mais urgente, é saber que deverão fazer, hoje, as nossas empresas têxteis. Sim, digo hoje porque qualquer coisa que passe para amanhã poderá deixar de ter a mínima eficácia, pois corre o risco de apanhar as empresas mortas.


A grande maioria das "têxteis" portuguesas nunca passaram de subcontratadas de marcas ou cadeias internacionais, que dominando os canais de distribuição, recorriam a Portugal para produzir os seus produtos. Ou seja, a grande mais valia de Portugal sempre esteve na produção. A bem da verdade, é justo reconhecer que tivemos e ainda temos boas empresas neste campo, que souberam investir em equipamento e métodos de trabalho, produzindo e prestando um serviço que agrada aos seus clientes.
Com a evolução que o país sofreu nestes últimos anos, vimo-nos confrontados com um terrível problema. É que as nossas vantagens (a proximidade aos mercados de destino e a mão de obra de baixos custos) deixou de ter significado. Temos concorrentes que também estão perto (países de Leste ou Norte de África, por exemplo), que anulam assim a vantagem geográfica, além de poderem recorrer a uma mão de obra muito mais barata.
Neste momento, o drama das empresas é o de ficarem pura e simplesmente sem clientes, pois deixaram de ter qualquer vantagem competitiva para oferecer.
Perante este cenário, o que se deve fazer?
Há dois caminhos possíveis. Um deles é o de centrar a nossa actividade industrial em nichos de mercado em que o factor preço da mão-de-obra não seja fundamental. É o caso de algum tipo de artigos muito técnicos, que requerem algum investimento em I&D e nos quais podemos ser viáveis. O outro caminho passa por reforçar a componente comercial das empresas em detrimento da industrial. Pensar que poderemos continuar a manter a mesma quantidade de mão-de-obra na industria têxtil é um erro primário que apenas serve para que o buraco seja mais fundo. A opção que as empresas devem fazer de recorrer à produção em mercados que lhes permitam apresentar preços finais competitivos é a condição sine qua non para conseguirem sobreviver no longo prazo. Para o país isso é bom. Haverá um choque inicial em que será gerado algum desemprego, mas a prazo permitir-nos-à manter uma posição de destaque no sector.
Por isso, a conclusão que quero tirar do episódio Empresários-Presidente-Sindicalistas é a seguinte:
  • Os empresários, se estão a pensar em concretizar a deslocalização de uma parte das suas produções para mercados onde a mão-de-obra é compatível com as exigências de competitividade internacional, estão a agir de forma correcta no interesse das suas empresas e da viabilidade do sector em Portugal;
  • O Presidente, se está a contribuir para ajudar as empresas a concretizar os seus negócios e criar mais exposição comercial aos produtos portugueses (ainda que confeccionados na China, por exemplo), está a fazer bem.
  • Os Sindicatos estão a lutar pela manutenção dos postos de trabalho que existem. É natural e compreensível que o façam. No entanto, estão a lutar por uma causa perdida, e que parecendo justa neste momento, é absolutamente contraproducente a prazo.
É necessário compreender isto a tomar decisões com estes dados. Pensar que se pode lutar contra eles é uma bela homenagem que se pode prestar a D. Quixote de La Mancha.
Dupond

Iniciativa Privada


Carlos Sousa terminou o Barcelona-Dakar num mais do que honroso 7º lugar da geral e primeiro dos privados. Depois daquele arrepiante voo numa duna, há uns anos, ficou a saber que vai ter problemas sérios de coluna quando dobrar o meio século de idade. Mesmo assim, insiste. A força de vontade deste homem é algo que, sinceramente, me ultrapassa. Um enorme aplauso para Carlos Sousa.
Dupont

A Marca Amarela

A notícia correu célere nos noticiários e nas agências noticiosas: a Maconde e a Riopele iam subcontratar na China. A fonte da notícia foi o Correio da Manhã, um jornal que merce alguma, não muita, credibilidade. Segundo o diário lisboeta:
Duas das mais importantes empresas têxteis portuguesas admitem subcontratar na China a produção de peças de vestuário menos competitivas. Com a concorrência imbatível dos produtos chineses a ameaçar 100 mil postos de trabalho em Portugal, consequência da liberalização do comércio deste sector em Janeiro deste ano, Maconde e Riopele encaram como inevitável encomendar fabricos e artigos a parceiros chineses ou indianos, como forma de reduzir os custos de produção.
Esta progessiva atracção pelas obesas margens de lucro do mercado chinês causa apreensão. Ainda no outro dia, num almoço de negócios, um empresário confessava-me a sua estupefacção após se ter deslocado à China e visitado uma feira de materiais de construção. "Havia lá de tudo, desde o parafuso a casas de banho inteiras, passando por granito, cimento, madeiras, tudo, tudo, e a preços que chegam a ser um quinto dos praticados em Portugal!"
Ontem, a revista El Pais Semanal, do conhecido diário espanhol, apresentava uma belíssima reportagem "A Fábrica do Mundo". Os números não são iguais aos do CM, mas não deixam de ser esmagadores: 75% dos brinquedos, 30% dos televisores, 25% das máquinas de lavar, 20% dos telefones celulares, 30% das bicicletas e 70% dos isqueiros vendidos no Mundo são feitos na China.


Lá, copia-se tudo: electrónica, relógios, DVDs, calçado, tudo é clonado, até mesmo quadros de Van Gogh, como se pode ver nesta deliciosa fotografia. Aliás, já aqui n'O Vilacondense abordámos o problema da pirataria.
A taxa anual de crescimento são uns esmagadores 9% ao ano, mas isso é feito à custa da exploração da mão de obra. Há gente a trabalhar sete dias por semana para receber 60 euros, outros esforçam-se 11 horas diários para receberem 75 euros mensais e há quem trabalhe 16, 18 e até 20 horas diárias.


Um firma de Taiwan (!!!!), KYE, emprega 2000 trabalhadores e fabrica ratos para computador. O ano passado saíram 30 milhões de unidades da sua linha de motagem. Salário de cada trabalhador: 55 euros mensais... E estamos a falar de gente com 18, 20 anos e de um país onde não há sistema de pensões e nem se ouve falar de seguros médico. Muitos vivem em alojamento fornecido pela empresa: quartos para oito pessoas e comida, por 7,5 euros mensais...


Por vezes há revoltas, prontamente esmagadas. Cerca de mil trabalhadores da Stella, outra firma de Taiwan, que produz para a Timberland e a Clark, resolveram protestar contra as condições de trabalho. A polícia prendeu os cabecilhas, que foram condenados a vários anos de cadeia. O seu advogado justificou a sentença com o facto de "servirem de exemplo aos investirdores em como os seus interesses estão garantidos" na China... É claro que o Poder vê, nestas manifestações, não a justa e legítima manifestação do proletariado, mas uma "tentativa de subverter o poder"...
No entanto, nem todos os chineses embandeiram em arco... Alguns economistas desconfiam do rótulo de "Fábrica do Mundo". As razões, para isso, são várias: o grosso das exportações está ligado a produtos de manufactura intensa e não a industrialização; depois, a China só representa 5% da produção mundial, frente aos 20% dos EUA e 15% do Japão; em terceiro lugar, a maior parte dos produtos de electrónica, por exemplo, é feito com peças importadas; em quarto lugar, a qualidade dos produtos é baixa.
Perante isto, o Governo chinês tem incentivado as actividades de investigação, promovendo a criação de marcas próprias e abrindo-se ao exterior para investimentos. A razão de ser é que o Governo já se apercebeu que um modelo baseado totalmente em negócios de baixo valor acrescentado e margens baixíssimas de lucro é insustentável.


A China parece, hoje, um lugar de contradições, um país a duas ou mais velocidades, em que as opulentas Hong-Kong e Xangai contrastam fortemente com grandes áreas do país que competiriam com a nossa Europa Medieval. Isto sem esquecer as desigualdade de armas que opõe as empresas do Mundo dito civilizado às chinesas, que não cumprem regras laborias mínimas. O certo é que não só os empresários compram "Made in China", como os próprios chineses continuam a criar entrepostos comerciais por toda a Europa. Cá em Vila do Conde temos um, como é sabido, na Vaziela, uma verdadeira Chinatown.
Tal como andámos séculos a lutar contra a Espanha, na esperança de manter a nossa independência e, agora, somos cada vez mais controlados económica e finaceiramente por "nuestros hermanso", também parece que a China não conseguiu criar um império mundial, mas ameaça fazê-lo com uma bomba atómica de repercussões imprevisíveis: os preços super-baixos!
Mais imagens sobre as fábricas chinesas aqui, sobre condições de trabalho: Asian Labour.
Dupont

Belisquem-me!!!!

O FC Porto termina a primeira volta na liderança da SuperLiga!!! Não dá para acreditar! Pelos vistos, querem obrigar o Dragão a ser campeão, apesar de Luís Fernandez andar a fazer o possível para que isso não se realize...
Dupont

domingo, janeiro 16, 2005

Anedota de Loira

No Público, não disponível online: "O futebolista do Boavista João Pinto recusa-se a atravessar a pé a rua que separa a sua casa do Estádio do Bessa. Segundo o "24 Horas", todas as manhãs, o jogador sai da garargem do bloco de apartamentos onde reside num potente Mercedes prateado e percorre os 13 metros que o separam da garagem do Estádio do Bessa, onde decorrem os treinos. O diário escreve que o percurso é de apenas 20 passos. Uma insignificância para quem anda a pé, mas para um automóvel é completamente ridículo. O percurso é tão curto que certamente nem dá ao jogador a possibilidade de meter a segunda velocidade no seu bólide".
Só falta saber se JVP é mesmo assim ou foi contágio da Marisa Cruz...
Dupont

sábado, janeiro 15, 2005

Oooops!

Estão a ver a foto que o jornal alemão 'tz' usou para ilustrar a tragédia no Índico? Já toda a gente a viu e até a recebeu por email, não é verdade?
Acontece que não está relacionada com o tsunami, mas antes com uma reportagem sobre marés na em determinada zona da China, feita em 2002. Mas não foi só o 'tz'. Centenas de revistas e jornais embarcaram no engôdo...
A história está aqui, via Ponto Media, cada vez mais de visita diária obrigatória.
Dupont

As ilustrações de Ernst Haeckel


Aqui fizemos referência a um site de ilustrações de carácter médico, especialmente de anatomia. Belíssimas. Agora, apresentamos Ernst Haeckel, um ilustrador alemão que, no virar do século XIX para o XX, produziu dezenas de imagens com microorganismos, plantas e animais. Nem tudo lhe correu bem, uma vez que foi acusado de ter corrigido alguns desenhos para melhor se adaptarem à sua própria teoria da evolução. Paciência... Importante são as ilustrações, verdadeiramente admiráveis. O site disponibiliza-as em ficheiros pesadíssimos, pelo que aqui fica o aviso.
Dupont

sexta-feira, janeiro 14, 2005

Make love, not war...

Foi divulgado pelo Pentágono que os EUA pensaram no "desenvolvimento de um afrodisíaco que tornasse os soldados inimigos sexualmente irresistíveis uns para os outros. A intenção era provocar um comportamento homossexual generalizado entre as tropas, o que causaria um golpe «desagradável mas não letal» à moral dos soldados, refere a proposta".
Bem, se isto fosse avante e Paulo Portas ainda fosse Ministro da Defesa, nem quero imaginar a confusão que se instalaria nos quartéis, com tantas espingardas, baionetas e canhões à mão de semear... Até o José Castelo Branco se alistava!
Dupont

A "Concessão"

Afinal, o processo de adjudicação da concessão da gestão das águas e saneamento de Vila do Conde parece estar a dar que falar. Segundo o Público de hoje, o consórcio escolhido apresentou uma tarifa aos consumidores bem mais elevada (mais de 26%) do que outro dos concorrentes.
Afinal, além daquilo que já haviamos aqui escrito, há outras coisas bem importantes para esclarecer. Esta de obrigar os Vilacondenses a pagar mais 26% por um serviço quando poderiam obter o mesmo por um preço inferior não é nada agradável.
Aguardam-se explicações.
Dupond

Alguém acredita que vai ser só isto?

Orçamento declarado para a campanha eleitoral

O PS nem um milhão de contos gasta? Está bem, abelha...
Dupont

«The Brick Testament»


Foi através da Gotinha que descobri este site simplesmente adorável. O seu autor é Brendan Powell Smith e o que ele faz é simplesmente ilustar episódios bíblicos usando peças de LEGO. Isso mesmo, os tais tijolinhos ("bricks") de plástico que todos nós conhecemos. Uma vez que é feito sem qualquer ligação à empresa dinamarquesa, imagine-se a quantidade de peças que deve haver lá por casa...
O resultado é espectacular e para ser levado a sério. Os diversos episódios retratados, quer do Velho quer do Novo Testamento, são bastante fidedignos, estando acompanhados das respectivas citações bíblicas. A imaginação do autor é prodigiosa, mas também a técnica fotográfica, já que faz um inteligente uso da profundidade de campo.
Dupont

Revista da Opinião Vilacondense

No suplemento de Vila do Conde d'O Primeiro de Janeiro temos:
- Abel Maia, "Tragédia"
- Fernando Reis, "Espinhos, por rosas..."
- Sérgio Vinagre, "O tronco da felicidade";
- Afonso Ferreira, "Votos"
O vice-presidente da Câmara mostra-se particularmente tocado pela tragédia no Índico, o mesmo acontecendo com Sérgio Vinagre.
Fernando Reis aproveita a sua intervenção na Assembleia Municipal e transforma-a em artigo. Impressionantes são os números do Orçamento/2005 para as freguesias:
As freguesias de Bagunte, Canidelo, Fajozes, Ferreiró, Malta, Touguinha e Tougues, por exemplo (TODAS JUNTAS!), receberão cerca de 1 por cento; havendo 12 freguesias cuja verba vai de 0,3 por cento a 1 por cento; sete freguesias receberão entre 1 e 2 por cento e três freguesias (em função das sempre adiadas piscinas) têm prometidos 4,7 por cento (Macieira); 5 por cento (Junqueira) e 8,4 por cento (Mindelo)
Se, para Mário Almeida, este foi o "Mandato das Freguesias", onde até foi "Ver, Ouvir e Planear", então Reis tem toda a razão e não se percebe a incongruência dos números com os comportamentos anunciados...
Afonso Ferreira segue estratégia semelhante, mas optando por recordar a proposta que o PP apresentou sobre a ROM, mas que a maioria PS rejeitou. A sua conclusão é simples:
percebemos muito bem que é a Câmara que não está verdadeiramente interessada em preservar aquela área, socorrendo-se dos mais inverosímeis argumentos para inviabilizar a solução para os problemas.
Dupont

País irmão?


Os brazileiros adoram "xingar" no português e não perdem uma oportunidade. Vejam o que o Giba Um, jornalista, anda a dizer sobre nós... Eles tiveram o Collor de Mello, bem pior, mas já se devem ter esquecido...
Dupont

quinta-feira, janeiro 13, 2005

«O Príncipe do Povo»


Dupont

Um tesouro


O United States Geological Survey disponibiliza centenas de imagens dos seus arquivos, como esta, sobre uma formação rochosa, em San Luis Obispo, na California, obtida em 1900. Está tudo online, com várias opções de procura e sempre com explicações. Uma delícia.
Dupont

Leituras (com aditamento)

  1. "Começaram outros silêncios", "Um terceiro partido central" e "Subidas e descidas", no Abrupto, sobre a actual situação política, em especial sobre o PSD. Leitura absolutamente obrigatória.
  2. "Demagogia: a meta dos 5000 anos", no Médico Explica..., sobre a ignorância jornalística. Atenção ao último parágrafo - hilariante.
  3. "Rui Rio", n'O Observador, sobre o presidente da Câmara do Porto, evidentemente.
  4. "Não fazer nada", no Trenguices, sobre isso mesmo;
  5. "S.o.s. haarp", no Vila do Conde Quasi-Diário, sobre armamento de manipulação do tempo;
  6. EXTRA: João Pereira Coutinho, cronista no Folha de S.Paulo (via Bomba Inteligente)
  7. NOVO Blog: Margens de Erro. É de Pedro Magalhães. De leitura obrigatória, especialmente para aqueles inteligentes que gostam de fazer títulos com sondagens...
  8. "O Sr. Director", no Random Precision, pelo barnabé, que se pode resumir em "Para ser Director Nacional da P.S.P. não é preciso ser doido. Mas, pelos vistos, ajuda muito...". GENIAL!
Dupont

«Céu Aberto/The Big Sky»


Um comerciante de peles, francês, arrisca-se a entrar por território índio inexplorado, no fito de conseguir algum lucro. O caminho que escolhe é simples de seguir: o rio Missouri, numa distância de 1200 milhas. Com a sua equipa segue uma índia, Teal Eye, que lhes serve igualmente de guia, e todos têm de lutar contra a natureza, os indígenas e contra os abusos do chefe. Entre eles estão Kirk Douglas e Dewey Martin, uma dupla que apenas se irá separar quando a índia escolher um deles para seu par…
“Céu Aberto” é a segunda oferta de Howard Hawks, depois de “As Duas Feras”, na colecção Clássicos-Público. O jornal anuncia-o como ‘obra-prima’, o que é claramente um exagero. Hawks cobriu quase todos os tipos de filme, desde o musical ao bélico, passando pelo western, o terror, a comédia e o film noir, atingindo níveis de excelência com bastante frequência. Não me parece ser este o caso, até porque antes realizou “Rio Vermelho” e, sete anos depois de “Céu Aberto” apresentaria, “Rio Bravo” esse, sim, uma obra-prima.
O destaque, aqui, vai para o “uso e abuso” dos grandes espaços que a viagem de subida do Missouri proporciona, e que proporcionam cenas fantásticas, numa gloriosa fotografia a preto-e-branco, nomeada para os prémios da Academia. O argumento, bem nos antípodas do que é comum neste género de filme, é da autoria de A.B. Guthrie Jr. Nichols, que em 1939 assinaria o argumento para esse pioneiro dos westerns que dá pelo nome de “Stagecoach/Cavalgada Selvagem”, de John Ford.
Hawks gostava imenso de filmar westerns. Em “Hawks on Hawks” confessava a Joseph McBride que o prazer vinha do facto de eles serem filmados… no exterior: “I like to get out of the studio, I like to get out in the air”. O realizador achava que John Ford era o mestre nesta temática cinematográfica, embora “Shane”, de George Stevens, tenha sido, na sua opinião, um bom filme. Detestava a violência de Sam Peckinpah e não conseguia ver um western-spaghetti até ao fim: “They’re not very well made at all”.
Ao longo de toda a obra do realizador há temas de argumento recorrentes, como “toda a gente deve ter uma segunda hipótese” ou a profunda amizade masculina: “«love» is clearly the word”. Em “Céu Aberto” esta última temática está bem patente na relação entre Kirk Douglas e Dewey Martin. Mas, infelizmente, nas palavras do realizador, isso não foi plenamente alcançado, uma vez que Douglas foi um erro, pois “não «passou» para a tela”.
Este é um filme que, entre os fãs de Hawks, causa alguma celeuma: há quem o ame e quem o ache um filme menor. Nós estamos com estes. Ficamos à espera de comentários…
Dupont