quarta-feira, maio 11, 2005

Há coerência?

A decisão de Marques Mendes em vetar a candidatura de Valentim Loureiro à Presidência da Câmara Municipal de Gondomar indicia a vontade do líder do PSD em moralizar a actividade política. O conteúdo demasiado vago da fórmula justificativa encontrada (“falta de confiança política”), deixa-nos campo aberto para perceber que é esse o sentido. A imagem que fica é a de que Marques Mendes estará a contribuir para expulsar a “má moeda” de circulação, criando espaço para que, finalmente, passe a proliferar a “boa moeda”.


Se esse for o objectivo, parece que o resultado é positivo, pois homens como Valentim Loureiro, ou Isaltino Morais, são a personificação da má forma de estar na política.
Até aqui está tudo bem. Mas será que a posição assumida na votação da lei de limitação de mandatos, em que o PSD se opôs à proposta de José Sócrates, com o argumento de que deveria ser efectuada uma alteração por fases, abrangendo neste momento apenas os autarcas e, numa fase posterior, outros cargos, foi coerente com esta postura?
Penso que não. Quer Marques Mendes queira, quer não queira, aquilo que todos percebemos é que teve medo de afrontar Alberto João Jardim. Ora, num momento em que se pretende afirmar, numa postura forte de combate à “má moeda”, esta cedência a Alberto João Jardim não fica bem, nem é coerente.
Finalmente, fica também uma imagem pouco simpática de Marques Mendes. É que afrontar homens, num momento em que estes estão enfraquecidos pelo combate que estão a efectuar perante a Justiça, não mostra grande coragem. Enfrentar Valentim Loureiro em momentos de “Apito Dourado” é fácil. Atacar Isaltino Morais na semana seguinte às buscas da Polícia Judiciária na sua residência é simples. Agora, a coragem para divergir de Alberto João Jardim poucos meses após a sua vitória eleitoral, seria uma prova de coragem e determinação.
Foi a prova que eu não vi, mas gostaria de ter visto.
Dupond