quarta-feira, fevereiro 16, 2005

«Saturday Night in Sodom» (Para Maiores de 18)

Os Queen foram a banda mais azeiteira que atravessou o firmamento do Rock. Já o disse aqui algumas vezes. Mas, também é verdade, tinham um dos frontman mais carismáticos de sempre, o tipo de personagem que conseguia pôr 90.000 pessoas a fazer o que lhe passava pela cabeça e conseguia-o...
Musicalmente, nunca fizeram falta nenhuma, por isso, ainda bem que acabaram. Isto pensava eu... É que na última Uncut fala-se de vários regressos (Suede, Gang of Four, The House of Love...) com o grande destaque a ir para a ressurreição dos... Queen. É verdade! Conseguiram arranjar um desgraçado para substituir o insubstituível Freddie Mercury. Chama-se Paul Rodgers e vai ter um trabalho impossível. Sim, porque ninguém consegue clonar a ambiguidade sexual, o kitsch, a arrogância, o mau gosto de Freddie Mercury y sus muchachos. Assim como ninguém irá conseguir repetir as lendárias festas que a banda dava - provavelmente, a única área em que os Queen não tinham rival, precisamente pelo facto de terem o melhor partyman da História...


A Uncut deste mês dá este inacreditável exemplo, de que apresentamos um resumo. Sentem-se e respirem fundo:
Halloween, 1978 – Freddie Mercury lembra-se de transformar a festa de lançamento do álbum Jazz num acontecimento inesquecível: “fuck the cost, darlings, let us live a little”. Orçamento: £200.000. Local: Hotel Fairmont, em Nova Orleães. Convidados: cerca de meio milhar, entre estrelas de rock e de cinema, amigos e “loyal journalists”. Mantimentos: ostras, lagostas, o melhor caviar do Mundo, tudo com muito álcool.
Freddie pediu que lhe trouxessem pessoas de rua, “to liven things up”. Apresentaram-lhe um homem que arrancava as cabeças das galinhas à dentada e uma mulher que aceitava o pagamento de $100.000,00 para se auto-decapitar com uma moto-serra...
Atente-se na descrição da festa: quem entrava no hotel era imediatamente saudado por um grupo de anões hermafroditas que ofereciam cocaína em tabuleiros devidamente atados às cabeças. Tinha sido importada directamente da Bolívia e a sua qualidade fora pessoalmente verificada por Freddie Mercury.
Fortalecidos por “lines of marching powder as long and as thick as your grandemother’s arm”, os convidados tinham um menu de diversões exóticas à sua escolha. As salas do hotel estavam transformadas em labirintos, fazendo lembrar os pântanos da Louisiana, por onde surgiam mágicos, guerreiros zulus, contorcionistas, engolidores de fogo, drag-queens e strippers transexuais. As bebidas eram servidas por empregados e empregadas totalmente nus; estas pediam, educadamente, que as gorjetas não fossem colocadas no tabuleiro mas numa sua qualquer cavidade corporal. Do tecto, pendiam gaiolas em bambu, onde prisioneiros nus se divertiam. Modelos sem roupa, de ambos os sexos, fingiam lutar, imergidos em poças de fígado de porco cru. Mulheres gordíssimas, de Samoa, estavam sentadas um pouco por todo o lado, fumando cigarros por todos os seus orifícios. Quem fosse à casa de banho tinha direito a um serviço oral, fornecido por prostitutos ou prostitutas, à escolha. “Os hotéis oferecem serviço de quartos, nós oferecemos serviço de lábios”, comentou Freddie Mercury, a propósito desta festa que ficou conhecida por “Saturday Night in Sodom”.
Um ano depois, os Queen procuraram repetir a dose, em Nova Iorque, no Hotel Concorde. A orgia demorou cinco dias. As estrelas foram transexuais que praticavam sexo oral neles próprios e mulheres que convidavam enormes serpentes a conhecer o interior do seu corpo... Infelizmente para eles, não conseguiram repetir a loucura de Nova Orleães.
Quando tocava à decadência, os Queen não tinham concorrência.
Dupont