quinta-feira, março 31, 2005

A moda está a pegar !!!


Ontem, Espinho. Hoje, Vila Real: "Presidente da autarquia e três vereadores estão na Galiza, vice-presidente e funcionários no Brasil".
Dupont

A toupeira


O Comércio do Porto apresenta hoje uma notícia verdadeiramente bombástica: Valentim Loureiro tinha um espião nas reuniões internas do PS, que o informava regularmente das decisões lá tomadas.
Segundo a notícia em causa, trata-se de Fernando Cerqueira, um destacado militante e autarca daquele partido e que ocupa inclusivamente lugares nos orgãos distritais e nacionais do PS.
Eu conheço Fernando Cerqueira e devo dizer que acredito que a notícia possa ser verdadeira. Cerqueira é um socialista convicto. É um homem com um nível cultural muito limitado, mas que fruto do sua dedicação ao partido foi capaz de subir, lenta mas firmemente, as escadas da ascenção partidária.
A sua intervenção pública é frontal, mostrando-se sempre duro com os seus adversários. Apesar de algumas características interessantes, Cerqueira sofre de um mal terrível: está na política há muito tempo e gosta do jogo político. Na sua ilimitada vontadede participar e ser "importante", Fernando Cerqueira terá aceitado entrar num jogo demasiado perigoso e sobre o qual perdeu o controlo.
O jogo de Fernando Cerqueira é aquele que Valentim Loureiro lhe terá oferecido, permitindo a este homem simples do povo ter acesso priviliado aos corredores do poder e a alguma influência. Cerqueira perdeu o controlo e ter-se-à tornado numa marionete nas mãos de Valentim. Como disse, conheço razoavelmente os dois e acredito que terá sido isto que se passou.
A situação é triste e lamentável. Infelizmente, não é caso único. Espera-se, por isso, que a divulgação destes factos possa servir para que outros aprendam alguma coisa.
Dupond

A Queima do Judas


Aconteceu no passado fim-de-semana, em Vila do Conde. Parece que foi uma actuação espetacular, como confirmam o Vila do Conde Quasi-Diário e o Queima do Judas 2005.
Dupont

«Nos Bastidores de Hollywood», de Mário Augusto


O jornalista da SIC, Mário Augusto, conterrâneo do inenarrável José Mota, lançou um livro onde apresenta as suas impressões dos contactos que teve com algumas das estrelas da Sétima Arte.
A leitura é mais do que fácil, com cada entrevistado a ter direito a três ou quatro páginas. Não se tratam de entrevistas, mas de comentários, histórias, episódios das entrevistas que Mário Augusto realizou para a RTP e a SIC.
O deslumbramento do autor é óbvio. Aliás, ele nem o esconde. Mas, apesar disso, consegue transmitir bastante bem as suas impressões de cada um dos entrevistados. Como qualquer português que se preze, não faltaram as perguntinhas sobre o nosso país, com algumas respostas surpreendentes – Kevin Costner tinha uma secretária lusa, Christopher Lee tinha passado uns tempos no Guincho, Tom Hanks tem ascendência açoreana, Madonna conhecia os Madredeus e por aí fora. Depois há as festas, os contactos, as gaffes e um sem número de pequenas histórias (Keanu Reeves e os Joy Division!!!) que transformam a leitura de “Nos Bastidores de Hollywood” num momento de puro entretenimento cinematográfico. Registo para uma aventura radiofónica com o “nosso” Álvaro Costa.
No entanto, quer-me parecer que a edição não foi muito cuidada e ainda menos revista, o que é pena. As repetições sucedem-se, há falta de homogeneidade em certos critérios, e há alguns erros de facto - exemplificando: na pág 15 escreve “ainda longe do enfado que hoje me provoca a festa dos Óscares – a que não será estranho o glamour pré-fabricado(…)” para, na página 19, voltar a explicar a cerimónia dos Óscares como “um acontecimento demasiado efémero e rotineiro (…) um falso excesso de formalismo”; os títulos de filmes tanto são colocados na sua forma original inglesa como com o da tradução portuguesa, indistintamente; o filme “A Perfect Murder”, com Michael Douglas e Gwyneth Paltrow não se chamou “Um Crime Quase Perfeito”, mas “Um Homicídio Perfeito”.
A edição vem com um DVD com 90 minutos de imagens e os lucros revertem a favor da Fundação do Gil.
Dupont

Já sabem quem....

"A força aérea portuguesa está em claro déficit perante as anti-aéreas eslovacas".
Dupont

Novos blogs

Dois novos blogs: A Mão Invisível e A Biblioteca de Babel. Em Vila do Conde nasceu o Marionetas a Norte.
Dupont

Centro Pediátrico?????


Dupont

David Byrne Radio

David Byrne, o genial líder dos não menos geniais Talking Heads, tem uma webradio.
Dupont

quarta-feira, março 30, 2005

O espinho autárquico continua encravado


José Mota, presidente da Câmara de Espinho, arrisca-se a entrar para o anedotário nacional, não só por aquilo que faz, como, principalmente, por aquilo que diz.
O autarca tem uma fixação pelo Brasil. Todos os anos passa lá entre dois e três meses. Em trabalho, claro está, como ele próprio disse em Março o ano passado:
  • “Se não aparecer no Rio de Janeiro quem vai ajudar os espinhenses que lá estão?”
  • “Não é o José Mota que vai ao Brasil, É o Presidente da Câmara de Espinho. Que vai promover Espinho, por amor a Espinho”.
  • “Mesmo quando não estou com os idosos, estou a trabalhar para garantir o seu conforto e segurança”.
É claro que há suporte legal, como referiu António Francisco de Sousa, um especialista em Direito Administrativo ao JN de 19 de Março passado. Isto tudo porque José Mota, o “Zé Brasileiro Português de Espinho” como ironiza a oposição, vai estar em Espinho durante dez dias consecutivos, entre duas viagens ao Brasil, na segunda das quais vai levar cinco Presidentes de Junta, ou seja, todos, uma vez que o concelho tem meia dezena de freguesias. Nós até já pedimos uma viagenzinha, aqui, mas ainda não chegou nada...
Com uma agenda assim ocupada, é claro que José Mota só vai a uma Assembleia Municipal por ano e falta a metade das reuniões de Câmara. “Coisas aborrecidas e sem interesse”, deve ser o que passa pela cabeça de José Mota...
E até aposto o que Mário Almeida pensa sobre o seu colega: “Irra! Com tanto socialista a precisar de auditoria, vieram logo meter-se comigo!...”
Dupont

Descubra as diferenças



Estava eu à procura de uma imagem para ilustrar o post anterior quando reparei numa aparente repetição de fotos. É algo comum no "Google Images", mas, desta vez, resolvi prestar atenção à localização de cada uma. Então é assim: a primeira está no Promo Albânia, um site de promoção comercial do dito país, também conhecido pelo "Paraíso na Terra" do grande militar e democrata, o major Tomé; a segunda, na página da Desurca, um projecto governamental hidroeléctrico na Venezuela, terra de outro grande democrata e militar, o tenente-coronel Hugo Chavez .
Agora: qual das imagens é a verdadeira?
Dupont

Agricultura geriátrica


Há uns meses, o Jaquinzinhos deu à estampa um post histórico na blogosfera lusa, "O Monstro das Bolachas", sobre o Ministério da Agricultura e respectivo organigrama. E recordei-me desse texto porque na última edição do Expresso, caderno de Economia, vinha um notícia que anunciava existir um excesso de funcionários no dito Ministério. No final das contas, há um funcionário para cada quatro agricultores...
Àquele semanário, o secretário de Estado da Agricultura e Pescas, Luís Vieira, comentou os números dizendo que não são para mexer pois “um dos combates do Governo é a redução do desemprego”. Um pontapé na eficiência...
Mas há dados concretos: 10% da população activa está, ainda, ocupada no sector, contra 5% da União Europeia e 1,5% nos EUA. A adicionar a isso, temos o facto de o nível etário estar cada vez mais alto: 38% têm mais de 65 anos (28% na EU) e apenas 15% estão abaixo do 44 anos (25% na EU). Por outro lado, o solo arável tem vindo a diminuir: de 2331 hectares em 1993 passou para 1643 em 2004.
Olhando para um concelho como Vila do Conde, com uma agricultura de nível bastante elevado, constata-se que o problema etário atinge uma enorme proporção. Basta ver que a maior parte das grandes casas agrícolas ainda são mantidas por pessoas idosas ou por familiares sem outras qualificações que não seja a herança. Haverá excepções, certamente, mas a maior parte dos casos é assim. Como se não bastasse, as principais instituições ligadas ao sector são comandadas por pessoas de provecta idade e sem qualquer preparação específica de gestão, ou outra, para o cargo. Estou a falar da Agros, da Cooperativa Agrícola e da Caixa de Crédito Agrícola, todas dirigidas, muito bem segundo parece, por gente bem acima dos sessenta anos. A clubite, o medo da mudança e um certo laxismo impedem que o sector possa progredir ainda mais, numa abordagem moderna e contemporânea. Renovação do sangue precisa-se e rapidamente. Aliás, isto parece ser regra geral nos vários sectores da vida vilacondense...
Dupont

terça-feira, março 29, 2005

Basiliamaral

"O Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) confirmou Basílio Horta no cargo de embaixador de Portugal junto da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE)". Diário Digital.
Dupont

“12”/80s” ou Lloyd Cole revisited


A segunda metade da década de 80 do século passado foi a minha época de ouro das discotecas: de quinta a sábado, as noites tinham poiso certo. Começava-se pela “Swing”, continuava-se na imprescindível “Indústria” ou viajava-se até ao “Batô”, em Leça - música quase sempre excelente, as miúdas mais giras e os ambientes mais ‘in’ estavam por ali. Se se queria impressionar, dando a ilusão que a coisa era mais séria nada como ir até à Foz velha, à extinta “Dª Urraca” ou ao “Twin’s”. Enfim, era uma época em que ir à discoteca ainda significa alguma coisa, onde se conseguia identificar as músicas e não havia a pretensão de assaltar o cliente logo à entrada com preços absolutamente especulativos…
Falando de música, aquela década assistiu ao reinado dos maxi-singles. Os monarcas supremos eram os Depeche Mode e os New Order, mas havia muitos mais. Dos primeiros já aqui falámos e, dos segundos, o que interessa está tudo no álbum “Substance”. Agora, apareceu-me este “12”/80s”, compilando algumas dezenas das versões que qualquer DJ que se prezasse tinha obrigatoriamente que passar: The Cure, Aztec Camera, Siouxsie & The Banshees, Japan, Style Council entre muito outros.
Confesso que quando peguei no CD (triplo) foi mais como curiosidade e recordação. Já calculava o que ali estava. Mas, o meu olhar prendeu-se na faixa 4 do disco 3. Trata-se do remix de “My Bag”, de Lloyd Cole & The Commotions. Nem sequer é um dos seus melhores temas, mas recordo-me de só o conseguir ouvir na “Twin’s”. Em mais lado nenhum, nem na “Tubitek” ou em Londres consegui arranjar aquela versão. Nada. Mas, como inexplicavelmente me acontece inúmeras vezes, desisti da procura com a firme certeza de que, um dia, ela me iria aparecer pela frente. Este fim-de-semana, na FNAC, ali estava, finalmente, na minha mão, aquele tremendo diálogo entre o baixo e a bateria e Cole a arrancar:
hey i was walking my bag
through a 20 storey non stop snow storm
pirrelli calender girls wrestling in body lotion
my head's swimming with poetry and prose …
Por falar em música: não percam o blog Quase Famosos.
Dupont

O "challenger"


Santos Cruz deu uma entrevista a’O Primeiro de Janeiro. Não sei se terá sido intencional, mas o timing foi perfeito, atento às últimas argoladas de Mário Almeida.
De um modo geral, é uma entrevista soft, quase a apalpar terreno. Não mostra nada de verdadeiramente novo, mas revela um estilo raro em Vila do Conde ao não entrar em ataques pessoais. Julgo que a estratégia de comparação com concelhos vizinhos é inteligente, até porque é algo que irrita profundamente o poder socialista instaurado nos Paços do Concelho. Basta ver como é que o “Jornal de Vila do Conde” reage a tais abordagens, colocando imediatamente a tocar a pré-histórica cassete do “bairrismo”…
Santos Cruz mostra que está dentro dos dossiers, nomeadamente o da água e saneamento e insiste na tese da mudança, precisamente a que levou Sócrates ao poder, recuperando uma das frases chaves da sua campanha anterior: "um concelho a duas velocidades", a da cidade e a das freguesias.
Uma falha que já aqui apontei mantém-se: a falta de discurso afirmativo. O Professor universitário é demasiado honesto: responde sempre identificando o que pensa estar mal, para logo atalhar que sabe o verdadeiro porquê – sobre o hospital há queixas, mas sabe que “há algumas dificuldades, uma vez que é intermunicipal”; ou, sobre a actividade municipal “sabemos que a câmara municipal não tem dinheiro que chegue para tudo, mas, como dizia, temos que indicar os caminhos…”; ou, sobre o Polis, “acho que já deveria estar pronto. Mas, sabemos que é uma obra que depende fundamentalmente do Governo”.
Vamos lá ver uma coisa: se V.Exª sabe que a culpa não é da Câmara, então isso não pode ser usado como argumento político local, não é, senhor Professor? E se dissesse que as coisas só tomaram estas proporções em virtude da falta de peso político da autarquia e do seu Presidente perante o poder Central e a prova disso são os concelhos limítrofes? Ou da falta de capacidade de gestão que leva a Câmara a ter um passivo de 70 milhões de euros impedindo-a de ser um motor de desenvolvimento de Vila do Conde? Se calhar, desta maneira, ainda poderia ter a esperança de alguém lhe responder…
Vamos lá, Professor, toca a insuflar essa auto-confiança. À Mourinho!
Dupont

segunda-feira, março 28, 2005

«Anjos e Demónios», de Dan Brown

Com o espírito de Páscoa presente, nada melhor do que (re)começar com o livro que a Bertrand lançou, há pouco, com o estardalhaço dos grandes lançamentos: “Anjos e Demónios”, de Dan Brown, é o livro que antecedeu o omnipresente "O Código Da Vinci" e, arrisco dizer, é bem melhor.

(Para aumentar, clique na imagem)

“Angels and Demons”, no original, conta como personagem principal Robert Langdon, o tal professor perito em simbologia. Desta vez, isto é, antes de ser chamado para descobrir as mensagens secretas nos quadros de Leonardo Da Vinci e objectivo superior da Irmandade de Sião, verificámos que o lente já se havia ocupado do ressurgimento de uma outra Irmandade, os Illuminatti. Tudo começa quando é chamado ao CERN, o famoso Centro Europeu de Pesquisa Nuclear, na Suiça, onde um padre cientista havia aparecido assassinado com a palavra “Iluminatti” gravada a fogo no seu peito. Ao mesmo tempo, a base da sua investigação, a antimatéria, fora roubada e levada para Roma. Robert parte para a Cidade Eterna com a “filha” do padre morto, também ela cientista. Uma vez no Vaticano são confrontados com a notícia de que os quatro Cardeais preferitti para suceder ao Papa recentemente falecido haviam desaparecido. Como se não bastasse, a antimatéria está escondida no interior do Vaticano, pronta a rebentar até à meia-noite desse dia, arrasando o pequeno Estado …
Da leitura de “Anjos e Demónios” e do "Código..." fica-se com a sensação que Dan Brown encontrou, ou inventou, uma fórmula da qual só tem de mudar os conteúdos. Por outras palavras, parece que concebeu um hardware que lhe permite ir produzindo argumentos, o software mutável. É que as semelhanças formais, e não só, entre os dois livros são enormes. Os capítulos são curtos, mimetizando uma montagem cinematográfica, terminando em suspenso, quais cliffhangers dos serials dos anos 40. Aliás, já escrevemos isto a propósito do “Código”, como não podia deixar de ser… E se, esse, se passava em 24 horas, este decorre em ainda menos tempo, quase se podendo dizer que é possível ao leitor acompanhar a história em tempo real, à medida que a lê.
Mesmo ao nível do enredo, este livro bem que se podia chamar “O Código Bernini”, em referência ao escultor e arquitecto italiano. Tal como no mais famoso livro de Dan Brown, os enigmas vão surgindo, quais níveis a ultrapassar num jogo vídeo, só que não estão em quadros, mas em estátuas e monumentos desenhados pelo génio do Barroco, um pretenso antigo líder dos Iluminatti, cuidadosamente espalhados pela cidade de Roma. Boa parte do trama desenvolve-se na decifração desses enigmas, essenciais ao desenvolvimento de toda a história. E se o Priorado de Sião havia sido liderado por gente famosa, os Iluminatti também, com destaque para Galileu e, claro, Bernini.
Ao contrário de notícias recentes que dão Dan Brown quase como proscrito pelo Vaticano, para “Anjos e Demónios” o escritor teve a colaboração das autoridades do mais pequeno país do Mundo. Aliás, teve acesso a lugares que pouca gente alguma vez teve dentro da Catedral de S. Pedro, local onde ele situa boa parte da acção.
Efectivamente, aqui, não há grandes motivos para a Igreja se sentir ofendida. A questão de fundo, a motivação última para os crimes, prende-se com a velha discussão ciência/religião. O CERN e o Vaticano representam os “castelos” onde os chefes de cada uma das forças se escondem, se organizam e se fortalecem com os seus subordinados. Daí que a descoberta do tal padre-cientista, seja radical: conciliar a ciência com a religião, através da antimatéria. E, claro, os partidários de cada uma das facções não vão gostar da novidade. Daí, também, o ressurgimento da Irmandade dos Iluminatti, inimigos ancestrais da Igreja, próxima dos maçons, com quem partilham uma visão anti-clerical, lutando pela vitória da razão e da ciência.
A mistura de história, simbologia, mistério e crime parece-me bem mais apurada aqui do que no “Código...”. A motivação leva mais tempo a descobrir, bem como o criminoso principal, até porque há mais personagens. Por outro lado, Dan Brown mostra mais virtuosismo como escritor, ao não ter problemas em dimensionar a história ao nível mundial, sem perder credibilidade ou cair no ridículo. Na verdade, arriscar uma tal dimensão poderia ser fatal para o livro, mas isso não acontece. Muito pelo contrário. A sensação de que está em jogo o destino de milhões de pessoas é bastante bem elaborada, sem conceder ao facilitismo. Brown demonstra conhecer não só passado, como o presente, nomeadamente os mecanismos dos media para projectar acontecimentos a nível global, usando expressões que Bin Laden não desdenharia: “os media são o braço direito da anarquia” (pag 322) - ou seja, o acto de terrorismo vale mais quando é visto pelo Mundo inteiro através dos media.
“Anjos e Demónios” é composto por quase seiscentas páginas, que se lêem de um fôlego, quase não dando tempo para respirar. Fast-reading, algo que não deve ser visto como o equivalente literário do termo culinário fast-food… Bem, pelo menos, na sua totalidade…
Dupont

sexta-feira, março 25, 2005

Boa Páscoa

A partir de hoje e até à próxima Segunda-feira, O Vilacondense irá suspender a sua actividade. Desejamos, por isso, uma Santa Páscoa a todos os nossos leitores, prometendo regressar com a mesma força de sempre.
Dupond & Dupont

Luis Filipe Menezes

O Presidente da C M de Vila Nova de Gaia e candidato a Presidente do PSD sofreu na passada quarta-feira um forte revés. Na sua luta pela liderança do maior partido da oposição, ninguém esperava que Menezes tivesse vida fácil. Agora, o que também ninguém esperava é que Luis Filipe Menezes sofresse uma pesada derrota em sua própria casa. Na prática este sinal mostra que mesmo na cidade em que é Presidente da Câmara e tem vindo a desenvolver um trabalho excelente, L F Menezes gera fortes anti-corpos e não consegue sequer reunir sobre si a maioria dos apoios. Como se torna evidente, esta situação transmite uma imagem de fraqueza da qual Menezes dificilmente se livra.
Entretanto, e na contabilidade de apoios para o Congresso do PSD, O Vilacondense apurou que a eleição dos Delegados de Vila do Conde foi disputada por duas listas. A oficial, liderada por Santos Cruz, teve 81,5%, enquanto que a lista opositora, liderada pelo militante de Labruge Rui Maia, teve 18,5%. Como resultado, foram eleitos 4 delegados pela lista de Santos Cruz e 1 da lista de Rui Maia. Quanto a alinhamentos com os candidatos à liderança, ainda não se conhece nenhuma posição oficial da Comissão Política local, embora se saiba que Miguel Paiva foi um apoiante assumido de Marques Mendes no Congresso do ano 2000 em Viseu, altura em que disputavam a liderança do partido Durão Barroso, Santana Lopes e Marques Mendes.
Dupond

Revista de opinião Vilacondense

Esta semana podemos ler os seguintes artigos n'O Primeiro de Janeiro:
- Ondulações, de Sérgio Vinagre
- Orgulho desportivo, por Abel Maia
- Reflexões em tempo de Páscoa, de Alexandre Raposo
- Na justiça... com "eles"!, de Fernando Reis
Sérgio Vinagre, fiel ao seu estilo directo a acutilante, compara as "vagas de fundo" que em anos anteriores surgiam com o objectivo de persuadir Mário Almeida a recandidatar-se ao cargo de Presidente da Câmara Municipal com as "ondas gigantes" que o tem atormentado nos últimos dias, nomeadamente a auditoria do Tribunal de Contas e a chamada para declarações na Polícia Judiciária.
Na senda do artigo de Arnaldo Carmo Reis da pasada semana, o Vice-Presidente da autarquia desfia um conjunto de aspectos da política desportiva da Câmara Municipal para atacar o Prof. Santos Cruz. Já falamos na deselegância denunciadora do complexo de inferioridade que os socialistas Vilacondenses sentem relativamente a Santos Cruz, quando o tratam depreciativamente por Dr., quando sabem que se trata de alguém que possui um grau académico bem superior. Quanto ao resto, nada de novo, a não ser a vontade de atacar simplesmente porque querem atacar. Aliás, a forma como Abel Maia esta semana e Carmo Reis na anterior analisam as palavras de Santos Cruz mostra que ambos estão presos a uma forma de analise fechada. Ou seja, como eles olham para as coisas por uma única perspectiva, vêm sempre as mesmas coisas. O segredo, na política mas também na vida, é termos a capacidade de reinventar as coisas, de as ver a cada momento sobre novas perspectivas, o que nos abrirá o angulo de visão e permitirá alargar horizontes. Ora isso, um e outro já provaram não ser capazes.
Alexandre Raposo, num artido em que aborda questões diferentes, espraia-se pela crítica ao abandono do circuito automóvel pela Câmara Municipal, pela má prática de muitos Presidentes de Câmara, pelo relançamento da discussão da regionalização e finalmente pela auditoria do Tribunal de Contas, criticando a falta de respeito da Câmara pela Assembleia Municipal e a ideia de Mário Almeida de processar os auditores daquele Tribunal.
Fernando Reis aborda a questão da auditoria do Tribual de Contas, procurando lembrar que, além das questões que tem vindo a público com maior insistência, há outras que também envolvem responsabilidades dos Vereadores eleitos pelos partidos da oposição. Fernando Reis fá-lo sem mencionar que tais assuntos resultam de aspectos da gestão corrente da autarquia que fogem à acção daqueles Vereadores e não mencionando os aspectos mais substânciais, nomeadamente os que envolvem responsabilização financeira devida à autorização de pagamentos ilegais. Ele lá saberá porque o faz.
Dupond

quinta-feira, março 24, 2005

Vai abrir a caça ao coelho...

Jorge Coelho, a personificação daquilo que de pior pode ter a política, está a caminho da redenção. Na Quadratura do Círculo, citado pelo JN, não teve papas na língua:

"É fundamental para a sociedade portuguesa, de uma vez por todas, a lei da limitação dos mandatos para os cargos executivos, designadamente, presidentes de Câmara e presidentes dos governos regionais"

"É para aplicar já nas próximas autárquicas"

Vem tarde. Mas, mais vale tarde do que nunca.
Dupont

Business as usual


Esta contaram-me hoje: o novo secretário de Estado do Turismo chama-se Bernardo Trindade. É madeirense, tem trinta anos e é licenciado em Gestão de Empresas pelo Instituto Superior de Gestão. Trabalhava num banco, antes de ir para o Governo.
Ah, o seu pai é António Trindade, líder de um dos principais grupos hoteleiros da Madeira.
Portanto, o Secretário de Estado do Turismo é filho de alguém com sérios interesses no sector.
...
- Pára, Dupont, não vês que o Santana já não é o Primeiro-Ministro?!?!
Dupont

Novo Código da Estrada


Clique na imagem para fazer download de ficheiro ZIP. Agradecimento ao Verbo Jurídico.
Dupont

Criminalidade

Durante a noite passada morreu um homem suspeito de ter acabado de cometer um crime. Segundo os relatos noticiosos, o falecido tinha acabado de assaltar uma farmácia, acompanhado por outros dois meliantes, e estaria armado e em fuga. No decorrer da perseguição acabou por haver um tiroteio, do qual resultou a lesão mortal no assaltante.
É sempre triste a morte de um homem. Quando morreu o polícia de Trás-os-Montes, baleado numa rotineira acção de patrulha na Cova da Moura, fiquei triste. Quando morreram os dois polícias, há dias, na Amadora, fiquei triste.
E hoje? Porque será que estou assim?
Dupond

Freitas do Amaral


Desde que o Governo foi anunciado, grande parte do "fogo de artilharia" dos partidos da oposição, nomeadamente aqueles que se situam à direita do PS, tem vindo a ser exercido em relação ao Ministro Freitas do Amaral.
É consensual a ideia de que Freitas teve um percurso político, ao longo dos últimos anos, que o levou desde a liderança do partido mais à direita do nosso espectro parlamentar até à tomada de algumas posições ao lado dos partidos mais à esquerda. Ora isso não é normal. Não o sendo, mas tratando-se de posições que foram tomadas em público, de cabeça levantada pelo próprio Freitas, elas valem por si próprias. Ou seja, quem não aprecia este tipo de postura "zigzagueante" (não sei se a palavra existe...) está contra Freitas. Quem compreende e aceita tal comportamento apoia-o, ou pelo menos isenta-o de críticas. Parece-me claro que a insistência demasiada nesta questão torna-se contraproducente, até porque todos sabemos que Freitas do Amaral é uma pessoa experiente e que saberá aproveitar o excesso de críticas colocando-se no papel de vítima.
Para finalizar, fica aqui uma palavra quanto à posição assumida pelo Partido Popular Europeu que, segundo se soube, suspendeu a militância de Freitas do Amaral. Com toda a franqueza, parece-me uma decisão certa, pois é incompatível a existência naquele partido de um militante que integra um Governo de outro partido que faz lhe faz oposição directa. A única dúvida que tenho é a de saber porque razão não foi o próprio Freitas do Amaral a pedir para sair. Afinal de contas, e tendo em consideração as posições conhecidas de ambos (as de Freitas e as do PPE), haverá alguma coisa comum que os faça unir à volta de um projecto político? Não me parece.
Dupond

Dúvida

Porque será que os criminosos que tem vindo a raptar mães de jogadores de futebol brasileiros escolhem as progenitoras do atletas e não as esposas?
Dupond

quarta-feira, março 23, 2005

Do Terreiro do Paço para Vairão


Acabado de ser substituido nas funções de Secretário de Estado Adjunto do Ministro da Agricultura e das Pescas, o Vilacondense Carlos Duarte acaba de ser confirmado com responsável pelo Centro de Estudos do Instituto de Ciências Agrárias de Vairão, instituição dependente da Direcção Regional de Agricultura de Entre Douro e Minho, a cujos quadros aquele Eng. Agrónomo pertence.
Segundo a nossa fonte, o Centro de Estudos, que inclui técnicos do Ministério da Agricultura e da Universidade do Porto, irá elaborar trabalhos de pesquisa relativos a diversas áreas chave do sector agrário, devendo começar por um sobre o leite.
Depois de vários anos em que assumiu funções estritamente políticas, é de saudar o regresso às origens de Carlos Duarte, cujas aptidões técnicas no sector nunca foram questionadas, pois sabemos tratar-se de alguém competente.
Dupond

Júlio Verne

O meu jornal ofereceu-me, hoje, "Cinco Semanas de Balão", o primeiro volume de uma colecção que visa assinalar o centenário da morte de Júlio Verne. Logo depois de Enid Blyton, Verne foi o escritor a quem mais dei atenção, pelo que, ao pequeno almoço, não pude deixar de recordar as muitas horas que passei agarrado às obras do escritor francês, que, na altura, tinha desparecido há oitenta anos.


Tudo começou com a famosa edição da Bertrand, com aquelas fabul/centerosas gravuras de época, a preto e branco. O primeiro livro que li é pouco conhecido: “O bilhete de lotaria nº 9672”, logo seguido dos três volumes de “A Ilha Misteriosa” onde encontrei o Capitão Nemo bem antes de com ele mergulhar até às “20.000 Léguas Submarinas”. Depois foi um sem parar: “Robur, o Conquistador”, “Viagem ao Centro da Terra”, “Da Terra à Lua” e "À Volta da Lua", “Cinco Semanas em Balão”, entre outros. Todos eles traziam uma aura de ficção científica algo retro para os anos 80 do século XX, mas isso não esmoreceu o meu entusiasmo.
Curiosamente, os livros que mais gostei nada têm a ver com o temática visionária que o tornou famoso. Um foi “Miguel Strogofff”, o tal herói russo que haveria de ficar cego quando lhe aproximaram dos olhos uma espada em brasa… Mais do que visualizá-la, pude ver a cena na transposição para TV dessa obra, o que me deixou deveras impressionado.
O outro foi “O Raio Verde” que é, essencialmente, uma história romântica. Um grupo de pessoas, entre as quais se inclui a principal personagem feminina, de casamento marcado com um entediante nobre, todos à procura do último raio de luz solar a sair do astro-rei antes de ele mergulhar no Oceano. Só que, entre eles, vai também um outro cientista por quem ela se apaixona e por quem troca a visão do tal raio por uma troca de olhares entre eles… Um outro pormenor deste livro, é que menciona Portugal como um dos destinos que o grupo pondera para se instalar à beira-mar para poder observar a despedida do sol.


A influência de Júlio Verne na posterior criação artística foi tremenda. Desde o filme pioneiro de Mélies, até algum cinema contemporâneo, na onda steampunk e cyberpunk, as marcas são mais do que muitas. Na banda desenhada nem se fala: Hergé parece que não se limitou a “inspirar-se”, tendo arriscado o plágio, sem esquecer E.P Jacobs, e muita da banda desenhada com inspiração na ficção científica. O mesmo vale para a literatura, bem se podendo dizer que terá sido ele o pai da “ficção científica”.
Num mundo cheio de referências altamente tecnológicas, como o nosso, Verne dificilmente poderá alcançar a dimensão de outrora. Mas as suas histórias continuam a valer por aquilo que transmitem: a aventura, a crença na ciência, continuam a ser um doping para o ser humano. Nesse sentido, a sua obra é imortal.

Obras de Verne na Net: Jules Verne Virtual Library contém versões de muitas das suas obras, em várias línguas. Análises literárias aqui. Em português (do Brasil), disponíveis para download aqui,
Dupont

terça-feira, março 22, 2005

Inspecções mil...

A nossa habitual fonte no interior dos Paços do Concelho deu-nos conhecimento ontem à noite do início de uma inspecção à Câmara Municipal de Vila do Conde, desta vez a cargo da Inspecção Geral de Finanças. Segundo soubemos, os inspectores apresentaram-se ao serviço ontem de manhã e irão analisar, nas próximas semanas, diversa documentação relativa à atribuição de subsídios por parte da autarquia.
O Vilacondense permanecerá atento a mais esta acção inspectiva.
Dupond

Um azar nunca vem só...


O povo, na sua magbnífica sabedoria, diz, e com razão, que um azar nunca vem só. Este aforismo aplica-se na perfeição ao actual Presidente da Câmara Municipal de Vila do Conde. Com efeito, depois do turbilhão criado à volta das ilegalidades alegadamente praticadas por Mário Almeida e denunciadas na passada semana pelo Tribunal de Contas, eis que somos informados que o autarca mor de Vila do Conde deu entrada na sede da Polícia Judiciária do Porto para prestar declarações. Ainda não se sabe no âmbito de que processo.
Fazendo jus à nossa habitual atenção aos acontecimentos de Vila do Conde, O Vilacondense aguarda com ansiedade a Conferência de Imprensa que Mário Almeida deverá fazer nos próximos dias, e na qual se espera que possa anunciar a apresentação de um processo crime contra os agentes da Polícia Judiciária pelo facto de, ao terem-no chamado, estarem a pôr em causa o seu bom nome...

ADITAMENTO: segundo o Diário Digital, Mário Almeida está a ser ouvido "por causa de uma empreitada envolvente à Casa da Música";

ADITAMENTO 2: a TSF anuncia que "à saída, o autarca de Vila do Conde sublinhou que foi tratado de forma «simpática» e que as questões que lhe foram colocadas estavam relacionadas com a empreitada da Casa da Música.«Limitei-me a dizer que nao estive naquela reunião (sobre a obra da Casa da Música) e por isso (o interrogatório) foi rápido», disse aos jornalistas"

Dupond

Ilusão de Óptica

F.C. Porto - Sporting: 3-2, no total das duas mãos...
F.C. Porto - Benfica: 2-1, no total das duas mãos...
Dupont

segunda-feira, março 21, 2005

Grandes Opções do Plano e Orçamento da CM Vila do Conde-2005


Dano continuidade à nossa intenção de divulgar os principais documentos da vida política do nosso concelho, apresentamos, hoje, o mais importante de todos: as Grandes Opções do Plano e Orçamento para 2005 da Câmara Municipal de Vila do Conde.
Agora, em vez de ler resumos nos jornais, cada vilacondense tem a possibilidade de analisar, concretamente, aquilo a que autarquia se propõe fazer. Cada vilacondense, com um pouco de paciência, pode consultar as obras e projectos orçamentados para a sua freguesia e verificar se alguma coisa foi, efectivamente, feita. Depois, como estamos em ano de eleições, poderá agradecer ou punir o executivo camarário com o seu voto.

Para lhe facilitar a leitura, aqui fica um pequeno guia:
- As páginas 3, 4 e 5 apresentam o texto em que a Câmara Municipal explica as suas opções de investimento.
- As páginas 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 15, 16, 17, 18 e 19 apresentam as várias obras que a Câmara pretende fazer em todo o concelho. Estas encontram-se ordenadas por áreas de investimento, começando pela Educação, passando pelo saneamento e abastecimento público, segurança entre outras.
- As páginas 20, 21, 22, 23, 24, 25, 26, 27 e 28 apresentam o Orçamento financeiro da autarquia, expondo as receitas e as despesas.
- As páginas 31, 32 e 33 constituem o anexo que congrega a informação relativa a todos os empréstimos de médio e longo prazo contratados pela autarquia (atingem quase de 57 milhões de euros), bem como o respectivo serviço de dívida.
- As páginas 34 e 35 referem-se às transferências que a autarquia prevê efectuar para cada uma das 30 freguesias do concelho. Como se pode verificar, mais de 50% dessas verbas não estão definidas à partida, ficando à disposição do poder discricionário do executivo municipal a respectiva distribuição.

Dupond & Dupont

domingo, março 20, 2005

Meu caro presidente


Eu compreendo que você esteja nervoso e que as revelações dos últimos dias não lhe sejam favoráveis. Ainda por cima teve o azar de ficar engavetado (salvo seja!...) com Fátima Felgueiras, o que, como já aqui dissemos, é uma enorme injustiça.
Mas, que Diabo, que assessores é que V.Exª tem para lhe aconselharem a dar semelhante tiro no pé, anunciando que iria processar os auditores do Tribunal de Contas? Vejamos:
V. Exª foi meter-se com a classe mais corporativa que existe neste país. Nem farmacêuticos, nem advogados, nem médicos, todos juntos, conseguem chegar aos calcanhares de corporativismo da classe dos Magistrados Judiciais. Pergunte à mulher do seu vereador, António Caetano, e verá com quem se meteu. É que, convém não esquecer, os tais auditores estão no Tribunal de Contas sob a direcção, fiscalização e comando de juízes. E não faz ideia como eles são quando ficam zangados…
Depois, não sei se mediu bem as consequências da sua posição, mas, em Portugal, actualmente, o Tribunal de Contas goza de um prestígio e de uma credibilidade junto da população talvez só comparável ao Tribunal Constitucional e à Comissão de Mercado de Valores Imobiliários. Atacá-los, lançando suspeitas sob o trabalho e intenção das pessoas que lá trabalham é um risco enorme, diria mesmo, suicida…
Em terceiro lugar, não sei se reparou, mas esta moeda também tem duas faces: é que eles também se podem sentir ofendidos com a sua atitude e entender, até, reclamar duas coisas – difamação, por ofensa à honra; denúncia caluniosa, por estar a fazer uma queixa cujos contornos V.Exª sabe não integrarem crime…
Finalmente, o seu partido tem cada vez menos paciência e tolerância para com os autarcas que não preencham os requisitos de mudança e imagem que José Sócrates pretende...
Tudo somado, a sua atitude deixa transparecer uma situação de pouca serenidade, menos esclarecimento e demonstrando algum desespero que não parece compatível com a calma que invoca que sempre teve. Afinal, as decisões dos Tribunais são sindicáveis em sede própria e com mecanismo próprio: o recurso. Qualquer licenciado em direito acabado de sair da Faculdade explica-lhe isso.
Como se toda esta salada não bastasse, V.Exª ainda cai em asneira ainda mais grossa ao não resistir à tentação de auto-gabanço. Dizer que esta situação só tem a dimensão que tem porque há, em Vila do Conde, um autarca com a dimensão de Mário Almeida, é feio. Mencionar o seu próprio nome, como o ouvi na TSF, para ilustrar a sua importância, isso, então, já nem merece comentário.
Dupont

sábado, março 19, 2005

Aniversário


Do Contra-a-Corrente. Parabéns, MacGuffin.
Dupont

O Título

Foi ontem apresentado o último livro de Gabriel Garcia Marquez, "Memória das Minhas Putas Tristes", de que já aqui, em Novembro (!!!), falámos da edição em língua espanhola. Na SIC-Notícias, uma jornalista foi fazer a reportagem sobre o evento, mas não teve coragem de nomear o título. "Está a decorrer o lançamento do último livro de Gabriel Garcia Marquez, que é este..." e mostrou a capa para a câmara, que, a medo, lá fez o close-up. Patético.
Dupont

sexta-feira, março 18, 2005

Revista de Opinião Vilacondense

Nesta edição do Terras do Ave temos:
- Rui Silva,"Editorial"
- Cunha Reis, "Neo-Liberalismo, Neo-Exploração, Neo-Classismo"
- Miguel Torres, "21097 metros"
No Suplemento de Vila do Conde d' O Primeiro de Janeiro, escrevem:
- António José Gonçalves, "O que é nacional é bom ?";
- Afonso Ferreira, "Aqui entre nós"
- Felicidade Ramos, "Leituras"
- Arnaldo Carmo Reis , "Carta aberta ao dr. Santos Cruz".
Cunha Reis aborda os rótulos políticos da actualidade, enquanto Miguel Torres relata a sua aventura de participar na Meia Maratona de Lisboa. António José Gonçalves elogia as marcas de sucesso nacionais, embora me tenha pregado um susto, já que pensei que o título do artigo era alguma piada futebolística, mas logo me recordei que o autor é sportinguista e não tem muita coisa para rir...
Rui Silva tem um editorial com cariz cultural, falando de Agustina Bessa-Luís e da Ponte da Doquinha, de que o seu jornal traz uma excelente reportagem. Afonso Ferreira continua a levantar bem alto a sua bandeira em defesa do Metro e recorda, também que numa altura em que Porto e Vila Real procuram reviver o seu passado automobilístico, Vila do Conde nada fez. Só por isso, Afonso, um grande bem-haja.
Felicidade Ramos escreve sobre a sua paixão pelos livros que "quando passam por nós e deixam marcas. Quando nós, passando por eles, deixámos marcas". Aproveita para evocar um clássico, "O Elogio da Loucura", de Erasmo.
Finalmente, o frete da semana: Arnaldo Carmo Reis resolve desancar em Santos Cruz. E fá-lo com um texto que é quase igual ao que está na última página do "Jornal de Vila do Conde". Coincidências... Digo "frete" porque quem escreve "o desenvolvimento concelhio é notório, traduzido nas muitas obras nas freguesia – de saneamento básico(...)" não pode estar a fazer outra coisa.
Dupont

quinta-feira, março 17, 2005

Relatório de Auditoria ao Município de Vila do Conde – Exercício de 2002

(Em actualização)
O Tribunal de Contas divulgou o relatório de auditoria ao nosso município. Registe-se que, no processo de elaboração do mesmo, já se procedeu ao devido contraditório. Segundo se pode ler no relatório, foram detectadas várias irregularidades e ilegalidades, inclusive algumas relacionadas com vencimentos, retenção de verbas, despesas e pagamentos sem concurso público, entre outras. Aí vão, em primeira mão, algumas:
  • Despesas ilegais e pagamentos ilegais e indevidos provenientes da celebração de contratos de prestação de serviços, na modalidade de avença, entre a autarquia e dois aposentados da Caixa Geral de Aposentações, sem consulta prévia obrigatória a cinco prestadores de serviços e com violação do limite remuneratório definido no Estatuto de Aposentação: Despesas ilegais – 70.681,00 euros; Pagamentos ilegais e indevidos: 39,197,00 euros.
  • Pagamentos ilegais e indevidos resultantes da acumulação do exercício de cargo político com o exercício de funções públicas, pelo Presidente da Câmara, sem que tenha sido reduzido o seu vencimento autárquico em 50%. – montante de 13.118,60 euros.
  • Contabilização como receitas próprias dos descontos referentes à ADSE, não se efectuando a transferência das verbas retidas para os cofres do Estado – montante de 61.138,22 euros
  • Despesas e pagamentos ilegais resultantes da não adopção de procedimentos concursais adequados na aquisição de bens e serviços e ainda sem informação expressa de cabimento e cativação da despesa – montante de 32.213,38 euros.
  • Despesas e pagamentos ilegais relativos à execução de diversos trabalhos, dada a não abertura do procedimento concursal adequado e a não exigência dos documentos habilitantes dos concorrentes, designadamente, alvará de empreiteiro de obra pública-montante de 72.326, 96 euros;
  • Não aplicação do Plano Oficial de Contabilidade das Autarquias Locais (POCAL) cuja entrada em vigor ocorreu em 01/01/02 e, por consequência, não elaboração de vários documentos obrigatórios como o Inventário, balanço, documentos provisionais;
  • Não são realizados balanços à tesouraria;
  • Utilização de verbas de operações de tesouraria para pagamento de despesas orçamentais;
  • Transformação de um empréstimo de curto prazo em médio/longo prazo de forma ilegal, uma vez que não foram observados os requisitos legais prévios à sua contratação, não houve autorização da contratação pelo orgão deliberativo, o mesmo não foi submetido a visto do Tribunal de Contas e teve como consequência o aumento do endividamento líquido municipal;
  • Pagamentos ilegais relativos ao IVA de diversas empreitadas, em virtude de Ter sido paga a taxa de 17% e 19%, quando apenas era devida a taxa de 5%.
Quem quiser ler o relatório na íntegra, basta ir aqui e descarregá-lo, em PDF. Curioso é o facto de os interessados já terem sido notificados da decisão há algum tempo e ainda ninguém se ter pronunciado. Bem, O Vilacondense é o primeiro...

ADITAMENTO 1: RTP, Público online, TSF, Público, Diário de Notícias.

ADITAMENTO 2: Achei curioso este cometário de Mário Almeida, no Público, congratulando-se porque o Tribunal de Contas "não detectou quaisquer responsabilidades criminais". Diga lá, senhor Presidente, o que é que o levou a dar resposta a uma pergunta bque ninguém fez?

ADITAMENTO 3: Mário Almeida, na RTP, considera que tudo não passa de diferenças de opinião entre técnicos. Portanto, a culpa é dos técnicos. Tal qual as promessas incumpridas são em exclusivo da responsabilidade do Governo Central, como diz, hoje, o "Jornal de Vila do Conde".

ADITAMENTO 4: O Público e o Diário de Notícias meteram água. Especialmente o primeiro. O diário de Belmiro de Azevdo resolveu enfiar tudo no mesmo saco: Fátima Felgueiras na página 2 e Mário Almeida na 3, tudo sob o título "Autarquias em Tribunal"; já o DN, na pag 16, colocou os dois autarcas em pé de igualdade.
Ora, sejamos correctos - as situações nada têm a ver uma com a outra. Estar a comparar-se uma autarca em fuga à Justiça, pronunciada por duas dezenas de crimes, a ser julgada em sede criminal, com um autarca que não foi acusado ("ainda" ou talvez "nunca") da prática de qualquer crime, sem decisão de qualquer Tribunal (isto é só um relatório), vai uma distância maior do que a de Vila do Conde ao Rio de Janeiro.
Dupont

Trufas chinesas


A China é, realmente, um tema infindável. Agora, é a TIME a dar conta da invasão das trufas chinesas. Como é sabido, este fungo é um dos alimentos mais caros que se podem encontrar. O preço de mercado ronda os 2000 euros/kg. A cozinha francesa, bem como os principais cozinheiros mundiais, não dispensam a presença de trufas nos seus preparados, motivando uma enorme procura por parte dos ... achadores. É que o fungo não é cultivado, mas encontrado na natureza, com recurso a porcos.
Ora, na China, também há trufas. Mas, aí, são exclusivamente para alimentação de... porcos. Como refere a reportagem, os suinicultores chineses usam-nas como afrodisíaco para assegurar que as fêmeas terão muitos leitõezinhos.
É claro que o preço não é o mesmo. E, pelos vistos, o sabor também não. Mas o que interessa é que os espantados agricultores chineses, que se riem do nobre destino que os europeus dão à trufa, estão a arranjar quantidades cada vez maiores do produto. O preço de venda é de cerca de 60 euros.
A partir daqui o problema desdobra-se em três. Por um lado, há quem venda estas trufas como se fossem europeias, o que é burla. Mas, pior, põe-nas à venda a preços incrivelmente inferior, de nada valendo o avisos gauleses e italianos de que “não prestam”... Em terceiro lugar, os esporos da trufa chinesa estão a ser espalhados pelo ar, acabando por contaminar o solo e prejudicando a prima europeia, de saúde bem mais frágil.
Porca miseria!...
Dupont

Instantâneos de ontem

Pela manhã, no carro, em fila, faço zapping pelas rádios. Na RFM:

Locutor: então, não sabe o que são lentilhas?
Ouvinte: não estou a ver... É alguma coisa doce?
Locutora: Ah! Ah! Ah! Deve estar a confundir, sei lá... com lampreia.
Locutor: mas isso é um peixe.
Locutora: mas, antes, é um doce.
De tarde, semi-deitado no meu dentista de vinte anos, um sabidão sempre bem disposto, com uma percepção da vida muito pragmática, ou não fosse transmontano de Alijó:

- Então, doutor, o que é que acha desta história dos medicamentos à venda nos hipers e nas gasolineiras? - pergunto.
- Olhe, antes de mais, acho extraordinário um Primeiro-Ministro, no discurso de posse, destacar um subtema de Saúde, quando as grandes linhas do Ministério ainda estão por definir... Enfim... Depois, e quanto a isso, lembro-me sempre da história que aconteceu àquele meu colega: depois da consulta, receita "Nimed" a uma senhora; quando se preparava para escrever, ela interrompe-o: "Sr. Dr, pode ser em saquetas? É que a família, no Verão, adora fazer refrescos com o pozinho. É tão saboroso..."

Dupont

quarta-feira, março 16, 2005

Em alta!!!!


Esta prancha original do nosso mestre Hergé, para o álbum "O Ceptro de Ottokar", foi vendida pela "Galerie Moderne" [lote 4275] de Bruxelas, num leilão, no passado fim-de-semana, por 80.000 euros .
Se, na altura, Hergé houvesse tido o golpe de génio de incluir os mais famosos detectives do Mundo na história, certamente que esta prancha não seria vendida por menos de 500.000 euros...
Dupond & Dupont

How to be a Zillionaire


aqui falámos sobre a crescente importância da China no mercado mundial. Hoje vamos abordar uma consequência previsível desse enriquecimento, com base neste artigo do jornal italiano La Reppublica (em PDF). Na verdade, com a abertura da China ao mercado internacional, era natural que alguns empresários começassem a surgir nas listas dos mais ricos. O primeiro da lista é Jack Ma (ou Ma Yun), que tem lucros diários líquidos de 100.000 dólares. A fonte da sua riqueza é a empresa de comércio electrónico Ali Baba. Começou em 1997 com 50.000 dólares e hoje aproxima-se de gigantes como a Amazon e a ebay, pois a sua margem de crescimento é de 100%.. Para entrar no seu site e desfrutar dos contactos ali existentes é necessário pagar uma jóia de 5.000 dólares. Pois, todos os dias, sete milhões de importadores, provenientes de 200 países, ali se “reúnem” para negócios. O esquema é simples. Imagine-se um comerciante português que quer ratos de computador. Coloca as condições de procura no mercado e assiste à disputa entre os vários vendedores para serem escolhidos. Mais liberal era difícil...
Aproveitando o rápido crescimento do número de internautas na China (134 milhões), quase tantos como os norte-americanos, a empresa iniciou uma expansão por todo o Mundo com sucursais um pouco por todo o lado, equipadas com 2000 funcionários.
Jack Ma é, como se calculará, um self made man. Filho de pais semi-analfabetos, viu um potencial enorme na chegada de estrangeiros, pelo que tratou de aprender inglês, o que se revelou fundamental. Hoje lidera uma pirâmide de super-ricos que, segundo o Euromoney, vale 30.000 milhões de euros.
Como é óbvio, o peso político destes novos empresários está em crescendo. Muitos, mal começam a ganhar dinheiro, tratam de se filiar no Partido. São os “Capitalistas do Poder” a primeira de três categorias que o professor universitário Bal Shazhou identifica. Os outros dois são os “Surdos-Mudos”, isto é, os que procuram fazer a sua vida sem beliscar o poder político e os “Desafiadores”, aqueles que não ficam calados e põe em dúvida o sistema, herdeiros directos dos acontecimentos de Tiananmen, em 1989.
Estamos, sem qualquer dúvida, perante uma nova Revolução Chinesa, desta vez sem líderes semi-divinos, mas apenas com gente que quer explorar as suas próprias capacidades. A colmatar tudo isto, já há quem não tenha medo de se candidatar a eleições locais dfrontando o candidato do Governo. Mas, claro, nem tudo são rosas. Em 1978, 20% das famílias que constituiriam a classe média ganhavam quatro vezes mais do que as mais pobres. Hoje, 20% dos ricos auferem 15 vezes mais do que os mais necessitados. Entratanto, a Cartier está a abrir sete lojas por ano, a Louis Vuitton viu as suas vendas triplicar e a Bentley não tem capacidade de resposta para as encomendas... O terramoto já não é só económico, é também social.
Confúncio morreu, Mao já se foi e eu já não me estou a sentir muito bem...
Dupont

Uma fatia de bolo


“It’s only a Movie – Alfred Hitchcok: A Personal Biography” de Charlotte Chandler é a mais recente contribuição para a longa lista de livros biográficos sobre o mestre do suspense.
Para me entrevistar torna-se necessário que entreviste os meus filmes”, diz Hitch à autora, ao que ela responde “já o fiz, e eles contaram-me muitos dos seus segredos – mas não todos”... E Charlotte Chandler, tal como já havia feito com Billy Wilder, Fellini, Groucho Marx, entre outros, parte à procura das pequenas histórias, dos pormenores esquecidos, do fait-divers que encanta os amantes da Sétima Arte.
Curiosa a opção pelo título “É só um filme”, que apenas pode ser visto com ironia. Hitchcock era um perfeccionista, não deixava nada ao acaso, desde o guarda-roupa aos diálogos e adorava gente bonita. A sua lendária paixão por loiras não é nenhuma lenda... Mas o velho mestre sempre ironizava com essa sua vontade de tudo controlar. A certa altura, Chandler pergunta-lhe se os seus filmes são retratos da vida. Ele responde: “My films, you know, aren’t slices of life, they are slices of cake”. Para serem degustados com um Porto velho, não é?
Dupont

Censura?


A Conferência Francesa de Bispos colocou uma acção em Tribunal contra os costureiros Marithé and François Girbaud, por entender que estão a gozar com a figura de Cristo, ao inspirarem-se na Última Ceia, de Leonardo Da Vinci. Como se já não chegasse a história do Código...
ADITAMENTO: Pelo Ponto Media ficámos a saber que a campanha foi mesmo retirada das ruas em França e em Itália, segundo refere o El Mundo.
Dupont

terça-feira, março 15, 2005

Adeus, Porto!

O Mourinho saiu e não houve revolução ou evolução para aguentar a parada, não foi? "Paciência", pareces dizer... "Muita", digo eu, que já tenho pouca. Num país onde as vitórias internacionais são escassas, independentemente da área, tu habituaste-me à excelência. Foram duas épocas de difícil repetição, "mas não impossível", como diria o outro que anda a comer árbitros ao breakfast... O pior é que "de cavalo para burro" todos gostam de ir. O inverso é que já é mais complicado, como sabes. E não sei se terei paciência para olhar para sportings e benficas e achar que eles são quase equivalentes a nós... Podes perder, podes sair derrotado, mas fá-lo de pé, com honra e não a envergonhar os sócios e adeptos. "Nivelar por baixo"? Não contes comigo.
Bem, tempo de acordar, não é?
Dupont

O "Bravo" do Mindelo

Joaquim Cardoso, Presidente da Junta de Mindelo, anda com a paciência esgotada. Até ao momento ninguém lhe apresentou um plano com acessos alternativos à freguesia, para o tempo em que vão decorrer as obras de Metro do Porto. A sua preocupação é correcta, pois, com o corte da estrada junto à antiga estação, o acesso à freguesia só é possível por Árvore ou por Vila Chã.
Segundo soubemos, Cardoso já ameaça com cortes de estrada para manifestar o descontentamento da freguesia. Mesmo que seja para dizer que a Câmara Municipal também tem culpa no "cartório".
Veremos até que ponto chega a "bravura" de Cardoso...
Dupond

«Back to The Future»


"Santana de regresso à câmara de Lisboa". TSF.
Dupont

«Sideways»


Dois quarentões partem numa viagem por uma região vinícola da Califórnia. O motivo prende-se com o facto de um deles ir dar o nó, pelo que viajam à procura de divertimento. Miles é um professor de inglês com queda para enólogo e Jack é um actor secundaríssimo, em vésperas de se casar. Os dois acabam por se encontrar com duas mulheres, a loira Maya e a asiática Stephanie, com que acabam por se envolver.
Pode parecer simples mas, na verdade, o argumento de «Sideways» vive da enorme profundidade psicológica de cada um dos protagonistas, todos eles à procura de mudanças de rumo na sua vida - daí o título. Assim, o professor de inglês Miles quer tornar-se escritor; o actor Jack quer passar a empresário através do casamento; a empregada de mesa Maya tenciona acabar o curso de horticultura; e a empregada de balcão Stéphanie apenas quer endireitar a sua vida pessoal. Todos se entretêm a fazer o que podem, mas não aquilo que realmente desejam.
E é na encruzilhada dessa semana de férias que os quatro se vão encontrar e em que descobrirão a sua verdadeira natureza, entre amor, sexo e muito vinho. In vino veritas... O destaque, no entanto, vai todo para Miles, uma composição absolutamente brilhante de Paul Giamatti, o típico loser americano: a sua vida pessoal está em farrapos após um divórcio que ainda não conseguiu digerir; as suas tentativas para ser escritor acabam sempre num beco sem saída; é sexualmente inseguro, procurando refúgio em pornografia barata; e, com aquela idade, ainda rouba dinheiro do porta-moedas da mãe. Mas, debaixo de toda aquela confusão, está alguém sentimental, à espera de ser descoberto. É o que ele deixa transparecer quando fala, enquanto enólogo de eleição, de castas vinícolas, de colheitas, de casas produtoras ou quando lhe dizem que os seus livros são bons, e só não têm sucesso por apenas não entrarem nos padrões comerciais vigentes.
Momento marcante do filme acontece quando Maya, também ela expert em vinhos, lhe pergunta o porquê da sua paixão pela casta Pinot Noir. Ele diz:
"Pinot needs constant care and attention. You know? And in fact it can only grow in these really specific, little, tucked away corners of the world. And, and only the most patient and nurturing of growers can do it, really. Only somebody who really takes the time to understand Pinot's potential can then coax it into its fullest expression. Then, I mean, oh its flavors, they're just the most haunting and brilliant and thrilling and subtle and... ancient on the planet."
Claro que não é do vinho que Miles está a falar, mas de si próprio. E ela, perante esta confissão espontânea e não racional, apaixona-se. Só que a timidez de Miles, aliada a uma certa dependência para com Jack, fazem-no hesitar.


Miles não sabe que há muito está por ela apaixonado. Assim como não sabe o excelente enólogo que é ou o promissor escritor que dentro dele se esconde. Para se afirmar como tal, só poderá fazer uma coisa: sair da estrada principal e escolher um “sideway”. E é o que ele, finalmente, já próximo do fim do filme, resolve fazer.
Mas a fita é rica em muitos outros pormenores. Para acentuar o cinzentismo e a insegurança de Miles temos Jack, um tipo auto-confiante, que só dá atenção ao sexo e nada ao amor (e acaba por pagar isso com sangue...), sempre com um objectivo definido na vida e que usa Miles para limpar as suas asneiras. Depois, há o facto de o cenário escolhido ter sido o de uma região vinícola onde, do cultivo e vindima das uvas até ao copo, muitas transformações são necessárias para se atingir um bom produto final. Ou uma banda sonora, excelente, com músicas suaves que não interferem na acção, antes a complementam com uma subtiliza digna dos sabores escondidos num bom vinho.
O realizador é Alexander Payne de que conhecemos “Election” e o excelente “About Schmidt”. No primeiro, o realizador colocava Reese Witherspoon e Mathew Broderick no liceu, para ironizar com os limites da ambição por uma carreira política; no segundo, retratava a vida de um recém reformado, na sua tentativa de recompor o passado, no que foi um dos melhores papéis da carreira de Jack Nicholson. Uma última palavra para Virginia Madsen, que continua fabulosa desde que a vi, há uma eternidade, nesse videoclip gigante realizado por Steve Barron, com a mãozinha de Giorgio Moroder e que dava pelo nome de "Electric Dreams".
«Sideways» é uma fita excelente. Se não houvesse Clint Eastwood, com uma safra extraordinária, este seria o grande filme de 2004.
Dupont

«Hoje somos muitos, amanhã seremos milhões»

"A minha Espanha é na Galiza. Não gosto de terra amarela. Prefiro o Minho ao Alentejo. O Douro ao Guadiana. Gosto de calor, mas não do calor mole da preguiça. Gosto do Alentejo, mas mais do Douro e do Minho". Nem mais, besugo.
Dupont

Onda gay


Antony and the Johnsons e Rufus Wainwright são dois expoentes máximos de songwriters que usam a sua homossexualidade como bandeira. É um comportamento mais ostensivo no primeiro, mais discreto no segundo. No final de contas, que é o que interessa, dois excelentes álbuns.
"I'm a bird now" é o segundo álbum de Antony, um personagem algo enigmático, mas possuidor de uma voz rara, aliada a uma extraordinária sensibilidade espelhada na forma como escreve e como canta. O álbum corre lento, profundo, mas belíssimo. Por vezes faz-me lembrar o melhor Marc Almond, mas com outra "seriedade". Já Rufus Wainwright é mais mainstream, com uma carreira alicerçada em vários álbuns, incluindo "Want One", o antecessor deste "Want Two", com a particularidade de ambas as obras terem sido gravadas ao mesmo tempo. As letras são excelentes, como sempre, e o recurso a orquestrações dá um delicioso feeling semi-operático ao disco, com destaque para "Little Sister". Realce para o facto de vir incluido um DVD de um concerto de Rufus, sem qualquer aumento de preço.
Dois discos a incluir, desde já, nos melhores do ano.
Dupont

«anónimos»


Robert Flynn Johnson é o conservador do Museu de Belas Artes de São Francisco, na Califórnia. Em feiras, leilões, antiquários e alfarrabistas foi recolhendo e coleccionando fotografias de autores anónimos, daquelas que ficaram guardadas em caixas ou em álbuns de fotografias que em desespero se deitaram fora.
Durante dez anos, Robert F. Johnson logrou juntar uma qualidade apreciável destas imagens. Umas são mais significativas do que outras, algumas são pessoais, outras te, claras pretensões artísticas. Foi então que escolheu as que entendeu serem as melhores e fez um livro: “Anonymous: Enigmatic Images from Unknown Photographers”, em parceria com o escritor William Boyd.
O resultado é assombroso e faz-nos pensar sobre a quantidade de gente anónima que por aí anda, com capacidades fantásticas de lerem o Mundo, seja através da escrita, da pintura ou, no caso, da fotografia. Nesse aspecto, os blogs vieram dar voz a muita gente, excelente, que de outra forma jamais poderia partilhar as suas ideias e o seu pensamento com os seus semelhantes. Estou a lembrar-me do ‘Rua da Judiaria’ e do ‘Almocreve das Petas’, por exemplo...
Dupont

segunda-feira, março 14, 2005

Atira a pedra... com a mão dos outros

Alexandre Raposo é um jovem que demonstra uma critividade política notável. Há dias veio aos comentários d' O Vilacondense insurgir-se contra o Vereador do seu partido que, numa declaração de voto a propósito da privatização da água, lembrou que a presença de António Caetano no jurí do concurso que deu a vitória à empresa onde trabalhava mesmo antes de ser eleito Vereador não ficava bem.
Naquele momento, Alexandre Raposo achava mal que se falasse disso. Surpreendentemente, no artigo que assinou no PJ de Sexta-feira passada, vem dizer que António Caetano "está em maus lençois (...)do ponto de vista etico/moral" e que deveria mesmo "suspender o mandato" para esclarecer convenientemente esta questão.
Neste caso, Alexandre Raposo foi ainda mais longe do que o Vereador do seu partido, que na declaração que subscreveu não pediu a demissão ou a suspensão de Caetano. Ou seja, Alexandre Raposo, depois de ter "defendido" António Caetano, aproveita-se das críticas que lhe foram feitas para o atacar de formar ainda mais grave.
Confesso que não consigo encontrar uma explicação coerente para que alguém consiga defender que o assunto não deveria ser abordado, e logo no dia seguinte afirmar que se trata de algo tão grave que deveria motivar a suspensão do mandato de um autarca eleito com o voto do povo. Eu não percebo, mas a culpa deve ser minha.
Dupond

Sócrates prefere os homens...

... para ocupar lugares no Governo. Elas são apenas 2 Ministras e 5 Secretárias de Estado.
São opções...
Dupond

«Até tu, Brutus!?...»

"A culpa do atraso na chegada do Metro do Porto a Gondomar é dos governos do PSD (...)Não estou a ser simpático com o meu amigo Sócrates, estou é muito revoltado com tudo o que se passou". Valentim Loureiro, in TSF.
Dupont

Novidades Políticas Vilacondenses

Tal como o six já referiu, parece que há uma grande probabilidade de Bruno Almeida voltar a ocupar um lugar na Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte, a ser liderada por outro vilacondense, Fernando Gomes. Gorada que foi a tentativa de Mário Almeida conseguir colocar o filho no Governo, o autarca virou-se para o seu amigo de sempre que lhe terá franqueado as portas da CCRDN. O peso de Mário Almeida já não é o que era, tal como o de Fernando Gomes, despachado por Francisco Assis para um lugar pouco incómodo.
Por Vila do Conde, registo para a cada vez maior apatia de Pedro Soares que já confidenciou a amigos “não estar disponível para nada”. Duas vezes derrotado por Miguel Paiva, o professor primário parece esperar que a fruta caia de madura. Na verdade, confiando num mau resultado do PSD nas autárquicas, Pedro Soares sonha em aparecer como salvador, um epíteto por que ele adora ser conhecido…
Pelos lados do PS, a saída de Elisa Ferraz parece ser uma decisão definitiva. A acontecer, a facção de Jorge Laranja e António José Gonçalves perderá a sua presença no executivo socialista, independentemente de conseguir, ou não, a maioria na Câmara. No seu lugar perfilam-se outras duas mulheres, qual delas a mais cinzenta: a professora primária Maria Alcide e a presidente da Junta de Fajozes, Dr.ª Maria de Lurdes Castro Alves. São ambas politicamente dóceis, proporcionando a Mário Almeida um sossego que não teve com as divisões verificadas no interior do seu partido. Entretanto, o próprio António José Gonçalves procura reunir apoios para uma candidatura à Junta de Freguesia de Vila do Conde.
Dupont

Boa Cama e Boa Mesa


O Expresso já fez sair a terceira edição do seu guia "Boa Cama, Boa Mesa - 2005". As surpresas são muito poucas, com os mesmos nomes de sempre a aparecerem nos lugares de destaque. Anoto, com prazer que alguns dos meus preferidos estão lá: "Bull & Bear" e "Foz Velha", no Porto; o "Condestável", no Cartaxo; "Casa Velha" e "São Gabriel", em Almansil. Julgo que o portuense "Cafeína", o "Marquês de Marialva", em Catanhede, e o almansilense "Hermitage" não destoariam... Mesmo nos ordinários, onde está o "Aquário", em Espinho, ou o "Camelo", em Santa Marta de Portuzelo (*)?
No que a Vila do Conde diz respeito, estão referenciados dois restaurantes: o "Ramón" e o "Bom Bordo". O primeiro seria uma injustiça não marcar presença. Já o segundo tenho as minhas dúvidas... Apesar de ter uma cozinha que foge à entediante banalidade da maior parte dos restaurantes portugueses, o Bom Bordo parece hesitar entre uma certa pretensão estilista e uma cozinha "caseira". O serviço nem sequer é atencioso e registam-se algumas falhas como o tempo de espera ou a irritante insistência em servir água a partir de garrafas de plástico. Por outro lado, a sala é tão iluminada e a decoração tão clara que acabam por transmitir uma sensação de frieza a todo o ambiente.
Surpreendente é a inserção do "Forte S. João" nos 25 melhores hóteis nacionais. Não falo da qualidade, que não conheço, mas aquilo parece estar pelas ruas da amargura, com o restaurante encerrado e muitas queixas do Sindicato de Hotelaria. Mas ainda é o único Hotel que existe na cidade...
(*)Ver "comentários".
Dupont

Novidades BD


A ASA editou a 23ª aventura do jovem Alix. Quase toda a colecção pertencia às Edições 70, mas, à semelhança do que aconteceu com alguns títulos da Meribérica, também aqui o poderia da ASA falou mais alto. Jacques Martin, coadjuvado por Rafael Moràles, continua fiel a uma linha clara quase pura, sem concessões a novidades estéticas ou gráficas. Desse ponto de vista, a série evoluiu muito pouco desde "O Intrépido", já lá vai meio século. Desta vez, Alix e Enak, o seu habitual sidekcik, vão até ao Egipto, onde a rainha Cleópatra, desesperada por dinheiro, acaba por os trair...
Entretanto, em França, já saiu o terceiro volume de "O Ciclo de Cyann" de François Bourgeon e Claude Lacroix. Os dois tomos precedentes foram editados entre nós há bastante tempo, uma vez que o primeiro data de 1993 e o segundo de 1997... Agora, o ciclo retoma a actividade com "Aïeïa d'Aldaal". O ambiente, um cruzamento entre história medieval e o universo de Tolkien, permanece misterioso e violento. O traço, esse, continua extraordinário.
Dupont

domingo, março 13, 2005

Links: entradas e saídas

Da nossa lista de blogs saíram: "Rio Ave FC em Blog", "O Bisturi" com enorme tristeza nossa, "Cruzes Canhoto", "Desesperada Esperança", "Liberdade de Expressão" e "Realidade Virtual".
Nas entradas, realce para três vilacondenses "1 Minuto", "O Bom Senso" e "Queima do Judas 2005". Nos desportivos, também duas entradas, "Os Nossos Queridos Jornalistas Desportivos" e o "Esperança Portista", um blog que fala sobre o futuro do ainda Campeão Nacional e Europeu.
Depois, alguns que por cá já deviam estar: "O Acidental", "A Baixa do Porto", "Cinema Xunga", "Dias que Correm", "Estrago da Nação", "Hollywood", "O Insurgente", "Janela para o rio", "Nortugal", "Pé de Meia", "Portuense", "Povo de Baha" e "Universos Críticos".
Links na coluna ao lado.
Dupont

Lendo o jornal ninguém diria...

Maria Margarida Ribeiro dos Reis, proprietária de 41% do jornal "A Bola", é "a sócia 575 do Benfica, desde os 7 anos. Foi ela que escolheu o clube". No Expresso.
Dupont

sábado, março 12, 2005

Temos Governo!

Não sei é se temos governo...
Dupont

Os terríveis farmacêuticos

Este já conhecíamos. Mas, no Barreiro, há outro: "Ladrões armados fogem à frente de farmacêutico".
Dupont

O efeito Mourinho

"Anders Frisk abandona arbitragem".JN.
Dupont

sexta-feira, março 11, 2005

"É geral!..."

FC Porto, Nacional da Madeira, Real Madrid, Valência, Paris Saint Germain, AS Monaco, Lazio, Parma, Roma, Anderlecht, Ajax, Feyenoord, Werder Bremen, Bayer Leverkusen, Celtic, Rangers, Arsenal, Liverpool, Manchester United... O que é que se passa com os grandes da Europa, cujo valor e classificação não coincidem?
Dupont

Record pessoal!

Hoje saí de um estádio de futebol ao minuto 68!!!! E não estava frio!..
Dupont

Miguel Paiva vai para a Galiza?

Ele está no Público, no JN, no Comércio do Porto, no Primeiro de Janeiro... O líder do PSD de Vila do Conde, ódio de estimação de Mário Almeida, liderou as conversações entre a ARS-Norte e a homóloga galega SERGAS, para análise e estudo dos sistemas de saúde nessa enrome área que é o Norte de Portugal-Galiza. Será que Miguel Paiva irá para Pontevedra, A Corunha, Santiago ou Vigo em representação de Portugal? Nesta altura, em que o PS se prepara para remodelar os cargos de chefia, era uma oportunidade a não desperdiçar.
Dupont

Expectiva aumenta

A expectativa quanto à Meia Maratona de Lisboa aumenta a cada minuto que passa. Depois de termos tomado conhecimento há alguns dias da presença desse valor induscutível do atletismo nacional que responde pela alcunha de Ouriço Cacheiro, eis que recebemos a confirmação de que José Sócrates, que horas antes será empossado no cargo de Primeiro Ministro, também marcará presença. Para aqueles que contavam com um "duelo de gigantes" entre estes dois celebres atletas, há uma pequena frustração. É que o "nosso" Ouriço, homem destemido e com recursos atléticos infindáveis, correrá mesmo os 21.095 mt, enquanto que José Sócrates, certamente com receio de não ter tempo de recuperar dos festejos da noite anterior, não irá além da Mini-Maratona, correndo apenas 8.000 mt.
Entretanto, e porque o fim de semana será de forte actividade atlética, é justo deixar uma nota para um pequeno grupo de bravos Vilacondenses (da equipa Rompe Solas) que neste momento já se encontram em Roma prontos para enfrentar os 42.195 mt da Maratona local, que também se disputará no próximo Domingo. Meus Deus, com tantas Italianas e eles a pensar em correr...
Dupond

Boa notícia!!!

Após três meses de férias desportivo-racionalistas, o 'Futeblog Total' está de volta. O visado é Luís Campos, actual treinador do Beira-Mar. E até falam da nossa terra:
(...) A época de 2002-2003 traria, porém, aquele que é por muitos considerado um facto heróico no futebol português: à pergunta “que treinador consegue descer de divisão não uma, não duas, mas três equipas na mesma época?”, a resposta é clara e é de Fão : Luís Campos. Com efeito, o treinador começa a cavar a sepultura do histórico Vitória de Setúbal, cidade de onde prontamente – mas não atempadamente - é saneado. Os mares gelados do norte e as clarinhas de Fão chamam-no para mais perto da sua terra natal, orientando, até final da época um Varzim que conseguira uma primeira volta poderosa, com Pepa, Hilário, Quim Berto e Mendonça em grande destaque. Campos encarrega-se de sepultar o caixão e tapar a urna, conseguindo descer os Lobos do Mar, facto saudado com foguetes em Vila do Conde (...).
E que dizer do ciclo de conferências "Primeiro Seminário de Futebol Pós Moderno"? Quem é que perdeu a palestra «Filosofia Pós Moderna do Futebol (Doutor Rui Tovar) - “De Kant a Sir Bobby Robson: 250 anos de filósofos Pós Modernos: História, Memória e Teorias”» ?
Dupont

Brasil 2- Itália 3


O Terceiro Anel pregou-me uma enorme partida quando recordou o jogo Brasil-Itália, do Mundial de 1982. O que eu adorei esse Campeonato do Mundo de Futebol!... Mas, foi ele também que me levou a abandonar o futebol durante largos anos. Nesse tempo, "Paolo Rossi" passou a ser, para mim, sinónimo de "infâmia". Eu explico.
Tinha tudo preparado para um mês perfeito de futebol: havia o Naranjito, essa "mascote das mascotes", a sensação de proximidade por tudo se passar mesmo aqui ao nosso lado, tinha um livro-guia para ir acompanhando os jogos e assinalando as faltas, os golos, as substituições, enfim, estava equipado como um verdadeiro supporter, mesmo sem Portugal estar presente.
Eu era um miúdo, um teenager "incossiente", completamente apanhado pela jogo da bola e o Brasil deste Mundial era uma equipa fabulosa: Zico, Sócrates, Falcão, Toninho Cerezo e mais não sei quantos, liderados por Tele Santana. No primeiro jogo tinham ganho à URSS, virando o resultado de 1-0 para 1-2, com um tiraço de Sócrates de fora da área. Na baliza, "o melhor guarda-redes do Mundo", Vítor Ba.., desculpem, Dasaev, era uma muralha quase intransponível. Um grande jogo.
Mas eis que, depois da fase de grupos, aparece a Itália. Uma qualificação à tangente, jogadores "velhos" como Dino Zoff ou com problemas na Justiça, como Paolo Rossi, pareciam presa fácil.
Rossi marca logo no início. Sócrates empataria e Rossi voltaria a marcar. Intervalo. Falcão marca. O jogo está empatado e o Brasil pratica um futebol de sonho. "Vai ser um massacre", pensei eu. Ainda a celebrar o golo brasieleiro e o maldito Paolo fecha o hat trick, que eliminaria o Brasil. O jogo acaba.
O que eu chorei. Palavra. Chorei desalmadamente, com uma raiva estúpida. Tinha sido cometida uma injustiça de bradar ao céus. Quando caí em mim, tive vergonha do que me tinha acontecido. E jurei: "Futebol, nunca mais!"
Quem me voltou a converter foi o FC Porto, o de 1987. Só então tornei a ver futebol. Foram cinco anos de abstinência e de penitência, que terminaram, felizmente, numa fantástica epifania. A primeira de muitas.
Dupont

Madrid: Terrorismo, a Internet e a Democracia


Hoje, 11 de Março, um ano após os ataques terroristas em Madrid, chamo a atenção para este artigo de Dan Gillmor: Madrid: "Terrorism, the Internet and Democracy". Trata-se de um série de princípios e sugestões que saíram do "Encontro Internacional sobre Democracia. Segurança e Terrorismo", que se realizou em Madrid.
Os valores da Internet são:

    1. The Internet is fundamentally about openness, participation, and freedom of
      expression for all -- increasing the diversity and reach of information and
      ideas.
    2. The Internet allows people to communicate and collaborate across
      borders and belief systems.
    3. The Internet unites families and cultures in diaspora; it connects people, helping them to form civil societies.
    4. The Internet can foster economic development by connecting people to information and markets.
    5. The Internet introduces new ideas and views to those who may be isolated and prone to political violence.
    6. The Internet is neither above nor below the law. The same legal principles that apply in the physical world also apply to human activities conducted over the Internet.

Dupont

Big Black Brother

Segundo o The Times, a Comunidade Europeia está a pensar introduzir ‘caixas negras’ nas viaturas automóveis, registando a velocidade do veículo e se os cintos de segurança estão, ou não colocados.
O preço do aparelho será entre 300 e 400 euros e a ideia é melhorar a segurança rodoviária. Por ano, na Europa, morrem 50.000 pessoas e 3,5 milhões sofem ferimentos em resultado de acidentes de viação.
No Reino Unido, vários grupos ligados ao sector automóvel já avisaram que o grande problema é que a tecnologia pode ser usada pela Polícia ou até pelo Governo para introduzir uma taxa de congestionamento do tráfego e para vigiar os movimentos dos cidadãos.
O sistema seria análogo ao que as forças policiais já usam nas suas viaturas, para a “Central” saber onde e como andam as patrulhas, o mesmo se verificando nas empresas de transportes.
Para o presidente do Royal Automobile Club ( o ACP local...) isto está bem se for facultativo, permitindo, por exemplo, que as companhias de seguros baixem os prémios a quem aderir. Já não concorda se for de colocação obrigatória. “Seria introduzir o fantasma do Big Brother nos carros de todos os cidadãoes”.
E tem toda a razão, convenhamos.
Dupont

Narciso Miranda concebe asilo para autarcas-dinossauros

"Matosinhos quer criar parque arqueológico". No Público.
Dupont

Revista de Opinião Vilacondense

No suplemento de Vila do Conde d'O Primeiro de Janeiro, temos:
- Sérgio Vinagre, "A borboleta vermelha";
- Fernando Reis, "Antes tarde... que nunca!";
- Santos Cruz, "Carta aos vila-condenses";
- Alexandre Raposo, "Vila do Conde tem de se pronunciar!"; e
- Abel Maia, "Aprender com os erros".
Aleluia! Um artigo de Santos Cruz. Corrijam-me se estiver enganado, mas julgo que é a primeira vez que aqui fazemos menção do artigo do professor universitário candidato à Presidência da Câmara Municipal pelo PSD. Na verdade trata-se mais de uma manifestação de propósitos, a coincidir com a apresentação formal da sua candidatura.
Sérgio Vinagre assina um belíssima prosa, cheia de imagens e significados que tocam bem fundo nas cordas da alma.
Abel Maia tem, aqui, um daqueles textos em que o autor nem deve ter reflectido muito bem nas consequências do que escreveu. Veja-se esta pérola: "(...) os portugueses não gostam de campanhas negativas. O recurso ao “golpe baixo”, à denúncia anónima, aos ataques pessoais e às afirmações puramente demagógicas prejudicam normalmente os seus autores. Espera-se, assim, que os políticos locais aprendam com os ensinamentos nacionais e pugnem por uma atitude de frontalidade, mas sem recorrer ao insulto." Ó Sr. Dr, "Jornal de Vila do Conde" diz-lhe alguma coisa?
Fernando Reis e Alexandre Raposo abordam o problema do momento: o concurso de concessão de água e saneamento. Ambos se mostram preocupados, com o deputado municipal comunista a ironizar com a "direita" por ter sido ele o único a votar contra esta iniciativa da autarquia.
Dupont

quinta-feira, março 10, 2005

Revistas


Anteontem, o correio deixou-me seis revistas na caixa do correio. Uma overdose...
A verdade é que sou um viciado em revistas, um magazine junkie. É muito complicado dirigir-me a uma banca de jornais e não trazer mais qualquer coisa para além da intenção inicial. Há sempre uma capa de revista a olhar para mim, com um título qualquer que a torna irresistível. Já sei que esse assunto imperdível só vai ter duas páginas numa publicação com mais de duzentas e que tudo se vai resumir a um amontoado de generalidades sem novidade alguma. Se calhar, no Google encontrava mais informação... Mas não seria a mesma coisa. Faltaria sempre o prazer de desbastar florestas virgens de letras e imagens, o suave descolar das páginas de cor, o cheiro a papel saído da rotativa...E, claro, os conteúdos, sempre muito importantes, mas certamente já lidos em qualquer parte...
Durante uns dias não as largo. No escritório ou no carro, na mesinha de cabeceira ou na mesa da sala, lá estão elas, as mais recentes conquistas... Quando vou em viagem, compro sempre uma resma. Todas interessantíssimas, claro, desde turismo a política, passando por futebol, computadores e cinema. Partem comigo, passam férias com a família e regressam a Portugal. Pelo caminho ainda ganham a companhia da revista da transportadora aérea e outras que vão aparecendo e entrando para a festa...
Com o passar do tempo a paixão começa a esfriar e, já se sabe, o corpo começa a pedir nova dose...
É então que surge novo problema: o da separação. Sou pessoa com escrúpulos. Custa-me muito abandonar quem me deu prazer. Dói-me ter de intentar a acção de divórcio contra aquela revista por quem, naturalmente, um dia me apaixonei... Já pensei em recortar os artigos que me interessam, mas a visão de papel rasgado dilacera-me a alma. Enviá-las para o lixo está fora de causa, mas também não tem lógica guardá-las... Não tenho forças para resolver o dilema, pelo que opto por as deixar em cima da mesa, na esperança de que alguém lhe dê o destino que eu não tenho coragem de lhe dar...
Conto isto porque ontem ia-me dando uma coisa. Então não é que o correio não trouxe nenhuma? Só vi uma solução: levantei-me, pedi desculpa aos colegas de trabalho, vesti o sobretudo, levantei a gola, saí e fui rapidamente ao meu dealer, o “quiosque do Altino”, sempre pronto a satisfazer-me este maldito vício... O pior é que só tinha a “Caras”! Lá teve que ser! Ao que um homem chega....
Dupont