sábado, abril 30, 2005

O Zé




Este ano, confesso, segui mais atentamente o campeonato inglês de futebol do que o português. Tudo por causa de José Mourinho. Quero lá saber se o tipo é arrogante, convencido e saiu do meu Porto de uma forma nada elegante. O tipo é um génio e os génios não são para contestar, são para admirar. As manias dos outros, nele, são vincos de personalidade. A arrogência dos outros transforma-se em confiança. As equipas de futebol que os outros vestem de trapos, com ele andam de trajo de gala. O homem sabe de futebol como ninguém. A sua perspectiva de trabalho e a sua vontade de vencer provam que quem tem qualidade no que faz, vence em qualquer parte do Mundo.
Mourinho é um pontapé nos tomates do nosso eterno miserabilismo, uma bofetada na nossa abjecta ladaínha do "coitadinho".
Eu quero ser o Mourinho, porra!
Dupont

Parque da Cidade


Pois é, Vila do Conde já inaugurou o seu Parque da Cidade, a primeira obra do programa Polis a ser inaugurada. Fui lá ao fim da tarde, esperando que a maralha da inauguração já se tivesse dissolvido, mas a verdade é que ainda vagueava por lá muita gente com pose de vernissage...
O Parque é mais assim que aos modos de um jardim relvado, semi atravessado por um veio de água onde deslizavam uns cisnes. Um ou outro pormenor a revelar pressa na inauguração não tapam o que parece ser um projecto positivo e revitalizante para aquela zona das Caxinas. As centenas de árvores ali plantadas ainda precisam de tempo para mostrarem o seu esplendor mas, quando estiverem pujantes, será um belo espaço de lazer.
Mas não há bela sem senão: todo o Parque da Cidade, que não se pode considerar muito grande, está rodeado de grades... Compreendo as necessidades de segurança e de procurar manter ali um espaço minimamente controlado mas, para mim, não dá. Num parque tem de se sentir liberdade e aquelas grades apelam a tudo menos isso. Enfim, um detalhe que em nada esconde um projecto que só poderá ser aplaudido. Quanto ao seu impacto e sucesso, só o tempo poderá responder.
Dupont

sexta-feira, abril 29, 2005

O Isaltino “Isaltou-se”


Isaltino Morais tornou público que vai avançar como candidato independente às eleições autárquicas de Outubro, numa candidatura à Câmara de Oeiras.
Ora bem. Esta exaltação do Isaltino deve-se ao facto de o PSD (e muito bem, diga-se de passagem) não querer associar-se a um candidato em investigação por não ter declarado as contas bancárias na Suiça.
Corrijo: as contas não são dele, mas sim do sobrinho.
Porque é que um militante, dirigente político e ex-autarca do PSD tem uma exaltação destas? Porque é que anuncia que vai concorrer à câmara à revelia do seu próprio Partido?
Só pode ser por interesse público. Afinal, a câmara dá muito trabalho, ganha-se pouco, descuida-se a família e a educação dos filhos, são muitas responsabilidades e muitos incómodos, não há horas, nem fins-de-semana, enfim… Uma carga de trabalhos que não se deseja a ninguém.
Por isso, só o alto interesse do povo de Oeiras pode justificar este sacrifício do Isaltino.
Não se riam os socialistas, pois estou convencido que em Matosinhos há uma ínfima hipótese de se passar o mesmo. Ínfima, porque duvido que os socialistas mantenham a “decisão” de não apoiar nem o Narciso nem o Seabra.
De qualquer forma, se assim for, pode acontecer que o Narciso também concorra como independente, em resposta aos apelos dos matosinhenses.
Afinal e como se viu agora mesmo na TV, batem-lhes palmas, dão-lhes muitos beijinhos e gritam pelo nome deles.
Isto só pode significar que o povo está com eles, não é?
E o povo tem sempre razão, não é assim?
Viva a democracia.
Haddock

Sorria! É a limitação de mandatos

O Dupond põe a hipótese de a proposta de limitação dos mandatos feita pelo Primeiro-Ministro ser uma manobra política de efeitos contrários aos propalados.
Estou de acordo com esta leitura. Aliás, bastou ouvir as declarações do Jorge Coelho (acho que tem um bocadito de mau aspecto para figura pública, mas enfim) no passado domingo para se perceber que a limitação …vai no Batalha.
Quando Coelho afirma que ou há acordo para limitar todos os mandatos executivos ou não há acordo, está a dizer, simplesmente, que não quer acordo e que a proposta de lei já era.
Aliás, basta ver o discurso dos militantes do PPC (Partido dos Presidentes de Câmara) arregimentados na ANMP para se perceber tudo: não haverá limitação de mandatos.
Mais: se José Sócrates conseguisse fazer aprovar essa lei, o que me parece implausível, estaríamos perante um marco histórico da dimensão do 25 de Abril (não, não é lapso, penso-o mesmo).
Seria uma autêntica revolução nos usos e costumes dos portugueses. Teria efeitos mais duradouros, mais profundos e mais vastos que a revolução industrial ou mesmo a revolução informática. Nada ficaria como dantes.
Por fastio, escuso-me a referir as razões que justificam a limitação dos mandatos executivos dos políticos. Leiam Vital Moreira ou Marcelo Rebelo de Sousa ou os programas eleitorais do PS e do PSD.
Para ilustrarem as leituras, observem as trajectórias, os discursos e as posturas do Narciso Miranda, do Mário Almeida, do J. Jardim e outros quejandos.
Haddock

Mais um frete jornalístico


Hoje, quando tomava café no Bompastor, após o almoço, chamaram-me a atenção para o suplemento local de O Primeiro de Janeiro, mais precisamente para uma notícia sobre a Assembleia Municipal. Nada teria de extraordinário se ela não se tivesse realizado ontem à noite e se prolongado até para lá da uma da manhã. Pelos vistos, à meia noite, ou seja, hora e meia antes de encerrar a sessão, já esta notícia estava online. É claro que do que aconteceu na AM nada vem narrado. O que ali está vertido é a posição da Câmara, limpinha, sem contraditório, a não ser um curto comentário de Santos Cruz, do PSD. Acontece que, à jornalista, nem lhe deve ter passado pela cabeça que ele não é deputado municipal, nem participa na Assembleia Municipal...
Depois do Público, eis que outro diário não quer perder o vento de amizade política que sopra dos lados da Praça Vasco da Gama...
O Primeiro de Janeiro especializou-se nas chamadas publi-reportagem: entrevista-se um empresário, na sua loja ou empresa, onde ele dá uma entrevista. O troco é publicidade durante várias semanas. Agora, O PJ vai mais longe e faz propagando-reportagens. O anúncio lá está na pag. 19, 1/4 de página a cores...
Para que todos nos lembremos, o nome da autora do texto é Vânia Esteves. Foi a mesma da doce entrevista realizada a Mário Almeida há uma semana. Não é preciso fazer o desenho, pois não?
Felizmente, nem todos os jornalistas são iguais. Através de uma delas esperamos vir ter acesso, ainda hoje, à gravação da Sessão de ontem da Assembleia Municipal. Para a semana falaremos...
Dupont

Revista de Opinião Vilacondense

No Terras do Ave escrevem:
- Rui Silva, "Mandatos a termo certo"
- Fernando Pinheiro, "Se bem me lembro..."
- Cunha Reis, "A moda do inglês (III)"
- Luís Soares e Nuno Miguel Santos, "Portugal Carece de “Jardineiros”"
- Miguel Torres, "Se António Lobo Antunes vivesse em Vila do Conde…"
No suplemento de Vila do Conde d'O Primeiro de Janeiro temos:
- Miguel Paiva, "Monumento à incompetência"
- Afonso Ferreira, "Lições de Vida"
- António José Gonçalves, "A igreja e o Oriente"
- Felicidade Ramos, "Os afectos"
- Arnaldo Carmo Reis, "Defende-te Mário Almeida"
Cunha Reis continua a alertar para a crescente influência da língua inglesa e, por arrasto, da preponderância cultural anglo-saxónica. Rui Silva procura não deixar arrefecer o sempre polémico tema da limitação de mandatos, afirmando que este fenómeno «anda muito próximo do caudilhismo, em que o "senhor presidente" é venerado e temido, qual "grande e iluminado chefe». Também Luís Soares e Nuno Miguel Santos analisam o tema, mas defendem que a solução passa por "mais fiscalização. Neste caso concreto, uma fiscalização interna e permanente nas câmaras e juntas de freguesia, que complemente o trabalho dos vereadores". Mas qual fiscalização? A técnica? Essa já há. A Política? Como é que será possível, senão com a limitação? Ou será a judicial?... Fernando Pinheiro relembra as promessas políticas de José Sócrates, para concluir que se tarda em dar início ao seu cumprimento.
O Melhor da Semana é, desta vez, o texto de Miguel Torres que arrisca ao vestir a pele e, consequentemente, o estilo, de António Lobo Antunes, imaginando-o em Vila do Conde. Um belo texto, arriscado, mas muito bem conseguido.
Já agora, o Pior da Semana: "Defende-te Mário Almeida", o título diz tudo sobre mais um exercício de servilismo político do escriba que, de semana para semana, segue num crecendo que não sabemos onde irá parar. Um vómito!... De qualquer forma, registe-se esta frase altamente indicadora de que algo não vai bem no reino de Mário Almeida, quando alerta: «quando recebemos ou confiamos adentro de nossa sala quem, e de quem, os viscerais intentos ignoramo»...Quem serão os traidores a Mário Almeida?...
Afonso Ferreira aborda vários temas: limitação de mandatos, o novo Papa e as mudanças no seu partido. Miguel Paiva acusa Mário Almeida de incompetência, a propósito dos longos vinte anos que levou a Praça José Régio a ficar pronta: «o processo que nos levou à conclusão daquela praça é um enorme monumento à incompetência com que temos sido governados. Neste caso, nem sequer pode ser aduzida a tradicional argumentação de se tratar de culpa do Governo. É que esta obra era da única e exclusiva competência da autarquia».
Felicidade Ramos, sempre brilhante, assina um texto que intitulou de "Afectos", uma palavra muito... vilacondense. E fala sobre a passagem do tempo, imparável, um exame constante e contínuo, onde não há oportunidade de repetir o desafio, no caso de perdermos o jogo. Mas vida, digo eu, é mesmo assim, uma enorme colecção de acertos e erros, de alegrias e tristeza, de vitórias e derrotas. Enfim, termino com duas citações: "we're only human" e "nobody's perfect". São ambas de filmes, onde as coisas acontecem sempre da mesma maneira e onde os actores não envelhecem...
Dupont

Directly from UK... I

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Na última edição do Sunday Times apareceu um artigo curioso: "Mondeo Man gives way to Freelander Woman". A ideia é fazer corresponder cada marca de automóveis à respectiva intenção de voto do proprietário. O resultado é óbvio: quanto mais caro é o carro, mais à direita (à esquerda, no gráfico...) se situa o eleitor. Como curiosidade, atente-se que o carro mais "conservador" é o Jaguar e o mais "trabalhista" é o KIA. Por outro lado, parece que "o que é britânico é bom..."
Infelizmente, a frota de quatro automóveis d'O Vilacondense, todos pagos a pronto, é tão galáctica que nem rolls por lá...
Dupont

Directly from UK... II


No passado dia 21 de Abril, sua Majestade, a Rainha Isabel II, celebrou mais um aniversário. Para comemorar o evento, a Pizza Express concebeu três tipos novos de pizza. Aì estão eles.
Mas, fica a pergunta: se a ideia era vender mais, porque é que não desenharam as caras da Giselle Bündchen, da Nicole Kidman ou da Monica Belucci quando estas fizerem anos? Garanto que, ao contrário das que se apresentam, a essas não faltarão por aí gajos dispostos a comê-las...
Dupont

quinta-feira, abril 28, 2005

Limitação de mandatos

José Sócrates decidiu lançar uma forte investida política com o objectivo de transmitir a imagem de um Governante corajoso. Vai daí, lembrou-se de recuperar uma velha ideia que vem sendo falada há alguns anos, mas sempre adiada: a limitação dos mandatos dos titulares de cargos políticos.
Arguto como é, José Sócrates incluiu na proposta a limitação do seu próprio cargo, o que, como bem sabemos, não seria necessário, pois é praticamente impossível que um Primeiro Ministro consiga resisitir sequer os 12 anos, quanto mais ultrapassá-los.
Até aqui José Sócrates fez tudo bem. A dúvida que fica é a de saber se Sócrates, ao fazer a proposta, queria mesmo limitar os mandatos, ou se não terá, numa manobra calculada, colocado nela alguns aspectos de difícil aceitação pelos outros partidos (a retroactividade), de forma a que no final tudo ficasse na mesma.
Por aquilo que tenho visto, parece-me que não haverá qualquer alteração. Se assim acontecer, haverá um único vencedor do debate entretanto lançado na sociedade portuguesa: José Sócrates. Como é lógico, haverá também um grande derrotado: o PSD, nomeadamente o seu líder Luís Marques Mendes.
Dupond

Hoje Gondomar, amanhã Vila do Conde

O Comércio do Porto noticia hoje que cerca de duas centenas de cidadãos de Gondomar se revoltaram contra as tarifas de ligação ao saneamento que são praticadas pela empresa a quem a Câmara local concessionou o serviço.
O caso é sintomático do que pode acontecer quando os processos de concessão deste genero não são absolutamente transparentes e quando as populações não são esclarecidas quanto ao que as espera.
Como sabemos, também em Vila do Conde está a decorrer um concurso para que seja entregue a concessão deste serviço a uma empresa privada. Pelo que temos visto, a Câmara Municipal não tem demonstrado a mínima preocupação em explicar o que está a fazer e o que poderão os cidadãos esperar. De acordo com os dados conhecidos, haverá um um crescimento brutal nas tarifas praticadas pelo concessionário, sendo por isso muito provável que amanhã venhamos a ter, também em Vila do Conde, situações como esta de Gondomar.
Dupond

Plano (do) Mestre

Há bem pouco tempo, a Câmara Municipal do Porto apresentou o Masterplan da Porto Vivo-Sociedade de Reabilitação Urbana para a reabilitação da Baixa da cidade. O custo será de 2,7 mil milhões de euros, quantia que Rui Rio acha necessária para salvar 5.785 edifícios, no espaço de uma década. Para quem deixou fugir uma “âncora” com a dimensão económica e simbólica do El Corte Inglês, é muita promessa, convenhamos…
A este propósito, Carlos Romero, na edição de sábado do Local-Público (acesso online pago…) escrevia:
“O êxito deste plano pressupõe a articulação de uma série de medidas que desemboquem num desígnio comum. Não é possível, por exemplo, pensar na recuperação da vivência urbana no miolo da cidade e na modernização comercial da Baixa sem uma modificação da lei do arrendamento. Não é possível manter portas abertas de lojas cuja única finalidade parece ser a de tentar negociar o espaço para mais uma agência bancária ou seguradora ou para uma nova loja de um qualquer franchise internacional. É contraproducente avançar com intervenções avulsas em espaços limitados, sem articulação com medidas estruturais abrangentes; o completo falhanço da tentativa de revitalização da Praça de Lisboa, junto à Torre dos Clérigos, é um sinal deprimente da inutilidade de criar oásis de vitalidade e animação no meio de uma ambiente envelhecido e parado no tempo”

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E, de repente, lembrei-me da novíssima Praça José Régio (na imagem), inaugurada há semanas, aqui em Vila do Conde. É que as situações são análogas. Primeiro, ambas parecem ter sido construídas sobre um parque de estacionamento; ambas foram construídas como que para fora viverem para dentro de si e não abertas à cidade; e, terceiro, ambos se encontram na zona antiga e, até, histórica, de cada cidade.
Já passei várias vezes pela Praça que homenageia o nosso maior vulto no campo das letras. O cenário, de dia ou de noite, é desolador. As lojas parecem ainda em obras, está tudo por inaugurar, o público não aflui. Prova disso é que o parque de estacionamento está, literalmente, às moscas. Por duas vezes, o meu carro era o único lá estacionado… E o preço é simbólico: 30 cêntimos a hora. O Alexandre Raposo já aqui referiu que o parque fecha à uma da manhã, o que condiciona a utilização do mesmo. Talvez, mas parece-me que isso é só parte do problema. A verdade é que aquele espaço não tem qualquer chamariz para os vilacondenses. Por norma, já saímos pouco e, quando o fazemos, ou vamos para a zona das Alamedas ou fugimos às obras e vamos para o Norteshopping, para o Nassica ou para a Póvoa de Varzim. Vila do Conde nunca teve uma rua essencialmente comercial, como a da Junqueira, na cidade que nos fica a Norte. O comércio, algo incaracterístico que ainda existe, está disseminado por várias zonas e, mesmo os estabelecimentos de restauração, ou estão estabelecidos nos seus lugares ou, os novos, optaram todos pelas zonas marítima e ribeirinha.
Gastaram-se lá cerca de 2,5 milhões de euros, no que transparece ser uma obsessão política. No estado em que o concelho está, carecido das principais infra-estruturas, tenho sérias dúvidas se foi uma boa aposta gastar semelhante montante naquilo que ameaça tornar-se um verdadeiro elefante branco. Oxalá me engane.
Dupont

Descamisados

"Most condoms in India aren't used for sex". Aqui.
Dupont

Bento XVI

O melhor post que a blogosfera lusa produziu. Aqui.
Dupont

Jogo da Europa

Bem divertido. Aqui.
Dupont

quarta-feira, abril 27, 2005

E, agora, senhores passageiros, toca a cruzar os dedos, para ver se levantamos vôo com esta tralha toda!...




Vôo inaugural do A 380, o maior avião de passageiros do Mundo.
Dupont

Regionalização! Outra Vez?

Ai! Ai! Mais um tema fracturante.
Os socialistas (re) descobriram a regionalização e vão apresentá-la, segundo o DN, como uma das suas prioridades… "os municípios PS bater-se-ão pela concretização da regionalização administrativa".
Já não chegava o aborto para nos afastar dos problemas reais do país. Era preciso mais…
Uma “novidade”, uma questão fracturante, tão complexa e urgente que nos fizesse desviar o pensamento dos “pequenos” problemas da economia e do emprego, para o concentrar nesta questão que nos preocupa há mais de 800 anos: A Regionalização!


Raios e Coriscos!
Como os municípios se vão bater por ela, talvez seja desta que o Narciso Miranda cumpra a promessa feita em Novembro de 1998 (sim, não é engano) de se demitir de todos os cargos se a Região Norte voltar a votar contra.
Haddock

Entre Deus e o Diabo

Via barnabé, excerto do artigo de José Vítor Malheiros, no Público:
«Quando alguém como Ratzinger chama a atenção para o "relativismo moral" da sociedade moderna mas, ao mesmo tempo, afirma que "não há salvação fora da Igreja Católica" [...] ou condena o aborto em nome da defesa da vida mas se mostra compreensivo para com a pena de morte, compreendemos que os "valores morais universais e absolutos" que defende são apenas a supremacia das posições do Vaticano sobre todas as outras, com as variantes regionais e temporais que este entenda defender.
O Vaticano não possui qualquer autoridade para falar de "relativismo moral" pois essa é a sua moeda corrente. Um dos domínios onde isso é gritante – e só não vê quem não quer – é a questão dos direitos das mulheres no seio da Igreja. A Igreja não pode considerar que o mais alto papel a que uma mulher pode aspirar é lavar os pés do Papa e falar de duplicidade de critérios. Como não pode abençoar torcionários e autores de massacres e falar do direito à vida, ou amordaçar as opiniões divergentes no seu seio e falar dos direitos humanos. Ou condenar milhões de africanos a morrer de SIDA ameaçando-os com o inferno se usarem o preservativo e falar da piedade, do perdão e do amor de Cristo.»

Dupont

Humor Negro

Albert Wing, a skydiving cinematographer was killed after his legs were severed in a midair collision with the wing of the airplane he had jumped from... No Yahoo News.
Dupont

Acta da Sessão da Assembleia Municipal de 28 de Fevereiro

À medida que vão saindo as actas da Assembleia Municipal, o Vilacondense vai tentando divulgá-las. Depois da de 30 de Dezembro de 2004, apresentamos, hoje, a de 28 de Fevereiro de 2005. (1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10).
No Período de Antes da Ordem do Dia, a CDU e o PS apresentaram, respectivamente, uma recomendação e uma moção, relativas à obra desenvolvida pelos Salesianos e preocupação pela eventual perda dos seus empregos. Seguiu-se um voto de congratulação do PS pela actividade desenvolvida por várias associações concelhias.
O momento alto desta sessão aconteceu com a declaração política apresentada pelo PSD, onde propôs que se votasse a aprovação de um referendo sobre a matéria. A matéria foi muito discutida, mas acabou por não ser votada, por decisão da Mesa da Assembleia.
Seguiu-se o período da Ordem do Dia, com a desafectação do domínio público de um terreno na Rua de S. Brás; a prorrogação do prazo de suspensão do PDM com estabelecimento de medidas preventivas, nos terrenos da antiga fábrica Praia-Mar, na área envolvente às escolas de Formariz e na área envolvente à urbanização Gaivota; projecto de regulamento de urbanização, edificação, liquidação e cobrança de taxas do Município de Vila do Conde; autorização para renovação do contrato de concessão de distribuição e energia eléctrica em baixa tensão; alteração à postura de trânsito em Fajozes; informação do Presidente da Câmara.
ARQUIVO:
- Acta da Sessão da Assembleia Municipal de 30 de Dezembro de 2004.
Dupont

terça-feira, abril 26, 2005

À L' ABORDAGE



Olá blogosfera.

Com mil macacos, o Alcazar já chegou! Agh!

Mudemos de assunto…
A convite de dois bons amigos de tantas histórias, aqui estou para vos entreter com algumas aventuras e outras tantas novelas.
Neste grande PORTOgal não faltam actores nem bons argumentos para novelas.
Falarei das que conheço e das outras que o meu amigo e intrépido repórter Tintin me faça chegar.

E estarei atento aos outros…. Pois, eles andam por aí…
Haddock

«Devils & Dust», de Bruce Springsteen

É sempre complicado escrever sobre alguém de quem se é um fã incondicional. É precisamente o que acontece comigo e com Bruce Springsteen. São mais de vinte anos a seguir a carreira do melhor compositor contemporâneo americano. Daí que a saída de um novo trabalho, o que acontece hoje, seja um momento especial, aguardado com natural ansiedade, mas também com a certeza de que, dele, nada inferior a “bom” poderá vir…
E, desde já afirmo, “Devils & Dust” é um dos seus melhores trabalhos. Desde logo, porque mostra a faceta que mais nele aprecio: as composições intimistas, melancólicas e reveladoras da condição humana, como muito poucos intérpretes contemporâneos conseguem alcançar. E, também, porque Springsteen, depois de “The Rising”, volta ao seus temas recorrentes, cantando pequenas histórias sobre gente comum, aquela a quem o destino reservou o lado negro do american dream


O álbum abre com a canção que dá título a este trabalho, Devils & Dust”. A voz é a de um soldado, hesitante perante o que tem de fazer. É que, se o fizer, poderá perder os seus próprios valores, aqueles em que sempre acreditou como guias da sua individualidade e da do seu país. Este verdade interior, aqui, alcança-se “when I look into tour eyes”, como ocorre noutros momentos da obra de Springsteen. Segue-se “All the way home”, onde Bruce aborda o tema do homem que perdeu a mulher por sua culpa e que procura redimir-se da sua asneira, desabafando que “if you don't feel like bein' alone / Baby I could walk you all the way home”.
Segue-se “Reno”, uma canção diferente, que não fala de amor, mas de sexo com uma stripper; ou seja, no fundo, Springsteen fala-nos do efeito da falta de amor. A letra é bastante descritiva do que acontece, mas, no final, o sabor amargo que o protagonista sente mais não é do que a prova de que aquele caminho não é o indicado para (re)encontrar a felicidade, muito menos numa cidade de jogo e vícios como Reno. O álbum avança com “Long time coming”, onde Springsteen volta a falar das diversas relações que a paternidade pode ter. Julgo que quer falar da sua própria, não só na que ele representa para com os seus filhos, mas também da do seu pai para com ele, alguém com quem teve uma relação algo conflituosa. Quando canta “your mistakes will be your own / That your sins will be your own” Bruce quer dizer reafirmar isso mesmo: que os erros de um pai, no sentido de father figure, pesam apenas nele, e não nos filhos. Reflectem-se nestes, sim, mas não é culpa deles. Quererá expiar algo?
Black Cowboys” mostra-nos toda a excelência do Boss na construção de uma história. Começa por descrever um miúdo afogado perante o amor possessivo de uma mãe. Mas, no momento em que ela encontra outro colo, ele sabe que é tempo de partir. Este verdadeiro rito de passagem para a idade adulta tem eco na figura pioneira do cowboy, símbolo americano de "fronteira", da conquista do desconhecido. Mas Springsteen vai mais longe, ao colocar o personagem nessa imagem clássica e imortal dos westerns: o vaqueiro solitário a caminhar em direcção a um horizonte onde um sol vermelho se põe…
A canção seguinte é “Maria’s Bed”. A cama como símbolo do conforto e reconforto do working class man, o seu farol: “Ain't nothing like a light that shines on me in Maria's bed”. Aqui, encontramos um operário que trabalha numa auto-estrada, que mais não é do que uma das metáforas clássicas de Springsteen, a par de “rio”, para simbolizar “a vida”. O álbum prossegue com “Silver Palomino”, a história de um miúdo, órfão de mãe, demasiado cedo, mas que se liberta da tristeza e da dor quando cavalga num palomino prateado que o leva, de novo, para junto da sua mãe.
Jesus was an only son” é a canção seguinte, provavelmente a que mais surpreende em todo o álbum, já que a abordagem religiosa não é incidental, como no resto da sua obra, mas principal. Springsteen canta a dor de Maria, mas põe em Jesus palavras de conforto, quando este lhe relembra que a alma do universo, quando quis criar um Mundo, só teve de o desejar…

Leah” é mais um hino à figura do pai de família, fonte de subsistência e protecção da família. Mais uma vez, depois de “My father’s house” ou “Mansion on the hill”, Bruce volta a evocar a imagem da casa construída num local alto, qual castelo para proteger, primeiro a mulher amada e, depois, constituir família em segurança: “I wanna build me a house, on higher ground(…)With Leah”. Segue-se “The Hitter”, outra letra brilhante, que roda novamente à volta de um filho e de uma mãe, em que o primeiro “traiu” as esperanças desta. Um dia volta e a única coisa que quer é o regresso ao local onde foi feliz: “I ask of you nothin', not a kiss not a smile / Just open the door and let me lie down for a while”.
A penúltima música é “All I'm thinkin' about”, talvez a menos conseguida de “Devils & Dust”. Leve, com balanço e batida, contrasta com o resto do tom do álbum. Finalmente, “Matamoros Banks”, uma canção que poderia constituir um díptico com “Sinaloa Cowboys”, do álbum "The Ghost of Tom Joad", já que a temática é a mesma: emigrantes chicanos sem sorte, à procura dela do lado americano da fronteira. Para isso, atravessam-na ilegalmente, numa história sempre trágica.
O tom geral de “Devils & Dust” é melancólico. Mas Springsteen sempre o foi, muito embora, em muitas composições, as letras sejam acompanhadas de música alegre e dançável. Mas a angústia, a tristeza está quase sempre lá. Springsteen não é português, mas quase aposto que tem lá um bocadinho desta alma lusa, triste e eternamente insatisfeita… O tema da família e das relações entre os seus membros percorre quase todo o disco, algo que sempre foi importantíssimo na sua obra. Quem não se lembra de “Highway Patrolman”, na obra-prima “Nebraska”: “Man turns his back on his family well he just ain't no good”.
Mas, descendo mais um degrau na interpretação do álbum, o significado de "pai" e de "mãe" só poderá ser um: a própria América. Na verdade, o país-continente também é progenitor da geração que hoje detém o poder, a geração que sofreu ataques terroristas e que fez ataques militares a outros países. A América é, por excelência, a terra de promessas para os seus filhos. Só que, por vezes, o que lhes pede nem sempre é o prometido, e a reacção deles nem sempre é a esperada, e que só encontra "demónios e pó". No fundo, voltamos ao soldado da música inicial, com a mão no gatiçho e com medo de tomar uma decisão que signifique o fim dos seus sonhos. "Is a dream a lie if it doesn't come true /or is it something worse", já Springsteen cantava em "The River", já lá vão quase trinta anos...
É natural que se compare este álbum a “The Ghost of Tom Joad”. Esteticamente tem algumas semelhanças, mas julgo que tom não é tão sombrio. Depois de um certo passo em falso, nesse álbum quase temático sobre o 9/11 que foi “The Rising”, Bruce Springsteen volta a terrenos estéticos que conhece como ninguém. E fá-lo, repito, com um dos melhores álbuns da sua carreira e, certamente, um dos melhores discos de 2005.
Dupont

ADITAMENTO: ver também a excelente posta "Devils & Dust", no Estradas Perdidas, da autoria de Nuno Ferreira. O blog faz hoje um ano e, a título de presente de aniversário, entra directamente nos nossos links. Parabéns, Nuno.

Rogério Torres está de volta!


Rogério Torres, um outsider relativamente à linha dura do PS vilacondense liderado por Mário Almeida, volta à carga com uma moção e um site renovado.
Começando por este último, só poderemos dar o nosso aplauso, tal a qualidade da página, desde a concepção à apresentação, capaz de fazer inveja a muito boa gente. Está aqui. Há uma animação flash, algo pesada, mas muito bem conseguida.
Relativamente aos conteúdos, já são mais discutíveis. O enfoque é colocado na palavra "todos" quando se refere aos vilacondenses, o que deixa supor que a política local deixa muitos de fora. Talvez tenha razão, mas o PS é único que ocupou o poder desde há trinta anos. Por isso, também Rogério Torres, como militante activo, terá a sua quota parte nisso... No mesmo sentido, a criação da figura de "Provedor Municipal" só tem alguma lógica se o Presidente da Câmara não assumir tal função, não é?
Por outro lado, preocupações como o desemprego, a justiça e a insegurança são de aplaudir, mas só de forma indirecta é que poderão estar relacionadas com a actividade camarária, por muito boa vontade que se tenha.
Mas há propostas excelentes, como a de alargar o âmbito territorial de acção da Polícia Municipal, a criação de um pólo para as novas tecnologias e de um Museu Municipal são de aplaudir.
Mas, o nosso grande aplauso vai para a declaração de que é necessário gizar um projecto para a quinta do Eng. Carvalho, algo de que muitos falam mas que poucos têm coragem de lançar para o debate.
A seguir com atenção.
Dupont

segunda-feira, abril 25, 2005

Saudações


Uma vez mais a revolução triunfou. Que ninguém pense que foi fácil. Foi o culminar de um longo e difícil processo bem sucedido, só possível pela reconhecida eficácia de uma estratégia bem delineada: ameaça e chantagem (eu sei quem “eles” são).
P.S.: Fiquem sabendo que não sou apenas o Excelentíssimo Presidente de San Théodoros. Sou também um indefectível portista, portista e social cristão.
General Alcazar

(R)Evolução!!!!

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Cerca de ano e meio após o seu nascimento, O Vilacondense abriu as portas à entrada de mais dois colaboradores: o General Alcazar e o Capitão Haddock. São ambos portistas, logo bons rapazes e, como podem ver, não viram as costas a uma boa discussão.
Bem-vindos!
Dupond & Dupont

«A Queda - Hitler e o Fim do Terceiro Reich»

Os últimos dias de vida do Führer e do seu 3º Reich narrados do ponto de vista da sua secretária pessoal são o tema central de “A Queda - Hitler e o Fim do Terceiro Reich / Der Untergang – Hitler Und Das Ende Des 3. Reichs», o filme de Oliver Hirschbiegel, finalmente estreado em Portugal.


O filme começa com um écran negro e uma voz, que nos propõe contar o que aconteceu. Trata-se de Traudl Junge, a secretária pessoal de Adolf Hitler e muito do que vemos deve-se à sua descrição dos acontecimentos. O Führer é-nos apresentado como uma pessoa quase normal, compreensiva, até, nas relações estritamente pessoais. Mas, nas discussões políticas e militares, aparece como o ser intransigente, inquestionável e ditatorial. Numa conversa entre Traudl e Eva Braun, a companheira-mulher de Hitler, a primeira explica-lhe que, por vezes, tem medo das suas fúrias. Eva explica-lhe que isso só acontece quando é o Führer a falar, tudo mudando perante Adolf Hitler.
E a verdade é que a personagem do ditador está retratada como se de um ser humano se tratasse, com receios e ambições, com certezas e dúvidas. A sua decadência política e física vão encontrar eco nos que o rodeiam, levando-o a sentir-se traído, abandonado. Mas, bem sabendo que o fim se aproxima, continua a falar sobre as suas visões de grandeza e conquista, de exércitos salvadores que já não existem, num turbilhão de delírios.
Muita da surpresa do filme está, precisamente, na forma como Hitler nos é mostrado. Habituados que estamos a vê-lo como a encarnação do mal, o ser mais hediondo do século XX, um dos maiores assassinos da História, o filme mostra-nos, também, que ele era, em alguns aspectos, um ser humano como outro qualquer, dotado, isso sim, de capacidades extraordinárias de liderança e suficientemente persuasivo, por força expressa ou medo incutido, de levar atrás de si todo um povo. Este jogo que se cria com o telespectador, entre o preconceito que nos foi injectado e a “realidade” que vemos, é o aspecto essencial do filme, embora não seja o único. Na verdade, na escala que começa em maldade e acaba em bondade, qualquer um de nós colocaria a figura de Hitler no extremo, na “maldade” em grau máximo. E também colocaríamos alguém como Madre Teresa de Calcutá no máximo de bondade. Ora, este “engavetamento” O problema é que este endeusamento ou diabolização leva à unidimensionalidade das personagens: Hitler é só mau; Madre Teresa é só boa. Ora, a realidade mostra-nos que não há ninguém assim. O coexistência da bondade e da maldade em cada um de nós faz parte da própria natureza humana. O que “A Queda…” nos vem relembrar é isso mesmo: que Hitler era um ser humano, que tinha momentos de ternura e de raiva, de serenidade e exaltação. Simbolicamente, quase toda a acção decorre no bunker de Berlim onde estava o quartel-general de Hitler, quais catacumbas, de uma seita perseguida…


Mas, bem mais preocupante, é a possibilidade que o filme apresenta de que se alguém, como Adolf Hitler, chegou onde chegou e fez o que todos sabemos que fez, então cumpre-nos estar alerta porque, de onde menos se espera, poderá emergir um outro ditador com ideias semelhantes, senão piores. Esta possibilidade, subentendida em “A Queda…” é a lição mais terrível que a fita nos deixa. Uma sensação de angústia e de impotência perante uma repetição de todo esta loucura.
Outra realidade que o filme nos procura mostrar, com especial crueza, era a vida no III Reich já perto do seu ocaso. Os generais já tinham receio de contar a verdade a Hitler, receando o fuzilamento e alguns chegavam a não cumprir as suas ordens nas suas costas. No entanto, a maioria continuava fiel ao Führer, como se de um deus infalível se tratasse. Os incontáveis suicídios acontecem quase como prova de honra e lealdade para com Hitler e não por receio de morrer às mãos dos Aliados. Há quase uma cegueira colectiva de gente disposta a dar a vida, de forma cega, pelo Führer. Um pouco como os árabes que se atiraram contra as Torres Gémeas, acreditando na sua missão. Aliás, a prova mais hedionda disto acontece na cena em que a mulher de Goebbels assassina os seus seis filhos. Já não me lembrava de fechar os olhos num filme, conscientemente, para não ver o que se iria passar. E o realizador fá-lo de forma absolutamente magistral, sem música, apenas nos mostrando e eficácia fria e decidida daquela mãe que não conseguia viver sem o Nacional-Socialismo…
A queda do III Reich que o filme nos mostra é um retrato de cenas que oscilam entre o medo, o absurdo e o patético. Tiveram o mundo na palma da mão e, naquele momento, já não tinham nada. Metáfora perfeita disso é ver Hitler, sozinho no seu gabinete, a olhar para um mapa, usando uma lupa…


Oliver Hirschbiegel mostra ser daqueles realizadores que não perde o pulso ao filme, evitando a facilidade e a demagogia, procurando retratar as situações com a maior objectividade possível. Não há intenção de querer fazer passar uma mensagem, antes mostrar o fim de um sonhador, de um construtor de impérios, de um visionário quase demente. E consegue-o, até porque conta com a fabulosa interpretação de Bruno Ganz, no papel de Hitler, ele que havia sido um anjo em “As Asas do Desejo / Der Himmel über Berlin”, magnum opus de Wim Wenders.
No final, voltamos a ouvir a voz inicial, mas, desta vez, com um rosto: o da verdadeira Traudl Junge que confessa não ter sabido de nada e que só anos mais tarde se apercebeu do verdadeiro horror de tudo aquilo. Curioso, mas os olhos e a voz dela não me convenceram…
Falado em alemão, o que lhe adiciona uma sensação maior de veracidade, o filme foi candidato ao Óscar de Melhor Filme estrangeiro, mas perdeu para o hiper-mediático “Mar Adentro”. Porventura, uma injustiça. Mas não será por isso que um dos melhores filmes europeus dos últimos anos cairá no esquecimento.
Dupont

domingo, abril 24, 2005

Falta um dia para a ....


Dupond & Dupont

O frete


Na edição de ontem do "Público", secção Local Porto, vinha uma notícia, a três colunas, sobre as contas da Câmara Muncipal de Vila do Conde. O jornal ouviu a posição de Mário Almeida e de mais ninguém. Aliás, todo o espaço dado à opinião da oposição foi este: "O documento foi aprovado com os votos favoráveis da maioria socialista e a reprovação da oposição formada pela coligação PSD/CDS" e "A dívida do município merece o enfoque da declaração de voto da oposição".
O "Público" por vezes, tem este servilismo para com Mário Almeida e para com o mau jornalismo. Mas, servir de moço de recados ao nosso Presidente da Câmara, já começa a provocar vergonha: como não arranjaram ninguém para subscrever o frete, a notícia saiu, mesmo assim, sem... autor. O que no Público, felizmente, é mais raro que água no deserto.
Dupont

sábado, abril 23, 2005

Programa - 25 de Abril em Vila do Conde

Aqui está o programa das comemorações do 25 de Abril de 1974. Bastante simples, diga-se.
00h00
- Maratona de Futebol de Salão – no Parque de Jogos
00h20 - Grândola Vila Morena - Largo dos Artistas
10h00 - Atletismo - Jogos Inter-Freguesias - partida junto ao Palácio da Justiça
10h30 - Sessão Solene - hastear da bandeira com guarda de honra pelo Corpo Activo dos Bombeiros Voluntários de Vila do Conde e Hino Nacional pela Banda Musical de Vila do Conde - praça Vasco da Gama
10h30 - Concerto Banda Musical de Vila do Conde – na Praça Vasco da Gama
21h30 - Concerto de Abril - Fernando Tordo – no Auditório Municipal
Dupont

Faltam dois dias para a ....


Dupond & Dupont

sexta-feira, abril 22, 2005

Ainda a entrevista

Ainda a propósito da entrevista a que o Dupont se referiu, considero muito elucidativo da falta de ideias de Mário Almeida quanto ao que deve ser a estratégia de afirmação do concelho, a resposta que dá à seguinte pergunta:

Pergunta - Outra questão apontada tem a haver com o facto de se dizer que Vila do Conde não tem ainda uma estratégia de desenvolvimento definida. Não se sabe se é um concelho virado para a agricultura, para a indústria ou para o turismo...

Resposta de Mário Almeida - Acho que Vila do Conde tem uma estratégia claríssima e perfeitamente definida. Não nos podemos esquecer que somos um concelho agrícola, riquíssimo e pioneiro na mecanização e electrificação das nossas explorações agrícolas. Temos o maior núcleo de pescadores do Norte do País, que residem nas Caxinas e Poça da Barca. A pesca tem de facto um significado grande em Vila do Conde. Infelizmente, não tem como já teve no passado. Naturalmente, uma cidade como a nossa e com a frente de mar que tem está também vocacionado para o turismo. Ao nível industrial, tivemos aqui o maior investimento privado de sempre no Norte do País: a Infinion. Temos agora a Lactogal, que é a maior fábrica de lacticínios da Europa e a terceira maior do mundo. Temos o empreendimento Nassica que é o maior do País, com condições de atractividade enormes. Ao nível industrial e empresarial, temos evoluído, e só por isso é que o desemprego não é maior e ele já é grande. Felizmente, somos um concelho diversificado. O grande risco é quando se está direccionado para apenas um sector de actividade, que, se um dia entra em crise, entra o município todo.

Basicamente, Mário Almeida limita-se a descrever factos que servem para enquadrar historicamente as actividades económicas mais proeminentes em Vila do Conde. Ou seja, o Presidente da Câmara mostra uma visão estática, passiva e meramente descritiva da realidade.
O que se esperaria de um Presidente de Câmara moderno, é que soubesse fazer a avaliação que Mário Almeida fez, mas que além disso, soubesse dizer onde considera importante intervir e em que direcção ou sectores apostar. Se quiserem de outra forma, Mário Almeida descreve o presente e espera que o futuro chegue, venha ele como vier. Um Presidente de Câmara moderno, diria como queria que o futuro chegasse, enunciando acções e iniciativas para o construir. Só que para o fazer, é necessário que se saiba o que se quer...
Dupond

«O Fantasma de Anil», de Michael Ondaatje


“O Fantasma de Anil” vai ser por mim recordado como um dos mais aborrecidos livros em que os meus olhos já pousaram!
A história até parecia ter os ingredientes perfeitos para um livro interessante, mas a narrativa é tão ágil como um caracol numa folha de couve. Como se não bastasse, Michael Ondaatje insiste em alternar capítulos da narrativa com flashbacks, dando ao leitor uma sensação de desnorte. Aliás, já utilizava algo parecido no seu livro anterior, o famoso “O Paciente Inglês”, sempre sem grandes vantagens à vista.
Desta vez, o autor deslocou o centro da acção para a sua terra natal, o Sri Lanka. A personagem central é Anil, uma jovem uma antropóloga com formação em medicina legal (quase uma “CSI”, portanto…), educada na Europa, regressa ao seu país para tentar desvendar uma série de esqueletos que apareceram numas cavernas. Só que chegar ao antigo Ceilão é mergulhar numa ilha submersa em violência e caos, uma verdadeira guerra civil, entre os rebeldes Tamil e as forças do Governo.
Anil não tem família, é uma orfã à procura da sua própria identidade. Tal qual o País. A metáfora é óbvia, mas até está bem conseguida, tal qual acontece a outras imagens, como a do homem crucificado no asfalto… A violência e a falsidade, como aquela emérito professor universitário desmascarado pelas suas fraudes, são sempre vistas em duplo sentido: o da personagem e o do país. Só que episódios como estes são a excepção, num livro que prima por um relato irregular e, por vezes, inconsequente.
É claro que muitas das descrições de locais e de comportamentos poderão proporcionar uma leitura mais rica e ampla a quem conhecer o país ou estiver por dentro dos conflitos políticos que o massacram. E esse, confesso, não é o meu caso.
Dupont

Mário Almeida em entrevista


Numa longuíssima entrevista a’O Primeiro de Janeiro, Mário Almeida explana as suas principais políticas e motivações.
De um modo geral, não confirma a sua nova candidatura à Câmara Municipal, embora se mostre disponível (a “vaga de fundo” ainda não chegou…), acredita na vitória do PS e a oposição é um vazio de ideias. Ou seja, basicamente, é a mesma entrevista que já deu incontáveis vezes, como aconteceu em 1993, 1997, 2001 e noutros anos autárquicos.
O que é fascinante em Mário Almeida é ver como ele foge ou adultera as questões:
- a jornalista pergunta a percentagem do concelho coberto com redes de água e saneamento. Almeida não responde. Prefere dizer que o que conta é a população. E, aí sim, diz que são mais de 60%. Claro! A maior parte da população está na sede do concelho e à sua volta…
- depois, é-lhe perguntado sobre as críticas à contratualização da água. Almeida responde “Penso que as pessoas não são tolas e percebem claramente que a oposição ficou claramente perturbada por nós conseguirmos resolver o problema do saneamento básico.” Ter “passado a bola” aos privados, por a Câmara, em trinta anos de poder PS, não ter conseguido fazer aquilo que prometera aos vilacondense, que era dotar o concelho com esses equipamentos básicos, passou a ser “nós conseguimos”!
- o centro de saúde – sempre esteve previsto ser inaugurado em Setembro/Outubro. Mas Mário Almeida lá vai dizendo que está atrasado, que só com esta ARS (e não com a do laranja Miguel Paiva…) é que a coisa vai para a frente… No final, se a obra abrir na data prevista, isso só aconteceu pela sua intervenção. Espertinho, hem?
Mas também há espaço para argoladas. Duas, escolhidas à sorte:
- sobre as assimetrias cidade/concelho – Mário Almeida acha natural existirem diferenças entre a sede e as freguesias. “Agora o que temos de ter nas nossas freguesias é complementos dos equipamentos que temos na cidade.”. Ah, "temos de ter"… Pois, então para que é que foram estes quatro anos do “mandato das freguesias”?
- sobre a oposição – numa resposta diz “A oposição não respeita nada nem ninguém e há coisas que têm que ser respeitadas”. Na resposta imediatamente a seguir, três linhas abaixo, já declara que “tem sido uma oposição civilizada. O relacionamento cara a cara tem sido civilizado”. Um comentário “em oposição”, certamente…

O problema é que todas as perguntas são entediantemente aborrecidas e previsíveis. Por exemplo, podia ter perguntado: “senhor Presidente: no relatório do júri da água vem lá, preto no branco, com a sua assinatura, que o preço do m3 de água vai ser 2,96 euros. No entanto, o PS tem vindo a desmentir. Em que é que ficamos?”. Ou então: “não acha estranho que o PS esteja há trinta anos no Poder e não tenha protegido a ROM das investidas imobiliárias?”. E ainda, simplesmente, “já devolveu o dinheiro que os Tribunais decidiram que V.Exª tinha recebido em excesso?"
A entrevista foi soft e a jornalista amiguinha, certamente por estar a entrevistar o político mais notável da sua jovem carreira. O costume, senão lá se acabava a publicidade da Câmara no jornal...
Dupont

Revista de Opinião Vilacondense

No suplemento de Vila do Conde d'O Primeiro de Janeiro temos:
- Sérgio Vinagre, "Parar a tempo"
- Fernando Reis, "Água... pela barba!";
- Alexandre Raposo, "Uma opinião e uma pergunta"; e
- Abel Maia, "Lideranças"
Abel Maia, talvez nervoso por não saber o seu futuro político e querendo mostrar serviço, anda a dar um número surpreendente de "tiros no pé". Desta vez, a propósito das eleições para a liderança no PSD nacional, resolveu extrapolar para o PSD de Vila do Conde. E refere que a concelhia local sabia que não podia apostar em Menezes porque “nunca seria líder nacional. E, por isso, andou no trapézio do silêncio”. Isto é o que dá não andar informado. Se tal não acontecesse, Abel Maia saberia que os laranjas locais, em Plenário de militantes, votaram no sentido do apoio a Marques Mendes. Mas o que é que interessa isso? O que é necessário é “elevação”…
Alexandre Raposo fala sobre a Praça José Régio e o parque de estacionamento, para estranhar o porquê de, aos fins de semana, ele encerrar à uma da manhã. É que, nessa altura, são centenas as pessoas que por ali circulam entre bares e o trânsito é um caos. Alexandre, você até parece ter razão. Mas eu não li já uma opinião sua em que dizia qualquer coisa sobre a falta de animação nocturna em Vila do Conde?
Fernando Reis volta à carga com o problema da água. A certo ponto diz: “à medida que se forem revelando todas as envolventes de um “negócio” que, prometendo custar aos consumidores os “olhos da cara”, em simultâneo, faz auspiciar aos seus artífices muita água pela barba...” Ena, ena, estamos todos à espera dessas revelações. Alguém quer adiantar alguma coisa?
Um belíssimo artigo de Sérgio Vinagre, sobre o poder que tem o momento certo. Fez-me recordar Cartier-Bresson, o genial fotógrafo recentemente falecido, e que só disparava se fosse para fazer uma boa fotografia. Por isso, esperava pelo “momento certo” – nem antes, nem depois. “Parar a tempo”, um segredo para melhor saborear a vida.
Dupont

Enciclopédia da Televisão


Este site é simplesmente fabuloso. Chama-se "The Museum of Television" e está lá tudo! É claro que sendo americano, quase tudo o que lá vem, é produção da terra do Tio Sam... Mas, mesmo assim, vale a pena: All in The Family, Twilight Zone, Twin Peaks, Star Trek, The Simpsons, Mash e mais um milhar de referências, registam o que de melhor passou na televisão. E os textos são excelentes!
Dupont

Tippi Hedren


Tippi Hedren foi uma das fabulosas loiras que o Mestre escolheu para protagonizar os seus filmes. A sua participação em "Os Pássaros" é inesquecível. Agora, um site francês apresentou "Introducing Tippi Hedren". A não perder.
Dupont

quinta-feira, abril 21, 2005

EXCLUSIVO


Miguel Paiva, o cidadão Vilacondense que desempenha o cargo de Vogal do Conselho de Administração da ARS/Norte, irá abandonar as actuais funções muito brevemente. Segundo a notícia que circulava em grande velocidade numa mesa do Bompastor à hora de almoço, tal facto acontece na sequência do pedido de renúncia ao cargo que Paiva apresentou ao Ministro da Saúde poucos dias depois deste tomar posse.
Ao que parece, o pedido de Miguel Paiva foi já aceite pelo Ministro Correia de Campos, que terá feito depender a saída efectiva da nomeação de um novo Conselho de Administração na ARS/Norte.
Dupond

Pobre Freitas


Hoje de manhã, ouvi as declarações de Freitas do Amaral aos microfones da Antena 1, a propósito do encontro que teve com a Secretária de Estado Norte-Americana, Condoleeza Rice. O discurso subserviente do nosso Ministro dos Negócios Estrangeiros e a forma como vincou o facto de ter garantido à dirigente americana que "o novo Governo de Portugal não colocava em causa nenhuma das decisões tomadas pelo Governo precedente", nomeadamente a da colaboração militar no Iraque, soou-me particularmente ridículo.
Todos sabíamos que Freitas do Amaral não primava pela coerência de posições. Apesar disso, ouvir aquele homem, empolgado e com uma alegria quase infantil, a contar que a Sra. Secretária de Estado tinha ficado muito contente com as suas palavras, causa uma impressão desagradável e faz-me sentir pena dele e de todos nós, enquanto cidadãos representados pelo Governo que Freitas do Amaral integra.
Como português, fico triste e envergonhado. Se fosse americano, agarrava-me à barriga a rir.
Dupond (imagem Blasfémias)

Apresentação de «Longe de Manaus», de Francisco José Viegas


Francisco José Viegas teve a amabilidade de convidar O Vilacondense para a apresentação do seu último livro, "Longe de Manaus", que decorreu, hoje, no histórico bar Bonaparte, na Foz. A obra narra mais uma aventura de Jaime Ramos, o detective portuense e portista, e a sua tentativa de desvendar uma série de desaparecimentos. A acção decorre em vários pontos do globo, desde a Amazónia a Luanda, passando por várias povoações e lugares portugueses, incluindo o inclassificável "nó de Santo Ovídeo", em Gaia.
O autor tem um certo carinho por Vila do Conde, a quem chama "A Bela". Isto porque, segundo nos contou noutra altura, quando era miúdo passava cá umas quinzenas durante o Verão. Aliás, o Francisco diz que ainda tem bem presente o aroma de manhãs de mar em Vila do Conde. Por isso, fez-nos esta belíssima dedicatória, repetindo-a no exemplar que adquiri para o Dupond, que ultimamente anda carregado de trabalho e tem andado um pouco ausente da blogosfera.


Portanto, roam-se de inveja...
É claro que, da blogosfera, não aparecemos só nós: Blasfémias, Grande Loja do Queijo Limiano e mais alguns marcaram presença.

Francisco José Viegas assina a dedicatória para o blasfemo Luís Rocha

Mas a grande surpresa da noite, o Francisco que me desculpe, aconteceu quando tive o inultrapassável prazer de ter sido apresentado à lolita, do Blogame Mucho. Então não é que ao fazer a colagem do nome à cara deparo-me com alguém que já conhecia há quase vinte anos! Tantas leituras, comentários, um arrufo e até emails e nada, mesmo nada, me fez prever quem é que estava do outro lado. Ainda não estou em mim!... A minha relação com a blogosfera nunca mais será a mesma...
Dupont

Ratzinger no Porto


O Comércio do Porto relembra que o actual Papa passou pelo Porto há quatro anos, "durante três dias, entre 2 e 6 de Março de 2001, a convite do então director da Faculdade de Teologia da Universidade Católica (UCP), actual bispo de Viseu, D. António Marto".
Pelos vistos, levaram-no a visitar as Caves Ferreirinha, onde provou Vinho do Porto. Parece que gostou. Deve ser bom homem, portanto...
Dupont

O Disco dos Anos Passados


Não há palavras. Músicas imortais, interpretações inesquecíveis, memórias de tempos sem preocupações... A imortalidade está neste CD! Atente-se no alinhamento, capaz de envergonhar qualquer DJ:
  1. A Abelha Maia
  2. O Saltarico Flip
  3. D'Artacão E Os Três Moscãoteiros
  4. Jacky - O Urso De Tallac
  5. Aventuras De Wickie
  6. Cleto E Loria
  7. Bana E Flapi
  8. Heidi - O Avozinho
  9. Pipi Das Meias Altas
  10. Rui O Pequeno Cid
  11. As Fábulas Da Floresta Verde
  12. A Cantiga Do Avô Cantigas
  13. O Corpo Humano
  14. O Ovo E A Galinha
(Via Beco das Imagens)
Dupont

Já começaram os milagres!


Em Chicago, há quem veja Nossa Senhora numa mancha de humidade... Pobre Humanidade!... (CNN)
Dupont

quarta-feira, abril 20, 2005

Relações ibéricas "nas nuvens"...


Sim, a imagem é reptida, mas não é por falta de alternativa... É que, há uns dias, aqui mencionámos José Sócrates a jurar que "Mis tres prioridades son España, España y España". Agora, certamente como mostra de boa fé, o Diário Digital anuncia que
"a espanhola CASA foi a escolhida pelo novo ministro da Defesa, Luís Amado, para fornecer os 12 aviões de transporte ligeiro que o Estado português pretende adquirir para substituir, num futuro próximo, os velhos aviões de transporte táctico e vigilância marítima Aviocar da Força Aérea Portuguesa"
Bem, nem quero pensar na barulheira que seria no tempo do outro senhor...
Quase tão curioso é o teor da notícia que, dada a quantidade de dados técnicos, deve ser baseada em press release do Ministério da Defesa. O contrato com o vencedor do concurso é de 247 milhões de euros, incluindo manutenção; o do outro concorrente era de 291 milhões, com peças sobresselentes. Não foi divulgada a diferença, para o júri, entre "manutenção" e "peças sobresselentes"... Não deve interessar esclarecer esta minudência...
Por outro lado, o orçamento disponível era de 359 milhões de euros, pelo que "os valores obtidos nesta fase final do concurso representam assim uma poupança na ordem dos 60 milhões".
Em suma, negociar com Espanha é tão bom que até se poupa dinheiro! Qualquer dia, este blogue ainda é obrigado a chamar-se "El Vilacondense"...
Dupont

Se calhar...


Passado o embate inicial, confesso que este Ratzinger me assusta. Não tem o ar de “avozinho querido” de João Paulo II ou o de “padreco” de Paulo VI. Tem um ar algo sinistro…
O próprio nome, Ratzinger, evoca-me “ratazana” e “ranzinza”. Olho para ele e fico com a sensação que algo está errado na imagem – este Josef não devia estar ali. Mas também não sei explicar porquê… Talvez seja o hábito, de décadas, de identificar o Papa com aquele polaco que nos entrou em casa durante mais de um quarto de século.
Também sei que ele pertenceu à juventude nazi, mas, se calhar, não teve escolha. Se calhar…
Depois, também sei que ele acha a música rock a antítese da Fé cristã… Se calhar anda a ouvir os discos errados. Se calhar…
E ouvi dizer que gosta muito da “obra”, isto é, da “Opus Dei”. Se calhar, gosta de uma igreja pura e dura, sem concessões à modernidade. Se calhar…
Mesmo os jornais alemães tratam-no por "Grossinquisitor", o que me faz recordar Torquemada.... Se calhar, foi o cargo que lhe deram, no Vaticano... Se calhar...
Tenho uma má impressão sobre esta eleição. Se calhar é só isso mesmo, uma impressão. Se calhar...
Dupont

Humor papal

  • "Menos Ovelhas Tresmalhadas - O novo papa é um pastor alemão". No Jaquinzinhos.
  • "Dá-me lume?", "Blue pills' farm", "Inevitable", "Excesso de informação" e "Avec alors par ici...", cinco momentos monthpythonianos (!) dum besugo inspiradíssimo.
Dupont

De Mindelo até à Galiza

Os "Amigos de Mindelo" vão organizar um passeio à Galiza, no próximo fim-de-semana. Na página de divulgação colocaram uma citação nossa. Uma gentileza que anotámos.
Dupont

José Mota, um Presidente de Câmara "à portuguesa"


Um dos nossos autarcas de estimação, já aqui por diversas vezes mencionado, é José Mota, Presidente da Câmara de Espinho, que deu um verdadeiro show na última Assembleia Municipal. Vem tudo num jornal local que mão amiga nos fez chegar: “Maré Viva – A informação que conta”. Oh, se conta...
Diz a lenda que este é o tal autarca que passa boa parte do tempo no Brasil. A oposição já fez um pouco de tudo para chamar à atenção, chegando ao ponto de propor a contracção de um seguro de vida!
José Mota resolveu, então, dar explicações e afirmou que “nunca passei um mês no Brasil”. Deve ser verdade... Bem, pelo menos a última decorreu entre 3 e 29 de Março, o que revela que, efectivamente, o autarca está muuuuito longe de mentir...
À boa maneira de Alberto João Jardim, José Mota atacou a oposição dizendo que ouvir o deputado do PSD que havia levantado a questão, José Carlos Santos, “dizer que o presidente passa dois a três meses no Brasil dá-me vómitos”. Também deve ser verdade. É que além do “país irmão”, José Mota também vai a Cabo Verde e Cuba. Um verdadeiro globe-trotter, este presidente...
O autarca espinhense, como já aqui dissemos, justifica as deslocações com a necessidade de acompanhar os idosos que viajam, ou, então, as associações locais que viajam até ao Brasil. Comenta e bem, a oposição, “tantas instituições deste concelho que lhe fazem convites e o senhor manda vereadores; mas, ao Brasil, tem de ir sempre...”. “Será que não confia nos vereadores para eles irem, em sua vez, ao Brasil?”, perguntou outro... José Mota refugia-se no seu programa eleitoral “onde estas actividades estão inscritas” e alegando que “o presidente não vai a tudo, vai apenas aos eventos que considera de interesse para o município”.
O debate foi quente e algumas tiradas merecem referência:
Posso não ter paciência para o ouvir... (José Mota)
Então vá-se embora! (Ricardo Sousa)
O senhor não manda em si, quanto mais dar ordens aos outros (José Mota)
A única pessoa que me manda calar é o senhor presidente da Assembleia! (Ricardo Sousa)”
Senhor Presidente, tenho pena de si” (Carlos Loureiro, PSD)
E, as melhores:
Há um presidente de Câmara que gosta mais do Brasil que o presidente José Mota: a presidente Fátima Felgueiras”, Jorge Carvalho, da CDU
Resta-me desejar-lhe uma boa estadia em Espinho e uma boa viagem de regresso ao Brasil”, Ricardo Sousa, do PSD.
Dupont

terça-feira, abril 19, 2005

Habemus Papam


Ok, calhou o alemão. Cheira-me que esta foi das votações papais mais políticas de sempre. Mas, como é sabido, os caminhos do Senhor são insondáveis...
Dupont

«Modesto e Pompom»


A ASA continua o seu louvável projecto de divulgação de algumas personagens clássicas da BD franco-belga. Desta vez, a sorte coube a uma das melhores criações do absolutamente genial Franquin: "Modesto e Pompom/Modeste et Ponpon".
São sketches humorosos que têm como personagens principais o duo que dá nome à série. Modeste é o tipo comicamente arrogante, que sabe sempre tudo, a quem os viznhos e família arruinam a paciência. Ponpon também participa na irritação, mas é ela quem o acalma na maior parte das vezes.
Franquin foi, provavelmente, um dos maiores desenhadores de banda desenhada deste século. Dotado de um sentido de humor insuperável e de um "traço" delirante e indomável, foi ele o autor de personagens como Spirou e Fantásio, o Marsupilami e, principalmente, Gaston Lagaffe, entre muitos outros. A sua última criação seria um exercício de humor negro: "Ideias negras", já editado entre nós. Uma obra fundamental, toda ela.
Dupont

A arte de saber vender o peixe

Vender é uma arte. Todos o sabemos. Mas, como em qualquer actividade, uns são melhores do que outros. Em ano de eleição autárquicas, os políticos locais esmeram-se por anunciar promessas, mesmo que elas sejam apenas uma miragem no seu deserto de ideias.
Veja-se o caso de Mário Almeida. Ainda não anunciou a sua reeleição, mas já está em campanha. Esperto, sagaz e com uma experiência autárquica que remonta ao Jurássico, o nosso Presidente da Câmara apareceu nos jornais a dizer que iríamos ter uma nova travessia sobre o Ave. Não houve pasquim que não acreditasse.
Mas, se espremermos a notícia, iremos constatar que de lá não sai nada. Atente-se no JN de anteontem (sem link), sobre a tal ponte em Retorta, com os negritos a serem de nossa autoria:

O presidente da autarquia, Mário Almeida, apresentou o projecto à Secretaria de Estado da Administração Local, em Lisboa e está convicto que a obra terá financiamento do Governo. Nesse contexto, o autarca acredita que o concurso público para a construção da nova ponte poderá ser lançado até ao próximo ano.

Vamos lá ver: o que é que Mário Almeida, efectivamente, tem na mão? Rigorosamente nada. Mas parece que tem muito, não é?
Dupont

Springsteen


É já no dia 26 que sai o mais recente álbum de Bruce Springsteen. Parece que é um regresso ao mundo acústico e unplugged de "The Ghost of Tom Joad". Se assim for, é uma boa notícia, depois do sucesso mundial que foi "The Rising" - na minha opinião, um dos seus piores álbuns. Entretanto, quem estiver com pressa, pode aqui ouvir três temas: "The Hitter", "All I'm thinking about" e "Devils & Dust".
Dupont

Foi a RTP 1...

Aqui lançámos uma aposta sobre qual das emissoras iria passar "As Sandálias do Pescador". Foi a televisão do Estado.
Dupont

Os Bóbis e Tarecos

A frase "quando Mário Almeida é atacado de forma irrefutável, demora sempre tempo a responder", escrita neste post, deu um barulho dos diabos. Os apaniguados sairam da toca e destaram a defender a sua dama: nos comentários só registámos uma manifestação de repúdio, mas, na caixa de correio, apareceram uma meia dúzia de indignados.
Tudo porque, na opinião destes iluminados, Mário Almeida respondeu imediatamente à questão e não esperou, como havíamos dito. E vieram logo os insultos e os comentários sapientes de que "és um orgão de informação laranja", "podem fazer campanha pelo blog", "só sabem dizer mal", "deviam ter vergonha de estar a escrever mentiras", etc, etc....
Pois, para estes infelizes, que não pensam por si e que apenas fazem o que lhes mandam, deixo aqui o último parágrafo da notícia "Autarcas perdem batalha das acumulações de ordenados", publicada na pág. 12 do jornal "Público", na quarta-feira, 13 de Abril, onde todos podem ver espelhada a sua cretinice:


Dupont

segunda-feira, abril 18, 2005

Início do conclave papal


Dupont

Marques Mendes


Para a sua primeira intervenção política, o novo líder do PSD resolveu homenagear o seu antecessor, Santana Lopes. Na verdade, abriu a boca, não sei se entrou mosca, mas saiu asneira: "sou contra os efeitos retroactivos da lei de limitação de mandatos". Na prática, o que o líder laranja quer dizer é que a limitação de mandatos só comece a vigorar para o futuro. Ou seja, mesmo que já estejam no poder há 12, 24 ou 30 anos, qualquer autarca ainda poderá lá ficar mais doze anos.
Marques Mendes deve ter tido acesso aos relatórios médicos de Alberto João Jardim e concluiu, claro, que em 2012 será da data para além da qual, o iogurte já não será próprio para consumo...
Sinceramente, fico estupefacto com o medo que o "Imperador da Madeira" incute em Portugal. Só não percebo de quê! Insultos já ele faz, não pagar a dívida da ilha também não... Então, o que é? Alberto João ameaça invadir-nos?
Dupont (Foto: O Comércio do Porto)

O problema das disponibilidades

Mário Almeida está mesmo obcecado com a proposta do seu partido sobre limitação de mandatos. Apunhalado nas costas pelos seus, não perde uma oportunidade para falar. Às vezes, nem mede bem o que diz. Na reunião de sábado da Associação Nacional de Municípios Portugueses, o autarca atacou os deputados, que não estarão abrangidos pela referida demarcação legal: "Se querem renovar, candidatem-se nestas autárquicas! Quando são convidados, nunca estão disponíveis...". É que também conhecemos aqueles autarcas importantes, sempre disponíveis para lugares no Governo, mas que nunca foram convidados e justificam esse não convite com o amor à terrinha e com o bairrismo…
Dupont

«A intérprete»


Que fique bem claro: gostave de ser o Sean Penn e de ter a Nicole Kidman. Ela é, simplesmente, a estrela mais bela em todo o firmamento cinematográfico. Até já estive de luto por ela… Quanto a ele, é insuportavelmente cool, rebelde e tem uma mulher lindíssima, Robin Wright Penn. Essa é, aliás, a única semelhança que tenho com ele… Adiante…
Agora, sob a batuta de Sidney Pollack, os dois reuniram-se num filme (ainda bem que não se uniram, senão dava-me uma coisa…). Trata-se de um thriller, com alguns salpicos de filme de espionagem, outros de acção e ainda uns quantos de drama psicológico. A história é simples de contar: Kidman veste a pele de uma tradutora/intérprete a trabalhar no edifício das Nações Unidas, em Nova Iorque. Um dia, por acaso, escuta uma conversa numa língua africana, em que se planeia um assassinato, ali mesmo, na sala da Assembleia Geral. Sean Penn é o elemento dos serviços secretos americanos encarregue do caso. O elemento a abater é um ditador africano, precisamente do país onde Kidman viveu grande parte da sua vida, tendo sido ele a matar, directa ou indirectamente, os pais e os irmãos. É claro que as dúvidas subsistem sobre as verdadeiras motivações de Kidman…
Sidney Pollack é um realizador seguro, aguenta a história, cria emoção quando ela é necessária, doseando-a correctamente, provando que quem sabe nunca esquece. O filme nada tem de excepcional, embora se registe um ou outro momento de eleição. Estou a referir-me a alguns diálogos entre Penn e Kidman, nomeadamente o primeiro, com frases literalmente metralhadas entre eles, mostrando o porquê de serem dois dos melhores actores da actualidade.
Ambos têm algo em comum: a morte de familiares: Kidman, a família e, Penn, a mulher, há apenas quinze dias. Daí que partilhem uma certa angústia, com ele a assumir algo semlhante a proteccionismo. Mas as diferenças de atitude e de como atingir objectivos são diametralmente opostas. Kidman vem de África e aprendeu que a palavra, um pouco como a caneta, é mais forte do que a espada. Sabe que as mudanças demoram tempo e que há que saber esperar. Penn é o contrário: tem um objectivo e trata de lá chegar the anmerican way – rapidamente e em força, se for preciso.


O filme lida com o problema da culpa e da vingança, de quem teve sonhos e se viu forçado a perdê-los. O problema é que, ultimamente, este tipo de dilemas tem vindo a ser resolvido com historinhas zen que cabe a uma das personagens contar, logo no início da fita, e cujo sentido e moral irá ter aplicabilidade prática mais próximo do fim da fita. Esse é, sem dúvida, o único flop do filme, já que se está mesmo a ver o porquê daquela historieta cair do céu, no meio de um argumento em que se cruzam olhares, balas e mentiras.
Numa fita que se desenrola na “Capital do Mundo” e, ainda mais particularmente, na essência de todas as nações do Mundo, é óbvio que o edifício das Nações Unidas é a prova de que a história da Torre de Babel terá algum fundamento, tal a quantidade de línguas que por lá se escutam. E não é que o português também? É verdade, há uma personagem a falar português: um empregado de limpeza… Mais extraordinário é não haver, no edifício, um único tradutor desta língua esquisitíssima…
Outras curiosidades prendem-se com o facto de este ter sido o primeiro filme a ser realizado no próprio edifício da Nações Unidas e, por outro lado, já quase toda a Europa o ter visto, enquanto nos EUA apenas aparecerá nas salas de cinema daqui a uma semana.
“A intérprete” é uma película que deve bastante ao cinema clássico, podendo ver-se aqui influências de incontáveis thrillers de espionagem, contemporâneos e antigos. É bastante agradável. Mas, apesar da qualidade dos actores e do realizador, não consegue chegar a um patamar de excelência. É o filme ideal para uma chuvosa tarde de domingo, como a de ontem…
Dupont

Histórico!


No dia 5 de Outubro é lançado o livro "The Complete Calvin and Hobbes", com 1440 páginas. Um monumento à obra do génio Sam Waterston. Na Amazon já aceitam encomendas.
Dupont

sexta-feira, abril 15, 2005

Almeida responde

Quando Mário Almeida é atacado de forma irrefutável, demora sempre tempo a responder. Foi o que aconteceu agora, com o problema da decisão do Tribunal Constitucional que considera não inconstitucional a lei que o obriga, entre outros autarcas, a não poder duplicar o seu vencimento enquanto administrador de empresa pública e autarca.
Hoje, no Primeiro de Janeiro, Mário Almeida dá uma resposta surreal:

«Por sua vez, Mário Almeida diz que “este parecer nada tem a ver com esta
situação” e que “o Tribunal Constitucional vem contrariar o provedor de Justiça
que acha que um autarca que está a tempo inteiro não pode receber só metade do
salário, ou seja, o mesmo que os que estão a meio tempo”»
Invocando um parecer da Provedoria contra um acordão de um Tribunal, Mário Almeida só demonstra ignorância jurídica e, claro está, desespero, perante a falta de argumentos que sustentam a sua mais do que discutível posição.
Dupont

Leia, leia, senhor doutor

Coube, esta semana, a Jorge Laranja vir criticar Santos Cruz. Aborda várias questões, mas a que me chamou à atenção foi esta, relativamente à água e sanemaneto, com negrito nosso:
"(...) eis que surge uma contestação de origem partidária, afirmando que os vilacondenses irão pagar a água por 2,96 euros por metro cúbico já a seguir, o que como todos compreenderão seria um preço inconcebível."
Ó senhor Doutor, está a chamar mentiroso ao Eng. Mário Almeida e ao Eng. António Cateano e restantes membros do júri de selecção da proposta vencedora? Ora veja bem esta página da deliberação do júri assinada por ambos. Estão lá, ou não, 2,96 euros por m/3 para o concorrente nº2, a Indáqua, o consórcio vencedor?
Dupont

Koolhas e o caos português


Afonso Ferreira, na sua crónica, fala da limitação de mandatos, do chumbo do Tribunal de Contas quanto à não proibição da limitação de mandatos e da Casa da Música. A este propósito, cita o próprio arquitecto, num excerto memorável:
"É bem verdade que um edifício destes só podia acontecer em Portugal ou Espanha. Isso quer dizer que a qualidade da indústria de construção civil aqui é superior. Mas houve outro pormenor: a situação política aqui é caótica. Continua a ser. Esse contexto particular (risos) deu-nos liberdade para manobrar conforme quisemos. Desde que a obra começou, eu já conheci cinco conselhos de administração. Mais ou menos um por ano. O mesmo com ministros da cultura"
Dupont