quarta-feira, março 02, 2005

CSI

Há uns tempos apanhei (mais) um vício: em vez de aturar a disposição dos programadores dos canais de TV relativamente ao horário das séries que emitem, optei por “libertar-me” e passei a adquirir, em DVD e de uma assentada, todos os episódios. Tudo começou com “24”, continuou com “CSI”, “Law & Order”, “Friends”, “NYPD Blues” entre outras. Presentemente, ando deliciado com a segunda temporada de “The Shield”, uma excelente série policial, muito violenta, sobre uma esquadra de Los Angeles em que alguns dos seus elementos não tem qualquer problema em saltar a linha que separa o Bem do Mal.

CSI:Las Vegas

Mas falemos de “CSI-Crime Scene Investigation”. Para começar, esclareça-se que é o nome, não de uma, mas de três séries de televisão, todas ligadas ao mundo da criminologia forense. Tudo começou em 2000 com a simplesmente intitulada “CSI”, geograficamente centrada em Las Vegas, que gerou posterior descendência: “CSI:Miami” e “CSI:NY”.
Já vi as primeiras três temporadas de “Las Vegas”, a primeira de “Miami” e dois episódios de “NY”. É complicado dizer qual é a melhor, mas identificar a menos boa é fácil: “CSI:Miami”. Pelos vistos, a opinião não ´so minha, pois já reparei que, na blogosfera lusa, há mais CSI addicteds a afirmar o mesmo: A Bomba Inteligente, Modo Macro, A Montanha Mágica, Aguarela Temperamental, entre outros que, proximamente, também irão "sair do armário"... O que só prova que temos uma comunidade blogueira que se recomenda.
A acção decorre, invariavelmente, à volta da secção de investigadores criminais da polícia local. O genérico pertence, sempre, aos lendários “The Who”, o que já é um brilhante trocadilho, que continua na criteriosa escolha das músicas da banda: em "Las Vegas" é ‘Who are you’; em "Miami" ‘Won't get fooled again’; e, em "NY", ouvímos ‘Baba O'Reilly’, também sobre a temática da procura. A música tem papel fundamental. Por qualquer das séries passam os nomes mais sonantes do actual panorama pop-rock. Só para se Ter uma ideia, duas das músicas do mais recente álbum dos U2 tiveram divulgação em “CSI:Las Vegas”... Outra opção comum é que o chefe da equipa parece ter de padecer de um grave problema pessoal a minar-lhe a estabilidade emocional: a crescente surdez de.... na série mais antiga; a morte do irmão de Horatio, em “CSI: Miami”; a morte da esposa, na mais recente. Os métodos, as técnicas e a abordagem são semelhantes nas três séries, mas as parecenças terminam aí.

CSI:Miami

Cada equipa é completamente diferente em cada uma das séries, bem como a personalidade e envolvimento dos seus membros. Assim, em “CSI:Las Vegas” cada um dos elementos tem vida própria e bastante autonomia, nenhum se destacando por si, a não ser o ‘chefe’, mas, mesmo esse, só o faz incidentalmente. É, também, a única que tem um personagem que traz algum humor, na pessoa do analista químico. Em “Miami” e “NY”, a produção resolveu esquecer o team spirit e optou por oferecer o papel principal a uma estrela conhecida. No primeiro caso, o eterno polícia-investigador David Caruso; no segundo, a Gary Sinise. E aqui está o grande problema de “CSI: Miami”. É que Caruso usa de toda a cabotinice possível para criar a personagem de Horatio, pelo qual faz passar toda a colecção de esgares e tiques do dicionário. Além do mais, o personagem tem uma altivez e uma arrogância que não se enquadra nem no espírito da série nem da equipa que o próprio lidera. “CSI Miami” tem uma única vantagem: tem gente mais bonita do que “Las Vegas” e “NY”. Estou a referir-me à especialista em balística, uma loira discretamente sensual, e, especialmente, uma latina, morena e voluptuosa, cunhada de Horatio. Aliás, em “NY” há uma outra morena quase gémea desta. Quanto ao sector masculino, a facção feminina lá de casa aplaude qualquer uma das séries...


Uma outra opção que merece aplauso é o facto de cada série aproveitar as características cénicas de cada cidade: os néons e as áreas de jogo de Las Vegas, a luz intensa e o tráfico de droga de Miami e a semi-escuridão, aqui quase-Fincheriana, de Nova Iorque. Pode parecer que não, mas muito da envolvência de cada série tem a ver com os cenários...
O fascínio de ver a série nem sempre é o clássico whodunnit, em que o investigador parte à procura do culpado. Boa parte das vezes, o enredo desenrola-se como se já tivéssemos o princípio e o fim da viagem, mas em que falta tudo o que está no meio. Ou seja, temos o crime e o criminoso, mas falta fazer a ligação, descobrir a arma do crime e estabelecer o modus operandi. E é um prazer vê-los trabalhar, na procura da verdade, porque, como eles não se cansam de dizer, “as provas falam”.
Ignoro se há planos para mais spinoffs. Afinal, até mesmo uma boa ideia pode começar a cansar...
Para terminar, uma experiência pessoal: em Dezembro presenciei CSI portugueses em acção e, claro, logo lhes perguntei se conheciam a série. Responderam que sim e que até estava bastante fiel. Esclareceram que “lá” estavam bem mais desenvolvidos e melhor apetrechados do que “cá”, mas que também tinham muito daquele material, incluindo as bases de dados de DNA. Uma coisa posso atestar: o processo de encontrar impressões digitais é igualzinho...
Dupont