quinta-feira, março 03, 2005

Julgadores de almas

O Padre Nuno resolveu anunciar urbi et orbi que recusava dar comunhão aos católicos que usam métodos contraceptivos. Não percebo como é que ele sabe disso: pergunta a cada um dos que a ele se dirige durante a homília? Usa a informação obtida no confessionário? Confia na consciência dos crentes?
É inclassificável este comportamento completamente retrógrado, mas que, infelizmente, se vai afirmando na Igreja Católica. Veja-se o que se passa com o crescente poder da Opus Dei, que comanda o maior banco privado português e a universidade não pública mais conceituada do país. Ou, então, a cruzada anti-Dan Brown/Código Da Vinci, porque o escritor americano não só ofende "A Obra" de Monsenhor Escrivá, como ainda alinhou heresias em forma de livro. É o ortodoxismo em alta. O muçulmano já conhecemos bem; o católico desponta.
O Juiz Conselheiro Nunes da Cruz anunciou que "os advogados são responsáveis pelos atrasos na Justiça".Para quem pensava que os advogados andavam a usar subterfúgios ilegais, o senhor conselheiro explica: "as manobras dilatórias e recurso, previstos nos Códigos do processo, são a solução para adiar julgamentos e decisões". Portanto os advogados violam a lei quando usam os mecanismos que ela disponibiliza? Brilhante, senhor juiz. Eu bem sei que o senhor está em campanha eleitoral para Presidente do Supremo Tribunal de Justiça e que os seus "clientes" são apenas os magistrados. Mas não há necessidade de dizer estas parvoíces pois não? Afinal, os únicos operadores que têm prazos para cumprir são os advogados. Os juízes podem decidir quando quiserem que ninguém os incomoda, nem têm de dar explicações das suas decisões a ninguém, pois são irresponsáveis (em sentido técnico-jurídico). Por outro lado, senhor doutor, como disse o senhor Bastonário Pires de Lima há uns anos: "eu gostava de ver um destes senhores doutores, enquanto parte num processo judicial, pedir ao seu advogado que não fizesse uso de todos os mecanismos legais para o safar...". É um pouco como os defensores da pena de morte quando ficcionam o assassinato de um filho. Mas tudo muda de figura quando são confrontados com a possibilidade de o assassino ser o filho...
Gente velha? Pior gente completamente afastada da realidade, da sociedade e do tempo em que vivemos. E são eles que cuidam em julgar as nossas acções...
Dupont