Já está. Fechou-se o ciclo de uma das mais fantásticas sagas da história do cinema. Quase três décadas, seis filmes, dezenas de personagens e uma verdadeira legião de fãs fazem de Star Wars um objecto de culto, multigeracional.
Não deixa de ser curioso o facto de, quando alguém se refere à saga dos Jedi, começar por dizer onde e quando é que viu o primeiro filme, agora rebaptizado: "Episódio IV: Uma Nova Esperança". Por acaso também me lembro: foi no Estúdio Santa Clara, na Póvoa de Varzim, onde também vi os outros dois episódios… Agora vi “A Vingança dos Sith” no AMC, em Vila Nova de Gaia, porque as salas deste complexo são as melhores do país. Os ecrans são enormes, as cadeiras confortáveis e o sistema de som é irrepreensível. E digo isto porque se há um tipo de filmes que deve ser visto num cinema e, ainda mais, num grande écran, são os filmes de ficção científica. Por outro lado, serve também para apurar a evolução tecnológica que o cinema sofreu, desde a produção à projecção, nestas três últimas décadas..
Ao longo dos anos, “A Guerra das Estrelas” transformou-se não só no símbolo de uma nova geração de cineastas e da introdução maciça de efeitos especiais, como se transformou num dos mais importantes ícones da pop culture. Ninguém quer saber como é que toda a gente, animal ou humanóide, respira o mesmo ar onde quer que esteja, ou como é que se ouvem explosões no espaço se não há atmosfera. Nada disso interessa. O que está em cima da mesa é só uma coisa: aventura. Assim, ajudada por um brutal merchandising, por citações e referências um pouco por todo o lado, a saga acabou por tomar de assalto Hollywood, para, logo depois, conquistar o Mundo.
Rios e rios de tinta já se escreveram sobre estes filmes, procurando escalpelizar o porquê deste fascínio: é a luta entre o Bem e o Mal, é um drama familiar de dimensões universais, é o regresso da grande aventura, enfim, todos os rótulos já serviram a esta enorme tela da autoria de George Lucas.
A verdade é que os dois episódios iniciais, que precederam “A Vingança dos Sith”, deixaram muito a desejar. Lucas ficou encandeado com os efeitos especiais e esqueceu-se do argumento. Neste terceiro tomo, felizmente, redime-se.

Curiosamente, este episódio revelou-se um filme triste… Surpreendentemente triste. Por fim, o
lado negro assume o comando, Darth Vader ganha forma tal como o conhecemos e os Jedi são quase erradicados. Mas, para além disso, temos alguém que mata por amor e um outro alguém que morre por falta de amor. Estou em crer que nenhum seguidor da saga Star Wars algum dia imaginou que o que fez Anakin Skywalker transformar-se em Lord Vader foi… o Amor. Mas é isso que vemos em “A Vingança dos Sith”. Aqui não há contemplações: cabeças rolam, literalmente, pelo chão, há crianças assassinadas, membros decepados e, mais importante, há raiva e ódio nos olhos de Anakin Skywalker. A sua travessia para o
dark side não acontece porque o deseje, mas porque ele não vê outra solução para salvar Padame, a mulher que ama. Aliás, a montagem paralela entre, por um lado, o nascimento dos gémeos Leia e Luke e a morte da sua mãe, e o (re)nascimento de Darth Vader, meio-homem meio-máquina, é o grande momento deste filme. O grito final, de dor, ao saber da morte de Padame, é o sinal claro que Anakin Skywalker havia morrido, definitivamente.
Mas Lucas não se esquece do espectáculo. Os cenários continuam sumptuosos, as batalhas espaciais estão melhores do que nunca e os efeitos especiais são de uma perfeição inacreditável. A cena inicial, uma vertiginosa luta entre rebeldes e a República é absolutamente espectacular. Aliás, se houve coisa que George Lucas sempre soube dar ao público foi espectáculo, não só neste saga, como também em Indiana Jones, um personagem que teve a sua co-autoria.
Mas, se assim é em relação ao impacto visual, já o mesmo não se pode dizer relativamente à direcção de actores. Hayden Christensen até passa, mas Ewan McGregor é um desastre. O sentido de humor, as wise-cracks e maior parte dos diálogos são uma lástima, roçando o ridículo. Excelente está Nathalie Portman. E belíssima, também.
O realizador-produtor finalizou esta história fantástica da melhor maneira, assinando o que será, porventura, o melhor filme de toda a saga. Aliás, prova evidente de que o realizador quis fazer algo mais do que a habitual space opera é a enxurrada de citações visuais que o filme vai buscar, desde Apocalipse Now aos filmes de espadachins, sem esquecer o incontornável Blade Runner. George Lucas está, portanto, de parabéns. A Força está com ele.
ADITAMENTO : a não perder - "
Darth Vader", por rui a., no Blasfémias.
Dupont