quarta-feira, fevereiro 23, 2005

PSD em pleno Sahara


O Partido Social Democrata iniciou uma travessia do deserto que não sabe quanto tempo irá durar. Só para se ter uma referência, o PS demorou oito anos para recuperar das duas maiorias absolutas de Cavaco Silva, que foram bem mais absolutas do que as de Sócrates.
Os próximos tempos vão ser férteis em acontecimentos, tomadas de posições, declarações de fidelidade e de indisponibilidade.
Para já, o primeiro passo está dado: Pedro Santana Lopes vai sair, o que é de saudar. Entretanto, apareceram dois “candidatos a candidatos”: Luís Filipe Meneses e Marques Mendes. É pouco, muito pouco, para o partido que, desde o 25 de Abril, mais tempo ocupou a cadeira do poder em Portugal.
Digo mais: é pouco e parcialmente mau. Marques Mendes representa sempre um sector tradicional do PSD, bastante próximo da imagem de um partido não urbano. É verdade que é batalhador como o provou no último congresso; é pragmático, como demonstrou enquanto esteve no Governo; e é um experiente e arguto orador. Já Filipe Meneses representa exactamente tudo aquilo que os eleitores portugueses disseram a Santana Lopes que não gostavam: impreparação técnica, improviso, incoerência de posições e uma postura errante. Além do mais, o presidente da Câmara de Vila Nova de Gaia construiu uma imagem não por aquilo que fez, mas com aquilo a que se opõe. A acusação de “sulistas, elitistas e liberais” colou-se à sua imagem como uma lapa. É verdade que fez um excelente trabalho à frente da autarquia fronteira ao Porto, mas a oposição não se cansa de o acusar de despesismo, um pouco como acontece em Vila do Conde, com a diferença de que lá pode não haver dinheiro mas há obra feita.
Não, não chega. O PSD tem obrigação de dar mais e melhor ao país. Mas não com a gente que ainda lá está e dificilmente com a que, até agora, se apresentou. A ver vamos.
Dupont