terça-feira, fevereiro 22, 2005

Legislativas vs Autárquicas - Vila do Conde

Embalado pelo resultado de Domingo passado, Mário Almeida, a falar na varanda da sede do PS na Praça dos Artistas, lançou, a plenos pulmões, um arrojado desafio aos apoiantes do PS:
"queremos repetir a vitória desta noite [a das legislativas] em Outubro próximo nas autárquicas e pretendemos ganhar nas 30 freguesias do concelho".
O gesto de Mário Almeida pode ser enquadrado numa vontade de aproveitamento dos resultados conseguidos por José Sócrates, tentando fazer com que os mesmos venham a influenciar as eleições autárquicas. Fazê-lo naquele cenário é inteligente. Além de aproveitar o entusiasmo da militância, lança, desde já, a noção de que, apesar da vitória conseguida, já há trabalho para o dia seguinte.
A questão que, agora, importa colocar é a seguinte: será que Mário Almeida tem condições de concretizar o seu desejo?
A forma como o povo se tem vindo a expressar nos últimos actos eleitorais diz-nos que é necessária prudência. A cada acto eleitoral que passa, a fidelidade do eleitorado a pessoas ou a partidos diminui. É muito ténue a fronteira entre a genialidade e a bestialidade de uma critura política. Se quiserem, basta ver o exemplo de Santana Lopes, que tendo ganho a CM de Lisboa de forma surpreendente, acaba completamente destroçado pelo mesmo povo, apenas 3 anos depois.
Assim sendo, Mário Almeida terá de pensar que em termos autarquicos há, em Vila do Conde, vários tipos de votantes:
  • Os que são do PS (à volta dos 40%);
  • Os que são de Mário Almeida, fruto das relações criadas pela sua liderança aos mais variados níveis (à volta dos 10% nas últimas eleições autárquicas);
  • Os do PSD (à volta dos 30%);
  • Os dos outros partidos (à volta dos 10% nas últimas autárquicas);
  • Os que não são de ninguém (à volta de 10% nas últimas autárquicas).
Nas eleições de 2001, Mário Almeida conseguiu juntar o seu peso pessoal à base firme de 40% que o PS vale sempre em Vila do Conde, arrastando, ainda, uma pequena margem dos eleitores "de ninguém". O PSD conseguiu acrescentar à sua votação os 2 ou 3% que o CDS vale, captando ainda a maioria dos votos dos eleitores flutuantes. Foi por isso que chegou aos 40%.
Voltando à nossa pergunta, poderemos dizer que a resposta está exactamente aqui, ou seja, na actual distribuição das peças deste xadrêz. Não se prevendo alterações quanto ao valor de cada um dos partidos isoladamente, a vitória do actual Presidente da Câmara/Candidato Socialista ficará dependente dos aspectos que menciono de seguida:
  • Será que Mário Almeida continua a valer os mesmos 10%?
  • Qual a fatia de votos que Mário Almeida conseguirá captar de entre os eleitores flutuantes?
Hoje, ainda a quente e sem saber que respostas tem a oposição, é difícil responder. Mas estamos atentos e vamos acompanhar a evolução política vilacondense com o interesse que ela merece.
Dupond