Novos títulos
O mercado dos jornais e revistas português viu surgir, em pouco tempo, quatro novos títulos. Três estão ligados à Edimpresa, o "Courrier Internacional", a "FHM" e a "Rotas do Mundo"; o outro, "Atlântico", pertence ao Forum para a Competitividade. Curiosamente, os números inicias foram oferecidos, com excepção da FHM, respectivamente, com o "Expresso", a "Visão" e o "Público".
Começando pela última, a “Atlântico” assume-se como “revista de crítica e debate” e tem Helena Matos, conhecida colunista do diário de Belmiro de Azevedo, como directora. O nome faz lembrar, de imediato, a americana The Atlantic Monthly. Tem 68 páginas, periodicidade mensal, não se indicando o preço. O conteúdo é, claramente, “de direita”. Neste número inicial temos artigos de, por exemplo, Luciano Amaral, Vasco Rato, Vítor Cunha e Rui Ramos entre muitos outros. Muito pouco ilustrada, na melhor tradição das revistas políticas do universo anglo-saxónico, nem mesmo para ilustrar livros, discos ou filmes na secção “Gostos”.
O “Courrier Internacional” é uma publicação que apresenta pouca produção própria, passando a opção por republicar artigos já publicados em outros jornais, . Quem é consumidor de imprensa internacional há muito que o conhece, dispondo, agora, da edição portuguesa. O director é Fernando Madrinha, um dos principais responsáveis do “Expresso”. É semanal, tem 48 páginas e custa 2,5€ e é integralmente a cores. Os artigos pretendem ser o “créme de la créme” da imprensa internacional e, na verdade, os principais títulos mundiais estão lá: “New York Times”, “El Pais”, “Le Monde”, “The Guardian”, “Financial Times”, “Washington Post”, “Panorama”, “Corriere della Sera”, “Libération”, “O Globo” entre muitos outros. Exibe, como colaboradores, nomes como António Guterres, Aníbal Cavaco Silva e Mia Couto. O tema forte é o referendo sobre a Constituição Europeia.
A Edimpresa, de Francisco Pinto Balsemão, lançou, ainda, duas revistas destinadas ao lazer: a "FHM" e a "Rotas do Mundo". A primeira é dedicado ao um público masculino, oferecendo um conteúdo que pretende ser divertido, sofisticado, com uma pitada de softcore. O mercado internacional está saturado destas revistas, especialmente o anglófono, de onde esta publicação é originária e onde tem a concorrência da "Loaded", "Maxim", "Zoo", "Viz", "Nuts", "GQ", além da mais sofisticada "Arena" com algumas a venderem na ordem dos milhões. Em Portugal apenas havia a "Maxmen", de onde saíu o director da FHM, Pedro Boucherie Mendes. As duas pouco se distinguem, com secções quase decalcadas a químico...O número inicial custa 1,80 euros.
O mesmo se diga da "Rotas do Mundo" e suas rivais. O mercado está saturado de publicações sobre viagens e turismo, quer nacionais quer estrangeiras. Mesmo entre nós, a "Volta ao Mundo" atingiu um prestígio dentro desta temática quase como o do Expresso nos semanários. E ainda tem de ter em atenção às duas “blues” a "Living" e a "Travel", com as suas apelativas propostas de paragens incrivelmente trendy e sofisticadas. Custa 3,80€ e tem como director Rui Tavares Guedes. Neste número de apresentação não tem um único artigo sobre Portugal, vivendo “à custa” da homóloga espanhola “Rutas del Mundo”.
Dupont

por Alcazar, Dupond, Dupont e Haddock

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