Abel Barbosa Maia
Vamos hoje dedicar algum tempo a Abel Maia, vice-presidente da Câmara Municipal de Vila do Conde. Na hora em que sai, sem glória, das suas funções autárquicas, O Vilacondense resolveu recordar o homem, o advogado e o político. Algo que, por acaso ou talvez não, ainda ninguém fez…

Abel Manuel Barbosa Maia nasceu a milhares de quilómetros de Vila do Conde, mais exactamente em Benguela, no dia 6 de Março de 1960. Por ali ficou até ao 4º ano, altura em que veio para a Princesa do Ave. Por cá concluiu o ensino secundário, ultrapassando, depois, o ano propedêutico e entrando na Universidade de Coimbra, no curso de Direito, onde se licencia em 1984 – “tirei o curso por convicção”, costuma dizer. É lá que conhece a, também, estudante de Direito Paula Maria Maia, com quem viria a casar. Coimbra é, para Abel Maia, uma boa memória: “deixou-me muitas saudades, sobretudo pela natureza e vida de estudante”, como refere aos amigos. Durante esse período teve o seu primeiro contacto com a política, quando pertenceu à direcção da Associação Académica e à Coordenação Nacional da mesma, integrando muitas das reivindicações estudantis desse tempo.
“Mens sana in corpore sano”, pensa Abel Maia, que não descura, nunca, o tratamento do corpo. O Mondego é palco do seu treino diário de canoagem, actividade que também praticaria sob o símbolo do Vila do Conde Kayak Clube. Muito propenso à prática desportiva, experimentou o futebol, no Rio Ave, onde jogou uma época como juvenil e duas como júnior. Entre os “grandes” do nosso futebol, é sobejamente conhecida a sua paixão pelo FC Porto.
Antes de assumir funções de relevo na Câmara Municipal, Abel Maia fez parte dos órgãos sociais de várias instituições vilacondenses, com destaque para os Bombeiros Voluntários, mas também o Kayak Clube e o Círculo Católico de Operários.
Após o estágio, abre escritório em 1987, chegando a partilhar o espaço com Albano Loureiro, seu colega e amigo, apesar de social-democrata e… benfiquista. A sua actividade é, nas suas palavras, de “clínico geral”, uma vez que aceita e trabalha com todo o tipo de casos, dos mais variados ramos do Direito. A advocacia é a sua paixão: “é uma actividade que exige uma capacidade de esforço muito grande. O mercado acarreta muitas dificuldades. Esta profissão é a mais livre que se possa imaginar, mas essa liberdade tem que ser justificada ao longo dos anos, sob pena de adulterarmos a sua natureza”.
A ‘Liberdade’!... Um valor fundamental para Abel Maia, um apaixonado pelo palco político, sempre vestido com as cores socialistas e munido com os princípios do P.S. A chegada ao partido da rosa dá-se na altura da famosa ruptura entre Duarte Leite de Sá e Mário Almeida. Abel Maia ficou ao lado do Presidente e deu-lhe uma ajuda inestimável e determinante na resolução do problema, fazendo com que Almeida saísse claramente vitorioso - uma história com contornos que os intervenientes jamais esquecerão... Como agradecimento, Almeida convida-o para a Assembleia Municipal, onde se destaca nos dois mandatos que lá esteve, ascendendo, depois, à vice-presidência da Câmara Municipal de Vila do Conde, nas eleições autárquicas de 1997, sendo reeleito em 2001. Agora, Mário Almeida deixou-o “cair”…
“Mens sana in corpore sano”, pensa Abel Maia, que não descura, nunca, o tratamento do corpo. O Mondego é palco do seu treino diário de canoagem, actividade que também praticaria sob o símbolo do Vila do Conde Kayak Clube. Muito propenso à prática desportiva, experimentou o futebol, no Rio Ave, onde jogou uma época como juvenil e duas como júnior. Entre os “grandes” do nosso futebol, é sobejamente conhecida a sua paixão pelo FC Porto.
Antes de assumir funções de relevo na Câmara Municipal, Abel Maia fez parte dos órgãos sociais de várias instituições vilacondenses, com destaque para os Bombeiros Voluntários, mas também o Kayak Clube e o Círculo Católico de Operários.
Após o estágio, abre escritório em 1987, chegando a partilhar o espaço com Albano Loureiro, seu colega e amigo, apesar de social-democrata e… benfiquista. A sua actividade é, nas suas palavras, de “clínico geral”, uma vez que aceita e trabalha com todo o tipo de casos, dos mais variados ramos do Direito. A advocacia é a sua paixão: “é uma actividade que exige uma capacidade de esforço muito grande. O mercado acarreta muitas dificuldades. Esta profissão é a mais livre que se possa imaginar, mas essa liberdade tem que ser justificada ao longo dos anos, sob pena de adulterarmos a sua natureza”.
A ‘Liberdade’!... Um valor fundamental para Abel Maia, um apaixonado pelo palco político, sempre vestido com as cores socialistas e munido com os princípios do P.S. A chegada ao partido da rosa dá-se na altura da famosa ruptura entre Duarte Leite de Sá e Mário Almeida. Abel Maia ficou ao lado do Presidente e deu-lhe uma ajuda inestimável e determinante na resolução do problema, fazendo com que Almeida saísse claramente vitorioso - uma história com contornos que os intervenientes jamais esquecerão... Como agradecimento, Almeida convida-o para a Assembleia Municipal, onde se destaca nos dois mandatos que lá esteve, ascendendo, depois, à vice-presidência da Câmara Municipal de Vila do Conde, nas eleições autárquicas de 1997, sendo reeleito em 2001. Agora, Mário Almeida deixou-o “cair”…

Ao longo deste período, foi exercendo o seu mandato com a dignidade que o cargo requeria. Actualmente, tinha sob a sua alçada os pelouros do Planeamento Urbanístico, Administração e Finanças, Obras Particulares, Movimento Associativo e Desporto. Era dos vereadores mais assíduos e dos mais trabalhadores, sendo unanimemente considerado o mais cordial de todos no tratamento com os munícipes. Aliás, Abel Maia sempre defendeu que “um contacto íntimo com as pessoas e o tempo que temos para viver enriquece-nos não só culturalmente, mas também do ponto de vista humano”.
Como é do conhecimento público, ser vereador, numa Câmara Municipal como a de Vila do Conde, liderada por alguém como o actual presidente, é muito complicado. Mário Almeida é a estrela e não há espaço ou luz para mais ninguém. E foi precisamente aqui que tudo começou a correr mal para Abel Maia. De “menino bonito” do primeiro mandato passou a último da fila, no segundo, trocado por António Caetano. A presença deste jovem quadro vindo directamente de uma empresa para a vereação, sem passar por qualquer instância política, levantou imensas dúvidas no seio do PS, mas a vontade imperial de Almeida manteve-se, apesar da evidente e pública rivalidade entre ambos. Depois, foi ver o lento e doloroso desfalecer da imagem de Abel. Aliás, há uns tempos, quando fizemos a contabilidade das fotografias que o “Jornal de Vila do Conde” e o “Terras do Ave” exibiam dos políticos locais, registámos, com surpresa, a quase total ausência de Abel Maia e a omnipresença de Caetano no socialista “JVC”. O desenlace estava à vista, não podia ser outra a porta, mas o ex-advogado não acreditou.
Sabemos que Abel Maia, a pouco tempo da saída das listas, ainda confiava na sua permanência, o que lhe era assegurado pelo próprio Mário Almeida. Mas a grande bofetada e a confirmação da sua perda de influência ficaram patentes com a chegada de Vítor Costa, colega de escola e amigo pessoal de…António Caetano. Aliás, o actual número cinco da lista de candidatos do PS era, até há um ou dois meses, quase desconhecido para Mário Almeida. E a desconfiança transformou-se em certeza quando o próprio Abel Maia reparou numa coisa inacreditável até há pouco: entre os elegíveis da lista à Câmara pelo PS, não podia haver lugar para si, uma vez que Abel Maia é militante e todos, ali, são… independentes. Consequentemente, ao virar as costas ao seu partido, Mário Almeida deixou de poder contar com o actual vice-presidente. O Presidente da Câmara chegou a oferecer-lhe o primeiro lugar da lista à Assembleia Municipal, mas Abel Maia não aceitou este gesto clássico de emprateleiramento. Para compor a imagem, Mário Almeida já anunciou que, caso vença, o irá convidar para…assessor!
O mais curioso de tudo é que, quando Abel Maia se abalançou para a Câmara, foram vários os amigos e colegas de profissão que o avisaram do perigo. Mas, cego pelo entusiasmo e perspectivando o lugar de Presidente, não quis saber. O então jovem advogado devia ter reparado que a prática de Mário Almeida é algo semelhante à de outros dirigentes possessivos, como, por exemplo, Pinto da Costa, ao não deixarem aquecer o lugar dos seus “número-dois”. Foi assim com Leite de Sá e com Saraiva Dias, com este a herdar o lugar de…assessor, ou seja, igualmente próximo do Presidente, mas na sua estrita dependência…
A amargura e a angústia que o ainda vice-presidente da Câmara sente e partilha com os mais íntimos, devem-se, precisamente, no seu entender, ao pouco ou nenhum respeito que tiveram pelo seu papel no passado longínquo, ao seu trabalho no presente e, claro, à sua pessoa. Ferido, Abel Maia confessa aos amigos que não está acabado para a política ou para o PS. Muito pelo contrário, sonha já com a conquista do poder no partido, assim que Almeida saia. Se tiver sorte, pode ser já em Outubro. Caso contrário, esperará pacientemente a sua vez. “Sou um homem de sete ofícios”, refere muitas vezes aos que o rodeiam. Ou seja, a advocacia, a construção civil ou outra actividade qualquer, ocupá-lo-ão até ao dia em que se sentar no lugar de Mário Almeida.
Dupont (Foto de Abel Maia: JVC)Como é do conhecimento público, ser vereador, numa Câmara Municipal como a de Vila do Conde, liderada por alguém como o actual presidente, é muito complicado. Mário Almeida é a estrela e não há espaço ou luz para mais ninguém. E foi precisamente aqui que tudo começou a correr mal para Abel Maia. De “menino bonito” do primeiro mandato passou a último da fila, no segundo, trocado por António Caetano. A presença deste jovem quadro vindo directamente de uma empresa para a vereação, sem passar por qualquer instância política, levantou imensas dúvidas no seio do PS, mas a vontade imperial de Almeida manteve-se, apesar da evidente e pública rivalidade entre ambos. Depois, foi ver o lento e doloroso desfalecer da imagem de Abel. Aliás, há uns tempos, quando fizemos a contabilidade das fotografias que o “Jornal de Vila do Conde” e o “Terras do Ave” exibiam dos políticos locais, registámos, com surpresa, a quase total ausência de Abel Maia e a omnipresença de Caetano no socialista “JVC”. O desenlace estava à vista, não podia ser outra a porta, mas o ex-advogado não acreditou.
Sabemos que Abel Maia, a pouco tempo da saída das listas, ainda confiava na sua permanência, o que lhe era assegurado pelo próprio Mário Almeida. Mas a grande bofetada e a confirmação da sua perda de influência ficaram patentes com a chegada de Vítor Costa, colega de escola e amigo pessoal de…António Caetano. Aliás, o actual número cinco da lista de candidatos do PS era, até há um ou dois meses, quase desconhecido para Mário Almeida. E a desconfiança transformou-se em certeza quando o próprio Abel Maia reparou numa coisa inacreditável até há pouco: entre os elegíveis da lista à Câmara pelo PS, não podia haver lugar para si, uma vez que Abel Maia é militante e todos, ali, são… independentes. Consequentemente, ao virar as costas ao seu partido, Mário Almeida deixou de poder contar com o actual vice-presidente. O Presidente da Câmara chegou a oferecer-lhe o primeiro lugar da lista à Assembleia Municipal, mas Abel Maia não aceitou este gesto clássico de emprateleiramento. Para compor a imagem, Mário Almeida já anunciou que, caso vença, o irá convidar para…assessor!
O mais curioso de tudo é que, quando Abel Maia se abalançou para a Câmara, foram vários os amigos e colegas de profissão que o avisaram do perigo. Mas, cego pelo entusiasmo e perspectivando o lugar de Presidente, não quis saber. O então jovem advogado devia ter reparado que a prática de Mário Almeida é algo semelhante à de outros dirigentes possessivos, como, por exemplo, Pinto da Costa, ao não deixarem aquecer o lugar dos seus “número-dois”. Foi assim com Leite de Sá e com Saraiva Dias, com este a herdar o lugar de…assessor, ou seja, igualmente próximo do Presidente, mas na sua estrita dependência…
A amargura e a angústia que o ainda vice-presidente da Câmara sente e partilha com os mais íntimos, devem-se, precisamente, no seu entender, ao pouco ou nenhum respeito que tiveram pelo seu papel no passado longínquo, ao seu trabalho no presente e, claro, à sua pessoa. Ferido, Abel Maia confessa aos amigos que não está acabado para a política ou para o PS. Muito pelo contrário, sonha já com a conquista do poder no partido, assim que Almeida saia. Se tiver sorte, pode ser já em Outubro. Caso contrário, esperará pacientemente a sua vez. “Sou um homem de sete ofícios”, refere muitas vezes aos que o rodeiam. Ou seja, a advocacia, a construção civil ou outra actividade qualquer, ocupá-lo-ão até ao dia em que se sentar no lugar de Mário Almeida.

por Alcazar, Dupond, Dupont e Haddock

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