quinta-feira, fevereiro 17, 2005

Educação, essa paixão ingrata


Parece que a Educação é uma área com grandes problemas pelos lados da Velha Albion, uma país que, com o aproximar das eleições, começa a rever o que está bem e o que está mal. Não me estou a referir ao C & C – Carlos & Camila, mas sim ao problema escolar que, pelo que me tenho apercebido, é gravíssimo.
Facto assente é que as escolas públicas não funcionam, muito embora o Governo injecte dinheiro em quantidades assustadoras: 885 milhões de libras foi o pé-de-meia que Blair dedicou ao caso. Os resultados foram quase nulos. E digo ‘quase’ porque, a atentar nos números divulgados, houve casos em que a situação piorou.
Mas vamos a números, uma coisa que aterroriza pais e políticos. Segundo David Bell, Inspector Chefe das Escolas em Inglaterra, 40% dos alunos no secondary, isto é, milhão e meio, não recebem uma educação condigna. Cerca de um quarto das escolas tem um desempenho satisfatório ou pouco satisfatório. Desde 2001, cerca de 10.000 escolas foram avaliadas, das quais 10% têm um classificação mínima. Os níveis de desempenho nunca foram tão baixos desde que Blair ocupa Downing Street apesar da “high priority new Labour promised to give to education and the huge sums it has thrown at it”, refere Minette Marrin, no Sunday Times. Onde é que eu já ouvi isto?...
A colunista recorda a palavra “scandal” referida pelo Primeiro-Ministro quando se descobriu que, no país, uma em cada quatro crianças sai da primária sem sabe ler e contar correctamente. A taxa de absentismo aproxima-se dos 40%. Pior, cerca de 60% dos adolescentes abandonam a escola sem obterem um ‘C’ em matemática e inglês. Por isso, a nota de passagem continua a descer: em 2002 era 49/100, em 2004 foi 41/100.
Entretanto, o universo empresarial deita as mãos à cabeça, nem tanto pela falta de conhecimentos do candidato encartado para o cargo, mas porque se vê forçado a ter de pagar aulas de leitura e escrita... A somar a tudo isto, o aumento da violência tem sofrido um aumento dramático com ameaças físicas e insultos a professores como nunca se havia registado.


A situação inglesa, dramática não só pelos standards locais, não traz novidade. Bem sabemos que nos Estados Unidos, em Inglaterra, em Espanha e em Portugal, para citar alguns exemplos, parece que o sistema de ensino faliu nos seus princípios e metas. Metodologias inadequadas, professores tarefeiros e sem qualquer vocação pedagógica e, principalmente, pais desinteressados, são elementos de um cocktail explosivo. E que, a continuar assim, irá mesmo explodir. É que não há ‘educar em casa’ e ‘educar na escola’. Há ‘educar’, ponto final. E esta acção terá de ser colectiva. O que é que adianta estar um pai a ‘educar’ um filho se os exemplos que ele vê na escola indicam que a opção por um comportamento oposto não acarreta qualquer sanção?
Não vejo outra solução que não seja endurecer os métodos e fazer crer que a dificuldade faz parte do processo de aprendizagem. É preciso esforço e dedicação para se chegar a algum lado e não ficar a sonhar em ser concorrente do ‘Ídolos’. É que até estes têm de suar... E quando falo em endurecer não estou cá com metáforas: o que quero dizer mesmo é castigar. Castigo físico dado pelos pais perante comportamentos abusivos? Porque não? Que eu saiba, nunca fizeram mal a ninguém. O meu pai deu-me algumas lambadas e não deixei de gostar dele por isso. Muito pelo contrário – por dentro, bem sabia que ele tinha razão e que estava a agir como pai e como o homem de referência que eu queria que ele fosse.
Diferente será, obviamente, nas escolas. Se o castigo físico está fora de questão, terá de haver "recompensa" adequada para o mau comportamento. A suspensão e a expulsão de nada valem, só pioram. Há que lhes retirar aquilo que mais desejam: o tempo livre. A questão é que, nestes tempos modernos, de psicólogos para tudo e autoridade para nada, só há direitos e nenhuns deveres. Crianças e jovens, manhosos, sabem muito bem do regime de impunidade que os adultos lhe ofereceram de mão beijada, sem eles terem pedido rigorosamente nada. Os adultos, pais e professores, interessados na sua carreira e nos seus sonhos por cumprir, anseiam é pelo cheque ao fim do mês, cumprindo os serviços educativos mínimos e esperando que o último a sair apague a luz.
Todos abusam. Até quando?
Dupont