terça-feira, maio 03, 2005

Estagnação


De regresso após uma semana ausente, constato que, como já adivinhava, tudo vai correndo dentro da normalidade, sem revolução nem evolução.
As comemorações do 25 de Abril já não merecem mais que umas breves notas na comunicação social, ilustradas por imagens das mesmas pessoas de sempre com o característico semblante saudoso, sendo talvez por isso que o único destaque decorreu do facto de Sampaio ter intervindo pela última vez na respectiva sessão comemorativa. Entretanto, eram libertados vários indivíduos que se encontravam em prisão preventiva, indiciados pelo homicídio de um agente da PJ, em consequência da inércia do Ministério Público, o que não surpreende pois, ao longo do último ano, fomos aprendendo que o Principio da Oportunidade manda que se investigue prioritariamente com quem dormem alguns árbitros de futebol. No dia seguinte foi o habitual “sacudir a água do capote” quanto às responsabilidades por aquela libertação e anunciado pelo governo o prolongamento do horário das aulas na primária, o que, com certeza, não será exactamente conforme o previsto uma vez que os lobbies já estão em campo. Mais um dia e mais um português tratado como herói nacional por ter sido preso no estrangeiro pela prática de factos que no Dubai constituem crime, como, aliás, também sucedia em Portugal ainda recentemente. Segue-se Sócrates igual a si próprio, tal e qual como qualquer Governo socialista: baralha e dá de novo. Tira processos de um Tribunal para outro – sejam cheques ou acções declarativas que passam a injunções - e anuncia o fim de férias que ninguém efectivamente gozava, em lugar de se propor resolver realmente e definitivamente um só dos problemas que afectam a justiça. Por fim, Mourinho é campeão em Inglaterra o que, confesso, me é indiferente. Já o sucesso de Ricardo Carvalho e Paulo Ferreira, isso sim, é coisa só possível pela “escola” que tiveram e que muito me orgulha e deve orgulhar todos os portugueses. A rematar um 1º de Maio que, nos tempos que correm, já só tem utilidade para os funcionários dos hipermercados que, uma vez por ano, e para além do Natal, podem gozar um feriado, não fosse tanto o azar de ser Domingo.
É como digo. Nem Revolução, nem Evolução.
General Alcazar