sexta-feira, março 04, 2005

Ernest Hemingway - Para o Pe. Nuno Serras Pereira


Nas minhas viagens ao Observador já tinha reparado neste post sobre Hemingway, um dos meus escritores de eleição. O autor de “O Adeus às Armas” nada tem a ver, obviamente, com as recentes declarações do Pe. Nuno Serras Pereira. Aparentemente, digo eu. É que um qualquer buraco negro na minha memória atirou-me para a página 75 de “Hemingway”, a biografia do escritor americano assinada por A. E. Hotchner, edição da Bertrand. A tradução é miserável, mas o que interesse é este excerto, da boca de Pápa Hemingway himself:
«Além dos problemas com esse livro, também estava a passar um mau bocado com a Pauline. Não seis e era auto-sugestão derivada de ‘Fiesta’ ou simples reacção a ter acabado de divorciar-me da Hadley, mas estava num sarilho tramado, não era capaz de fazer amor. Tivera muito boa cama com a Pauline durante todo o tempo em que fomos amantes e depois de Hadley me deixar, mas de repente, a seguir ao nosso casamento, podia fazer amor tão bem como o Jake Barnes. A Pauline foi muito paciente e compreensiva e experimentámos tudo, mas nada dava resultado. Comecei a sentir-me terrivelmente desencorajado. Tinha ido a vários médicos. Cheguei mesmo a pôr-me nas mãos de um místico que me atou eléctrodos à cabeça e aos pés, duvidosa origem da minha dificuldade e me fazia beber um copo de sangue de fígado de vitela todos os dias. Tudo em vão. Até que um dia a Pauline me disse: “Ouve, Ernest, porque é que não vais rezar?”
A Pauline era uma católica muito devota e eu não era nada religioso, mas ela tinha sido tão extraordinária que achei que era o mínimo que podia fazer-lhe. Havia uma pequena igreja a dois quarteirões da nossa casa, e fui até lá e disse uma curta oração. Depois voltei para o nosso quarto. A Pauline estava na cama, à espera. Despi-me, meti-me na cama e fizemos amor como se o tivéssemos inventado. Nunca mais tivemos quaisquer problemas. Foi nessa altura que me tornei católico.»
Dupont