segunda-feira, maio 09, 2005

Quinta do Eng. Carvalho

Vista lado Poente

Planta de estudo prévio

Não há vilacondense que não conheça "a quinta do Eng. Carvalho" ou "O Pinhal dos Menéres". Até para quem nos vem visitar, basta circular na marginal, em direcção às Caxinas, para se deparar com um longo muro de granito que protege a casa onde viveu o criador da Têxtil de Mindelo.
Este espaço é, sem dúvida, a maior área privada delimitada em toda a zona urbanizada da cidade. O espaço ainda pertencerá à viúva, apesar de circularem por aí uns rumores de que uma conhecidíssima empresa de construção já se terá adiantado na corrida. Se calhar são histórias para mitificar aquele espaço, como a dos japoneses que tinham por ela oferecido 1,5 milhões de contos, já lá cerca de duas décadas. O certo é que aquela área de pinhal e dunas ainda ali está, praticamente intacta.
Ora, eu pensei que ali é que ficava bem o "Parque da Cidade". Pelos vistos não, o que será bom, pois poderemos ser brindados com um segundo parque... Isto pensava eu até que mão amiga nos fez chegar estas imagens e nos lançou o desafio de aqui, n'O Vilacondense, lançarmos o assunto em debate.
As imagens são retiradas do folheto de promoção do Polis e, muito embora nada disto esteja ali previsto, quis-se apresentar uma estratégia "na qual se procura evidenciar as áreas a serem ocupadas por construções de matriz eminentemente habitacional, deixando livres amplas superfícies que se pretendem manter inalteráveis". Por outro lado, "a viabilidade económica de qualquer intervenção na zona é obviamente um dos vectores do programa que se procura compatibilizar com o grande valor ambiental dos terrenos".
Numa primeira análise, julgo que, se um dia, a família resolver vender aquele terreno, ou o Estado se lembrar de expropriar, devem ser dados alvarás de construção na quantidade de ...zero! Bem sei que a compra custará milhões, e haverá que ir buscar, pelo menos, algum retorno. Mas, sinceramente, para estragar o melhor é deixar estar assim... É que esta zona é um verdadeira jóia. Ao contrário da ROM, destruída pela construção clandestina e desordenada aliada ao anti-cívico comportamento de muitos que a transformaram numa lixeira a céu aberto, a "quinta" está em belíssimo estado de conservação. Na minha opinião, a solução passaria pela construção de um parque, onde fosse possível os vilacondenses passear no meio de um cenário que remonta aos primórdios daquela zona. Equipamentos desportivos e lúdicos, perfeitamente integrados e sem chocarem com a envolvência, ajudariam a área a tornar-se mais apelativa para a prática de desporto ou, principalmente, para passeios. Construção é que não. Primeiro porque, como se vê, é em altura, como não podia deixar de ser, face ao tipo de urbanismo que a rodeia. Depois, porque a presença maciça de habitantes levava à rápida degradação de toda a zona envolvente. Finalmente, porque se abrirmos um pouco a porta para a edificação, já sabemos o resto do filme: mais ano, menos ano, a floresta de pinheiros irá dar lugar, irreversivelmente, a uma floresta de betão.
Por isso, este assunto deverá ser alvo de uma profunda discussão pública. Mas não à moda da Câmara, em que ninguém nunca sabe quando é que uma tal fase se inicia ou encerra... Ah, e também para não surgirem surpresas estranhas como aconteceu com a concessão de água, onde o concorrente que apresentou o preço mais barato acabou excluído por critérios subjectivos...
Dupont