segunda-feira, outubro 31, 2005

Uma boa notícia para...

...os poveiros. Hoje, o Público informa que o Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) em vigor na Póvoa de Varzim vai baixar.

"O Imposto Municipal de Imóveis (IMI) vai diminuir na Póvoa de Varzim em virtude dos dois partidos com assento no executivo, PSD e PS, terem chegado a um consenso de que o tributo que veio substituir a taxa de contribuição autárquica está numa fasquia demasiado elevada.
(...) A descida do imposto "é inevitável", como reconheceu ao PÚBLICO o presidente da câmara, Macedo Vieira, sobretudo depois das suas próprias declarações públicas e da atitude dos três vereadores do PS. Disse o líder da autarquia: "Na reavaliação dos prédios acho que se foi bastante penalizador para as novas habitações. Passou-se do oito para 80. Até aqui, era o cidadão que defraudava o Estado e agora penso que é o Estado quem rouba o cidadão. Há famílias jovens, com poucos recursos, que estão a pagar um IMI com valores muito altos. Isto tem de ser revisto. Há critérios da lei nos quais não podemos mexer, mas podemos alterar o zonamento e a taxa, a qual compete à câmara fixar"."

Esta medida, da mais elementar justiça, era defendida em Vila do Conde no Programa Eleitoral da candidatura de Santos Cruz. Não consta que venha a ser seguida na nossa terra.
Dupond

Leonor de Espanha


Dupont

Sem comentários

No Público:

Com a decisão do Tribunal da Relação que anulou as escutas efectuadas a partir de alguns dos telefones usados por Fátima Felgueiras, o juiz -conselheiro Almeida Lopes vê praticamente afastada a ameaça de que lhe possa ser instaurado qualquer procedimento disciplinar. A certidão que em Abril foi remetida pela juíza de instrução ao Conselho Superior dos Tribunais Administrativos e Fiscais é quase integralmente composta por transcrições dessas escutas que não poderão agora ser usadas no processo, o qual se encontra ainda em fase de averiguações. Idênticas cópias tinham sido um ano antes remetidas pelo procurador da República de Guimarães ao procurador-geral da República, para instauração de processo-crime, mas que acabou por ser arquivado sem que fosse efectuada qualquer diligência. No despacho de arquivamento, o vice-procurador-geral da República, Agostinho Homem, considera que Almeida Lopes apenas "procurou ajudar a sua amiga dr.ª Fátima Felgueiras a resolver os problemas com a Justiça, valendo-se dos seus conhecimentos jurídicos e do seu relacionamento com algumas pessoas". Além de ordenar o "arquivamento do inquérito", o vice-procurador-geral manda também que o despacho seja notificado ao conselheiro Almeida Lopes, já que, "apesar de não ter sido constituído arguido, teve conhecimento pelos órgãos da comunicação social de que contra si corria o inquérito". Eis alguns dos trechos dessas escutas, gravadas entre Novembro do ano 2000 e Março de 2003.

Os conselhos
Almeida Lopes (AL) - Olha Fatinha, Fatinha!
Fátima Felgueiras (FF) - Agora sabes o que é extremamente positivo (...) é que não há nada, isto é, tem de se dizer claramente que na câmara municipal não há "saco azul", não há desvio de dinheiros, não há contratos fáceis, não há ilegalidades.
AL - Olha, Fatinha, "tás ai no gabinete?
FF - "Tou.
AL - "Tás sozinha.
FF - "Tou.
AL - Olha, vai tomando nota do que eu te vou dizer, porque a linguagem jurídica, a minha, é mais precisa, percebes, filha?
FF - Quem vai fazer isto vai ser o [advogado] Artur Marques, não vou ser eu. É o que mais faltava!
AL - Ehhh, é preciso, sabes porquê, olha, eu tenho aqui os elementos, nomeadamente a tua perda de mandato em 1990, em que o processo foi arquivado porque se dizia que tu não tinhas interesse por ti, não tinhas interesse pessoal e directo.
FF - Era, é.
AL - Pronto e a gente o que se deve dizer é o seguinte: não basta ter qualquer interesse, é preciso que seja um interesse directo, um interesse pessoal. Ora, no caso concreto, o interesse foi da pessoa que requereu o loteamento [do Bustelo].
FF - Exacto.
AL - E tu tens milhares de processos à frente, nem reparaste que pessoa era quando decidiste. Não reparaste, nem tinhas obrigação de reparar, porque não vinha em nome do teu marido.

Procurar dar um golpe de rins
FF - Esta semana fui ao tribunal... [por causa dumas coimas aplicadas pela câmara]
AL - Sim.
FF - Eu "tive lá a ser ouvida e a minha apreciação, ó pá, eu estava lá e olhava, pá, aquela juíza e dizia assim, como é que tu tens condições para decidir o que quer que seja em relação a isto, tu não percebes boi disto. (....)
AL - Ehh, Fatinha, ehh, queria pedir-te duas coisas.
FF - Então diz.
AL - Ehh, logo que tu tenhas conhecimento da decisão do secretário de Estado, tu diz-me imediatamente, sabes porquê? Porque se ele decidir mandar pò tribunal administrativo, eu quero ir imediatamente falar com o Ministério Público aqui do tribunal administrativo.
FF - Hum, hum.
AL - Porque eu vou procurar dar um golpe de rins, a ver se ainda consigo evitar (...) como foi da outra vez há dez anos, percebes?

Não conheces o juiz?
AL - Ontem já entreguei ao Zé [ex-marido, Sousa Oliveira] o recurso para ir pà relação.
FF - Hum, hum.
AL - Que Deus toque no coração do juiz que vai decidir isso.
FF - Mas tu não conheces o juiz, nem tens nenhuma relação? (...)
AL - É impossível, filha, a que porta é que eu vou bater, eu sei lá, filha, percebes?
FF - Podíamos falar ó...
AL -Vou-te dizer, péra aí, já não é a primeira vez que eu procurei fazer alguma coisa, dá ao contrário. Se tu pedes é porque és culpado, percebes?
FF - O que eu sei é que se eu, sendo tu um juiz, te fosse pedir o que quer que fosse, não tenho dúvida nenhuma que tu actuarias de me corresponder.
AL - Claro.
FF - E portanto quando as pessoas estão assim em termos dessa posição ou se conseguem colocar, acho que devem utilizá-la.

Dupont

Religião e turismo

Decorreu este fim-de-semana, em Braga, as Jornadas luso-galaicas de turismo cultural e religioso, promovidas por uma entidade, “Turel”, que congrega elementos das Igreja, do comércio e do turismo, refer o JN.
Pelos vistos, o esta sub-espécie de turismo está em crise na zona do Minho. O porto, por um lado, e Santiago de Compostela, por outro, são pólos de atracção que a região liderada por Braga não consegue contrariar. A solução passará por alargar a oferta, com outro tipo produtos e de áreas de influência.
Do lado espanhol, Xosé Santos Solla, director do Centro de Estudos Turísticos de Santiago de Compostela, adiantou que “O sul da Galiza e o norte de Portugal podem assumir-se como uma região interessante do ponto de vista do turismo termal, capaz de atrair turistas do norte da Europa” e recordou o enorme sucesso da iniciativa “Jacobeu” e do ressurgimento do secular “Caminho de Santiago”. Uma das conclusões é que o turismo religioso anda a par com o cultural e há que fixar o primeiro no segundo. Como exemplo, deram Fátima, com as procissões de velas nocturnas foram avançadas.
Com todo o respeito, mas Fátima é um exemplo que não serve para nada. Criada à volta da Cova da Iria, todo aquele emaranhado de prédios e um monumento ao pior que Portugal tem: construção anárquica, prédios arquitectonicamente inclassificáveis e kitsch por todo o lado. Mesmo a basílica não prima pela beleza e aquele enorme espaço, que acolhe os peregrinos a cada celebração das aparições, dá uma sensação de aridez desconcertante. Santiago de Compostela não é nada disto. Séculos de história depuraram a cidade, uma das mais belas que conheço. O granito, e não a mármore e o cimento, impera, olhando-nos de paredes que, se falassem, contariam boa parte da história deste Mundo… Por ali há bares, restaurantes, esplanadas e casas comerciais com bom gosto e isto, Fátima, não tem e, certamente, nunca terá. Mas a diferença vai mais longe. Enquanto Santiago acumula a religiosidade, serena e grandiosa, de milhões de almas que para ali foram passando ao longo dos séculos, Fátima oferece uma visão dolorosa do fenómeno religioso, com sacrifícios físicos, o aconselhamento de penitências brutais, sem esquecer a história, aterrorizante e aterrorizadora dos pastorinhos, onde, em pleno Século XX, crianças viram o Inferno com homens e mulheres a arder em enorme sofrimento...
Obviamente que é de aplaudir a criação de rotas culturais, por si ou associadas com elementos religiosos. O Minho e a Galiza são ricos em românico, por exemplo – uma outra ideia que por lá surgiu. Agora, ir buscar inspiração a Fátima é não perceber nada do assunto. São realidades diferentes, com visitantes distintos e experiências religiosas católicas quase opostas.
Deus nos livre de tal coisa!... E o que mais me irrita é que os espanhóis devem ter ido para casa a rirem-se...
Dupont

Neste mandato, ainda vou ver Rui Rio no camarote presidencial do Dragão...

"P-Mas continua a dar a garantia de que não vai haver construções no Parque da Cidade?

R-É uma garantia que tem de ser entendida de uma forma equilibrada e com bom-senso. Quando digo que não há construções, estou a referir-me à especulação imobiliária. Não estou a imaginar, mas pode haver um qualquer pormenor, um remate… Neste mandato tenho condições para tentar uma solução
".
Dupont

Ouça este homem, senhor Primeiro-Ministro, ouça este homem!

"O patrão do Grupo Sonae, Belmiro de Azevedo, disse este domingo discordar «totalmente» dos grandes projectos da Ota e do TGV, sugerindo em alternativa outros investimentos de menor dimensão, mas que considera serem mais úteis para o país (...) [sugerindo] que deveriam ser feitos investimentos, nomeadamente, na ligação entre Sines e Madrid através de comboios de mercadorias, e na divisão do tráfego aéreo pelo Porto, Alverca, Montijo, Beja e Faro, a fim de aliviar o aeroporto de Lisboa.". Dinheiro Digital.
Dupont

Jornalismo à moda do JN

Título do JN: "Medidas de Sócrates são corajosas"
versus
Excerto da entrevista:

"P-José Sócrates está a ser um primeiro-ministro corajoso?
R-Há medidas que, gostemos ou não delas, requerem coragem. Seria hipócrita se não o dissesse.

P-É um bom primeiro-ministro?
R-Não, isso também não. Pode ser-se corajoso e não se ser um bom primeiro-ministro. Na componente coragem, merece nota positiva. Muita gente concorda com muitas das medidas do Governo, discorda é daquelas que lhe tocam a si. Mas dou nota má à forma como o Governo geriu, quer a relação com a cidade do Porto, quer a questão orçamental. José Sócrates fez promessas na campanha que sabia não serem exequíveis. Não foi eleito para executar a política que agora propõe."
Dupont

E os americanos, vêm para cá ou não?

"A empresa portuguesa Inor e a japonesa Sakata Manufacturing fizeram um acordo de joint venture para criação de uma fábrica de materiais de construção em Famalicão", no Dinheiro Digital.
Cá por Vila do Conde continuamos à espera dos americanos...
Dupont

3.172,36 Euros...

...é a reforma de Macedo Vieira. No Trenguices.
Dupont

Mudaram as moscas, mas...

"Listas de espera aumentam: 234 mil aguardam cirurgia", no Diário Digital. Ninguém quer contratar o Dr. John Petri?
Dupont

Tomada de posse dos orgãos autárquicos


No sábado de manhã decorreu a tomada de posse dos elementos que integrarão a Assembleia Municipal e a Câmara Municipal. Figuras ilustres de fora do concelho estiveram Carlos Lage, presidente da Comissão de Coordenação da Região Norte e Guilherme Pinto, Presidente eleito da Câmara Municipal de Matosinhos. O destaque vai todo para o discurso do reempossado Presidente da Câmara.
Comentou quem lá esteve que se tratou de uma performance quase inédita da parte de Mário Almeida. Num pouco habitual estilo sereno e cordato, o Presidente anunciou que este seria o seu último mandato, tendo-se deixado emocionar um pouco. Não saberemos se é para cumprir, uma vez que já não é a primeira vez que o diz. De qualquer forma, não confirmou se o leva até ao fim - e convém não esquecer aquela história do acordo com Pacheco Ferreira, para este assumir o comando antes da passagem dos quatro anos. O tempo o dirá.
Quase toda a exposição do autarca versou sobre o binómio obra feita/obra a realizar, mas indicando o caminho a seguir neste quadriénio: ambiente e cultura. Esperemos que corra bem melhor do que a promessa de há quatro anos: "este vai ser o mandato das freguesias", como todos se recordarão...
De qualquer forma, o que já está em curso é para acabar e, para mais obra, fica-se à espera de uma melhor conjuntura, para que o "Hospital da Póvoa/Vila do Conde, a esquadra para uma secção da PSP, os quartéis para a GNR e as novas escolas E.B. 2,3 e Secundária [tenham] luz verde do Governo", como refere o JN.
Das várias tomadas de posse, destaque especial para a grande ovação que tiveram os novos Presidentes de Junta de Macieira e Vila Chã, freguesias conquistadas pelo PS à oposição.
Dupont (imagem: O Antivilacondense)

sexta-feira, outubro 28, 2005

Parabéns

Pelo segundo aniversário do excelente blog do Nuno Guerreiro.
Alcazar, Dupond, Dupont e Haddock

Aborto

(gestação às 12 semanas)

O Tribunal Constitucional anunciou ter julgado inconstitucional a proposta de convocação de novo referendo sobre a liberalização do aborto, eufemisticamente designada por “despenalização da interrupção voluntária da gravidez”.
É uma boa notícia para quem, como eu, entende que o primado da vida humana é absoluto e, por isto, a sua livre profanação é inaceitável. A não punição do aborto terapêutico, eugénico e ético e a consideração de circunstâncias atenuantes tal como se encontram previstas na lei actual traduz o consenso que foi possível obter na sociedade portuguesa, por isso indutor de paz social.
Considerando que no programa eleitoral do PS consta inequívocamente que “O PS assume o compromisso de suscitar um novo referendo sobre a despenalização da Interrupção Voluntária da Gravidez, nos termos anteriormente submetidos ao voto popular, e bater-se-á empenhadamente pela sua aprovação pelos portugueses”, espero que Sócrates e o PS, quando pelas 20 horas de hoje anunciarem o que irão fazer, cumpram o compromisso que assumiram e resistam à tentação de, uma vez mais, defraudarem os portugueses.
General Alcazar

Pelos jornais...

Uma mão cheia de bons artigos no Público, JN e no DN. João Miguel Tavares faz humor com a greve dos juizes em "Greve? Qual greve?"
"Professores em greve transtorna. Camionistas em greve chateia. Médicos em greve incomoda. Juízes em greve? Aborrece, com esforço, um ministro, e recebe a mais olímpica indiferença por parte do resto da população.A Justiça fazer greve em Portugal é uma redundância e, por isso, uma decisão pouco inteligente."
Eduardo Prado Coelho avança com uma solução pioneira: Soares desistir da corrida, em "E se desistisse?". Era bom para o País, digo eu, mas era melhor para Manuel Alegre, de quem o Eduardo 'PC' é confesso apoiante. (Como me lembro dos tempos em que ele estava fascinado por Cavaco Silva...).
José Manuel Fernandes, director do Público, em "Cavaco, Vintage 2005", interpreta aquilo que a maior parte dos portugueses vê em Cavaco Silva: alguém que pode recolocar o País no trilho certo, ajudando José Sócrates.
"Corresponde à promessa de que, não querendo governar, quer criar condições acrescidas de governabilidade. E dela se infere que se propõe colaborar com José Sócrates, ajudá-lo porventura. Aqui assume o risco quer de recusar a alguns dos seus apoiantes a esperança de que os levará de volta ao poder, quer de alimentar a discussão sobre os poderes do Presidente. Contudo, o que disse não soou a falso. Soou a Cavaco".
Esta confusão, que continua a imperar, é perigosa. Talvez seja uma estratégia sagaz, do ponto de vista eleitoral, mas é enganar a população. Ser Presidente da República e ser Primeiro-Ministro são coisas radicalmente diferentes, com poderes e deveres distintos. Caso o ex-Primeiro-Ministro vença, a população irá "cobrar-lhe" medidas e soluções que ele não poderá atender ou oferecer, correndo-se o risco de afundar ainda mais o País na depressão - caso tal ainda seja possível...
Brilhante é o artigo de Vasco Pulido Valente, "Zeitgeist". Raramente a palavra veneno foi tão saborosa:
"Basta que pense na extraordinária aparição de Alegre, que ninguém, nem o próprio Alegre, consegue explicar. Um homem que na prática acabou em 76 e que as sondagens põem à frente dele? Como? Porquê? Porque Alegre passa por poeta e escreve letras de fados; porque a pose, a ênfase, a mediocridade o fazem popular; porque ele pertence a um universo demótico, a uma "praça da canção", a que Soares não pertence e nunca pertenceu; e, sobretudo, porque uma parte do Partido Socialista e arredores, que detesta Sócrates, prefere perder com a "boa imagem" de apoiante de Alegre a perder com a "má imagem" que lhe daria o candidato oficial e convencional Soares".
Miguel Sousa Tavares encontra quatro "Bastas Razões de Vergonha" sobre Portugal. O melhor é sobre a greve dos juízes, nomeadamente sobre o "puxão de orelhas" que os Juizes do Tribunal da Relação de Guimarães deram aos seus colegas magistrados, a propósito do caso Fátima Felgueiras:
"Longe de mim - valha-me Deus! - contestar a lógica irrebatível dos argumentos dos senhores desembargadores de Guimarães. Limito-me a observar que uma magistratura passou aqui um atestado de incompetência à outra e que tudo se encaminha, uma vez mais, para que os formalismos processuais conduzam à denegação de justiça. Mas, juntas e unidas nas suas lamentações, ambas as magistraturas estão em greve contra o "desprestígio" que o Governo lança sobre elas"
Ontem, no JN, Francisco José Viegas, em "O Sebastianismo", atirava contra Mário Soares, pela argumentação utilizada:
"O dr. Soares não pode, com honestidade, repetir a afirmação de que, se não fosse dar-se o caso de Portugal ser membro da União Europeia, os militares já tinham organizado um golpe. Foi uma brincadeira, todos acreditam. Mas a vida não está para brincadeiras, por muito que se possa apreciar a herança que o ex-presidente da República deixou ao fim de dois mandatos e de uma vida dedicada à política. Sinceramente, quase ninguém sucumbe a ameaças desse género. A dramatização, a invocação permanente da ameaça do fascismo, a má-fé contra Cavaco e a sua demonização, as acusações de "saudosistas de Salazar", são argumentos de sociedade recreativa e não merecem ser usados por alguém com a sua biografia."
Dupont

Revista de Opinião Vilacondense

No Primeiro de Janeiro escreveram:
- António José Gonçalves, "Qual PIDDAC?"
- Afonso Ferreira, "“Não há duas sem três”"
- Miguel Paiva, " Fábrica de Mindelo"
- Inês Ferreira, "A democracia continua de luto em Vila do Conde!"
António José Gonçalves, finalmente, consegue escrever um artigo sobre Vila do Conde. O tema é o PIDDAC e, claro, como qualquer pessoa minimamente razoável, entra em rota de colisão com a voz socialista local ao recordar promessas antigas:
"A construção da Esquadra da PSP Vila do Conde/Póvoa de Varzim, proposta do Governo do Partido Socialista, do ex-ministro vila-condense Fernando Gomes, continua por construir, mas a placa continua no local. Necessárias são também a construção das escolas EB 2/3 e uma Secundaria no Sul do nosso concelho."
O líder do CDS-PP, Afonso Ferreira, alinha pelo mesmo diapasão:
"(...) penso que é justo questionarmo-nos, por exemplo, sobre o novo hospital que o PS prometeu este ano duas vezes aos vila-condenses (campanha para as eleições legislativas e autárquicas), os quartéis da GNR a instalar pelo concelho, o de Modivas era para abrir em Setembro com 30 homens, lembram-se? A nova ponte de Retorta, que já estava apalavrada com o secretário de Estado da tutela, o novo posto da PSP que está prometido há dez anos"
Nós já aqui abordámos o tema, recordando a mudança de discurso de Mário Almeida em relação ao PIDDAC, consoante o Governo é da sua cor política ou não. Agora, tudo são inevitabilidades, quando, no passado, eram incapacidades.... Ou me engano muito ou vai ser fácil ser oposição em Vila do Conde nos próximos tempos...
Miguel Paiva vem recordar uma das novidades avançadas por Mário Almeida durante a campanha, para concluir que não passou de um espectro eleitoralista:
"O edifício onde outrora funcionou a Fábrica de Mindelo acabou de ser vendido há alguns dias. Ao contrário do que apontavam todas as previsões de quem acredita na palavra do Sr. presidente da Câmara Municipal de Vila do Conde, o comprador foi um grupo financeiro português e não uma multinacional americana."
Então, Dr. Miguel Paiva, você não sabe que os americanos iam instalar uma empresa de tecnologia avançadíssima mas envergonharam-se quando souberam que os chineses estavam instalados, ali mesmo ao lado da Fábrica de Mindelo, com tecnologia ainda mais avançada?...
Finalmente, Inês Ferreira, no seu estilo truculento,
"(...)pensando bem, se fosse verdade a tremenda votação, a explicação é fácil. Em conversa com um vereador jurássico, perguntei-lhe porque não há mais jardins em Vila do Conde e ele respondeu que não é possível porque o povo rouba as flores; logo, o povo é ladrão! No chamado Parque da Cidade não se pode merendar porque o povo é porco! Um povo porco e ladrão, além de mal-educado, jamais de identificaria com um homem honesto, limpo, bem apessoado, bem falante, enfim, tão civilizado como o candidato da oposição"
Dupont

Mudam-se as moscas...

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Lembram-se daquele governo que ia fazer aprovar legislação sobre a colecta mínima e bastou o Marcelo R. Sousa colocar uns cartazes com a frase "Pena máxima para a colecta mínima" para que a legislação ficasse na gaveta?
E dos sucessivos ministros que, no final de Agosto, iam para a TV jurar a pés juntos que em Barrancos não haveria touros de morte?
E daquele que se juntou a uma manif contra ele próprio?
Estava a estranhar que esse governo-de-faz-de-conta tivesse desaparecido. Assim, de repente...
Vê-se agora que, afinal, as moscas estão lá todas....
Vejam como o socialista Osvaldo Castro resolveu o problema do corte das mordomias dos autarcas: enviou a lei
...a Jorge Sampaio a 4 de Outubro e contendo uma disposição que estipula que «a presente lei entra em vigor no primeiro dia do mês seguinte ao da sua publicação». Ou seja, estava garantido que os autarcas reeleitos a 9 de Outubro podiam dormir descansados. A nova lei só teria efeitos a partir de 1 de Novembro. Os vinte dias que o Parlamento e o PS retiveram a lei, antes de a enviar para a Presidência, tinham sido cirurgicamente providenciais.
Se dúvidas houvesse...
Haddock

No jardim do bem e do mal

Humilhação. Se há palavra que sintetiza o efeito devastador da vergonha sobre a dignidade humana é, concerteza, “humilhação”.
Vem isto a propósito da visita que Rui Rio fez ao bairro de Aldoar, onde havia sido insultado e apedrejado. Por entre as pessoas que o receberam estava uma jovem mãe, com quatro filhos, a viver num T2, que reclama uma casa maior. Foi uma das que berrou contra o presidente da Câmara aquando da visita na campanha eleitoral. Desta vez, optou por estratégia diferente e dirigiu-se à vereadora da Habitação que lhe disse, em tom ríspido (segundo o Público): “Primeiro, a senhora pede desculpas pelos insultos. Depois podemos falar”. Surpreendida, a mulher respondeu “Peço desculpa”. E desatou a chorar, explicando aos jornalistas: “[eu] era uma das pessoas que estavam revoltadas, no meio da confusão. A doutora deve ter-me fixado e agora humilhou-me em frente das televisões”. E lá continuou a chorar, com um ar algo perdido, à passagem da corte autárquica.
A verdade é que a senhora não teve capacidade para discernir o seu comportamento. Ela humilhou-se, sim, quando insultou Rui Rio. Mas alcançou a redenção quando pediu desculpas por o ter feito. A vereadora que, claro, o Público pinta com cores negras, teve uma atitude perfeitamente digna, ao chamar à razão aquela munícipe. Mas a resposta que obteve foi igualmente digna. O que a vereadora deveria ter feito era parado e escutá-la, porque ali estava alguém que havia reconhecido o seu erro. E, aí, perdeu parte da razão.
Num curto espaço de alguns segundos, uma lição de vida: a razão não tem proprietários, nem escolhe lados; são os comportamentos de cada um que revelam onde é que ela mora.
Dupont

DNa e Grande Reportagem - o fim?

DNa e Grande Reportagem
Os jornais anunciam o fim de dois dos melhores suplementos dos diários nacionais: o DNa e a Grande Reportagem. A Segunda sai com o Jornal de Notícias e com o Diário de Notícias, enquanto a primeira é um exclusivo daquele diário lisboeta.
Se isto se vier a confirmar, é uma enorme perda para a imprensa portuguesa. O DNa,. Dirigido por Pedro Rolo Duarte é um oásis no panorama jornalístico português. Com cronistas irreverentes e divertidos, com reportagens fantásticas e com entrevistas exclusivas e únicas, aquele suplemento conseguiu conquistas uma faixa de mercado muito própria, constituída por gente urbana, sofisticada e culturalmente informada. Os editoriais do director já eram um must para quem quisesse saber as tendências da moda quanto a livros, revistas, música, restaurantes e um sem número de lugares e objectos de eleição. Há uns meses, saia “costas com costas” com o DNMúsica, o que se revelou uma ideia acertadíssima ao conciliar duas áreas temáticas próximas.
Já a Grande Reportagem era um produto diferente. Depois de um início mensal, de uma ou outra interrupção de edição, a revista havia passado a semanal, integrada nos diários do universo Lusomundo. A sua história é comprida, tendo sido dirigida por nomes como Barata-Feyo, Miguel Sousa Tavares, Francisco José Viegas e Joaquim Vieira, este nos tempos mais recentes.
Desde a passagem a semanal que a revista se mostrava algo incaracterística, tendo perdido muito do vigor que tinha enquanto mensal. As “grandes reportagens” já eram escassas, especialmente as feitas “em casa”, optando-se por recorrer, demasiadas vezes, a trabalho de congéneres internacionais. No entanto, continuava a ser uma das mais agradáveis leituras de fim-de-semana, batendo claramente a confusa e sempre desnorteada “Notícias Magazine”, do mesmo grupo editorial.
Infelizmente, o DN vê-se em dificuldades para manter a tiragem e, claro, com a chegada de um novo proprietário cujo objectivo é o lucro, corta-se no que está a mais. Paciência, é a lei do Mercado. Houvesse mais gente interessada e, certamente, este post não teria sido escrito...
Dupont

«Sabotagem/Saboteur», de Alfred Hitchcock

A colecção Público/Alfred Hitchcock avança, desta vez propondo “Sabotagem”, um filme de 1942, mas que é um dos meus favoritos. Raras vezes, como aqui, Hitchcock conseguiu conciliar momentos de humor e de suspense, chegando ao ponto de os oferecer, pasme-se, em simultâneo.
Os EUA encontram-se num hipotético esforço de guerra e Barry Kane (Robert Cummings) é um dos operário de uma fábrica de aviões. Após um encontro casual com um tal de Frank Fry (Norman Lloyd), Kane e um seu amigo acorrem a um incêndio que deflagrara nas instalações. O amigo morre e Kane surge como principal suspeito do acto de sabotagem da fábrica. Ao saber disto põe-se em fuga, dirigindo-se à morada que ele tinha visto num envelope de Fry, de quem Kane já acredita ser o sabotador. Uma vez aí constata que existe uma enorme conspiração, envolvendo pessoas da alta sociedade norte-americana. Novamente em fuga, acaba por conquistar a ajuda de Pat (Priscilla Lane), uma modelo com a cara espalhada em outdoors por todo o país. Com a ajuda de um circo em viagem, chegam ao destino onde Fry havia comunicado que estaria, mas não o encontram. Kane opta por fazer-se passar pelo sabotador e entra na organização, acabando por ser descoberto em Nova Iorque, para onde Pat, raptada, havia sido levada. Após mais um atentado perpetrado por Fry, Kane persegue-o até à Estátua da Liberdade, onde a trama tem o seu desenlace.
O tema central de “Sabotagem é um tema clássico em Hitchcok: o do falso culpado. Kane é acusado de ser o sabotador e tudo tenta para que a verdade apareça. É claro que só ele e os espectadores é que sabem da sua inocência, pelo que, com esta simples artimanha narrativa, o realizador coloca-nos ao lado da personagem principal. E é aí que permanecemos até ao fim, numa perspectiva subjectiva (quem é e onde está o sabotador) e não objectiva (o que é que vai ser sabotado). O tradutor português não apreciou esta subtileza e optou por chamar ao filme “Sabotagem”, perdendo a riqueza do original, “Sabotador”.
Mas, já que estamos numa questão lexical, o que é “sabotar”? Um qualquer dicionário explicará que se trata de danificar, voluntariamente, instrumentos, máquinas, oficinas, ou equipamentos, com vista a determinado fim. E, na verdade, é isso que Fry faz e que Kane é acusado de fazer. Mas Hitchcock, genialmente, brinca com o conceito de sabotagem. Quando Kane, cercado, resolve estragar a festa da alta-sociedade, não a está a sabotar? E quando resolve pôr um fósforo junto ao detector de incêndios, isso não é um acto de sabotagem, se bem com boas intenções? Mas, o golpe de génio, a ironia sublime, acontece no circo ambulante, quando Kane e a companheira se refugiam num vagão, que se revela ser o dos horrores: a mulher com barba, o anão, o homem-esqueleto, as gémeas siameses, a mulher-gorda. Estes seres humanos, deformados, tiveram, ou não, a sua genética sabotada, para serem como são?
Mas a ironia, quase sádica, vai ainda mais longe. Sempre que está em fuga, Kane cruza-se com outdoors onde Pat anuncia um qualquer produto. Só que a frase publicitária tem sempre um nexo com o que está a decorrer no filme. Por exemplo, quando Kane apanha boleia de um camionista, vê um anúncio em que se diz “Já olhaste para trás?” e ele olha e o que é vê? A polícia... Outro momento semelhante ocorre quando Fry se refugia num cinema, no momento em que está a decorrer uma cena de tiros. A confusão entre os disparos no écran e na realidade, bem como as linhas de diálogo do filme com os acontecimentos reais é perfeitamente hilariante, chegando Hitchcock ao requinte de fazer um dos espectadores tombar com uma bala real e a sua mulher pensar que ele está a gozar com o disparo feito na tela...


Um aspecto final que não pode ser esquecido é o sentido político do filme. Estreado em 1942, “Sabotagem” tem uma óbvia mensagem nacionalista, promovendo os valores americanos e dos seus (futuros) aliados. Nesse sentido, dois momentos se destacam: o discurso de Kane ao chefe dos conspiradores, sobre a virtude dos valores em que acredita; e o de Pat a Fry, sobre o significado da Estátua da Liberdade. Aliás, o facto de Hitchcock ter escolhido a famosa estátua como cenário para encerrar o filme só poderá ser visto como intencional, deixando claro que a Liberdade vence sempre os seus inimigos.
Dupont

quinta-feira, outubro 27, 2005

Desgoverno: A confissão.


O Ministro da Justiça, António Costa, confessou ontem aquilo que já suspeitávamos: o Governo português não sabe quantos juízes e funcionários judiciais fizeram greve.
Alberto Costa começou por dizer que desconhece os números exactos da greve, adiantando que, só no final do mês, quando for feito o processamento dos vencimentos dos magistrados e dos funcionários judiciais, é que poderá avançar com dados.
E como não sabem, não me admirava que, tal como os médicos aqui há uns anos, alguns tenham assinado o livro de ponto e depois feito greve. Afinal ninguém controla os juízes (na parte que diz respeito ao vínculo à funcção pública, claro está).
Para ser mais exacto, acho que nem António Costa nem nenhum membro do governo sabe quantos funcionários públicos tutela.
Não há ninguém no país (pessoa ou instituição) que saiba o número exacto de funcionários públicos, o que é pena.
Sabe-se no fim do mês quanto se paga de vencimentos. Mas não sei se alguém sabe a quantos e a quem é que se paga.
É muito triste um ministro vir dizer à televisão que não sabe quantos funcionários do seu ministério fizeram greve ou estão a faltar. Só no fim do mês. Nós esperamos, Sr. Ministro António Costa.
Tirem-me deste filme.
Haddock

A propósito do post anterior...


Aqui está o primeiro poster de "Munique", a próxima proposta de Steven Spielberg. Conta a história da vingança israelita contra os que gizaram e efectuaram o ataque terrorista contra os atletas israelitas, nas Olímpíadas de Munique. Foi em 1972. Há 33 anos, portanto...
De vez em quando, no canal História, passa um documentário sobre este acontecimento, não esquecendo o inocente que os israelitas mataram, por engano, num país nórdico. A preserverança, a obstinação e a eficácia da Mossad são verdadeiramente assombrosas.
Dupont (Via Hollywood)

Brincar com o fogo

O presidente do Irão, Mahmoud Ahmadinejad, declarou, ontem, que "Israel deve ser riscado do mapa". A mensagem é simples, clara e com destinatário: os terroristas árabes, em especial os palestinianos.
Quando foi eleito, Ahmadinejad levantou sérias reservas da parte dos países ocidentais. Esses receios, agora, confirmam-se. É que muito mais do que incitar a uma espécie de "Guerra Santa", o que o Presidente iraniano está a fazer não é mais do que colocar uma acha na fogueira de uma guerra que se arrasta há séculos.
Tendo em atenção as acções, recentes, de Israel contra o Hammas, não será de estranhar que, um dia destes, Ahmadinejad acorde debaixo dos escombros do seu palácio - isto se, efectivamente, acordar... Mas há algo de incrivelmente suspeito nesta história. O presidente iraniano é tido como um ortodoxo - tal qual os bombistas suicidas. Daí que seja legítimo perguntar: até que ponto esta afirmação quase suicida não é intencional, no sentido de provocar a ira de Israel, e Ahmadinejad tornar-se num mártir cuja morte ainda venha dar ainda mais força ao movimento anti-semita?
Dupont

Taças

O Rio Ave foi eliminado, para grande tristeza nossa. O FC Porto lá garantiu a passagem, recorrendo à "lei do menor esforço". Já o Benfica regressou aos seus melhores dias: embora não mereça discussão a passagem à eliminatória seguinte, o certo é que beneficiou de uma arbitragem perfeitamente miserável e tendenciosa. E não foi só na falta de Simão, no segundo golo, com o árbitro a dois passos - foi toda uma dualidade de critérios que influencio o sentido do jogo.
Entretanto, em Inglaterra, Mourinho provou o sabor amargo da derrota, ao ser eliminado da Carling Cup, o primeiro troféu que havia conquistado por aquelas bandas... Quem é que vai pagar a factura, no próximo fim-de-semana? O Blackburn Rovers...
Dupont

Ainda Rosa Parks


Por John Sherffius e em atenção este nosso post.
Dupont

Rubens



Peter Paul Rubens é um dos mais conhecidos pintores na História da Arte. O seu estilo é inconfundível, resultado do cruzamento do seu passado flamengo com a aprendizagem clássica que teve em Itália, sem esquecer a influência de pintores como Ticiano e Caravaggio e da escola barroca espanhola. Os seus quadros são conhecidos pela cor e energia que transmitem, quer se trate de um tema de cariz religioso ou pagão. O corpo humano, na sua nudez, é presença assídua nas suas telas, com destaque para o feminino, sempre voluptuoso, rosado e carnudo.
Por toda a sua obra transparece uma ideia de horror à guerra, fruto, talvez, das suas experiências pessoais e religiosas. É sempre de recordar que nasceu protestante, mas devido a perseguições religiosas acabou por se converter ao catolicismo, tendo vivido nas grandes cortes católicas da Europa do seu tempo. E, na verdade, as suas telas eram quase sempre simbólicas e representativas de ideais cristãos, de paz e harmonia.
Bem, isto era o que eu pensava até ler o que é que se passa com a exposição “Rubens - A Master in the Making”, que ontem foi inaugurada na National Gallery em Londres.
Pelos vistos, a apreciação dos trabalhos produzidos pelo pintor durante a primeira parte da sua vida não é minimamente consentânea com a visão enciclopédica que se tem de Rubens. Com efeito, o horror à guerra que ele expôs nos seus trabalhos poderá não ter a leitura que acima fizemos, mas uma outra: de que ele tinha prazer em reproduzir a temática da violência, por puro sadismo. O Times chama-lhe “o Quentin Tarantino do século XVIII”, não só porque mostrava cenas de sexo e violência, como também pelo facto de as apresentar, sempre, de forma racionalizada e elaborada. O grande exemplo é o quadro “O Massacre dos Inocentes”, na imagem, um tema já de si…delicado. Mas Rubens mostra-o na sua crueza, num exercício de violência visual tremendo. Afinal, quem é que tem coragem de exibir cadáveres de bebés? Nem a TVI!... Mas o pintor coloca na tela mais de uma dezena deles, alguns já mortos. E, não satisfeito, mostra mães e avós, em desespero, a serem assassinadas. E, claro, o toque final: a comparação entre os seios da mulher jovem que domina a parte central do quadro com os da velha imediatamente à sua esquerda.
Rubens quis, para lá de qualquer dúvida, mostrar uma cena de horror. Mas será que o fez com um sentido pedagógico, de alerta para a ferocidade da alma humana, ou, antes, quis divertir-se à custa dos pruridos dos observadores do quadro?
Costuma dizer-se que uma obra é tão mais importante quantos mais níveis de leitura tem. A obra de Rubens é magistral e se há quem consiga dali retirar sentimentos tão opostos, então, isso, mais do que abonar o intérprete, engrandecerá, ainda mais, a lenda de Peter Paul Rubens, o mestre flamengo que, entre os séculos XVI e XVII, conciliando o pagão e o religioso, o clássico com o moderno, conseguiu agradar a Deus e ao Diabo.
Dupont

Elisa-Vânia

O Trenguices está a levar a cabo uma daquelas eleições completamente adulteradas. Quer o nosso colega que a poveira Vânia vença a belísisma e dotadíssima vileira Elisa. Claro que só com batota... E digo-te mais, Mário: não abona nada em teu favor semelhante opção. E mais não digo.
Dupont

O PRD, lembram-se?

Cavaco Silva convidou Ramalho Eanes para presidir à sua Comissão de Honra e Pedro Canavarro para ser o seu mandatário em Santarém.
Manuel Sérgio, do PSN, parece que terá ficado aborrecido...
Dupont

Presidenciais

Sites dos candidatos:
Dupont

quarta-feira, outubro 26, 2005

Rui Osório

O Jornal de Notícias dá hoje conhecimento da aposentação do Dr. Rui Osório, Secretário-Geal daquela prestigiada instituição do jornalismo português.
Rui Osório é uma pessoa de enormes qualidades. Além da invulgaridade de ser um padre-jornalista profissional, Rui Osório é um homem que conhece o mundo, é culto e um grande humanista.
A ele, a nossa homenagem.
Dupond

Senilidade


Soares, na apresentação do seu manifesto:

Sobre a questão do aborto referiu que "a questão está neste momento a ser discutida na Assembleia da República (…) não se sabe se o Presidente da República manda ou não manda [a lei] para o Tribunal Constitucional".
1º - A questão não está a ser discutida na Assembleia da República.
2º - O presidente da República já enviou a lei para o Tribunal Constitucional.

Referiu-se a Nuno Severiano Teixeira como seu mandatário.
1º - Severiano Teixeira é porta-voz de campanha.
2º - O mandatário é Vasco Vieira de Almeida.

Sobre a sua militância no PS, disse ter entregue o cartão de militante a António Macedo, secretário-geral do PS há 20 anos, e que recusou a devolução do mesmo que lhe foi proposta por António Guterres.
Logo depois referiu: "Não voltei à militância, mas conservo o cartão que me deram, que é agora o de militante número um. E se vier a ser eleito, como espero, nessa altura devolverei o cartão".

Sobre o período de tempo durante o qual foi secretário-geral do PS, primeiro referiu “onze anos” e, depois, “treze anos”.

Senilidade: “deterioração mental ou física devida à idade avançada; velhice; senectude”.
General Alcazar

Rankings


No passado fim de semana vários órgãos de comunicação social falaram e escreveram sobre os Rankings das Escolas Secundárias.
A bem da verdade e para sermos rigorosos, não se trata de rankings das escolas secundárias (e já vão perceber o porquê do plural), mas sim de rankings das médias dos resultados obtidos pelos alunos nos exames nacionais do 12º Ano em determinadas disciplinas, por escola. Assim é que é.
Vamos à questão do plural: Cada jornal e li o JN, o Público e o Expresso tinha o seu ranking. Em cada lista, a ordenação das escolas não era a mesma. Cada jornal tinha seriado as escolas consoante as notas dos alunos em determinados exames, de acordo com o nº de alunos neles inscritos e, no caso do JN, a seriação entrava em linha de conta com a classificação final da disciplina (nota de exame + nota dada pelo professor). Enfim, cada cabeça sua sentença…
O segredo para deslindar o mistério – para aqueles que já se perderam, o mistério é sabermos qual a melhor escola – não restava alternativa senão pegar no ranking de um jornal.
Peguei no Público e tirei as seguintes conclusões:
1 - As escolas que ocupam os primeiros lugares são privadas.
2 - Também há escolas privadas nos últimos lugares
3 - Assim com há escolas públicas nas 20 melhores escolas e nas 20 piores.
4 - Há escolas nos primeiros lugares com poucos alunos a realizar exame, mas também as há com muitos alunos. E o mesmo se verifica nas que ocupam os últimos lugares.
5 - A maioria das escolas que ocupam os primeiros lugares são “Liceus”, mas também há Escolas Técnicas. E no final da lista, idem aspas.
6 – Há escolas do litoral nos primeiros lugares e lá no fim. E vice-versa.
7 – Há escolas na mesma cidade que estão nos primeiros lugares e outras muito lá atrás.

Portanto, as melhores classificações não têm directamente a ver com o proprietário da escola, nem com o tipo de escola, nem com o número de alunos, tão pouco, com a localização geográfica.

8 – Há escolas que se vão mantendo sempre nos primeiros lugares. Ou seja, nos últimos 3 anos as escolas que ocupam os primeiros 100 lugares são, sensivelmente, as mesmas.
9 – As escolas públicas estão a dar luta. Nos primeiros 20 lugares ficaram 2, 4 e 5 escolas públicas em 2003, 2004 e 2005, respectivamente.
10 – A nossa Escola José Régio ficou em 293º, melhor que o ano passado que ficou em 307º. Penso um pouco e …não sei se ria ou se chore.
11- Se considerarmos as escolas públicas dos concelhos vizinhos, as três que obtêm melhores classificações são: A Eça de Queirós da Póvoa de Varzim (55), a Abel Salazar de Matosinhos (60) e a Augusto Gomes, também de Matosinhos (69) que, por sinal, no ano passado ocupavam idênticas posições, conforme conclusão nº 8.

Assim sendo, o que justifica os diferentes resultados? O que distingue as escolas nos resultados dos exames?
Deve haver várias razões mas, tenho para mim, que são os alunos, sobretudo os alunos, que distinguem as escolas:
Bons alunos atraem bons alunos.
Bons alunos fazem boas escolas.
Boas escolas atraem bons alunos.
Haddock

terça-feira, outubro 25, 2005

Rosa Parks

No fim do dia 1 de Dezembro de 1955, em Montgomery, no estado norte-americano do Alabama, uma mulher, cansada, regressava do trabalho. Subiu para o autocarro e sentou-se. Pouco depois, um homem branco entrou no mesmo autocarro. Quis sentar-se. Viu uma mulher de cor a ocupar um lugar. Dirigiu-se- lhe, dizendo para ela se levantar. A mulher recusou-se. O homem chamou o motorista. O autocarro parou. O condutor levantou-se e ordenou à mulher que cedesse o lugar. Que era a lei: os negros tinham de dar o lugar aos brancos. Ela continuou sentada. O motorista deu-lhe voz de prisão. Ela respondeu que não se importava. Foi levada a Tribunal, julgada e condenada. A mulher chamava-se Rosa Parks e morreu ontem, com 92 anos.
Esta acção, aparentemente inócua, desencadeou uma série de eventos que transformaria, para sempre, os Estados Unidos da América. Logo a seguir, a comunidade negra organizou um boicote à companhia de autocarros que durou mais de um ano. À frente do movimento estava um jovem pastor, um desconhecido por aquelas paragens, Martin Luther King de seu nome, que dirigindo-se aos milhares de pessoas que por ali se reuniam, proclamou: "There comes a time that people get tired / Há um altura em que as pessoas se cansam".
Onze meses depois, o Supremo Tribunal consideraria a segregação racial em transportes públicos como 'inconstitucional', mas só em 1964, com a aprovação pelo Congresso do "Civil Rights Act", é que a política de não segregação se estendeu a todo o país. Quem estudar Direitos Humanos, ou minimamente se interessar pelo tema, sabe de cor a fascinante história desta mulher negra do Alabama. Seja como for, o exemplo de Rosa Parks (que, creio, já foi citado aqui n'O Vilacondense, mas não consigo encontrar a entrada) é de uma grandeza tal que custa encontrar palavras para o definir. Para quem tem medo de tomar posição, de dizer "não", de dizer "basta", a sua história deverá ficar como referência absoluta de que vale mesmo a pena lutar por aquilo em que se acredita.
Dupont

Medicina e Pragmatismo

Em Portugal, tal como no resto da Europa, o tema “Saúde” faz disparar a adrenalina em todos aqueles que dele dependem. Os profissionais de saúde, insatisfeitos com a sua situação profissional, e os doentes, irritados com o tratamento e desesperados com as filas de espera.
De vez em quando, há alguém que se propõe revolucionar a metodologia, mas acaba por desistir, tal a pressão que se levanta rapidamente para o abafar. Um dos mais notórios foi o Prof. Manuel Antunes, director do serviço de Cirurgia Cardiotorácica dos Hospitais da Universidade de Coimbra. Ali chegado, deu um cariz empresarial, com objectivos definidos, funções perfeitamente especificadas e uma cultura de responsabilidade. Este serviço apresenta níveis de produção muito mais altos dos que os seus congéneres noutros hospitais. Manuel Antunes ainda editou um livro, “A Doença da Saúde” (Quetzal, 2001), onde dissecava os problemas de que o País padece, nesta área, e apontava uma série de caminhos e soluções, a maior parte dos quais apontava para mais trabalho e mais responsabilidade dos profissionais da área. Na sua opinião, as listas de espera, por exemplo, eram algo que deveria e poderia ser eliminado rapidamente.
Nem será preciso dizer que a classe médica vociferou logo contra o “iluminado”. Recordo, particularmente, um artigo de Eduardo Barroso, no DNmais, onde procurava explicar que a medicina não se compadece com linhas de montagem, que cada doente tem de ter um tratamento especial e específico e que jamais um médico pode esquecer o ser humano que ali está à sua frente. No entanto, apesar de desprezar a metodologia de Manuel Antunes, sempre foi dizendo que, caso necessitasse, não via qualquer problema em ser por ele operado.



No passado domingo, o Sunday Times (também aqui) dava destaque a uma notícia semelhante. Recordando que Portugal, segundo a Organização Mundial de Saúde, tem o 12º melhor serviço de saúde a nível mundial, à frente do Reino Unido, por exemplo, o jornal intitulava: “French ‘factory’ surgeon cuts NHS queues”, o que numa tradução livre dará qualquer coisa como “Cirurgião “industrial” francês corta nas filas do Serviço Nacional de Saúde”.
Tal como a infografia mostra, o que John Petri faz é colocar duas salas de operação prontas, cada uma com o seu anestesista e os vários pacientes alinhados. Assim, quando acaba a parte essencial da primeira cirurgia, Petri avança para a segunda, cujo doente já está pronto para o acto. Logo que acaba, volta à primeira sala, onde um novo paciente já foi anestesiado e pronto a receber a intervenção de Petri, e assim sucessivamente. Segundo se refere no texto, este sistema permite reduzir o tempo de paragens entre operações numa margem entre os 40 e 60%. O cirurgião, de nacionalidade italiana, veio para o Reino Unido em 1994, após uma longa estadia em França. Uma vez lá, foi-se apercebendo da mecânica do sistema e o porquê das listas de espera: “quando eu perguntava, respondiam-me que eram os meios. Mas o que eu via era cirurgiões um monte de tempo à espera para entrarem na cirurgia”. Ou seja, estes médicos estavam ocupados naquilo que Petri chama de “drinking tea”… A sua argumentação é básica e fará as delícias de qualquer teórico em gestão: “se estamos à frente de uma fábrica, jamais permitiríamos que a nossa mais cara e mais importante máquina estivesse parada. O mesmo de diga em relação ao hospital”. É claro que Petri opera em jornadas ininterruptas de cinco horas, enquanto os colegas, com o método clássico, se ficam pelas três horas e meia. Assim, contabilizando uma hipotéticas 50 sessões de trabalho, o cirurgião italiano realizaria cerca de 270 operações enquanto dois colegas seus, juntos, ficar-se-iam pelas 225.
Nem será preciso dizer qual é a extensão da lista de espera de Petri…Zero! Normalmente, quinze dias depois da consulta, o paciente é operado. A sua especialidade é ortopedia, cujo tempo de espera para cirurgia, no Reino Unido, varia entre os três e os nove meses… Mais curioso ainda é o facto de esta “velocidade” não ser economicamente frutuosa. Na verdade, Petri revela que os seus ganhos caíram 10% este ano, e irão continuar a diminuir em 2006.
Como se refere no artigo, nem todas as especialidades podem ser submetidas ao “sistema Petri”. No entanto, porque é que não se faz isto relativamente àquelas em que tal possibilidade existe, como refere o português com formação americana, Manuel Antunes? Nunca percebi porque é que há um certo número de profissões, normalmente as que envolvem profissionais liberais, que parecem ter alergia a ver a sua actividade analisada estatisticamente ou capaz de ser sujeita a métodos racionais de gestão. Se tal não implicar uma diminuição nas garantias do doente/cliente, não vejo porque não. Mas parece que é território sagrado, onde os momentos de conversa, de relaxe, de almoços demorados, fazem parte integrante do trabalho.
Sei muito bem que alterar esse estado de coisas é mexer no “costume”. E, como todo o bom português sabe, o costume é lei…
Dupont

A nova frente de combate de George W. Bush

Depois do Afeganistão e do Iraque, George W. Bush parece estar cansado da temática actual da guerra. Vai daí e resolveu ser criativo: colocar o FBI na nova guerra é contra a pornografia.
Não se pense que é contra determinado tipo de imagens ou filmes, com adolescentes ou crianças, por exemplo. Nada disso, é mesmo contra adultos que consomem esse tipo de material. A ideia é salvá-los, uma vez que é um perigo para a sociedade, já que influencia negativamente muita gente, levando-os a cometer crimes de natureza sexual. O autor do artigo desmonta este argumento de forma brilhante, invocando a Dinamarca: "So if all those people are seeing all that porn, you'd think Denmark would be a chaos of sex crime. But it's not"...
Dupont

Memória...


Dupont

segunda-feira, outubro 24, 2005

Primeiro lugar

Para o Dupont, com amizade.
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Mas, não te esqueças e não se esqueçam todos aqueles que já vejo a salivar e a revirar os olhos, dos ensinamentos do grande Bocage, que das mulheres bem percebia:

Piolhos cria o cabelo mais dourado;
Branca remela o olho mais vistoso;
Pelo nariz do rosto mais formoso
O monco se divisa pendurado:

Pela boca do rosto mais corado
Hálito sai, às vezes bem ascoroso;
A mais nevada mão sempre é formoso
Que da sua dona o cu tenha tocado:

Ao pé dele a melhor natura mora,
Que deitando no mês podre gordura,
Fétido mijo lança a qualquer hora:

Caga o cu mais alvo merda pura:
Pois se é isto o que tanto se namora,
Em ti mijo, em ti cago oh formosura!


M. M. ¸Barbosa du Bocage,
Poesias Eróticas, Burlescas e Satíricas

Haddock

A não perder

A odisseia médica para salvar um paciente do "Médico [que] Explica Medicina a Intelectuais". Começou às 21.20 de Sexta-Feira e terminou(?) às 11.00 de Sábado.
Já o digo há muito tempo: heróis, nos tempos que correm, só na Banda Desenhada e nos bancos de urgência dos hospitais.
Dupont

Contingências do mercado

"É OFICIAL: Segundo as rádios, "galinhas e outras aves fora das feiras e dos mercados a partir da próxima 2ªfeira". Isto quer dizer que o Ricardo já não é transferido em Dezembro?", pergunta o Mar Salgado.
Dupont

«Vivo», Clã

Há uma certa altura na vida de uma banda em que chega o momento de fazer render o catálogo. Uns optam pelo clássico “Greatest Hits”. Outros há, mais envergonhados, que recorrem às gravações dos seus espectáculos para lançarem o clássico “ao vivo”. No caso dos Clã, curiosamente, não me parece que se verifique uma coisa ou outra.
Certamente que o título “Vivo” não se estará a referir à vitalidade do grupo, mas também não é a tradicional compilação de sucessos. O duplo álbum agora lançado faz, evidentemente, um recorrido pela carreira da banda da vilacondense Manuela Azevedo. Mas, além de procurar versões alternativas para algumas composições, oferece temas divididos com convidados e recupera alguma coisa que tinha caído no esquecimento.
Os Clã são uma das bandas mais importantes do nosso panorama pop-rock, com uma das carreiras mais sólidas de que há memória. Disco após disco, o grupo soube construir uma estética inconfundível, sempre assente em critérios de extrema qualidade. A composição sonora nunca foi atrás dos sons da moda, apoiando a voz versátil de Manuela Azevedo. O último álbum, “Rosa Carne” é um exemplo claro disso mesmo.
“Vivo” cobre quase quatro anos de vida da banda, com gravações na Aula Magna, em 2000, no Hard Clube, em 2001. Daí que possamos encontrar todas as facetas dos Clã, desde os temas mais suaves, como o lindíssimo “Sopro do Coração”, numa versão perfeitamente arrebatadora, ou o hit “Problema de Expressão”, com o público a tomar o lugar da vocalista, até registos eléctricos como “Doença do Bem”, “Dançar na Corda Bamba” ou “Fahrenheit”. De referir, ainda, os artistas convidados, com destaque para o impressionante dueto com Adolfo Luxúria Canibal, em “Caubói Solidário”, onde o contraste entre o som gutural e grave do vocalista dos Mão Morta contrasta violentamente com a voz doce e aguda de Manuela Azevedo. Os restantes convidados são Maria João, Arnaldo Antunes e Manel Cruz.
Os Clã sempre foram “acusados” de serem melhor banda ao vivo do que em disco, o que é uma realidade. Conheço bastante bem os discos, já os vi actuar várias vezes e a verdade é só uma: a banda, ao vivo, transfigura-se. Então, a mudança de Manuela Azevedo não tem explicação. Ela que, no dia a dia, parece tão calma e serena, incapaz de subir a um palco, em cima dele parece que tomou uma dose concentrada de Red Bull e mais ninguém a pára!
A este propósito, não se deve perder o DVD que integra o álbum, com o registo de cinco interpretações dos Clã, precisamente aquelas em que estão os convidados. Mas houve, ainda, espaço para oferecer aos fãs um momento fabuloso: o tema “Fahrenheit”, no concerto de Vilar de Mouros, em 2001. Só visto! Chovia torrencialmente, a vocalista estava encharcada, com o cabelo a escorrer-lhe pela cabeça abaixo. Mas, quando a banda ataca o referido tema, Manuela Azevedo desata aos saltos, contagia o público e assim foi, sempre a abrir, até ao final. Irrepetível.
“Vivo” não será ‘disco do ano’, mas é, certamente, um dos melhores trabalhos lançados em Portugal durante 2005.
Dupont

É votar, é votar!...


A revista FHM resolveu fazer um concurso: "casting FHM". Vai daí e pediu que enviassem fotos de portuguesinhas em fato de banho, ou algo parecido. De entre a centena revelada na edição de Novembro, destaque para a vilacondense Elisa Monte, com um bonito sorriso e um dedinho maroto... A Póvoa de Varzim também apresenta uma concorrente, mas, sejamos francos: as coisas até podem correr mal para a "nossa" Elisa mas, se o júri perceber alguma coisa do assunto, em último já não fica!
Dupont

Adeus, hospital?

"O ministro prepara-se para deitar ao lixo o projecto", alerta a CDU da Póvoa de Varzim.
Dupont

BREAKING NEWS!!!!!!


O Chelsea perdeu dois pontos! Dois pontos!!!!
Dupont

PIDDAC

Há um ano, comentávamos as verbas para o PIDDAC. Mário Almeida queixou-se que eram insuficientes para as necessidades do conselho. Este ano, mudou de registo:
O PIDDAC "traduz a realidade económica e financeira do país, havendo uma contenção que afecta tudo e todos". No entanto, aparecerão três "intervenções fundamentais": o Centro Educativo de Santa Clara, que libertará o mosteiro para ser adaptado a uma pousada, o investimento no Laboratório de Investigação Veterinária, que contribui "para que Vila do Conde seja um núcleo importantíssimo no distrito do Porto", e as beneficiações na quinhentista igreja matriz. Tudo aqui.
Em relação à quase lendária esquadra da PSP, Mário Almeida vai continuar a "insistir".

Há um ano escrevi que "Mário Almeida não consegue puxar nada de relevante para o concelho se o PS não estiver no Governo". Parece que me enganei...
Dupont

domingo, outubro 23, 2005

FIBDA 2005

Little Nemo à entrada...


O "honolável" TakaTakata


Nemo a entrar no Mundo dos Sonhos...


Um desenho original de Hergé

Já aí está o Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora, versão 2005. O local continua a ser a estação de Metro da Falagueira, o que quer dizer que quase tudo o que dissemos que estava errado relativamente à edição do ano passado...continua por corrigir! O calor, a falta de sanitários e de roupeiro, o ambiente algo claustrofóbico permanecem...
Melhor, bastante melhor, estão as exposições. Em primeiro lugar, o espaço está muito melhor aproveitado, dando uma situação de maior fluidez à visita e convidando os visitantes a "perderem-se" na exposição, mimetizando um efeito quase onírico. Aliado a isso, a organização, através do tema escolhido, "O Sonho", conseguiu criar uma homogeneidade assinalável em toda a exposição - afinal, "o sonho comanda a arte". Sempre com arte original, começando com o incontornável Little Nemo, de Winsor McCay, e prosseguindo até autores mais recentes, como Moebius, e no entremeio com passagem obrigatória por Hergé, Franquin, Herriman, tudo parece estar conjugado em função do tema. Estão todos, portanto, de parabéns.
Doutras exposições, destaque para a de Joe-El Azara e o seu Taka Takata e de Vittorio Giardino, um autor capaz do melhor, "Jonas Fink" e "Max Friedman" e do pior, "Little Ego" e "Eva Miranda".
Muitos autores irão passar pela Amadora. Nacionais, serão quase todos; internacionais, para além de Giardino, destaque absoluto para Gibrat, Stasse e o genial Boucq. A parte comercial está mais escondida, o que é de aplaudir, com excepção da toda-poderosa ASA, a única a mostrar algum profissionalismo.
Referência final à Silvia e à Sara, bloggers do Beco das Imagens, que tive o prazer de, finalmente, conhecer.
Dupont

sexta-feira, outubro 21, 2005

Efeito Mourinho


Abramovich:
"We'll rule for 100 years." (no The Sun)
"Chelsea will rule forever." (no Daily Mirror)

Pois … se Mourinho for eterno e se, entretanto, não tiver uma vontade inabalável de “mudar de ares”.
General Alcazar

Palavras de Presidente


1 - "Os Portugueses sabem que sou um homem de palavra"
2 - "Não sou candidato para satisfazer uma ambição pessoal"
3 - Candidato-me como um homem livre. O meu compromisso é exclusivamentecom Portugal e os portugueses"

Cavaco dixit.

Que disse Soares?

Haddock

A ler...

... este texto do Trengo.
Dupond

O Regresso de Jedi


"Não prescindo do poder que a Constituição me confere, mas espero nunca ter razões para usar esses poderes muito extraordinários" - Cavaco Silva.
Dupont

Presidenciais? Legislativas? Presidenciais? Legislativas?

"Estou convencido que, se for eleito, posso contribuir para melhorar o clima de confiança e vencer a situação muito difícil em que o país se encontra".
Dupont

Não seria melhor dizer «consciência do imperativo»?

"Faço-o por um imperativo de consciência" - Cavaco Silva
Dupont

Veja lá onde se mete - olhe que eles já têm as "janelas" do Bill Gates...

Cavaco Silva anunciou uma "janela de oportunidades para os jovens".
Dupont

Revista de opinião Vilacondense

No suplemento de Vila do Conde d'O Primeiro de Janeiro escrevem:
- Jerónimo Rosas, "Uma inauguração"
- Jorge Laranja, "Parabéns vila-condenses"
- Sérgio Vinagre, "Mais quatro anos perdidos"
- Alexandre Raposo, "Conclusões de 9 Outubro…"
- Fernando Reis, "Mudar, para quê?!"
- Abel Maia, " Rio Ave... O rio"
- Arnaldo Fonseca, "Carta aberta ao dr. Miguel Paiva"
Ainda no rescaldo das eleições autárquicas, é natural que os temas desaguem para aí... Excepções são os artigos de Abel Maia, sobre o estado do rio Ave, de Jerónimo Rosas, sobre a inauguração do pavilhão de Labruge e de Arnaldo Fonseca, que continua a trocar galhardetes com Miguel Paiva - a coisa está a azedar...
Quanto aos restantes artigos, Jorge Laranja congratula-se com o resultado das eleições, mas sempre vai recordando que todos, vencedores e vencidos, são responsáveis pelos cargos para que foram eleitos:
"fazer uma saudação muito especial a todos aqueles que se candidataram, já que, por razões certamente válidas, não prescindiram de dar o seu contributo mais activo para defenderem as posições que, no seu entender, melhor serviam os interesses da sua terra, Vila do Conde".
Alexandre Raposo avança para uma análise bipartida dos resultados eleitorais. Na sua opinião, o PS continua refém de Mário Almeida e, por outro, saúda a acção da coligação "Sentir Vila do Conde" e alerta para a novidade que é a chegada do Bloco de Esquerda à Assembleia Municipal. Já Fernando Reis tem uma teoria própria para explicar a não vontade de mudança:
Por cá, como que a corroborar também o princípio da não mudança, o mesmo autarca que há já 25 anos preside aos destinos do concelho viu-se uma vez mais reeleito. Esta aparente “resistência” do eleitorado, não significará, no entanto, falta de vontade em proceder à mudança, antes resultando de um fortíssimo desejo de verdadeira mudança, a concretizar, todavia, apenas e tão só quando a alternativa desejada se demonstre “garantidamente” assegurada.
Finalmente, Sérgio Vinagre mostra-se desiludido e exprime-se num artigo fortíssimo. Depois de apontar uma série de razões para explicar a permanência de Mário Almeida à frente do município, acusa Marcelino Eusébio e José Maria Postiga de práticas pouco correctas, nas Caxinas. Vamos a ver o que isso dá... Mais interessante é a revelação do que aconteceu ao candidato da coligação "Sentir Vila do Conde" à Junta de Freguesia de Rio Mau. A ser verdade, é mais do que lamentável, é uma vergonha:
Também lamentável foi a atitude de Mário Almeida para com um funcionário da Biblioteca Municipal, Manuel Lopes Castro, transferindo-o para a portaria do depósito (lixeira) do IC1, em Touguinha, após as eleições – foi obrigado a apresentar-se no passado dia 13 no novo posto de trabalho, embora já houvesse uma “ameaça” escrita em Setembro. Esta “sanção” resulta do facto de Manuel Castro ter sido candidato pela coligação PSD-CDS/PP à presidência da Junta de Freguesia de Rio Mau. Decididamente, falta cultura democrática a esta gente. Se não são magnânimos com os eleitoralmente derrotados, o que fariam se perdessem? Promoviam uma “revolta popular”, um “golpe de Estado” local?
Dupont

21 de Outubro de 1805 - Batalha de Trafalgar

Faz hoje precisamente 200 anos que se deu uma das batalhas navais mais importantes da História: a batalha de Trafalgar, que envolveu barcos ingleses, por um lado, e espanhóis e franceses, por outro. Um nome ficaria para sempre imortalizado, o do Almirante Horatio Nelson. Durante um período da minha adolescência, andei fascinado por guerras e batalhas. Lia tudo sobre combates, desde os mais antigos ainda nas civilizações clássicas até aos contemporâneos. De entre todos, alguns destacavam-se como os meus preferidos: Aljubarrota e Waterloo, onde tive o privilégio de estar no que resta de ambos os campos de batalha, alguns embates da I e II Guerra Mundial, a Guerra dos Seis Dias e, claro, Trafalgar. Daí o destaque de hoje.



Entre as sete e as oito da manhã de 21 de Outubro de 1805, as duas frotas avistaram-se perto do cabo Trafalgar, a sul de Cádis. O lado inglês dispunha de 27 navios, sem contar fragatas e outras embarcações menores, tudo munido com um total de 2650 peças de artilharia. O adversário tinha 33 embarcações e 3150 canhões. No entanto, dizem os historiadores, a desvantagem de Nelson não era a plasmada pelos números. Na verdade, os seus canhões eram mais leves e permitiam mais cadência de tiro, além de que os seus navios tinham maior quantidade de canhões concentrada. Cerca das 11.15, Nelson lançou o seu famoso sinal "England Expects That Every Man Will Do His Duty". Às 11.45 horas foi disparado o primeiro tiro. Pelas 16.00 já estava traçado o destino do embate e, pelas 18.00 horas, soou o último disparo. Quanto ao número de baixas, os espanhóis tiveram 2.500, incluindo-se 1000 mortos. Os franceses perderam 3.700 homens, num total de 5.200 baixas. Os vencedores perderam 450 soldados e tiveram 1.700 baixas.
A vitória começou a construir-se, como é hábito nesta gente quando se trata de coisas importantes, na concepção da estratégia e na organização. A armada franco-espanhola, como era clássico, estava disposta em linha, ou seja, com todos os barcos perfilados, oferecendo uma barreira de fogo extensa e brutal. Em vez de também formar um alinhamento idêntico, Nelson optou por ordenar a formação de duas colunas, e assim arremeter contra a linha inimiga, conforme se vê na imagem (aqui, para ver a batalha em animação) . O objectivo era partir o alinhamento em três, enfraquecendo o adversário. Tratava-se de uma técnica arriscada por uma razão óbvia: enquanto os seus barcos não chegassem lá não poderiam disparar nenhum tiro, estando inteiramente à mercê do fogo inimigo. Caso obtivesse sucesso, era meio caminho andando para a vitória, já que os barcos inimigos não se poderiam ajudar uns aos outros. E assim foi... Apenas cinco horas depois do início da batalha, a bordo do Victory cantou-se vitória. Lord Nelson já não pôde saber o quanto a sua estratégia fora a mais acertada. Durante a refrega havia sido atingido por um tiro disparado intencionalmente contra si, desde o navio francês Redoutable, entalado entre o Victory e o Temeraire, e que se revelaria fatal.
A Batalha de Trafalgar teve um significado relativo no que diz respeito à estratégia de Napoleão, Na altura, o Imperador via os seus domínios crescerem, com vitórias em Ulm e Austerlitz, pelo que desvalorizou a derrota. No entanto, a médio prazo, a importância de Trafalgar revelou-se fundamental, já que significou o fim da ideia de Napoleão em invadir a Inglaterra, por não dispor de navios que assegurassem o transporte e a segurança dos soldados franceses num eventual desembarque. A saída que encontrou foi encetar o bloqueio a Inglaterra, com o intuito de a fazer capitular. Não teve sorte, como sabemos. Por outro lado, do ponto de vista espanhol, a derrota de Trafalgar revelou-se quase fatal. Primeiro, os nossos vizinhos ficaram, praticamente, sem armada. Depois, por força do bloqueio napoleónico, viram os ingleses tomar conta dos negócios com a América.
Mais do que o acontecimento político-militar, o que realmente fascina é a visão de um homem cuja estratégia levou a uma vitória esmagadora, com poucas perdas materiais e humanas para o seu lado. Como em muitos momentos, valores como a organização e a definição de estratégia produziram resultados positivos. Uma lição com incontáveis exemplos ao longo da História, mas que, pelos vistos, por cá, não chama a atenção de quase ninguém.

O Redoutable, já só com um mastro, preso entre o Temeraire e o Victory
(The Battle of Trafalgar, de Clarkson Stanfield, Institute of Directors, Londres)

Comemorações

A passagem deste aniversário proporcionou inúmeras iniciativas. Em Espanha, Cádis é a cidade onde quase tudo acontece, com destaque para o desfile naval que acontecerá amanhã. Serão centenas de embarcações que procurarão repetir as formações dos navios de há 200 anos. Junto ao farol de Trafalgar será colocada a primeira pedra do Monumento à Paz e à Concórdia entre os Povos e inaugurada a exposição “Los naufragios de Trafalgar”. Ainda em Cadiz, serão inauguradas as exposições “Cadiz y Trafalgar: la ciudad ilustrada de 1805”, com recreação digital da batalha, e “Pintores y escritores del XXI vuelven a Trafalgar”. A Universidade Politéctica organiza um curso sobre engenharia naval da época.
É claro que, em Inglaterra, as comemorações são especiais. Exposições e conferâncias abundam. A mais espectacular será, porventura, “Nelson and Napoleon”, no National Maritime Museum, em Greenwich. Em Portsmouth, o Royal Naval Museum exibe uma série de documentos relacionados com a batalha. O National Fishing Heritage Centre, em Grimsby, exibe uma exposição focalizada na tragédia humana da batalha.

Livros
Como é norma, a quantidade de livros relacionada com o tema cresceu abruptamente este ano.
Em Espanha, destaque para o enciclopédico “La Campaña de Trafalgar”, de Hugo O’Donnel y Duque de Estrada, mas também “Trafalgar, Hombres y Naves entre dos épocas”, de José Cayuela e Ángel Pozuelo, “Trafalgar-Três armadas en combate”, de Victor San J uan, “El Combate de Trafalgar”, de Pelayo Alcalá-Galiano, “Trafalgar y el Mundo Atlántico”, de Agustín Guimerá, Alberto Ramos e Gonzalo Butrón, “El sistema atlántico español (siglos XVII-XIX)" de Carlos Matinez Shaw y José María Oliva Melgar, “En los dias de Trafalgar”, de Augusto Lacave, “História del Combate Naval de Trafalgar”, de José Ferrer Couto numa reedição da sua obra de 1854 e, especialmente, “La Campaña de Trafalgar (1804-1805)” de José Ignacio Gonzalez-Aller e “Corpus Documental” que reúnem toda a documentação da batalha.
A edição 84, de Outubro de 2005, da revista espanhola “La Aventura de La Historia” traz um enorme dossier sobre o assunto e oferece um livro, “Trafalgar” de Benito Perez Galdós.
Em Inglaterra, os principais lançamentos incidiram mais na figura quase mítica do seu herói nacional, Lord Nelson: “Admiral Lord Nelson: Context and Legacy”, um apanhado de textos da responsabilidade de David Cannadine, “The Pursuit of Victory: The Life and Achievements of Horatio Nelson” de Roger Knight, “Nelson ans Napoleon: The Long Haul to Trafalgar” de Christopher Lee, “Admiral Colingwood: Nelson’s Own Hero” de Max Adams e “An Admirable Wife: The Life and Times of Frances, Lady Nelson”, de Sheila Hardy.

Na net
Trafalgar, um site espanhol com imensa informação, incluindo imagens dos locais ligados à batalha, documentos e testemunhos. Admiral Nelson and his Navy é uma página dedicada ao almirante inglês. O War Times Journal disponibiliza as cartas de Lord Nelson. Na BBC, completíssimo. Na Wikipedia.

Fontes do post: El Pais, EL Mundo, The Times, La Aventura de la Historia
Dupont

«Marnie», de Alfred Hitchcock

A colecção do Público dedicada à obra do mestre Alfred Hitchcock propõe, hoje, “Marnie”. Curiosamente, está bastante fresco na minha memória, já que o revi antes do Verão, num dos canais por cabo. Mais uma vez, aqui fica o aviso que o desenlace do filme é revelado neste post.
Margaret/Marnie (Tippi Hedren) é uma ladra, fria e calculista. Integrando-se em sucessivos escritórios de firmas, vai roubando-os, serenamente, um a um. A certa altura pede emprego numa grande firma onde o gerente, Mark (Sean Connery) a reconhece do seu anterior trabalho, bem sabendo o que ela lá havia feito. Sem lhe revelar este detalhe, deixa-se envolver com ela, até chegar ao ponto em que Marnie lhe assalta o escritório. No dia seguinte, Mark vai ter com ela e desmascara-a. No entretanto, fica a saber que ela tem um fobia pela cor vermelha e pânico de trovoadas. Apaixonado, força-a a casar com ele, quase sob pena de a denunciar. A lua de mel corre mal, já que Marnie tem medo de ser, literalmente, tocada por homens. Todos estes traumas fascinam Mark que, nos tempos livres, é zoólogo e gosta de estudar o comportamento dos animais... Uma investigação particular por ele ordenada descobre que a mãe de Marnie, com quem ela tem uma relação algo distante para seu grande desgosto, está viva e que havia sido julgada por homicídio e absolvida, quando a miúda apenas tinha cinco anos. Mark leva-a à presença da mãe, onde se dá a catarse total: Marnie é filha de uma antiga prostituta. Uma noite, quando recebia um cliente, este tentou abusar de Marnie, sendo agredido pela mãe. A miúda, para a ajudar, acaba por matar o agressor, que fica com a camisa cheia de sangue, enquanto lá fora, troveja e relampeja. Estava explicado a origem dos traumas de Marnie que, assim, poderia, finalmente, levar uma vida normal.
Na obra de Hitchcock, a profundidade psicológica de “Marnie” só encontra paralelo em “Spellbound/Casa Encantada”. Todo o filme é feito de subtilezas e comportamentos psicologicamente relevantes. A carga temática é tal que o próprio argumentista brinca com o assunto: a certa altura, durante uma conversa entre Marnie e o marido Mark, aquela comenta, sarcasticamente: “Já estou a ver: tu Freud; eu Jane”...
A verdade é que os diálogos são excelentes: há humor, como na cena em que Marnie se tenta suicidar, afogando-se, na piscina do barco – pergunta Mark: “se querias mesmo isto, porque é que não te atiraste ao mar?”, para ouvir a resposta: “Eu queria matar-me e não servir de comida aos peixes”; há duplos sentidos – Marnie agarrada ao seu cavalo, em frente do marido por si rejeitado: “se quiseres morder, morde-me tu a mim”; ou quando pede a Mark para ir à casa de banho refrescar-se, depois de apanhada por ele, : “não precisas; já estás fresca que chegue...”, responde-lhe o marido.
Notável é o desempenho de Tippi Hedren, mais intenso e subtil do que em “Os Pássaros”. Hitchcock explora a enorme beleza da actriz até à saciedade (conta a lenda que ele se atirou a ela, de forma descarada, durante as filmagens... - tinha bom gosto, o velho Hitch...). Os grandes planos da sua face, nos momentos em que desejo e repulsa se misturam são brilhantes. Mas verdadeiramente excepcionais são aquelas cenas em que a cara de Hedren, durante as crises de pânico, transmite um sentimento misto de dor e de prazer. Os avanços de Mark, sempre alvo de repulsa, só vêm aumentar o desejo do marido e, também, do espectador em ver a situação “resolvida”...
Há quem considere “Marnie” um filme aborrecido, no sentido de que tudo gira à volta de uma única personagem e de um só tema, o seu tratamento. Eu gosto imenso deste filme, mas aceito perfeitamente que quem não achar muita piada á área da psicologia, poderá achar esta obra algo monótona, especialmente quando comparada com os restantes trabalhos de Hitchcock.
Na época, o filme foi rotulado de “sex-mistery” mas , na verdade, é quase um tratado de psicologia, com muito romance à mistura. Para mim, é um romance de rara profundidade. Mark acredita até ao fim que conseguirá fazer emergir a verdadeira Marnie, deixando para trás o trauma de infância. Esta demanda, quase quixotesca no sentido de estar a combater algo que não conhece e para alguém com quem casou mas que também não conhece, é uma prova tremenda de amor que ele sente por Marnie. E, aqui, quem diz amor, diz, obviamente, sexo...
No final, quando o casal sai da casa da mãe dela, vê crianças a brincar na rua. Marnie pára e elas também. Como se estivessem a contar com ela. Como se ela tivesse acabado de renascer e voltasse a ser criança. O ciclo havia-se fechado.
Dupont

quinta-feira, outubro 20, 2005

Plano de Emprego bem aceite pela oposição

"O Plano Nacional de Emprego 2005-2008 que o ministro do Trabalho ontem apresentou à Comissão Parlamentar de Trabalho e Segurança Social foi bem aceite pelos partidos da oposição, recebendo um "cartão amarelo" do Partido Comunista. Tanto o PSD como o CDS-PP manifestaram a sua concordância com a grande maioria das propostas e programas que o Plano propõe e limitaram-se a fazer perguntas sobre metas concretas ou meios de financiamento."
Esta notícia vem no Público de hoje. Chamou-me a atenção porque parece provar que, quando as propostas são mesmo boas, é possível unir Governo e oposição.
Dupond

Volta Cavaco. Estás perdoado.

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Logo ao jantar, Cavaco Silva apresentará a sua candidatura à Presidência da República.
Espero que não seja uma apresentação como a de Mário Soares: um discurso longo, maçudo, “oco”; de tudo e nada dizer. Enfim, uma cena política caricata a que não faltou sequer uma falha sistema de som. Fatal.
Pelo contrário, estou a contar com um discurso sério (também sem piadas e sem risos), sereno e firme que incuta esperança no futuro e confiança nos portugueses. A ver vamos.
Tenho para mim que Cavaco ganhará as eleições logo na primeira volta.
E Soares já perdeu.Perdeu por duas razões:
Primeira, porque lhe falta credibilidade para exercer o cargo. Não me esqueci nem muitos portugueses esqueceram dos ziguezagues em questões de princípio com a candidatura ao Parlamento Europeu; nem do triste papel que fez como candidato a Presidente do mesmo; nem dos apelos ao voto no seu filho em dias de eleições, nem das intrigas contra o governo de Cavaco, nem das indelicadezas que fez ao “amigo” Manuel Alegre…Enfim não é um candidato com a solidez moral e intelectual que se espera e exige de um Presidente da República.

Segunda, porque não tem idade para ser candidato. Já sei, já sei que isto que acabei de dizer é uma heresia para alguns democratas de serviço e comentadores do costume.
Estes sempre dirão que a idade do Soares não é óbice à sua candidatura; que é uma falta de respeito criticar a candidatura do dito com base na idade; que ninguém pode ser prejudicado nos seus direitos pela idade que tem; que já houve outros, em Portugal e no estrangeiro, a candidatar-se a este cargo com mais de 80 anos; blá, blá blá…
Mário Soares é demasiado idoso para o exercício do cargo. Perguntem a qualquer vizinho de 80 anos o que acha?
É tão idoso que, caso fosse Cardeal, já nem sequer tinha idade para ser eleito Papa, como bem sugeriu o Presidente do FCP (este, às vezes, também acerta).
Tenho pena que Mário Soares não tenha tido a serenidade nem a sabedoria para se retirar a tempo do Olimpo que tinha alcançado na democracia portuguesa.

P.S.
Alguém me sabe dizer porque é que a Constituição da nossa República impede que um (a) cidadão (ã) de 34 anos possa ser candidato (a) à Presidência (por ser demasiado jovem, presumo) e não impede um indivíduo de 81 anos de o fazer? Mesmo que não sofra da próstata.
Haddock

Ninguém escapa!...


Dupont

Romeu Cunha Reis no «Jornal de Letras»

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O livro "Esta Noite Forniquei com a Liberdade", do advogado e cronista vilacondense ROmeu Cunha Reis, continua a ser referenciado pela imprensa da especialidade. Depois de 'os meus livros', aparece agora no 'Jornal de Letras'. O Vilacondense já postou aqui sobre a obra.
Dupont