sábado, maio 07, 2005

Personagens e Livros

O Mário, do Rotação Difusa, passou-me o testemunho do inquérito bibliográfico que anda a entreter a blogosfera. Para além do agradecimento, aqui vão as respostas.

Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser?
"A Sociedade Aberta e os seus inimigos", de Karl Popper. Por tanta, tanta coisa...

Já alguma vez ficaste apanhadinha(o) por uma personagem de ficção? Já. pelo mafioso Michael Corleone. Acho fabuloso o tríptico d'«O Padrinho». Michael começa por ser um homem que convive com o Beml, assume o Poder bem como o Mal que lhe está inerente, chegando a ordenar a morte de um irmão, tenta a redenção junto da Igreja e, qual preço incomensurável a pagr, morre-lhe a filha nos braços. Céu, Inferno e Purgatório, tudo numa vida. Uma personagem bigger than life. Uma tragédia de contornos clássicos.

Qual foi o último livro que compraste? "Longe de Manaus", de Francisco José Viegas.

Qual o último livro que leste? "Jerusalém", de Gonçalo M.Tavares. Vou falar dele no blog, na próxima semana. Várias vezes recomendado, nunca tinha arriscado nada deste novo autor que faz as delícias da nossa crítica literária. Gostei muito.

Que livros estás a ler? Além de muita banda desenhada, que seria fastidiso estar aqui a arrolar, até porque a maior parte é em francês, comecei, anteontem, "A Misteriosa Chama da Rainha Loana", de Umberto Eco. Depois de "Jerusalém", um livro que se equilibra na linha ténue que separa a loucura da sanidade, eis um outro em que a temática volta a ser a racionalidade e a falta dela, desta vez por doença.

Que livros (5) levarias para uma ilha deserta? Pergunta terrível, esta... É que se fosse para a tal ilha, escolheria livros novos para ler e não que já tivesse lido... De qualquer forma, sempre entendi esta questão como um pedido para indicar os livros favoritos. Arrisco estes cinco, mas podiam ser muitos outros: 1) "O Segredo do Licorne" e "O Tesouro de Rackam, o Terrível" - a essência da aventura, pela mão insuperável de "Hergé"; 2) "A Cidade e as Serras", de Eça de Queirós - aborda a eterna luta dos opostos, mas numa perspectiva singularíssima. Jacinto é uma das minhas personalidades literárias favoritas. Foi o primeiro "clássico" que li e marcou-me profundamente; 3) "Era bom que trocássemos umas ideias sobre o assunto" ou outro qualquer de Mário de Carvalho, a escrita mais inteligente e subtilmente humorista da actualidade; 4) "Dicionário dos Símbolos", de Jean Chevalier e Alain Gheerbrant - aprecio muito o pensamento de Jung, a teoria do inconsciente colectivo e, por isso, este livro é um achado. Todos os símbolos com que diariamente nos defrontamos, explicados à luz da história, psicologia, antropologia, arte, ciência, etc, etc. Imprescindível na descodificação do dia-a-dia; 5) "História da Vida Privada", sob a direcção de Phillipe Ariès e George Duby - outra leitura deliciosa. A história da Humanidade do ponto de vista do quotidiano. São cinco volumes de uma leitura apaixonante.

A quem vais passar este testemunho (3 pessoas) e porquê? À dupla besugo/lolita; ao Homem das Neves; e ao outro Mário, o que-não-é-vilacondense-mas-queria-ser. Porquê? Porque são alguns dos bloggers que mais admiro.
Dupont