sexta-feira, setembro 02, 2005

A velha Nova Orleães

Regressado de férias, surpreendem-me e entristecem-me as notícias relativas a Nova Orleães. O DD conta que “Trezentos soldados de regresso do Iraque, armados com espingardas de assalto M-16, entraram em Nova Orleães, com autorização para abrir fogo sobre os autores de pilhagens e «espero que o façam», afirmou a governadora do Louisiana, Kathleen Blanco. (…) Blanco indicou que 40.000 militares são necessários para restabelecer a ordem em Nova Orleães (…).”.
Há mais de dez anos, na companhia de amigos, percorri a Florida, o Alabama, o Mississipi e a Louisiana, voando, depois, para Nova York. Foram as melhores férias da minha vida, conhecendo parte de um país único, pleno de diversidade e continuamente surpreendente, capaz de demonstrar aos mais cépticos as virtudes do cosmopolitismo. Nessa ocasião, alguns dias, aliás memoráveis, foram dedicados a Nova Orleães, a capital do jazz, berço de intérpretes famosos como Louis Armstrong.

A música que escapava dos sucessivos cafés e clubes, os artistas de rua, o cheiro da gastronomia cajun e a descontraída e inebriante atmosfera festiva contagiaram-me imediatamente. Fiquei instalado num hotel situado na famosa Bourbon Street, localizada no coração do French Quarter, bairro central de Nova Orleães, onde “tudo” acontece, desde o início da tarde e até de madrugada, gerando muitas, mas aqui inconfessáveis, histórias desses dias que, invariavelmente, se iniciavam com pequenos-almoços tardios no Cafe Du Monde, famoso pelas beignets, uma especialidade local, surpreendentemente similar às… clarinhas de Fão.


As imagens de Nova Orleães devastada, alagada, saqueada e ocupada pelo exército americano com “autorização para abrir fogo” causam-me uma profunda impressão. Por estes dias o Cafe du Monde - que “está aberto 24 horas por dia, sete dias por semana. Apenas encerra no dia de Natal e no dia em que um furacão ocasional passa demasiado próximo de Nova Orleães” –, faz parte dessa improvável “zona de guerra” em que se transformou aquela cidade.
No dia em que lá voltar, cumprindo uma promessa antiga, espero reencontrar a velha Nova Orleães intacta e tão fascinante como no tempo em que a conheci.
General Alcazar