A ler - António Barreto
"(...)COM EXCEPÇÃO DE GRANDE PARTE dos intelectuais e artistas, assim como de uma porção de políticos, as elites portuguesas são geralmente de direita. E muito dependentes. Precisam do Estado, não da população. Fizeram fortuna, têm negócios, compram e vendem, aprendem e exprimem-se graças ao Estado, não à população ou a si próprios. As elites portuguesas do século XX não têm um ethos político ou cultural, religioso ou económico. O Ultramar? Nunca o foi seriamente: dava muito trabalho e exigia esforço. E ter de ir viver "no meio dos pretos" não era um dos seus desígnios. A independência nacional? Apenas de nome e desde que lhes fornecesse os meios para tratarem da sua vida. A indústria? Só dava para meia dúzia de empresários, sendo que o Estado e a sociedade os deveriam proteger. Os valores religiosos? Bons para controlar a população, mas incómodos como fundamento de uma moral para consumo próprio.(...)António Barreto, Público, 17 de Julho. Na íntegra, aqui.
QUANTO ÀS ELITES INTELECTUAIS e artistas, de esquerda predominantes, agarraram-se ao Estado e àquilo a que chamam "as ideias". Sem fortuna nem terra, com pouco casamento e parca herança, alheias, embora com inveja, aos costumes das "classes altas" e sem acesso fácil "aos lugares bonitos", gabam-se de ter "valores", enquanto as outras apenas terão "interesses". É um postulado para consumo de pacóvios. Têm estas elites um ponto comum com as outras: também elas dependem do Estado. Talvez com uma diferença. As de direita, como dizia Karl Marx, apenas desejam que o Estado seja o seu conselho de administração. Enquanto as de esquerda gostariam de se transformar, elas próprias, no Estado. Talvez por isso, por vezes, um governo de esquerda pode parece estar ao serviço da direita."
Dupont

por Alcazar, Dupond, Dupont e Haddock

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