sexta-feira, setembro 30, 2005

O fim do estado de desgraça

PSD: 39%
PS: 34%
CDU: 10%
BE: 10%
CDS: 4%
(Barómetro DN/TSF/Marktest)

Após dois anos de liderança no barómetro da Marktest, para o DN e a TSF, o PS surge, agora, atrás do PSD. É o fim do estado de desgraça do PSD, iniciado em Outubro de 2003, quando Durão Barroso era ainda Primeiro-ministro e Ferro Rodrigues liderava o PS, fortemente enfraquecido pelas notícias que envolviam dirigentes socialistas no processo Casa Pia. Relativamente a Julho, o PSD passa de 31% para 39% nas intenções de voto e o PS afunda-se nos 34%, longe dos valores de Fevereiro que lhe valeram a maioria absoluta.
Desde Fevereiro, em apenas seis meses, o país assistiu incrédulo ao fracasso no combate aos incêndios, com Sócrates o gozar os prazeres das caçadas em Africa, ao agravamento da crise económica, à demissão do Ministro das Finanças, inconformado com a prossecução de projectos megalómanos carecidos de seguras justificações técnicas e de estudos que atestem a respectiva viabilidade económica. Têm sido meses de contínua e generalizada insatisfação social, designadamente de polícias, militares, GNR, funcionários judiciais, juízes e agricultores. Têm sido as nomeações inexplicadas, porque inexplicáveis, os jobs e os boys. Como se não bastasse, todo o PS e Sócrates em particular saem chamuscados do regresso de Fátima Felgueiras. Por tudo isto, é generalizado o pessimismo, que já atinge três quartos dos portugueses.
É, no entanto, óbvio que a dimensão do descalabro socialista não se explica apenas pela miserável acção do Governo. Como nunca concebi Sócrates e o Governo em estado de graça, fico agradado em constatar o fim do estado de desgraça do PSD. Marques Mendes, apesar de ter ganho apenas tangencialmente a liderança do PSD e de revelar alguma falta de carisma, tem vindo assumir-se como líder da oposição, aproveitando a pré-campanha para as eleições autárquicas para se afirmar.
A queda do PS nas sondagens não deixará de ter reflexos nos resultados das próximas eleições autárquicas. Parte do eleitorado aproveitará o ensejo para mostrar ao PS um oportuno cartão laranja, sobretudo em grandes municípios, como Lisboa, Porto e Coimbra.
Em municípios de menor dimensão os autarcas responderão pelos projectos que apresentam, pela obra feita e pela gestão autárquica que empreenderam, tantas vezes, como em Vila do Conde, um paradigma exponencial da típica governação socialista, feita de promessas ciclicamente reiteradas e sempre adiadas com atrapalhadas justificações, de cirúrgicas nomeações, de comprometimentos e cumplicidades, de muitos sound bytes, procurando garantir a eternização no poder.
A nível local, tal como a nível nacional, está a acabar o estado de desgraça.
General Alcazar

In illo tempore - 04 - Ooooops!

Dupont

O melhor outdoor


É este, da CDU, e promove a candidatura desta força política à Câmara Municipal de Castelo de Vide. Não são precisas palavras para expressar o gosto pela terra. (Via Castelo de Vide)
Dupont

Pérolas autárquicas

Alguns blogs divertem-se com os cartazes dos candidatos às eleições autárquicas:

PS de Tavira, via Blogue de Esquerda

PS de Ferragudo, via Blogue de Esquerda - isto não é um apelo ao voto nulo?

PSD de Beja, via O Antivilacondense - "PSDs no Alentejo a falar de Revolução?!..."

PSD de Nelas, no Folhadal - "Nelas para todos"? V.Exª é que sabe, senhora candidata... Segundo o Expresso, esta candidata anda a oferecer vinho com o seu autocolante de campanha a servir de rótulo...

No Castelo de Vide.
Dupont

“Vertigo/A Mulher que Viveu Duas Vezes”, de Alfred Hitchcock


“Vertigo”, terceira entrega da "Colecção Hitchcock" do Público, é, porventura, o filme mais complexo de toda a obra do realizador. O enredo, por si, já não era fácil, mas Alfred Hitchcock soube dar às personagens uma profundidade psicológica que ainda hoje é rara ver num filme.
Scottie (James Stewart) é um polícia de São Francisco que se vê atirado para a reforma, uma vez que tem medo das alturas. Um seu amigo, o armador Gavin (Tom Helmore) contrata-o, então, para que siga a sua mulher, Madeleine (Kim Novak), uma vez que desconfia do comportamento dela. Numa das suas perseguições, Scottie acaba por salvar Madeleine de uma tentativa de suicídio, quando ela se atira para as águas da Baía de S.Francisco, mesmo junto à ponte Golden Gate. A partir dali os encontros sucedem-se. Um dia, no edifício de uma missão católica, Madeleine sobe ao campanário e atira-se de lá abaixo. Scottie fica transtornado e acaba hospitalizado. Depois de sair, encontra uma mulher, Judy, que lhe faz lembrar Madeleine. Com o passar do tempo, Scottie tenta que Judy se transforme, fisicamente, em Madeleine. A verdade é que ambas são a mesma pessoa. Tudo não passara de uma encenação de Gavin para poder matar a mulher, atirando-a do cimo do campanário. E é lá que Judy/Madeleine lhe revela a verdade, mesmo antes da catástrofe final…
Como se pode ver neste resumo, a história é difícil de resumir. “Vertigo” é, com efeito um filme denso e profundo como poucos. Desde logo, temos dúvidas em “catalogá-lo”. Será que é um filme de amor, um policial ou um fita de mistério? É que Hitchcock, superiormente, cruza os três géneros e oferece ao espectador um opíparo festival de arte cinematográfica.
O jogo de duplos, característica inconfundível do realizador, atinge aqui o seu máximo expoente. Veja-se que Scottie começa por se apaixonar por Madeleine que, na realidade, não o era e que nada sentia por ele. Depois, conhece Judy, que se apaixona por ele, mas que Scottie tenta transformar na mulher amada, Madeleine. Aliás, a cena da transformação, física, de Judy em Madeleine é, porventura, o momento mais intenso do filme. Não só porque a carga emocional das personagens, fechadas num quarto de hotel, aproxima-se do insuportável, como também, num dado momento temporal, há uma convergência real de todas as perspectivas da história.
A evolução da personagem interpretada por Jimmy Stewart é uma dos pontos fortes de “Vertigo”, a que não é alheio o irrepreensível desempenho do actor. Nunca, como aqui, a morte e o amor andam de mãos tão firmemente dadas. Logo no início, quando Scottie cai de cima do prédio, morre uma vez; quando “perde” a mulher amada, Madeleine, morre segunda vez; e, no final, quando encontra e logo perde Judy/Madeleine, desta vez de forma definitiva, é todo o seu mundo que desaba. “Vertigo” ou “Vertigem” não é só o sentido de desorientação da personagem, mas especialmente o torvelinho para onde as suas opções o vão, sucessivamente, atirando.
Em “A Mulher que Viveu Duas Vezes”, Hitchcock apresenta, igualmente, um compêndio de todas as suas características. Podemos começar com a habitual e sensualíssima loira, aqui interpretada por Kim Novak; podemos falar na imagem, recorrente, de quedas no abismo; e temos o enquadramento psicológico das personagens, num enquadramento e com uma profundidade tal, que qualquer psicólogo não desdenharia analisar este extraordinário mergulho no inconsciente; e, claro, jamais nos podemos esquecer dos simbolismos – aqui, Hitchcock recorre à enciclopédia: a queda/morte; a torre/símbolo fálico; o amor perfeito/eternidade, e muitos mais encontraríamos. É nesta riqueza interpretativa que o filme ganha dimensão, ao ir buscar étimos da natureza humana, assim prendendo o espectador.



Talvez por isso, quando fui a S. Francisco, fiz questão em tirar uma fotografia no local onde Hitchcock filmou Madeleine a atirar-se para o mar e a subsequente salvação, feita por Scottie (já aqui havia falado disto). É que o mar é o símbolo perfeito do inconsciente, em constante dinâmica com o consciente (ar). E ali foi o local onde, precisamente, alguém perdeu a consciência e mergulhou no inconsciente, mas houve também alguém que, por força da razão (e) do amor, a foi resgatar e trazer de volta ao mundo palpável. Um momento absolutamente notável, de um poderosíssimo simbolismo.
“Vertigo” é “uma obra-prima, no cinema em particular, como na arte em geral”, defende Melo Ferreira, enquanto para o sapiente Bénard da Costa, o filme é “a obra-prima” do realizador. Há oito dias já aqui disse que o meu filme favorito era “A Janela Indiscreta”, o que obviamente mantenho. A grande diferença para “Vertigo” é que aquele é mais entretenimento do que este. “A Mulher que Viveu Duas Vezes” é, como referi, uma lição de arte cinematográfica. É daqueles filmes que nos fazem pensar não depois do filme acabar, mas enquanto o filme decorre, tornando-se um exercício intelectual fantástico. Mas falta-lhe, na minha opinião, aquela centelha que distingue o óptimo do genial. Em “Rear Window, para lá da mestria técnica, há essa rasgo, intraduzível, que permitiu ir um pouco mais além do que “prometia a força humana”.
Dupont

A morte de um blogger

Há uns tempos que não visitava o Pantanero. Era um blog assumidamente de esquerda, que falava sobre o Grande Porto, especialmente da zona Maia/Gondomar/Valongo, quase sempre com fina ironia. Cheguei a linká-lo algumas vezes e até trocamos uns mails por causa de um assunto que envolvia Francisco Assis. Hoje lembrei-me de lá ir e reparei que o "Pantanero" nos havia deixado, em 19 de Agosto. Até um dia, Pantanero.
Dupont

quinta-feira, setembro 29, 2005

Se não sabia, fica a saber!

Através do I Estudo da presença na Internet das Juntas de Freguesia, fiquei a saber o que nem os maiores pesadelos antecipavam: uma recôndita freguesia do concelho de Vila do Conde, GUILHABREU de sua graça, foi a única freguesia do concelho a ficar no ranking das freguesias com prensça na internet.
Em 255º lugar num total de 280 em todo o país. Mai nada!
Está pois de parabéns o Presidente da Junta, Ramiro Silva quem, sendo um dos dinossaúrios do poder local, não deixou de acompanhar a modernidade.
Pena é que, ao procurarmos qualquer informação sobre a presença da Junta de Guilhabreu na internet ... não se encontre nada, ao contrário desta e desta.
Deve ser por estarmos em maré de eleições; talvez a página da Junta esteja "em construção".

Haddock.

Prometeu... Cumpriu???


Através do simpático blog da candidatura de Elisabete Freitas à Junta de Freguesia de Árvore, ficamos a conhecer um extraordinário cartaz do PS local. Com a foto de um autocarro que ainda ninguém viu, o cartaz anuncia que o Sr. carlos Quintans, que o havia prometido nas eleições de 2001, já cumpriu a promessa. No entanto, também vai dizendo que a data de entrega só ocorrerá em Outubro de 2005. Por coincidência, é o mês em que se disputam as eleições autárquicas...
Esta actuação dos dirigentes socialistas, ao misturar actividade da Junta de Freguesia com propaganda partidária mostra até que ponto vai a falta de ética na política local.
Por um lado o cartaz mente, porque, quando muito, Carlos Quintans não cumpriu, mas cumprirá e a sua promessa caso a entrega ocorra mesmo em Outubro.
Por outro lado há uma mistura inaceitável entre um acto de gestão da Junta de Freguesia, portanto, utilizando dinheiro público, e a actividade de um partido, procurando com isso beneficiar a candidatura do Partido Socialista.
É triste quando se faz política assim.
Dupond

As costas largas da PSP


«Mário Almeida, presidente da Câmara de Vila do Conde, assegurou ontem ao PÚBLICO que a transferência da fábrica [que explodiu em Canidelo] será abordada na revisão do Plano Director Municipal, afirmando que "a câmara está a favor da deslocalização". O autarca esclareceu também que a PSP é a única entidade responsável pela fiscalização de fábricas e entidades que trabalham com explosivos, afirmando que "a PSP não só licenciou a fábrica como entende que não há limitações à construção na envolvência"». No Público.
1-Confesso a minha ignorância-então a PSP tem poderes para passar "licenças"?
2-Pagava para saber o que é que a Senhora Comissária Jacinta, sempre tão próxima da autarquia, tem a dizer sobre este despejar de culpas em cima da sua instituição...
Dupont

Em tempo de guerra não se limpam armas

Ontem, à entrada do Estádio do Dragão, junto às filas de acesso, estavam a distribuir este folheto. Não se trata de propaganda política genérica, mas sim específica, concebida e destinada a um público muito concreto: os adeptos do FC Porto - repare-se que até a cor é azul e branca e não se vislumbra ponta de vermelho socialista...
Nós, em Vila do Conde, estamos fartinhos de ver as nossas instituições ao serviço de interesses partidários. Mas, confesso, nunca tinha visto semelhante desplante. Nem sei quem é o mais ridículo nesta história: se os dirigentes portistas, se Francisco Assis. Bem andou Rui Rio quando separou, claramente, as águas entre a autarquia e o clube, se bem que levasse essa distinção para foros de obsessão. Já Francisco Assis, por este caminho, parece querer ressuscitar os tempos gloriosos do mandato do nosso conterrâneo Fernando Gomes, quando nem se sabia quem é que mandava na autarquia - se ele, se Pinto da Costa.
Dupont

Volta, professor! Rápido!!

Dupont

«Goa ou O Guardião da Aurora», de Richard Zimmler

O último livro do americano-naturalizado-português, Richard Zimmler, leva-nos cinco séculos para trás, aquando da presença portuguesa em Goa.
A acção decorre em Goa, tendo como protagonistas os elementos de uma família de judeus, que tentam sobreviver perante uma Inquisição que nada respeita. Aliás, o livro está dedicado “aos muitos milhares de homens , mulheres e crianças que foram presos pela Inquisição na India”.
Acompanhamos, então, a família Zarco, composta pelo pai e dois filhos, Tiago e Sofia, todos eles judeus fugidos de Lisboa e que tiveram de renegar as suas práticas religiosas sob pena de acabarem mortos pela Igreja. É claro que, no seu interior e de forma disfarçada, cada um deles permaneceu firme às suas convicções religiosas. A história é contada em analépse, uma vez que grande parte dos acontecimentos nos são narrados por Tiago já na prisão, após uma denúncia de que ele praticaria o judaísmo. Assistimos, portanto, ao crescimento dos dois irmãos, aprendemos a ver a sua relação com o mundo, especialmente com a comunidade hindu, sempre feita na maior cordialidade. A narração vai sendo intercalada com os relatos da violência e intolerância dos cristãos, especialmente os clérigos ligados à Inquisição.
Como já se adivinha, Richard Zimmler, ele próprio um judeu, enquadra a sua história numa base de judeu-bom/cristão mau. Os judeus são tolerantes, enquanto só os cristãos o não serão... Mas dizer só isso seria claramente redutor. No desenvolver da trama, constataremos que nem tudo o que parece é e que há bondade e maldade de ambos os lados religiosos. Tiago mergulha e é mergulhado no mais negro que o ser humano pode causar a outro. É a certeza de que, posto sobre pressão, um homem pode voltar a ser a sua essência mais pura, a de animal.
Uma outra abordagem, mais subtil, é a que remete para o velho problema da conspiração. Quem denunciou quem? Será que se pode acreditar ou confiar no colega de cela? O que é que os inquisidores querem ouvir? Mesmo para quem não tenha lido o livro, é fácil perceber que este tipo de perguntas têm uma certa similitude com o que estamos habituados a ver nos filmes sobre o drama dos judeus na II Guerra Mundial. A dúvida fica: será que Zimmler quis comparar a Inquisição às tropas alemãs? Ou será que apenas quis que o leitor se apercebesse que a maldade humana, com as suas nefastas consequências, têm sempre resultados dramáticos?
“Goa ou O Guardião da Aurora” é daqueles livros que não só nos fazem pensar, como nos obrigam a apreciar o trabalho do escritor. Muito mais do que em “O Último Cabalista de Lisboa”, a outra obra que dele conhecemos, Zimmler esmera-se no que técnica de escrita diz respeito. As descrições são pormenorizadas, os relatos são minuciosos e a caracterização histórica está, claramente, fundamentada.
Não aconselharia a leitura de “Goa ou O Guardião da Aurora” a quem pretende uma leitura de entretenimento. A abordagem terá, necessariamente, de ser séria e a leitura atenta e metódica, caso contrário ficar-se-á com uma ideia geral da história, mas perder-se-á toda riqueza dos pormenores. E é aí, precisamente, que reside a luz desta aurora...
Dupont

Parabéns


Ao Vila do Conde Quasi-Diário.
Dupont

In Memoriam - O combatente


Que sorte teve Vila Nova de Gaia! Se Mário Almeida tivesse aceite e ganho as eleições, os desgraçados que lá vivem estavam, por esta altura, a queixar-se de falta de redes de água e de saneamento...
(Jornal de Vila do Conde, 8 de Agosto de 2001)
Dupont

quarta-feira, setembro 28, 2005

As aparências iludem



A mesma frase nos cartazes é a única coisa que os re-candidatos a Vila Nova de Gaia e Vila do Conde partilham. Em tudo o resto, as diferenças são abissais:
  • Mário Almeida chegou ao poder em 1981; Luís Filipe Menezes em 1997.
  • Mário Almeida não tem bandeiras azuis nas praias, nem elas são alvo de qualquer tratamento especial; Luís Filipe Menezes tem 15 quilómetros de praias ligadas por passadiços e ostenta 13 bandeiras azuis - tudo obra sua.
  • Mário Almeida ainda não fez uma única via nova estrutirante; Luís Filipe Menezes já vai em seis;
Podia continuar com outros indicadores, mas, o mais importante, é isto:
«Em 1998, o concelho [de Vila Nova de Gaia] não dispunha de qualquer ETAR em funcionamento.

Nos últimos seis anos foram construídas as ETAR de Gaia Litoral [capacidade para 300.000 habitantes], Febros [80.000], Crestuma [9.000], Areinho [30.000] e Lever [25.000], concluindo-se, assim, todo o sistema de drenagem, transporte e tratamento de águas residuais. [A população do concelho ronda os 250.000 habitantes]

A rede em exploração passou de 134 km em 1997, sem qualquer tratamento até ao ano 2000, para 1 097 km em 2005, com tratamento de todos os efluentes produzidos no território municipal.

A rede de saneamento, com apenas 28 671 ligações em 1997, é actualmente utilizada por 108 000 clientes, cobrindo 84% dos alojamentos existentes; estará em breve, com o apoio da população, instalada em todo o território concelhio.

Nos últimos sete anos, desde meados de 1998 até hoje, aplicaram-se 134,7 milhões de euros num total de 145,8 milhões de euros na execução do sistema de saneamento de Vila Nova de Gaia»
Está tudo aqui e aqui.
Se Vila do Conde é um "prazer de viver", o que é que será Gaia? O Paraíso?
Dupont

Coincidências e Bruce Chatwin


Às vezes acontece uma coisa assim: a edição de Outubro da ‘Volta ao Mundo’ traz reportagens sobre dois dos meus destinos de sonho: A Austrália, vermelha, de Ayers Rock, a América do Sul, granítica, da Patagónia. Só falta o Perú, dos Incas, e a canadiana Columbia Britânica.
A vontade de visitar Ayers Rock não tem explicação. Fascina-me aquela formação rochosa, estranha, quase uma anormalidade no meio do deserto. Já a Patagónia prende-se com a existência de uma beleza europeia no fim do continente americano. Luís Sepúlveda encantou-se com ela, mas quem ficou verdadeiramente maravilhado foi Bruce Chatwin, esse leiloeiro feito viajante-escritor, e que nos deixou um dos melhores livros de viagens de sempre, “Na Patagónia”. Por acaso, ou talvez não, é igualmente dele uma outra obra sobre a Austrália: “O Canto Nómada/Songlines”. É o relato de uma viagem ao mais profundo que a o país-continente tem, em especial à sua herança aborígene e às suas tradições orais, origem do título da obra.
São dois paraísos sobre a Terra, dois locais ainda quase intocados, perfeitos para aquele reencontro do homem consigo mesmo.
O artigo sobre a Patagónia tem uma vantagem suplementar: é assinado pelo Francisco José Viegas. Ah, quem me dera ter essa profissão!....
Dupont

A moda dos debates-conferências

Estamos em época de autárquicas e parece que, finalmente, começa a haver alguma animação. Mário Almeida já apareceu no Auditório Municipal, na passada quinta-feira. Hoje, é a vez de Santos Cruz, no mesmo espaço. No sábado, todos os candidatos estão convidados pelos Amigos de Mindelo, para comparecerem também no Auditório Municipal. E já confirmaram a sua presença, naquele que será, porventura, o único debate realizado em Vila do Conde entre todos os candidatos.
Dupont

In illo tempore-02 - O Polis




Setembro de 2005
As três primeiras imagens são do Jornal de Vila do Conde (ano 2000).
Dupont

Evidências


Este clube já não é o que era...
Dupont

terça-feira, setembro 27, 2005

Trapalhadas de fim de festa

Um leitor amigo acaba de nos enviar a cópia da acta da última reunião do executivo municipal, que ficou hoje disponível no circuito interno de mail da Câmara.
Ao ler o documento ficamos a saber que houve uma proposta que teve de ser retirada da discussão. Tratava-se da proposta de permuta de um terreno municipal junto à nova Escola Secundária D. Afonso Sanches com a casa onde viveu Antero de Quental. O problema é que a proposta mencionava que a área de construção do terreno que a Câmara entrega seria de 3.500,50 m2, quando na verdade a área efectiva era outra.
Segundo apuramos, o erro era de tal forma grosseiro, que Mário Almeida, depois de confrontado com as questões e dúvidas da oposição, não teve outra solução que não fosse a de suspender a discussão do assunto e prepará-lo convenientemente de forma a que possa ser votado na próxima reunião.
Estes pormenores mostram bem como está o funcionamento da Câmara. Os assuntos já vão às reuniões do executivo sem um estudo aprofundado, com elementos incorrectos e sem a devida preparação.
Para quem ainda tivesse dúvidas, este é um pequeno sinal da confusão que reina nos Paços do Município e entre os dirigentes socialistas.
Dupond

Começou a campanha eleitoral

"Assassinado a tiro candidato PSD à Junta de Freguesia de Vila Franca das Naves", no DD.
Dupont

Sites oficiais

Como não me parece que a CDU vá ter site oficial para as autárquicas, entendo que podemos, desde já, analisar as páginas web do PS, da coligação "Sentir Vila do Conde" e do Bloco de Esquerda.


O site de Mário Almeida abre com uma animação flash, com o cartaz que serviu de arranque à campanha, bem como a frase-chave "O Prazer de Viver". Clicando na imagem, acede-se à "Mensagem" do candidato a presidente, além do "currículo" e "portofolio", onde se pode ver o candidato em contacto com várias figuras públicas. Além desta página dedicada ao candidato, temos ainda outras: "Prazer de Viver", "Cumprimos", "Agenda", "Candidatos" e "Contactos". Os nomes já dizem tudo, mas destacamos "O Prazer de Viver" onde são disponibilizadas as imagens de campanha, em especial os outdoors, tudo com uma qualidade e resolução notáveis. A página "Cumprimos" não a consegui abrir, mas deverá ser a versão web do folheto que o PS já distribuiu. Aliás, o site parece estar concebido exclusivamente para Internet Explorer, descurando o Firefox, por exemplo. O resultado é que, usando este último browser, há ligações que não ficam visíveis.
No geral, o site está bem conseguido, até graficamente, tudo funcionando à volta dos tons de azul forte que caracterizam a candidatura. Falha imperdoável é a ausência de disponibilização do programa eleitoral.

Já o site de Santos Cruz opta pelo branco como cor de fundo, sem dúvida ligado a ideia de "transparência" que a sua candidatura propôs logo no primeiro outdoor e que também serve de porta de entrada ao site. Uma outra diferença é que esta página já existe há alguns meses, pelo que a quantidade de informação é muito superior à das outras duas. O site abre em forma de portal, com as últimas actividades do candidato. A partir daí, poder-se-á navegar para o curriculm e a mensagem em "Candidato", recortes dos jornais em "Imprensa", "Documentos", "Galeria" de imagens, "Contactos", o programa de candidatura em "Um Concelho, um Projecto" e "Links" vários.
Todo o site obedece firmemente a um linha de concepção, visível, por exemplo, no facto de todas as páginas terem um cabeçalho comum. A navegabilidade é fácil, mesmo quando se carregam imagens que, apesar de razoavelmente grandes, são de fácil e quase imediata visualização.


Finalmente, o site do Bloco de Esquerda, que opta, igualmente, pelo branco, jogando no contraste com o vermelho do símbolo do partido. A página de abertura contém o manifesto e a imagem dos candidatos à Presidência de Câmara e de Assembleia Municipal. A partir dali é possível navegar por "Notícias", "Comunicados", "Com. Social", "Autárquicas", "Agenda", "Documentos", "Parlamento" e "Campanhas/Apelos". Também aqui as notícias são apresentadas sob a forma de portal. Vale a pena uma leitura, já que foge ao "cinzentismo" das outras páginas - por exemplo:
"O 'Jornal (do PS) de Vila do Conde', na sua última edição de 8 de Setembro de 2005, traz um desmentido às notícias sobre a má qualidade das águas da nossa linha costeira a norte do rio Ave. Ataca, deselegantemente, a QUERCUS e afirma que apenas em Junho se verificou uma análise negativa - devido às obras da Polis (!!!). O PS local julga que os vilacondenses são ignorantes".
Quase apostava como foi Armando Herculano a escrever a peça... De qualquer forma, a página está bem conseguida, transmitindo quase tudo o que esta força política propõe. Destaque, ainda, para o facto de mostrarem a cara de quase todos os candidatos (são sempre os mesmos, mas estão lá...)
Em suma, a página mais bem conseguida, a nível de conteúdos e de apresentação, é a da Coligação, sem desprimor para a do PS, penalizada, talvez, pela opção cromática. A do Bloco leva a palma no que diz respeito a espontaneidade.
Dupont

Maxi-mínimos


Dupont

Dos nossos leitores


Caro O Vilacondense:
Sou morador no Edificio Vilamar na Av. Brasil, mais conhecido por "As Torres de Vila do Conde". Este prédio tem mais de 24 anos. Não importa discutir se deviam ou não, ter sido autorizados. O que me interessa é o seguinte:
Uma parte do complexo, de duas torres, nunca foi concluida. Inicialmente era para ser um complexo de duas torres, piscina e um pequeno conjunto de lojas. Certo é que nunca houve nada, além dos prédios. Perdão. Houve, mas não foi concluído!
Como se pode constatar pelas fotos que lhe envio o estado de degradação é imenso. As infiltrações nas caves e garagens são mais que muitas. Uma das caves das lojas tem água de cerca de 1 metro de altura. Poderia ser uma bela piscina interior.
Este cenário vai obrigar a obras de conservação, nas vigas estruturantes, no edificio em frente ao mar. Estas obras serão, naturalmente, uma maquiagem do problema. Sem obras no exterior das lojas e piscinas, mais ano menos ano, volta tudo ao mesmo.
O condominio já tentou de tudo para resolver o problema. Cartas aos proprietários, reuniões com a Câmara para esta obrigar a conclusão da obra (+- 25 anos), cartas e mais cartas. Resultados? Nenhuns.
As obras do Pólis na marginal estão a caminho do fim. Paredes meias com a marginal temos este cenário.


A piscina, com água da chuva, é um viveiro de moscas, mosquitos, ratos, etc.
Os vidros e portas das lojas partidos são um convite à utilização das mesmas para dormir, casa de banho, droga, etc. O acesso fácil a crianças é um perigo constante.
Não sei quem é que tem culpa nem me interessa. O que eu realmente queria é que os proprietários fossem obrigados a concluir as obras.
Eu gostava de ter PRAZER DE VIVER naquele local.
A ver vamos!
Miguel Larangeira
Dupont

In illo tempore-01

O Vilacondense inicia hoje um mergulho no passado. Não iremos muito longe - ficaremos dentro do ano que antecedeu as últimas autárquicas. A fonte exclusiva será o "Jornal de Vila do Conde". Para começar, o hotel. Amanhã, a apresentação do Polis. À mistura, algumas entrevistas de Mário Almeida. E, um dia destes, voltaremos a recordar outra pérola da nossa política autárquica: o caso da faixa no nó do IC1

In "Jornal de Vila do Conde", 7 de Setembro de 2000.
Dupont

«Heat» - Colder


Se os Kaiser Chefs acharam por bem revisitar os Madness, os Kasabian ressuscitar os Happy Mondays e os Coldplay mergulhar nos primeiros sons dos U2, porque não atacar a herança dos Joy Division e dos Suicide?
Colder, nome atrás do qual se esconde o parisiense Marc Nguyen Tan, apresenta, agora, o seu segundo álbum, após o fantástico “Again”. A tão propalada “crise do segundo álbum” parece que não afectou o projecto, dada a excelência deste punhado de canções. O estilo será qualquer coisa como electro-punk, com um cheirinho a minimalismo electrónico, tudo com um mínimo de palavras. A abrir, temos logo “Wrong Baby”, em que a evocação vocal é “Dream Baby Dream”, dos extintos Suicide, tema que Bruce Springsteen recuperou para a sua tournée acústica, o que, à partida, até parecia um contrasenso. Marc repete ad nauseumYou’re my wrong baby love/ Be my worring baby love tonight”, tendo com pano de fundo uma batida seca e um baixo fortíssimo, à la Joy Division. Segue-se “Losing Myself” e o belíssimo “The Winter’s Fileds”, com o regresso à solidão urbana em “Downtown” e “To the Music”, onde uma batida funk contrasta com o inferno interior, quantas vezes escondido atrás de uma aparência feliz: uma miúda dança na pista, mas “she’s all fucked up/but no one could tell”. A calma volta em “Your Face” e o disco acaba com uma clara “homenagem” aos Depeche Mode, com Burn Out”.
Ao contrário da cena depressiva dos anos 80, onde reinava a primeira onda de Manchester lado a lado com sonoridades pouco comuns como as que brotavam de editoras como a 4AD, este álbum não é melancólico e triste. Aliás, “Heat”, o título do trabalho, indica precisamente isso, que se pode interpretar uma série de temas negros, sem necessidade de alguém se vestir de preto...
Dupont

Brincadeira?


Infelizmente, não. (Aqui, noNY Times). Chama-se "Fulla" e é um sucesso no Médio Oriente. É curioso como condenam a boneca "Barbie", promovendo esta, mais de acordo com os "valores islâmicos" e, ao mesmo tempo, plagiam a embalagem...
Dupont

Exposição de Augusto Amaral

Cosmografia

No Casino da Póvoa de Varzim está patente uma exposição de pintura da autoria de Augusto Alberto Machado do Amaral. Nascido no Porto, cedo veio viver para Vila do Conde, onde reside. É diplomado pela Escola de Pintura e Artes Decorativas ARTIGRAÇA, do Porto. A exposição está aberta até sete de Outubro.
Quem quiser mais informações. é favor dirigir-se ao six, do Vila do Conde Quasi-Diário, que ele parece ter uma relação priveligiadíssima com o pintor...
Dupont

segunda-feira, setembro 26, 2005

IMI com taxa máxima

O Jornal de Notícias faz, hoje, eco da aprovação da taxa máxima do Imposto Municipal sobre Imóveis, ocorrido na última Assembleia Municipal. Todos os partidos votaram contra, com excepção do PS, que fez valer a sua maioria de deputados.
A aprovação desta taxa máxima é mais um atentado aos vilacondenses. Com efeito, a taxação máxima deveria ser apanágio de municípios onde a qualidade de vida dos seus habitantes fosse, efectivamente, boa. Estamos a falar, claro, de municípios com boas acessibilidades, dotados de equipamentos básicos como água e saneamento, entre outros itens. Vila do Conde, como é sabido, não tem nada disso. Então para quê onerar, ainda mais, os vilacondenses com este ónus, cuja motivação única é a obtenção de receitas para a autarquia?
Mais, se tomarmos em consideração a actualização de matrizes que está em curso por parte das finanças, fazendo com que alguns proprietários estejam a ser citados para pagar verdadeiras fortunas, como se pode compreender esta política da Câmara Municipal?
Só podemos aceitar isso com um qualificativo: INJUSTO.
Dupond

Fátima Felgueiras, uma perspectiva jurídica

"Serei eu a única?", no Controversa Maresia.
Dupont

«Código da Estrada não consegue reduzir a sinistralidade», diz o JN

Infelizmente, era previsível. Já está dito e redito que não é através da opressão e do medo que se consegue convencer ninguém. Não é ameaçando com multas e cassações de carta que se consegue dar aos portugueses a civilidade, urbanidade e educação que tanto precisam.
Nunca é demais lembrar que a existência da pena de morte em alguns dos estados norte-americanos em nada diminuiu a taxa de criminalidade...
Dupont

«Ou estão comigo, ou estão com o inimigo»

"O presidente do governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, tem vindo a advertir as populações de que não sairá dinheiro do orçamento da região para apoiar projectos municipais propostos por qualquer câmara ganha pela oposição". No Público.
Dupont


A Espanha tem um Campeão Mundial de Fórmula 1: Fernando Alonso. É em momentos como este que olho para Espanha e fico espantado com a qualidade de alguns dos seus atletas a nível desportivo. Quem não se lembra de Miguel Induráin, várias vezes vencedor do Tour, Carlos Moya a vencer torneios do Grand Slam, Angel Nieto lendário campeão no motociclismo, sem esquecer o campioníssimo Carlos Sainz no Mundial de Ralis? Isto sem esquecer os desportos colectivos, onde o Real Madrid é considerado o clube de futebol nº1 do Mundo, com o F.C. Barcelona a marcar pontos não só no futebol, mas também no andebol, no hóquei e até no Voleibol.
Nós por cá, a nível individual, lá vamos tendo um campeão por década, quase sempre no atletismo, o mesmo se passando no futebol.
Qué passa?
Dupont

O forrobodó das «Juntas de Freguesia-Agências de Viagens» continua


Aqui foram 800 turistas. Mas, nesta mesma edição do Jornal de Vila do Conde (22/09/05), ainda houve espaço para noticiar mais 200 também de Vila do Conde em passeio por Viana e Braga, cerca de 100 habitantes de Tougues que foram até Fátima e mais uma centena de idosos de Vilar que se passearam igualmente pelo Minho.
E não esquecer os de Árvore, Fajozes, Gião e Guilhabreu...
Dupont

Shopping Centers


O ‘Público’ proporcionou-me, ontem, um regresso ao passado. Nada de estranhar num companheiro diário… O tema era shopping centers, e o motivo para a extensa reportagem foi a passagem do 20º aniversário do Amoreiras, o primeiro shopping moderno.
Para mim, o primeiro de todos será sempre o Brasília (sim, sim, tem website!). Lembro-me perfeitamente do fascínio das escadas rolantes que só conhecia do El Corte Inglês, de Vigo. Mas o que achava mais piada, e ainda acho, era a possibilidade de, num dia de chuva, sair de casa, entrar no carro e sair no parque de estacionamento do shopping absolutamente enxuto. Na segunda parte da década de 70, tudo era novidade no Shopping Center Brasília. Ali existiam boas lojas, nada de franchisings e demais modernices contratuais, era fácil encontrar um pouco de tudo, até mesmo uma discoteca, a lendária Griffon’s (julgo que era assim que se escrevia) ou o mais “perigoso” Brasília Club.... Outra loja absolutamente inultrapassável era a petshop que exista no piso ‘-1’, por debaixo das escadas e que tinha sempre na montra uns cachorrinhos fantásticos.
As romarias eram enormes, encontrava-se gente de todo o lado e no Brasília, por essa altura, deve-se ter ganho a rodos. Depois, claro, começaram a aparecer as imitações, como o Dallas, enorme, feio e confuso, com a única vantagem, para mim, de lá ter dezenas de lojas dispostas a piratear jogos para o ZX Spectrum e para o Commodore Amiga. Oito ou nove anos depois, surgiria o Continente e o hábito de passear no Brasília foi-se esvaindo. A administração ainda dobrou o espaço, mas o declínio era, já irreversível.
O Brasília, hoje, é uma sombra do que um dia foi. Aliás, mete medo andar por lá. Desse tempo julgo que resistem a Bertand e a Elysée e uma ou outra loja de pronto-a-vestir, nomeadamente aquela que constitui um monumento à piroseira – a que fica logo a seguir à referida livraria, para quem entra pela Rotunda da Boavista. Hoje, os chineses tomaram conta daquilo e, para quem conheceu aquele espaço no seu apogeu, chega a ser confrangedor. Aliás, creio que o próprio cinema fechou…
Pelos vistos, até um shopping center replica o ciclo da vida.
Dupont

O nervosismo...

Na abertura do Ano Escolar, na Escola das Caxinas, apareceram uns elementos da...


in Jornal de Vila do Conde, 22 de Setembro de 2005.
Dupont

Em busca da notícia

"Chelsea não perde mas sofreu o primeiro golo". Público.
Dupont

E eu o Euromilhões!...

"José Sá Fernandes acredita que a sua candidatura tem hipóteses de ganhar a Câmara de Lisboa". DD.
Dupont

sábado, setembro 24, 2005

V. Exa. é muito fraquinho!

O Presidente da República Portuguesa que-ainda-mantém-cartão-de-militante-socialista, o ilustre Dr. Jorge Sampaio "recebe na próxima quarta-feira, os representantes dos Sindicato dos Magistrados do Ministério Público e a Associação Sindical dos Juízes, para debater a contestação do sector contra as medidas do Governo para a justiça”.
Recebe-os por alma de quem?
Está preocupado. Já não dorme com medo que fechem os tribunais.
Está com tef tef. Tem medo da contestação judicial.
Sua Exa. circula no mesmo meio, passeia nos salões forrados com tapeçaria e bebe chá da fina baixela, afinal é o mais alto magistrado da nação (embora nunca tenha percebido porquê, mas enfim).
Sua Exa. fala baixinho, segreda-lhes ao ouvido, afinal são um dos poderes da república.
Porque não recebe também o sindicatos dos funcionários judiciais? Não têm eles a dignidade dos juízes? São a plebe, não é assim?
Porque não recebe os representantes de todos os portugueses que viram as suas carreiras suspensas e as suas reformas adiadas? Porque não me recebe também?
Ó Sr. Presidente Sampaio, na minha modestíssima opinião, V. Exa. só tem feito asneira.
É o Presidente mais fraquinho que já tivemos. Sim, sim... Desde aquele 5 de Outubro!

Estou mesmo a ver o Contra Informação:

Oh Compaio! És um triste medricas, pá. Quando percebes que vai dar molho, Recebes todos, pá.
Eh pá, tens exercido a alta magistratura de Presidente da República em permanente ziguezague. És como uma enguia que se escapa por entre os dedos
.


Haddock

ELEIÇÕES

Esta seria uma boa notícia . Como foi boa a notícia da lei orgânica 3/2005 que acabou com os 30 dias de férias eleitorais reduzindo-as ao período da campanha.
Há muito que estranho que sejam os patrões a pagar os custos da democracia. Nunca compreendi muito bem como pode o Estado exigir aos empregadores que paguem aos seus empregados para não estarem no emprego!?
Os empresários Já pagam um 13º mês quando o ano só tem 12 meses. E um mês de férias... E os sábados, domingos e feriados...
Pagam a preguiça.
Talvez seja tempo de os empresários portugueses exigirem que seja o Estado a pagar os custos da democracia.
Só lhe ficava bem.
Haddock

Revista de Opinião Vilacondense

No suplemento de Vila do Conde d'O Primeiro de Janeiro escreveram:
- Abel Maia, "As férias... da Justiça"
- Alexabdre Raposo, "Balanço para uma nova fase"
- Fernando Reis, "Águas... eleitorais"
- Sérgio Vinagre, "Canil ou associação de animais?"
- António José Gonçalves, "Alemanha - Vitória com sabor a derrota?"
- Felicidade Ramos, " A vizinha"
António José Gonçalves aborda as recentes eleições na Alemanha, enquanto Abel Maia mostra a sua discordância com a medida do governo de José Sócrates em diminuir as férias judiciais. Sérgio Vinagre expõe algumas questões relativamente ao tratamento que os animais sofrem no canil municipal.
Fernando Reis denuncia uma curiosa jogada de Mário Almeida, em Árvore, da qual o autarca não se saiu nada bem. Alexandre Raposo, pelo seu lado, optou por fazer um resumo do mandato de deputado municipal. No final do texto, uma menção para a polémica intervenção de Armando Herculano, a que já aqui nos referímos.
Finalmente, olhemos para o texto de Felicidade Ramos que bem se poderia chamar "Janela Indiscreta", tal qual a filme que, nesse mesmo dia, recordámos. Quem acredite que não há coincidências, tem aqui um ponto a rebater. É claro que a diferença é abissal, até porque, no caso da jornalista vilacondense, falta saber quem é que observava e quem era observado... O certo é que, em ambos os casos, é o voyeurismo o catalisador da acção...
Dupont

sexta-feira, setembro 23, 2005

Já vai é tarde!

"Santana Lopes reformou-se pela Caixa Geral de Aposentações (CGA), no passado dia 8 e terá direito a receber, já em Outubro, uma pensão de 3.178,47 euros (cerca de 635 contos) por mês. (...) Dado que a lei anterior permitia que o tempo de serviço como autarca contasse a dobrar a partir do sexto ano de serviço, e como já foi deputado e eurodeputado, reforma-se agora com 49 anos". No JN.
Dupont

A não perder

"O país de Fátima", por Miguel Sousa Tavares. No Público e aqui. Excerto:

O povo, claro, acha que os políticos devem ser responsabilizados, sobretudo os "corruptos". Mas também acha, devido ao tal mecanismo de "proximidade democrática", de que o poder local é o exemplo máximo de méritos, que deve haver excepções. O "seu" político não é igual aos "outros" políticos. Se assim não fosse, não haveria prisão preventiva para ninguém, o que também não está certo.
(...)
E não adianta fingir que Felgueiras, Gondomar, Amarante e Oeiras são maus exemplos que não representam o todo. Simplesmente, não é verdade. Basta olhar para muitas das caras de candidatos que enxameiam o país, de norte a sul: nem é preciso chamar o Ministério Público, está lá tudo escrito, nas caras deles. Portugal inteiro está cheio de casos semelhantes e, pior do que isso, todos sentimos que o sentimento geral do país é a complacência, quando não a veneração perante eles.

Dupont

Sem comentários

"A juíza Ana Gabriela Freitas não deu como adquirido que Fátima Felgueiras fugiu, em Março de 2003, para o Brasil. Para a magistrada, que ontem decidiu libertar a candidata, o mandado de prisão preventiva emitido pelo Tribunal da Relação de Guimarães não foi executado porque a ex-autarca "encontrava-se ausente, alegadamente, para o Brasil". No DN.
Dupont

Desconcerto

"Recordo que Fátima Felgueiras já não é militante do PS". Francisco Assis,´Público, 22 de Setembro

"Fátima Felgueiras manteve contactos com o PS desde Maio", título do Público, 23 de Setembro.

Dupont

Memórias de outros tempos


Ao ler o inesquecível texto de Paulo Vidal afirmando a presença de Lúcio Ferreira na Assembleia Municipal, n'O Primeiro de Janeiro de hoje, lembrei-me desta imagem do Abrupto...
Dupont

Sim, Senhor Ministro


No próximo sábado, dia 24, a RTP Memória inicia a reposição da série humorística Yes, Minister/Sim, Senhor Ministro. Nas minhas preferências, apenas Seinfeld e All in the Family/Uma família às direitas (a predilecta do Dupont, como referiu aqui) ombreiam com “Sim, Senhor Ministro”.
É absolutamente imperdível rever Sir Humphrey Appleby (secretário permanente do Departamento de Assuntos Administriativos), Bernard Woolley (secretário principal do Departamento de Assuntos Administrativos) e Sir Arnold Robinson (secretário permanente do Governo) labutarem arduamente no interesse da nação, “apesar” de James Hacker (ministro dos Assuntos Administrativos).
Repare-se na actualidade deste entendimento de Sir Humphrey Appleby, a propósito da pretensão do Ministro de concretizar a “administração aberta”, uma das suas promessa eleitorais:
Perguntei ao jovem Bernard o que é que ele achava do nosso novo ministro. Bernard está contente. Eu também. Hacker engoliu todo um diário de um só gole e aparentemente leu todas as [seis] caixas de papelada que lhe dei durante o último fim-de-semana. Em pouco tempo estará adequadamente treinado para o nosso departamento.
Tudo o que temos de fazer é tirá-lo da liderança deste disparate da “administração aberta”, observei eu a Bernard. Bernard disse que pensava que nós éramos a favor da “administração aberta”. Espero não ter sobreavaliado o jovem Bernard. Expliquei-lhe que só chamávamos ao projecto “administração aberta” porque temos sempre alguma dificuldade com os títulos.
E a Lei da Relevância Inversa: Quanto menos se quer fazer acerca de um assunto, mais se deve ir falando nele. Bernard perguntou-nos: “0 que é que está mal em ter uma administração aberta?”. Mal podia acreditar nos meus ouvidos. As vezes pergunto-me se Bernard é mesmo um “cabeça no ar” ou se o deveríamos mandar para uma carreira na Comissão Para Os Túmulos Militares.
Arnold apontou, com grande clareza, que a "administração aberta" é uma contradição nos termos. Pode-se ser aberto - ou pode-se ter administração.
Bernard afirma que numa democracia os cidadãos têm o direito de saber. Nós explicámos-lhe que, de facto, eles têm é o direito a ser ignorantes. 0 conhecimento implica cumplicidade e culpa. A ignorância tem uma certa dignidade
”.
Não me admirava que, um dia destes, Sócrates, que partilha com Sir Humphrey a máxima de que “quanto menos se quer fazer acerca de um assunto, mais se deve ir falando nele”, viesse justificar as persistentes nomeações de amigos com a necessidade de expurgar dos cargos públicos os funcionários que obstaculizam a sua pretensa vontade reformista.
General Alcazar

Paulo Virtual e a AM

Escreveu Paulo Vidal no suplemento d'O Primeiro de Janeiro: "Lúcio Ferreira presidiu pela última vez, neste mandato, a mesa da Assembleia Municipal de Vila do Conde. O advogado socialista volta a ser candidato ao lugar nas eleições autárquicas do próximo dia 9 de Outubro".
Ou Paulo Vidal nem lá esteve ou, se esteve, passou o tempo a dormir. É que esta sessão da Assembleia Municipal foi presidida por Vítor Carvalho. Lúcio Ferreira nem lá pôs os pés, certamente ocupado com o seu lugar de deputado na Assembleia da República.
Dupont

Mimos na Assembleia Municipal

Anteontem à noite decorreu a última sessão da Assembleia Municipal. Eis duas petites histoires que me foram citadas de memória, por quem lá esteve:

a
) Afonso Ferreira, do PP, pede a palavra e, pela segunda vez, dirige-se ao Presidente da Câmara:
- Senhor Presidente da Câmara, gostaria de lhe perguntar ...
- Não me venha para aqui namorar, que eu não gosto dessas coisas- interrompe Mário Almeida.
Afonso Ferreira ficou sem fala e, passados uns longos segundos, lá responde:
- O senhor vai responder por isso no lugar próprio.
Mais para o fim, o deputado do PP lá acabou por dizer que perdoava, mas não esquecia.

b
) No período reservado ao público, Armando Herculano pediu a palavra, e quando chega ao palanque, vira-se para Jorge Laranja, acusando-o de ter dito qualquer coisa como "já me ia embora e aparece este". O candidato do BE à presidência da autarquia dirige-se a ele, em voz alta, perguntando se já tinha o dinheiro das senhas e se ele, Armando Herculano, não podia falar. E o berreiro prosseguiu, com AH a atacar tudo e todos e Jorge Laranja a acusá-lo de "mentiroso". Depois da intervenção de AH, pede a palavra Albano Loureiro que, também aos berros, considera que AH se portou indignamente para com a Assembleia Municipal e que devia, até, retirar a sua candidatura à presidência da Câmara Municipal.
Dupont

Programas

Segundo noticia o PJ, o PSD apresentou o seu programa. Sumário do jornal: "Oferecer manuais escolares aos alunos das EB1, tornar Vila do Conde Capital Nacional da Cultura em 2009, criar um parque empresarial ou devolver às pessoas as margens do rio Ave são alguns dos projectos que Santos Cruz se propõe a concretizar".
O site oficial disponibiliza-o para download. São oitenta e duas páginas (82!!!!) e, como é preciso algum tempo para o ler, para a semana falaremos dele, esperando que, nessa altura, já tenhamos os programas de todas as forças políticas.
Dupont

Dontecraiformi, Fatiiiiinha!


Dupont(Imsgem JN)

«Janela Indiscreta», de Alfred Hitchcock


A série “Alfred Hitchcock”, do ‘Público’, continua com “Janela Indiscreta/Rear Window”, o meu filme preferido do mestre do suspense. Não terá, certamente, a complexidade de “Vertigo/A Mulher que viveu duas vezes” ou a velocidade de “North by Northwest/Intriga Internacional”, mas tem uma soma de excelentes qualidades que fazem dele uma obra prima.
O argumento é simples: Jeffries (James Stewart), com uma perna partida, está preso em casa. Para passar o tempo, entretém-se a perscrutar a vida dos vizinhos do prédio em frente à sua janela das traseiras. Como companhia, além de lentes e binóculos, apenas conta com a namorada Lisa (Grace Kelly) e da enfermeira. Um dia, repara que a mulher de um dos vizinhos da frente havia desaparecido. Começa a desconfiar que ele a assassinara. E se, à partida, ninguém acreditava em Jeffries, mais tarde todos vão crer na sua história. O pior é que o assassino resolve “limpar” as testemunhas, onde se inclui, claro está, o próprio fotógrafo…
Uma das coisas que imediatamente ressalta à vista é a concepção do espaço. Quase tudo acontece em frente da janela de Jeffries ou no quarto dele. Poderia ser claustrofóbico, mas não é. Hitchcock movimenta a câmara e proporciona planos magníficos que nos fazem esquecer, completamente, da exiguidade do cenário. Aliás, nesse ano de 1954, pode dizer-se que o realizador se debruçou intensamente sobre o tema. Na verdade, pouco antes de iniciar a rodagem d’ “A Janela Indiscreta”, Hitchcock havia terminado “Dial M for Murder/Chamada para a Morte”, baseado numa peça teatral e onde a acção decorre, quase integralmente, dentro da sala de estar de um apartamento. Poder-se-á dizer que este filme foi o balão de ensaio para a obra-prima que viria a ser “Rear Window”…
É claro que aqui vamos encontrar muitas das marcas clássicas do realizador. A primeira, bastante óbvia, prende-se com o seu prazer em deixar o espectador na dúvida. Afinal, partilhando, literalmente, o ponto de vista do fotógrafo, o espectador acompanha a evolução do seu pensamento, mas sem perder o sentido crítico. Afinal, os factos observados são, ou não, suficientes para concluir que houve crime? Tudo isto poderia acabar a partir do momento em que se aceita a existência do assassinato, mas aí, Hitchcock baralha e volta a dar: será que Lisa, primeiro, e Jeffries, depois, irão conseguir fugir ao criminoso? Obviamente que um tal efeito só é possível porque a gizar toda a obra está um realizador excepcional, que concebe a obra num todo, incluindo o próprio cenário.
Na verdade, veja-se que tudo está construído numa base dialética: Jeffries/homem está imóvel, dentro do quarto, enquanto Lisa e a enfermeira/mulheres, entram e saem e o oposto acontece com no apartamento do assassino que entra e sai, enquanto a mulher, morta, está imóvel, como bem nota João Bénard da Costa, nas “Folhas da Cinemateca”. Mas haverá mais: o fotógrafo está dentro do quarto, enquanto a acção decorre fora dele; o “bem” está do lado de cá, enquanto o “mal” está do lado de lá. E é aqui, quando a fronteira entre estas “duas torres” é ultrapassada, que surgem os problemas. Bruce Springsteen cantava que “You can touch, but you better not touch”, o que em “Rear Window” constituiria uma regra de ouro: “olhar, mas não tocar”. E vemos que enquanto ela é respeitada, nada de mal acontece aos “nossos” personagens. Mas quando Grace Kelly, atrevida, sai do quarto, desce ao rés-do-chão e sobe ao prédio fronteiro, o suspense acelera, precisamente porque há uma clara violação do status quo. O mesmo acontece, em sentido inverso, quando o assassino vem ter com Jeffries.
Um outro ponto absolutamente fascinante no filme, é o voyeurismo do fotógrafo interpretado por James Stewart, e o prazer que ele disso retira. A princípio vemos que ele se limita a olhar, indiscriminadamente, para todas as janelas. Depois, com o vício a aumentar, começa a invadir a privacidade, ao saber o que é que o vizinho ‘A’ faz ou não faz, ou o que é que o casal no apartamento “Z” anda a fazer. E a dependência torna-se mais refinada quando toda a sua atenção se focaliza na janela do apartamento do pretenso assassino. Ou seja, Hitchcock não se limita a estruturar o crescendo da trama através da evolução da própria história, mas vai acentuando esse quase sufoco ao fazer convergir o prazer – o de Jeffries e o do espectador – num determinado apartamento.
Todo o filme é uma verdadeira lição de cinema, o que é suportado pelo realizador nessa obra imprescindível que é “Hitchcock diálogo com Truffaut” (D. Quixote). A certo ponto, o realizador francês arrisca que o grande desafio posto a Hitch foi técnico, pois tudo se passaria num único décor e a acção ser-nos-ia “fornecida” sempre olhos da mesma personagem. O realizador britânico conforma: “Absolutamente, pois tratava-se da possibilidade de fazer um filme puramente cinematográfico. Há o homem imóvel a olhar para fora. É o primeiro bocado do filme. O segundo bocado revela o que ele vê e o terceiro mostra a sua reacção. Isto representa a mais pura ideia cinematográfica que conhecemos”.
Quantos aos actores, Grace Kelly está lindíssima e sensual, como sempre, no seu penúltimo filme para Alfred Hitchcock. O seguinte seria “To Catch a Thief/Ladrão de Casaca”, filmado, em parte, na Riviera francesa, onde se situa o principado do Mónaco e o resto da históris já o sabemos… James Stewart, um dos maiores actores de sempre, tem aqui uma interpretação absolutamente memorável, onde partilha com o espectador todo o sofrimento de estar impotente para sair e para poder intervir.
“ A Janela Indiscreta” é um filme a que se volta com prazer. Já o devo ter visto uma meia-dúzia de vezes. E, a cada visualização, há sempre algo que se aprende, um pormenor que não se viu, uma linha de diálogo cujo alcance total não se apreendeu. Características que indiciam, claro está, a existência de uma obra-prima.
Dupont

quinta-feira, setembro 22, 2005

A síndrome "Casa da Música"



Como estamos todos recordados, a «Casa da Música», obra emblemática do «Porto 2001», não foi inaugurada nesse ano, mas apenas...em 2005. Entrou directamente para o anedotário nacional.
Em Vila do Conde, em Junho passado, Mário Almeida anunciou que a obra emblemática do seu mandato seria o "Centro de Memória". Passando ao lado do facto de, há quatro anos, o nosso Presidente da Câmara ter anunciado, urbi et orbi, que este iria ser "o Mandato das Freguesias", o certo é que esse mesmo mandato está prestes a acabar e continuo a ver obras a decorrer na Casa de S. Sebastião. E, para meu espanto, vejo, agora, umas faixas a anunciar que será possível, no próximo fim-de-semana, visitar a obra. Sim, é mesmo "ír ver as obras", porque o edifício ganhou um novo epíteto, como se pode ler: "Futuro Centro de Memória".
Ou seja, a grande obra emblemática deste mandato vai ser inaugurada noutro. E, se calhar, por outro, a julgar pelo que a Comunicação Social anda a dizer...
Dupont

À conversa com Luís Sepúlveda


Confesso que fiquei surpreendido ao ouvir, anteontem, Luís Sepúlveda na apresentação de “Os Piores Contos dos Irmãos Grimm”, a sua última obra, escrita em parceria com Mario Delgado Aparaín.
Sendo leitor compulsivo da tudo o que este extraordinário chileno escreve, jamais me passou pela cabeça que tivesse a mesma capacidade oratória de partilhar com uma audiência pequenas, mas maravilhosas histórias, arrebatando-a por completo.
E assim foi, na Bertrand, onde começou por relatar o porquê do livro, que nada tinha a ver com os famosos irmãos Grimm, conhecidos pelas suas histórias infantis. Este eram dois artistas “muy malos”, não de feitio, mas porque eram uma nulidade artística. Os dois eram payadores, algo como “cantadores ao desafio”, mas não sabiam versejar ou, sequer, rimar. Por isso, eram expulsos de quase todos os palcos, numa sucessão de trapalhadas com o seu quê de cómico.
Luís Sepúlveda revelou que descobriu a história quando consultava jornais online, um dos seus grandes prazeres. E por um periódico de Punta Arenas, na Patagónia, ficou a saber da existência deste curioso par. Procurou mais informação e acabou por descobri-la, começando a achar que já tinha material para avançar.
Surgiu, depois, Mario Delgado Aparain, escritor uruguaio, que Sepúlveda considera a sua alma gémea. “Pensava que estava nos antípodas quando, na verdade, estava ali perto, no Uruguai...” . Aliás, o escritor chileno confessa que partilharam tudo, “excepto as respectivas mulheres”. E, depois de uma pausa claramente encenada, remata “bem... quer dizer, que eu saiba, não é?". Pelo que relata, escrever o livro com Aparain foi das coisas mais divertidas que já realizou e não hesita em “roubar” uma frase ao amigo uruguaio: “nunca me diverti tanto com a roupa vestida...”.
Na opinião do autor de “O velho que lia Romances de Amor”, este livro é delirante, pela enorme carga de humor com que foi, deliberadamente, escrito. Sepúlveda vai deixando escapar algumas influências como o argentino Jorge Luis Borges ou o espanhol Valle Inclan, mas destaca, de forma clara, os Monthy Python. Na sua opinião, “A Vida de Brian” é uma das melhores interpretações de sempre da história do cinema.
Conhecendo o estilo do escritor, prenuncia-se que “Os Piores...” seja uma obra excepcional na carreira literária de Sepúlveda. E quando digo “excepcional” refiro-me, claro está, não só ao estilo escolhido como à qualidade intrínseca do livro. A ver vamos. Daqui a uns dias aqui voltaremos a “Os Piores Contos dos Irmãos Grim”.
Dupont