A Igreja sob ataque? - I
O Papa João Paulo II agoniza dramaticamente no Vaticano. Entretanto, multiplicam-se notícias “contra” a Igreja. Há dias era noticiado que se iria dar início à tradução do “Evangelho de Judas”, um dos vários evangelhos apócrifos que não foram aceites pela igreja como “válidos”. Depois foi Ali Agca que revelou ter sido ajudado no seu propósito, por pessoas de dentro do Vaticano, incluindo cardeais… Para piorar as coisas, o “Código Da Vinci” vende como gelados na praia. É claro que a Igreja já reagiu com “sessões de esclarecimento” para desvendar as mentiras do livro. Não por acaso, D. José Policarpo vem dizer “a «moda» de reduzir Jesus à condição humana «destrói a fé» católica”.
Compreendo que a Igreja se sinta atacada. Mas sempre procurei distinguir o que é a mensagem de Cristo daquilo que é o Poder Temporal detido pelo conjunto de homens que constitui a Igreja. É claro que estes, a todo o custo, não querem largar mão de dois mil anos de uma construção que lhes deu poder espiritual, mas, também, material. Por isso, e só por isso, até aceito as reacções dessa Igreja quando julga que está a ser atacada a Instituição. Só que, verdadeiramente não está. O facto, a ser provado, que cardeais estão envolvidos na tentativa de assassinato de João Paulo II (ou na lendária conspiração na morte de João Paulo I…) em nada afecta aquilo que a Igreja tem de extraordinário para transmitir: a mensagem de Paz e Amor de Jesus Cristo. É a Palavra Sagrada transmitida aos Homens. Os elementos da Igreja que a desvirtuam, são apenas homens que não a ouvem. Se aparecer um, ou mais, evangelhos, com versões diferentes da realidade histórica de Cristo ou até com perspectivas diferentes sobre a Sua Mensagem, qual é o problema? Num acidente de viação, com cinco pessoas a observarem os factos, há sempre versões diferentes sobre o mesmo facto que todos presenciaram.
Finalmente, a redução de Cristo à sua condição humana. Sem entrar em discussões teológicas, recordo que Cristo é o Filho de Deus feito Homem. Tem dimensão humana. Afinal, o que é que querem dizer, na cruz, as palavras de Cristo “Pai, Pai, porque me abandonaste?”. É óbvio que tendo uma dimensão religiosa, explicável pela Fé e não pela Razão, imediatamente surja um conflito entre os que acreditam sem ver e os que querem ver para crer. Mas aqui é que está a grandeza da Sua mensagem, independentemente de sair de um ser humano ou de um Deus feito Homem: dar aos seus semelhantes a oportunidade da Salvação, oferecendo-se, até, em sacrifício por isso. E aí é que está o maravilhoso. A Igreja só tem de temer que a Palavra de Deus não seja escutada e não recear as teorias, versões e hipóteses sobre a passagem de Cristo entre nós.
Dupont

por Alcazar, Dupond, Dupont e Haddock

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