quinta-feira, fevereiro 24, 2005

«Lua de Mel»



A colecção Clássicos-Público está a chegar ao fim. O lançamento desta semana é já o penúltimo, o que só poderemos lamentar.
Lua de Mel” é uma comédia realizada por Leo McCarey e protagonizada por Cary Grant e Ginger Rogers. Filmada em 1942, em plena II Guerra Mundial, a fita procura fazer humor à custa dos estereótipos germânicos. A acção decorre na Áustria, um ano antes do início da guerra. Rogers é uma caçadora de fortunas que pretende dar o golpe do baú a um barão local, com afinidades nazis. Grant é um repórter que, através dela, tenta obter informações sobre o nobre austríaco. Apesar do barão e da corista se casarem, rapidamente se torna claro que a história só poderia dar em romance entre os dois americanos… Até porque o casal enceta uma viagem por vários países da Europa, sendo que todos eles acabam invadidos pelos alemães, o que faz Rogers olhar para o marido com outros olhos.
Rotulado de comédia romântica, o filme vai um pouco mais longe, uma vez que cruza, também, elementos típicos dos filmes de espionagem e de propaganda política. Na altura foi muito comentada a química que explodia no écran entre os dois actores principais, o que deu origem a uma série de gossip… O humor marca presença, não só através da comédia de enganos, mas também pela ironia com que os símbolos e a ideologia são tratados. Basta recordar os relógios em que os ponteiros são braços da cruz suástica…
A produção do filme foi algo atribulada, especialmente por causa de Cary Grant, que fazia questão em ajudar no esforço de guerra americano. O seu entusiasmo era tal que, já com o filme em rodagem, abandonou a cidadania britânica, tornando-se americano e mudando o seu nome de Archibald Leach para aquele que o tornou famoso. Entretanto, o actor andava atrás de uma milionária herdeira, Barbara Hutton. A imprensa chamava ao casal “Cash & Cary”…
Por esta altura já Grant e Rogers eram famosos. O primeiro tinha interpretado “Bringing up Baby/As Duas Feras”, já aqui abordado, o fabuloso “Only Angels Have Wings/Paraíso Infernal” de Howard Hawks, “The Philadelphia Story/Casamento Escandaloso” de George Cukor, entre muitos outros. Ginger Rogers não lhe ficava atrás, especialmente nos musicais em que fez com Fred Astaire uma das parelhas mais famosas de sempre da história do cinema. O realizador Leo McCarey, que muitos julgam subavaliado, já vinha do tempo do cinema mudo e ainda assinaria obras como “The Bells of St. Mary's” e o inesquecível tearjerkerAn Affair to Remember/O Grande Amor da Minha Vida”, também com Cary Grant.
Dupont